Lideranças do Polo da Borborema atualizam diagnóstico ambiental durante Seminário

Diagnóstico AgresteUm grupo formado por cerca de 60 lideranças do Polo da Borborema, mas que moram numa zona ambiental conhecida como “Agreste do Roçado” ou “Agreste da Batatinha”, que compreende os municípios de Remígio, Lagoa Seca, Esperança, Areial e Montadas esteve reunido no dia 10 de fevereiro, em Campina Grande, em um Seminário em Campina Grande para atualizar o diagnóstico ambiental sobre sua região.

A proposta do seminário, coordenado pelo Polo da Borborema com a assessoria da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, foi a de promover uma atualização da leitura da realidade e envolver novas famílias neste exercício. “Esse tipo de leitura da realidade tende a vir de ‘cima para baixo’. Momentos como este rompem com essa lógica, pois não é o técnico que vai vir ao local e caracterizá-lo, mas sim os próprios agricultores que nele vivem. Esse diagnóstico é um instrumento que não só norteia a ação Polo e das políticas públicas no território, como se constitui num patrimônio do próprio Polo da Borborema”, afirmou Luciano Silveira, da coordenação da AS-PTA.

No início do evento foi relembrada a caracterização da região realizada no início do trabalho do Polo da Borborema, no início dos anos 2000, onde caravanas formadas por técnicos e lideranças agricultoras percorreram propriedades da região fazendo uma análise dos vários aspectos que compõem os agrossistemas, sistematizando experiências e valorizando o conhecimento do agricultores e agricultoras locais.

Foi realizado um resgate histórico que compreendeu um exame dos últimos 25 anos na região, onde as lideranças foram levantando como a agricultura da região foi evoluindo e o que há de novo, além de levantar os desafios que estão colocados nos dias atuais. A análise compreendeu variáveis como o modelo de agricultura, estruturação fundiária, infraestruturas, recursos naturais, situação dos mercados, ações do estado e o nível de organização das entidades.

Entre as mudanças positivas citadas estão: o fortalecimento do Polo da Borborema e a entrada de novos sindicatos, o trabalho com as cisternas e outras infraestruturas hídricas, o fortalecimento e a visibilidade do papel das mulheres e dos jovens do campo, as práticas alternativas de controle de pragas, organização de bancos de sementes comunitários, a criação da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA-PB) e o fortalecimento da ação em rede, entre outras.

O agricultor José de Souza Cardoso, conhecido como “Zuza”, do Sítio Lagoa do Barro, em Lagoa Seca, ficou surpreso com o número de avanços levantados: “Eu vim aqui procurando aprender, como sempre. Mas não pensava que a gente mesmo ia descobrir tantas coisas boas. Então a gente vê, que se todo mundo se unir tentando resolver um problema, a gente chega lá. Acho que o caminho está muito bem caminhado, e estou muito satisfeito”, disse.

Mas o exercício também trouxe uma série de desafios para o trabalho, seja antigos ou mais recentes, entre eles estão: a violência no campo, a disputa de modelos de agricultura (agricultura familiar agroecológica e o agronegócio), a saída da população do campo, os novos projetos habitacionais para as pequenas e médias cidades, a revitalização da cultura da mandioca, a entrada dos transgênicos no território via Conab, o lixo nas zonas rurais, contaminação das águas, o uso de veneno, manter o jovem no campo. Seu Joaquim Santana, liderança do Polo da Borborema do município de Montadas, lembrou o problema da educação no campo: “Eu acho que mesmo com tantos avanços na região, o fechamento das escolas do campo é um passo para trás que a gente está dando”, afirmou a liderança.

Roselita Vitor, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remígio e da coordenação do Polo da Borborema falou sobre a importância estratégica do diagnóstico para o fortalecimento da luta: “Eu considero esse diagnóstico um instrumento de luta, porque o conhecimento sobre a nossa região é muito importante para a gente fortalecer a nossa luta a partir do nosso território”, disse.

A retomada do diagnóstico feito há cerca de 10 anos em todo o Território da Borborema, foi iniciada pela zona do Agreste do Roçado, mas será feita em todas as regiões do Polo da Borborema. O exercício servirá de preparação para a realização da caracterização de 950 propriedades rurais que será realizada pela AS-PTA em parceria com o Polo da Borborema na chamada pública de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) em Agroecologia do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

 

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