Mulheres agricultoras geram renda e produzem alimentos de qualidade na Baixada Fluminense

Parceria entre a Univerde e o Projeto Semeando Agroecologia valoriza o trabalho e a participação das mulheres na agricultura urbana e periurbana para a geração de trabalho e renda e a melhoria da qualidade da alimentação de famílias e comunidades de baixa renda da baixada fluminense.

Uma realidade muito comum das comunidades de baixa renda dos municípios da região metropolitana do Rio de Janeiro é a da intercessão entre o que chamamos de rural e o que reconhecemos como urbano. São comunidades com seus territórios densamente ocupados, mas que tem pouca infraestrutura de saneamento, asfaltamento de ruas, iluminação e transporte público. Por outro lado, importantes referências do universo rural, como o cultivo de alimentos e a criação de animais também já não são tão comuns nestes locais. Em sua grande maioria a população adulta vive de empregos informais e tipicamente urbanos.

No entanto, nas comunidades de Geneciano, Figueira e Gerard Danon em Nova Iguaçú e na comunidade Amapá em Duque de Caxias, esta realidade vem mudando aos poucos a partir do trabalho das mulheres da Cooperativa de Agricultores Univerde, formada em 2008 com o fim do Projeto Plantio em Faixa de Dutos. A Cooperativa Univerde é uma das principais parceiras da AS-PTA no Projeto Semeando Agroecologia que tem o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Desenvolvimento e Cidadania.

A cooperativa é formada em sua maioria por mulheres, cada qual com seu lote. Sem o uso de agrotóxicos ou adubos químicos, fazem uma produção diversificada com verduras, plantas medicinais, mandioca, milho, quiabo, jiló. Algumas mulheres guardam sementes como a do jiló, do quiabo, almeirão e mostarda para os próximos plantios e utilizam o composto que fazem com restos de alimentos crus. Outras produzem ainda adubo com esterco de coelho e fazem também o uso de cobertura vegetal para controle da tiririca, que insiste em invadir os canteiros. O Projeto Semeando Agroecologia vai fortalecer as experiências que vem dando certo na Cooperativa ao mesmo tempo em que vai qualificar os sistemas de produção, buscando respostas às dificuldades enfrentadas.

Os alimentos servem a mesa das famílias, melhorando a qualidade da alimentação das crianças de casa e ajudam a comunidade, pois os produtos são vendidos para os vizinhos por um preço mais acessível. No entanto, estas mulheres estão cada vez mais ampliando seus mercados para fora das comunidades. A Cooperativa vende coletivamente os produtos na Feira da Roça em Nova Iguaçu, na feira da Universidade Federal do Rio Janeiro, na Transpetro e nas feiras organizadas pela Igreja Messiânica também de Nova Iguaçu. A venda para a alimentação escolar é agora uma realidade que pode mudar as estratégias de comercialização da Univerde. Recentemente as famílias conseguiram individualmente a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), e a cooperativa acaba de receber a DAP jurídica, ou seja, um certificado que garante que os produtos que vendem são provenientes da agricultura familiar, possibilitando inclusive sua venda para os programas do governo como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

A ampliação dos mercados para comercialização e um maior aproveitamento dos produtos são uns dos objetivos da cooperativa para este ano. Como parte da metodologia do Projeto Semeando Agroecologia as mulheres agricultoras da Univerde vêm se reunindo com a equipe técnica da AS-PTA para o planejamento de ações que venham a auxiliar a cooperativa na ampliação e estruturação da produção para atender estes novos mercados para seus produtos.

O projeto propõe a ampliação do diálogo com as práticas agroecológicas por meio do apoio técnico à cooperativa. Serão realizados cursos de produção de mudas de hortaliças, construção de viveiro, de beneficiamento, diagnósticos com o objetivo de ajudar as mulheres da Univerde a reduzirem os custos de produção.  Por meio desta parceria o Projeto Semeando Agroecologia aposta no fortalecimento do trabalho que já é desenvolvido pelas mulheres da Univerde, no sentido de criar mais autonomia na produção, a renda das famílias e o seu impacto positivo nas comunidades.

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Um comentário

  1. dulce
    Postado 9 de junho de 2011 às 23:35 | Permalink

    a agroecologia proporciona que a mulher conquiste o seu epaço publico e privado, estabelecendo uma relação de genero mais igualitária. Sou do setor de Gênero do MST/ ba e gostaria de saber como implementar esse programa em nossas áreas.

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