março 2017 – AS-PTA http://aspta.org.br Fri, 05 Feb 2021 13:07:05 +0000 pt-BR hourly 1 Organizações e Redes de Agroecologia visitam experiências no território de atuação do Polo da Borborema http://aspta.org.br/2017/03/30/organizacoes-e-redes-de-agroecologia-visitam-experiencias-no-territorio-de-atuacao-do-polo-da-borborema/ http://aspta.org.br/2017/03/30/organizacoes-e-redes-de-agroecologia-visitam-experiencias-no-territorio-de-atuacao-do-polo-da-borborema/#respond Thu, 30 Mar 2017 02:19:21 +0000 http://aspta.org.br/?p=14670 Leia mais]]> Consórcio PPMUm grupo formado por cerca de 30 representantes de organizações e redes que trabalham pela promoção da agroecologia visitou na manhã da última quarta-feira (29), a experiência do casal de agricultores Givaldo Firmino dos Santos e Maria das Graças dos Santos, no Sítio Caldeirão, município de Esperança-PB. Os agricultores fazem parte da dinâmica de trabalho do Polo da Borborema, uma articulação de 14 sindicatos de trabalhadores rurais que atua pelo fortalecimento da agricultura familiar agroecológica há mais de 20 anos na região da Borborema na Paraíba, com a assessoria da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.

Os visitantes fazem parte de outras cinco organizações dos estados do Maranhão, Ceará, Bahia e Minas Gerais, que, no passado, fizeram parte da articulação Projetos de Tecnologias Alternativas, a chamada Rede PTA, além de representantes da Secretaria Executiva da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), rede que une todas as organizações envolvidas na visita. O grupo esteve na Paraíba participando de uma reunião do Consórcio de organizações parceiras da entidade de cooperação internacional alemã Pão para o Mundo (Brot für die Welt).

Consórcio PPMA reunião acontece entre os dias 27 e 30 de março, no município de Areia-PB e teve em sua programação um momento voltado para a visita de experiências. “Essas visitas começaram a fazer parte das reuniões do consórcio e marcam o início de uma comunidade de aprendizado e de troca sobre as experiências entre as organizações, que já têm uma trajetória longa de convivência desde o surgimento da Rede PTA”, explica Bruno Prado, assessor técnico da AS-PTA que acompanhou a reunião.

O consórcio tem como objetivos facilitar a gestão dos projetos apoiados, trabalhar na construção de redes e fortalecer a incidência política no tema da agroecologia, além de trazer mais visibilidade para a temática. Para Mathias Fernsebner, oficial de programa para o Brasil da Pão para o Mundo, o momento de intercâmbio entre as organizações foi uma exigência do trabalho, diante de entidades que lidam com a agroecologia em contextos, biomas e realidades tão distintas, o que, segundo ele, fortalece o projeto.

O grupo de visitantes conheceu a propriedade de 1,5 hectare da família de Givaldo e ‘Nina’, como é conhecida, e viu de perto o conjunto de experiências que o casal desenvolve com seus quatro filhos, tais como: hortas, pomares e roçados diversificados, matas de plantas nativas, criação de caprinos, beneficiamento dos produtos da agricultura familiar entre outras, em uma produção agroecológica. “Aqui de veneno a gente quer é distância, nunca usamos, e nem queremos usar”, conta Givaldo. “Tem que cuidar da saúde para depois não ter que ir cuidar da doença”, completa Nina.

Consórcio PPMA segunda parte da visita foi um Carrossel de Experiências realizado nas sedes do Polo e da AS-PTA, no Centro Agroecológico São Miguel, em Esperança-PB. Por meio de um conjunto de instalações temáticas nas quais os visitantes iam percorrendo, foram sendo apresentados por agricultores e agricultoras e lideranças dos sindicatos do Polo da Borborema, oito temas mobilizadores do trabalho desenvolvido na região: criação animal; recursos hídricos; infância; juventude; saúde e alimentação; mercados; sementes e cultivos agroflorestais.

Andréa Sousa, assessora técnica do Centro de Pesquisa e Assessoria Esplar, de Fortaleza-CE, visitou pela primeira vez a região da Borborema e se disse impressionada com o que viu: “O bacana é a gente perceber que essa ação que acontece aqui está enraizada em todas as regiões, o que fortalece a nossa luta. Mas eu estou muito impressionada como aqui as pessoas são parte, como os sujeitos são os protagonistas, eu acho que é esse trabalho feito pela AS-PTA que fortalece esse protagonismo. Esse é o papel das assessorias e da extensão rural. Penso que as casas ou bancos de sementes podem cumprir um papel de espaços políticos organizativos. Lá, a gente fala de sementes, mas pode falar sobre tudo”, disse.

Flávia Londres faz parte da equipe da Secretaria Executiva da ANA, e acompanhou a visita. Ela destacou o papel que o trabalho do Polo e da AS-PTA desempenham na rede: “O trabalho desenvolvido aqui é uma referência importante, por ser uma experiência rica, diversa e bastante consolidada. Mas o que chama a atenção é a compreensão que os atores têm sobre o território, do entrelaçamento das ações, do projeto político para o território. Isso tem a ver com a clareza sobre o próprio trabalho em rede, o próprio Polo é uma rede, que se articula com outras redes e aqui hoje o que a gente vê é o resultado dessa compreensão”, finalizou.

 

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Livro: Olhares Agroecológicos http://aspta.org.br/2017/03/27/livro-olhares-agroecologicos/ http://aspta.org.br/2017/03/27/livro-olhares-agroecologicos/#respond Mon, 27 Mar 2017 13:21:13 +0000 http://aspta.org.br/?p=14663 Leia mais]]> 2-img_capa_Olhares-1-209x300O livro “Olhares Agrcoelógicos – Análise econômico-ecológica de agroecossistemas em sete territórios brasileiros” é resultado do trabalho conjunto de organizações e redes vinculadas à Articulação Nacional de Agroecologia (ANA). Nesta publicação são sistematizadas evidências dos benefícios do enfoque agroecológico na gestão técnica-econômica de agricultura familiar, aqui apreendida em suas variadas formas de organização produzida e expressão identitária.

Esse empenho coletivo descentralizado nas diferentes regiões no Brasil desdobrou-se a partir do II Encontro Nacional de Agroecologia (III ENA), evento realizado em 2014, cujos debates foram orientados pela seguinte pergunta geradora: Por que interessa à sociedade apoiar a agroecologia?

Por meio do projeto “Promovendo Agroecologia em rede”, executado pela ANA com apoio da Fundação Banco do brasil (FBB) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foram realizados estudos de caso em sete territórios brasileiros: Litoral Norte do Rio Grande do Sul, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Sertão do Araripe (PE), Alto Rio Pardo – Semiárido Mineiro, Sudoeste de Mato Grosso, Mesorregião Leste de Rondônia e Santarém (PA).

As estratégias localizadas de resistência e luta identificadas nas experiências aqui retratadas se revelam como poderosas forças sociais por meio das quais a agricultura camponesa permanece se reinventando e se projetando para o futuro.

Clique aqui para baixar o livro: Olhares Agrogeológicos – Análise econômico-ecológica de agroecossistemas em sete territórios brasileiros

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Livro: Método de Análise Econômico-Ecológica de Agroecossistemas http://aspta.org.br/2017/03/27/livro-metodo-de-analise-economico-ecologica-de-agroecossistemas/ http://aspta.org.br/2017/03/27/livro-metodo-de-analise-economico-ecologica-de-agroecossistemas/#comments Mon, 27 Mar 2017 13:14:33 +0000 http://aspta.org.br/?p=14656 2-img_capa_METODO-ANALISE-AGROECO-197x300O “Método de Análise Econômico-Ecológica de Agroecossistemas” se fundou na necessidade de dar visibilidade a relações econômicas, ecológicas e políticas que singularizam os modos de produção e de vida da agricultura familiar, povos e comunidades tradicionais e que têm sido historicamente ocultadas ou descaracterizadas pela teoria econômica convencional.

Em que pese o crescente reconhecimento social e político-institucional da agricultura familiar e da Agroecologia, manifesta-se ainda uma carência de ferramentas de análise que permitam dar conta das racionalidades econômicas e ecológicas que subentendem a superioridade dos agroecossistemas de gestão familiar sobre as lógicas empresariais que fundamentam o capitalismo agrário.

Como contribuição para a superação dessa lacuna, a AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia vem se empenhando desde o início dos anos 1990 no desenvolvimento de referenciais de análise sobre as estratégias de produção e reprodução econômica e ecológica da agricultura familiar e a sua tradução em instrumentos metodológicos que permitam o estabelecimento de ambientes de construção compartilhada de conhecimento com as famílias agricultoras e com organizações parceiras com as quais trabalha. Os conteúdos e a configuração deste documento expressam o nível atual de sedimentação desses referenciais e instrumentos.

A formalização do método neste documento é resultado de compromisso assumido pela AS-PTA com a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) no sentido de atender crescente demanda de organizações do campo agroecológico, não governamentais e governamentais, por uma apresentação sistematizada dos referenciais teórico-conceituais e metodológicos que dão coerência ao método. Essa demanda foi reforçada no bojo do processo de realização do III Encontro Nacional de Agroecologia (III ENA), cujos desdobramentos suscitaram estudos orientados à produção de evidências da superioridade da Agroecologia como enfoque técnico-econômico para a gestão de agroecossistemas na agricultura familiar em todas as suas formas de expressão nas diferentes regiões do Brasil.

Em síntese, tratou-se de responder à pergunta geradora do III ENA: Por que interessa à sociedade apoiar a Agroecologia?

Por meio do projeto Agroecologia em Rede, esse esforço coletivo contou com o apoio da Fundação Banco do Brasil (FBB) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), financiadores de uma das iniciativas mais inovadoras e promissoras da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO) – o Programa Ecoforte para apoio a redes territoriais de Agroecologia. O caráter inovador desse programa vem do entendimento de que a Agroecologia é uma construção social movida pelas convergências e disputas entre agentes econômicos e sociopolíticos em espaços territoriais definidos.

Ao situar os agroecossistemas como unidades de gestão econômica-ecológica contextualizadas em territórios, o método aqui apresentado procura lançar luzes sobre relações sociais e de poder que condicionam os processos de trabalho na apropriação, transformação, circulação e distribuição das riquezas socialmente produzidas na agricultura familiar. Para tanto, ele dialoga com teorias críticas elaboradas exatamente para revelar dimensões da vida social e do trabalho ocultadas pela teoria econômica hegemônica. São elas:

  • A Economia Ecológica, como o estudo dos processos cíclicos entre os bens ecológicos e os bens econômicos e como fundamento da análise da sustentabilidade desde a escala local até a escala global.
  • A Economia Política, como o estudo das relações de poder implicadas nas esferas de produção, transformação e circulação de valores bem como a distribuição social da riqueza gerada pelo trabalho.
  • A Economia Feminista que, a partir da crítica aos fundamentos da economia convencional, propõe novos conceitos e instrumentos analíticos para reconhecer e dar visibilidade ao trabalho das mulheres, bem como a sua participação na geração e na apropriação da riqueza social. Para tanto, expressa um ponto de vista crítico à divisão sexual do trabalho e ao patriarcalismo, elementos culturais e ideológicos que estruturam as relações econômicas dominantes nas esferas doméstica e pública.

Como todo conhecimento, o método apresentado nesse documento tem como uma de suas principais vocações ser continuamente desenvolvido a partir de sua confrontação com a realidade e com outras experiências motivadas pelos mesmos propósitos. Sua atual configuração expressa o resultado de uma construção coletiva, moldada aos poucos, que contou com críticas e sugestões de técnicos e técnicas da AS-PTA e de organizações parceiras que exercitaram o método em diferentes regiões do país. A AS-PTA permanecerá empenhada em aprimorar o método e espera continuar contando com contribuições de todas as pessoas e instituições comprometidas com um projeto de democratização e sustentabilidade para o mundo rural e os sistemas agroalimentares.

Clique aqui para baixar o documento: Método de Análise Econômico-Ecológica de Agroecossistemas

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Sementes da Paixão: Catálogo das sementes crioulas da Borborema http://aspta.org.br/2017/03/20/sementes-da-paixao-catalogo-das-sementes-crioulas-da-borborema/ http://aspta.org.br/2017/03/20/sementes-da-paixao-catalogo-das-sementes-crioulas-da-borborema/#comments Mon, 20 Mar 2017 17:55:03 +0000 http://aspta.org.br/?p=14647 Leia mais]]> Catalogo de Sementes

Sementes da Paixão: Catálogo das sementes crioulas da Borborema

Ao longo da história, homens e mulheres do semiárido observaram, experimentaram e selecionaram um mosaico de sementes adaptadas às características da região. Essas sementes são plantadas de acordo com o regime das chuvas e sua resposta às especificidades do clima. No caso do milho, por exemplo, há quem prefira o que cresce mais rápido, ou o que produza mais palha que serve de forragem. Mas a seleção também pode levar em conta a tradição e o paladar regionais. Sendo assim, as famílias podem escolher sementes que oferecem a melhor pamonha, o rubacão mais gostoso ou aquele arrumadinho típico que dá água na boca.

Na Paraíba, as sementes locais são chamadas de sementes da paixão. E é para preservar essa paixão que milhares de famílias na Borborema – e também em todo o estado – vêm criando e mantendo bancos de sementes familiares. Nesses bancos, toda a riqueza está armazenada em silos, garrafas pets ou em latões, sob a bênção dos santos prediletos. As sementes da paixão são símbolos da vida em abundância, heranças deixadas pelos antepassados, cuidadas na atualidade para que as futuras gerações continuem tendo acesso a esse importante bem.

Ao semear as sementes da paixão, as famílias agricultoras plantam também sua história, partilham seus conhecimentos e suas observações. Esse zelo pelas sementes da paixão afirma a importância desse patrimônio genético e cultural para a garantia da soberania e segurança alimentar.

Na Borborema, as famílias agricultoras se organizam também em bancos de sementes comunitários, trabalho coordenado pela Comissão de Sementes do Polo da Borborema, desde 1995, e reforçado pela Comissão de Juventude, desde 2015, como forma de preservar as sementes e garantir a autonomia no momento do plantio. No território, são mais de 60 bancos de sementes que envolvem mais de 1.900 famílias. Em 2015, ao ser realizado um monitoramento dos bancos, foram identificadas 16 espécies e 45 variedades diferentes estocadas.

No estado da Paraíba, a quantidade de bancos também é bastante significativa. Animados pela Rede de Sementes da Articulação do Semiárido da Paraíba (ASA Paraíba), os 240 bancos de sementes comunitários do estado envolvem mais de oito mil famílias, em 63 municípios. A força desse trabalho foi capaz de, em 2002, aprovar uma lei estadual (Lei n. 7.297/2002) que criou o Programa Estadual de Bancos de Sementes Comunitários, autorizando o governo da Paraíba a adquirir sementes de variedades locais para o fortalecimento e a ampliação dos bancos em todo o estado.

Este catálogo busca dar visibilidade a essas iniciativas das famílias e comunidades, apresentando as principais características das mais importantes sementes encontradas nos Bancos de Sementes Comunitários da Borborema. Pretende, assim, facilitar a troca de informações entre guardiões e guardiãs, além de ser um instrumento de afirmação das sementes da paixão.


 

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Consumidores da Feira Agroecológica de Palmeira visitam propriedade agroecológica http://aspta.org.br/2017/03/16/consumidores-da-feira-agroecologica-de-palmeira-visitam-propriedade-agroecologica/ http://aspta.org.br/2017/03/16/consumidores-da-feira-agroecologica-de-palmeira-visitam-propriedade-agroecologica/#respond Thu, 16 Mar 2017 12:42:39 +0000 http://aspta.org.br/?p=14641 Leia mais]]> 17202967_637688719766437_8422266705315478088_nUm grupo de 15 consumidores da Feira Agroecológica conheceram a propriedade da família de Cleonice e Silvio Sluzars, na localidade de Paiol do Fundo, interior do município de Palmeira. O casal comercializa seus produtos na feira que é realizada todos os sábados pela manhã na praça Domingos Theodorico de Feitas, em frente ao Cemitério Municipal. Na visita, os consumidores conheceram as atividades de produção e vivenciaram um dia em uma propriedade agroecológica.

A família Sluzars já vem produzindo agroecologicamente há mais de 15 anos, optando por uma qualidade de vida mais saudável em questão ao uso de agroquímicos. A família faz parte da Associação de Produtores Agroecológicos de Palmeira (APEP), entidade que existe há mais de 20 anos e reúne várias famílias do município que têm produção agroecológica.

Na propriedade, os visitantes conheceram os sistemas de produção de hortaliças de diversas espécies a céu aberto e em estufas cobertas, além de criações, como de suínos da raça Moura, que é mais um investimento da família na produção de carne e fortalecimento da geração de renda familiar. O encerramento da visita foi marcado com o Café da Biodiversidade, no qual são servidos os alimentos que a família produz.

O objetivo principal da visita, que é organizada pela AS-PTA- Agricultura Familiar e Agroecologia, é mostrar a produção de alimentos saudáveis agroecológicos produzidos pelas famílias agricultoras, colocando os consumidores em contato com o dia a dia dessas famílias. Nesses momentos, são mostrados os sistemas que utilizam para a produção, colheita e processamento de alimentos até chegar ao consumidor, o que se dá através de feiras agroecológicas e entregas de sacolas em domicílio.

Projeto

17202998_637688833099759_1281029932734079654_nO projeto que a AS-PTA vem executando no município junto com a APEP e CAFPAL- Cooperativa da Agricultura Familiar de Palmeira, tem como o título “Promoção da articulação entre Cidade e Campo em dinâmicas locais e regionais de abastecimento agroecológico, conjugado com incidência política em soberania e segurança alimentar”. Este projeto é financiado pela entidade alemã Misereor – Katholische Zentralstelle für Entwicklungshilfe.

Segundo informou André Emílio Jantara, assessor técnico da AS-PTA, este ano já foram realizadas outras duas visitas de consumidores a propriedades e a intenção do projeto é fazer mais algumas visitas com novos consumidores. “Depois, vamos promover um encontro em forma de seminário para todos os participantes, com objetivo de discutir o tema da alimentação saudável agroecológica, aumentando a conscientização do risco que enfrentamos aos agroquímicos em nossa alimentação”, explicou Jantara.

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Oitava Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia leva cinco mil mulheres às ruas de Alagoa Nova-PB pelo fim da cultura do estupro e contra a Reforma da Previdência http://aspta.org.br/2017/03/09/oitava-marcha-pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia-leva-cinco-mil-mulheres-as-ruas-de-alagoa-nova-pb-pelo-fim-da-cultura-do-estupro-e-contra-a-reforma-da-previdencia/ http://aspta.org.br/2017/03/09/oitava-marcha-pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia-leva-cinco-mil-mulheres-as-ruas-de-alagoa-nova-pb-pelo-fim-da-cultura-do-estupro-e-contra-a-reforma-da-previdencia/#respond Thu, 09 Mar 2017 00:31:09 +0000 http://aspta.org.br/?p=14623 Leia mais]]> VIII Marcha pela Vida das Mulheres e pela AgroecologiaEm 2017, neste dia oito de março, a oitava Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, organizada pelo Polo da Borborema, uma articulação de 14 sindicatos de trabalhadores rurais da região da Borborema na Paraíba em parceria com a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, levou às ruas do município de Alagoa Nova, no Brejo Paraibano, um grito pela liberdade das mulheres e contra a chamada ‘cultura do estupro’, que é quando em uma sociedade, a violência sexual é naturalizada por meio da culpabilização das vítimas.

Outra grande pauta trazida pela Marcha em 2017, foi o repúdio à reforma da Previdência Social proposta pelo governo de Michel Temer (PMDB), por meio da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, que atualmente está em discussão no Congresso Nacional. Para as mulheres, a proposta significa um forte retrocesso no que diz respeito a direitos já conquistados, como a diferença de idade mínima para aposentadoria entre homens e mulheres de cinco anos a menos para as mulheres, a acumulação dos benefícios de pensão por morte e a aposentadoria e até a própria condição de segurado especial para trabalhadores e trabalhadoras rurais.

VIII Marcha pela Vida das Mulheres e pela AgroecologiaA programação teve início com a concentração, a partir das 8h, na Lagoa do Parque Manoel Pereira, no bairro Mário Lima, onde foi feita a animação e acolhida às centenas de caravanas que traziam mulheres dos municípios do Polo, de outras regiões da Paraíba e de estados vizinhos. Daniele Duarte, da direção do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de Alagoa Nova, fez a abertura oficial da VIII Marcha: “Nós não viemos aqui para nos amostrar, cada mulher que está aqui sabe muito bem o que viemos fazer. E nós estamos radiantes de felicidade por receber um evento tão grandioso como esse aqui no nosso município. Lutamos pela vida das mulheres e pela agroecologia”, disse.

Alessandra Luna, secretária de mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e da coordenação da Marcha das Margaridas, fez uma fala sobre o significado do 8 de março em uma conjuntura política de avanço do conservadorismo e retrocesso com a retirada de direitos, a partir da proposta de reforma da Previdência: “O 8 de março de 2017 é mais que nunca, um dia de luta contra os retrocessos como essa reforma da Previdência. Sabemos que esse é só mais um passo na consolidação do golpe que foi dado, mas não podemos aceitar que se iguale, por exemplo, a idade entre homens e mulheres para aposentadoria. Como ter direitos iguais se nós não conquistamos ainda condições iguais? Quem é mulher sabe que as condições não são iguais, sente o peso da sua jornada de trabalho. Então fazer esse corte raso, só pela idade, é acabar com uma das poucas políticas que temos de reparação. Dizer para as populações mais pobres que você só vai se aposentar aos 65 anos, é o mesmo que dizer que você vai morrer sem o direito de se aposentar. Quem está propondo isso não sabe o que é viver com um salário mínimo. Você não poder acumular a pensão por morte e a aposentadoria também, quando a gente sabe que é um direito adquirido pela pessoa que morreu”, afirmou a liderança.

VIII Marcha pela Vida das Mulheres e pela AgroecologiaApós as falas, houve a apresentação da peça “Zefinha não tem culpa!” encenada pelo Grupo de Teatro Amador do Polo da Borborema. Esse ano, a peça trouxe a história de uma jovem agricultora que é abusada e estuprada por um conhecido de sua família. Mesmo vítima, Zefinha é acusada de ter ‘provocado o estuprador’ ao usar uma roupa curta e andar sozinha, sofrendo dessa forma uma dupla violência. No entanto, através de uma rede de apoio e acolhimento à jovem, sua família consegue perceber que em casos de violência sexual contra as mulheres só existe um culpado: o homem que estupra. Ao final, o estuprador é punido. Após a peça, as mulheres da coordenação do Polo perguntam à plateia: “O que aconteceu com Zefinha poderia acontecer com uma de nossas filhas? Com nossa vizinha? Vocês acham que ela tem culpa? Então de quem é a culpa?”.

Após a peça as mulheres saíram em caminhada pelas ruas da cidade. Foi feita uma parada no meio do percurso, onde aconteceu um ato público em memória de Margarida Maria Alves, sindicalista assassinada a tiros a mando de latifundiários da região, em 1983. Margarida dedicou sua vida à luta pelos direitos dos trabalhadores rurais e, em especial, às mulheres. Presidente do sindicato rural do município vizinho, Alagoa Grande, a memória da liderança inspira até hoje a luta camponesa por mais direitos.

VIII Marcha pela Vida das Mulheres e pela AgroecologiaSegurando flores em apologia ao seu nome, um grupo de mulheres cantou a letra “Canção pra Margarida” do cantor e compositor de Zé Vicente. A agricultora Maria de Lourdes de Sousa, ou dona ‘Quinca’ como é conhecida, de 66 anos, liderança do sindicato dos trabalhadores rurais de Alagoa Nova, que lutou ao lado de Margarida, fez uma fala resgatando a trajetória da companheira sindicalista e reafirmando o compromisso de seguir lutando para manter as conquistas de Margarida. Quase 40 anos depois de sua morte, as mulheres se encontram novamente no Brejo Paraibano para voltar a lutar, agora pela manutenção dos direitos já conquistados. Surgiram mulheres segurando enxadas com lenços lilás que gritaram palavras de ordem e de rechaço à reforma da Previdência. Foram lembrados os nomes dos 11 deputados federais paraibanos que ainda não se posicionaram contra a proposta na Câmara dos Deputados, exigindo o voto contrário.

A caminhada seguiu até a Praça João Pessoa, no Centro de Alagoa Nova, onde em um segundo palco montado no local houve o show de Lia de Itamaracá, acompanhada pelas também cirandeiras conhecidas como “As filhas de Baracho”, considerado o rei da ciranda. Com muita animação, as participantes da marcha dançaram ao ritmo da ciranda e do coco de roda. Visitaram ainda a feira de “sabores e saberes” com venda e exposição de produtos e experiências de mulheres trabalhadoras dos municípios do Polo da Borborema.

_MG_3809A mística de encerramento mostrou um grupo de mulheres que tem uma caminhada histórica de luta e resistência pela agricultura familiar na região. Empunhando suas enxadas, elas gritaram “Margarida virou 100, Margarida virou mil, Margarida virou milhão!”. Em um gesto simbólico, as mulheres de idade entregaram suas enxadas para um grupo do mesmo tamanho de mulheres jovens, para dizer que a luta de Margarida que elas ajudaram a seguir, precisa continuar, e pelas mãos da juventude. “A gente quer sair daqui levando a mensagem de que a enxada não é um símbolo de sofrimento. Mas o nosso instrumento de trabalho, na nossa missão de produzir o alimento. Pra nós, ela é sagrada e símbolo de luta, de vida e de esperança”, afirmou Roselita Vitor, da coordenação do Polo.

Para Adriana Galvão Freire, assessora técnica da AS-PTA e da coordenação da Marcha, um dos grandes legados das oito edições da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia é a consolidação do protagonismo das mulheres na luta política assumida pelo Polo da Borborema, a partir de sua atuação no movimento sindical: “Hoje em dia, as mulheres estão cada vez mais presentes nos espaços de poder, na presidência e nas direções dos sindicatos VIII Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologiae das associações, como gestoras de fundos rotativos solidários e de feiras agroecológicas Hoje os sindicatos do território não tem mulheres em seus espaços por uma questão de cota, mas sim porque entendem a importância e o papel das mulheres na construção do seu projeto político”, frisou.

 

Panfleto VIII Marcha_frente

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Panfleto VIII Marcha_verso

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Jovens camponeses se reúnem em preparação a VIII Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia http://aspta.org.br/2017/03/04/jovens-camponeses-se-reunem-em-preparacao-a-viii-marcha-pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia/ http://aspta.org.br/2017/03/04/jovens-camponeses-se-reunem-em-preparacao-a-viii-marcha-pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia/#comments Sat, 04 Mar 2017 14:08:04 +0000 http://aspta.org.br/?p=14610 Leia mais]]> Jovens Polo da BorboremaNo dia 02 de março, cerca de 60 jovens camponeses do Polo da Borborema se encontraram no Convento Ipuarana, em Lagoa Seca, em preparação à oitava edição da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, que esse ano, será realizada no dia 08 de março, em Alagoa Nova. Esse é o terceiro ano consecutivo que jovens lideranças se reúnem para debater as raízes das desigualdades entre homens e mulheres a fim de organizar a juventude para participar do ato. Na edição anterior, em Areial, participaram cerca de 500 jovens.

Após a abertura realizada por Márcia Araújo, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Seca e da Coordenação da Comissão Territorial de Juventude, os participantes foram divididos em três grupos: Música, Propaganda e Poesia. Para cada grupo foram selecionadas 3 peças para que os jovens pudessem analisar de forma crítica como as mulheres são retratadas, como homens e mulheres se relacionam, quais as mensagens que cada peça passa, assim por diante. Ao pararem para analisar de forma mais atenta, passaram a perceber como que por trás da melodia contagiante, das belas imagens ou mesmo nas entrelinhas das palavras rimadas escondiam-se mensagens que desqualificam as mulheres e que vai construindo e legitimando uma sociedade machista. Ao dissecarem as músicas, propagandas e poesias puderam reconhecer a objetificação da mulher, e sua transformação em um bem de consumo. Reconheceram cenas e situações em que por meio da arte ou da imagem sugeriam o estupro, naturalizando as violências contra a mulher.

Jovens Polo da BorboremaO fim da cultura de estupro é uma das bandeiras de luta que a Marcha carregará esse ano. De agosto a outubro de 2016, o movimento de mulheres do Polo da Borborema contabilizou 44 casos de estupros em 8 municípios que fazem o Polo. Meninas e mulheres agricultoras foram vítimas na zona rural dos pequenos municípios da Borborema.

Após a devolução dos trabalhos, os jovens assistiram um curta-metragem chamado O Silêncio de Lara. No curta, Lara é uma adolescente que sofria abusos de seu avô, e depois de anos de sofrimento, sente-se encorajada a denunciá-lo. Ao viverem a dor de Lara, muitas meninas reconheceram situações onde também foram violentadas, e partilharam com os presentes a dor desses momentos. Trataram sobre a violência que viveram nas ruas, nas instituições e até mesmo, dentro de casa. Os jovens debateram sobre culpa, acolhimento, e sobre a importância da denúncia dos culpados.

Jovens Polo da BorboremaNo segundo momento, Roselita Vitor e Léia Soares, duas lideranças sindicais do Polo da Borborema e da Coordenação da Marcha, trataram com os jovens sobre a reforma da previdência social e o significado das mudanças propostas para a sociedade, para os trabalhadores rurais, e sobretudo, o impacto para a vida das mulheres agricultoras. Ao iniciar sua fala, Léia lembrou aos jovens que nenhum direito ligado à previdência dos trabalhadores rurais foi dado, foram todos conquistados por meio de muita luta. E estava ali para chamar essa geração para somar aos gritos das muitas margaridas que voltam a se encontrar no brejo paraibano. Ao final do evento, por meio da poesia e de gritos de ordem, os jovens pactuaram estarem presentes na Marcha, juntando-se a luta das mulheres e da agricultura familiar.

 

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“É melhor morrer na luta do que morrer de fome”: Agricultoras do Polo da Borborema realizam VIII Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia no Brejo Paraibano http://aspta.org.br/2017/03/03/e-melhor-morrer-na-luta-do-que-morrer-de-fome-agricultoras-do-polo-da-borborema-realizam-viii-marcha-pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia-no-brejo-paraibano/ http://aspta.org.br/2017/03/03/e-melhor-morrer-na-luta-do-que-morrer-de-fome-agricultoras-do-polo-da-borborema-realizam-viii-marcha-pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia-no-brejo-paraibano/#respond Fri, 03 Mar 2017 11:34:21 +0000 http://aspta.org.br/?p=14604 Leia mais]]> Marcha pela vida das mulheres e pela agroecologiaA oitava edição da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, realizada pelo Polo da Borborema e pela AS-PTA, chega esse ano ao brejo Paraibano. “É melhor morrer na luta do que morrer de fome” – há mais de 30 anos, a sindicalista Margarida Maria Alves pronunciava a célebre frase durante a comemoração do 1º de maio, meses antes de ser brutalmente assassinada em Alagoa Grande-PB, a mando das oligarquias locais. Naquela época, a paraibana Margarida liderava na região a luta por direitos trabalhistas dos assalariados da cana. Em 2017, mais de 5 mil camponesas se reunirão, no dia 08 de março, quarta-feira, dessa vez em Alagoa Nova, município vizinho à terra de Margarida e palco, na época, das muitas lutas encampadas por ela e pelo movimento sindical, para reerguerem seu grito por justiça e para lutarem por nenhum direito a menos.

Nessa edição, as mulheres agricultoras se unem em torno de duas pautas: juntam-se aos movimentos nacionais contra a reforma da previdência proposta pelo atual governo e que significa o retrocesso das históricas conquistas do movimento de mulheres. A PEC 287/2016, que propõe igualar a idade mínima de aposentadoria entre homens e mulher, penaliza toda classe trabalhadora e, de forma mais violenta, as mulheres rurais, ao desconsiderar o volume, as condições de trabalho diário e a idade em que as camponesas começam a contribuir na produção familiar.

Marcharão também pelo fim da “cultura do estupro”, termo usado para apontar comportamentos que silenciam ou relativizam a violência sexual contra a mulher, atribuindo à vítima a culpa pelos crimes. Desde o ano passado, a região da Borborema vem enfrentando uma onda de estupros, que vitimaram 44 mulheres só entre os meses de agosto e outubro, em oito municípios. Graças à mobilização do movimento de mulheres da região, conseguiu-se prender, em novembro passado, o estuprador de 35 destes casos. Segundo às organizadoras, a Marcha de 2017 pretende ser um espaço tanto de denúncia da situação de insegurança enfrentada pelas mulheres, como de acolhimento das vítimas, para que retomem suas vidas após a violência sofrida.

Também será espaço para afirmação do papel histórico e das conquistas das mulheres agricultoras em seu trabalho para a produção de alimentos saudáveis em bases agroecológicas, contribuindo para a segurança e soberania alimentar e na geração de riquezas.

Programação

A concentração da Marcha acontecerá a partir das 8h no Parque Manoel Pereira, no Bairro Mário Lima. No palco montado no local, haverá animação e acolhida às caravanas, além da apresentação de uma peça, encenada pelo Grupo de Teatro Amador do Polo da Borborema. Este ano, o espetáculo tratará sobre o estupro, com a peça “Zefinha não tem culpa!”.

Por volta das 10h, a marcha deve ganhar as ruas da cidade seguindo pela Rua João Pessoa, com destino à Praça João Pessoa, próximo à Igreja Matriz de Santa Ana, no Centro. Assim como em 2016, a atividade contará com a participação da cirandeira pernambucana Lia de Itamaracá, que fará o show de encerramento do evento e a animação antes da caminhada.

Ato Público

Está prevista uma parada durante o percurso da marcha, onde será realizado um ato que trará o repúdio à proposta de reforma da Previdência do Governo Temer, que gera consequências dramáticas para a vida das trabalhadoras rurais, em um contexto político de perda de várias conquistas sociais.

Na Praça João Pessoa, haverá a tradicional feira com a exposição e comercialização de produtos e experiências de mulheres agricultoras, com espaço para hortaliças, frutas, sementes, mel, artesanato e uma variedade de produtos da agricultura familiar. Após o show de encerramento e a leitura da pauta política, as mulheres da Borborema farão o encerramento da Marcha.

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Mulheres e agroecologia, a luta é todo dia http://aspta.org.br/2017/03/01/mulheres-e-agroecologia-a-luta-e-todo-dia/ http://aspta.org.br/2017/03/01/mulheres-e-agroecologia-a-luta-e-todo-dia/#respond Wed, 01 Mar 2017 00:25:03 +0000 http://aspta.org.br/?p=14596 Leia mais]]> _MG_1560Ligória Felipe dos Santos é agricultora no semiárido brasileiro. Nasceu e se fez mulher numa comunidade rural, no município de Esperança, na Paraíba. Nasceu numa família de 7 irmãos e desde muito cedo conheceu o peso da divisão sexual do trabalho, tornando-se responsável por todos os cuidados da casa e dos irmãos; muito nova aprendeu sobre a injustiça do latifúndio quando sua família foi expulsa das terras onde morava e trabalhava para tentar a vida na cidade. Para se livrar do sofrimento, casou-se cedo, aos 19 anos. Muito nova, também aprendeu sobre violência doméstica. Separou-se e casou-se novamente, mas ainda não foi dessa fez que conheceu a felicidade. Seu segundo marido é alcoólatra e igualmente violento. E é por meio de seu trabalho na agricultura, que vem criando seus dois filhos e sua neta.

Foi justamente movida pelo amor aos filhos, que Ligória nunca desistiu frente às dificuldades que a vida impôs. Se ficava difícil, se erguia, mesmo que calada, e retomava o ritmo predestinado do árduo caminho que a vida lhe conduzia. As crianças já estavam crescidas quando conheceu o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de seu município, e com ele o Polo da Borborema, uma articulação de sindicatos e organizações da agricultura familiar de 14 municípios da Borborema, no estado da Paraíba. O contato com a dinâmica social promovida pelo Sindicato e pelo Polo, permitiu a Ligória conhecer e trocar experiências. Começou a participar de visitas de intercâmbios, e a quebra de seu isolamento, possibilitou com que ela se encontrasse e se reconhecesse na experiência de outras mulheres agricultoras, viabilizando uma paulatina ruptura das barreiras culturais que a prendia na cozinha de casa.

A partir dos intercâmbios, Ligória passou a olhar diferente para seu quintal. O que antes era invisível, insignificante e sem valor, para ela e para toda sua família, passou a ser reordenado, experimentado, e conseguiu adquirir novos bens – como cisternas de placas para armazenamento de água da chuva para beber, telas de arame ou animais – via políticas públicas ou, principalmente, pela capacidade adquirida pelas mulheres do território de se auto-organizar por meio de Fundos Rotativos Solidários – um sistema econômico comunitário e solidário.

O quintal de Ligória foi se tornando um subsistema importante para dentro do estabelecimento familiar por sua capacidade de gerar riquezas, segurança e soberania alimentar e bem-estar para a família. Ligória passou a participar da feira agroecológica. Na medida que reassumiu o domínio do quintal, foi conseguindo tomar iniciativas na produção de alimentos e na economia com êxito, foi conquistando mais poder nas esferas pública e privada.

Se por um lado, a participação dos intercâmbios e a agroecologia foram fortalecendo sua capacidade produtiva, por outro, sua participação na Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia a fez se fortalecer como mulher. Há 8 anos, o Polo da Borborema, assessorado pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, vem realizando uma Marcha de mulheres camponesas para denunciar e romper com o patriarcalismo e o machismo. As Marchas são momentos de denúncia e de grande visibilidade pública das diversas formas de violência sofridas pelas mulheres e das desigualdades de gênero.

A primeira edição da Marcha aconteceu no ano de 2010, no município de Remígio (PB), com a participação de 700 mulheres. Nos anos seguintes, o que se observou foi a adesão de um crescente número de mulheres. Em 2016, a sétima edição levou às ruas de Areial (PB) mais de 5 mil mulheres camponesas, mostrando ser um movimento positivo de retroalimentação entre os processos de experimentação e politização do trabalho.

Cada edição da Marcha é precedida por um intenso processo de sensibilização e formação das mulheres, mas também dos homens do movimento. São realizados encontros de mulheres nos 14 municípios que fazem parte do Polo da Borborema e, a cada ano, é trabalhada uma metodologia voltada a desnaturalizar as amarras culturais que determinam as diferenças sociais entre os sexos. Há ainda o estímulo para que novos encontros e conversas aconteçam em seus grupos de fundos rotativos, de beneficiamento, na associação comunitária ou mesmo entre vizinhas.

Com certeza, a trajetória de superação de Ligória não é única no território da Borborema. Ela se repete em milhares de famílias. Mas, como sabiamente costumam analisar as lideranças do Polo, não há tempo para se baixar as bandeiras, a luta é todo dia. O ambiente de diálogo criado no território permitiu que os tensionamentos – no interior das famílias, mas também nos espaços públicos – sejam constantemente enfrentados. Nessa lógica de superação de conflitos, as relações e a cultura vão pouco a pouco assumindo contornos mais justos e solidários. Ainda longe de ser o ideal, Ligória bem sabe disso. Mas o mais importante é que ela e o movimento dessas agricultoras estão conseguindo marcar um lugar na luta pela vida das mulheres e pela Agroecologia.

Adriana Galvão Freire
Assessora Técnica da AS-PTA

Conheça aqui a Ligória e a VII Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia:

 

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