Comissão de Saúde e Alimentação do Polo da Borborema discute boas práticas de manipulação de alimentos durante Seminário de Beneficiamento

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A Comissão de Saúde e Alimentação do Polo da Borborema, articulação de 14 sindicatos rurais da região da Borborema na Paraíba, realizou, no Convento Ipuarana, em Lagoa Seca-PB, nos dias 05 e 06 de julho, o III Seminário Regional de Beneficiamento. A Comissão é formada por mulheres agricultoras da região de atuação do Polo e é acompanhada pelo Núcleo de Saúde e Alimentação da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, que assessora o trabalho do Polo há cerca de 20 anos.

O Seminário foi aberto com uma mística que trouxe os instrumentos ou utensílios símbolos do trabalho que vem sendo feito de melhoramento das cozinhas ou unidades de beneficiamento, seja de agricultoras, seja de grupos de mulheres. As mulheres de cada município foram trazendo os objetos e os colocando para compor um altar com símbolos como: caixas organizadoras, colheres de pau, panelas e formas, cerâmica ou colher de pedreiro, entre outros. Estiveram presentes cerca de 60 agricultoras integrantes da Comissão de Saúde e Alimentação, que de alguma forma, beneficiam seus produtos para consumo da família ou para a comercialização, na comunidade, em feiras agroecológicas e para programas governamentais de compra direta de alimentos.

Gizelda Beserra, liderança do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remígio-PB e da coordenação do Polo da Borborema, apresentou a programação e falou sobre os objetivos do evento, que teve como foco as boas práticas na manipulação dos alimentos da agricultura familiar. “Precisamos aprender mais sobre quais são os cuidados que devemos observar para ter a garantia de que estamos consumindo e comercializando um produto não só saudável, mas de qualidade”, disse.

DSC08422Após a abertura, 15 mulheres apresentaram, com fotos, as melhorias que foram feitas em suas cozinhas, por meio do Fundo Rotativo Solidário da Comissão de Saúde e Alimentação, que já beneficiou 24 mulheres de 16 comunidades de três municípios de atuação do Polo com compra de cerâmica, placas de pvc para forro e acabamento das cozinhas ou unidades de produção, além de utensílios e equipamentos para fortalecer a atividade de beneficiamento. As mulheres socializaram com o grupo o tipo de melhoria optaram de acordo com suas necessidades e de que forma essa melhoria tem contribuído para o seu trabalho.

Anilda Batista é integrante do Grupo de Mulheres, “As Margaridas” do Assentamento Oziel Pereira, em Remígio-PB, que fornece alimentos para a merenda escolar da zona rural do município. A agricultora contou como a aquisição de um equipamento ajudou a aumentar a produção e a reduzir o esforço: “Antes de termos a moenda, a gente tinha que pegar emprestado a forrageira do sindicato para triturar a macaxeira para o bolo, ir buscar e levar toda semana. Hoje não, a gente não trabalha tanto, tem bem menos esforço, trabalha mais sentada e consegue produzir mais”, contou.

DSC08425Para Sandra Alice Farias Alves, do Sítio Floriano, em Lagoa Seca, o beneficiamento é uma forma de valorizar sua produção e ganhar mais: “Quando o liquidificador industrial chegou, eu estava com um pé de acerola cheio, aí experimentei fazer a polpa nele. Ficou ótimo, e com a venda dessa polpa eu consegui 60 reais. Se eu fosse vender a acerola, iria ganhar, no máximo, 10 reais. Vejam que só com a venda de um pé de fruta, eu já consegui tirar o dinheiro da minha contribuição para o fundo rotativo”, disse.

Já para Marlene Pereira, do Sítio Floriano, e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Seca, a mini-reforma na sua cozinha acabou estimulando a família a melhorar outras partes da casa: “Quando a gente viu a cozinha pronta, pensamos: ‘e a gente vai deixar o resto sem fazer?’ Acabamos colocando a cerâmica e forro na casa toda, só falta um quarto para terminar. Uma coisa vai puxando a outra, não melhorou só a cozinha, melhorou a casa inteira e trouxe qualidade de vida para toda a família”, avaliou.

DSC08441Após esse momento, foi exibido o vídeo: “Cordel do Fundo Solidário – gerando riquezas e saberes”, produzido pela Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba) que traz experiências e depoimentos de integrantes de fundos rotativos solidários. A apresentação do vídeo foi seguida de um rápido debate acerca das perguntas: qual a importância do FRS para mim enquanto mulher? E qual a importância para a minha comunidade e para o tema do beneficiamento? Adriana Galvão Freire, assessora técnica da AS-PTA falou sobre a importância de continuar animando os fundos para garantir que os benefícios sejam compartilhados para mais mulheres: “Todas vocês falaram sobre como esse trabalho tem ajudado a melhorar a suas vidas, agora nós precisamos pensar sobre como ampliar e fortalecer os fundos para que mais mulheres possam estar aqui na frente mostrando a melhoria das suas cozinhas, da sua produção, da sua renda”, disse.

A tarde do primeiro dia foi reservada para a troca de receitas. Cinco delas foram preparadas e degustadas durante este momento pelas agricultoras participantes do seminário: a de cocorote, um biscoito feito de trigo e coco; sorda, um bolo de trigo, rapadura preta e especiarias como erva doce, cravo e canela; doce de leite, pastel e bolo de batata doce. Todas as receitas já integram um livro com outras tantas praticadas pelas agricultoras da Comissão de Saúde e Alimentação que deve ser lançado em breve.

DSC08479O segundo e último dia de seminário tratou das boas práticas na manipulação de alimentos. Este momento contou com a assessoria da professora Márcia Roseane Targino de Oliveira, do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Campus de Areia-PB. Márcia é farmacêutica e leciona a disciplina de tecnologia de produtos agropecuários, que trata da transformação de alimentos, da colheita, passando pelo processamento, até a venda. Após ter ouvido as mulheres no dia anterior, a professora Márcia fez dialogar seu conhecimento acadêmico com o beneficiamento conduzido pelas mulheres. Com simplicidade, do Programa de Boas Práticas, trazendo para o dia a dia das mulheres os perigos físicos, biológicos e químico na manipulação de alimentos. As agricultoras saíram do encontro entusiasmada em ir aprimorando, cada vez mais, seus sistemas de produção.

 

 

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