dezembro 2013 – AS-PTA http://aspta.org.br Fri, 05 Feb 2021 13:07:05 +0000 pt-BR hourly 1 Concurso de fotografia: Imagens da agricultura familiar camponesa ao redor do mundo http://aspta.org.br/2013/12/17/concurso-de-fotografia-imagens-da-agricultura-familiar-camponesa-ao-redor-do-mundo/ http://aspta.org.br/2013/12/17/concurso-de-fotografia-imagens-da-agricultura-familiar-camponesa-ao-redor-do-mundo/#respond Tue, 17 Dec 2013 21:28:39 +0000 http://aspta.org.br/?p=8270 AgroecologiaEm 2014, o Ano Internacional da Agricultura Familiar (AIAF) destacará os múltiplos papeis positivos que a Agricultura Familiar desempenha para as sociedades contemporâneas. Além de ser responsável pela produção de 80% dos alimentos no mundo, conserva ecossistemas e a biodiversidade, produz e reproduz culturas rurais, gera trabalho digno e riquezas sociais que são distribuídas de forma equitativa na sociedade. O Concurso de Fotografia do AIAF-2014 lança mão de expressões visuais visando obter maior reconhecimento e apoio para a Agricultura Familiar Camponesa.

O Concurso Internacional de Fotografi­a AIAF-2014 convida os participantes a submeter fotografi­as que representem o lema da campanha Agricultura Familiar: alimentar o mundo, cuidar do planeta. As imagens inscritas no concurso deverão transmitir a força, o potencial e os desafios da agricultura camponesa, em toda sua diversidade e nos mais variados contextos socioambientais.

Um júri formado por Angèle Etoundi, Bernward Geier, S. Jayaraj, Tomás Munita, Deo Sumaj e Jun Virola selecionará as imagens vencedoras. O prazo para o recebimento de fotografias termina no dia 1º de maio de 2014. Mas agradecemos o envio de fotos com antecedência. O anúncio das imagens vencedoras será feito em outubro de 2014.

O Concurso de Fotografia é uma iniciativa da Rede AgriCulturas e do Fórum Rural Mundial, contando com a colaboração da Associação de Agricultores da Ásia (Asian Farmers Association), da Coordenação Latino-Americana de Organizações do Campo (CLOC)/Via Campesina e da Rede Mais e Melhor (The More and Better Network).

Para saber mais e enviar sua fotografia, acesse: www.agriculturesnetwork.org/photocompetition

 

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Polo da Borborema realiza balanço das atividades de 2013 e debate sobre sindicalismo http://aspta.org.br/2013/12/15/polo-da-borborema-realiza-balanco-das-atividades-de-2013-e-debate-sobre-sindicalismo/ http://aspta.org.br/2013/12/15/polo-da-borborema-realiza-balanco-das-atividades-de-2013-e-debate-sobre-sindicalismo/#respond Sun, 15 Dec 2013 15:10:22 +0000 http://aspta.org.br/?p=8260 Leia mais]]> Polo da BorboremaNos dias 12 e 13 de dezembro, o Polo da Borborema reuniu cerca de 70 representantes dos 14 municípios onde atua no Convento Ipuarana em Lagoa Seca-PB, para realizar o seu balanço anual e avaliar a trajetória do movimento sindical na região. Participaram ainda assessores técnicos e estagiários da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, que presta assessoria ao Polo. Após a realização da mística de abertura, quando se fez uma primeira “colheita” do trabalho do ano, os participantes se dividiram em três grupos, que reuniram cerca de quatro municípios cada um, para levantar os avanços de 2013 e os desafios postos para 2014.

Polo da BorboremaAvanços e desafios – Entre os principais avanços identificados pelos agricultores e agricultoras estão: o fortalecimento das feiras agroecológicas; o papel da juventude nas comissões municipais; o fortalecimento e a valorização do trabalho das mulheres e dos jovens; a universalização do acesso às cisternas de placas em alguns municípios; a ampliação do trabalho dos Bancos de Sementes Comunitários; ampliação do trabalho da comissão de Criação Animal e o aumento da quantidade de forragem armazenada; o aprimoramento da comunicação e aumento da visibilidade do trabalho; e a relação com o Estado e com as políticas públicas. Já entre os desafios, os grupos apontaram o avanço do modelo das cisternas de plástico na região; a ameaça dos transgênicos, o aumento da violência no campo e a relação com o poder local.

Polo da BorboremaSindicalismo – No período da tarde do primeiro dia e na manhã do dia seguinte, os agricultores e as agricultoras promoveram um debate sobre as principais transformações no sindicalismo da região nos últimos 20 anos. Foram levantados avanços importantes no trabalho dos sindicatos que antes de tudo, segundo a avaliação dos participantes, deixaram de ser espaços só de homens, para contar cada vez mais com a presença e a valorização das mulheres e dos jovens atuando nas diretorias. Na região foi se construindo um novo modelo de sindicalismo, mais democrático, que “saindo de trás do birô” foi capaz de abraçar as lutas dos trabalhadores em defesa da agricultura familiar agroecológica.

“O movimento sindical do Polo está construindo uma nova democracia. Conseguimos romper com o presidencialismo. Rompemos não só quando a família agricultora tira você de trás do birô, mas também quando elas passam a participar do espaço do sindicato”, avalia Euzébio Cavalcanti, presidente do Sindicato de Remígio.

“Fomos construindo um sindicalismo que não é personalizado em seu presidente, mas que é da diretoria e dos agricultores e agricultoras, que passam a dizer também como querem o sindicato. Fico me perguntando sobre o significado das 640 toneladas de silagem armazenadas em Remígio nessa seca. Isso é fruto do investimento dos recursos do sindicato para o fortalecimento de um projeto que é comum”, completa Roselita Vítor, também da direção do Sindicato de Remígio e da coordenação do Polo.

Nelson Ferreira, presidente do Sindicato de Lagoa Seca, lembrou que a união é uma característica marcante dos sindicatos que compõem o Polo da Borborema: “Conseguimos quebrar o isolamento e romper com a cultura do individualismo desses sindicatos. No começo não foi fácil, foi preciso que alguém experimentasse, e o sindicato de Solânea e de Remígio foram os primeiros e a gente foi aprendendo a aprender com a experiência do outro” disse. “Outro diferencial foi a nossa parceria com a AS-PTA, nossa assessoria, que nos ajudou a fazer a leitura da nossa realidade, a descobrir que não somos iguais”, completou a liderança, se referindo ao diagnóstico realizado pelos municípios nos anos 90, início desse trabalho.

Polo da BorboremaA programação do primeiro dia foi encerrada com uma comemoração dos 20 anos de parceria entre Polo e AS-PTA onde os participantes acompanharam uma retrospectiva do trabalho mostrada em fotos e partilharam um bolo de aniversário. A noite terminou ao som de cantoria e forró da banda Gigahertz, formada por jovens do município de Remígio.

Polo da BorboremaLançamento – O segundo dia de encontro foi aberto com o lançamento do calendário 2014 do Polo da Borborema e da AS-PTA, que este ano trouxe como tema: “Agricultoras e Agricultores Experimentadores na construção da agroecologia no Território da Borborema” e foi montado a partir de 365 fotografias de homens e mulheres, pais, mães, filhos, filhas, avós de famílias agricultoras da região indicando cada dia do ano. Durante o lançamento foi reafirmado o papel de cada agricultora e cada agricultor na construção do projeto político desse território.

“A importância que eu acho de ser agricultor-experimentador e hoje ser representado pelo Polo é porque ninguém conhecia o agricultor, a não ser no seu roçado. Hoje, o Polo da Borborema resgatou o agricultor para ele próprio dar sua contribuição e pegar seus conhecimentos e repassar um para o outro. Eu acho que evoluiu bastante por isso. Antes do Polo isso não existia. Então a gente se torna tão importante que nós estamos na página do calendário. Isso para mim é um orgulho e me sinto satisfeito e feliz, avalia Juvenal Ferreira, agricultor-experimentador de Massaranduba durante o lançamento do calendário.

Polo da BorboremaO evento de balanço foi encerrado com a inauguração do processo de construção da V Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, que em 2014 acontecerá, no dia 08 de março, no município de Massaranduba. “A cidade é pequena, mas o coração é grande. É com muita alegria que a gente recebe esta marcha em nosso município, Massaranduba acolhe vocês de braços abertos”, disse Gabriela dos Santos Galdino, jovem agricultora da direção do Sindicato. Uma ciranda, puxada pelas mulheres, encerrou a programação e animou a volta das delegações aos seus municípios.

Leia a poesia de Euzébio Cavalcanti sobre os 20 anos de parceria entre o Polo e a AS-PTA

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Um movimento agroecológico: 20 anos de parceria entre Polo da Borborema e AS-PTA http://aspta.org.br/2013/12/13/um-movimento-agroecologico-20-anos-de-parceria-entre-polo-da-borborema-e-as-pta/ http://aspta.org.br/2013/12/13/um-movimento-agroecologico-20-anos-de-parceria-entre-polo-da-borborema-e-as-pta/#respond Fri, 13 Dec 2013 22:01:52 +0000 http://aspta.org.br/?p=8250 Leia mais]]> Um movimento agroecológico

 

Polo da Borborema20 anos se passaram
Força para os 10 mil anos
Duas datas que casaram
Sabres, vidas e planos
A agricultura camponesa
Bota alimento na mesa
Enfrentando as mudanças
Nos oferecem veneno
Querem nos tornar pequeno
Heranças, doces heranças

Heranças de nossos pais
A semente da paixão
E conto aqui bem mais
Trabalho e mutirão
Nos vendem facilidades
Roubando as capacidades
Tudo em nome da ciência
Mas somos guardiões
Rompendo gerações
Com luta e resistência

“Tudo estava perdido
o poderoso venceu”
Esse ciclo foi rompido
Pois a vida renasceu
Veio com a vivência
Fizemos experiências
Plantando diversidade
E a mulher lutadora
Também foi a vencedora
Pois mostrou sua verdade

20 anos é tão jovem
Pra ter tanta experiência
Mas antes que se aprovem
Buscou-se numa vivência
Que 10 mil anos atrás
Não menos, talvez bem mais
Acumula o saber
Que vem de pai para filho
Que multiplica o brilho
Que vejo acontecer

Tudo estava ali
Por todos bem construído
Armazenando aqui
O saber distribuído
Homem, mulher e até criança
Jovem dentro dessa herança
Hoje mais organizado
Com uma grande batalha
Onde a luta não falha
E tudo é partilhado

Até no mundo criaram
Trabalho de extensão
E ao povo condenaram
Pro seu saber extinção
Por isso que os 20 anos
Com resgates, também planos
Formou grande resistência
Um movimento que está
Com o Polo e AS-PTA
Numa grande experiências

Feliz por participar
Da vitória camponesa
Polo e AS-PTA
Resgata comida na mesa
Com agroecologia
Coloca em sintonia
O nosso sopro da vida
A alimentação saudável
A vida mais agradável
Como uma boa medida

As sementes do saber
É a nossa juventude
E pra água de beber
Temos uma atitude
P1MC e depois
Temos o P1+2
E com muita alegria
Como quero e como queres
Pela vida das Mulheres
E pela Agroecologia

Mas, sementes da paixão
Guardiões da natureza
E quando guarda a ração
Também comer na mesa
Todos experimentando
E o seu saber trocando
Arboriza com energia
Então: viva o conhecimento
Viva esse movimento
Viva a agroecologia!

 

Euzébio Cavalcanti de Albuquerque
Remígio-PB, 13 de dezembro de 2013
Balanço do Polo da Borborema

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Entidades do Território da Borborema se reúnem com Secretário de Agricultura da Paraíba http://aspta.org.br/2013/12/05/entidades-do-territorio-da-borborema-se-reunem-com-secretario-de-agricultura-da-paraiba/ http://aspta.org.br/2013/12/05/entidades-do-territorio-da-borborema-se-reunem-com-secretario-de-agricultura-da-paraiba/#respond Thu, 05 Dec 2013 23:44:58 +0000 http://aspta.org.br/?p=8232 Leia mais]]> reunião sedapA coordenação ampliada do Território da Borborema, composto por entidades de 22 municípios das zonas do Brejo, Agreste e Curimataú da Paraíba, entre elas o Polo da Borborema, esteve reunida na manhã da segunda-feira, 02 de dezembro, com o secretário da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (SEDAP) Marenilson Batista. O encontro aconteceu na sede da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, no município de Esperança, e teve como objetivo construir acordos para uma série de assuntos do Território que são de competência da SEDAP.

Um dos principais pontos discutidos foi a situação do Banco de Sementes Mãe, localizado no município de Lagoa Seca. Os representantes do Polo da Borborema cobraram mais uma vez a finalização das obras do Banco Mãe para que ele possa estar em condições de armazenar sementes e servir aos agricultores de toda a região. Atualmente o Governo do Estado custeia a energia elétrica do local e paga um vigilante para tomar conta do prédio, porém as lideranças do Polo presentes na reunião denunciaram as péssimas condições de conservação do prédio, que recentemente teve o seu forro parcialmente destruído devido às chuvas do último inverno e ainda tem o acesso ao, que deve ser feito por meio de uma passagem molhada, inconcluso. “A situação desse banco vem se arrastando por três governos diferentes, a obra chegou a ser inaugurada pela atual gestão, mas ainda não tem condições de armazenar sementes”, explica Euzébio Cavalcanti, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remígio e da coordenação do Polo da Borborema.

O secretário informou que a dificuldade em avançar na finalização da obra, se deve pelo fato de que o governo atual não dispõe do projeto de engenharia do local, iniciado em gestões passadas, o que estaria impossibilitando o andamento da obra. O titular da pasta da SEDAP disse que os agricultores ainda devem acreditar na finalização em breve e se comprometeu a acompanhar de perto esse processo.

Vistoria – Após a reunião, as lideranças do Polo da Borborema, os técnicos da SEDAP e da AS-PTA seguiram para o Banco Mãe para verificar in loco as condições do local e fazer um levantamento do que é preciso para dar a ele plenas condições de funcionamento. “A ideia é que a partir desse levantamento se possa tomar as providencias”, disse Maria Leônia Soares, presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Massaranduba e da coordenação do Polo da Borborema.

Outros assuntos tratados durante a reunião foram a implementação do Programa de Apoio a Projetos de Infraestrutura e Serviços dos Territórios (Proinf), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), cuja proposta para o Território da Borborema é do incentivo para a compra de máquinas moto ensiladeiras (para a confecção de silos para alimentação animal) e despolpadeiras (para o beneficiamento de frutas). Por questões legais, ficou encaminhando que a SEDAP irá ser o proponente junto ao MDA, e a coordenação do território assume a gestão dos projetos.

Foi discutida ainda o incentivo para o funcionamento do frigorífico atualmente mantido pelo Governo com a participação das famílias agricultoras da região. O secretário se comprometeu a dar andamento à licitação que está em curso para a compra de novas sementes crioulas. O gestor inclusive elogiou a produção das 1.800 caixas de batatinha armazenadas no local, mesmo depois de quase dois anos seguidos de seca. Ficou decidida ainda a criação de uma taxa cobrada aos agricultores para manterem suas sementes no frigorífico, “com esse recurso poderemos investir ainda mais na compra de sementes”, afirmou Euzébio Cavalcanti.

Outro tema tratado foi o Programa de Desenvolvimento Sustentável do Cariri e Seridó (Procase), inicialmente voltado para essas duas regiões e estendido à Borborema, recentemente. As lideranças solicitaram da secretaria uma apresentação mais detalhada desta iniciativa para as entidades representantes dos agricultores possam se apropriar melhor e participar efetivamente. A apresentação deve acontecer no próximo dia 10, quando ocorre a próxima Plenária Territorial da Borborema, que será em Lagoa Seca. Na ocasião esses e outros assuntos vão ser aprofundados e serão monitorados os seus encaminhamentos.

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Violência contra a mulher: Comitê Ana Alice acompanha Audiência do Caso Antônia http://aspta.org.br/2013/12/05/violencia-contra-a-mulher-comite-ana-alice-acompanha-audiencia-do-caso-antonia/ http://aspta.org.br/2013/12/05/violencia-contra-a-mulher-comite-ana-alice-acompanha-audiencia-do-caso-antonia/#respond Thu, 05 Dec 2013 23:35:22 +0000 http://aspta.org.br/?p=8226 Leia mais]]> Audiência TanaRepresentantes do Comitê de Solidariedade Ana Alice acompanharam na manhã do dia 28 de novembro, no Fórum da Comarca de Queimadas, a audiência de instrução do caso de Antônia Rodrigues de Sousa Duarte. A dona de casa de 39 anos foi uma das vítimas de Leônio Barbosa de Arruda, que também é acusado do homicídio da jovem Ana Alice de Macedo Valentim, agricultora e militante do Polo da Borborema, que quando voltava da escola em setembro de 2012 foi sequestrada, violentada e brutalmente assassinada aos 16 anos. Antônia sobreviveu ao sequestro e a tentativa de homicídio praticadas por Leônio em outubro de 2012, um mês após o desaparecimento de Ana Alice.

O caso – Por volta das 17h, a dona de casa fazia uma caminhada pelas redondezas de sua residência, na zona rural do município de Caturité, a 16km de Queimadas, quando foi abordada pelo vaqueiro de 22 anos, que armado com uma espingarda calibre 12 a obrigou a entrar no veículo que conduzia e, após mantê-la em seu poder por algumas horas, a agrediu violentamente, chegando a amputar parcialmente a orelha direita da mulher, fazendo-a perder os sentidos. Ao acreditar que sua vítima estava morta, ele a jogou em um buraco de uma caixa d’água e fugiu. Mesmo gravemente ferida e muito abalada, na manhã do dia seguinte a mulher conseguiu reunir forças para sair do local onde foi jogada e buscar ajuda. Foi graças à sua denúncia que o seu algoz foi preso e acabou confessando ainda o estupro e assassinato de Ana Alice. O criminoso indicou ainda o local onde o corpo da jovem estava enterrado, pondo fim à busca desesperada da família pelo paradeiro da adolescente.

Foi graças à coragem de Antonia, que quase teve o mesmo destino de Ana Alice, que este criminoso pode ser preso. “Não tenho ódio por ele, porque o ódio não leva a nada. Tenho sim, o sentimento de justiça, de querer que ele pague por todos os seus erros, porque um homem desses é um perigo para a sociedade, eu tenho certeza de que ele não se recupera nunca”, diz ainda emocionada, Tana, que durante a audiência contou em depoimento toda a violência que sofreu.

Desde então o Comitê de Solidariedade Ana Alice, formado por um conjunto de entidades de defesa dos direitos das mulheres e de trabalhadores rurais, tem somado esforços e se mobilizado no acompanhamento do caso e na cobrança firme às autoridades para que estes e outros crimes contra a mulher não fiquem impunes. O Comitê já realizou mobilizações, caminhadas e protestos em frente ao Fórum exigindo justiça. “Nós nunca pensamos em vingança, a única coisa que a gente quer se chama ‘justiça’. Pra isso a gente paga impostos altíssimos, para que o nosso direito enquanto cidadão, seja preservado”, afirma Sônia de Sousa, irmã de Antônia.

Na audiência, foram ouvidas, além da vítima, quatro testemunhas, sendo elas o ex-marido de Tana, um sobrinho, um irmão e uma vizinha, todos prestaram informações sobre o carro utilizado pelo acusado, visto rondando a comunidade no dia do fato. Em seguida procedeu-se ao interrogatório do acusado, que confessou a prática dos crimes.

Os advogados Claudionor Vital Pereira, José Ricardo Pereira e Jairo de Oliveira Souza, do Centro Popular de Assessoria Jurídica (CEPAJ), que são assistentes da acusação no Caso Ana Alice, foram contratados pela família da vítima para acompanhar também a acusação do caso Antônia.

De acordo com o advogado Claudionor Vital, a audiência serviu para colher provas, por meio da oitiva de testemunhas, que vão instruir o processo em que Leônio é acusado formalmente de tentativa de homicídio e sequestro para fins libidinosos. Ainda de acordo com o advogado, o próximo passo será a fase das alegações finais da acusação e da defesa, e, em seguida, o processo será encaminhado à juíza para proferir a sentença, e, sendo o réu pronunciado, será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri, fase final do processo. “No depoimento o acusado confessou os crimes, negando apenas a intenção de matá-la, mas pelas provas técnicas colhidas, ficou comprovada a tentativa de homicídio, então nossa expectativa é que ele seja pronunciado e submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri e, ao final, condenado pelos crimes que cometeu, cujas penas vão de 12 a 30 anos, diminuída de um a dois terços, no caso da tentativa de homicídio, e de 2 a 5 anos, no caso do sequestro para fins libidinosos”, afirmou o advogado. O promotor de justiça Márcio Teixeira Albuquerque é o responsável pelo caso.

Fonte: www.centrac.org.br

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Caravana Agroecológica e Cultural do Rio de Janeiro: fortalecendo a construção do território agroecológico na Região Metropolitana http://aspta.org.br/2013/12/04/caravana-agroecologica-e-cultural-do-rio-de-janeiro-fortalecendo-a-construcao-do-territorio-agroecologico-na-regiao-metropolitana/ http://aspta.org.br/2013/12/04/caravana-agroecologica-e-cultural-do-rio-de-janeiro-fortalecendo-a-construcao-do-territorio-agroecologico-na-regiao-metropolitana/#respond Wed, 04 Dec 2013 22:20:16 +0000 http://aspta.org.br/?p=8206 Leia mais]]> caravana rioAnunciando a agroecologia como estratégia de enfrentamento ao agronegócio, na sua dimensão rural e urbana, a Caravana Agroecológica e Cultural do Rio de Janeiro percorreu entre os dias 19 e 21 de novembro diferentes experiências agroecológicas e de luta pelo território contra as injustiças socioambientais.

A Caravana teve início com um ato no Píer de Guaratiba, Zona Oeste do Rio, sinalizando um importante processo de enfrentamento das comunidades locais contra os complexos industriais instalados na região da Baía de Sepetiba. Um colorido cortejo reuniu as comunidades atingidas pela TKCSA, dando voz ao enfrentamento das diversas famílias, e foi composto por pescadores atingidos pela siderúrgica, crianças envolvidas com projetos socioambientais da região, agricultoras e agricultores, estudantes e demais representantes de movimentos sociais e dos diversos núcleos da Articulação Estadual de Agroecologia do Rio de Janeiro (AARJ).

“Saúde boa para todos / Eu sei que eu posso / Os alimentos são nossa riqueza/ Se tu não tem cultura / Não vem me falar de agricultura”. Esse é um dos trechos do rap cantado por Yorah Carlos, jovem de 15 anos, morador de Campo Grande e participante do Projovem. Ele foi uma das diversas vozes ouvidas na abertura da Caravana. Sua música, assim como as emocionadas falas dos moradores locais, ressaltam a importância da questão agroecológica na região.

caravana rioAinda no primeiro dia (19), o quintal de Dona Leda Monteiro foi visitado. Ela cita alguns nomes de medicamentos que são substituídos pelas plantas medicinais do seu quintal e que contemplam as diversas necessidades e situações de enfermidades. Caminhando por seu quintal, ela aponta: “As pessoas nem têm dinheiro, mas vão à farmácia comprar remédio. Mas até mertiolate eu tenho aqui”. Dona Leda mostra as possibilidades da agricultura urbana no município que passam despercebidos aos olhos do poder público municipal.

Bernardete Montesano, da Rede Carioca de Agricultura Urbana, explica o objetivo da Caravana: “Queremos comunicar que nessa cidade existe agricultura.” Segundo ela, o próprio Plano Diretor extinguiu as zonas rurais do município. Isso significa que a prefeitura não leva em conta os agricultores, que ficam sujeitos ao pagamento de impostos urbanos, como o IPTU. O percurso dos caravaneiros em Guaratiba se encerrou na visita às experiências desenvolvidas por crianças e jovens que foram o tema gerador da roda de conversa sobre os limites e potencialidades da Política Nacional de Alimentação Escolar.

No segundo dia, a Caravana desembarcou na Vila Autódromo, comunidade localizada no bairro de Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde cerca de 500 famílias estão ameaçadas de remoção. A prefeitura alega necessidade de retirá-las para executar obras a favor da mobilidade urbana. Mas um plano popular feito em parceria com as universidades UFRJ e UFF pela comunidade mostra que não é necessária a remoção dessas famílias. Qual o motivo então? “Querem especular. A nossa terra vale muito. Por isso, passam por cima da justiça, do direito à moradia e à terra, já que a comunidade está no local há 40 anos”, diz Altair, liderança da Vila Autódromo. O percurso pela Vila Autódromo se encerrou com canções e poemas que marcam a força das famílias que permanecem lutando por seus direitos. Na letra Baião das Comunidades, de Zé Vicente, as expressões de esperança e articulação comunitária ficam claras: “Vou convidar meus irmãos, trabalhadores, operários, lavradores, biscateiros e outros mais. E, juntos, vamos celebrar a confiança, nossa luta na esperança de ter terra, pão e paz”.

caravana rioA Caravana seguiu para o Largo de Vargem Grande onde uma comissão local recebeu o grupo com a praça repleta de cartazes, folhetos, alimentos, barracas e outros elementos que marcavam a diversidade de experiências vividas na Zona Oeste. Lideranças locais, agricultores e agricultoras do Maciço da Pedra Branca expressaram os conflitos e a riqueza das experiências mantidas pelos grupos. O núcleo da Rede Ecológica de Vargem Grande esteve presente reforçando a importância do diálogo entre a produção de alimentos saudáveis e os consumidores.

O dia se estendeu na comunidade remanescente de quilombo “Astrogilda”, onde os caravaneiros e caravaneiras puderam saborear um delicioso almoço feito com produtos agroecológicos dos agricultores e agricultoras da região. Em seguida, uma roda de capoeira deu início ao evento cultural do dia de Zumbi, que marca a luta pela igualdade racial. Na visita aos quintais produtivos que mantêm a produção de alimentos agroecológicos com respeito à mata atlântica, músicas e intercâmbios com a comunidade local foram as principais atividades que marcaram a troca de saberes e práticas da Caravana nessa região.

caravana rioO último dia da Caravana começou logo cedo, com uma roda de conversa no Assentamento de Campo Alegre, uma das primeiras ocupações do Estado do Rio de Janeiro e um território de bastante expressão na luta pela terra e pela Reforma Agrária. Débora Figueira, assentada e uma das articuladoras do centro cultural do assentamento, falou sobre as diversas experiências que estão sendo desenvolvidas em parceria com o Coletivo Jovem Autonomia e demais grupos, buscando fortalecer a agroecologia e promover o papel do jovem.

A Caravana seguiu para a Feira da Roça de Nova Iguaçu, mais um espaço em conflito no município de Nova Iguaçu. Para Sônia Ferreira, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), “a Feira garante um espaço de diálogo com a sociedade, mostrando que é possível e necessário construir estratégias que nos libertem do modelo convencional”.

O dia se encerrou na comunidade de Marapicu, onde as famílias começaram a se organizar em torno de um caráter produtivo agroecológico, participando da Escolinha Agroecológica, no início dos anos 2000. A história do Assentamento Marapicu remonta às lutas pela terra no município de Nova Iguaçu na década de 1980. Tendo passado por diversas mudanças, o Plano Diretor do município deixou de reconhecer as áreas rurais no município para, após alguns anos e muitas reivindicações, ter retornado na delimitação destas. No assentamento, o lote de Seu Israel e de Seu Domingos foram visitados explorando as práticas agroecológicas de manejo do solo e implementação de Sistemas Agroflorestais (SAFs), entre outras experiências mantidas pelas famílias. O almoço do terceiro dia reforçou ainda mais o princípio de toda a Caravana: promover ao máximo a alimentação agroecológica proveniente dos próprios territórios visitados.

caravana rioUma roda de avaliação foi marcada por depoimentos dos participantes que celebraram as conquistas da Caravana na troca de experiências, por meio da visibilização dos conflitos, do fortalecimento da parceria entre o movimento de pescadores e dos agricultores, e apontou os desafios ainda postos para o fortalecimento do processo do Estado do Rio de Janeiro, como o envolvimento de mais agricultores e a articulação de outras regiões.

Vale reforçar o papel da Caravana no adensamento de uma rede de comunicadores populares do Rio de Janeiro em torno da pauta da agroecologia. Diversos olhares e registros seguiram com o grupo da Caravana ao longo dos três dias e prosseguem na sistematização das experiências e mobilização rumo ao III ENA.

A Caravana Cultural e Agroecológica do Rio de Janeiro aconteceu dentro do processo preparatório ao III Encontro Nacional de Agroecologia (ENA) que será realizado em maio de 2014 pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) em Juazeiro, na Bahia.

Leia o Caderno do Participante

 

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