IV ENA será em Belo Horizonte, em 2018

Encontro acontecerá no ano em que a Constituição Federal completa 30 anos

Participantes da Plenária da ANA. Foto: Renata Campos Motta

Participantes da Plenária da ANA. Foto: Renata Campos Motta

O IV Encontro Nacional de Agroecologia (ENA) acontecerá em Belo Horizonte/MG, em 2018. A expectativa é que o encontro seja realizado no primeiro semestre do ano. A decisão foi tomada na última Plenária da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), realizada entre 4 a 6 de abril, na capital mineira. Participaram da Plenária 70 representantes de diversos movimentos sociais do campo e da floresta, redes estaduais de agroecologia, redes regionais do campo e da cidade com atuação nas cinco regiões brasileiras.

“O IV ENA já começou e a Plenária foi um marco nesta construção”, explica Denis Monteiro, secretário executivo da ANA. Ele ressalta a importância do processo de mobilização para o Encontro, que terá várias atividades previstas para acontecer nos territórios, valorizando as dinâmicas e experiências locais em agroecologia. Durante o processo preparatório, será feito um resgate da história, da construção da agroecologia nos territórios, desde os anos 1980 até hoje.

Nessa caminhada, Monteiro comemora os resultados alcançados com as práticas agroecológicas. “Há muitas experiências bonitas para mostrar para a sociedade, muita comida de verdade, saudável, produzida pelas comunidades com base nos princípios da agroecologia. Muitas fontes de água foram recuperadas, muitas áreas que estavam degradadas hoje são agroflorestas. A sociedade precisa conhecer e valorizar esses trabalhos que as comunidades fazem”.

Trabalho coletivo durante a Plenária da ANA. Foto: Laudenice Oliveira/Centro Sabiá

Trabalho coletivo durante a Plenária da ANA. Foto: Laudenice Oliveira/Centro Sabiá

Campo e cidade – Essa aproximação entre o rural e o urbano busca também uma mudança de perspectiva, valorizando a produção de alimentos nas cidades que também se orientam pelos princípios da agroecologia. O IV ENA será, portanto, um momento de aproximar os povos do campo, das florestas e das águas de quem vive nas cidades, rompendo os muros.

Espera-se com as atividades mobilizadoras para o IV ENA, que devem acontecer ao longo deste ano até 2018 em diversos territórios brasileiro, valorizar as múltiplas experiências dos mercados que oferecem alimentos agroecológicos nas cidades e as iniciativas de promoção da alimentação saudável que estão crescendo muito no País. “Vamos ocupar as cidades com agroecologia. Será um momento também para dar visibilidade ao trabalho das mulheres e dos jovens, e para discutir as desigualdades que ainda persistem e como superá-las. E, claro, para valorizar as culturas populares de todo o País, que o modelo hegemônico desvaloriza e tenta destruir. O IV ENA, sem dúvida, será uma bela página na história das lutas e mobilizações do povo brasileiro”, acredita Denis Monteiro.

Constituição Federal – Para a equipe de organização do Encontro, será simbólico que o IV ENA aconteça no ano em que a Constituição Federal completa 30 anos. “Com o golpe em curso, as elites endinheiradas estão querendo destruir os direitos conquistados pelas parcelas da população que foram historicamente marginalizadas e discriminadas. O IV ENA será um marco na luta pela democracia e por nenhum direito a menos. Lutaremos para garantir a continuidade das políticas públicas para a agricultura familiar, para os povos indígenas e para os povos e comunidades tradicionais, que foram conquistadas com muita luta no processo de redemocratização e que tiveram um grande salto a partir de 2003, quando os governos Lula e Dilma passaram a incluir o povo no orçamento público”, concluí Monteiro.

Para Flávia Londres, técnica da Secretaria Executiva da ANA, “o momento político exige mobilização e o ENA é uma oportunidade importante para reflexão, construção de estratégias e fortalecimento das organizações na luta em defesa da democracia e por uma sociedade mais justa. Estamos deslanchando o processo preparatório ao IV ENA com o engajamento de organizações de todo o País. Será um desafio organizar um grande encontro em contexto adverso como o que vivemos agora, mas estamos assumindo a empreitada com coragem e temos certeza de que nos fortaleceremos nesse processo.”

Leninha Souza, integrante da Articulação Mineira de Agroecologia (AMA). Foto: Laudenice Oliveira/Centro Sabiá

Leninha Souza, integrante da Articulação Mineira de Agroecologia (AMA). Foto: Laudenice Oliveira/Centro Sabiá

Minas acolhe o IV ENA – A limitação financeira não será impedimento para a realização do IV ENA, que terá tamanho e formato adaptados aos recursos que venham a ser captados com diferentes fontes e parceiros e à capacidade inventiva das organizações da ANA, dispostas a inovar em formas alternativas de mobilização. “Temos uma tarefa grande de reunir recursos, mas independente disso, faremos o melhor para a realização de um bom ENA. Que esse encontro possa ser um sinal de esperança para o futuro, de prospectar possibilidades para a agricultura familiar e camponesa, para as mulheres, para os jovens”, acredita Leninha de Souza, do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA/NM) e da Articulação Mineira de Agroecologia (AMA).

Sobre a realização desta quarta edição do ENA em Minas Gerais, Leninha destaca a diversidade da região como uma de suas principais forças. “Minas Gerais tem de tudo quanto há, como diz Guimarães Rosa. Do Cerrado à Caatinga, à Mata Atlântica. Regiões áridas, regiões com fartura de água”, ressalta.

Além das condições naturais, a representante da AMA aponta outros fatores no estado que podem contribuir para fortalecer a agroecologia. “Minas Gerais reúne uma série de condições, não só de clima, mas também de povos e comunidades tradicionais. Indígenas, quilombolas, geraizeiros, que são povos que vêm demonstrando na prática a forma de conviver com o clima, com os biomas diversos que tem no estado. Minas tem também diversas experiências de cooperativismo, associativismo, empreendimentos liderados por mulheres, pela juventude. Então, queremos apoiar e organizar o evento e mostrar a diversidade de Minas Gerais e a convivência com os diferente biomas”, conclui.

Por Viviane Brochardt/ANA e Laudenice Oliveira/Centro Sabiá
www.agroecologia.org.br

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