setembro 2015 – AS-PTA http://aspta.org.br Fri, 05 Feb 2021 13:07:05 +0000 pt-BR hourly 1 Belém sedia maior evento de agroecologia do Brasil http://aspta.org.br/2015/09/25/belem-sedia-maior-evento-de-agroecologia-do-brasil/ http://aspta.org.br/2015/09/25/belem-sedia-maior-evento-de-agroecologia-do-brasil/#respond Fri, 25 Sep 2015 17:51:08 +0000 http://aspta.org.br/?p=12471 Leia mais]]> IX CBABelém e a Amazônia recebem pela primeira vez o Congresso Brasileiro de Agroecologia que reunirá mais de 3 mil pessoas, no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, de 28 de setembro a 01 de outubro. Em sua 9ª edição, o evento congrega em um só lugar produtores, artesãos, discussões acadêmicas, movimentos sociais, ativistas, feiras e eventos culturais, apresentando à cidade não apenas uma atividade produtiva e o consumo de produtos mais saudáveis, mas todo um modo de vida que consagra em harmonia o trabalho, a produção, as pessoas e o meio ambiente.

As inscrições continuam abertas no site do congresso (www.cbagroecologia.org.br) e também poderão ser feitas no local do evento, na manhã da abertura, no dia 28/09. Mas a população da capital que não participará dos debates e mesas, também está convidada a aproveitar alguns presentes do evento à Belém, como a Feira de Saberes e Sabores, um espaço com 150 expositores, que trarão uma mostra da diversidade da produção agroecológica da Amazônia, com comidinhas saudáveis, frutas, verduras, mel e derivados, produtos semi-industrializados, biojóias e muito artesanato. Uma vasta programação cultural diária, sempre no intervalo do almoço e ao final do dia, serão atrações gratuitas para quem quiser visitar a feira e o congresso no Hangar.

IX CBA

O congresso traz como tema “Diversidade e Soberania na Construção do Bem Viver”, assunto que tem tudo a ver com a Amazônia, que pela primeira sedia o evento. A região concentra uma diversidade ecológica, histórica, cultural, social, econômica e política, que sintetiza a essência da caminhada agroecológica, conforme avaliou Irene Cardoso, presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), promotora do evento.

Serão duas grandes conferências, 12 mesas-redondas, 10 rodas de conversas, nove seminários e 22 oficinas, além de debates das apresentações orais ou escritas dos 165 relatos de experiências e outros 1200 pôsteres de trabalhos acadêmicos, divididos em 42 diferentes espaços. Esses, entre as novidades do CBA que promove a aproximação e a troca de saberes entre a academia, o chamado saber científico, e a vivência das populações tradicionais, o saber tradicional, que ganham esse espaço, lado a lado, para a construção conjunta e aprofundamento da Agroecologia na Amazônia e no Brasil.

O Congresso Brasileiro de Agroecologia é realizado desde 2003 com participação ativa de instituições de ensino, pesquisa e extensão e sociedade civil organizada envolvida com as demandas da Agricultura Familiar, como um espaço de diálogo entre os conhecimentos científicos e práticos. Inicialmente foi pensado como espaço de valorização da Agroecologia, mas apenas como ciência, porém vem amadurecendo sua missão como verdadeiro espaço de convergência entre os conhecimentos científicos e práticos, construído entre a academia, a pesquisa e os parceiros da Agricultura Familiar e camponesa brasileira e mundial.

Promoção: Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia). Realização: UFPA, Ufra, Embrapa, Emater, IFPA e Museu Paraense Emílio Goeldi.

Inscrições e informações: www.cbagroecologia.org.br

Fonte: Ascom do CBA – Embrapa Amazônia

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AS-PTA e Polo da Borborema realizam seminário em preparação para VI Festa Estadual das Sementes da Paixão http://aspta.org.br/2015/09/23/as-pta-e-polo-da-borborema-realizam-seminario-em-preparacao-para-vi-festa-estadual-das-sementes-da-paixao/ http://aspta.org.br/2015/09/23/as-pta-e-polo-da-borborema-realizam-seminario-em-preparacao-para-vi-festa-estadual-das-sementes-da-paixao/#respond Wed, 23 Sep 2015 21:06:49 +0000 http://aspta.org.br/?p=12450 Leia mais]]> sementes da paixãoA AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e o Polo da Borborema realizaram nesta terça-feira, dia 22 de setembro, no Banco Mãe de Sementes, em Lagoa Seca-PB, um Seminário em Preparação para a VI edição da Festa Estadual das Sementes da Paixão, que acontecerá na região do Polo, no município de Arara-PB, de 14 a 16 de outubro de 2015, na Semana Mundial da Alimentação.

Participaram do Seminário cerca de 120 agricultores e agricultoras gestores de Bancos de Sementes Comunitários dos 14 municípios de atuação do Polo da Borborema e, dentro desses, cerca de 40 jovens agricultores da Comissão Regional de Juventude do Polo.

A programação teve início com a apresentação de uma peça encenada pelo Grupo de Teatro Amador do Polo da Borborema, onde “dona Crioula” e “dona Transgênica”, simbolizando as sementes crioulas, na Paraíba, conhecidas como “Sementes da Paixão”, e as sementes transgênicas, que tentam convencer um agricultor que são as melhores sementes a serem plantadas. Durante a encenação, os participantes interagiram com os personagens, em defesa da semente nativa. Após a peça, os participantes fizeram uma rodada de reflexões acerca da pergunta: “que sementes nós escolhemos para plantar?”

sementes da paixãoVários agricultores se pronunciaram, sobretudo a juventude. Uma delas foi Sabrina Maria Belo da Silva, de 16 anos, moradora do Sítio Aningas, em Massaranduba. “Cabe a gente escolher se a gente quer a semente da vida ou da morte. A gente não precisa de muito para produzir, só precisamos da nossa semente, no momento certo de plantar. Cabe à gente seguir com o nosso trabalho, sem cair na conversa de ganho fácil, pois tudo que vem fácil, vai fácil e, de novo, cabe à gente escolher se queremos uma vida de lutas e conquistas ou uma vida fácil, mas enganosa”, afirmou.

Ana Paula Cândido da Silva, da Comissão Regional de Juventude e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas, defendeu a qualidade das sementes crioulas: “As nossas sementes são de qualidade, não é à toa que a juventude de hoje trabalha com elas. As nossas sementes vêm resistindo de geração para geração. As pessoas as vezes falam que o agricultor não é formado, mas nós somos doutores em agricultura e ninguém melhor do que nós para saber o que é melhor para a gente”, disse. Para seu José Alves de Luna, conhecido como “Zé Pequeno”, guardião do Sítio São Tomé II, município de Alagoa Nova, as sementes da paixão são sinônimo de fartura: “Estou com 68 anos plantando essa semente e nunca plantei para dizer ‘perdi’, não. É sempre fartura. Eu nunca vi miséria na minha vida com essa semente, não tem inverno ruim com ela. Tenho orgulho de ser um defensor dessa semente, eu considero ela um patrimônio meu”.

sementes da paixãoApós essa rodada de debate, foi apresentada uma mesa de experiências. Erivan Farias Alves, de 27 anos, do Sítio Floriano, em Lagoa Seca, apresentou a sua experiência como jovem agricultor que encontrou na atividade o caminho para a sua autonomia. Ele falou sobre como a formação e os intercâmbios o ajudaram a diversificar a sua produção e promover a agroecologia. Foram nesses momentos que conheceu a esterqueira, o biodigestor, a cerca viva, a produção de biofertilizantes e de mudas e a adubação verde e que vem permitindo aprimorar sua produção. Ana Paula Cândido da Silva, apresentou a experiência da Comissão Regional de Juventude do Polo da Borborema, que ganhou força e se estruturou melhor em 2010, a partir da realização do 1º Encontro da Juventude Camponesa do Polo da Borborema e em a partir de 2013, com o apoio do Projeto Sementes do Saber.

A agricultora experimentadora Terezinha da Silva, do Sítio Videu, município de Solânea falou sobre a experiência da criação do Banco de Sementes Comunitário, do local onde vive, há cerca de 20 anos: “A minha semente da paixão é a do feijão cacho. Guardo ela não só para mim, mas pra um vizinho, pra quem precisar. Aqui quando os meninos têm anemia, basta tomar o caldo desse feijão, que ficam bons. O Banco de Sementes é uma mãe, um pai, é tudo para nós. Enquanto Deus me der vida e saúde eu vou continuar guardando essa semente e zelando por ela”, disse a agricultora.

sementes da paixãoPor fim, Euzébio Cavalcanti, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remígio e integrante da Comissão de Sementes do Polo da Borborema, falou sobre como a rede, atualmente com 60 bancos comunitários de sementes ativos no território do Polo vem resistindo aos desafios e segue fortalecida. Ele também ressaltou a importância do envolvimento da juventude no trabalho de guardiões das sementes: “A gente ouve falar que os agricultores não guardam mais sementes. Mas quando dá um trovão, o que a gente vê em todo canto é todo mundo com semente para plantar. O banco de semente é uma porta aberta. Precisamos cuidar para que essa porta também se abra para a juventude, para ela ir construindo o seu trabalho de guardiões. Pois se eu sou guardião e meu vizinho não é, nossa semente fica ameaçada”, afirmou a liderança.

Ameaças – Após esse momento, Emanoel Dias, assessor técnico do Núcleo de Sementes da AS-PTA, fez uma contextualização do momento atual e do cenário de processo de preparação para a VI Festa das Sementes, que é realizada pela Articulação do Semiárido Paraibano (ASA-PB). Ele trouxe para o debate as principais ameaças ao modelo que defende as sementes da paixão e o conjunto da agricultura familiar, colhidos nas muitas reuniões municipais realizadas em preparação ao encontro territorial. A primeira ameaça colocada nesses momentos foi a seca, que pode ocasionar a perda de variedades. Foi ainda lembrado, da importância dos estoques familiares e dos Bancos de Sementes Comunitários nesses últimos anos de estiagem prolongada. Em seguida foi tratada da violência no campo, que ameaça a permanência das famílias agricultoras na zona rural. As políticas de distribuição de sementes e a legislação que desconsideram o trabalho de conservação e preservação das sementes crioulas pelas famílias agricultoras também foram levantadas como ameaças. Emanoel lembrou como desafio a chegada dos transgênicos no território: “Antigamente quando a gente falava em sementes transgênicas, parecia uma coisa distante, do sul do país, hoje não. A porta está escancarada, todas as amostras testadas com o milho distribuído pela Conab deram positivo para a presença de transgênicos, o que é preocupante, pois o milho é uma planta de polinização aberta, ou seja, a contaminação é muito fácil de ocorrer”, alertou. Por fim, o público presente ainda trouxe como ameaça as entidades de ensino e pesquisa que mantém estratégias voltadas para fortalecer o agronegócio, inclusive no Território da Borborema.

sementes da paixãoNo período da tarde, Roselita Victor, liderança da Coordenação do Polo da Borborema e do STR Remígio, apontou todas as conquistas dos últimos anos na luta pela conservação das sementes crioulas, a exemplo do diagnóstico de variedades de feijão feita no território em 1996, que segundo ela “revelou muitos ‘tesouros escondidos’ a Lei Estadual de Sementes de 2006, que reconheceu  as sementes dos agricultores, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) específico para sementes, que permitiu a compra pelo governo das sementes nativas, o surgimento das Festas das Sementes em 2004, a pesquisa participativa realizada com a parceria da Embrapa em 2012, que comprovou a superioridade das sementes nativas e adaptadas à região em relação às variedades comerciais e os recentes apoios dos Projetos Sementes do Saber, Sementes do Semiárido e do Ecoforte ao Programa de Sementes da Paixão do Território da Borborema, fortalecendo o trabalho de resgate, valorização e armazenamento das sementes.

sementes da paixãoEncerrando o seminário, foi aberto espaço para a feira de trocas entre os agricultores, que levaram suas sementes da paixão. Jovens de Massaranduba e Remígio apresentaram uma peça rápida, onde problematizaram os desafios à permanência das famílias no campo. Uma grande ciranda com uma benção das sementes encerrou o evento.

 

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AS-PTA e Polo da Borborema promovem ciclo de formações com educadores do campo sobre educação contextualizada http://aspta.org.br/2015/09/22/as-pta-e-polo-da-borborema-promovem-ciclo-de-formacoes-com-educadores-do-campo-sobre-educacao-contextualizada/ http://aspta.org.br/2015/09/22/as-pta-e-polo-da-borborema-promovem-ciclo-de-formacoes-com-educadores-do-campo-sobre-educacao-contextualizada/#respond Tue, 22 Sep 2015 01:24:39 +0000 http://aspta.org.br/?p=12440 Leia mais]]> formação professoresA AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia em parceria com o Polo da Borborema está realizando, desde o final do mês de agosto, um conjunto de formações com sete turmas de professores e gestores escolares dos municípios de Esperança, Lagoa Seca, Remígio, Massaranduba, Algodão de Jandaíra, Montadas, Casserengue e Alagoa Grande. Os oito municípios estão recebendo o Projeto Água nas Escolas, que viabiliza a construção de infraestruturas de captação de água de chuva em escolas rurais, na região executado pela AS-PTA. O Água nas Escolas é desenvolvido em parceria com as entidades da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA Brasil), com recursos do Ministério da Educação (MEC) e do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), no âmbito do Programa Água para Todos, do Governo Federal.

Além da construção de 83 cisternas de placas de 52 mil litros, com captação da água de chuva de telhado, distribuídas nos oito municípios, o Programa prevê um conjunto de formações com educadores e gestores escolares para a gestão dos recursos hídricos e para a inclusão do debate sobre a importância da água dentro da escola. Na Borborema, as ações do Programa vieram se somar ao trabalho que a AS-PTA, por meio do Núcleo de Infância e Juventude em parceria com o Polo da Borborema, já vem fazendo, no sentido de promover uma educação do meio rural contextualizada, que valorize a vida no campo.

Na Borborema as formações são sobre educação contextualizada e a convivência com o Semiárido, e envolvem professoras e professores e equipe pedagógica das escolas do campo de cada município e acontecem com a parceria das secretarias de educação e dos sindicatos rurais do Polo da Borborema. Cada turma tem cerca de 30 educadores e educadoras, envolvendo um total de 210 pessoas. O conteúdo é trabalhado em três módulos, o primeiro deles visita o surgimento da agricultura em diversas partes do mundo; o segundo explora a história da agricultura no território, quais as lutas, os tipos de agricultura praticados e suas características. Já o terceiro módulo pretende refletir de que forma os conteúdos trabalhados nos dois módulos anteriores podem ser levados para as salas de aula do campo e incorporados aos currículos escolares.

formação professoresSegundo Manoel Roberval da Silva, da coordenação da AS-PTA, a essência da formação é promover uma reflexão sobre a educação do campo, suas especificidades e necessidades: “Existem os professores que moram na cidade e dão aula no campo e tem também as escolas da cidade que recebem os alunos do campo, então é importante que essas duas realidades, tão diferentes, sejam consideradas no momento de pensar o conteúdo das escolas, para que a realidade da cidade não desconstrua os conhecimentos adquiridos no meio rural”, disse.

Nos dias 16 e 17 de setembro, no Centro Pastoral Paroquial de Esperança-PB, aconteceu o primeiro módulo da formação no município. Um total de 45 professoras e professores de 14 escolas de 15 comunidades rurais de Esperança participaram da atividade. A programação foi aberta com uma mística que valorizou o conhecimento repassado de geração para geração, aprendido com os avós. Maria do Socorro Santos, atriz e pedagoga do Núcleo de Infância e Juventude da AS-PTA, encarnou “Maria Flor”, uma moça que conta como o hábito de contar histórias de sua avó Maria, lhe ensinou a amar a leitura, a vida na agricultura e a partilha de conhecimento.

Após esse momento, houve a apresentação dos participantes, que escreveram em tarjetas as suas expectativas para a formação. Através de uma rápida encenação José Edson Possidônio e Nirley Andrade Lira, do Núcleo de Recursos Hídricos da AS-PTA, apresentaram os Programas P1MC (Programa Um Milhão de Cisternas) e P1+2 (Programa Uma Terra e Duas Águas), além do Água nas Escolas. Em seguida, os educadores se dividiram em dois grupos para conversar sobre a seguinte pergunta: “Como eu aprendi a ler?”. Logo depois foi feita uma rodada de reflexões sobre o debate em grupo.

formação de professoresNo período da tarde, foi feita uma discussão sobre a história da agricultura, seu surgimento no mundo e suas fases de evolução, além da origem dos alimentos consumidos na nossa dieta hoje. No segundo dia de formação foi montado um Carrossel de Experiências, onde os participantes se dividiram em dois grupos para conhecer as experiências dos agricultores Givaldo Firmino dos Santos, do Sítio Caldeirão, e Ligória Felipe dos Santos, do Sítio Lagoa do Sapo, que falaram sobre as suas vivências como agricultores familiares. Após o carrossel, foi feito um debate sobre as principais lições e aprendizados.

A professora Patrícia Alexandre falou sobre o seu sentimento com relação à formação: “A proposta da formação é interessante, a experiência que foi trazida, o envolvimento da família na agricultura familiar. A importância de uma alimentação orgânica e saudável é importante. Nós professores devemos levar essas experiências para dentro da escola, para que os alunos aprendam os saberes, a relação com a natureza, o respeito com a terra e as outras formas de vida. Meus pais moram no sitio e no quintal tem um monte de mudas, isso é bom e serve até como uma terapia”, disse.

Os educadores assistiram ainda a uma vídeo-carta, onde a jovem Ana Joaquina, do Sítio Cachoeira de Pedra D’água, município de Massaranduba, fala sobre a sua experiência de jovem agricultora e seu amor pela agricultura. O vídeo é usado para ajudar na reflexão sobre o significado político da agricultura familiar como modo de vida e como modo de produção. Ao final do primeiro módulo da formação, cada participante leva a tarefa de trazer para apresentar no módulo seguinte, a maneira como cada escola onde trabalha olhou e refletiu, junto com toda a comunidade escolar, sobre a história e agricultura desenvolvida naquele espaço.

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Jovens do Polo da Borborema aprendem sobre a fotografia durante oficina http://aspta.org.br/2015/09/16/jovens-do-polo-da-borborema-aprendem-sobre-a-fotografia-durante-oficina/ http://aspta.org.br/2015/09/16/jovens-do-polo-da-borborema-aprendem-sobre-a-fotografia-durante-oficina/#respond Wed, 16 Sep 2015 13:26:05 +0000 http://aspta.org.br/?p=12423 Leia mais]]> oficina de fotografiaUm grupo de 25 lideranças jovens, da Comissão de Juventude do Polo da Borborema participou no dia 05 de setembro, de uma oficina de fotografia, realizada na sede da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, no Centro Agroecológico São Miguel – CASM, em Esperança-PB.

A oficina foi facilitada pelo fotógrafo Flavio Costa, da Agência de Comunicação Zdizain, de Recife-PE. Os jovens agricultores participantes vieram dos municípios de Lagoa Seca, Alagoa Nova, Queimadas, Remígio, Solânea, Massaranduba e Areial. Participaram ainda da oficina, assessores técnicos do Polo da Borborema e do Núcleo de Infância e Juventude da AS-PTA.

Câmara escura – No início da Oficina, Flávio convidou os jovens a conhecerem o princípio da fotografia por meio de uma “câmara escura”, uma caixa onde se perfura um pequeno orifício em uma das paredes. Com uma abertura pequena o suficiente, a luz de apenas uma parte da cena pode acertar parte específica da parede da câmara; quanto menor o buraco, mais definida a imagem no fundo da caixa. Com o exercício, foi possível observar como se dá a projeção da imagem fotografada que fica de ponta cabeça por conta do cruzamento dos raios de luz, o que facilitou a discussão técnica sobre abertura do obturador, diafragma e isso da fotografia.

Oficina de fotografiaEm seguida, o facilitador contou a história da fotografia, apresentando uma série de slides com a evolução do trabalho dos fotógrafos, suas principais características, as diferentes formas de ver o objeto a ser fotografado, os ângulos, etc. Durante a viagem na história e entre os diversos períodos da evolução da fotografia, ele foi trazendo os elementos técnicos do ato de fotografar. Trouxe exemplos do funcionamento de diferentes máquinas, da antiguidade e da atualidade, bem como dos aparelhos de celular. Elencou alguns conceitos como os de proporção áurea e regra dos terços. Apresentou, ainda, uma sessão de fotos analisando os diferentes formatos de apresentação da fotografia.

Ana Paula Cândido da Silva, liderança da Comissão de Jovens do Polo e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas, foi uma das participantes da oficina. Ela avaliou positivamente a atividade: “Foi bem pertinente, pois as vezes a gente acha que fotografar é só tirar fotos, mas vimos que quem dá o sentido à cada foto tirada é a pessoa que faz. Além disso, o facilitador deu várias dicas interessantes que vieram contribuir com o nosso trabalho de fotografar, que hoje em dia é diário”, disse.

Ao final, foi sugerido um “dever de casa” para que os jovens fizessem um exercício de fotografia escolhendo um dos temas: 1) eu e meus dias; 2) os arredores de casa; 3) meus amigos; 4) 30 dias, com uma foto por dia. Esse exercício será socializado, avaliado, analisado em uma segunda oficina que vai ocorrer no início de dezembro e a sessão de fotos será apresentada numa exposição durante o III Encontro Regional da Juventude Camponesa, que deve acontecer até janeiro de 2016.

oficina de fotografiaDe acordo com Manoel Roberval da Silva, da coordenação da AS-PTA, a oficina teve por objetivo fazer a formação de jovens, para que eles contribuam com o registro das imagens acerca do trabalho que vem sendo feito com a juventude camponesa: “A oficina ajudou a qualificar o que a juventude está fazendo todo dia (fotografar) e que não tinha noção do seu significado e da sua origem”, avaliou.

A oficina foi uma atividade realizada no âmbito das ações do Projeto Sementes do Saber, desenvolvido pela AS-PTA em parceria com a Comissão de Jovens do Polo da Borborema. O Projeto apoia iniciativas de inserção econômica e produtiva de jovens do meio rural no território de atuação do Polo da Borborema, uma rede de 14 sindicatos rurais da Região da Borborema. O projeto é cofinanciado pela União Europeia e tem a parceria da ActionAid e do Comitê Católico Contra a Fome e pelo Desenvolvimento – CCFD.

 

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Ciclo de Encontros Municipais de Juventude do Polo da Borborema debate ameaças à Agricultura Familiar Agroecológica http://aspta.org.br/2015/09/10/ciclo-de-encontros-municipais-de-juventude-do-polo-da-borborema-debate-ameacas-a-agricultura-familiar-agroecologica/ http://aspta.org.br/2015/09/10/ciclo-de-encontros-municipais-de-juventude-do-polo-da-borborema-debate-ameacas-a-agricultura-familiar-agroecologica/#respond Thu, 10 Sep 2015 17:30:34 +0000 http://aspta.org.br/?p=12411 Leia mais]]> SAMSUNG CAMERA PICTURESEntre os meses de julho e setembro de 2015, o Núcleo de Infância e Juventude da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, em parceria com a Comissão de Jovens do Polo da Borborema, uma articulação de 14 sindicatos de trabalhadores rurais da região da Borborema na Paraíba, realizou um ciclo de Encontros Municipais da Juventude Camponesa nos municípios de Remígio, Alagoa Nova, Lagoa Seca, Remígio, Massaranduba, Solânea e Queimadas. Cerca de 300 jovens participaram dos encontros nos sete municípios.

O conjunto de eventos tem como objetivos valorizar o trabalho da juventude no território; permitir a troca de experiências entre a juventude agricultora; debater as ameaças à agricultura familiar, à agroecologia e à juventude do campo; envolver os jovens no debate das sementes a partir das dinâmicas existentes e da Festa Estadual das Sementes da Paixão e planejar com os jovens as atividades para o resto do ano.

Encerrando o ciclo de encontros, aconteceu no último dia 09 de setembro, no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas, um encontro que reuniu mais de 50 jovens de 11 comunidades rurais do município. A abertura da atividade aconteceu com a apresentação de uma peça encenada por jovens do Sítio Lutador. Na encenação, uma viúva e sua família, que trabalham de forma agroecológica, buscam a justiça, pois perderam o marido e pai, adoecido pela contaminação por agrotóxicos, usados por um vizinho, grande proprietário de terras. A agricultora é coagida a vender a sua terra ao fazendeiro para se afastar do problema. A peça foi encerrada lançando o questionamento à plateia: “O que a agricultora deve fazer? Vender suas terras é a melhor saída?”. Seguiu-se a isso uma rodada de falas sobre o risco dos agrotóxicos e a importância da agricultura familiar agroecológica, limpa, livre de venenos.

jovens queimadasEm seguida, a direção do sindicato deu as boas-vindas aos participantes e representantes da comissão municipal de jovens apresentaram os objetivos do evento. Após isso, houve a apresentação dos participantes por comunidade, que foram convidados a falar sobre os produtos que trouxeram para o encontro, frutos do seu trabalho na agricultura. Adailma Ezequiel Pereira, 25 anos, conhecida como “Preta”, liderança jovem do Sítio Lutador, falou sobre a sua satisfação em poder apresentar produtos que ela mesma produziu: “Eu trouxe pimentões, porque foram a primeira hortaliça que eu plantei na minha cisterna calçadão. É maravilhoso, ter os meus, porque eu sei que é uma das culturas em que mais se usa veneno, então para mim é uma felicidade não ter que comprar, ter o meu. Eu digo meu, mas é meu e da minha mãe, porque a gente trabalha juntas”, disse.

Os participantes do encontro foram questionados ainda sobre o significado da agricultura familiar em suas vidas. Morgana Maria Tavares, 18 anos, do Sítio Britas, falou sobre o seu sentimento com relação ao tema: “A agricultura se resume em uma pequena palavra que é a união, a gente tem tempo sim, para trabalhar e estudar. Muitas vezes a gente passa horas no celular e nossos pais lá, batalhando no roçado para dar o melhor pra gente, então tem mais é que ajudar, trabalhar junto com eles. Então eu acho que o jovem deveria valorizar mais a agricultura, eu não tenho vergonha de dizer que sou agricultora, que nasci na agricultura, mas infelizmente, tem jovens que tem”, avaliou.

jovens queimadasLeonardo Mateus Candido da Costa, 21 anos, do Sítio Boa Vista, concordou: “Temos que pensar no futuro, se hoje a gente não se interessar pela agricultura, quem é que vai plantar futuramente? Eu sou um matuto verdadeiro, criado no sítio desde nascido, daqui a pouco tiro meus chinelos, pois eu gosto é de andar descalço”, brincou.

A agricultora Severina da Silva Pereira, conhecida como “Silvinha”, do Sítio Maracajá II, falou um pouco sobre sua experiência com Bancos de Sementes e sua importância: “Eu comecei o trabalho ainda muito jovem, assim como vocês, o Banco de Sementes Comunitário surgiu porque a comunidade estava perdendo muitas sementes, então com o banco a gente conseguiu resgatar muitas variedades. Começamos com três variedades, hoje temos mais de 40. Procurem saber a história e valorizar o banco de sementes da sua comunidade. Lá na nossa comunidade estamos de portas abertas se vocês quiserem conhecer. Lá estamos também abertos para uma troca de sementes. Para armazenar as sementes, não usamos nada, só a vedação das garrafas, o armazenamento é todo agroecológico”, explicou a liderança.

A agricultora Marcelânia Machado da Silva, 20 anos, do Sítio Serra Alta, falou sobre como a apicultura a ensinou sobre a importância da diversidade de culturas na propriedade, que para ela se complementam: “Não tem como plantar só uma coisa só, não tem como eu ter só abelha, porque as abelhas precisam das plantas, eu não posso colocar uma colmeia de abelha no meio do nada, pois sem água e sem comida elas vão embora. Então eu já deixo ali a água, as plantas com as flores para que elas fiquem. Eu tenho que pensar que a diversidade ajuda no sustento, o que a gente planta já serve para gente e para os nossos animais. Onde eu vivo é um pouco frio, as pessoas vão lá e às vezes dizem, aqui não tem nada, mas tem, eles é que não sabem enxergar, porque o que eles veem é um bar, um restaurante, um shopping, para quê eu tenho que morar perto disso? Essas coisas quando eu quero eu encontro, prefiro estar lá, respirando o meu ar puro, criando e plantando as minhas coisas”.

Luã Félix Pereira, 24 anos, do Sítio Maracajá, lembrou ainda que a solidariedade é uma característica marcante da agricultura familiar: “É uma agricultura voltada para a alimentação da família. Acho muito bonita a agricultura familiar porque é uma coisa de vivência, eu hoje arranco o meu feijão, amanhã eu ajudo a arrancar o seu, a gente se ajuda, trabalhamos para o nosso sustento. Não vai plantar porquê? Ah, porque eu não tenho semente. Toma aqui, eu te dou, depois você me dá. A gente se ajuda”.

As falas surgiram após o trabalho em grupo, onde os jovens das várias comunidades se misturaram e se dividiram em quatro grupos para compartilhar e trocar experiências. “A gente tem um mito de que a agricultura familiar não é um espaço para a juventude e que ela produz apenas milho e feijão. A fala de vocês aqui hoje desmente essa afirmação. Vocês trazem na fala de vocês um outro significado, o que vocês trouxeram é resultado do trabalho de agricultores e agricultoras. É possível produzir uma diversidade de alimento que pode lhe uma alimentação de qualidade e ainda renda, com a venda do excedente”, afirmou Severino dos Santos Terto, assessor técnico do Núcleo de Infância e Juventude da AS-PTA.

jovens queimadasO período da tarde foi dedicado a tratar das ameaças ao projeto de convivência com o Semiárido que se opõe ao do agronegócio. Grupos de cochicho se formaram para debater a respeito da seguinte questão: “Quais são as ameaças para o fortalecimento da juventude camponesa e da agricultura familiar?”. Em pequenos grupos, os jovens presentes listaram como ameaças: o êxodo rural, os transgênicos e agrotóxicos, a figura do atravessador, o desmatamento, a monocultura, a escassez de água, falta de políticas públicas para a juventude rural e a violência no campo entre outras.

Após a socialização entre os grupos, foi feita uma explanação sobre o contexto atual das ameaças ao modelo agroecológico e aberto um espaço para debate e um momento para falar sobre a Festa Estadual das Sementes da Paixão, que será realizada entre os dias 14 e 16 de outubro pela Articulação do Semiárido da Paraíba (ASA PB), rede da qual Polo e AS-PTA fazem parte. Foram listados alguns nomes da juventude para representar o município no evento. Além disso, foram listadas propostas para o enfrentamento às questões levantadas. O encontro foi encerrado com uma grande troca de produtos, alimentos e sementes trazidos pelos jovens de suas propriedades.

O ciclo de encontros é uma ação do “Projeto Sementes do Saber”, desenvolvido pela AS-PTA em parceria com o Polo da Borborema, que pretende apoiar a inserção produtiva e econômica de jovens rurais. O Sementes do Saber, tem o apoio do Comitê Católico Contra a Fome e a favor do Desenvolvimento (CCFD) e da ActionAid e é cofinanciado pela União Europeia.

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Feira de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade reúne mais de três mil agricultores em Santa Catarina http://aspta.org.br/2015/09/09/feira-de-sementes-crioulas-e-da-agrobiodiversidade-reune-mais-de-tres-mil-agricultores-em-santa-catarina/ http://aspta.org.br/2015/09/09/feira-de-sementes-crioulas-e-da-agrobiodiversidade-reune-mais-de-tres-mil-agricultores-em-santa-catarina/#respond Wed, 09 Sep 2015 15:01:55 +0000 http://aspta.org.br/?p=12399 Leia mais]]> feira de sementes coletivo triunfoNo final do mês de agosto, foi a vez de Bela Vista do Toldo, município de Santa Catarina, receber caravanas de mais de 80 municípios de 5 estados da federação para realizar a 13ª. Edição da Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade. Com mais de três mil pessoas presentes, essa se configura na maior edição da Feira, que já é uma tradição no Centro-sul do Paraná e no Planalto Norte Catarinense.

Foram 3 dias de intensa programação. Os participantes se dividiram entre seminários e oficinas dedicadas aos temas: sementes crioulas, legislação ambiental, bioconstrução, mulheres e juventude na agricultura familiar e artesanato.

O ponto alto do evento, sem dúvida, foi a Feira de Sementes crioulas que este ano contou com mais de 100 barracas de exposição que apresentavam uma diversidade enorme de sementes crioulas de todos os tipos. Nas barracas, mais de 300 variedades de sementes de mais de 70 espécies entre cereais, hortaliças, medicinais, flores, frutíferas, arbóreas, entre outras. Além da rica culinária local e dos artesanatos produzidos pelas mãos de agricultoras e agricultores do sul do país.

feira de sementes coletivo triunfoDurante a Feira também foram reconhecidos e homenageados os guardiões das sementes crioulas, com destaque para aquele mais idoso, dona Iolanda e Antônio Carlos, agricultores de São João do Triunfo, e para a mais jovem, Maria Jaqueline, de Fernandes Pinheiro, reconhecendo a importância, o compromisso e a continuidade desse importante serviço que prestam à humanidade.

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Seminário Internacional discute a agroecologia no mundo e a encíclica ecológica do Papa Francisco http://aspta.org.br/2015/09/04/seminario-internacional-discute-a-agroecologia-no-mundo-e-a-enciclica-ecologica-do-papa-francisco/ http://aspta.org.br/2015/09/04/seminario-internacional-discute-a-agroecologia-no-mundo-e-a-enciclica-ecologica-do-papa-francisco/#respond Fri, 04 Sep 2015 19:59:15 +0000 http://aspta.org.br/?p=12386 Leia mais]]> DSC00599Na tarde da última quinta-feira, 03 de setembro, no Auditório do Centro de Extensão José Farias da Nóbrega, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e a Agricultures Network realizaram o Seminário Internacional: “A Agroecologia no Mundo e a Encíclica Ecológica”, uma referência à encíclica Laudato Si’, primeira de autoria do Papa Francisco, conhecida como a Encíclica Ecológica.

O evento contou com a participação de cerca de 200 pessoas, entre pesquisadores, estudantes e professores da temática, representantes de entidades de assessoria e organizações de base que integram a Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba) e convidados internacionais. O seminário foi composto por dois painéis, o primeiro deles foi “A Agroecologia no Mundo: avanços e perspectivas” e teve como expositores: Mamadou Bara Guèye (IED-Afrique – Senegal), Komaravolu Venkata Subrahmanya Prasad (AME Foundation – India), Edith van Walsun (Ileia – Holanda) e Teresa Gianella-Estrems (ETC Andes – Peru) como convidados internacionais e Rogério Neuwald (Secretaria Geral da Presidência da República, coordenador da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica – Cnapo) e Gabriel Bianconi Fernandes (AS-PTA Rio de Janeiro).

Os convidados estrangeiros ajudaram a traçar um panorama atual da agroecologia nos continentes latinoamericano, europeu, asiático e africano. Em sua fala, Teresa Gianella-Estreams, do Instituto Ecologia, Tecnologia e Cultura dos Andes (ETC Andes), do Peru, falou sobre os desafios da agroecologia na América Latina. Ela afirmou que paradoxalmente ao grande avanço e reconhecimento da agroecologia na região e inclusive com o lançamento de políticas públicas de agroecologia em países como o Uruguai e o Brasil, todos os governos da região tem optado pela monocultura para a venda de commodities, pois isso gera divisas para os países. A pesquisadora ressaltou ainda os desafios diante dos organismos geneticamente modificados, os transgênicos, e reafirmou que a agroecologia é o caminho para construir a sustentabilidade do planeta: “A agroecologia não é só um reencontro com o passado, mas uma lente que nos permite ver o futuro”, disse.

DSC00636Já Edith van Walsun, do Ileia da Holanda, um centro de aprendizado da agricultura sustentável, afirmou que a Europa se encontra na atualidade em uma verdadeira encruzilhada do ponto de vista da agricultura: “Não estamos nem aqui e nem ali, temos um foco na modernização da agricultura, com bolsões de agroecologia. O termo mais dominante é o controle, vamos controlar o solo, a água. Mas temos experiências contrastantes, existe um novo fenômeno, de jovens que nunca trabalharam na agricultura estarem voltando a viver no campo, pensando em maneiras ecológicas de produzir. É preciso desconstruir a visão de que a agroecologia é uma proposta atrasada, inviável para a Europa”, afirmou.

Rogério Neuwald, coordenador da Cnapo, relembrou o processo de construção da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO) como uma conquista da sociedade, à partir da pauta construída durante a Marcha das Margaridas de 2011. O gestor apresentou ainda dados do investimento governamental a partir desta política a exemplo dos projetos Ecoforte, de apoio a redes de promoção da agroecologia. Ele listou ainda desafios para a consolidação da agroecologia como: a superação do falso dilema entre o saber científico e o popular; a construção de planos estaduais; pensar em tecnologias que não gerem dependência dos agricultores; estruturação dos ministérios e a elaboração do segundo Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo II), entre outros.

DSC00670Gabriel Fernandes da AS-PTA, falou sobre o problema dos ciclos econômicos dependentes da superexploração dos recursos naturais, pois eles geram fortes contradições como o avanço em territórios indígenas e de outros povos tradicionais, o que acaba gerando mudanças na legislação para permitir projetos como o do avanço da mineração, por exemplo. Gabriel alertou ainda para a necessidade de manter a luta para seguir avançando com a agroecologia: “Aqui no Brasil vivemos a contradição de que o mesmo governo que tirou o país do mapa da fome, foi o que mais investiu no agronegócio, numa tentativa de convencer a sociedade de que só uma agricultura especializada vai ser capaz de alimentar a população. Isso mostra que conquistar uma política pública não é suficiente, precisamos manter a luta para impedir retrocessos”. Após o primeiro painel, foi aberto um espaço para perguntas ou intervenções da plateia.

Encíclica Ecológica – Após esse momento, foi iniciado o segundo painel: “Os conteúdos e significados da Encíclica Ecológica”, com a exposição do professor Guilherme da Costa Delgado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea, e consultor da Comissão Brasileira de Justiça e Paz. O painelista iniciou afirmando que esta encíclica, um documento com 70 páginas e seis capítulos, resgata uma preocupação com a saúde e salvação planetárias, diante da constatação de que o equilíbrio cósmico planetário está seriamente comprometido: “O Papa está muito consciente de que, com o nosso modelo de desenvolvimento socioeconômico, não só o planeta está em risco, mas a humanidade. Talvez o planeta resista, mas a humanidade, esta sim, corre risco”. Segundo o estudioso, o objetivo imediato do documento é influenciar os líderes mundiais na próxima conferência do clima, para que os chefes políticos adotem uma política e assumam metas imediatas de redução do impacto ambiental. Ainda segundo o palestrante, o documento incorpora contribuições importantes de teólogos ecologistas como Leonardo Boff, que recolocam a natureza como um dom e não como um produto do trabalho humano, o que nos daria a responsabilidade de cuidar e se integrar a ela e não a dominar.

guilhermeGuilherme Delgado lembrou ainda que o documento incorpora linhas de ação, na perspectiva de ver, julgar e agir em vários níveis. “Não bastam ações punitivas, é preciso uma mudança de mentalidade, de paradigma civilizatório, que não virá de uma ciência única como a economia ou a biologia. Iniciativas como a deste seminário vão neste sentido”, disse. Ary Sezhyta, do Serviço Pastoral do Migrante, ligada à ASA Paraíba, destacou que a encíclica ecológica nos convida a olhar a natureza como um sujeito portador de direitos: “Será que chegaremos um dia ao ponto de, por exemplo, usar os mecanismos do direito para processar uma empresa por agredir a natureza ao usar agrotóxicos?”, questionou.

Roselita Vitor, liderança do Polo da Borborema, lembrou a contribuição que os agricultores familiares têm tido no sentido de restaurar o equilíbrio cósmico: “Ouvindo estas palavras aqui não posso deixar de me lembrar das muitas famílias agricultoras como a de seu Luiz Souza e a de dona Eliete, no Curimataú de Solânea, na Paraíba, que à partir do seu trabalho e do seu modo de viver tem dado uma enorme contribuição no sentido de construir um mundo melhor”, finalizou.

 

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Representantes da Agricultures Network visitam experiências de Jovens e Mulheres na Região do Polo da Borborema http://aspta.org.br/2015/09/02/representantes-da-agricultures-network-visitam-experiencias-de-jovens-e-mulheres-na-regiao-do-polo-da-borborema/ http://aspta.org.br/2015/09/02/representantes-da-agricultures-network-visitam-experiencias-de-jovens-e-mulheres-na-regiao-do-polo-da-borborema/#respond Wed, 02 Sep 2015 18:39:28 +0000 http://aspta.org.br/?p=12373 Leia mais]]> rede agriculturasNos dias 31 de agosto e 01 de setembro, um grupo formado por nove visitantes, representantes de organizações do Senegal, Índia, Peru e Holanda que integram a AgriCultures Network (rede dedicada a apoiar atividades de sistematização e divulgação de experiências em agroecologia pelo mundo), visitou duas propriedades de agricultores da região de atuação do Polo da Borborema, uma rede de 14 sindicatos de trabalhadores rurais, que com a assessoria da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, trabalha desde 1993 pelo fortalecimento da agricultura familiar de base agroecológica na região.

A primeira experiência visitada foi a de Marinalva Berlarmino, mais conhecida como “Nalva”, moradora do Assentamento Junco, município de Remígio-PB. Com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município e da Comissão de Saúde e Alimentação do Polo da Borborema da qual faz parte, Nalva diversificou a sua produção de frutas, hortaliças, plantas medicinais e roçados, além de fortalecer a sua criação de galinhas de capoeira e de gado com a ajuda de tecnologias sociais como as cisternas de placas e a cisterna-calçadão para produção. Além de ter se aberto para um mundo novo, onde seu saber e sua capacidade são valorizados e reconhecidos, a agricultora colhe outros frutos a partir da sua nova forma de organização comunitária e produção, que impactaram a qualidade da alimentação e a saúde da sua família: “Criei três filhos muito saudáveis. Sempre que eles viajam, eu tenho a preocupação e recomendo o cuidado com a alimentação. Aqui em casa em caso de doença a gente recorre primeiro às plantas medicinais antes que qualquer coisa”, afirma Nalva.

rede agriculturasUm grupo de mulheres agricultoras experimentadoras do Polo da Borborema acompanhou a visita e ajudou a contextualizar a experiência de Nalva, que tratou sobre temas como o enfrentamento à violência contra a mulher, o beneficiamento de frutas e outros produtos da agricultura familiar e o acesso aos mercados e às políticas públicas pelas mulheres. Perguntada pelos visitantes sobre se os consumidores das feiras agroecológicas não estariam dispostos a pagar um preço a mais pelos produtos orgânicos, Anilda Pereira, da Coordenação da Ecoborborema, associação que reúne os feirantes do Polo da Borborema, respondeu: “O nosso propósito não é apenas vender, é ser solidário, pois a gente não quer que o nosso alimento vá apenas para a mesa de quem tem condições. O nosso público é de pessoas pobres também, por isso o nosso preço é justo”, disse.

As mulheres também falaram sobre o movimento criado em torno da luta pelo fim de todas as formas de violência contra a mulher, com a realização pelo sexto ano consecutivo, da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, que reúne milhares de mulheres agricultoras da região: “O trabalho e os momentos de formação específicos para as mulheres surgiram porque, em muitos espaços, a gente não enxergava o trabalho e a contribuição da mulher na agricultura, as mulheres experimentavam, mas estavam isoladas. Hoje a gente diz que mal dá tempo de guardar as nossas bandeiras, pois a gente termina uma marcha e já está marchando de novo”, disse Gizelda Bezerra, liderança do Polo da Borborema. A experiência das mulheres impressionou os visitantes: “Estou muito impressionada com a sua alegria em fazer a agricultura e o amor que têm pelo que fazem, pela sua força, o que eu tenho ouvido aqui, fazem de vocês um exemplo para o mundo inteiro”, afirmou Janneke Bruil, do Ileia – Centre for Learning on Sustainable Agriculture, da Holanda.

rede agricultrurasNa tarde do dia 31/08, os visitantes se reuniram na sede da AS-PTA, onde o Polo da Borborema apresentou a forma como organiza o seu trabalho na região, que envolve 5 mil famílias, por meio de comissões temáticas: saúde e alimentação, que engloba o trabalho com as mulheres; recursos hídricos; criação animal; sementes e manejo da fertilidade dos solos; agrobiodiversidade; infância e juventude e acesso a mercados. Encerrando o primeiro dia de visita, o grupo participou do lançamento do vídeo “Minha vida é no meio do mundo”, produzido pela AS-PTA e pelo Polo no Cine RT, em Remígio-PB.

A segunda propriedade visitada foi a da família dos irmãos Fernanda e Alex da Silva Marques, adolescentes da Comissão de Jovens de Massaranduba, moradores do Sítio Cachoeira de Pedra D’água. Os dois jovens são coordenadores do núcleo de juventude de sua comunidade: “Depois que passamos a participar, mudamos a nossa forma de trabalhar e colocamos em prática aqui o que aprendemos lá fora. Nós tentamos trazer cada vez mais jovens para participar e hoje na comissão municipal já temos mais ou menos 100 jovens participando”, avalia Fernanda.

DSC00467Os visitantes conheceram experiências como a da esterqueira, tecnologia para o beneficiamento de esterco, produção ao redor da cisterna-calçadão, campo de multiplicação de sementes feito por meio de mutirão de jovens agricultores e criação de pequenos animais como caprinos e galinhas com apoio do Fundo Rotativo Solidário voltado para a juventude, entre outras. “O Fundo Rotativo Solidário, além de contribuir com a vida de muitos jovens, ajuda a organizar nossas comunidades, diante do desafio de aumentar as criações com propriedades tão pequenas, foi que surgiu o FRS de galinhas de capoeira, também como uma forma de enfrentar uma ameaça que nós temos que são as galinhas caipiras. A luta pela terra é importante para nós, mas primeiro a gente precisa reafirmar a importância que a terra tem nas nossas vidas: pra quê a gente quer terra? Essa reflexão vem dar um sentido à luta pela terra pelos jovens”, afirmou Maria Gabriela Galdino dos Santos, liderança da comissão de jovens municipal.

Mais de 20 jovens da comissão municipal participaram da apresentação da experiência e falaram sobre a importância que o tema da juventude tem ganhado dentro do trabalho do Polo da Borborema: “A juventude hoje ocupa vários espaços, está presente nas comissões temáticas, nas feiras agroecológicas. Eu mesma sou o exemplo de uma jovem que achava que precisava sair do campo, mas a partir do momento em que comecei a participar, eu fui me enxergando enquanto agricultora e vi que o jovem também faz parte da agricultura”, disse Mônica Lourenço, liderança jovem do Assentamento Caiana, em Massaranduba.

rede agriculturesAgriCultures Network – A atividade mais conhecida da AgriCultures Network é a produção de revistas dedicadas à divulgação e análise de iniciativas de agroecologia. A revista Agriculturas: experiências em agroecologia, editada pela AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia, corresponde à edição brasileira do projeto editorial da rede. Produzida desde 2004 e com tiragens trimestrais, a revista é distribuída para milhares de subscritores de todas as regiões do país.

O grupo que visitou a região da Borborema é composto por representantes de organizações que editam revistas similares em países da África, Ásia, América Latina e Europa. As revistas produzidas pela rede chegam regularmente a mais de um milhão de leitores por meio de edições publicadas em inglês, francês, espanhol, português e 5 línguas locais da Índia.

 

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Mulheres da Região da Borborema celebram conquistas durante lançamento do vídeo “Minha vida é no meio do mundo” http://aspta.org.br/2015/09/02/mulheres-da-regiao-da-borborema-celebram-conquistas-durante-lancamento-do-video-minha-vida-e-no-meio-do-mundo/ http://aspta.org.br/2015/09/02/mulheres-da-regiao-da-borborema-celebram-conquistas-durante-lancamento-do-video-minha-vida-e-no-meio-do-mundo/#respond Wed, 02 Sep 2015 18:10:33 +0000 http://aspta.org.br/?p=12366 Leia mais]]> lançamento vídeo mulheresMais de 100 pessoas lotaram o Cine RT, no município de Remígio na Paraíba, na noite da última segunda-feira, 31 de agosto, no lançamento do documentário “Minha vida é no Meio do Mundo”, produzido pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia em parceria com o Polo da Borborema, com direção de Tiago Carvalho. O vídeo retrata, com sensibilidade e emoção, histórias de superação de mulheres agricultoras da região da Borborema, que deixaram para trás quadros de violência e de invisibilidade do seu trabalho na agricultura.

Participaram do lançamento mulheres e jovens dos 14 municípios de atuação do Polo da Borborema, da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba) e do Núcleo de Extensão Rural em Agroecologia da Universidade Estadual da Paraíba (NERA/UEPB), além das protagonistas do documentário e seus familiares. Estiveram presentes ainda representantes de organizações que integram a Rede AgriCulturas, uma articulação do campo agroecológico presente em países da Ásia, África, Europa e América Latina que está em visita à região da Borborema.

Dona Maria Isabel do Livramento, do Sítio Pedra Grande, município de Solânea foi uma das agricultoras a emprestar a sua história de vida ao filme. Ela se emocionou ao se assistir no documentário, em sua primeira ida a um cinema: “Quem me viu e quem me vê! Estou hoje aqui vendo a minha história, isso é muito gratificante para mim, antes a gente não era valorizada, hoje passamos a ser”, disse.

lançamento vídeo mulheresDesde 2003, o Polo e a AS-PTA vêm desenvolvendo ações para denunciar e dar visibilidade às desigualdades nas relações entre homens e mulheres e, sobretudo, vêm exercitando estratégias de superação desse quadro. O documentário traz para a tela um encontro de histórias de mulheres que conseguiram, nos seus lares e na ação coletiva, abrir as portas de suas vidas para conquistar um mundo novo, cheio de oportunidades e aberto à construção de novas relações de gênero.

O lançamento foi um momento também de reafirmação desta luta por parte das lideranças do Polo da Borborema: “Eu queria aqui dizer da importância de termos registrado estas histórias nesse vídeo, porque estas histórias aconteciam entre quatro paredes, aí é que está a importância do vídeo: publicizar uma violência que era tida como natural na sociedade, resgatar histórias de vida e de superação dos diversos tipos de violência”, disse Roselita Vitor da coordenação do Polo da Borborema.

Clique e conheça o vídeo:

Clique e veja como foi o Lançamento:

 

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