outubro 2011 – AS-PTA http://aspta.org.br Fri, 05 Feb 2021 13:07:05 +0000 pt-BR hourly 1 Encontro reúne Agricultoras e Agricultores Experimentadores do Semiárido Paraibano em Campina Grande http://aspta.org.br/2011/10/21/encontro-reune-agricultoras-e-agricultores-experimentadores-do-semiarido-paraibano-em-campina-grande/ http://aspta.org.br/2011/10/21/encontro-reune-agricultoras-e-agricultores-experimentadores-do-semiarido-paraibano-em-campina-grande/#respond Fri, 21 Oct 2011 14:34:42 +0000 http://aspta.org.br/?p=4772 Leia mais]]>
Plenária da II Marcha Pela Vida das Mulheres e Pela Agroecologia, Queimadas (PB)

Começa na próxima quarta-feira, 26, e segue até a quinta, dia 28 de outubro, o 1º Encontro Estadual de Agricultoras e Agricultores Experimentadores do Semiárido Paraibano, no Day Camp Hotel Fazenda, localizado no sítio Lucas,em Campina Grande. O evento está sendo promovido pela Articulação do Semi-Árido Paraibano (ASA-PB) e vai contar com a participação de cerca de 80 agricultores e agricultoras das oito microrregiões do estado nas quais a ASA Paraíba atua, técnicos e lideranças da ASA e membros de fóruns microrregionais. Foram convidados para a atividade a presidência da EMATER-PB e a Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca.

O encontro será aberto às 9h com uma exposição fotográfica com imagens que retratam o dia-a-dia das famílias do semiárido paraibano e a exibição do vídeo “Vivendo Experiências”. A programação dos outros dois dias segue com debates e diálogos sobre temas como: Papel das organizações na construção e socialização do conhecimento entre agricultoras e agricultores para a convivência com o semiárido e Territórios em disputa – trajetórias de inovação na afirmação da agricultura camponesa, entre outros. Para favorecer a troca de conhecimento será montado um Carrossel de Experiências, onde em cada parada, os participantes poderão conhecer a trajetória de construção dos oito territórios.

O objetivo do evento é fortalecer o protagonismo das agricultoras e agricultores na construção de conhecimentos para a convivência com o semiárido e refletir sobre os avanços na contribuição e papel dos camponeses nos processos coletivos de produção e disseminação de inovações nessa área, como explica Luciano Marçal, da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, entidade integrante da ASA-PB e umas das organizadoras do evento: “o modelo de extensão rural vigente desqualifica os conhecimentos das famílias agricultoras, tirando o seu protagonismo na organização dos seus sistemas produtivos e na construção de projetos de desenvolvimento. Nossa intenção com esse evento é restaurar e fortalecer os acúmulos dessas famílias, dar visibilidade à capacidade de inovação das famílias agricultoras que são capazes de construir seus próprios projetos, também que isso se reflita nas políticas públicas”, afirmou.

Ainda segundo Luciano, a atividade também será um momento para formular propostas de políticas públicas com base nas metodologias de agricultores experimentadores nos processos de construção do conhecimento agroecológico em preparação para a 2ª Conferência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, prevista para acontecer em abril de 2012: “Vamos formular propostas para a conferência e tirar compromissos dos representantes do governo no momento de diálogo com os participantes do encontro”, disse. A etapa estadual da conferência deve acontecer até janeiro do ano que vem.

 

PROGRAMAÇÃO:
26 de outubro (quarta-feira)

08h às 09h – Acolhida dos/as participantes
09h – Abertura da exposição fotográfica
10h30 – Mística de Abertura e Apresentação dos/as Participantes
Apresentação da Programação e Objetivos do Encontro

12h – Almoço.

14h às 18h – Agricultoras e agricultores experimentadores: agentes da construção e da partilha do conhecimento para a convivência com o semiárido

27 de outubro (quinta-feira)
08h – Papel das organizações na construção e socialização do conhecimento entre agricultoras e agricultores para a convivência com o semiárido.

12h30 – Almoço

14h às 18h – Territórios em disputa – trajetórias de inovação na afirmação da agricultura camponesa.

28 de outubro (sexta-feira)
8h – Construção e negociação de propostas de política para os serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) pública.
10h30 – Mística de Encerramento do Encontro

12h – Almoço

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Livro: Um avião contorna o pé de jatobá e a nuvem de agrotóxico pousa na cidade http://aspta.org.br/2011/10/20/um-aviao-contorna-o-pe-de-jatoba-e-a-nuvem-de-agrotoxico-pousa-na-cidade/ http://aspta.org.br/2011/10/20/um-aviao-contorna-o-pe-de-jatoba-e-a-nuvem-de-agrotoxico-pousa-na-cidade/#respond Thu, 20 Oct 2011 22:10:45 +0000 http://aspta.org.br/?p=4762 Leia mais]]> Este livro narra a história de um trabalho jornalístico. Todas as fases da apuração à edição e veiculação, as dificuldades encontradas no trabalho de reportagem, as tentativas de intimidação por parte daqueles que se beneficiam diretamente do comércio internacional dos produtos do agronegócio, o silêncio daqueles que se viram comprometidos, mesmo que indiretamente, com os fatos denunciados, a correlação de forças locais, em que o grande capital tem controle quase absoluto sobre a imprensa e uma influência decisiva sobre o poder público. Também aproveito esse trabalho para discutir certas práticas jornalísticas, como o uso de fontes que não querem se identificar (off the record). Espero assim colaborar como profissional da imprensa a serviço de uma empresa pública de comunicação.

É gratificante saber que nosso trabalho tem ajudado a sociedade civil de Lucas do Rio Verde e de outros municípios, que vivem os mesmos problemas, a se organizar em movimentos para discutir com o poder público a necessidade de um maior controle sobre o uso intensivo dos agrotóxicos e a questão da sustentabilidade ambiental, social e econômica do modelo de desenvolvimento.

Convido agora o leitor, pelas páginas deste livro-reportagem, a me acompanhar na viagem ao norte de Mato Grosso e a vislumbrar um pouco dessa vitrine do agronegócio que é Lucas do Rio Verde. Convido também o leitor a compartilhar comigo o cheiro do agrotóxico presente no ar quando me aproximei dos tratores que pulverizavam veneno. Convido a pensar sobre os resíduos dos agrotóxicos presentes nos alimentos que ingerimos, ou talvez na água que bebemos, nos rios, nas lagoas, no mar e na natureza que por milhões de anos desconheceu seus efeitos. Desconhecidos também são a maioria de seus efeitos em nosso organismo, apesar de pesquisadores estarem demonstrando, de maneira indireta, em experiências com animais, as alterações genéticas que podem produzir e os diversos tipos de câncer e outras doenças degenerativas, decorrentes da intoxicação que esses produtos provocam. Compartilho aqui com o leitor algumas dessas pesquisas a que tive acesso. Tudo isso feito no interesse de informar com exatidão, com senso de responsabilidade e com a isenção possível, do ponto de vista do repórter que não é neutro mas que procura informar sem preconceitos, sem deixar que a qualidade da informação, a que o leitor tem direito, fosse distorcida.

Paulo Machado

Leia o Livro: Um avião contorna o pé de jatobá e a nuvem de agrotóxico pousa na cidade

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1ª Conferência Territorial de Políticas Públicas de Juventude da Borborema reúne jovens de 21 municípios em Lagoa Seca-PB http://aspta.org.br/2011/10/14/1%c2%aa-conferencia-territorial-de-politicas-publicas-de-juventude-da-borborema-reune-jovens-de-21-municipios-em-lagoa-seca-pb/ http://aspta.org.br/2011/10/14/1%c2%aa-conferencia-territorial-de-politicas-publicas-de-juventude-da-borborema-reune-jovens-de-21-municipios-em-lagoa-seca-pb/#respond Fri, 14 Oct 2011 12:58:05 +0000 http://aspta.org.br/?p=4719 Leia mais]]> Cerca de 70 jovens de 21 cidades do Território da Borborema e dos 15 municípios onde está organizada a Ala Jovem do Polo da Borborema, participaram nesta terça-feira, 11 de outubro, da I Conferência Territorial de Políticas Públicas de Juventude do Território da Borborema, no Convento dos Maristas em Lagoa Seca-PB. O evento foi promovido pelo Território da Cidadania da Borborema em parceria com a ASP-TA Agroecologia e Agricultura Familiar, o Polo da Borborema, o Serviço de Educação Popular (SEDUP) e a Associação Arribaçã.

A programação foi aberta com a animação dos integrantes do Grupo de Teatro do Polo da Borborema, Euzelir Fidelis (Polo da Borborema) e Ana Paula Anacleto (AS-PTA), que encarnaram “William Bode” e “Fátima Berrante”, apresentando o “Jornal Intencional”, que explicou cada passo das atividades do dia aos participantes e ajudou a descontrair o evento. Após a leitura e aprovação do regimento interno, houve a fala dos Conferencistas Geovane Sousa, da Comissão Organizadora Estadual da Conferência de Políticas Públicas para a Juventude, e Léia Soares, do Polo da Borborema.

Geovane Sousa lembrou as conquistas recentes da juventude, a exemplo da Emenda Constitucional que, em 2010, incluiu o termo “juventude” no texto da Carta Magna. Falou ainda sobre a importância do envolvimento do segmento em espaços de participação: “apesar das conferências serem eventos promovidos pelo poder público, elas são uma construção dos jovens, é por isso que devemos sempre ocupar estes espaços e apontar nossas prioridades”, afirmou.

Léia Soares falou sobre a Campanha de Fortalecimento da Vida na Agricultura Familiar desenvolvida pelo Polo da Borborema e pela AS-PTA, que busca, entre outros objetivos, valorizar o conhecimento dos jovens agricultores experimentadores e com isso fortalecer o seu protagonismo na construção da agroecologia: “Existem muitos jovens agricultores experimentadores no nosso território, homens e mulheres jovens surgindo como lideranças e nossa preocupação é como valorizamos, cada vez mais, a sua contribuição”.

Ainda dentro da programação, três jovens agricultores deram seus depoimentos à plenária. Gabriela dos Santos, 16 anos, do Sítio Nicolândia em Massaranduba-PB, Rivaildo da Costa, 18 anos, do Sítio Camará, em Remígio-PB e Erivan Farias, 24 anos, do Sítio Floriano em Lagoa Seca falaram sobre suas trajetórias de participação em suas comunidades, seja na iniciativa de organizar lutas em grupo com outros jovens, seja na experimentação com a agroecologia.

O período da tarde foi reservado aos Trabalhos em Grupo, que dividiram a plenária nos cinco eixos temáticos da conferência. Ao final do evento foram aprovadas as propostas que serão levadas à etapa estadual e escolhidos nove delegados e delegadas que irão representar o Território da Borborema e defender suas propostas nas etapas subsequentes. Na Paraíba devem acontecer oito Conferências Territoriais e cerca de 48 Conferências Municipais. Todas são etapas preparatórias para a II Conferência Estadual de Políticas Públicas de Juventude, que será realizada entre os dias 20 e 22 de outubro em João Pessoa. A 2ª Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude acontecerá de 09 a 12 de dezembro, em Brasília.

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Mobilização contra o uso de agrotóxicos reúne agricultores da Borborema e do Cariri em Lagoa Seca-PB http://aspta.org.br/2011/10/08/mobilizacao-contra-o-uso-de-agrotoxicos-reune-agricultores-da-borborema-e-do-cariri-em-lagoa-seca-pb/ http://aspta.org.br/2011/10/08/mobilizacao-contra-o-uso-de-agrotoxicos-reune-agricultores-da-borborema-e-do-cariri-em-lagoa-seca-pb/#respond Sat, 08 Oct 2011 18:01:36 +0000 http://aspta.org.br/?p=4714 Leia mais]]> “O pior veneno é a falta de informação, temos de estar sempre unidos para construir o conhecimento” com essa frase a agricultora Anaide de Lima, do Sítio Veloso, município de Casserengue, resumiu o espírito dos participantes do dia de Mobilização contra o uso dos agrotóxicos, realizado nesta sexta-feira, 07 de setembro, no Convento dos Maristas em Lagoa Seca-PB. A mobilização foi uma iniciativa da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e do Polo da Borborema, em parceria com o Território da Cidadania da Borborema, e faz parte da programação alusiva à Semana Mundial da Alimentação comemorada entre 16 (Dia Mundial da Alimentação) e 22 de outubro.

A atividade reuniu mais de 150 agricultores e agricultoras dos 15 municípios das regiões da Borborema e do Cariri. Também participaram estudantes, pesquisadores, extensionistas e representantes do Governo do Estado. A programação começou com a fala de Nelson Anacleto, do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Lagoa Seca. Nelson deu um depoimento sobre sua experiência negativa com o uso de agrotóxicos no passado: “na juventude como plantador de batatinha, cheguei a mexer baldes de veneno, até hoje posso sentir as consequências disso na minha saúde”. Nelson também chamou a atenção para a importância de desconstruir alguns mitos sobre os alimentos livres de agrotóxicos, como por exemplo, o de que os produtos orgânicos são caros e não têm a mesma qualidade dos com veneno. O agricultor José de Assis, do Sítio Quebra Pé, município de Esperança, trouxe as batatas, que pesam mais de 120g cada, produzidas na sua propriedade “para mostrar que o alimento sem veneno pode ter qualidade, isso aqui é uma prova, pois todo mundo que vê essa batata, jura que eu usei produtos químicos, mas ela é totalmente agroecológica”, disse o agricultor.

Em seguida foi exibido o documentário “O veneno está na mesa”, de Sílvio Tendler, desvendando o jogo de interesses que há por trás da indústria dos agrotóxicos e os riscos de contaminação a que a maioria da população, não só os produtores, mas também os consumidores estão expostos.

O Professor Sebastião Pinheiro, do Departamento de Educação e Desenvolvimento Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) que participa do vídeo, falou ao público presente: “As mesmas empresas que vendem o veneno são aquelas que lá na frente vão vender também o antídoto, e nós queremos fugir deste círculo”, afirmou.

Desde 2009 o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, os brasileiros consomem mais de 5,2 litros de veneno por ano. De acordo com o relatório sobre agrotóxicos e afins do Ibama de 2004, dos 27 estados da federação a Paraíba é o 21º no ranking dos que mais usam agrotóxicos.

O evento foi encerrado com o lançamento do livro: Agrotóxicos no Brasil – um guia para ação em defesa da vida de Flávia Londres, com a promoção da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e da Rede Brasileira de Justiça Ambiental (RBJA). “A desinformação tem sido uma instrumento poderoso nas mãos das grandes corporações que querem nos impor seus agrotóxicos. Estas duas redes que discutem a agroecologia lançaram esta publicação para contribuir neste sentido”, disse Marcelo Galassi, da AS-PTA durante o lançamento do livro. Com o livro os agricultores poderão saber como e porque o Brasil se tornou o maior consumidor de agrotóxicos, o que diz a legislação atual sobre o assunto, como identificar, prevenir e notificar uma intoxicação por agrotóxicos entre outros.

As comemorações alusivas a Semana Mundial da Alimentação vão seguir durante todo o mês de outubro nos municípios do Polo da Borborema, encerrando no dia 07 de novembro, com a realização de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado, que pretende chamar a atenção da sociedade para os malefícios dos agrotóxicos bem como cobrar as responsabilidades dos órgãos públicos e autoridades políticas sobre o problema.

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Univerde, produção com autonomia http://aspta.org.br/2011/10/07/univerde-producao-com-autonomia/ http://aspta.org.br/2011/10/07/univerde-producao-com-autonomia/#respond Fri, 07 Oct 2011 19:44:39 +0000 http://aspta.org.br/?p=4692 Leia mais]]> Após dois meses de curso, agricultores e agricultoras da cooperativa Univerde de Nova Iguaçu iniciam a construção de uma estufa que vai suprir a necessidade produção de mudas de hortaliças e trazer mais autonomia para o trabalho da cooperativa.

Independência, assim Joyce define o trabalho dos agricultores e agricultoras da cooperativa Univerde depois da realização do curso de produções de mudas de hortaliças, realizado em parceria com o Projeto Semeando Agroecologia, que é patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Desenvolvimento e Cidadania. Joyce, Suela, Lúcia e outros 15 agricultores cooperados estavam reunidos no sábado, dia17 de setembro, para o início da construção da estufa para a produção das mudas da cooperativa. A construção da estufa é a etapa de conclusão das atividades de oficinas e visitas que fizeram parte do curso realizado entre os meses de junho e agosto na comunidade de Geneciano, em Nova Iguaçu. Uma proposta que surgiu da necessidade de emancipação do trabalho dos agricultores da cooperativa Univerde, que dependem inteiramente da compra das mudas de hortaliças de produtores de Itaipava, na região serrana, para garantir sua produção.

Segundo Joyce, que é agricultora e faz parte da direção da Univerde, por conta do clima mais frio da serra as mudas que vêm da de lá nem sempre estão de acordo com planejamento da produção realizado pela cooperativa. “A gente está na mão do produtor da serra. Muitas vezes a gente tem que plantar o que ele acha que está na época, e o que está na época lá não está na época aqui, e isso muitas vezes dificulta o nosso mercado. Agora mesmo está na época de plantar produto de peso, pimentão, jiló. O produtor de lá diz que ainda não está na época e aqui a agente já poderia estar plantando.” Afirma Joyce.

A necessidade de maior autonomia da produção das mudas surgiu em um diagnóstico realizado durante as primeiras reuniões entre a equipe do Projeto Semeando Agroecologia e os agricultores da Univerde. No entanto, surgiu também a demanda de realização de um curso para consolidação de conhecimentos sobre a produção e sementes e mudas. As atividades do curso foram elaboradas junto com os participantes a partir das necessidades apontadas por eles e a metodologia adotada garantiu o diálogo permanente entre os saberes populares e o conhecimento científico sistematizado, com o objetivo de contribuir com a autonomia e o fortalecimento deste grupo e a melhoria da qualidade da sua produção.

A Cooperativa Univerde é formada atualmente por cerca de 20 agricultores e agricultoras que possuem lotes familiares localizados em terrenos onde passam dutos da Petrobras nas comunidades de Geneciano, Gerar Danon e Figueira em Nova Iguaçu. A produção é vendida coletivamente na feira da Roça em Nova Iguaçu, na feira da Universidade Federal do Rio Janeiro, na Transpetro, nas feiras organizadas pela Igreja Messiânica de Nova Iguaçu e, mas recentemente, para a Prefeitura, que destina os produtos para a merenda escolar. O aumento das estratégias de comercialização de produtos também foi um fator importante para a melhoria da produção através da construção do viveiro de mudas.

O curso, que começou no dia 14 de junho e terminou em 23 de agosto de 2011, contou com a participação de grande parte dos cooperados. A primeira atividade foi uma visita técnica na estação experimental Fazendinha Agroecológica – Embrapa Agrobiologia em Seropédica para que os participantes pudessem conhecer uma experiência com embasamento científico de produção de mudas de hortaliças. Nos 10 encontros seguintes foram debatidos temas variados como germinação das sementes, tipos de solo, fotossíntese e nutrição. Também foram discutidas questões relativas à produção e ao armazenamento de sementes, com objetivo de conhecer as sementes que já eram reproduzidas na comunidade e levantar as problemáticas que envolvem a produção de mudas naquele local. Foi feito então um levantamento das sementes que os agricultores compram, o que conseguem reproduzir, como armazenam, quais são as suas dificuldades, as experiências que deram certo e as que não tiveram sucesso e principalmente quais eram as expectativas do grupo para o cultivo de boas sementes e mudas saudáveis. Todo o conteúdo do curso foi acompanhado de intervenções muito ricas dos agricultores, trazendo suas experiências práticas para o diálogo com os conteúdos científicos, fazendo das aulas momentos ricos de aprendizagem e muitas trocas.

Para Suela, agricultora da Univerde o curso trouxe um aprendizado muito importante para esta nova etapa do trabalho da cooperativa: “A gente não falou só sobre a estufa, falou sobre como fazer uma boa muda, falamos sobre como fazer um substrato, como fazer um minhocário para tirar nosso húmus que vai ser o produto para semear as sementes e fazer nossas mudas”. Responsável por um lote diversificado, Lúcia mostra orgulhosa as hortaliças que já estão dando sementes: “A gente já está guardando sementes das plantações para fazer as mudas com as nossas sementes que são orgânicas, vamos montar um banco de sementes aqui”.

A construção da estufa gerou muita expectativa entre o grupo, que compareceu com muita disposição para o mutirão de trabalho. Neste dia foram fincados os pilares da estrutura da estufa, que será construída coletivamente durante 4 semanas. Todo o trabalho é orientado por dois técnicos da Pesagro, que possuem larga experiência em construção de estruturas de baixo custo em comunidades e assentamentos do Rio de Janeiro.

Segundo Suela o curso e a construção da estufa já estão mudando a rotina de trabalho da cooperativa: “Já estamos até fazendo uma lista do que vamos plantar, alface, salsa, rúcula, repolho, espinafre, brócolis, já estamos fazendo o escalonamento, e já tem uma turma que vai ficar cuidando da estufa, de molhar, cuidar das mudas e das sementes.

A autonomia na produção das sementes e das mudas são estratégias essenciais para garantir a qualidades dos alimentos cultivados e melhorar a comercialização dos produtos da cooperativa. Esta é uma etapa significativa no fortalecimento da agricultura periurbana agroecológica do Rio de Janeiro.

Para saber como foi o mutirão para construção da estufa e o que essa conquista representou para os agricultores da Univerde assista:

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Agricultores da Região da Borborema participam de Oficina sobre a Saúde do Solo em Lagoa Seca http://aspta.org.br/2011/10/06/agricultores-da-regiao-da-borborema-participam-de-oficina-sobre-a-saude-do-solo-em-lagoa-seca/ http://aspta.org.br/2011/10/06/agricultores-da-regiao-da-borborema-participam-de-oficina-sobre-a-saude-do-solo-em-lagoa-seca/#respond Thu, 06 Oct 2011 19:02:15 +0000 http://aspta.org.br/?p=4686 Leia mais]]> Mais de 40 agricultores e agricultoras dos municípios que compõem o Polo da Borborema participaram da Oficina “Saúde do Solo”, realizada entre os dias 04 e 06 de outubro, no Convento dos Maristas, em Lagoa Seca-PB. O facilitador do evento foi o Professor Sebastião Pinheiro, do Departamento de Educação e Desenvolvimento Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A atividade é uma iniciativa da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, Polo da Borborema, Patac e Agrônomos e Veterinários Sem Fronteira (AVSF), por meio do Projeto Terra Forte, co-financiado pela União Européia (UE). A oficina faz parte do conjunto de atividades preparatórias para a Semana Mundial da Alimentação (16 a 22 de outubro) desencadeadas nos municípios da Borborema.

Os agricultores e agricultoras levaram para a oficina 45 amostras do solo de suas propriedades e aprenderam com o Professor Sebastião Pinheiro a usar a técnica da cromatografia de Pfeiffer, método criado por Ehrenfried Pfeiffer, no século XX, para medir a saúde biológica do solo e a qualidade dos alimentos produzidos. Sebastião Pinheiro defende o uso da técnica como uma auto certificação da qualidade dos solos, para que os agricultores façam por si próprios o controle da saúde dos seus solos. “Da mesma forma que um pai acompanha o desenvolvimento do seu filho, com capacidade de intervenção, os agricultores e agricultoras podem fazer”.

Durante os três dias de oficina os trabalhadores e trabalhadoras rurais conheceram ainda as reações químicas responsáveis pela vida que surge do solo, o processo de formação do solo que se deu há bilhões de anos. Cada participante pode aplicar a técnica de análise do solo e avaliar a qualidade da amostra que levou, além de fazer comparações sobre os diferentes resultados e compartilhar soluções.

A agricultora Maria de Lourdes Silva, do Sítio Canta Galo, no município de Massaranduba, não conhecia a técnica da análise do solo: “Já participei de muitos eventos sobre o tema, mas essa técnica pra analisar a qualidade do solo é uma novidade pra mim, achei muito interessante e pretendo usar daqui pra frente”, disse. José Domingos de Barros, do sítio Cachoeira de Pedra D’água, também em Massaranduba, disse que vai reunir os agricultores da sua comunidade para ensinar a técnica da cromatografia.”Muitos agricultores de lá não puderam vir, mas nós vamos fazer reuniões com o nosso sindicato e compartilhar tudo que aprendemos aqui”, afirmou.

A Cromatografia

A técnica consiste em separar amostra de solo que após ser colocada em contato com reagentes simples, a exemplo de uma solução de soda cáustica, e um filtro de papel, gera os cromatogramas cuja interpretação das cores e desenhos, formados pelo processo químico, fornece uma análise da qualidade e quantidade de microorganismos, estrutura mineral e as proteínas contidas no solo, que serão determinantes para a qualidade dos alimentos produzidos.

A cromatografia leva em conta o metabolismo do solo vivo: disponibilidade e eficiência da solubilidade, concentração, constância e qualidade biológica dos nutrientes e a relação entre estes elementos.

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