Juventude do Polo da Borborema realiza encontro preparatório para a VI Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia

encontro de jovensCom o objetivo de realizar um debate sobre as desigualdades de gênero com a juventude camponesa, preparar as jovens lideranças para participar da VI Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia e formar multiplicadores do debate em torno das questões propostas pela Marcha nos municípios, a Comissão de Jovens do Polo da Borborema realizou, no dia 24 de fevereiro, em Lagoa Seca, um encontro preparatório para suas lideranças.

O encontro contou com a participação de cerca de 40 jovens dos 14 municípios onde o Polo atua, além de lideranças mulheres dos sindicatos de Massaranduba, Remígio e Solânea e assessores técnicos da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.

Após uma animada dinâmica de apresentação, os jovens foram convidados e convidadas a escolher, entre um conjunto de objetos espalhados no chão, e a partir de sua escolha, eleger quais destes eram tidos como “de homem” e “de mulher”. Depois foi feita uma rodada onde cada um explicou as razões de sua escolha. Sandra Maria da Silva, tem 18 anos e veio do Sítio Cachoeira do Gama, em Matinhas-PB. Ela escolheu um ramalhete de flores e se alinhou do lado das mulheres, ela justificou sua escolha: “Eu escolhi esse lado porque as flores são mais associadas às mulheres. Mas, na verdade, eu acredito que o que determina quem você é, é você, e como você se sente, o que importa é o seu caráter”, definiu a jovem.

Assim fizeram os demais, um a um, expseleção16ondo seus pensamentos, e ao final, perceberam que na verdade a divisão é criada pela sociedade, e que, se tivessem que misturar novamente os objetos, não haveria “de homens” e “de mulheres”, todos podem ser usados por ambos os sexos, como conta em seu depoimento Edilson Onofre de Souza, de 29 anos do Sítio Araçá, em Arara-PB, que havia escolhido uma vassoura: “Esse instrumento aqui é unissex, lá em casa quem mais usa sou eu. Gosto da casa limpinha, minha mulher trabalha fora e eu sempre varro, sem nenhum problema, não sou menos homem por isso, pelo contrário”, disse.

No segundo momento da manhã, os participantes assistiram ao vídeo “Zefinha vai casar”, produzido pela AS-PTA em parceria com o Grupo de Teatro Amador do Polo da Borborema. O filme mostra a história de uma jovem (Zefinha) que espera encontrar no casamento, a liberdade que não tem na casa de seus pais, mas ela descobre que o seu noivo, na verdade se parece muito com o seu pai, e que talvez a sua liberdade não esteja necessariamente na promessa dessa nova vida a dois.encontro juventude

Após o vídeo, houve um debate e muitos jovens se colocaram: “Eu acho que esse tipo de comportamento (machismo) é como uma semente que vai passando de geração pra geração, só que uma semente negativa. E só se quebra isso com educação e conhecimento, que é o que a gente ta fazendo aqui hoje. A gente está aqui hoje pra que essas situações venham a ser passado”, disse Sandra Alice Farias Alves, do Sítio Floriano, em Lagoa Seca. Durante o debate, apareceram também exemplos de opressões vindas de mulheres. Mas, como explicou Adriana Galvão Freire, assessora técnica da AS-PTA, o objetivo não é uma inversão de papéis: “A nossa luta é por justiça social, nós não queremos o oposto do machismo. Temos muitos avanços na sociedade, mas se a gente olhar bem do lado, a gente vai ver que ainda tem muitas mulheres sofrendo. Por isso a gente precisa marchar, pra ajudar a libertar essas mulheres”, frisou.

Na parte da tarde, os jovens foram provocados a refletir sobre as diferenças existentes entre os dois sexos. Após levantaram os elementos que caracterizam homens e mulheres, ficou evidente que o que os separa são diferenças unicamente seleçao2biológicas. Por fim, os participantes reforçaram a necessidade de que cada jovem, em sua comunidade, anime esse debate e promova momentos de reflexão. “Precisamos pensar como é que a gente leva essa reflexão para os nossos amigos. No nosso sindicato, ainda nos deparamos com casos em que mulheres jovens, para poder participar de qualquer atividade fora, tem que acordar às três, quatro horas da manhã, para deixar tudo pronto para os irmãos homens, o que é isso? É opressão, uma violência contra aquela jovem. Por isso a gente não pode esquecer do nosso papel”, afirmou Maria Leônia Soares, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Massaranduba e da coordenação do Polo da Borborema.

O encontro foi encerrado com uma oficina para a construção de cartazes para a IV Marcha. O evento preparatório faz parte do conjunto das estratégias do Projeto Sementes do Saber, desenvolvido pelo Núcleo de Infância e Juventude da AS-PTA e pela Comissão de Jovens do Polo da Borborema, com o apoio da Action Aid, do CCFD e cofinanciamento da União Europeia.

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