agosto 2010 – AS-PTA http://aspta.org.br Fri, 05 Feb 2021 13:07:05 +0000 pt-BR hourly 1 Sociedade civil e governo traçam ações para fortalecer fruticultura da Borborema http://aspta.org.br/2010/08/31/sociedade-civil-e-governo-tracam-acoes-para-fortalecer-fruticultura-da-borborema/ http://aspta.org.br/2010/08/31/sociedade-civil-e-governo-tracam-acoes-para-fortalecer-fruticultura-da-borborema/#respond Tue, 31 Aug 2010 17:27:40 +0000 http://aspta.org.br/?p=2755 Nesse segundo encontro estiveram presentes representantes do Polo da Borborema, da AS-PTA, do Sindicato dos Trabalhadores em Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Sinter), do Sindicato dos Agrônomos Veterinários e Zootecnistas dos Entes Públicos no Estado da Paraíba (Sinavez), da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), da Defesa Agropecuária da Paraíba e da Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap).

Esse tem sido um espaço importante de diálogo contínuo e direto entre os agricultores, as assessorias e o governo estadual, buscando deixar de lado as divergências e implementar soluções concretas que contribuam para o desenvolvimento da agricultura familiar de base ecológica da região, explicou Emanoel Dias, da AS-PTA.

Na primeira reunião, no dia 13 de Julho, também na sede da Emater em João Pessoa, foram divididas responsabilidades entre as organizações no sentido de viabilizar os encaminhamentos apontados coletivamente durante o seminário. Já neste segundo momento cada organização relatou as providências que tomou e os possíveis desdobramentos dessas ações.

O primeiro ponto colocado foi o da tramitação do projeto de implantação de uma biofábrica no Campus Areia da UFPB. Essa biofábrica seria destinada a multiplicar insetos inimigos naturais da mosca negra. Pesquisas têm demonstrado que num espaço muito curto de tempo de vida alguns desses insetos começam a se alimentar das larvas e ninfas da praga, configurando-se, portanto, bastante eficazes no controle biológico da mosca negra. O projeto da biofábrica foi encaminhado ao Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza no Estado da Paraíba (Funcep/PB) e, segundo Luis Carlos de Sá Barros, gerente operacional de Defesa Vegetal da Sedap, aguarda apenas a assinatura do governador para ser aprovado e iniciar o processo de licitações. A partir dessas informações, decidiu-se que uma comissão deverá acompanhar a tramitação de forma a “agilizar” sua aprovação pelo Funcep. A comissão conta com representantes da Defesa Agropecuária, do Sinter e do Sinavez.

O registro do óleo de nim foi o próximo item da pauta. A substância já é empregada com sucesso no controle de outras pragas similares, como a mosca branca, e a ideia é que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estenda seu registro para aplicação nas áreas atingidas pela mosca negra. O contexto é bastante favorável, uma vez que já existem empresas interessadas em produzir e comercializar o óleo de nim.

Para os agricultores familiares e assessorias, o registro do produto é importante e urgente, uma vez que pode substituir o agrotóxico Provado. Foi sugerido então que, numa próxima reunião, fossem trazidos dados sobre a eficácia das diferentes métodos de controle: convencional (com veneno), alternativo (com produtos naturais, muitos à base de nim) e biológico (introdução de inimigos naturais). O acompanhamento feito por agricultores da Borborema e seus parceiros tem mostrado que aquelas áreas que receberam o Provado não tiveram queda expressiva da incidência da mosca negra, enquanto que agricultores como Rivaldo, de Remígio, têm obtido ótimos resultados aplicando os produtos naturais (ver foto da produção agroecológica de tangerina e laranja de Rivaldo). Além disso, a diferença entre o valor do Provado (R$ 90,00/litro) e o de óleo de nim (R$ 20,00/litro) é considerável para as famílias agricultoras.

Após abordar esse ponto, Nelson Anacleto, do Polo da Borborema, lembrou que também é importante a quebra do status de quarentenária da mosca negra, já que ela não está presente apenas na Paraíba, o que abriria novamente o mercado dos estados vizinhos. Hoje encaminhamos um ofício ao Mapa e à Sedap solicitando a mudança do status da praga para facilitar o processo de tramitação e comercialização da produção para além das barreiras do nosso estado. Sugerimos que o Mapa e a Secretaria de Agricultura assumam seu papel, declarou Anacleto.

Em seguida, José Humberto de Albuquerque, responsável pela Vigilância Sanitária de Pragas Quarentenárias da Sedap, tomou a palavra e apresentou um relatório dos municípios em que foi concluído o cadastramento das propriedades rurais da Borborema. Esse cadastro facilitará a emissão dos Certificados de Origem Fitossanitária (CFOs) necessários para que os agricultores possam comercializar sua produção dentro da Paraíba, como também para Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. Segundo Albuquerque, as unidades rurais dos municípios mais atingidos pela mosca negra já foram todas cobertas e assinalou o mês de setembro como previsão para a finalização do trabalho em toda a Paraíba.

Também foi esclarecido que as famílias agricultoras que estão controlando a mosca negra através do tratamento alternativo podem ficar tranquilas em relação à emissão do CFO. Segundo representantes da Sedap, o certificado será emitido sem restrição, portanto, sem referência ou preferência por nenhum tipo de controle. O CFO é apenas uma garantia de que os frutos estão isentos de partes contaminantes que podem transmitir a mosca negra na rota de comercialização da laranja paraibana. Hoje existem 84 técnicos credenciados para emissão do CFO no estado.

Essa segunda reunião também teve como item de pauta a realização de uma Audiência Publica na Assembléia Legislativa. Representantes do Território da Borborema se prontificaram a desenhar uma proposta de conteúdo e fazer os contatos de modo a garantir a presença do maior número possível de deputados. O objetivo é obter apoio e lutar para conseguir recursos para atuar diretamente nas ações de controle da mosca negra. A data prevista é o mês de novembro, após as eleições para evitar a influência de fatores políticos.

Finalmente, discutiu-se como encaminhar a realização de um Seminário sobre Fruticultura. Ficou decidido que o primeiro passo deve ser estabelecer contato com o Fórum Estadual de Citricultura, coordenado pelo Mapa, mas que envolve diversas outras organizações, tais como Sedap, Embrapa, Sebrae e Banco do Nordeste do Brasil (BNB), buscando apoio e recursos. O fórum tem encontros mensais e a ideia é que um representante de cada organização envolvida no controle e convivência com a mosca negra compareça à próxima reunião. Entre outras questões a definir, estão: quem participará, qual o formato que o seminário deve assumir, metodologia, onde conseguir recursos para financiar o evento, restringir à Paraíba ou incluir representantes de outros estados.

Embora o foco central dessas reuniões seja reunir esforços da sociedade civil e do governo para amenizar os possíveis impactos da presença na mosca negra no estado da Paraíba, o principal objetivo é criar estratégias comuns e avançar nas ações que beneficiem a agricultura familiar de base ecológica do Território da Cidadania da Borborema.

Pela primeira vez os agricultores familiares têm tido a oportunidade de expor suas ideias e ter valorizadas as suas experiências pelos agentes do Estado. Agora têm a chance de mostrar que a marca da agricultura familiar da região é a diversidade de culturas e não o uso de agrotóxicos. E isso precisa ser respeitado, conclui Dias (AS-PTA).

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Qualidade de Sementes da Paixão é comprovada em pesquisas no Cariri Paraibano http://aspta.org.br/2010/08/25/qualidade-de-sementes-da-paixao-e-comprovada-em-pesquisas-no-cariri-paraibano/ http://aspta.org.br/2010/08/25/qualidade-de-sementes-da-paixao-e-comprovada-em-pesquisas-no-cariri-paraibano/#respond Wed, 25 Aug 2010 21:43:41 +0000 http://aspta.org.br/?p=2740 As mulheres agricultoras, por exemplo, muitas vezes preferem a variedade de milho de sabugo fino que é mais fácil de ralar para fazer alimentos à base de milho; outras optam pela variedade de sementes pequenas para alimentar pintos e galinhas. Há famílias que buscam aquela que produz mais palha, visando a alimentar os animais, enquanto outras querem um milho que cresça bastante para favorecer o consórcio com a fava, que precisa de um suporte de maior porte para se enroscar e crescer. Todos esses usos variam de acordo com a estratégia adotada por cada família agricultora, ora com vistas à comercialização, ora pensando no autoabastecimento da família, do sistema produtivo ou dos bancos de sementes comunitários.

Esse saber local, porém, nem sempre é reconhecido pelos programas governamentais de distribuição de sementes. Prova disso são as diretrizes que têm orientado o Programa de Sementes para a Agricultura Familiar, lançado em 2006 pelo Governo Federal. Conduzido pela Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (SAF/MDA) em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o programa tem priorizado a distribuição em larga escala das variedades melhoradas de milho e feijão desenvolvidas pelo órgão oficial, sob o argumento de que seriam as ideais para o clima da região semiárida. Com isso, tem-se negligenciado a experiência, a preferência e, por que não, a paixão dos agricultores por suas sementes tradicionais.

Diante dessa dissonância de opiniões sobre quais as variedades de sementes mais apropriadas ao semiárido, a Rede de Sementes da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA-Paraíba) se mobilizou e vem através de uma pesquisa apoiada pelo CNPq realizando ensaios de comparação de desempenho entre as variedades melhoradas e aquelas tradicionais. Para tanto, foi criado o Projeto Semente da Paixão, uma parceria entre a Rede de Sementes da ASA-Paraíba e a Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE), com o apoio da UFPB (Campus Bananeiras).

As comunidades de Mendonça e Sussuarana, no município de Juazeirinho, região do Cariri, receberam dois ensaios comparativos de variedades, onde foram plantadas 10 variedades de sementes crioulas de milho, uma desenvolvida pela Embrapa (milho Caatingueiro) e outra pela Agroceres (AG 1051). No dia 12 de agosto, foram obtidos os primeiros resultados. Entre os presentes na ocasião, estiveram representantes das Comissões de Sementes do Polo da Borborema e do Coletivo Regional do Cariri, Seridó e Curimataú, da AS-PTA, do PATAC, da Delegacia do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE) e da UFPB – Campus Bananeiras.

Todos puderam verificar que, mesmo com a pouca quantidade de chuva que caiu este ano na região (cerca de 250 mm), as sementes de paixão tiveram melhor desempenho que as variedades melhoradas. Para estabelecer os parâmetros de comparação, agricultores foram consultados e elencaram os critérios que, para eles, são os mais importantes, tais como: quantidade de palha (utilizada para alimentar animais), produção de grãos, qualidade das espigas, altura das plantas e diâmetro do caule (pensando no consórcio com outras culturas), peso da espiga, entre outros. Em todos os critérios elencados como mais relevantes pelas famílias agricultoras, os gráficos de comportamento das variedades crioulas superaram as sementes melhoradas.

Segundo Emanoel Dias, da AS-PTA: Não se trata de dizer que as sementes melhoradas da Embrapa são ruins, uma vez que há agricultores que vão utilizar o milho catingueiro, por exemplo, para vender milho verde na feira. O que a Rede de Sementes da ASA-Paraíba quer mostrar é que a disseminação de uma única variedade distribuída pelo governo não é uma boa estratégia. O ideal é que as famílias os agricultoras tenham à disposição, inclusive pelas políticas de governo, uma diversidade de sementes que valorize o grande patrimônio genético e a ampla quantidade de variedades locais. Nós acreditamos que essa diversidade é fundamental para a manutenção da agrobiodiversidade, da segurança alimentar e, portanto, para o fortalecimento da agricultura familiar agroecologica camponesa.

A partir desses resultados, a expectativa é desfazer a imagem de que as sementes crioulas não têm qualidade. Com esses ensaios, os parceiros envolvidos estão apresentando resultados científicos e comprovados em pesquisas. Ainda temos dois novos ensaios comparativos de variedades de milho para colher em 2010 na região da Borborema. Para 2011 serão implantados campos de multiplicação dessas variedades tradicionais. Dessa forma, o governo poderá adquirir essa vasta diversidade de sementes para distribuí-las para as famílias agricultoras do semiárido.

O Programa de Sementes para a Agricultura Familiar do governo federal é muito importante, mas desde que se ajuste à experiência, preferências e realidade da agricultura familiar da região. Para isso, é fundamental a participação ativa das famílias, conclui Dias.  

Leia também:

Semente da Paixão é tema de pesquisa participativa

Veja os resultados obtidos até o momento, clicando aqui.

 

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I Encontro da Juventude Camponesa do Polo da Borborema http://aspta.org.br/2010/08/20/i-encontro-da-juventude-camponesa-do-polo-da-borborema/ http://aspta.org.br/2010/08/20/i-encontro-da-juventude-camponesa-do-polo-da-borborema/#respond Fri, 20 Aug 2010 08:00:22 +0000 http://aspta.org.br/?p=2606

Desde fevereiro de 2009, a equipe da AS-PTA vem se reunindo com a Coordenação do Polo da Borborema para discutir sobre a necessidade de uma ação mais sistemática e qualificada junto à juventude. Afinal, os jovens representam a continuidade da militância em torno a um modelo alternativo de desenvolvimento rural.

A história da ação política do Polo remete às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), que formaram as primeiras lideranças. Hoje, essas lideranças é que devem buscar envolver os mais jovens em processos de formação específicos, contemplando os aspectos produtivos (jovens-experimentadores) e políticos (articulação de redes sociais).

Como declarou Nelson Anacleto, da Coordenação do Polo da Borborema: É preciso formar novos quadros para prosseguir com nosso projeto em construção e em crescimento. Devemos discutir a democratização dos sindicatos, para que os jovens entendam que podem exercer um papel importante na direção sindical.

Roselita Vitor, do STR de Remígio e da Coordenação do Polo, também destacou a importância de que a juventude compreenda a dimensão do novo projeto de agricultura agroecológica que está sendo desenvolvido pelas famílias da região: Pensar na juventude é pensar na continuidade de fazer agricultura, e uma agricultura diferente.  

Já para  Leia Santos, também da Coordenação do Polo: O trabalho com juventude já está posto. Existe uma articulação em grupos nas comunidades. Muitos deles já estão inseridos em associações comunitárias nos municípios. Outros têm papel político dentro dos sindicatos. Em que medida os jovens estão discutindo o modelo de agricultura? A gente tem contribuído para que os jovens realizem esse debate? Como potencializar para que os jovens reflitam a realidade que eles vivem?

A palavra autonomia é bastante citada durante as discussões no sentido de aguçar a capacidade dos jovens de participar das tomadas de decisão, buscando conquistar espaço no núcleo familiar, mas também nas associações e nos sindicatos. O fortalecimento dos Fundos Rotativos Solidários (FRS), a inserção dos jovens em atividades de produção de mudas, beneficiamento de frutas, apicultura e comercialização são apontados como caminhos férteis para envolver a juventude. É preciso, portanto, valorizar o que os jovens estão fazendo nas propriedades, e ao Polo cabe o papel de articulação para trazer esses jovens para um ambiente de aprendizagem que articule prática e teoria.

Como afirmou a jovem agricultora Izonaide Macena: Trabalhar com jovens é desafiante, mas é muito importante. Os jovens não devem se prender apenas ao trabalho da agricultura. Eles podem sair para aprender e se qualificar no trabalho que está fazendo seja para a comunidade ou para fora. O grupo de jovens da minha região foi aumentando a partir das ações desenvolvidas e das visitas de intercâmbio que participaram. Quando chegam de uma visita, falam das experiências para os mais jovens, que passam a se interessar.

A partir desses momentos de debate, agricultores e assessorias buscaram definir os principais aspectos que devem orientar as ações junto aos jovens. Para iniciar esse primeiro encontro da juventude será trabalhada a construção da identidade da agricultura camponesa e do papel que a agricultura familiar cumpre para a sociedade em geral. Espera-se que esse momento seja construído a partir da história de cada jovem e de sua relação com o local em que vive.

O segundo dia será dedicado à análise do papel da agricultura familiar na construção do Território Agroecológico da Borborema. Começando com a apresentação do trabalho do Polo, o debate será inspirado pelo carrossel de apresentação de experiências de jovens que trocarão suas vivências com os demais. Espera-se que a apresentação das experiências possa abrir aos jovens espaço para expressar seus anseios e seja o campo fértil para a construção de um projeto de desenvolvimento que querem construir.

O evento contará com a participação de 70 jovens de 15 municípios do Polo da Borborema.

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Projeto Agroecologia na Borborema beneficia viveiristas do brejo http://aspta.org.br/2010/08/17/projeto-agroecologia-na-borborema-beneficia-viveiristas-do-brejo/ http://aspta.org.br/2010/08/17/projeto-agroecologia-na-borborema-beneficia-viveiristas-do-brejo/#respond Tue, 17 Aug 2010 10:22:08 +0000 http://aspta.org.br/?p=2513 Para Cleibson, assessor técnico da AS-PTA, o fortalecimento da organização do viveiro e a disponibilização dos instrumentos necessários à produção de mudas impulsionarão a rearborização intensiva na região do Brejo da Borborema.

De acordo Antônio Marcos, um dos coordenadores do viveiro, para além da rearborização, a produção de mudas no Assentamento contribuirá para difundir os princípios da Agroecologia entre os agricultores e, assim, dar início ao processo de recuperação das áreas degradadas.

O Projeto Agroecologia na Borborema é patrocinado pelo Projeto Petrobras Ambiental e pretende estruturar sete viveiros distribuídos na região da Borborema, localizados nos municípios de Solânea, Remígio, Areia, Esperança, Alagoa Nova e Massaranduba. A proposta é envolver mais de 100 viveiristas e capacitar outros(as) agricultores(as) interessados em transformar a Borborema em um grande espaço verde.

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Encontro de formação sobre os Fundos Rotativos Solidários http://aspta.org.br/2010/08/16/encontro-de-formacao-sobre-os-fundos-rotativos-solidarios/ http://aspta.org.br/2010/08/16/encontro-de-formacao-sobre-os-fundos-rotativos-solidarios/#respond Mon, 16 Aug 2010 18:46:31 +0000 http://aspta.org.br/?p=2512 Nessa ocasião, os presentes realizaram um diagnóstico participativo, elencando os avanços, entraves e desafios para esse mecanismo de poupança comunitária e solidária.  

Antecedentes

No semiárido, a solidariedade e a cooperação são características do modo de vida de milhares de famílias agricultoras. Os mutirões, as trocas de sementes e o compartilhamento de água e alimento em momentos de crise sempre existiram entre as comunidades rurais. Os Fundos Rotativos Solidários (FRS) nada mais são que uma nova forma de praticar esses valores. Eles constituem poupanças coletivas para a multiplicação dos recursos.

Muitos fundos rotativos se organizaram em torno da construção de cisternas de placas. Para as famílias agricultoras, os fundos permitiam que uma família recebesse o benefício, pensando em seu vizinho. A experiência se disseminou rapidamente pelas comunidades rurais, abrangendo mais de 140 municípios da Paraíba.

Em 2003, foi criado o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), coordenado pela Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA-Brasil) e financiado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Na Paraíba, o início da implementação do programa deu ainda mais fôlego à disseminação dos FRS pelo semiárido.

Entretanto, em 2004, a Controladoria Geral da União (CGU) questionou a legalidade da prática dos FRS para financiar a construção de cisternas. O governo alegava que os recursos eram a fundo perdido e, portanto, não poderia ser permitida a devolução do dinheiro ganho por uma famílias a um fundo coletivo. Ocorreu então a desvinculação entre o P1MC e os FRS, o que provocou a desmobilização de comunidades inteiras.

Muitas lideranças e assessorias, porém, não se contentaram em por fim às iniciativas de FRS que tantos benefícios trouxeram para milhares de famílias do semiárido. A ASA Brasil e o Comitê Nacional dos FRS, com o apoio do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), encomendaram um parecer jurídico, cujo resultado contestava a determinação do TCU, dando respaldo legal à prática.

Em abril de 2008, foi realizado o I Seminário dos Fundos Solidários – Gerando riquezas e saberes, que contou com a presença de agricultores, assessores e representantes de órgãos governamentais. Também foram produzidos materiais didáticos e informativos que reforçavam a importância dos FRS não só como mecanismo econômico, mas como reflexão da identidade camponesa.

Como resposta a essa mobilização, a Advocacia Geral da União (AGU) e o MDS promoveram um seminário em outubro de 2009, durante o qual afirmaram que a prática dos fundos solidários não fere as leis existentes e que, portanto, é possível destinar recursos públicos para programas que trabalham com os FRS.

Diante dessas declarações, representantes da sociedade civil solicitaram que a AGU se pronuncie oficialmente quanto ao apoio às iniciativas dos FRS de modo a oferecer segurança às consultorias jurídicas e aos técnicos dos órgãos públicos.

Resultados da Oficina

Apesar dessas conquistas, ainda paira um clima de insegurança, exigindo a concentração de esforços para revitalizar os FRS na Paraíba. Com o questionamento sobre a legalidade, muitos políticos utilizaram-se desse argumento para desarticular as comunidades, gerando um descrédito e abandono desse mecanismo. Diante desse contexto, os participantes da oficina foram divididos em quatro grupos para levantar os pontos positivos e negativos das experiências conduzidas na região do Polo da Borborema, assim como apontaram possíveis encaminhamentos para contornar a situação adversa.

Entre os aspectos mais importantes dos FRS, foi colocado o fato de ser um instrumento de poupança comunitária que, além de gerar renda, promove a autonomia, a autoestima e a segurança alimentar. Para a realidade da região, onde há pouca disponibilidade de terra por unidade produtiva familiar, os fundos proporcionam um melhor aproveitamento do espaço e a diversificação das atividades na propriedade, sobretudo nos arredores de casa. Trata-se ainda de uma oportunidade de acesso a crédito facilitado e adequado à necessidade de cada família, inclusive as mais carentes. Além disso, por ser um mecanismo democrático, todos os membros se envolvem e definem os critérios de participação, fomentando uma cultura de organização comunitária e solidária, dotando as comunidades de poder para se libertar dos maus políticos.

Ao falar de maior liberdade, os participantes apontaram também como os FRS trouxeram maior autonomia para as mulheres. Hoje, elas podem ter acesso a recursos e estruturar o arredor de casa, para conjugar num mesmo espaço a criação de animais e plantas. Com isso, geram sua própria renda e elevam sua autoestima. O caso de dona Lindalva, agricultora de Lagoa Seca, foi mencionado como exemplar nesse sentido.

Em 2000, depois que acessou o fundo rotativo e adquiriu 30 metros de tela, dona Lindalva pode organizar sua criação de galinhas. Apesar de se dedicar desde solteira a essa atividade, antes da tela ela enfrentava o problema de ter um terreno pequeno, além de estar sujeita a roubos e chateação com os vizinhos. Depois da cerca de tela, pode aumentar seu plantel e melhorar sua economia. Desde que cercou, cria 30 galinhas ou mais. Com a organização da sua criação, pode contribuir para o fundo com a venda dos ovos.

Para ilustrar a importância que o arredor de casa representa para as unidades produtivas familiares, foi construída uma maquete. Nela, havia chiqueiro da galinha, cisterna da água de beber, plantas medicinais, horta caseira, chiqueiro de porco, frutas, flores, colmeia de abelha, curral do gado, em suma, uma grande diversidade e riqueza dentro de um pequeno espaço.

O trabalho que temos desenvolvido no Polo da Borborema com os arredores de casa tem fortalecido bastante nosso trabalho como um todo, pois essa área constitui um meio de gerar renda e melhorar a segurança alimentar das famílias. É ali também onde são produzidas as plantas medicinais, promovendo saúde. É o local onde se educam os filhos. Ou seja, é um espaço de geração de autonomia, uma vez que não é preciso mais recorrer ao vizinho ou aos políticos para pedir água, plantas medicinais, etc. E com os fundos solidários, esse espaço ganhou mais vida, concluiu Leia, do STR de Massaranduba e da Coordenação do Polo da Borborema.

Gizelda, liderança do Polo, complementou: Em Remígio, mesmo com as dificuldades apresentadas pela desvinculação das cisternas, muitos FRS foram criados. Os FRS trazem novas formas de organização e é um espaço de organização das mulheres e de educação dos filhos. Não adianta ter um arredor de casa bem organizado se não tiver um debate sobre esse trabalho com a família.

Apesar do grande poder de transformação das famílias e da vida comunitária, os desafios para manter vivo o espírito de solidariedade e confiança nos fundos também são muitos. O problema passou a surgir com a desvinculação das cisternas, conta Gláucio, do STR de Massaranduba. Quando aconteceu o problema com a cisterna, tudo parou. As famílias desacreditaram no fundo porque acham que tudo é uma coisa só.

Além de casos de falta de reposição dos recursos, por falta de pagamento devido ao descrédito do sistema, os maiores desafios apontados foram os referentes à gestão dos FRS. Os participantes consideraram necessário realizar um trabalho de formação, organizar um sistema de controle da gestão, construir instrumentos que deem maior transparência na gestão dos recursos, garantir a prestação de contas para toda a comunidade, deixar claro de onde vêm os recursos e construir coletivamente como e quando o dinheiro comunitário será utilizado. Para tanto, sugeriu-se desencadear um intenso processo de formação no Polo para que as comunidades possam se apropriar novamente desse instrumento e criar princípios e regras para gestão coletiva da poupança comunitária. Uma poupança que dá liberdade e autonomia para que a comunidade possa construir seu projeto de desenvolvimento.

Encaminhamentos

Para os participantes da Oficina de Formação sobre FRS, é fundamental fazer com que as famílias acreditem novamente nessa prática, sendo a transparência e a difusão do conhecimento essenciais para o bom funcionamento dos fundos. Ficou estabelecido que serão convocados debates na coordenação do Polo e serão retomadas as discussões nas comunidades para a reconstrução política da importância dos FRS para a autonomia das famílias agricultoras.

Vamos conversar com as lideranças das associações e dos STRs, fortalecer a autoestima das lideranças. Vamos promover uma verdadeira campanha para a retomada das experiências dos FRS, que não geram só riqueza, mas também conhecimento e autonomia para as comunidades rurais camponesas, concluiu Luciano Silveira (AS-PTA).

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Projeto Agroecologia na Borborema realiza oficina de rearborização em assentamentos http://aspta.org.br/2010/08/10/projeto-agroecologia-na-borborema-realiza-oficina-de-rearborizacao-em-assentamentos/ http://aspta.org.br/2010/08/10/projeto-agroecologia-na-borborema-realiza-oficina-de-rearborizacao-em-assentamentos/#respond Tue, 10 Aug 2010 21:06:31 +0000 http://aspta.org.br/?p=2793 Emanoel Dias, da AS-PTA, explicou que essa seria uma oportunidade para, junto com as famílias, identificar as problemáticas ambientais dos lotes, assim como conhecer as ações que já são desenvolvidas pelos agricultores para a melhoria da qualidade de vida e do meio ambiente. Após o diagnóstico, será feito o planejamento coletivo para incrementar a diversificação com espécies arbóreas, frutíferas e forrageiras dos arredores das casas, como também o lote como um todo.  

Inicialmente, os agricultores foram questionados sobre como era a realidade do assentamento antes do processo de ocupação em relação à questão ambiental. Paulo e Nivaldo, hoje assentados, mas que sempre trabalharam para um severo patrão, contaram que até 1985 a propriedade era bastante arborizada, com presença de angico, baraúna, aroeira, pereiro, juazeiro, entre outras. Porém, na época o fazendeiro quis derrubar a mata e convidava os agricultores a realizar o desmatamento. 

Segundo Paulo: O fazendeiro arredanva a terra por dois anos para fazer o desmatamento e, depois de feito, ele cercava e plantava capim para o pasto do gado. A finalidade maior do fazendeiro era desmatar para criar. Só trabalhei três anos fazendo o desmatamento, mas meus companheiros continuaram. Cortaram muita baraúna, pereiro e angico.

Nivaldo complementou: Antes do desmatamento, a gente colhia 40 sacos de feijão. Hoje não tiramos nem a metade. Na época, havia roçado de milho e fava, sendo que a palha ficava para o fazendeiro e nós não podíamos criar nada.

Eles contaram ainda que os cerca de 100 agricultores que trabalhavam naquela fazenda foram coagidos a trabalhar dois dias de graça para o fazendeiro. Só foi com a desapropriação das terras em 1999 que a situação mudou.

Hoje somos donos de nossa terra e trabalhamos para nós mesmos, lembrou Ronaldo.

Quanto ao trabalho das mulheres, os relatos apontam que elas não tinham permissão nem chance de criar galinhas ou outros animais. Também não podiam tirar lenha sem autorização do capataz.

Se ele ficasse sabendo, mandava bater nas pessoas, desabafou dona Isaura. Os trabalhos eram somente em casa. Tínhamos muita vontade de pelo menos plantar no arredor de casa, mas os patrões não deixavam, completou.

Segundo os agricultores, o asssentamento das famílias trouxe liberdade para as famílias realizarem seus sonhos, uma vez que a partir de então sabiam onde poderiam trabalhar e tinham garantia de poder criar animais. A oportunidade de possuir uma terra devolveu às famílias agricultoras a capacidade de inovar e criar estratégias de convivência, mesmo numa realidade adversa. Com o passar do tempo, as famílias diminuíram as queimadas e aumentaram a diversificação dos roçados, com plantio de algodão, de mudas de gliricídia, sabiá, leusena, nim, graviola, cajú, pau d’arco, palma forrageira, etc.

Após a conversa sobre as mudanças ocorridas com a criação dos assentamentos, os visitantes foram conhecer as ações de experimentação nas propriedades dos agricultores. Foi visitado o pomar de Severino, o arredor de casa de Paulo e o bosque de sabiá e a plantação de gliricídia de Ronaldo.

Muitas práticas conduzidas pelas famílias agricultoras chamaram a atenção, entre elas:

● A economia da água obtida por meio do uso de cobertura morta, que retém a chuva e protege o solo do vento;

● O manejo correto da sabiá em relação à poda;

● A produção de estacas para cercar as propriedades;

● A melhoria de qualidade de vida em função da grande quantidade de espécies cultivadas num pequeno espaço no arredor de casa;

● A preocupação com o conforto dos animais e da família a partir da manutenção de árvores para gerar sombra;

● A produtividade das lavouras no solo com adubação orgânica das folhagens;

● As hortaliças no arredor de casa;

● A manutenção das árvores que agem como quebra vento e ao mesmo tempo fortalecem os solos e conservam a umidade;

● O conhecimento de novas plantas;

● A produção de alimentos sem venenos;

● O armazenamento de forragens;

● A recuperação do meio ambiente.

Quando perguntados sobre o que os incentivou a adotarem essas práticas agroecologicas em suas propriedades, eis o que os agricultores responderam.

Paulo: Pensei em fazer tudo isso para ter um quebra vento, pois não tinha também nenhum tipo. Me preocupei também com a segurança alimentar da minha família, não só da minha família, como também a dos animais. Serviu como armazenamento de forragens e sombras para eles, tendo o conforto e também preocupado com o meio ambiente. Tenho feito alguns cálculos de custo de produção e cheguei à conclusão de que deixei de gastar no comércio aproximadamente R$ 100, pois o que deixei de comprar tenho plantado no arredor da minha casa e no lote.

Ronaldo: Sempre fui preocupado com a questão do meio ambiente e o que fiz foi pela necessidade da natureza que estava precisando, pensava em fazer também um sistema de agrofloresta.

Ao final do dia, foi feito o planejamento de plantio de mudas. As mudas de quixaba, cumaru, favela, caraibeira, gliricídia, sabiá, nim, caju, tamarindo, seriguela, graviola, manga e mais de 4 mil estacas de gliricídia foram distribuídas para todas as famílias. Além dos arredores de casa, as plantas servirão para compor cercas vivas e bosques.

A mensagem que marcou o evento foi passada pelo Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remígio, Euzébio Calvacante: Temos que viver de forma solidária, não pensar só no dinheiro, mas na forma em que iremos ajudar nossos vizinhos e mostrar à natureza que temos uma responsabilidade com ela. Não só pensar no mercado, se podemos ter nossas verduras, galinhas e outras culturas que vão ajudar muito na melhoria de vida da família.

Para obter mais informações sobre o Projeto Agroecologia na Borborema, clique aqui.

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