janeiro 2012 – AS-PTA http://aspta.org.br Fri, 05 Feb 2021 13:07:05 +0000 pt-BR hourly 1 Os benefícios dos agrotóxicos no "Mundo de Veja" http://aspta.org.br/2012/01/23/os-beneficios-dos-agrotoxicos-no-mundo-de-veja/ http://aspta.org.br/2012/01/23/os-beneficios-dos-agrotoxicos-no-mundo-de-veja/#respond Mon, 23 Jan 2012 13:33:39 +0000 http://aspta.org.br/?p=4979 Leia mais]]> “A revista Veja afirma que chamar os venenos da agricultura de “agrotóxicos” seria uma imprecisão ultrapassada.”

A revista Veja publicou uma matéria buscando “esclarecer” os brasileiros sobre os alegados “mitos” que vêm sendo difundidos sobre os agrotóxicos desde a divulgação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), dos dados Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos referentes ao ano 2010. A revista se propõe a tranquilizar a população, certamente alarmada pelo conhecimento dos níveis de contaminação da comida que põe à mesa.

Os entrevistados na matéria são conhecidos defensores dos venenos agrícolas, alguns dos quais com atuação direta junto a indústrias do ramo – como é o caso do Prof. José Otávio Menten, que já foi diretor executivo da ANDEF (Associação Nacional de Defesa Vegetal), que reúne as empresas fabricantes de veneno.

A revista afirma que chamar os venenos da agricultura de “agrotóxicos” seria uma imprecisão ultrapassada e injustamente pejorativa, alertando os leitores que “o certo” seria adotar o termo “defensivos agrícolas”. Não menciona que a própria legislação sobre a matéria refere-se aos produtos como agrotóxicos mesmo.

A Veja passa então para a relativização dos resultados apresentados pelo relatório do Programa de Análise, elaborado pela Anvisa, fundamentalmente minimizando a gravidade da presença de resíduos de agrotóxicos acima dos limites permitidos. Para isso, cita especialistas alegando que os limites seriam “altíssimos”, e que, portanto, quando “um pouco ultrapassados”, não representariam qualquer risco para a saúde dos consumidores.

A verdade é que a ciência que embasa a determinação desses limites é imprecisa e fortemente criticada. Evidência disso é o fato de os limites comumente variarem ao longo do tempo – à medida que novas descobertas sobre riscos relacionados aos produtos são divulgadas, os limites tendem a ser diminuídos. Os limites “aceitáveis” no Brasil são em geral superiores àqueles permitidos na Europa – isso pra não dizer que aqui ainda se usa produtos já proibidos em quase todo o mundo.

A revista também relativiza os riscos de longo prazo para a saúde dos consumidores, bem como os riscos para os trabalhadores expostos aos agrotóxicos nas lavouras. Mesmo diante de tantas provas, a Veja alega que, não haveria comprovações científicas nesse sentido.

A reportagem termina tentando colocar em cheque as reais vantagens do consumo de alimentos orgânicos, a eficácia dos sistemas de certificação e mencionando supostos “riscos” do consumo de orgânicos. A revista alega que esses alimentos “podem ser contaminadas por fungos ou por bactérias como a salmonela e a Escherichia coli.” Só não esclarece que, ao contrário dos resíduos de agrotóxicos, esses patógenos – que também ocorrem nos alimentos produzidos com agrotóxicos – podem ser eliminados com a velha e boa lavagem ou com o simples cozimento.

Da revista Veja, sabemos, não se poderia esperar nada diferente. Trata-se do principal veículo de comunicação da direita conservadora e dos grandes conglomerados multinacionais no País. Mas podemos destacar que a publicação desse suposto “guia de esclarecimento” revela que o alerta sobre os impactos do modelo da agricultura industrial está se alastrando e informações mais independentes estão alcançando mais setores da população – ao ponto de merecerem tentativa de desmentido pela Veja e pela indústria.

Flavia Londres é engenheira agrônoma e consultora da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.
http://www.radioagencianp.com.br/node/10520

 

 

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Sementes da biodiversidade fortalecendo a Agricultura Familiar no Rio de Janeiro http://aspta.org.br/2012/01/06/sementes-da-biodiversidade-fortalecendo-a-agricultura-familiar-no-rio-de-janeiro-2/ http://aspta.org.br/2012/01/06/sementes-da-biodiversidade-fortalecendo-a-agricultura-familiar-no-rio-de-janeiro-2/#respond Fri, 06 Jan 2012 14:41:14 +0000 http://aspta.org.br/?p=4971 Leia mais]]> Com a presença de mais de 400 pessoas, agricultoras e agricultores de diversas regiões do Estado do Rio de Janeiro, assentados da reforma agrária, cooperativas e organizações que apóiam a agroecologia no Rio de Janeiro, foi realizada a I Festa Estadual de Sementes. A Festa que teve por objetivo fomentar o debate sobre o uso das sementes crioulas foi palco de uma grande troca de experiências sobre o uso e conservação da biodivesidade. O evento, que aconteceu nos dias 29 e 30 de novembro de 2011 em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, foi uma realização da Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro (AARJ), da Associação da Feira da Roça de Nova Iguaçu (Aferni) e do Projeto Semeando Agroecologia da AS-PTA. Contou com o apoio de da Emater, Ceasa, Diocese de Nova Iguaçu, a Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu e com o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Desenvolvimento e Cidadania.

A plenária de abertura trouxe para o debate a importância da agricultura familiar na defesa da biodiversidade, as principais lutas e desafios ao livre uso das sementes. Agricultores e agricultoras das diferentes regiões apresentaram suas experiências de produção de sementes e mudas nos diversos contextos socioambientais da agricultura fluminense. Da agricultura urbana, feita em pequenos espaços, produzindo plantas medicinais e mudando a vida de moradores das comunidades mais urbanizados do Rio de Janeiro; passando pela região serrana, onde as sementes de hortaliças garantem uma produção agroecológica de qualidade e independente; nas regiões periurbanas, onde a agricultura resiste à especulação imobiliária e alimenta a cidade com seus produtos saudáveis, na região sul do estado, onde as sementes germinam nas agroflorestas da Mata Atlântica; até as sementes da juventude que batalha para permanecer no meio rural, atuando de forma qualificada em suas comunidades, fortalecendo a ligação entre tradição e inovação.

Foram depoimentos emocionados e engajados de agricultores que acreditam que as sementes são o elo entre trabalho do ser humano e da natureza. Tempero necessário para a abertura da uma Feira de produtos e sementes da biodiversidade. Em mais de 20 barracas, os agricultores e suas organizações apresentaram a força da diversidade da agricultura familiar. Eram sementes, frutas, mudas, plantas medicinais de todo tipo, além de doces, bolos, sucos, tapiocas, artesanatos etc. Os participantes também puderam participar de oficinas sobre alimentação, artesanato, juventude e direito dos agricultores ao livre uso da biodiversidade.

O final do primeiro dia foi dedicado ao debate sobre a questão do uso de agrotóxicos no Brasil e ao lançamento do livro Agrotóxicos no Brasil: Um guia para ação em defesa da vida, de Flávia Londres. O debate que foi coordenado por Guilherme Strauch, gerente de agroecologia da Emater-Rio, contou com a presença de Gabriel Fernandes da AS-PTA, Sueli Couto do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e do agricultor agroecológico Antônio Calado.

No segundo dia de evento os agricultores e agricultoras de todo o estado se juntaram aos participantes da Feira da Roça de Nova Iguaçu para a reinauguração do espaço. Há mais de 5 anos realizada no centro da cidade, a Feira da Roça de Nova Iguaçu ganhou nesse dia uma nova identidade visual, fortalecendo a produção de alimentos saudáveis do município.

A I Festa Estadual de Sementes se encerrou numa reunião de trabalho onde agricultores, instituições de assessoria e entidades públicas se comprometeram com a construção de um projeto comum de fortalecimento das sementes crioulas no estado.

Assista ao vídeo:

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