julho 2014 – AS-PTA http://aspta.org.br Fri, 05 Feb 2021 13:07:05 +0000 pt-BR hourly 1 Famílias Agricultoras de Lagoa Seca recebem título de Regularização Fundiária http://aspta.org.br/2014/07/27/familias-agricultoras-de-lagoa-seca-recebem-titulo-de-regularizacao-fundiaria/ http://aspta.org.br/2014/07/27/familias-agricultoras-de-lagoa-seca-recebem-titulo-de-regularizacao-fundiaria/#respond Sun, 27 Jul 2014 22:00:51 +0000 http://aspta.org.br/?p=9226 Leia mais]]> posse terraCerca de 3 mil famílias do município de Lagoa Seca receberam o Título de Regularização Fundiária. A solenidade aconteceu no dia 01/07 em frente sede do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Lagoa Seca, local que funcionou por mais de um ano, como escritório também da equipe do Interpa.

A entrega faz parte de um convênio entre Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Território da Borborema e o Governo do Estado da Paraíba.

Alguns Títulos foram entregues pelo Governador, Ricardo Coutinho; o Presidente do INTERPA, Nivaldo Magalhães; o Coordenador Nacional de Reordenamento Agrário, Francisco Urbano; o Prefeito de Lagoa Seca, Tadeu Sales e o Sindicalista, Nelson Anacleto.

O próximo município a receber a equipe do Interpa para o Georeferênciamento e emissão de Títulos de Posse, será Remígio-PB.

 

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ASA-PB entrega documento ao governo do estado visando o fortalecimento de uma política de convivência com o semiárido http://aspta.org.br/2014/07/23/asa-pb-entrega-documento-ao-governo-do-estado-visando-o-fortalecimento-de-uma-politica-de-convivencia-com-o-semiarido/ http://aspta.org.br/2014/07/23/asa-pb-entrega-documento-ao-governo-do-estado-visando-o-fortalecimento-de-uma-politica-de-convivencia-com-o-semiarido/#respond Wed, 23 Jul 2014 12:33:42 +0000 http://aspta.org.br/?p=9218 Leia mais]]> Foto Ana Paula Almeida
Foto Ana Paula Almeida

Representantes da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA-PB) apresentaram, na última sexta-feira, 18, na Granja Santana, em João Pessoa, ao Governo do Estado, um documento com propostas para construção de política estadual de Convivência com o Semiárido. Dois eixos norteiam o documento entregue ao Governador. O primeiro estabelece a criação de uma política de resgate, preservação e valorização da agrobiodiversidade, fortalecendo o trabalho existente junto à Rede Sementes da ASA-PB, além de discutir o papel da pesquisa e das organizações do estado no resgate e preservação de sementes, plantas forrageiras e raças de animais nativos e adaptados ao semiárido.

O segundo ponto do documento, sugere ao Poder Executivo dar continuidade à Política de manejo sustentável dos recursos hídricos, prosseguindo a construção de mais cisternas de placas para armazenamento de água de beber, e outras tecnologias adaptadas para produção de alimentos, como barragens subterrâneas, cisterna-calçadão e enxurrada, barreiros trincheiras, limpeza e recuperação dos pequenos reservatórios e mais investimentos em pesquisas de uso sustentável da água.

Durante a audiência, os representantes da ASA-PB destacaram a importância da parceria entre a Sociedade Civil e Governo o que possibilitou a construção e instalação de 4.553 cisternas de água para o consumo humano nos municípios paraibanos. Como fruto do diálogo, as entidades que compõe a Articulação Semiárido Paraibano e representantes da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano discutiram novas parcerias para o desenvolvimento com sustentabilidade nas áreas de recursos hídricos e valorização da política de sementes.

O representante da Rede Água na Paraíba e também coordenador do Patac, Antônio Carlos Pires, destacou a importância desse diálogo e afirmou que “as políticas públicas efetivas só se constroem quando é possível promover o diálogo entre governos, sociedade civil e empresas, numa atuação coletiva de forças. Esperamos que esse encontro tenha servido para fortalecer esse caminho”.

Novos editais já foram lançados, com cerca de R$ 70 milhões (recursos do Ministério do Desenvolvimento Social – MDS) para ampliação das cisternas e a continuidade do processo de formação da produção de alimentos e geração de água para o consumo humano para os próximos anos.

A Articulação Semiárido Brasileiro e Paraibano (ASA) trabalha na construção de políticas de convivência com Semiárido e busca fortalecer a agricultura familiar agroecológica na construção de uma atuação autônoma dos camponeses e a garantia uma melhor qualidade de vida no campo.

Leia aqui o documento entregue ao Governador Ricardo Coutinho.
Fonte: www.centrac.org.br
Por: Simone Benevides

 

 

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Município de Remígio-PB recebe oficina de formação de Pedreiros Construtores de Cisternas http://aspta.org.br/2014/07/22/municipio-de-remigio-pb-recebe-oficina-de-formacao-de-pedreiros-construtores-de-cisternas/ http://aspta.org.br/2014/07/22/municipio-de-remigio-pb-recebe-oficina-de-formacao-de-pedreiros-construtores-de-cisternas/#respond Tue, 22 Jul 2014 14:16:55 +0000 http://aspta.org.br/?p=9208 Leia mais]]> oficina de pedreirosO Assentamento Queimadas, no município de Remígio, no Agreste da Borborema, região de atuação do Polo da Borborema está recebendo, desde o último dia 14 de julho, a Oficina de Formação de Pedreiros do P1+2 (Programa Uma Terra e Duas Águas). No local estão aprendendo a construir uma cisterna do tipo calçadão, dez pessoas, sendo nove homens e uma mulher. O instrutor do curso é Severino Ramos dos Santos, agricultor e pedreiro, morador do assentamento vizinho, o Oziel Pereira. Ele conta que aprendeu o ofício de pedreiro nas formações oferecidas pelo Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) em 2005, e desse tempo para cá, já construiu mais de 20 cisternas de 16 mil litros e 16 cisternas de 52 mil litros, como a calçadão. Severino não esconde a satisfação em poder contribuir com a formação de outros pedreiros: “Estou aqui ajudando para que os meus companheiros também aprendam, pois eu penso que o conhecimento não deve ficar só pra mim, é muito bom repassar o que você aprende. Esse é um trabalho muito importante e precisa de muitos pedreiros, bem queria que toda família tivesse acesso a um benefício como o dessa cisterna”, afirma.

formação pedreiros 1Segundo José Camelo da Rocha, Assessor Técnico do Núcleo de Recursos Hídricos da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e coordenador do P1+2, o objetivo da atividade é contribuir com a formação de pedreiros e ampliar a rede de pedreiros que atua na região: “Nossa intenção é que eles não atuem só como pedreiros, a ideia é que eles sejam, acima de tudo, formadores, capazes de compreender e informar sobre o programa para que possam inclusive, ajudar a formar novos pedreiros. Esses profissionais são muito requisitados e sempre se deslocam para realizar outros serviços na construção civil, por isso a necessidade de estar sempre formando novos pedreiros. Na Borborema a Rede de Pedreiros já conta com cerca de 100 pessoas e sempre estamos precisando de mais pessoas”.

Programação – O primeiro dia de oficina foi mais teórico, dedicado a explicar sobre o funcionamento do P1+2, as etapas da construção, os cuidados com a cisterna e a qualidade da construção e do material. Neste momento foi entregue ao grupo uma cartilha com o passo a passo da construção. A partir do segundo dia, os participantes já iniciaram a construção da cisterna na propriedade de Antônio Fernandes Pereira dos Santos, ou seu “Careca”, como é conhecido. O agricultor, que é viúvo, mora com uma filha e um genro no local e está muito satisfeito com a realização do curso no seu sítio: “Eu fiz questão de ceder o espaço para o curso aqui, porque eu acho muito importante esse trabalho. Além disso, o serviço sai mais rápido com muita gente e o pessoal aprende”, comenta. O agricultor já está cheio de planos para quando a sua cisterna começar a juntar água: “O meu plano é ter uma pequena criação de galinhas e ovelhas e também uma horta, para produzir tudo sem veneno”, explica.

mulher pedreiraMulher pedreira – O ofício de pedreiro construtor de cisternas não atrai apenas homens. Maria das Dores Medeiros dos Santos, ou Lua, como é chamada, é a única mulher do grupo. Ela conta que o interesse por construção surgiu há cinco anos, quando construiu um alpendre na sua casa e tomou gosto: “Eu não achei difícil, não. Acho que o que um homem é capaz de fazer, a mulher também é. Tudo que a gente quer a gente pode fazer, basta querer, por isso eu vim aqui, aprender e quem sabe despertar nas outras mulheres a vontade de aprender também”. O instrutor do curso e os demais colegas pedreiros concordam em afirmar que Lua está se saindo muito bem no curso.

Em 2013 o Polo da Borborema realizou um curso só com mulheres, no município de Queimadas. Estiveram presentes 16 mulheres, incluindo a instrutora, também mulher, com larga experiência na construção desse tipo de reservatório.

Uma cisterna calçadão demora 15 dias para ficar pronta e custa em média 10 mil reais. Para realizar este serviço são necessários dois pedreiros, cada um recebe do programa R$ 1.200 reais como pagamento. O curso de formação de pedreiros em Remígio está previsto para terminar na próxima sexta-feira, 25 de julho.

 

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Concurso Internacional de Fotografia "A agricultura familiar: alimentar o mundo, cuidar da terra" http://aspta.org.br/2014/07/21/concurso-internacional-de-fotografia-a-agricultura-familiar-alimentar-o-mundo-cuidar-da-terra/ http://aspta.org.br/2014/07/21/concurso-internacional-de-fotografia-a-agricultura-familiar-alimentar-o-mundo-cuidar-da-terra/#respond Mon, 21 Jul 2014 18:52:19 +0000 http://aspta.org.br/?p=9201 Leia mais]]> image photo competitionParticipe da seleção

A Rede AgriCulturas (Agricultures Network) em parceria com o Fórum Rural Mundial (World Rural Forum) lançou o Concurso Internacional de Fotografia “A agricultura familiar: alimentar o mundo, cuidar da terra” com o objetivo de revelar em luz e cores a expressiva presença e os múltiplos papéis positivos que agricultoras e agricultores familiares desempenham para sociedades ao redor do planeta.

Nos primeiros meses de 2014, a Rede recebeu mais de 1300 fotos vindas de todos os continentes. Em seguida, um júri internacional composto por lideranças de agricultores e artistas de renome fez uma pré-seleção das fotos recebidas. Estamos agora na hora da “Escolha Pública”. Convidamos você a contribuir na seleção das imagens mais significativas dentre as fotos selecionadas pelo júri.

Para fazer a seleção clique em aqui e escolha duas imagens de cada continente.

As escolhas públicas, bem como os vencedores selecionados pelo júri internacional, serão anunciados em um grande evento internacional, no final de outubro. Os vencedores receberão um prêmio em dinheiro e terão suas fotos publicadas no calendário 2015 que será produzido pela Rede.

O concurso é uma iniciativa idealizada como parte das ações da Rede AgriCulturas no Ano Internacional da Agricultura Familiar.

 

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Conheça a Carta Política do III ENA http://aspta.org.br/2014/07/18/conheca-a-carta-politica-do-iii-ena/ http://aspta.org.br/2014/07/18/conheca-a-carta-politica-do-iii-ena/#respond Fri, 18 Jul 2014 19:43:49 +0000 http://aspta.org.br/?p=9187 Leia mais]]> capa carta política III ENA“Cuidar da Terra, Alimentar a Saúde e Cultivar o Futuro”. Com este lema, o III Encontro Nacional de Agroecologia (ENA) reuniu-se entre os dias 16 e 19 de maio de 2014 na cidade de Juazeiro-BA. Com o público de mais de 2.100 pessoas vindas de todos os estados brasileiros, fizeram-se representar trabalhadores e trabalhadoras do campo, portadores de diferentes identidades socioculturais (agricultores familiares, camponeses, extrativistas, indígenas, quilombolas, pescadores artesanais, ribeirinhos, faxinalenses, agricultores urbanos, geraizeiros, sertanejos, vazanteiros, quebradeiras de côco, catingueiros, criadores de fundos em pasto, seringueiros) , técnicos, pesquisadores, professores, extensionistas e estudantes, além de gestores convidados. Com a presença majoritária de trabalhadores e trabalhadoras rurais, nosso encontro alcançou participação paritária entre homens e mulheres, contando também com expressiva participação das juventudes.

A fase preparatória com as 14 Caravanas Agroecológicas e Culturais e o III ENA produziram claras evidências da abrangência nacional que assume hoje a agroecologia em todos os biomas brasileiros como referência para a construção de caminhos alternativos aos padrões atualmente dominantes de desenvolvimento rural impostos pelo agronegócio. Ao mesmo tempo, dezenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras do campo incorporam a proposta agroecológica como caminho para a revalorização do diversificado patrimônio de saberes e práticas de gestão social dos bens comuns e de reafirmação do papel da produção de base familiar como provedora de alimentos para a sociedade.

No III ENA pudemos constatar que a incorporação do enfoque agroecológico é também expressão da resistência da produção camponesa e familiar às crescentes pressões sobre ela exercidas pela ocupação de seus territórios pelo agronegócio e pelos grandes projetos de infraestrutura e de exploração mineral. Na análise que realizamos sobre os conflitos territoriais que se intensificaram nos últimos 15 anos, com o favorecimento das políticas públicas à expansão do grande capital no campo, constatamos que ao resistir em seus lugares de vida e produção, a agricultura familiar camponesa e os povos tradicionais produzem respostas consistentes e diversificadas para críticas questões que desafiam o futuro de toda a sociedade.

Reforma agrária e reconhecimento dos territórios dos povos e comunidades tradicionais, a afirmação da nossa sociobiodiversidade, conflitos e injustiças ambientais, agrotóxicos e seus impactos na saúde, acesso e gestão das águas, articulação ensino, pesquisa e ater, educação no campo, sementes da diversidade, abastecimento e construção social de mercados, normas sanitárias, financiamento e agroecologia, plantas medicinais, agricultura urbana, e comunicação, foram alguns dos temas abordados.

Ao realizar com êxito o III ENA no Ano Internacional da Agricultura Familiar Camponesa e Indígena, reafirmamos nosso compromisso e nossa disposição de luta pela transformação da ordem dominante nos sistemas agroalimentares, apontando a agroecologia como o caminho que desde já se coloca como a única alternativa na disputa contra a violência imposta pelo agronegócio e outras expressões do grande capital sobre os territórios nos quais a agricultura familiar camponesa e povos e comunidades tradicionais vivem e produzem historicamente para alimentar o nosso povo numa sociedade organizada sobre bases democráticas e de respeito aos direitos da cidadania.

Carta Política III ENA

Fonte: www.agroecologia.org.br

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Produtos da Gente – Taioba http://aspta.org.br/2014/07/07/produtos-da-gente-taioba/ http://aspta.org.br/2014/07/07/produtos-da-gente-taioba/#respond Mon, 07 Jul 2014 13:44:55 +0000 http://aspta.org.br/?p=9156 Leia mais]]> Esta cartilha apresenta a taioba, verdura tradicionalmente cultivada pela Agricultura Familiar da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A taioba é um “Produto da Gente”, mas é pouco encontrada nos mercados convencionais. Com olhar histórico, cultural, nutricional e gastronômico, vamos conhecer mais sobre esse tesouro culinário. Este é o princípio de uma alimentação diversificada, saudável, prazerosa, com preço justo, que valoriza a comida e a produção local. Saber como preparar esses alimentos no dia a dia também faz parte do aprendizado sobre as tradições e a identidade alimentar.

A publicação faz parte da “Campanha pela Valorização da Agricultura Familiar e dos Produtos Agroecológicos da Região Metropolitana do Rio de Janeiro”, lançada pela AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia. Está inserida no projeto “Alimentos Saudáveis nos Mercados locais”, com o patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

 

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Sementes crioulas: produzir, multiplicar e partilhar http://aspta.org.br/2014/07/02/sementes-crioulas-produzir-multiplicar-e-partilhar/ http://aspta.org.br/2014/07/02/sementes-crioulas-produzir-multiplicar-e-partilhar/#respond Wed, 02 Jul 2014 16:31:48 +0000 http://aspta.org.br/?p=9143 Leia mais]]> feira de sementesMais de 1.000 pessoas, entre agricultoras, agricultores, bem como representantes de movimentos populares, sindicatos, cooperativas, escolas e universidade, e órgãos públicos de pesquisa e extensão participaram da XI Festa Regional das Sementes, realizada no dia 06 de junho, no município de São Jorge d’Oeste-PR. Os agricultores e agricultoras de 40 municípios do sudoeste do estado se fizeram presentes com uma enorme diversidade de sementes para a partilha e disposição para afirmarem o valor de toda essa riqueza para a construção de uma agricultura familiar agroecológica para o estado.

Na manhã do encontro, André Jantara da AS-PTA e Gilberto Beviláqua da Embrapa clima Temperado puderam falar sobre experiências de resgate e multiplicação das sementes crioulas. O primeiro, pela perspectiva do fortalecimento de uma agricultura familiar agroecológica e o outro, trazendo a relevância do tema para a pesquisa.

feira de sementes 2Na experiência do Programa de Desenvolvimento Local da Região do Contestado trazida por Jantara, destacou-se que o trabalho de resgate da agrobiodiversidade, por meio da multiplicação, armazenamento e conservação de sementes, envolvem diretamente cerca de 3.000 famílias da região. Destacou-se ainda a dificuldade que os agricultores têm em proteger suas sementes crioulas da contaminação por transgênicos e apresentou uma metodologia de monitoramento da contaminação e os resultados dos testes de detecção de transgênico nas sementes de algumas propriedades da região Sul do Brasil.

Beviláqua ressaltou a importância dos guardiões de sementes crioulas para a soberania dos povos e como estratégia para a segurança nacional. Apresentou os resultados da pesquisa desenvolvida pela Embrapa Clima Temperado sobre o papel do resgate e da conservação da agrobiodiversidade para a segurança alimentar e para a preservação de cultivares crioulas.

Na parte da tarde aconteceu o momento mais esperado da festa: a partilha das sementes.

A Festa Regional das Sementes a cada ano vem se configurando como um espaço de resistência ao modelo dominante, possibilitando que agricultoras e agricultores compartilhem suas sementes e mostrem que sabem e podem produzir alimentos de qualidade, sem dependência das multinacionais.

 

Com informações da Assesoar (www.assesoar.org.br)

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Em busca de novos caminhos para produzir e consumir alimentos: Agroecologia apresenta respostas concretas para os desafios contemporâneos http://aspta.org.br/2014/07/01/em-busca-de-novos-caminhos-para-produzir-e-consumir-alimentos-agroecologia-apresenta-respostas-concretas-para-os-desafios-contemporaneos/ http://aspta.org.br/2014/07/01/em-busca-de-novos-caminhos-para-produzir-e-consumir-alimentos-agroecologia-apresenta-respostas-concretas-para-os-desafios-contemporaneos/#respond Tue, 01 Jul 2014 17:46:40 +0000 http://aspta.org.br/?p=9117 Leia mais]]> Plenária de abertura do III ENA - Encontro Nacional de Agroecologia, em Juazeiro (BA) em maio 2014. Foto: Renato Cosentino
Plenária de abertura do III ENA – Encontro Nacional de Agroecologia, em Juazeiro (BA) em maio 2014. Foto: Renato Cosentino

Por que interessa à sociedade apoiar a agroecologia? Essa foi a pergunta que norteou o terceiro Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), realizado em maio, na cidade de Juazeiro, Bahia. A questão foi debatida com trabalhadores do campo, técnicos, professores, pesquisadores, extensionistas, estudantes e gestores públicos. O encontro resultou numa Carta Política com reflexões e proposições para implementar uma nova maneira de produzir, distribuir, divulgar e consumir alimentos. O atual sistema alimentar, baseado no princípio do alimento como mercadoria, não considera o território, a cultura e as pessoas do lugar, reforçando desigualdades e injustiça, tanto no campo e na cidade. Com isso, as escolhas alimentares ficam restritas à produção agrícola comercial e industrializada.

A perspectiva agroecológica incorpora não somente as dimensões tecnológicas, mas questões sociais, culturais e econômicas. Para Altieri (1987), “a agroecologia fornece os princípios básicos para o estudo e tratamento dos ecossistemas tanto produtivos quanto preservadores dos recursos naturais, e que sejam culturalmente sensíveis, socialmente justos e economicamente viável”. Nos últimos 30 anos esse modelo vem se apresentando como opção estratégica por oferecer respostas concretas para superação da miséria, a saúde coletiva, conservação dos bens naturais e do patrimônio cultural. Assim como os anseios da sociedade por uma alimentação saudável. É importante destacar que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos no mundo.

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Fotos: Carolina Amorim

A pergunta do ENA encontra resposta na trajetória do casal de agricultores agroecológicos José Antônio Callado, de 45 anos, e Beth Diniz Faria, de 42 anos. Ele nasceu em Duque de Caxias; ela em Magé, municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Conheceram-se quando a mãe de Callado comprou um sítio em frente à casa da moça. Esse ano, completarão 25 anos de casados, com uma longa jornada dedicada à agricultura, passando da convencional, com o uso de agrotóxicos para a agroecologia. Callado ressalta que os benefícios obtidos com o uso de adubos químicos, tanto em produtividade como em lucro, são ultrapassados com os prejuízos de uma plantação devastada por pragas. Foi o que aconteceu com ele numa área plantada com aipim, que foi totalmente perdida para uma praga chamada jacaré.

No entanto, Callado afirma que nasceu com o dom de agricultor, e sua experiência demonstra o valor que deu ao saber tradicional ao fazer a transição para agroecologia. “Sempre gostei de conviver com os mais velhos, aprender a sabedoria dos antigos. Minhas amizades eram com pessoas de mais idade. Sempre foi meu interesse, um instinto. Hoje em dia eu entendo que sempre fui um agroecologista de nascença. Fui descobrindo aos poucos”, conta.

Foi exatamente essa habilidade para ouvir que capacitou Callado a reter e valorizar o conhecimento popular sobre o cuidado com a terra e mudar o rumo de sua colheita. E essa escuta atenta o permitiu criar intimidade com a natureza. “O agricultor tem que aprender a escutar a mãe natureza. Ela ensina a toda hora, a todo minuto, a todo segundo. O único problema é entender a língua dela, mais nada”, ensina Callado e completa: “ser agricultor é a minha vida”. Ele deve à avó da Beth, Dona Maria Irene, os ensinamentos sobre como cuidar da lavoura.

Entrevista_Callado_ASPTA_CarolinaAmorim_59Essa descoberta contou com auxílio de algumas pessoas e instituições, como a Emater, empresa responsável pela assistência técnica e extensão rural no Estado do Rio de Janeiro. Callado destaca a orientação do Sr. Edson, que acompanhou de perto seus esforços para fazer a transição da agricultura convencional para a agroecologia. Há cerca de dois anos é que o sítio começou a dar os frutos. Outro momento importante para encontrar sua origem e conseguir se manter no campo foi os cursos de capacitação promovidos pela ONG italiana CISV, há cerca de 8 anos. Além de Dona Irene, ele fala com admiração de sua mãe, Lucila Callado, de 79 anos, que o incentivou a realizar seu sonho de ser agricultor. Foi ela quem assumiu as despesas da casa enquanto o filho fazia os cursos para aprimorar suas práticas agrícolas. Outra lembrança é a família de japoneses Takaki, na qual ele trabalhou como meeiro no sítio. Parte da plantação era dos proprietários e a outra parte era dele, que também fazia a venda dos alimentos na feira. E o filho de seu padrinho, conhecido como Tom, que foi quem falou da CISV, caminho que chegou num momento de desesperança, como lembra Callado.

Transição para a agroecologia

Hoje, Callado é proprietário do Sítio Esplendor. O nome, aliás, é sugestivo para um homem que já foi veneneiro (utilizava somente adubos químicos), como gosta de dizer; sacoleiro; e vendedor de areia para lojas de material de construção. Pensou em desistir do sítio para procurar outro emprego, mas acabou transformando a terra seca em terreno produtivo, praticando e vivendo a agroecologia. “Passei de monocultor para agricultor agroecológico. Antes só plantava milho e aipim”, afirma. Agora, suas terras são férteis com batata doce, abobrinha, banana (vinagre/São Thomé Roxa e prata), tomate, milho, aipim, limão, palmito, feijão de corda, vagem, limão siciliano, pepino doce e outros cultivos.

A mudança de trajetória não se trata apenas da troca de insumos agrícolas menos agressivos, como ocorre em parte com a produção orgânica. É uma mudança de mentalidade e de práticas. Em entrevista, Callado mostrou como funciona esse processo. A conversa começou com um passeio pedagógico à plantação, onde mostrou cuidadosamente como conduz sua lavoura, onde as interações ecológicas e sinergias dos componentes biológicos criam a fertilidade do solo, a produtividade e a proteção das culturas. É um exercício de paciência, perseverança. O agricultor é um mediador do equilíbrio do ecossistema. Plantas, solo, nutrientes, luz solar, umidade e outros organismos coexistem.

Entrevista_Callado_ASPTA_CarolinaAmorim_49Ele cita o exemplo da joaninha. Quando o agricultor convencional aplica um inseticida na plantação, quem morre primeiro são os mais frágeis. As pragas são mais resistentes. “Até as caldas naturais podem matar as joaninhas. Quando preciso aplicar uma calda faço uma análise bem feita. Já perdi uma roça para a praga, mas não matei as joaninhas. Para uns (perder a roça), é prejuízo, mas eu olho o futuro. Não estava perdendo, estava ganhando porque hoje as joaninhas são abundantes em meu sítio”, ensina. As joaninhas são predadoras vorazes de pulgões, alimentando-se tanto da forma adulta quanto da larva. Uma única joaninha pode comer mais de 50 pulgões por dia. Por esse motivo, esse inseto é frequentemente utilizado para realizar o controle biológico desta praga em áreas de cultivo agrícola. “O agricultor que usa veneno não tem a paciência de esperar, principalmente, aqueles que vivem cem por cento do que produzem”, explica.

A visita seguiu para a parte mais alta do terreno, que antes tinha a paisagem marcada apenas pela monocucultura citrus (laranja, tangerina e limão). Callado nos mostra com orgulho as técnicas e estratégias empregadas para restabelecer o equilíbrio natural em seu sítio. No cenário de monocultura vai sendo replantado cajá, seriguela, carambola e manga, como culturas perenes; e diferentes tipos de abóbora, como culturas anuais. O objetivo é mudar a paisagem, aumentar a diversidade e a qualidade do solo. Assim, é possível fazer a transição agroecológica de forma harmoniosa e com geração de renda. Em 2016, o agricultor faz planos de abrir uma escola de agroecologia para compartilhar saberes com consumidores de todas as idades, do campo e da cidade. “Vivo mil vezes melhor do que quando era um monocultor”, declara.

Feiras e consumidores agroecológicos

Callado_feira_ASPTA_CarolinaAmorim_4De acordo com Renata Souto, assessora técnica da AS-PTA, o momento é estratégico para a agroecologia. Ela destaca a criação das feiras agroecológicas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. “A agroecologia tem relação com experimentação, observação e convívio”, explica Renata. Callado é um dos agricultores que comercializam direto em uma feira. Ele participa da feira do Bairro Peixoto, aos sábados, em Copacabana, integrante do Circuito Carioca de Feiras Orgânicas. A esposa Beth faz licores de acerola, banana e morango. Callado, que gosta de ouvir, está atento aos anseios de seus clientes. Na opinião, quem consome deve de igual forma fazer a transição para a agroecologia em suas escolhas alimentares.

Ele considera que 90% dos fregueses que vão à sua barraca são consumidores agroecológicos. Entusiasmado, cita exemplos de saberes que tem compartilhado sobre a lavoura, e percebe o interesse dos consumidores da cidade em conhecer mais sobre os alimentos. Como na plantação, há aqui também uma sinergia propícia para uma mudança de mentalidade, como propõe esse modelo agrícola. Renata justifica que as feiras agroecológicas são uma forma de democratizar o acesso ao conhecimento e ao alimento saudável, com preço justo. “Olhar para o valor final é uma questão importante nas feiras agroecológicas”, diz a técnica. Esses pontos de comercialização, assim como em outros locais estratégicos, dão autonomia para o agricultor comercializar e facilidade de acesso pelo consumidor ao alimento saudável.

Callado e Renata estão afinados com as intenções da Carta Política do ENA ao evidenciar que “o fortalecimento de alianças entre essas forças sociais vem criando condições para que as práticas e atores responsáveis pela produção, distribuição e consumo de alimentos saudáveis tornem-se mais visíveis, rompendo progressivamente com o monopólio da comunicação, imposto pela aliança entre o agronegócio e a grande mídia”. Na agroecologia, os processos de produção e socialização do conhecimento são reconhecidos e valorizados.

Entrevista_Callado_ASPTA_CarolinaAmorim_114Questão agrária: central no século XXI

De acordo com o documento do ENA a questão agrária se mantém com centralidade no século XXI. O modelo agrário/agrícola, que se apresenta como o que há de mais moderno, sobretudo por sua capacidade produtiva, atualiza o que há de mais antigo e colonial em termos de padrão de poder ao estabelecer uma forte aliança oligárquica entre as grandes corporações financeiras internacionais; as grandes indústrias-laboratórios de adubo, fertilizantes, herbicidas e sementes; as grandes cadeias de comercialização ligadas aos supermercados; os grandes latifundiários exportadores de grãos (Porto-Gonçalves 2006, p.243).

A transição para a agroecologia demanda investimento e financiamento. Nesse sentido, destaca-se a conquista da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO) e a a Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO), com a participação de governo e sociedade civil. No entanto, a promoção e a transição agroecológica dependem de instrumentos de políticas públicas voltadas ao fomento e ao crédito. Callado sugere que esses planejamentos devem ouvir, primeiramente, o agricultor familiar. “Não há projeto que faça a Agricultura Familiar parar de comprar veneno, enriquecendo a Monsanto, e mudar para a agroecologia sem escutar quem lavra a terra”, declara. Depois da visita ao sítio, Beth nos ofereceu gentilmente aipim frito, daquele manteiga que derretia com o garfo, acompanhado de um cafezinho e mingau de milho, com sabor natural de milho, um aconchego. O passeio e a refeição somaram-se à conversa numa mesma sintonia, produzindo também entendimento a respeito da relação entre o rural e o urbano.

Entrevista_Callado_ASPTA_CarolinaAmorim_73Há muito o que conhecer sobre a comida que chega à mesa. Vai além de ler o rótulo e identificar presença e ausência de substâncias químicas e nutrientes. É necessário enxergar a centralidade do alimento e suas múltiplas dimensões. Interessa à sociedade pensar a agroecologia porque é esse modelo produtivo que poderá permitir uma compreensão mais profunda, tanto da natureza quanto dos princípios socioeconômicos. Os desafios contemporâneos estão diretamente relacionados com a maneira como a cidade se alimenta. A produção de alimentos não é somente assunto para agricultores e especialistas, diz respeito principalmente ao cidadão que se alimenta, e o que não tem acesso ao alimento. Por isso, essa abordagem busca aproximar os cidadãos com a finalidade de olhar para o território como lugar de produção de comida, de saberes, memória e cultura. Apesar de Callado ser sobrenome, e não apelido, vem bem a calhar com a experiência do agricultor inquieto e observador: “é preciso aprender a sabedoria dos antigos”.

O projeto “Alimentos Saudáveis nos Mercados locais”, com o patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, incentiva a transição para sistemas agroecológicos de produção e a comercialização em feiras agroecológicas.

 

Referências bibliográficas:

Altieri, M. Agroecologia: a dinâmica produtiva da agricultura sustentável. 4a edição, Série Estudo Rurais. Porto Alegre, Editora UFGRS, 2004.

____Carta Política. III Encontro Nacional de Agroecologia. Juazeiro, Bahia, 2014,.

Porto-Gonçalves, C.W. A globalização da natureza e a natureza da globalização. 2ª edição. Editora Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, 2006.

Alimentos saudáveis

 

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http://aspta.org.br/2014/07/01/em-busca-de-novos-caminhos-para-produzir-e-consumir-alimentos-agroecologia-apresenta-respostas-concretas-para-os-desafios-contemporaneos/feed/ 0