A agroecologia é uma luta do campesinato

O segundo dia do Encontro Estadual de Militantes do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA-RS), realizado no Centro de Formação São Francisco de Assis, em Santa cruz do Sul (RS), começou propondo o debate do papel da agricultura camponesa no contexto da construção e consolidação da agricultura ecológica. Para expor o tema, foi convidado o coordenador executivo da AS-PTA, Paulo Petersen, vice presidente da Associação Brasileira de Agroecologia.

– Antes de iniciar o debate a respeito da agroecologia, precisamos debater a agricultura camponesa -, declarou. “Nós não podemos deixar a bandeira da agroecologia ser dominada pelo empresariado orgânico, precisamos reafirmar os camponeses como a base do mundo rural”, explicou logo na abertura de sua fala, ressaltando a necessidade de defender e consolidar a agricultura camponesa.

Entre os desafios da humanidade para as próximas décadas, o dirigente elencou a necessidade de dobrar a produção alimentar de forma sustentável utilizando a mesma terra disponível hoje, diminuindo a utilização de recursos (como o petróleo, a água e o nitrogênio por exemplo), levando em conta o cenário das mudanças climáticas, enfrentando a crise financeira e social e viabilizando a diminuição da pobreza, da fome e da desnutrição. “Essa é uma meta que precisa ser atingida até 2050”, explicou. Conforme Petersen, essa meta não poderá ser atingida com o modelo agrícola industrial e com suas novas derivações biotecnológicas.

Petersen refletiu ainda a respeito das três crises que estão em voga no mundo: crise energética (dependência do modelo energético baseado no petróleo), crise ecológica (super exploração dos recursos naturais, trazendo as mudanças climáticas como uma de suas consequências) e crise econômico-financeira (agricultura dependente de poucas corporações que dominam as políticas de produção agrícola).

– Uma das raízes dos problemas que nós enfrentamos é a industrialização da agricultura, um movimento que busca o afastamento do agricultor da natureza -, aponta o dirigente. A solução, segundo ele, é seguir o caminho contrário: “Nós precisamos combater esse problema, reaproximar o agricultor da natureza”. Para tanto, Petersen destaca a necessidade de consolidar a autonomia do agricultor familiar, que não pode aceitar as condições de acordo com os interesses das grandes corporações.

As lutas históricas, mais uma vez são elencadas como ação prioritária para que se proponha um modelo de produção sustentável, e a reforma agrária novamente volta a pauta: “Sem reforma agrária não é possível pensar em um mundo rural mais sustentável”.

Ao final da fala de Petersen os presentes puderam manifestar suas opiniões e debater as questões apresentadas relacionando-as as experiências locais.

Destaque:

Petersen aproveitou também a oportunidade para lançar um novo desafio a consolidação da luta camponesa, que é estabelecer um processo de comunicação midiática dos movimentos sociais: “Nós falamos muito de nós para nós mesmos, nós precisamos aprender a nos comunicar com o restante da sociedade, explicando como a agricultura camponesa pode ser a solução para o conjunto da sociedade”.

 

(*) Fonte: Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).

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