Carta aberta à Ministra Dilma Roussef

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Brasília, 18 de junho de 2009.

 

Carta aberta à Ministra Dilma Rousseff

Presidente do Conselho Nacional de Biossegurança

 

Senhora Ministra,

 

Ao apoiar a liberação dos transgênicos o governo Lula prometeu haver no Brasil espaço para todos os tipos de agricultura. Com esse compromisso público, reiterado em 2006 perante a comunidade internacional durante a abertura da COP 8 em Curitiba, o Presidente se comprometeu a garantir a “convivência pacífica” entre plantios convencionais, orgânicos, agroecológicos e transgênicos. A realidade, contudo, vem mostrando total desrespeito do governo Lula para com a existência de diferentes modelos de agricultura e para com o direito dos consumidores.

 

Os alertas referentes ao descontrole e às consequências que decorreriam da liberação dos transgênicos estão todos se confirmando. Soja, milho e algodão transgênicos entraram ilegalmente no país e o fato consumado pautou as decisões oficiais. O CNBS recebeu dossiê assinado pela Central de Associações da Agropecuária Familiar do Oeste do Paraná, em junho de 2007, contendo provas dos casos de contaminação da soja, mas não se manifestou e não agiu, prejudicando os agricultores contaminados que optaram por não produzir transgênicos – com o compromisso do presidente Lula ignorado.

 

A CTNBio liberou o milho transgênico sem antes definir normas de coexistência, entre outras. Mesmo sob a argumentação técnica do IBAMA em recurso ao CNBS sobre a contaminação inevitável, esse Conselho de Ministros referendou a decisão da CTNBio, furtando-se de sua função estabelecida pela Lei de Biossegurança de apreciar os recursos dos órgãos de registro e fiscalização. As contaminações estão acontecendo, a CTNBio segue liberando outras variedades de milho transgênico e o CNBS continua inerte.

 

No último dia 10 de maio, o Jornal Folha de São Paulo em matéria intitulada “O Brasil perde o controle dos transgênicos”, denunciou o descontrole verificado no campo e na cadeia alimentar com relação ao uso de sementes transgênicas. Os produtores afirmaram não haver fiscalização pelo Ministério da Agricultura. Não há rastreabilidade (identificação na nota fiscal que acompanha o OGM), nem segregação dos grãos ao longo da cadeia produtiva (separação das produções), e com isso a rotulagem de alimentos não se concretiza. A própria Comissão Técnica Nacional de Biossegurança afirmou que a lei de rotulagem não é plenamente respeitada. Esta foi apenas a primeira colheita de milho transgênico.

 

Paralelamente, as sementes convencionais de soja e milho estão sumindo do mercado e o governo Lula continua inerte e calado. Estaria à espera de mais um fato consumado?

 

Diante do exposto, as organizações abaixo-assinadas vêm a este Conselho solicitar a suspensão do plantio e da comercialização de sementes de milho transgênico até que estejam plenamente garantidas:

 

1) A oferta de sementes convencionais e orgânicas em quantidade e qualidade;

2) Medidas eficazes para evitar a contaminação das lavouras orgânicas e convencionais;

3) Definição das condições para a segregação dos grãos ao longo da cadeia produtiva;

4) A rastreabilidade e rotulagem dos alimentos conforme decreto 4.680/03;

5) Rigorosa fiscalização dos órgãos competentes para honrar o compromisso assumido pelo Presidente Lula.

 

Estamos certos de que a adoção urgente dessas propostas é medida de defesa da agricultura brasileira e da segurança e soberania alimentar de nossa população.

 

Muito atenciosamente,

 

  1. AAFEMED – Associação dos Agricultores Familiares e Ecológicos de Medianeira – PR

  2. AAO Associação de Agricultura Orgânica

  3. ABD Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica

  4. Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos Humanos – ABRANDH

  5. ADECON – Associação de Defesa da Cidadania e do Consumidor – PE

  6. ADOCON - Associação das Donas de Casa dos Consumidores e da Cidadania – SC

  7. AFES - Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade

  8. ANA Articulação Nacional da Agroecologia

  9. ANCA - Associação Nacional de Agricultura Camponesa

  10. ANPA Associação Nacional dos Pequenos Agricultores

  11. AOPA - Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia

  12. APROMAC – Associação de Proteção ao Meio Ambiente / Paraná

  13. ASA Brasil – Articulação do Semi-Árido Brasileiro

  14. AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia

  15. Assentamento Josué de Castro – Fazenda Patos – Ouricuri – PE

  16. ASSERA/BSB - Associação dos Servidores da Reforma Agrária de Brasília

  17. Associação dos Agentes de Saúde de Bodocó – PE

  18. Associação dos Agentes de Saúde de Ouricuri – PE

  19. Associação Alternativa Terrazul

  20. Associação dos Apicultores de Ouricuri – PE

  21. Associação de Certificação Socioparticipativa da Amazônia – ACS Amazônia

  22. Associação dos Trabalhadores/as Rurais da Agrovila Nova Esperança – PE

  23. CAATINGA

  24. CAPA Santa Cruz do Sul – RS

  25. CAPINA

  26. Centro Acadêmico de Nutrição da UFPR

  27. Centro Nordestino de Medicina Popular

  28. Centro de Organizações e Produtoras Agreocológicas do Araripe – PE

  29. Centro Sabiá

  30. Centro Vianei

  31. CEPIS - Centro de Educação Popular do Instituto Sedes Sapientiae – São Paulo

  32. CONSEA Pernambuco

  33. CONSEA Rio Grande do Sul

  34. Cooperafloresta – Ass. dos Agric. Agroflorestais de Barra do Turvo e Adrianópolis - SP

  35. Cooperativa Central dos Assentamentos do Rio Grande do Sul – COCEARGS

  36. Cooperiguaçu - Cooperativa Iguaçu de Prestação de Serviços

  37. Cooperativa de Trabalhadores em Agroecologia Floreal

  38. ESPLAR – Centro de Pesquisa e Assessoria

  39. FASE

  40. Federação das Associações de Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro – FAEARJ

  41. Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul – FETRAF-SUL/CUT.

  42. Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Brasil – FETRAF-BRASIL/CUT

  43. Fórum Carajás

  44. Fórum Cearense de Segurança Alimentar e Nutricional – FCSAN

  45. Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do PARANÁ (FESAN-PR)

  46. Fórum Latino Americano de Defesa do Consumidor – FEDC

  47. Fórum Nacional das Entidades Civis de Defesa do Consumidor – FNEDC

  48. Fundação Cepema – CE

  49. Fundação Rio Parnaíba – FURPA

  50. GAE - Grupo de Agricultura Ecológica da UFRuralRJ

  51. Greenpeace

  52. Grupo de Estudos de Agricultura Ecológica

  53. IBASE

  54. IDEC Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor

  55. Instituto Giramundo Mutuando – Botucatu – SP

  56. Instituto Marista de Solidariedade – IMS

  57. IPETRANS - Instituto de Pesquisas Transdisciplinares de Porto Alegre

  58. Movimento Campones Popular – MCP

  59. Movimento de Cidadania pelas Águas – MCPA-Brasil

  60. Movimento de Donas de Casa e Consumidores da Bahia

  61. Movimento das Donas de Casa e Consumidores de Minas Gerais – MDC/MG

  62. Movimento de Donas de Casa e Consumidores do Rio Grande do Sul

  63. Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste – MMTR-NE

  64. Movimento de Mulheres Camponesas – MMC Brasil

  65. Movimento de Mulheres Camponesas do Mato Grosso do Sul – MMC

  66. Movimento de Mulheres Camponesas de Santa Catarina – MMC

  67. Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA Brasil

  68. MST Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

  69. Núcleo de Alimentação e Saúde Germinal

  70. PACS

  71. Rede de Agroecologia do Maranhão – RAMA

  72. Rede Brasileira de Justiça Ambiental – RBJA

  73. Rede Brasileira de Ecossocialistas

  74. Rede Ecológica – Rio de Janeiro

  75. Rede Ecovida de Agroecologia

  76. Rede Terra -Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Apoio à Agricultura Familiar

  77. Rede Sementes do Polo Sindical e das Organizaçoes da Borborema – PB

  78. Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Exú – PE

  79. Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remigio – PB

  80. Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Filomena – PE

  81. Siscooperater – Sistema de Cooperativas de Ater

  82. Sociedade Ambientalista Mãe Natureza – SAMAN

  83. Sociedade Brasileira de Engenheiros Florestais – SBEF

  84. Terra de Direitos

  85. UFAC/PZ/Arboreto - Pesquisa e Educação Agroflorestal

  86. Via Campesina Brasil

    ..

    87. INGÁ Estudos Ambientais – Porto Alegre – RS

    88. ABD Sul – Associação Biodinâmica

    89. ABONG – Associação Brasileira de ONGs

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