novembro 2013 – AS-PTA http://aspta.org.br Fri, 05 Feb 2021 13:07:05 +0000 pt-BR hourly 1 VIII Congresso Brasileiro de Agroecologia debate sobre modelo de desenvolvimento rural http://aspta.org.br/2013/11/28/8184/ http://aspta.org.br/2013/11/28/8184/#respond Thu, 28 Nov 2013 18:28:02 +0000 http://aspta.org.br/?p=8184 mesa_de_abertura_CBAMais de três mil pessoas acompanharam as atividades do VIII Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) na Pontifícia Universidade Católica (RS), no Rio Grande do Sul. Estiveram presentes na mesa de abertura (25) autoridades do governo federal, estadual, cientistas e movimentos sociais, dentre outros setores da sociedade. Nesse ano completou-se dez anos de realização do Congresso, que é o principal evento acadêmico em agroecologia do Brasil em busca de contribuir com subsídios teóricos as políticas públicas para um novo modelo de desenvolvimento rural no país.

De acordo com Gervásio Paulus, da Emater/RS e presidente do CBA, desde a realização do I Congresso Brasileiro de Agroecologia vivemos uma época de mudanças e uma mudança de época. Daí a necessidade de se refletir sobre as mudanças necessárias para mudar o modelo de desenvolvimento, disse.

“Temos relatórios internacionais que apontam para isso, é uma crise não só econômica e ambiental, é uma crise civilizatória. Por isso o tema central é cuidando da saúde do planeta, o objetivo desse evento é um espaço para reflexão: contribuir para mudanças paradigmáticas, processos de produção mais generosos com os recursos naturais e um modelo de desenvolvimento socialmente inclusivo. Esperamos sair ainda mais fortalecidos após esses debates e reflexões, nada é mais poderoso que uma ideia cujo tempo chegou”, afirmou.

A agroecologia vem se consolidando há décadas como uma agricultura alternativa que une prática e ciência aos movimentos sociais de forma descentralizada, contextualizou Paulo Petersen, presidente da ABA. Atualmente são mais de duzentos e cinquenta grupos de pesquisa e cem cursos de agroecologia no Brasil, é um processo que ganha cada vez mais coerência no enfrentamento à força avassaladora e predatória do agronegócio, complementou. Para ele, não é possível fazer pequenos ajustes na linha da economia verde e a agroecologia consegue enfrentar na raiz a natureza dessa crise.

“Despertar antes que seja tarde demais, esse é o título do mais recente documento lançado pela Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento. O título já é expressivo em caráter de urgência, sai em conjunto com outros documentos anunciando o mesmo tipo de diagnóstico: a existência de uma crise profunda, global, multifacetada, que não tem soluções para o mesmo receituário adotado nas últimas crises pelo mercado. As crises econômicas e ecológicas fazem parte de uma mesma crise sistêmica e precisam ser enfrentadas. A agricultura se posiciona no centro dessa crise, e não tem mais condições de se sustentar com o mesmo padrão de desenvolvimento”, destacou.

auditorio_CBAAo apresentar os avanços na área da agricultura familiar, sobretudo com o lançamento do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, o Ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, reconheceu que o agronegócio é o modelo de desenvolvimento hegemônico no Brasil. São aproximadamente 75 mil agricultores que se declaram Censo como produtores agroecológicos e orgânicos, só que existem aproximadamente 5,1 milhões de estabelecimentos no Brasil. Segundo ele, ainda assim houve uma grande evolução no crédito na agricultura familiar com uma diminuição de doze para seis vezes na diferença entre os recursos destinados nos últimos anos para o agronegócio e a agroecologia.

“É insustentável manter o planeta com essas formas, e esse imperativo se torna ainda mais dramático com o tema do congresso porque as atuais formas de produção têm um modelo que esgotam os recursos naturais. Nessas últimas décadas tivemos avanços importantes, mas desafios maiores. Quando falamos em agroecologia estamos construindo uma cultura contra hegemônica, porque lamentavelmente essa hegemonia está incrustada em todo o tecido social: na formação dos nossos profissionais nas universidades, na burocracia que toma conta dos órgãos públicos e nos próprios agricultores. Precisamos pensar uma transição agroecológica que permita um número cada vez maior de agricultores produzir de uma forma orgânica”, disse o ministro.

O Plano Nacional de Agroecologia prevê para até 2015 um investimento de mais de R$ 8 bilhões em quatro eixos: produção, conhecimento, uso e conservação dos recursos naturais, fomento à comercialização e consumo. Integra diversos órgãos e políticas do governo visando adequar e aperfeiçoar os programas vigentes na direção da transição agroecológica, afirmou o ministro ponderando que é preciso pressão para sua efetivação e aperfeiçoamento. Vargas ainda defendeu o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) como instrumentos para estimular os agricultores à transição agroecológica, ao contrário dos financiamentos que estimulam a compra dos insumos ligados a revolução verde.

fila_inscricao_CBADe forma crítica o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), afirmou que a crise atual se concentra no desenvolvimento capitalista que sempre foi e será um modelo que tende, se completa e se acumula de forma predatória. Hoje adquire um estatuto ainda mais violento, uma hegemonia ainda mais intensa sobre os partidos, políticas e os estados porque sua essência de acumulação não respeita as regras de naturalidade e submete os demais poderes, explicou Genro. Ele defendeu que o ideal seria a criação de um Ministério da Agricultura e Sustentabilidade com uma estrutura única para disputa hegemônica dentro do estado democrático.

“Se fosse um problema exclusivamente de consciência, bastaria que tivéssemos um processo comunicacional adequado para reconstituir e valorizar determinados valores na consciência coletiva e mudaríamos o sentido de desenvolvimento. Mas se reflete no estado brasileiro, quando foi criado o MDA reconhecemos ao mesmo tempo a necessidade de uma ambiguidade nas políticas de estado. Do agronegócio com a agricultura familiar, essa dualidade do estado reflete uma disputa pela hegemonia dentro dele que deve ser capilarizada na política de estado. Uma luta de valores na sociedade e reorganização da estrutura estatal para que tenha correspondência na aplicação de políticas de agroecologia não como um departamento no estado. É uma luta essencialmente política que temos de travar”, analisou o governador.

Montagem da feira_CBAA luta pela agroecologia como forma de produção dominante concentra boas dimensões da utopia, a possibilidade de um mundo melhor, de desenvolvimento sustentável e uma sociedade mais igualitária, disse Genro. Ao concluir disse ainda que isso já é uma realidade com o desenvolvimento de programas e projetos de experimentação, e não uma abstração para um futuro inalcançável. “Estamos iniciando um momento de transição para um novo projeto de sociedade e humanidade, e somente a partir de políticas que vêm do estado é que a agroecologia pode se tornar hegemônica”, disse.

O VIII Congresso Brasileiro de Agroecologia ocorreu entre os dias 25 e 28 de novembro, e é uma realização da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) em parceria com várias organizações governamentais e não governamentais. Foram oferecidas cerca de 40 oficinas para os mais de três mil inscritos, além dos oitenta palestrantes, sendo aproximadamente vinte deles de outros países. Dois expoentes na construção da agroecologia no Brasil que faleceram recentemente foram homenageados durante a abertura do evento: José Antônio Costabeber, ex-presidente da ABA, e Jorge Luiz Vivan, profundo conhecedor dos sistemas agroflorestais.

(*) Fonte: Associação Brasileira de Agroecologia (ABA).

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Presidente da ABA fala sobre o Congresso Brasileiro de Agroecologia http://aspta.org.br/2013/11/24/presidente-da-aba-fala-sobre-o-congresso-brasileiro-de-agroecologia/ http://aspta.org.br/2013/11/24/presidente-da-aba-fala-sobre-o-congresso-brasileiro-de-agroecologia/#respond Sun, 24 Nov 2013 13:06:50 +0000 http://aspta.org.br/?p=8177 rsz_logo_cbaCaros e caras congressistas,

Há dez anos, nesta acolhedora cidade de Porto Alegre, promovemos o I Congresso Brasileiro de Agroecologia (I CBA-Agroecologia). O momento histórico era excepcionalmente favorável. As condições para a realização do evento vinham sendo amadurecidas nos anos anteriores quando, pela primeira vez, um estado da federação assumiu politicamente o desafio de experimentar a internalização do paradigma agroecológico em seus órgãos e instituições dedicadas ao desenvolvimento rural. Entre outras iniciativas colocadas em prática pelo governo Olívio Dutra, destaca-se a série anual de seminários estaduais que, logo a partir da segunda edição, adquiriu também abrangência nacional e internacional. Esses eventos foram responsáveis pela criação de um fecundo ambiente de interação entre profissionais e estudantes de todo o país que buscavam exercitar o enfoque agroecológico nas práticas de ensino, pesquisa e extensão rural, ainda que isso significasse, via de regra, navegar contra a corrente em suas próprias instituições.

Um dos principais saldos positivos do processo incubado no Rio Grande do Sul foi justamente o rompimento desse isolamento mútuo em meio ao universo socioprofissional já expressivo em todas as regiões brasileiras. A emergência da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia) se fez no bojo dessa mobilização e criou as condições para que chegássemos a este VIII CBA-Agroecologia, após ter transitado por várias cidades das regiões Sul, Sudeste e Nordeste. Cumpre assinalar que, em sua primeira década de existência, o CBA-Agroecologia proporcionou espaço para apresentação e debate de milhares de trabalhos acadêmicos (1.056 somente nesta oitava edição), todos publicados na Revista Brasileira de Agroecologia. Como inovação metodológica em relação aos demais eventos científicos, nossos congressos consagraram uma seção dedicada à apresentação de experiências práticas, ressaltando a importância da sistematização para a construção do conhecimento agroecológico. Além disso, fomentam também, em seus diferentes espaços de debate, a plena participação de agricultores e agricultoras como protagonistas dessa construção.

Muito se avançou nessa década. Já se contabilizam no país mais de uma centena de cursos oficiais de Agroecologia ou com ênfase agroecológica nos variados níveis educacionais. Além dessa evolução numérica, o I Seminário Nacional de Educação em Agroecologia, recentemente promovido pela ABA-Agroecologia, constatou a existência de progressos qualitativos dignos de nota. Universidades e empresas oficiais de pesquisa vêm se abrindo para inovar em suas formas de produzir e socializar conhecimentos e de interagir com as comunidades rurais. Núcleos de Agroecologia surgem e se consolidam Brasil afora. Redes interinstitucionais se articulam em âmbito territorial, estadual e regional. Criam-se assim condições favoráveis à efetivação de parcerias entre instituições científico-acadêmicas e organizações da sociedade civil para a execução de projetos educacionais e de pesquisa e para a promoção de seminários, simpósios, congressos e outras atividades destinadas a refletir criticamente os rumos do desenvolvimento rural a partir da lupa da Agroecologia.

Pouco a pouco, por intermédio dessa evolução descentralizada, alguns muros erigidos pelo positivismo lógico e pelo cartesianismo mecanicista e determinista vão sendo derrubados: práticas de ensino, pesquisa e extensão se alimentam reciprocamente por meio de processos de produção de conhecimentos territorialmente referenciados; disciplinas acadêmicas interfecundam-se a partir da realização de estudos inter e transdisciplinares sobre dinâmicas socioecológicas em agroecossistemas; os saberes científico-acadêmico e científico-popular dialogam entre si, aos poucos deixando para trás a pretensa exclusividade do conhecimento válido erroneamente atribuída ao meio acadêmico; os limites físicos e simbólicos dos campi universitários e das demais instituições de ensino e pesquisa se desvanecem com a presença intensificada de pesquisadores(as), professores(as) e estudantes nas comunidades rurais e de agricultores e agricultoras e representantes de povos e comunidades tradicionais nas instituições acadêmicas; novas abordagens metodológicas para a construção do conhecimento e novos instrumentos para registro e divulgação desses conhecimentos são criados e disseminados, restaurando o papel da cultura popular como fonte e veículo de novidades para o desenvolvimento rural.

A identificação desses embrionários, mas já notáveis avanços institucionais nas esferas epistemológica e metodológica é condição essencial para que possamos nos situar melhor no processo histórico em curso, visando descortinar estratégias de superação dos maiúsculos desafios que permanecem em perspectiva. Nesse sentido, vale iluminar outra face da trajetória que nos trouxe até aqui.

No ano anterior ao I CBA-Agroecologia, foi realizado no Rio de Janeiro o I Encontro Nacional de Agroecologia (I ENA), evento fundante da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), um espaço sociopolítico voltado à ação concertada de organizações, redes e movimentos sociais mobilizados em torno à defesa e à promoção de um mundo rural mais democrático e sustentável. Ao integrar-se sinergicamente na Coordenação da ANA, a ABA-Agroecologia procurou assumir seu nicho no processo de construção da Agroecologia no Brasil. Além de fomentar a coesão do campo científico-acadêmico em torno a um projeto alternativo para a agricultura e para o conjunto do sistema agroalimentar, a ABA-Agroecologia tem buscado mobilizar as inteligências e competências de seus sócios e sócias a fim demarcar sua presença no processo político como ator coletivo, assumindo para tanto uma dupla perspectiva. De um lado, denuncia as falsas promessas científico-tecnológicas nascidas do berço da agricultura industrial e de suas expressões político-ideológicas repercutidas pelo setor do agronegócio; por outro, anuncia caminhos para a superação da profunda crise socioambiental que se alastra em nossa sociedade em função exatamente da dinâmica expansiva da economia do agronegócio e de suas monoculturas e criatórios industrializados produtores de junk food.

Ao denunciar e anunciar caminhos contrastantes entre si, a ABA-Agroecologia explicita em seus congressos sua opção política e se alia a movimentos da sociedade que lutam pela saúde coletiva, pela justiça ambiental, pela economia solidária, pela soberania e segurança alimentar e nutricional e pela equidade entre gêneros em todos os âmbitos da vida social. Expurga-se assim o discurso da neutralidade científica que muito frequentemente tem sido empregado como artifício retórico pelos defensores do padrão científico-tecnológico dominante para assim se eximirem da responsabilidade – ou ocultarem sua irresponsabilidade – pelas consequências sociais e ambientais atrozes resultantes da disseminação de um modelo agroalimentar oriundo de práticas científicas supostamente isentas.

Diante dos obstáculos de grande envergadura que permanecem se antepondo a uma evolução mais consistente e ritmada da perspectiva agroecológica nas instituições da sociedade, o VIII Congresso Brasileiro de Agroecologia realiza-se como um ato celebrativo de nossa breve, mas fecunda trajetória. Os desafios que estão postos para a continuidade dessa trajetória são proporcionais às nossas ambições. O tema de nosso Congresso não deixa dúvidas quanto a isso. Mobilizamo-nos para contribuir para a restauração da saúde do planeta. Essa é razão de estarmos aqui para celebrar o crescente reconhecimento nacional e internacional da Agroecologia como paradigma científico-tecnológico capaz de equacionar os críticos e decisivos dilemas alimentares, ambientais, energéticos, sociais, econômicos e culturais com os quais se defronta a Humanidade.

Celebramos também os avanços práticos. Nesse particular, cabe destaque o recente lançamento do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo) pelo governo federal. Mesmo compreendendo que as medidas incorporadas ao Planapo estão ainda muito aquém das expectativas e das urgências expressas pelas organizações da sociedade civil que contribuíram com a sua construção, entre elas a ABA-Agroecologia, não podemos deixar de ressaltar o que seu lançamento significa em termos políticos e simbólicos. Trata-se de um marco fincado no terreno em que se travam disputas pelos rumos de nossos sistemas agroalimentares. A luta pela expansão do alcance e da profundidade desse plano em sua futura edição, prevista para 2015, é tarefa que nos cabe. Avanços nessa direção cobram coerência com a trajetória constitutiva do campo agroecológico brasileiro, o que implica reconhecer a Agroecologia a partir de três facetas que se compõem em um todo indivisível: como uma prática social; como um enfoque científico; como um movimento social.

Sendo assim, estamos desafiados a dar continuidade às iniciativas de articulação e adensamento das redes locais/territoriais para que o paradigma agroecológico seja incessantemente exercitado e aprimorado com a participação ativa das comunidades rurais. Somos também convocados a atuar no sentido de estreitar as alianças estratégicas com movimentos sociais dos campos, águas, florestas e cidades que militam pela construção de uma sociedade mais democrática e sustentável.

Encerro estas linhas celebrando a inestimável contribuição dos muitos companheiros e companheiras do Rio Grande do Sul que há mais de dez anos deram arranque ao processo de mobilização que culminou na realização da série de Congressos Brasileiros de Agroecologia e na criação da ABA-Agroecologia. A esse grupo que permanece na lida militante e volta a nos acolher nesta oitava edição, rendemos nossa homenagem e expressamos nosso profundo agradecimento. Infelizmente, o destino quis que duas das mais brilhantes extrações desse grupo nos deixassem este ano: José Antônio Costabeber, incansável companheiro de luta e liderança proeminente na trajetória da ABA-Agroecologia; e Jorge Luiz Vivan, agroecólogo refinado, mestre das agroflorestas. Partiram deixando seus legados na forma de luz e assim permanecerão iluminando o caminho da Agroecologia.

Paulo Petersen
Presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA)

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Agricultoras e pedreiras: curso capacita mulheres para a construção de cisternas de placas em Queimadas na Paraíba http://aspta.org.br/2013/11/24/agricultoras-e-pedreiras-curso-capacita-mulheres-para-a-construcao-de-cisternas-de-placas-em-queimadas-na-paraiba/ http://aspta.org.br/2013/11/24/agricultoras-e-pedreiras-curso-capacita-mulheres-para-a-construcao-de-cisternas-de-placas-em-queimadas-na-paraiba/#respond Sun, 24 Nov 2013 12:47:43 +0000 http://aspta.org.br/?p=8161 Mulheres pedreirasParticiparam entre os dias 19 e 22 de novembro,15 mulheres com idades entre 22 e 64 anos, do I Curso de Capacitação para Mulheres Agricultoras Pedreiras, realizado pela comissão de Saúde e Alimentação do Polo da Borborema em parceria com a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia. O curso aconteceu no sítio Maracajá em Queimadas e as mulheres vieram dos municípios de Solânea, Lagoa Seca, Casserengue e Queimadas. “Como a questão do acesso à água é um tema que as mulheres têm enfrentado, pensamos nesse curso como um estímulo para que as mulheres tenham uma nova profissão e uma renda extra na construção de cisternas seja na sua comunidade seja em outros municípios”, explica Maria Anunciada Flor, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas e da coordenação do Polo da Borborema.

Preconceito – A instrutora do curso, Maria Verônica dos Santos, é agricultora e vive no sítio Cachoeirinha, município de Barra de Santa Rosa, no Curimataú Paraibano. Ela conta como começou a se interessar pelo serviço de pedreira: “comecei fazendo pequenos retoques em casa, pois na minha família tem muitos pedreiros, em 2007 fui convidada para uma capacitação onde só tinha eu de mulher, foi um desafio. Mas foi em 2009 que eu comecei a construir de verdade, daí em diante foi dando certo e hoje nem sei mais quantas cisternas eu já construí, mais de 50”. Sobre o preconceito que enfrenta por ser mulher em um ofício historicamente exercido por homens, ela desabafa: “Diminuiu muito, mas ainda existe muito preconceito, as pessoas falam que isso é coisa de ‘mulher machão’, mas pra mim isso não existe, não sou de conversa Mulheres Pedreirasnão, vou lá e mostro que sou capaz. Hoje me sinto orgulhosa por ver outras mulheres aqui, já dei cursos para outros homens, mas essa é a primeira vez que dou curso para mulheres”.

Marinalva Gomes da Silva tem 43 anos, vive no sítio Almeida em Lagoa Seca e foi agricultora a sua vida inteira, mas agora despertou o desejo de aprender o ofício de pedreira: “Porque a agricultora pode ter uma fonte de renda a mais e incentiva as outras mulheres. As pessoas acham diferente uma mulher se interessar pela construção de cisternas, mas a gente tem mais é que enfrentar e mostrar que é capaz”. Marília Barbosa, é do sítio Goiana, em Solânea, a jovem de 25 anos, se prepara para casar e já faz planos de construir a sua própria cisterna: “Estou me preparando pra isso, se não construir sozinha, pelo menos eu sei ajudar e assim vou aprendendo, devagar”.

Dona Hilda Trajano é a dona da casa onde uma das duas cisternas da capacitação foi construída, ela conta que quando os vizinhos souberam que a sua cisterna seria construída por mulheres, ouviu coisas do tipo: “a cisterna não vai prestar, vai estourar toda”, mas a agricultora aposentada conta que confia totalmente na capacidade das mulheres: “Eu acho muito interessante, é bonito uma mulher aprender de tudo, a mulher pode fazer de tudo que o homem faz. É porque já sou de idade, mas se eu fosse Mulheres Pedreirasnova eu estava era no meio delas”.

Acesso à água – As cisternas construídas durante a capacitação são do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) do Governo Federal, que na região da Borborema é gerido pelo Polo da Borborema. Dona Hilda conta que a chegada da cisterna foi um sonho realizado: “Essa cisterna é um sonho, ter água doce todo dia, perto de casa, pois antes era um sofrimento. Se ter uma cisterna já é bom, sendo construída por mulheres, melhor ainda!”. O P1MC recruta e forma pedreiros das próprias comunidades, entre os próprios agricultores. Esta foi a primeira capacitação envolvendo só mulheres na região da Borborema.

 

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Oficina de formação sobre acesso a mercados reúne Feirantes da região da Borborema na Paraíba http://aspta.org.br/2013/11/21/oficina-de-formacao-sobre-acesso-a-mercados-reune-feirantes-da-regiao-da-borborema-na-paraiba/ http://aspta.org.br/2013/11/21/oficina-de-formacao-sobre-acesso-a-mercados-reune-feirantes-da-regiao-da-borborema-na-paraiba/#respond Thu, 21 Nov 2013 00:03:24 +0000 http://aspta.org.br/?p=8146 Leia mais]]> Reuniao da ecoMais de 80 agricultoras e agricultores feirantes das oito feiras agroecológicas, de sete municípios da região da Borborema (Massaranduba, Remígio, Solânea, Esperança, Alagoa Nova, Lagoa Seca e Campina Grande) participaram da “Oficina de Formação sobre Acesso a Mercados”, realizada nesta segunda-feira, dia 18, no Centro Marista de Eventos, em Lagoa Seca.

A oficina foi realizada pela Ecoborborema, entidade que reúne os feirantes ligados ao Polo da Borborema, em parceria com a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia. De acordo com Marcelo Galassi, da AS-PTA, o objetivo do evento foi atualizar o diagnóstico sobre o momento atual das feiras para saber quais os avanços e quais os principais desafios, além de ser um momento de consolidação dos princípios que regem as feiras.

reunião da ecoborboremaApós a apresentação, os participantes se dividiram em grupos refletir sobre qual é a realidade atual das feiras agroecológicas no território. A viabilização das infraestruturas do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) voltadas para a produção de alimentos, a exemplo da cisterna calçadão foi lembrada como um fator responsável pela entrada de muitas agricultoras e agricultores nas feiras. Uma dessas pessoas foi a agricultora Cícera da Silva, mais conhecida como dona ‘Moça’, de Massaranduba. Ela vende na feira agroecológica do município há dois anos, desde quando conquistou sua cisterna calçadão, e está muito satisfeita: “A cisterna é uma obra de arte, eu planto tudo lá, aprendi a fazer os canteiros econômicos do lado e não preciso mais comprar nada de verdura. Eu gosto de colocar minha verdura na cabeça e ir pra feira, chega lá, é aquela festa, todo mundo quer, porque sabe que é sadio, é saúde pra eles”, conta a feirante. O aumento do número de consumidores, a melhoria na qualidade de vida dos feirantes e o aumento da relação de confiança entre consumidores e feirantes foram alguns dos avanços elencados pelos participantes da oficina.

reunião da ecoborboremaNa avaliação dos agricultores, a falta de divulgação, organização do sistema participativo de garantia da procedência e os altos custos do transporte foram citados como desafios para o aprimoramento das feiras em 2014.

Economia Solidária – Ainda durante o debate, os agricultores reafirmaram valores e compromissos com as feiras. Foram tratadas não só como local de comercialização direta dos produtos, mas também como um espaço de interação social, de construção de laços de amizade, de valorização da cultura e dos produtos locais e de visibilidade da agricultura familiar de base agroecológica. Além de tudo isso, um espaço de formação e exercício da economia solidária, como lembra Roselita Victor, da coordenação do Polo da Borborema: “Na feira estamos praticando a economia solidária, a gente combina um preço justo, se um não pode estar na banca da feira, o outro que pode toma de conta, isso é união dos feirantes, é solidariedade, afirmou a liderança.

No período da tarde, os agricultores levantaram propostas para os desafios levantados, entre elas estão: a organização de comissões de ética nas feiras com participação de consumidores; de calendários de reuniões municipais e regionais das feiras; de um protocolo para acompanhamento da qualidade dos produtos das feiras; a promoção de eventos de formação com feirantes e eventos com feirantes, chamando atenção da sociedade. Um novo encontro ficou pré-agendado para a segunda quinzena de janeiro de 2014.

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Entidades lançam em Campina Grande programação da Campanha 2013 pelos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher http://aspta.org.br/2013/11/19/entidades-lancam-programacao-da-campanha-2013-16-dias-de-ativismo-pelo-fim-da-violencia-contra-a-mulher-em-campina-grande/ http://aspta.org.br/2013/11/19/entidades-lancam-programacao-da-campanha-2013-16-dias-de-ativismo-pelo-fim-da-violencia-contra-a-mulher-em-campina-grande/#respond Tue, 19 Nov 2013 18:09:12 +0000 http://aspta.org.br/?p=8136 Leia mais]]> Um ano sem Ana AliceEntidades feministas e de defesa dos direitos das mulheres promoverão em Campina Grande e outras regiões da Paraíba uma série de atividades da Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher a partir desta quarta-feira, dia 20 de novembro. Esta é a 22ª edição da Campanha, uma ação que envolve organizações de 159 países no período de 25 de novembro, dia internacional pelo fim da violência contra a mulher até 10 de dezembro, data em que se comemora o aniversário da promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos. No Brasil a Campanha se inicia já no dia 20 de novembro, por ocasião do dia da Consciência Negra.

A programação da Campanha inclui rodas de conversa, palestras, seminário e uma marcha no município de Picuí. O objetivo da Campanha é dar visibilidade à luta pelo fim das diversas formas de violência contra a mulher.

Entre as entidades que organizam a programação estão: Centro de Ação Cultural (CENTRAC), Grupo Flor e Flor Estudos de Gênero/UEPB; Associação das Trabalhadoras Domésticas; Grupo de Apoio à Vida (GAV); Rede de Mulheres em Articulação da Paraíba (AMB-PB), DCE UEPB Gestão “O tempo não para”, 08 de Março Centro Acadêmico de Serviço Social, Mulheres da Articulação Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), União de Mulheres Brasileiras (UBM), Centro de Organização Popular (CEOP) e Fórum Feminismo e Direitos Humanos.

Números – Segundo dados do Centro da Mulher 08 de março, até outubro de 2013 foram registrados 89 estupros e 56 homicídios de mulheres só na Paraíba. Com relação ao mesmo período de 2012, houve uma redução de 31% no número de homicídios, o que segundo o movimento de mulheres, embora seja um reflexo da aplicação da Lei Maria da Penha, não é o suficiente para se comemorar: “Apesar dessa aparente redução, os números ainda são bastante altos e a rede de serviços de atenção à mulher vítima de violência não funciona de forma articulada, o que dificulta um atendimento integral e incide no retorno das mulheres ao ciclo de violência. Além disso, as ações de prevenção são pontuais e não desconstroem efetivamente o machismo”, afirma Mary Alves, do Flor e Flor Grupo de Estudos de Gênero da UEPB e da Ong Centro de Ação Cultural (CENTRAC).

Um estudo divulgado no mês de setembro pelo Instituto de Pesquisa e Economia Aplicada (IPEA) colocou o estado na oitava posição com maior taxa de mortes violentas de mulheres. Segundo a pesquisa, são sete mortes para cada 100 mil mulheres no estado, o índice da Paraíba é de 6,99%, superior ao índice nacional que é de 5,82%.

Programação 16 dias de ativismo/2013

20/11- 16h30 –   Sede do GAV- AV. Almirante Barroso, 672. Liberdade –   Roda de conversa conceitos de violência

20/11- 19h –  Central de Aulas -UEPB / Auditório III –   Palestra: A representação da mulher negra na Ciência (Katemari Diogo da Rosa)

23/11- 8h –   Picuí – Concentração em frente ao Banco do Brasil –   III Marcha pelo Fim da violência contra as Mulheres

28/11- 14h30 –   Papel Marchê/ Auditório de Organização – Bairro do Cruzeiro  – Roda de conversa: Conceitos de violência- por Délia e Susana

10/12/13 –   Hotel Fazenda Day Camp – Sítio Lucas, Campina Grande. – Seminário de gênero- ASA/Paraíba

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Agricultoras e Agricultores do Rio de Janeiro realizam encontro estadual de Agroecologia http://aspta.org.br/2013/11/18/agricultoras-e-agricultores-do-rio-de-janeiro-realizam-encontro-estadual-de-agroecologia/ http://aspta.org.br/2013/11/18/agricultoras-e-agricultores-do-rio-de-janeiro-realizam-encontro-estadual-de-agroecologia/#respond Mon, 18 Nov 2013 20:53:08 +0000 http://aspta.org.br/?p=8123 Leia mais]]> Encontro Agroecologia RJNos dias 08 a 10 de novembro, aconteceram em Campos dos Goytacazes, o III Encontro Estadual de Agroecologia e a II Festa das Sementes, realizados pela Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro (AARJ). Participaram do encontro cerca de 250 pessoas, sendo a maior parte agricultores familiares e assentados da reforma agrária, dos quais 130 eram mulheres. Participaram também técnicas, técnicos, professores, consumidores e estudantes de graduação dos municípios onde a Articulação está presente: Paraty, Rio de Janeiro, Magé, Nova Iguaçu, Casimiro de Abreu, Silva Jardim, Araruama, Rio das Ostras, Campos, entre outros.

O encontro cujo tema foi “Agrobiodiversidade, Sementes e Territórios” refletiu o acúmulo e a articulação de diversas experiências que se desenvolvem no estado nos temas da reforma agrária, da economia solidária, da agricultura urbana e periurbana, da saúde pelas plantas medicinais, das sementes crioulas, da educação do campo e do consumo e alimentação agroecológica popular.

Após a acolhida e o momento de partilha do café da manhã, foi realizado o primeiro painel, com o mesmo tema do encontro: Agrobiodiversidade, Sementes e Territórios. Durante a mesa, foi realizada uma apresentação que provocou a reflexão sobre as perspectivas do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo), tendo como referência as metas e iniciativas voltadas para a questão da agrobiodiversidade e das sementes crioulas. Foi ainda apresentada a situação vivenciada pelas comunidades da Região Norte, impactadas pelas obras do Porto do Açu. A luz dessa experiência aprofundou-se o debate sobre a questão agrária na região.

Encontro Agroecologia RJOs participantes se dividiram nos momentos posteriores para realizarem dois intercâmbios de experiências no Assentamento Zumbi dos Palmares e diversas oficinas temáticas sobre o resgate e conservação de sementes, adubação orgânica, sistemas agroflorestais, assistência técnica e extensão rural, manejo de plantas medicinais, minhocultura, mulheres e agroecologia, juventude rural, entre outras.

No segundo dia de encontro, foi realizada na praça central do Bairro Travessão, em Campos de Goytacazes, uma Feira de Saberes, Sabores e Sementes. A feira ainda foi palco para a realização de um ato público em defesa da agricultura familiar e da produção de alimentos saudáveis.

Durante a feira, os moradores puderam conhecer, degustar e comprar os produtos agroecológicos da região como abacaxi, maracujá, maxixe, café, limão, aipim, entre outros; além dos diversos produtos trazidos de outras regiões do estado como os muitos tipos de feijão do Robertinho de Tapinoã, em Araruama e os saborosos doces da D. Juliana, da Comunidade de Vala Preta, em Magé. Dona Juliana inclusive, ministrou na feira uma oficina de fabricação de sacola de papel com folhas de jornal e revistas usadas. O momento da feira foi tão positivo que os organizadores estão se preparando para atender aos pedidos dos moradores do Bairro Travessão para promover a feira mais vezes.

Encontro Agroecologia RJNo último dia, os participantes leram e aprovaram a segunda edição da Carta Política e da Agenda de Lutas da AARJ. Foi lançado do caderno de experiências agroecológicas “Caminhos Agroecológicos do Rio de Janeiro”, fruto do intenso processo de sistematização desencadeado em preparação ao II Encontro Nacional de Agroecologia, realizado em Recife.

O evento encerrou com grande emoção, quando foi realizada uma homenagem ao Cícero Guedes, militante do MST que foi covardemente assassinado em janeiro desse ano, nas proximidades da Usina Cambahyba, em Campos dos Goytacazes.

“O encontro foi um momento de tirar do isolamento experiências de resistências e de práticas agroecológicas e perceber que a agricultura camponesa tem algo em comum, e tem um papel fundamental na sociedade, que nada mais nada menos, é nos alimentar com qualidade e respeito ao meio ambiente. Esta agregação ficará maior e mais forte quando os protagonistas de experiências agroecológicas do estado do Rio de Janeiro se encontrarem com outros agricultores de outras cidades do país. Com certeza, a agricultura agroecológica do Rio de Janeiro estará mais preparada para participar do III Encontro Nacional de Agroecologia”, avalia Claudemar Mattos, assessor técnico da AS-PTA e da Coordenação da AARJ.

Leia a Carta Política do III Encontro Estadual de Agroecologia

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Rio de Janeiro realiza Caravana Agroecológica e Cultural rumo ao III Encontro Nacional de Agroecologia http://aspta.org.br/2013/11/16/rio-de-janeiro-realiza-caravana-agroecologica-e-cultural-rumo-ao-iii-encontro-nacional-de-agroecologia/ http://aspta.org.br/2013/11/16/rio-de-janeiro-realiza-caravana-agroecologica-e-cultural-rumo-ao-iii-encontro-nacional-de-agroecologia/#respond Sat, 16 Nov 2013 22:08:06 +0000 http://aspta.org.br/?p=8109 Leia mais]]> caravanaDurante os dias 19 e 21 de novembro, será realizada a Caravana Agroecológica e Cultural do Rio de Janeiro. Nos três dias de atividades, agricultoras, agricultores, organizações não governamentais, entidades de pesquisa e estudantes estarão envolvidos em uma programação que inclui visitas a experiências de agricultura urbana e periurbana, atividades culturais e feiras, assim como a promoção de espaços para o debate sobre as questões de conflito ambiental e territorial nesta região, que vem sistematicamente invisibilizando a agricultura familiar através de seus órgãos oficiais.

Programação – Os participantes da Caravana passarão pela cidade do Rio de Janeiro e por Nova Iguaçu, na região metropolitana, para visitar os êxitos das experiências agroecológicas, bem como conhecer de perto os impactos ambientais e sociais gerados pelos megaempreendimentos que excluem as populações mais pobres da cidade. Para debater esse modelo de desenvolvimento, assim como construir alternativas social e ambientalmente mais justas, estão sendo organizados momentos de atividades internas às organizações ligadas à Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro (AARJ) e atividades abertas ao público.

A abertura da jornada acontecerá no entorno da Baía de Sepetiba, um local simbólico onde se observam inúmeros impactos ao agroecossistema em função da implantação do Porto de Sepetiba e, em especial, à implantação da TKCSA. Mas, também em Sepetiba, encontram-se diferentes experiências de agricultura urbana, que têm favorecido a segurança alimentar e nutricional da comunidade de tradição pesqueira. Dona Leda, uma das agricultoras urbanas com experiência nesse local relata, com saudades, do tempo em que utilizavam o pescado na alimentação. Hoje, ela e suas vizinhas utilizam o cultivo dos seus quintais para a complementação alimentar.

De lá, os participantes seguem para a segunda experiência, um quintal produtivo na Vila Autódromo, situada às margens da Lagoa do Camorim, na Baixada de Jacarepaguá. Essa comunidade tem uma larga experiência de resistência na luta pela terra. Tem sua origem em uma comunidade de pescadores e, muito embora a pesca esteja inviabilizada na Lagoa que encontra-se completamente assoreada, o vínculo histórico da pesca e da agricultura se mantém vivo na comunidade. São as mulheres, que junto com a Jane Nascimento, se organizaram para a implantação e manutenção de uma horta comunitária.

No final do dia, a Caravana chega à Comunidade Astrogilda, em Vargem Grande. Trata-se de um assentamento tradicional no interior do Parque Estadual da Pedra Branca. Lá reside a quinta geração da matriarca Astrogilda, uma ex-escrava. Na comunidade mora Pedro Mesquita, o primeiro agricultor da cidade do Rio de Janeiro a obter a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) por meio da sua participação na Rede Carioca de Agricultura Urbana, uma articulação de instituições e pessoas que trabalham para o fortalecimento na Agricultura Urbana na cidade do Rio de Janeiro. E também foi por meio da Rede, que Pedro Mesquita conseguiu acessar o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e fornece alimento agroecológico para duas escolas públicas de Vargem Grande. Essa experiência será visitada com a participação dos estudantes, diretor e professores da primeira escola do Rio a adquirir alimento produzido na própria cidade.

No terceiro dia, os caravaneiros passarão pela Feira da Roça de Nova Iguaçu. Além de conhecer a experiência exitosa da feira, será realizado um ato público apresentando à sociedade os malefícios dos alimentos transgênicos e com agrotóxicos. Após o ato, a Caravana chega à Marapicu, o assentamento rural mais antigo do estado do Rio de Janeiro. Lá serão visitadas várias experiências e será realizada uma oficina sobre o uso tradicional de plantas medicinais e o preparo de remédios caseiros do Grupo Fitocam.

III ENA e a metodologia das Caravanas

As Caravanas Agroecológicas e Culturais compõem o processo de preparação do III Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), que será realizado no primeiro semestre de 2014, em Juazeiro, na Bahia. As caravanas têm por objetivo estimular dinâmicas capilarizadas de mobilização social, visando um mergulho em distintas realidades nas quais a agroecologia e o agronegócio disputam espaço físico, político e ideológico como expressão de projetos opostos para o mundo rural.

Também é objetivo destas mobilizações o debate acerca dos variados contextos socioambientais e culturais em que o campo agroecológico vem se constituindo no Brasil. A Caravana da Região Metropolitana ganha força com o sucesso da realização das Caravanas da Zona da Mata de Minas Gerais, Santarém, Bico do Papagaio e Chapada do Apodi no Ceará.

A Caravana Agroecológica e Cultural da Região Metropolitana do Rio de Janeiro está sendo realizada pelas organizações que compõem a Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro (AARJ).

ATIVIDADES PÚBLICAS

Dia 20/11, quarta-feira

Exposição e Roda de Conversa no Largo de Vargem Grande – 11h às 13h.
Estrada dos Bandeirantes, altura do número 24000

Pagode e Poesia – 17h às 20h
Ato Cultural pelo Dia da Consciência Negra
Rua Luiz Borracha, 722, Alto Mucuíba, Vargem Grande

Dia 21/11, quinta-feira

Feira da Roça de Nova Iguaçu – 9h às 11h
Praça Rui Barbosa – Centro

Mais informações: www.facebook.com/caravanaagroecologicariodejaneiro

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Mulheres Pedreiras: curso vai capacitar agricultoras para a construção de cisternas de placas http://aspta.org.br/2013/11/14/mulheres-pedreiras-curso-vai-capacitar-agricultoras-para-a-construcao-de-cisternas-de-placas/ http://aspta.org.br/2013/11/14/mulheres-pedreiras-curso-vai-capacitar-agricultoras-para-a-construcao-de-cisternas-de-placas/#respond Thu, 14 Nov 2013 15:39:20 +0000 http://aspta.org.br/?p=8099 Leia mais]]> dsc005951Começa na próxima terça-feira, dia 19, e segue até a sexta-feira, dia 22 de novembro, no sítio Lutador, em Queimadas, o I Curso de Capacitação de Pedreiras para Mulheres Agricultoras do Polo da Borborema. A atividade será promovida pelo Polo da Borborema em parceria com a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e terá a participação de 25 agricultoras dos municípios de Solânea, Massaranduba, Queimadas, Alagoa Nova, Esperança, Casserengue, Montadas, Remígio e Esperança.

O curso prático será focado na construção de cisternas de placas de 16 mil litros para abastecimento humano, implementações que têm sido construídas em grande quantidade na região semiárida pelo Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) . Ainda que a prática seja para construção de cisternas, segundo Ivanilson Estevão da Silva, assessor técnico da AS-PTA, a ideia é também capacitar as mulheres para outros pequenos serviços: “no processo de irradiação do P1MC e também do P1+2, que viabiliza a água para produção, as mulheres descobriram que também podiam trabalhar na construção das implementações e, motivadas por outras mulheres pedreiras, surgiu a ideia do curso, que vai servir até para elas descobrirem uma nova profissão ou fazer pequenos reparos, reformas nas suas próprias casas”.

Ainda segundo Ivanilson, o primeiro dia consistirá de uma parte teórica, onde será feita uma contextualização das organizações que atuam no território e sobre a importância de programas como o P1MC e o P1+2 para a vida das famílias, para a geração de renda e autonomia das mulheres. Em seguida haverá a parte prática, quando serão construídas duas cisternas de 16 mil litros no sítio Lutador em Queimadas e as participantes poderão acompanhar e fazer passo a passo da construção.

As instrutoras do curso serão duas mulheres pedreiras com larga experiência na construção de cisternas. Uma delas é Maria Verônica dos Santos, de 39 anos, que vive no sítio Cachoeirinha, município de Barra de Santa Rosa. Ela conta que aprendeu a construir cisternas em outro curso de capacitação, junto com outros homens em 2008, e desde 2009 constrói cisternas de 16 e de 52 mil litros conciliando com o trabalho na agricultura. Verônica já facilitou outros dois cursos de capacitação no município de Bananeiras e conta que não é fácil enfrentar o preconceito por parte dos homens. “Uns dizem, ‘não tá vendo que uma mulher vai saber fazer isso?’, mas eu não sou muito de conversar, não, vou lá e mostro o meu trabalho e assim eles vêem que eu sou mesmo capaz de fazer”, diz. Perguntada sobre o que tem a dizer para outras mulheres que querem aprender o ofício, ela responde: “É muito difícil, é um serviço pesado, mas eu gosto muito do que faço e se elas tiverem força de vontade podem aprender a fazer muito bem”.

O curso conta com o apoio da Comissão de Saúde e Alimentação do Polo da Borborema, que reúne mulheres agricultoras e promove atividade de formação para a promoção da melhoria das condições de vida e de saúde das famílias agricultoras, por meio da geração renda e autonomia das mulheres.

Foto: Ceop Picuí

 

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Agricultoras e agricultores do Polo da Borborema participam de oficina municipal de produção de biofertilizantes http://aspta.org.br/2013/11/08/agricultoras-e-agricultores-do-polo-da-borborema-participam-de-oficina-municipal-de-producao-de-biofertilizantes/ http://aspta.org.br/2013/11/08/agricultoras-e-agricultores-do-polo-da-borborema-participam-de-oficina-municipal-de-producao-de-biofertilizantes/#respond Fri, 08 Nov 2013 00:43:58 +0000 http://aspta.org.br/?p=8076 Leia mais]]> Oficina de BiofertilizanteNo último dia 05, aconteceu em Montadas, na propriedade de seu Manoel Bernardo, uma oficina municipal sobre produção de biofetilizantes, caldas naturais e beneficiamento do esterco, a partir da experimentação das esterqueiras. Cerca de 20 agricultoras e agricultores da zona rural do município estiveram presentes e compartilharam seus conhecimentos a respeito do tema e obtiveram novas informações. A atividade é realizada pela Comissão de Sementes e Manejo da Fertilidade nos Roçados do Polo da Borborema em parceria com a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.

“O objetivo da oficina é provocar um debate sobre as estratégias de melhoria da fertilidade dos solos a partir das experiências desenvolvidas pelas famílias agricultoras referente à produção de biofertilizantes, caldas naturais e melhoria da qualidade do esterco no território do Polo da Borborema para que possamos melhorar a produção de alimentos sem uso de agrotóxicos. Essa atividade é o desdobramento de uma oficina regional sobre biofertilizantes realizada em julho de 2013 no Sindicato de Esperança, com a participação de agricultores e agricultoras e do professor Marcos Barros, da UFPB do campus de Bananeiras. E pretendemos fazer mais, em outros municípios, envolvendo maior número de famílias na experimentação desses produtos” explica Emanoel Dias, assessor técnico da AS-PTA.

Após a contextualização do trabalho da Comissão na região, foram lançados para os agricultores e agricultoras questionamentos como: Por que fazer um biofertilizante? Qual a função do biofertilizante?

Na discussão os participantes levantaram a importância dos biofertilizantes para a saúde das plantas, para o enriquecimento dos solos, o combate ao uso dos agrotóxicos, a diminuição de doenças causadas pelo uso de veneno nos alimentos. Após o debate, o grupo realizou uma atividade prática produzindo biofertilizante a partir do esterco verde, leite de vaca, melaço, pó de rocha, cinza e de ramas verdes.

O agricultor João Fernandes da Silva do sítio Montadas falou sobre a importância de participar da oficina: “Eu não tinha conhecimento, mas agora com as explicações de hoje, eu saio entendendo várias coisas. Eu fiquei impressionado com o que vi. E acredito que pelas anotações que fiz, eu já tenho condições de fazer o biofertilizante em casa. Eu não tenho ainda uma esterqueira, mas pretendo fazer e dar continuidade para poder ajudar quem ainda não tem esse conhecimento, porque eu achei que é de grande utilidade para o agricultor”, explica.

oficina de biofertilizanteManoel Cícero da Silva ou seu Manoel Bernardo como é conhecido na comunidade foi o agricultor que recebeu em sua casa a oficina. Seu Manoel ofereceu seu sítio para realizar a oficina, pois a família está no processo de transição agroecológica. Por muitos anos, a família de seu Manoel plantou fumo na sua propriedade utilizando agrotóxicos. Com plantio de fumo, a família ficou depende de um sistema onde os custos de produção são elevados e a maior parte dos recursos apurados eram empregados na compra de agrotóxicos e na contratação da mão-de-obra. No início do ano, comprou com um vizinho três caixas de batata inglesa e apesar do ano ter sido de pouca chuva, produziu 12 caixas de batata que guardou no frigorífico em Esperança. Desde então, passou a participar das reuniões do Polo da Borborema e vem aos poucos introduzindo na propriedade as inovações que conheceu nas visitas e nas oficinas que participou.

“O biofertilizante é importante porque é traz benefício para a saúde da população, evita problemas na terra. O que traz ajuda para a população sem precisar usar veneno, tudo é bem vindo. Eu já usei bastante agrotóxico, mas utilizando o biofertilizante não vou agredir o solo e se eu fizer em casa, vai sair mais barato sem prejudicar a saúde das pessoas e dos animais”, destaca seu Manoel que já utiliza a esterqueira como estratégia para manter a qualidade e a quantidade do esterco.

Essa atividade também buscou incentivar a continuidade da produção de biofertilizantes nas comunidades que já produziram no início do ano, como as comunidades de Furnas, Campos e Manguape. As lideranças dessas comunidades também estiveram presentes na oficina e saíram no compromisso de continuar a produção dos biofertilizantes já pensando no próximo plantio.

A oficina é uma ação do Projeto Terra Forte, que tem entre as suas estratégias iniciativas de manejo da fertilidade dos solos. O Terra Forte é realizado pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia em parceria com o Polo da Borborema, PATAC e os Agrônomos e Veterinários Sem Fronteiras (AVS) e é co-financiado pela União Europeia.

 

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O Encontro Nacional pelo olhar de uma liderança sindical do Polo da Borborema http://aspta.org.br/2013/11/07/o-encontro-nacional-pelo-olhar-de-uma-lideranca-sindical-do-polo-da-borborema/ http://aspta.org.br/2013/11/07/o-encontro-nacional-pelo-olhar-de-uma-lideranca-sindical-do-polo-da-borborema/#respond Thu, 07 Nov 2013 11:37:10 +0000 http://aspta.org.br/?p=8072 Leia mais]]> Leia Cinco dias após o fim do 3º Encontro Nacional de Agricultoras e Agricultores Experimentadores, que entrou para a história da ASA pela qualidade da participação e envolvimento dos agricultores e agricultoras, a Asacom entrevistou uma das lideranças sindicais do território da Borborema, na Paraíba, onde vivem 19 mil famílias agricultoras.

Maria Leônia Soares da Silva, conhecida como Léia, entrou para o movimento sindical quando tinha 17 anos. Desde 2010, é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Massaranduba, do qual foi secretária durante dez anos. Massaranduba é um dos 14 municípios que fazem parte do território.

Agricultora desde que “nasceu os primeiros dentes”, como ela mesma afirma, e integrante da ASA Paraíba e da comissão de Saúde do Polo da Borborema, Léia fala sobre o Encontro Nacional, que aconteceu entre os dias 28 e 31 de outubro, em Campina Grande, e também sobre a organização e o trabalho realizado pelo Polo para a promoção da agricultura familiar agroecológica. Confira a entrevista.

Asacom – Qual a sua avaliação do encontro na perspectiva do fortalecimento das redes de agricultores/as experimentadores/as?

Léia – Foi um encontro bastante rico. Pensar num encontro como este é pensar numa diversidade de experiência e perceber a capacidade que os agricultores/as têm para conviver com o Semiárido, através da construção de várias estratégias e inovações nesta região semiárida.

A gente sabe que a percepção que as políticas públicas têm desta região é de uma região que não tem vida, de miséria, de fome e, aí, neste encontro, a gente percebeu que os agricultores e agricultoras experimentadores têm mostrado que o Semiárido é um lugar digno de se viver, tem alimentação, tem sua cultura. As próprias experiências visitadas mostram muito claro isso.

A gente percebe um elo muito forte entre os agricultores que vieram de todos os estados do Semiárido e acho que o encontro cumpre o papel de fortalecer as redes de agricultores/as.

Como essas redes se articulam na Paraíba e quais são os atores que as compõem?

Léia – Na Paraíba, há vários territórios rurais importantes, onde têm-se articulado várias organizações de agricultores com o papel de dar visibilidade às experiências dos agricultores e agricultoras para o desenvolvimento rural. Mas não é só isso.

As redes também têm construído políticas públicas para fortalecer a agricultura familiar, que sempre foi negada pelo próprio estado. Por um lado, a gente percebe um forte investimento por parte do governo para o agronegócio e, para a agricultura familiar, é investido o mínimo.

Nas próprias redes, as políticas públicas têm sido bastante refletidas no sentido de valorizar aquilo que as famílias têm feito há séculos.

Como você percebe o papel dos sindicatos na promoção de redes como estas?

Léia – Falando um pouco do meu território, que é o território da Borborema, acho que a expressão do movimento sindical tem sido bastante importante para articular essa grande rede de agricultores e agricultoras a partir dos vários temas mobilizadores. Os temas são articulados e mobilizados pelos agricultores/as, mas também pelas lideranças sindicais que tem esse papel de valorizar, de articular, de mobilizar estas experiências.

E quais são os temas?

Léia – Os temas são Recursos Hídricos que é um tema bastante forte e mobilizador na Paraíba, aqui no território; o tema de Saúde e Alimentação que tem mobilizado todas as experiências de mulheres agricultoras; o tema das próprias Sementes que é um tema bastante importante para o trabalho, para o resgate e para a conservação das sementes dos agricultores; o tema de Arborização que tem transformado completamente esse ambiente tanto do ponto de vista da preservação das matas nativas, mas também de inovações do plantio de árvores que se adaptaram muito bem aqui na região; aí vem o tema da Juventude que tem articulado os jovens agricultores; o tema da Criação Animal que tem articulado uma rede de agricultores e agricultoras que tem inúmeras experiências do ponto de vista da alimentação animal.

Para cada tema, existe uma comissão. E o que essas comissões fazem?

Léia – São comissões regionais que mobilizam os 14 municípios do Polo. Participam destas comissões agricultores e agricultoras, lideranças sindicais e assessoria [técnica]. E essa comissão tem tido um papel importante de articular as ações voltadas para aquele tema, mas também mobilizar, planejar, avaliar. É uma instância de reflexão das próprias ações e também das políticas públicas. Como é que as coisas, a partir dessas comissões, podem ser construídas dentro dos próprios municípios?

Como essa rede tem resistido às investidas do agronegócio e como ela pode ser ampliada cada vez mais?

Léia – Na verdade, são duas perguntas importantes, né? Essas comissões estão dentro de um território em disputa também. Por um lado, temos as experiências dos agricultores que estão na transição agroecológica, que tem um potencial importante para o desenvolvimento da agricultura familiar.

Mas, por outro lado, temos uma agricultura que investe no veneno, olhando para a região das frutas. Outra ameaça que a gente vem sentindo é o próprio desaparecimento das galinhas [de capoeira]. Há um tempo a gente sentiu muito mais forte a questão da fumicultura, a cultura do fumo, nos municípios que estão na articulação do Polo, no caso de Montadas, Solânea, Areial. Tem agricultores ainda que insistem em plantar o fumo. Em 2010, vivenciamos aqui na região do brejo um investimento por parte do Estado no uso do veneno da Bayer para a mosca negra no plantio da laranja.

A gente percebe que, aqui no território do Polo da Borborema, há uma expressão muito forte da agricultura familiar. Cerca de 19 mil famílias têm trabalhado a agricultura a partir dos vários ambientes deste território, regiões mais secas, regiões mais úmidas, regiões onde a questão do roçado do feijão e da fava é muito forte, mas temos aí uma luta de enfrentamento ao agronegócio também.

As próprias comissões, mas não só as comissões, a coordenação ampliada do Polo, que é articulada por representantes dos vários municípios, têm tido esse papel de enfrentar realmente essa luta contra o agronegócio. Fizemos um seminário para trazer um debate à questão do fumo, sobre o uso do veneno na mosca negra, tivemos vários momentos municipais e um seminário regional.

A gente precisa reafirmar o papel da agroecologia na promoção da vida, na preservação da semente e no fortalecimento da agricultura familiar aqui no território.

Como a rede de agricultores do Polo pode ser ampliada?

Léia – Nós temos aqui um movimento sindical bastante importante. E a gente sabe a história do movimento sindical, de concentração de poder, da própria inversão do papel do sindicato. A quem está a serviço o sindicato? É a serviço de uma diretoria ou a serviço da promoção da agricultura familiar no seu município?

Então, esses sindicatos daqui do território têm tido este papel de articular as experiências para que sejam ampliadas no município, na comunidade, a partir dos boletins, das mobilizações, das reuniões comunitárias.

E essas experiências têm sido multiplicadas através dos próprios intercâmbios. A troca de conhecimentos, os agricultores saem do seu isolamento, da sua propriedade, e vão conhecer outros agricultores que estão em transição agroecológica, tem sido um processo de formação muito importante.

Há 10 anos, em 2003, a Paraíba sediou o 4º Encontro Nacional da ASA que teve, pela primeira vez, a participação das famílias agricultoras. Essa abertura foi um grande marco para a intervenção da articulação. Após uma década, como você percebe o impacto da ação da ASA no território da Borborema?

Léia – Nós também temos um histórico de desvalorização do conhecimento dos agricultores e já vivenciamos isso de forma muito forte através de algumas assistências técnicas que vieram para o território, a própria assistência técnica da Emater, que durante muito tempo desvalorizou e não reconhecia o conhecimento dos agricultores/as. E aí quando uma grande articulação, como é a ASA, que tem construído políticas públicas para a região do Semiárido, coloca na sua pauta trazer esse conhecimento dos agricultores e agricultoras num espaço público, que é o EnconASA, isso é muito importante.

Nós tínhamos uma dificuldade muito grande, os agricultores e agricultoras não valorizavam os seus conhecimentos. Acho que foi muito um evento muito importante por trazer na sua pauta o papel dos agricultores e agricultoras no fortalecimento desta grande rede.

E o que você prevê para os próximos 10 anos no cenário da agricultura familiar?

Léia A gente tem muito o que avançar. A gente vive numa região bastante rica. Esse encontro [Nacional de Agricultoras e Agricultores Experimentadores] trouxe isso. Mas acho que é preciso continuar investindo no fortalecimento da rede de agricultores/as, e também potencializar a capacidade das próprias assessorias [técnicas]. A gente sabe que a universidade tem sido um instrumento muito fechado, que não valoriza este conhecimento. É preciso repensar o papel da educação para termos um processo de formação das próprias assessorias que reconheçam essa capacidade dos agricultores. Nós temos aí vários investimentos por parte do governo nas assistências técnicas. Mas qual tem sido os frutos destas assistências técnicas? Qual tem sido a capacidade desses técnicos de refletir junto aos agricultores e agricultoras no sentido de potencializar e construir o desenvolvimento rural numa região Semiárida? Na verdade, quem faz a agricultura são os agricultores e agricultoras, não são os técnicos. Há muito o que avançar neste sentido.

Fonte: www.asabrasil.org.br
Verônica Pragana – Asacom
06/11/2013

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