agosto 2015 – AS-PTA http://aspta.org.br Fri, 05 Feb 2021 13:07:05 +0000 pt-BR hourly 1 Minha Vida é no Meio do Mundo: Polo da Borborema e AS-PTA lançam vídeo-documentário http://aspta.org.br/2015/08/28/minha-vida-e-no-meio-do-mundo-polo-da-borborema-e-as-pta-lancam-video-documentario/ http://aspta.org.br/2015/08/28/minha-vida-e-no-meio-do-mundo-polo-da-borborema-e-as-pta-lancam-video-documentario/#respond Fri, 28 Aug 2015 00:11:09 +0000 http://aspta.org.br/?p=12361 Leia mais]]> convite_lancamento_opcao 2_WEBNa próxima segunda-feira, dia 31/08, às 18h, será lançado publicamente, na cidade de Remígio, na Paraíba, o vídeo-documentário Minha vida é no Meio do Mundo. Produzido pela AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia e o pelo Polo da Borborema, sob a direção de Tiago Carvalho, o vídeo retrata, com sensibilidade e emoção, histórias de superação de mulheres agricultoras da região da Borborema.

Desde 2003, o Polo e a AS-PTA vêm desenvolvendo ações para denunciar e dar visibilidade às desigualdades nas relações entre homens e mulheres e, sobretudo, vêm exercitando estratégias de superação desse quadro. O documentário traz para a tela um encontro de histórias de mulheres que conseguiram, nos seus lares e na ação coletiva, abrir as portas de suas vidas para conquistar um mundo novo, cheio de oportunidades e aberto à construção de novas relações.

O lançamento contará com a participação das protagonistas do documentário e de mulheres representantes de todos os municípios abrangidos pelo Polo da Borborema. Participarão também representantes de organizações que integram a Rede AgriCulturas, uma articulação do campo agroecológico presente em países da Ásia, África, Europa e América Latina.

Lançamento do documentário Minha Vida é no meio do Mundo
Horário: 18h
Data: 31 de outubro (segunda feira)
Local: Cine RT, centro de Remígio.

Clique e veja o vídeo:

 

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Região da Borborema recebe visita de representantes de Rede Internacional de Agroecologia http://aspta.org.br/2015/08/27/regiao-da-borborema-recebe-visita-de-representantes-de-rede-internacional-de-agroecologia/ http://aspta.org.br/2015/08/27/regiao-da-borborema-recebe-visita-de-representantes-de-rede-internacional-de-agroecologia/#respond Thu, 27 Aug 2015 15:53:57 +0000 http://aspta.org.br/?p=12349 Leia mais]]> PrintGrupo de visitantes vem da Etiópia, do Senegal, da Índia, do Peru e da Holanda.

No período de 31 de agosto a 04 de setembro, a região da Borborema receberá a visita de um grupo de representantes de organizações da Europa, África, Ásia e América Latina que integram a AgriCultures Network, uma rede dedicada a apoiar atividades de sistematização e divulgação de experiências em agroecologia pelo mundo afora. A atividade mais conhecida da ação em rede é a produção de revistas dedicadas à divulgação e análise de iniciativas de agroecologia. A revista Agriculturas: experiências em agroecologia, editada pela AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia, corresponde à edição brasileira do projeto editorial da rede. Produzida desde 2004 e com tiragens trimestrais, a revista é distribuída para milhares de subscritores de todas as regiões do país.

O grupo que visitará a região da Borborema é composto por representantes de organizações que editam revistas similares em países da África, Ásia, América Latina e Europa. As revistas produzidas pela rede chegam regularmente a mais de um milhão de leitores por meio de edições publicadas em inglês, francês, espanhol, português e 5 línguas locais da Índia.

O início da visitação, na segunda-feira (31/08), ocorrerá no assentamento Junco, município de Remígio-PB. A partir da experiência de trabalho com princípios agroecológicos da família de Marinalva Belarmino, a Nalva, o grupo terá contato com as iniciativas articuladas na região pelas mulheres agricultoras experimentadoras, Conhecerão particularmente as iniciativas de sistematização e de comunicação de experiências como estratégia de apoio à experimentação agroecológica por parte das famílias e comunidades rurais da Borborema. Na tarde do dia 31/08, os visitantes se reunirão na sede da AS-PTA, onde o Polo da Borborema apresentará a forma como organiza o seu trabalho na região. Após essa atividade, às 18h, o grupo participará do lançamento do vídeo “Minha vida é no meio do mundo” no Cine RT em Remígio-PB. Produzido pelo AS-PTA em parceria com o Polo, o vídeo mostra o encontro de histórias de mulheres que conseguiram abrir as portas de suas vidas para conquistar o mundo, um mundo novo, cheio de oportunidades e de construção de novas relações de gênero, livres da opressão.

No dia 01 de agosto, terça-feira, o grupo visitará a propriedade do jovem Alex da Silva Marques, no Sítio Cachoeira de Pedra D’água, em Massaranduba-PB. Além de conhecerem o trabalho de Alex e de sua família, terão a oportunidade de entender como a Comissão de Jovens do Polo da Borborema vem se articulando regionalmente. Nos dias 02 e 04 de setembro a Rede AgriCulturas estará reunida para definir as atividades para 2016.

Seminário Internacional – No dia 03 de setembro, a partir das 14h, no Auditório do Centro de Extensão José Farias da Nóbrega, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), o grupo visitante participará do Seminário Internacional: “A Agroecologia no Mundo e a Encíclica Ecológica”.

O documento chega para ocupar um lugar na vanguarda do pensamento político contemporâneo. O reconhecimento do Vaticano de que não há crises separadas, uma ambiental e outra social, mas sim uma complexa crise socioambiental, anuncia a superação pela Igreja do pensamento que supõe a sujeição da natureza ao domínio humano, ao mesmo tempo em que resgata e atualiza a perspectiva teológica emancipatória que inspirou as comunidades eclesiais de base (CEBs) na América Latina durante nas décadas de 1970 e 1980. Foi nesse período de exceção política e nas CEBs que as raízes do movimento pela agroecologia se estabeleceram no continente latinoamericano. Desde então, a proposta agroecológica vem se desenvolvendo e se irradiando, ganhando crescente reconhecimento nos mundos acadêmico e político-institucional: “Ao formular um questionamento radical à agricultura industrial e à lógica econômica do agronegócio, o enfoque agroecológico tem se disseminado em todo o mundo, reafirmando o papel protagonista que a agricultura familiar camponesa e os povos e comunidades tradicionais deverão assumir na construção de saídas para a crise planetária”, afirmou Paulo Petersen, editor da Revista Agriculturas no Brasil.

Das 14h às 16h30 acontecerá o painel A Agroecologia no Mundo: avanços e perspectivas, que terá como painelistas: Mamadou Bara Guèye (IED-Afrique – Senegal) – perspectiva africana; Komaravolu Venkata Subrahmanya Prasad (AME Foundation – India) – perspectiva asiática; Edith van Walsun (Ileia – Holanda) – perspectiva europeia e Rogério Neuwald (Secretaria Geral da Presidência da República, coordenador da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica – Cnapo) e Gabriel Bianconi Fernandes (AS-PTA-Brasil) tratarão dos desafios da institucionalização do enfoque agroecológico em políticas públicas.

Os conteúdos e significados da Encíclica Ecológica serão apresentados e debatidos das 17h às 18h30 a partir de exposição realizada pelo professor Guilherme da Costa Delgado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea, e consultor da Comissão Brasileira de Justiça e Paz.

 

Seminario internacional

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Núcleo de Infância e Juventude aposta na contação de histórias como estratégia para o trabalho nas comunidades rurais http://aspta.org.br/2015/08/27/nucleo-de-infancia-e-juventude-aposta-na-contacao-de-historias-como-estrategia-para-o-trabalho-nas-comunidades-rurais/ http://aspta.org.br/2015/08/27/nucleo-de-infancia-e-juventude-aposta-na-contacao-de-historias-como-estrategia-para-o-trabalho-nas-comunidades-rurais/#respond Thu, 27 Aug 2015 13:31:03 +0000 http://aspta.org.br/?p=12340 Leia mais]]> Contação de História no ST Lutador Queimadas (5)Desde 2002, a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia vem direcionando o seu olhar para os filhos e filhas de agricultores no sentido de uma ação voltada especificamente para a infância e a juventude, buscando valorizar e fortalecer a sua identidade camponesa. Assim nasceu a Campanha de Fortalecimento da Vida na Agricultura Familiar, que todos os anos, por meio do Núcleo de Infância e Juventude, trabalha um tema com as crianças e adolescentes em atividades realizadas em aproximadamente 100 comunidades rurais dos 14 municípios de atuação do Polo da Borborema com o apoio da ActionAid e de outros parceiros. Duas vezes por ano, este trabalho acontece na forma dos chamados “Mutirões da Campanha”, atividades onde conteúdos relevantes para o meio rural e para a agricultura familiar agroecológica são trabalhados de uma maneira lúdica e valorizando os conhecimentos que as crianças e os adolescentes trazem de suas vivências.

Contação de histórias – Em 2015 o Núcleo de Infância e Juventude passou a experimentar a atividade de contação de histórias. Embora a prática já faça parte das atividades durante os Mutirões, a primeira atividade dedicada exclusivamente a ela, aconteceu no dia 13 de agosto, na Escola Municipal Lindomar Lutador, do Sítio Lutador, município de Queimadas-PB. A contação foi feita pela educadora Geuza dos Santos Frutuoso, atualmente gestora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Antônio Adilino dos Santos, no Sítio Carrasco, município de Esperança-PB. Durante a atividade Geuza trabalhou com 40 crianças e quatro professoras da escola.

SAMSUNG CAMERA PICTURESA história contada foi “O Vestido azul”. A partir do exemplo de uma professora e de uma família, ela traz uma abordagem sobre a mudança de atitude, mostrando como bons exemplos podem contagiar as pessoas e ir formando uma cadeia de bons comportamentos. Segundo a equipe de educadores e educadoras do Núcleo de Infância e Juventude, a contação de histórias teve como objetivos proporcionar um momento agradável e lúdico para as crianças, valorizar a experiência de professores que vem desenvolvendo a contação de histórias, e também incentivar outros professores a, de forma contextualizada, proporcionar reflexões sobre as diversas formas de se trabalhar com crianças, percebendo o seu contexto, estimulando o ato da contação de histórias, como possibilidades de criar o hábito da leitura, transmitir valores, criar vínculos de afeto, estimular a aprendizagem e a imaginação das crianças.

“A contação de história é uma atividade que ocupa a imaginação das crianças, adolescentes e até mesmo dos adultos, pode estar nos livros, na imaginação das pessoas, nas histórias vividas ou contadas e assim, gente de todos os lugares contam histórias para ensinar, relembrar ou até mesmo para passar o tempo, quem não se lembra das histórias de Trancoso? Se voltarmos ao passado, vamos perceber que a contação de história começou mesmo antes de a escrita ter sido inventada”, afirma Maria Denise Pereira, assessora técnica do Núcleo de Infância e Juventude da AS-PTA.

Contação de História no ST Lutador Queimadas (1)Ao final, foi ofertado para a escola, para uso coletivo, um baú de madeira, revestido de tecido, contendo uma coleção de cartilhas e livros sobre temas trabalhados pela campanha. Todo esse material vai ser usado pela escola, em atividades de leitura, contação de história, e de acordo com as professoras, o baú deverá circular entre outras escolas do campo, com histórias contadas pelas crianças: “Esse baú não vai ficar parado não, a gente vai trabalhar com as crianças, para depois eles saírem em algumas escolas contando histórias”, afirmou a professora Joselita de Andrade Pereira Araújo.

Foram doadas ainda para a escola mudas de árvores das espécies Pau Brasil e Ipê. A programação foi completada com apresentações organizadas pelos alunos, com músicas, adivinhações e brincadeiras. “E chegou o fim dessa história, entrou por uma porta e saiu pela outra, e quem quiser que conte outra”, finalizou Geuza.

 

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Jovens de Massaranduba unidos pelo fortalecimento da Agricultura familiar http://aspta.org.br/2015/08/24/jovens-de-massaranduba-unidos-para-o-fortalecimento-da-agricultura-familiar/ http://aspta.org.br/2015/08/24/jovens-de-massaranduba-unidos-para-o-fortalecimento-da-agricultura-familiar/#respond Mon, 24 Aug 2015 13:18:31 +0000 http://aspta.org.br/?p=12325 Leia mais]]> juventude do Polo da BorboremaAgora eu vou contar
Uma história pra vocês
A história de uma campanha
Que surgiu em 2003
Para fortalecer a agricultura
E ver a roça outra vez

A campanha incentivava
O agricultor a plantar
Mas também incentivava
Ele a não se mudar
A ficar aqui no campo
E do roçado cuidar

A campanha incentivava
O jovem a não se mudar
Mas também incentivava
Ele a ir estudar
Fazer crisma, catequese
E da religião gostar

A campanha também focava
Os problemas da comunidade
Tentar resolver os problemas
que tem na realidade

Foi reunindo o mutirão
Na casa de um agricultor
Os jovens se animaram
E todo mundo agilizou
Logo, logo construíram

A casa desse senhor
Nossa Juventude tem
Uma coisa que todos querem

O nosso Fundo Rotativo
A quem tanto se referem
A primeira cabra foi doada
Pelo grupo de mulheres

Massaranduba desmatada
A juventude foi ajudar
Foi feito um viveiro de mudas
Pra cidade reflorestar
Quem quiser uma mudinha
Vá em seu Loro buscar

O viveiro municipal
Ele já é bem grandinho,
E o jovem, a juventude
Ele não está sozinho
Por isso que ele ganha
O seu próprio viveirinho

A juventude camponesa
E a sua alegria
Numa luta constante
Que nos cerca todo dia
Somos frutos da campanha
De tanto fortalecimento
Somos sementes do saber
Produzindo alimento

Somos frutos da semente
Meu orgulho foi nascer
Somos frutos da Campanha
Das sementes do saber

Juventude camponesa
É um grupo organizado
Dizem que estamos sozinhos
Mas isso é muito é um boato
Porque nós temos a ajuda
Do povo e do sindicato

Juventude tá crescendo
Todo mundo já sabia
Juventude e agroecologia:
A luta é todo dia!

Guilherme e Sabrina, jovens agricultores da comunidade de Aningas e Nicolândia, Massaraunduba-PB

 

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Assassino de Ana Alice vai a júri popular e é condenado a 34 anos de prisão http://aspta.org.br/2015/08/19/assassino-de-ana-alice-vai-a-juri-popular-e-e-condenado-a-34-anos-de-prisao/ http://aspta.org.br/2015/08/19/assassino-de-ana-alice-vai-a-juri-popular-e-e-condenado-a-34-anos-de-prisao/#respond Wed, 19 Aug 2015 17:16:00 +0000 http://aspta.org.br/?p=12295 Leia mais]]> foto 1Com julgamento encerrado no final da tarde de terça-feira, 18 de agosto, Leônio Barbosa de Arruda, 24 anos, réu no processo nº 0002591-88.2012.815.0981, acusado de estuprar, matar e ocultar o corpo de Ana Alice de Macêdo Valentim, foi submetido a Júri Popular e condenado a 34 anos e 4 meses. O julgamento aconteceu, de maneira inédita, no Plenário da Casa de Veneziano Vital do Rêgo, Câmara de Vereadores de Queimadas, sendo acompanhado por dezenas de pessoas.

A jovem militante do Polo da Borborema, desapareceu no dia 19 de setembro de 2012, aos 16 anos, quando voltava da escola após ter sido obrigada a entrar no carro do criminoso e ter sido levada a uma fazenda onde ele trabalhava como vaqueiro. A adolescente foi estuprada, assassinada e teve seu corpo enterrado em uma cova rasa próximo ao leito de um riacho, nesta fazenda no município de Caturité.

O Conselho de Sentença foi composto por sete pessoas, sendo dois homens e cinco mulheres, eles se reuniram às 16h15. As 16h45, o Juiz Titular da 1ª Vara Mista de Queimadas, Antônio Gonçalves Ribeiro Junior, leu a sentença, que determinou uma pena de 24 anos para o crime de homicídio, oito anos para o crime de estupro e mais dois anos e quatro meses para o crime de ocultação de cadáver, totalizando uma pena de 34 anos e quatro meses de prisão, em regime fechado.

foto 2Apesar da pena aplicada ao réu estar dentro das expectativas dos três advogados que atuaram na assistência de acusação, Claudionor Vital, Jairo Oliveira e José Ricardo Pereira, o resultado do julgamento não agradou à família de Ana Alice: “Estou inconformada, minha filha foi punida de novo. A gente perdeu mais uma vez, porque não foi considerado o valor que tem uma vida. Porque acho que uma vida tem tanto valor, principalmente a vida de uma jovem de 16 anos, que digo que estava começando uma vida, um sonho, planejando sua vida no futuro. E aí a gente pergunta: 30 e poucos anos paga essa vida?”, desabafou Angineide Macêdo, após saber da sentença. O criminoso foi novamente encaminhado para o Presídio de Segurança Máxima, PB-1, na capital João Pessoa, onde estava preso aguardando julgamento e onde deverá cumprir sua pena. Ele deixou o recinto sob os gritos da população: “Assassino! Assassino!”.

O julgamento aconteceu quase três anos da data do crime, que ganhou repercussão estadual devido ao empenho do Comitê de Solidariedade Ana Alice, que se formou logo após o desaparecimento da jovem e é composto por diversas entidades sociais rurais e urbanas, que uniram forças para ajudar a desvendar o crime e identificar os responsáveis, assumindo a luta pela punição deste e de outros crimes de violência contra a mulher na região.

foto 3O local do Júri recebeu forte esquema de segurança. Desde as primeiras horas da manhã um grupo de mulheres fez uma vigília silenciosa em frente ao prédio da Câmara, segurando faixas, cartazes, cruzes pretas e botões de rosas vermelhas. Um grupo de jovens fez uma grafitagem em um dos muros próximos ao local, com o rosto de Ana Alice. Um segundo grupo de mulheres e jovens panfletou nos sinais de trânsito do Centro da cidade e exibiu faixas e um grande painel de pano com o rosto da jovem. Além de representantes mulheres da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), acompanharam o julgamento o Deputado Estadual Frei Anastácio (PT-PB), a Secretária de Estado da Mulher e da Diversidade Humana, Gilberta Soares, assessores do Gabinete do Deputado Federal Luiz Couto (PT-PB), representantes do Comitê Ana Alice e do Centro de Referência Estadual da Mulher Fátima Lopes.

Os trabalhos tiveram início às 9h30, com a oitiva de duas testemunhas, Antônia Rodrigues de Souza, que também foi vítima do acusado, sobreviveu à agressão e o denunciou. Também foi ouvida Angineide Macêdo, mãe de Ana Alice. Outras quatro testemunhas, todas da acusação, foram dispensadas pelo Ministério Público. A defesa do réu não arrolou testemunhas. Após os depoimentos, o réu foi trazido ao plenário para depor. Leônio optou por permanecer em silêncio ao ser questionado pelo juiz e por uma das juradas. Após esse momento, foram iniciados os debates entre acusação e defesa, que entraram pela tarde. A tese da defesa, apresentada pelo advogado Márcio Bandeira, foi a negativa da autoria do crime, com a alegação de que a confissão do réu foi obtida mediante tortura, o que foi rebatido pela acusação, com base em laudo traumatológico do Instituto Médico Legal, que comprova que o réu não sofreu qualquer tipo de tortura.

foto 6Representantes do Comitê Ana Alice fizeram uma avaliação positiva do desfecho desse caso, mesmo estando cientes da necessidade de manter o Comitê ativo e vigilante para que o criminoso cumpra a sua pena integralmente e para atuar em novos casos, e já se prepara para acompanhar o júri popular para o julgamento do crime cometido contra Antonia Rodrigues: “A condenação do réu reafirma que os crimes contra as mulheres não podem mais permanecer impunes. Não é mais admissível que a morte violenta de meninas e mulheres seja vista como algo natural ou inexistente. É preciso considerar a violência contra as mulheres como fatos atípicos, como expressões de práticas cruéis a serem coibidas com toda a força da lei”, afirmou Madalena Medeiros, do Centro de Ação Cultural (Centrac) uma das entidades que compõem o Comitê.

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Programa de Agricultura Urbana realiza Seminário final do Projeto Alimentos Saudáveis nos Mercados Locais http://aspta.org.br/2015/08/16/programa-de-agricultura-urbana-realiza-seminario-final-do-projeto-alimentos-saudaveis-nos-mercados-locais/ http://aspta.org.br/2015/08/16/programa-de-agricultura-urbana-realiza-seminario-final-do-projeto-alimentos-saudaveis-nos-mercados-locais/#respond Sun, 16 Aug 2015 22:26:59 +0000 http://aspta.org.br/?p=12264 Leia mais]]> DSCN5543“Eu não sou contra o progresso, mas apelo pro bom senso…”

Foi com a letra de Roberto Carlos que o agricultor Jeremias, do município de Magé, expressou sua insatisfação diante das dificuldades de viver da agricultura familiar, urbana e periurbana, na região metropolitana do Rio. Invisibilizada e pressionada pela urbanização nos últimos vinte anos, a agricultura fluminense resiste, recria e sobrevive aos diversos desafios impostos pelo agronegócio, pelos grandes empreendimentos, mega eventos e pelas políticas públicas que dificultam a manutenção do homem, da mulher e da juventude nesta atividade.

Neste contexto, o Projeto Alimentos Saudáveis nos Mercados Locais foi executado pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia entre 2013 e 2015. Inserido nos municípios de Magé, Guapimirim, Nova Iguaçu e Rio de Janeiro, o projeto se propunha a dar visibilidade às agricultoras e agricultores da região metropolitana, assim como seus produtos e toda diversidade dos quintais e das roças. Além disso, o apoio aos espaços de comercialização especialmente nas feiras agroecológicas e na alimentação escolar foram incentivados junto com os parceiros locais. Estes dois anos de projeto foram marcados por intercâmbios entre agricultores, entre agricultores e consumidores, pelo fortalecimento de espaços com o protagonismo da mulher, pelo fomento para beneficiamento da produção, pelo manejo das áreas produtivas e o acompanhamento aos espaços de certificação orgânica, por muitas trocas, aprendizados, conquistas e desafios.

seminário au 11No dia 27 de julho, no Centro de Formação de Líderes de Nova Iguaçu, reuniram-se cerca de 150 pessoas, entre agricultores e agricultoras dos municípios inseridos no projeto, assessores técnicos da Emater e da Cooperativa Cedro, professores universitários e representantes de consumidores, e outros parceiros da AS-PTA, para a realização do seminário que celebrou a conclusão do Projeto, que contou com patrocínio do Programa Petrobras Desenvolvimento e Cidadania. O seminário foi um momento de encontro, reconhecimentos dos atores que constroem a história da agricultura familiar na região metropolitana do Rio de Janeiro e de partilha dessas histórias, das conquistas e desafios individuais e coletivos que se fizeram presente no decorrer do projeto e também para além deste. Foi um dia rico de trocas, sabores, saberes, sorrisos e a certeza de que “o brilho das pessoas é bem maior e irá iluminar nossas manhãs”, como diz a música da Maria Rita que animou o início desse encontro.

Aos poucos as pessoas foram chegando e dando vida ao espaço. Fotos, produtos, materiais produzidos durante o projeto e relatos ajudavam a preencher o espaço com a memória e um pouco das trajetórias que ali se encontravam. Uma mesa de café da manhã com produtos das terras metropolitanas de onde vinha cada participante dava as boas vindas aos que iam chegando e ao mesmo tempo apresentava a diversidade e riqueza da agricultura familiar do Rio de Janeiro e seus protagonistas. Enquanto isso os agricultores iam montando suas barracas de feira com os seus produtos, preenchendo ainda mais o espaço com cores e aromas da roça. E foi esse clima familiar e alegre que deu o tom do dia que começava.

DSCN5563Após a chegada e acolhida de todos, teve início uma roda de conversa onde nos reunimos para ouvir os agricultores, suas impressões, os desafios e conquistas enfrentados nos seus territórios nesses últimos anos. Entre os diversos relatos, algumas semelhanças sobressaíram, como por exemplo, a certeza de que para avançarmos na construção da Agroecologia e superar os problemas colocados pelo agronegócio e pela urbanização do nosso território, a união das pessoas é fundamental, pois como colocou Maridy, agricultora e militante de Magé, “quebrar um galho sozinho é muito fácil, mas quebrar vários gravetos juntos é bem mais difícil!”. Francisco Caldeira, agricultor e presidente do Consea Rio, enfatizou a importância da participação dos agricultores na construção das políticas públicas e espaços de tomada de decisão. Jorge Cardia, presidente da Agrovargem e Renato Baldez, coordenador da Feira da Roça de Nova Iguaçu, trouxeram em suas falas a preocupação com a preservação ambiental e a certeza de que agricultura com base na ecologia, feita com amor e responsabilidade, pode contribuir muito nesse processo. Os relatos foram construindo um pouco da realidade atual da agricultura familiar – uma agricultura que se reinventa e resiste diante de muitos desafios, apresentando como principal combustível de luta e resistência o auto-reconhecimento da importância de seu papel na sociedade.

seminário au 6Após o almoço, uma mesa redonda proporcionou a abordagem dos principais fatos históricos que interferiram positiva ou negativamente nas características da agricultura familiar da região metropolitana, em especial da Baixada Fluminense e do Maciço da Pedra Branca. O Delegado Federal do Desenvolvimento Agrário (MDA-DFDA/RJ), José Octávio, destacou que o avanço da agroecologia é fortemente contido por causa das consequências da Revolução Verde no campo, e que ainda há fortes resistências no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e no próprio Ministério do Desenvolvimento Agrário. José Octávio ressaltou como o maior problema da agricultura familiar fluminense é a invisibilidade, e que as feiras locais são estratégias interessantes para proporcionar a valorização das agricultoras e agricultores no cenário da gestão pública, inclusive.

Mariella Rosa, agrônoma da Emater de Nova Iguaçu, abordou a história da agricultura na Baixada Fluminense. Fatos como a ocupação do entorno da Baía de Guanabara pelos índios Tupinambás devido aos solos de aluvião (mais férteis) e boa disponibilidade de água, favorecendo o cultivo da mandioca. Importantes engenhos de açúcar e de farinha deram origem e fortaleceram grandes fazendas e contribuíram com a formação das vilas e povoados que proporcionaram o surgimento de outros cultivos, como feijão, arroz, milho e o aumento do cultivo da mandioca. Outros ciclos agrícolas subsequentes como o da laranja fizeram com que a população rural aumentasse de 30 mil para 120 mil em 20 anos. Mariella destaca que a decadência da lavoura da laranja marca o início dos conflitos por terra na região.

seminário au 17Hoje, na Baixada Fluminense são 5.500 estabelecimento rurais, boa parte deles em assentamento rurais de reforma agrária. As áreas de agricultura na região metropolitana servem também de um “colchão de amortecimento” sobre as áreas de remanescentes de Mata Atlântica, mas que vem sendo entraves devido a política de “desagriculturação” do estado do Rio de Janeiro, em benefício da expansão imobiliária e das grandes obras de infraestrutura, que consideram as áreas rurais como vazios que precisam ser ocupados. A Doutora em Sociologia e professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Annelise Fernandez levou para o debate a semelhança dos processos que levam a desterritorialização dos agricultores no Maciço da Pedra Branca, na Zona Oeste carioca. Fernandez destaca que na região também existiu o mesmo processo de resistência das Ligas Camponesas contra os processos de urbanização, e ratificou a política atual do estado e do poder econômico que favorece a especulação imobiliária, a expansão urbana e a invisibilização da agricultura, seja ela nos quintais ou nas áreas de cultivo de caqui, banana e aipim existentes no Maciço. Annelise concluiu dizendo que as diversas agriculturas existentes na região metropolitana têm fortes características camponesas e isto deve ser o elo para consolidar a luta de representações, com a atuação em rede a favor da agricultura nos espaços urbanos e periurbanos.

seminário auConcluindo os debates, os participantes concordaram que resgatar a história permite resistir e contrapor a invisibilidade da agricultura, sendo a região metropolitana um território de resistência e mobilização política.

Ao final do dia o encerramento se deu numa grande ciranda com cantigas e agradecimentos representando a união de um povo que é a força desse povo. Que juntos, agricultores, técnicos, instituições, governo e consumidores podem enfrentar os desafios que se apresentam.

Para o Programa de Agricultura Urbana da AS-PTA este projeto pôde reafirmar e fortalecer o compromisso da instituição em dar visibilidade às histórias de vida dos agricultores e agricultoras, apoiar a geração de renda por caminhos mais igualitários e com foco nas(os) protagonistas do desenvolvimento de seus territórios, os agricultores familiares que resistem e persistem na produção de alimentos saudáveis em mercados locais, de produtos dessa gente!

 

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Sociedade se mobiliza para acompanhar julgamento do caso Ana Alice em Queimadas-PB http://aspta.org.br/2015/08/12/sociedade-se-mobiliza-para-acompanhar-julgamento-do-caso-ana-alice-em-queimadas-pb/ http://aspta.org.br/2015/08/12/sociedade-se-mobiliza-para-acompanhar-julgamento-do-caso-ana-alice-em-queimadas-pb/#respond Wed, 12 Aug 2015 22:11:51 +0000 http://aspta.org.br/?p=12252 Leia mais]]> 11796311_864836586931039_8638956623843550564_n

Quase três anos após o seu desaparecimento e estupro seguido de morte, no município de Queimadas-PB, a família, o Polo da Borborema e um conjunto de entidades organizadas em torno do Comitê de Solidariedade Ana Alice seguem mobilizados aguardando o julgamento do caso, marcado para o dia 18 de agosto de 2015, no auditório da Câmara Municipal de Vereadores de Queimadas, a partir das 8h30.

O momento tem um significado especial, não só para a família de Ana Alice que encerrará um ciclo, mas para a luta construída desde a formação do Comitê, que passou a acompanhar esse e outros casos de violência contra mulher, além de assumir o protagonismo no processo de formação seja da militância do Polo da Borborema ou seja da sociedade sobre a desnaturalização da violência contra a mulher.

Nos últimos dias, jovens do Polo da Borborema, seguimentos religiosos da cidade, alunos e professores da rede pública de ensino, agricultores e agricultoras puderam refletir sobre o porquê Ana Alice saiu de casa para ir à escola e nunca mais voltou. “Eu quero que o Comitê continue existindo, pois o que aconteceu com Ana Alice não pode mais se repetir. No meu caso, sempre disse que estava ali para que o que aconteceu com minha filha não se repetisse com mais ninguém, eu como vítima, encontrei um grande apoio, não me senti mais sozinha, tivemos acesso ao Governador, aos secretários, tudo por causa da organização em torno do comitê”, avaliou Angineide Macêdo, mãe de Ana Alice.

11781610_864836806931017_8818966446102325991_nDesde que o crime ocorreu, o Comitê também esteve articulado com as famílias de outras vítimas como as de Isabella Pajuçara e Michelle Domingues, as duas mulheres assassinadas durante o bárbaro estupro coletivo ocorrido também em Queimadas, em fevereiro de 2012. Ambos estiveram unidos durante momentos críticos como a fuga e posterior recaptura do assassino de Ana Alice, em abril de 2014, e o julgamento do mentor do caso do estupro coletivo seguido de morte das duas mulheres em setembro de 2014. Com estas ações, o Comitê e a família de Ana Alice esperam que a repercussão do caso sirva de exemplo para inibir a atitude de outros agressores e ajudar a formar uma consciência de não violência contra a mulher.

No dia 18, em frente ao local do julgamento, será realizada uma vigília com 50 mulheres e uma panfletagem no centro de Queimadas para sensibilizar a população e exigir o fim da impunidade dos crimes contra mulher.

O caso Ana Alice

No dia 19 de setembro de 2012, a adolescente Ana Alice de Macedo Valentim foi abordada quando chegava em casa depois da aula, estuprada e violentamente assassinada aos 16 anos de idade, tendo seu corpo enterrado em uma fazenda na zona rural do município de Caturité. Para a família, a adolescente permaneceu desaparecida por quase 50 dias, quando nas imediações de sua comunidade, uma nova mulher desapareceu. Ainda muito perturbada por tamanha violência sofrida, foi capaz de reconhecer seu algoz (e vizinho), Leônio Barbosa de Arruda, um vaqueiro à época aos 21 anos de idade.

Leônio acabou preso e confessou o crime contra sua vizinha e contra Ana Alice, confessou inclusive que neste último crime, não agiu sozinho, teve a ajuda de um comparsa, à época menor de idade. Contudo, elas não foram as únicas vítimas. Em 2011, ao sair de um baile de carnaval, ele havia feito sua primeira vítima. De posse de uma arma, obrigou que uma jovem de Boqueirão entrasse em seu carro e a estuprou. Dias mais tarde, após prestar depoimento do primeiro caso na delegacia desse município, tentou fazer nova vítima, uma adolescente de 14 anos que teve sorte diferente, quando um amigo a libertou da barbárie.

carta

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Margaridas pela Convivência com o Semiárido! http://aspta.org.br/2015/08/11/margaridas-pela-convivencia-com-o-semiarido/ http://aspta.org.br/2015/08/11/margaridas-pela-convivencia-com-o-semiarido/#respond Tue, 11 Aug 2015 21:54:02 +0000 http://aspta.org.br/?p=12247 10.08_arte_faixa_MarchaCarta assinada pelas mulheres do Semiárido reconhece avanço dos últimos 12 anos na região e cobra a manutenção da amplitude do Programa Água para Todos

Nós mulheres do Semiárido Brasileiro, nos colocamos de pé e em luta pela garantia dos nossos direitos e manutenção das conquistas obtidas no Brasil. Marcharemos pelo desenvolvimento sustentável, pela democracia e justiça, pela nossa liberdade e autonomia, e ainda pela igualdade. Estamos em luta pelo fim da violência machista que agride e mata mulheres, todos os dias, no país. Rechaçamos o oportunismo golpista de grupos conservadores da sociedade que querem nos tirar direitos e derrubar a presidente.

No entanto, não podemos deixar de cobrar a continuidade e o investimento financeiro contínuo em políticas que mudaram as nossas vidas para melhor nos últimos 12 anos, a exemplo do Programa Água para Todos. Foi em resposta ao passivo histórico do Estado com o Semiárido e, sobretudo, com a vida das mulheres, que hoje estamos assistindo um movimento de transformação, ainda em curso, propulsionado por essa política e, sobretudo, pelos Programas Um Milhão de Cisternas e Uma Terra e Duas Águas. Foi em função dessas ações que nos últimos quatro anos, marcados pela seca mais severa dos últimos 80 anos, milhares de famílias, e mais, milhares de mulheres puderam se manter com dignidade no campo, semeando cidadania e produzindo alimentos.

Essa trajetória, contudo, ainda está em curso e essa marcha não pode ser interrompida nesse momento. Estamos promovendo transformações profundas na sociedade que não podem ser comprometidas pelo ajuste fiscal, jogando novamente mulheres e homens do Semiárido ao descaso.

Estamos falando de uma política de baixo custo, de alta eficiência de execução pela sociedade civil e de elevadíssimo impacto social e econômico comparado às grandes obras hídricas, que pouco contribuíram para a mudança na qualidade de vida no Semiárido.

O corte sinalizado pelo governo ao Água para Todos, mais especificamente ao Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), significará um retrocesso dessa caminhada. E o custo de desarticulação dessa rede poderá representar uma perda maior do que à aparente economia projetada.

O acesso à água de qualidade tem sido um importante instrumento de afirmação e empoderamento das mulheres do Semiárido. Somos hoje protagonistas de uma história de luta e esperança!

Pelos motivos acima explicitados, senhora presidenta, cobramos que o governo reveja as orientações de corte e mantenha a força e a amplitude do Programa Água para Todos.

Juntas a presidenta Dilma e a todas as Margaridas do Brasil, nós mulheres do Semiárido Brasileiro, queremos continuar na construção de um “Desenvolvimento Sustentável com Democracia, Justiça, Autonomia, Igualdade e Liberdade”.

Brasília, 6 de agosto de 2015

Mulheres do Semiárido Brasileiro

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Mulheres roceiras, mulheres doceiras e as muitas mulheres que convivem numa só http://aspta.org.br/2015/08/06/mulheres-roceiras-mulheres-doceiras-e-as-muitas-mulheres-que-convivem-numa-so/ http://aspta.org.br/2015/08/06/mulheres-roceiras-mulheres-doceiras-e-as-muitas-mulheres-que-convivem-numa-so/#respond Thu, 06 Aug 2015 23:23:25 +0000 http://aspta.org.br/?p=12228 Leia mais]]> MulheresA mão que lavra a terra é a mesma que transforma os alimentos que cultivou em doces, geleias e compotas. Da dureza à doçura, as mulheres têm papel fundamental e estratégico na agricultura. Os versos de Cora Coralina, doceira, poeta e agricultora, partilham a ideia de que várias mulheres convivem numa só: “vive dentro de mim a mulher cozinheira (…); a mulher do povo (…); a mulher roceira, (…), trabalhadeira, madrugadeira, bem parideira, bem criadeira (…)”. Cora, também conhecida como Cora Coragem, retornou a sua terra-natal aos 67 anos para começar a produzir doces. E foi aos 76 que começou a escrever. Militou em diversas causas a favor da mulher, entre as quais, o voto feminino. Sua história é revivida repetidas vezes sem perder a força e graça na vida de mulheres do campo.

É o caso de Dona Juju, de 69 anos, moradora do município de Magé, Região Metropólitana do Rio de Janeiro. De família de agricultores, nasceu e foi criada na roça. Já foi cozinheira, costureira, garçonete, serviu cafezinho na rádio Tupi, onde até fazia comentários no ar, mas foi na lavoura que encontrou motivação e prazer. Juju conta das dificuldades em ser reconhecida como agricultora tanto pelo sindicato rural como pelas entidades governamentais de assessoria técnica. O caminho para se manter na roça começou pelos doces. Numa cozinha comunitária, junto com as amigas Lourdes e Guida, transformou sua colheita em geleias e compotas.

Em 2008, vislumbrou a chance de apresentar sua produção doceira na Feira da Agricultura Familiar e da Reforma Agrária (FENAFRA), promovida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), e que também tem o nome de Brasil Orgânico Sustentável. Foi a partir deste evento que se aproximou do que ela chama de “articulação”, ou seja, pessoas que incentivaram e auxiliaram a firmar os passos no caminho escolhido: plantar e fazer doces. Uma dessas pessoas é Marcio Mendonça, Coordenador do programa de Agricultura Urbana da AS-PTA. “Os doces fizeram sucesso, as agricultoras venderam muito e se sentiram empoderadas por participar de uma feira nacional. Fazem referência até hoje sobre esse ocorrido”, lembra Mendonça.

Hoje, com a cozinha Colher de Pau, ela produz mais de 23 tipos de doces e farinhas, como as de berinjela e quiabo. “Se me tirar da roça, não sobrevivo. É lá que planto, colho e cozinho”, diz Juju. A amiga Guida acrescenta que “vive aprendendo e ensinando porque todo dia aprende alguma coisa”. O ponto de encontro dessas roceiras e doceiras é na feira, outro espaço de convívio e reconhecimento de suas capacidades e autonomia. Como feirantes, trocam receitas, ideias e saberes. O relacionamento com os fregueses é estimulante, pois se sentem valorizadas. “Sou grata a Deus. Já fiz curso de tudo e aproveito toda a chance que tenho. A gente fica com vontade de fazer o melhor. A feira é um lugar de troca de agricultura e cozinha”, diz Neuza Benevides, de Guapimirim. Cecília Cantalejo, também de Guapi, reconhece que às vezes dá um desânimo, mas logo emenda na conversa: “Deus me dá força. Na dificuldade a gente vai aprendendo, o cliente vai gostando e a gente fica feliz”.

mulheresRoceiras, doceiras e poetas

Mesmo em meio aos vários papéis que exercem no dia a dia, essas guerreiras não perdem a força nem o riso. Sempre sorriem quando olham para o futuro. E se são indagadas sobre o que é ser agricultora, as roceiras, doceiras e feirantes, descobrem-se poetas. A poesia também é para comer. Se a comida alimenta o corpo, as palavras alimentam a alma. O escritor amazonense Aníbal Beça compara o fazer doce com o fazer poemas: “o fruto palavra/ de doce mascavo/ repuxa viçoso/ no tacho da boca/ mel caramelado”. O poeta português Agostinho Silva escreve que “a quem faz pão ou poema/ só se muda o jeito à mão/ e não o tema”. Por isso, as mulheres da roça, do doce, da feira, também são da prosa e da poesia. Basta uma folha de papel e uma caneta e logo saem os versos e declaração de amor aos seus ofícios:

“Plantar mais, colher mais, vender mais. Ir em frente com Deus na frente”
“Ser agricultora é ser criadora, ser feliz e ser um pouco de Deus”.
“É ter amor por aquilo que faz”.
“É sempre ter esperança”.
“É a minha vida”.
“Quando estou na cozinha fazendo doce emano amor”.
“Quando estou na cozinha, estou feliz por estar aprendendo para levar algo diferente para a feira”.

mulheresNair Benevides, de 86 anos, a mais experiente do grupo e e mãe do agricultor Anysio, e das agricultoras Neusa e Orenir ensina: “A roça é o meu prazer. Mesmo com toda a dificuldade, a gente avança”. Além de dedicar a vida na roça, foi cozinheira de mão cheia, enxadeira de seu pai (função responsável por levar comida e café para os trabalhadores), entre outras tarefas do campo, que hoje também fazem parte da vida de seu filho e suas filhas.

Outras, como Clemilda Nazário, de Guapi, dizem que é grande a alegria de plantar, fazer o doce e ver as pessoas saborearem e dizerem “é o melhor doce que comi na minha vida. A gente planta com amor e faz com mais amor ainda”. Neuza concorda e diz que “quando faz doce está vivendo”. Se erra na receita, não tem problema: “vira outro doce. Plantar e preparar o próprio doce tem sabor diferente”. Na opinião de Dona Juju, as mulheres são mais conscientes, pois são mais sensíveis com o respeito e cuidado da natureza.

mulheresRoceiras, doceiras, poetas e gestoras do ambiente

Essa consciência é destacada pela presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Maria Emília Pacheco. Ela considera as mulheres como produtoras de bens, gestoras do ambiente e portadoras de uma lógica não destruidora da natureza. Com isso, levantou a necessidade de empoderar as mulheres. Ela que também faz parte do núcleo executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) é autora dos primeiros textos que reivindica maior atenção à participação feminina na agroecologia no Brasil. Em 1997, ela atentou para a invisibilidade do trabalho da mulher na agricultura e a importância das outras atividades produtivas que elas desempenham na família, tais como os quintais, a criação de animais domésticos e demais tarefas consideradas secundárias em relação às culturas comerciais. A então presidenta do Consea propunha que os projetos agroecológicos evidenciassem os espaços de produção em que as agricultoras assumiam papel principal, reconhecendo-as como sujeitos produtivos.

De acordo com Renata Souto, assessora técnica da AS-PTA e que está à frente do trabalho com as mulheres na região metropolitana do Rio de Janeiro, o programa de Agricultura Urbana foi iniciado nos quintais das mulheres em 1999. A proposta consistia em incentivar o uso dos quintais domésticos e outros espaços dentro da comunidade para a prática da agricultura urbana. “O quintal é o lugar da segurança alimentar, da tradição, da complementação da renda da família e de estratégias de conservação da biodiversidade”, diz Renata. No lugar onde florescem frutos e folhas que alimentam e cuidam de suas casas, florescem as oportunidades para superar as condições desiguais das relações sociais de gênero.

Marcio Mendonça conta que no início a participação foi predominantemente feminina. “As mulheres são as pessoas que têm maior envolvimento com prática da agricultura nos quintais”, afirma. Segundo ele, o quintal, também conhecido como arredor de casa ou terreiro é domínio delas, expressão de sua criatividade e resistência. “Há muitos casos em que elas são as principais responsáveis pela manutenção econômica da família. Em especial, naqueles em que a família não segue o padrão homem-mulher- filhos. Muitas são as chefes de famílias que cuidam sozinhas das crianças. Em outras situações, vivem oprimidas dentro da própria casa na sociedade machista. As mulheres encontram nos quintais o espaço para a externalização dos seus sentimentos”, afirma.

Roceiras, doceiras, poetas, gestoras do meio ambiente e empoderadas

mulheresDe acordo com a assessora Renata, o feminismo é a base deste trabalho desenvolvido pela AS-PTA, tendo como ponto de partida as experiências cotidianas. Essa metodologia é utilizada na região Metropolitana do Rio de Janeiro e no Polo da Borborema, na Paraíba, onde a organização também atua. “O despertar é no dia a dia e consideramos que dar visibilidade às experiências é o caminho inicial, que abre as portas para todas as questões que o feminismo traz. O processo de formação é dinâmico e contínuo”, esclarece. Renata aponta a necessidade de construir e fortalecer os espaços de diálogo e auto-organização, de onde emergem temas comuns às mulheres, próximos de sua realidade, que abrem caminho para a construção da autonomia e o enfrentamento dos desafios.

Na região metropolitana do Rio de Janeiro as cozinhas e as feiras agroecológicas apoiadas pelo Projeto Alimentos Saudáveis nos Mercados Locais, com o Patrocínio da Petrobras por meio do programa Petrobras Socioambiental, têm cumprido este papel de espaço de encontro e reflexão onde se apura a dimensão social e política da mulher na agricultura; onde elas experimentam a autonomia de comercializar diretamente para o consumidor o que produzem e obterem renda da atividade. “Nos espaços de comercialização, elas cultivam e processam os alimentos e se reinventam. Levam a diversidade de suas roças, a criatividade com que cuidam de seus quintais, trocam experiências e tornam visíveis o seu trabalho”. Daí a importância dos encontros coletivos com as mulheres, partindo da experiência delas para tratar os problemas invisíveis ou ocultos.

E mulheres que marcham, sempre em frente

mulheresNa Paraíba, quem está à frente do trabalho com mulheres é Adriana Galvão, assessora técnica da AS-PTA, que reforça o viés metodológico da organização para atuar com a complexidade envolvida na presença da mulher no campo. “Essa opção metodológica fez com que construíssemos na Paraíba um forte movimento de mulheres. Em março desse ano, saímos nas ruas do município de Lagoa Seca com mais de 5 mil mulheres na Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia”, destaca. A marcha é uma atividade realizada desde 2010 pelo Polo da Borborema, um fórum de sindicatos e organizações da agricultura familiar que congrega 14 municípios e mais de cinco mil famílias do Agreste da Borborema, que conta com a assessoria da AS-PTA.

Na Paraíba, o trabalho teve início em 2002 a partir de um diagnóstico sobre o trabalho produtivo das mulheres, quando se construiu o conceito do Arredor de casa. Em 2003, o Polo da Borborema constituiu a Comissão de Saúde e Alimentação, espaço onde se passou a organizar o trabalho produtivo e a participação social e política das mulheres. Adriana comenta que a instituição passou a indagar como que a agroecologia tem influenciado na superação das desigualdades. E em 2007, a AS-PTA passou a problematizar junto à rede de agricultoras-experimentadoras sobre as desigualdades. “O propósito é que elas se reconheçam em suas capacidades, aprimorando suas habilidades produtivas. O quintal, espaço antes invisível, passa a ser visto como um local produtivo e de visibilidade. Mais fortalecidas, passam também a problematizar sua vida e sua condição como mulher”, explica. Os encontros regulares com a Coordenação Ampliada do Polo também possibilitam momentos de formação e problematização das desigualdades. “Utilizamos instrumentos pedagógicos como a literatura de cordel, vídeos, teatros, vídeo-novelas e dinâmicas, buscando desnaturalizar as desigualdades e todas as formas de violência contra a mulher, com foco na justiça social”, esclarece a assessora.

Destaca-se ainda a atuação da AS-PTA no Comitê Ana Alice, que foi constituído para o enfrentamento da violência contra a mulher. O nome do comitê é em homenagem a uma jovem militante que foi estuprada e assassinada em 2012, crime que será julgado no dia 18 de agosto próximo. A participação em outras frentes de luta renova o ânimo e as forças. Por isso, Adriana cita que o Polo está se organizando para participar da Marcha das Margaridas, que ocorrerá entre os dias 11 e 12 de agosto, em Brasília. Esta marcha é uma organização política das trabalhadoras rurais em favor do desenvolvimento sustentável com “justiça, autonomia, igualdade e liberdade”.

A assessora sinaliza as mudanças que vêm ocorrendo, entre as quais, a ocupação feminina nos 14 sindicatos que compõem o Polo, chegando a ter participação de 50% de homens e 50% de mulheres na Coordenação Executiva do Polo. “Percebemos que as lideranças masculinas estão sensibilizadas. Mas é um processo de luta contínuo. A revolução não está pronta. Temos muitos avanços, ora retrocessos, mas a marcha segue em frente”, declara. Para Marcio, coordenador do programa de Agricultura Urbana, a visão machista prevalece na sociedade, apesar dos avanços conquistados. “Aos poucos é preciso que as mulheres ocupem mais espaços nas associações, nas igrejas, nas cooperativas. É preciso que os homens reconheçam o papel das mulheres e que as próprias rompam com as relações de subjugação, de exploração, e de falta de reconhecimento”, complementa.

Adriana acrescenta a experiência da última Marcha que foi capaz de envolver no processo de preparação a Secretaria de Educação para formação de professores da zona rural. Com isso, levam-se para a sala de aula os temas pertinentes à realidade das agricultoras. Outra parceria importante é com o Centro de Referência da Mulher para encaminhar casos de violência doméstica. “Como resultado claro desse trabalho, as mulheres passam a enxergar que elas têm direitos e não mais aceitam uma vida marcada pela violência”, conclui.

Com base em pesquisas sobre o campesinato, a presidenta do Consea, Maria Emília, demonstrou que a distribuição do produto do trabalho tende a ser mais igualitária nos sistemas agrícolas, como o modelo agroecológico, em que a mulher participa das decisões do planejamento e da forma de dispor os produtos. Ela também apontou evidências de que quando se amplia a geração de renda familiar com presença feminina, aumenta as opções estratégicas, criando-se, assim, condições para que elas tivessem maior autonomia e poder de decisão.

mulheresDe acordo com a pesquisadora em desenvolvimento sustentável, Emma Siliprandi, a invisibilidade feminina na agricultura familiar está vinculada às formas como se organiza a divisão sexual do trabalho e de poder no modelo de produção industrial, em que o homem comanda a unidade produtiva. Embora as agricultoras trabalhem no conjunto da atividade (preparo do solo, plantio, colheita, criação de animais, transformação de produtos e artesanato), só são reconhecidas pelas atividades consideradas extensão do seu papel de esposa e mãe (preparo dos alimentos, cuidado com os filhos). E, ainda assim, como status inferior, não tem o mesmo peso das ocupações masculinas.

O reconhecimento da mulher na produção de alimentos vem sendo reivindicada e discutida com maior abrangência tanto nas organizações da sociedade civil, entidades intergovernamentais e Estado. Em junho de 2015, foi realizado o Seminário Regional de Agroecologia na América Latina e Caribe, que resultou num documento oficial com compromissos de fortalecer a produção familiar, camponesa e indígena, além da segurança alimentar por meio da agroecologia. As mulheres e os jovens foram apontados como os guardiões da biodiversidade, especialmente das sementes e das raças crioulas.

Essa é uma luta constante, em que as mulheres, tal como escreveu Cora Coralina, vão descobrindo as muitas mulheres que convivem numa só. É a roceira, a doceira, a gestora do ambiente, a empoderada, a militante, a engajada, a guerreira, a batalhadora e vencedora, que estão sempre em marcha.

Referências bibliográficas

SILIPRANDI, Emma. Um olhar ecofeminista sobre as lutas por sustentabilidade no mundo rural. In: Agricultura familiar camponesa na construção do futuro. Rev. Agriculturas, pp 139-151. Ed. AS-PTA, Rio de Janeiro, 2009.

ASSINATURA-BASICA_PROJ-ASPTA-BR-GOV-FED

 

Conhece as Mulheres da Zona Oeste do Rio de Janeiro?

Conhece as Mulheres do Polo da Borborema?

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Comissão de juventude do Polo da Borborema realiza mobilização em Queimadas em preparação ao julgamento do Caso Ana Alice http://aspta.org.br/2015/08/04/comissao-de-juventude-do-polo-da-borborema-realiza-mobilizacao-em-queimadas-em-preparacao-ao-julgamento-do-caso-ana-alice/ http://aspta.org.br/2015/08/04/comissao-de-juventude-do-polo-da-borborema-realiza-mobilizacao-em-queimadas-em-preparacao-ao-julgamento-do-caso-ana-alice/#respond Tue, 04 Aug 2015 01:12:33 +0000 http://aspta.org.br/?p=12220 Leia mais]]> juventudeA comissão de juventude do Polo da Borborema se reuniu no último sábado (01) em Queimadas para um momento de formação sobre o tema da violência contra a mulher. A formação faz parte das atividades previstas para esse mês a fim de mobilizar a população para o julgamento de Leônio Barbosa de Arruda, assassino confesso da jovem agricultora militante do Polo, Ana Alice de Macêdo Valentin.

O encontro aconteceu na sede do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Queimadas, e reuniu cerca de 30 jovens. Os participantes se questionaram em quais âmbitos a violência contra a mulher se manifesta em nosso cotidiano. Os jovens foram então convidados a refletir as várias manifestações do machismo, das mais evidentes às mais veladas. “No mercado de trabalho, por exemplo, vemos que homens recebem mais do que as mulheres, pra mim isso também é uma violência”, disse a jovem Emanuele, moradora do sítio Lutador em Queimadas. Aqui os jovens puderam expor opiniões e situações pelas quais passaram onde a violência, muitas vezes velada, manifesta-se em suas vidas.

juventudeApós esse momento, cartazes foram confeccionados a partir do que foi discutido e apresentado durante a manhã. Frases como “lugar de mulher é onde ela quiser” e “pelo fim da violência contra a mulher”, foram escritos e reproduzidos a fim de que esses materiais fossem espalhados pela cidade junto a outros lambes confeccionados para mobilizar a população da cidade. O julgamento do caso acontecerá no dia 18 de agosto na Câmara Municipal de Vereadores de Queimadas, a partir das 8h.

O caso – Ana Alice foi raptada quando voltava para casa depois da aula, sendo estuprada e violentamente assassinada pelo vaqueiro Leônio Barbosa de Arruda, à época com 21 anos. Seu corpo foi enterrado próximo a residência do assassino, na fazenda onde ele trabalhava, na zona rural do município de Caturité. A adolescente permaneceu desaparecida até que nas imediações de sua comunidade, uma nova mulher foi raptada e violentada, sendo encontrada apenas no dia seguinte. Ainda muito traumatizada, ela foi capaz de reconhecer o criminoso (e vizinho) e o denunciou à polícia com a ajuda do Comitê de Solidariedade Ana Alice. Graças ao empenho do Comitê e à coragem desta vítima, o assassino foi preso e confessou o crime contra sua vizinha e contra Ana Alice. Confessou inclusive que, no crime contra Ana Alice, não agiu sozinho, teve a ajuda de um cúmplice, à época, menor de idade.

11846113_843621779067831_1167753787_nAna Alice e a outra mulher, não foram as únicas vítimas. No início de 2012, ao sair de um baile de carnaval, ele violentou uma jovem de Boqueirão. De posse de uma arma, obrigou que ela entrasse em seu carro e a estuprou. Um mês depois, após prestar depoimento do primeiro caso na delegacia desse município, tentou fazer nova vítima também em Boqueirão, agora uma adolescente de 14 anos que teve sorte diferente, quando um amigo a libertou da tentativa de estupro.

 

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