Jovens fazem um chamado à luta por eleições gerais e diretas na 4ª Feira Agroecológica e Cultural da Juventude do Polo da Borborema

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 4ª edição da Feira Agroecológica e Cultural da Juventude Camponesa, realizada pela Comissão de Jovens do Polo da Borborema, atraiu centenas de pessoas até a Praça Getúlio Vargas, em frente à Igreja Matriz no centro da cidade de Esperança, no Agreste da Paraíba, nesta sexta-feira, 19 de maio.

A Feira, que desta vez, teve como tema “Nenhum Direito a Menos”, buscou denunciar o ataque aos direitos conquistados pela classe trabalhadora, que atualmente se encontram ameaçados por propostas de reformas retrógradas, que, se aprovadas significarão um enorme retrocesso para os mais pobres.

A programação teve início por volta das 8h, quando os jovens deram as boas-vindas e fizeram a abertura oficial do evento, convidando diversas atrações culturais a se apresentar, como os jovens de Massaranduba Luana Rêgo e Helder Soares, com voz e violão e Cícero Rocha, jovem de Solânea que cantou, fez versos do repente e declamou poemas. Se apresentaram ainda o trio de forró Mistura de Gerações, de Esperança, e o Grupo de aboio e ciranda Os Vicenzas, de Massaranduba.

A agricultora do município de Remígio e presidente da EcoBorborema, Anilda Batista, falou para os jovens sobre a importância das feiras: “Se a gente não incentivar os nossos jovens a produzir, a agricultura que a gente faz vai acabar. Eu enquanto feirante e mãe de jovens feirantes, me sinto muito orgulhosa em ver a juventude fazendo esse trabalho, só tenho o que parabenizar vocês todos por isso”, disse Anilda.

A Ecoborborema, associação que reúne os feirantes da rede de 12 Feiras Agroecológicas do território de atuação do Polo da Borborema (municípios de Queimadas, Alagoa Nova, Esperança, Areial, Arara, Casserengue, Solânea, Massaranduba, Remígio, Lagoa Seca e Campina Grande – este com duas feiras), é uma das parceiras da juventude na realização da Feira Agroecológica e Cultural.

SAMSUNG CAMERA PICTURESAna Paula Candido e Roselita Vitor, lideranças mulheres do Polo da Borborema, falaram sobre o momento atual de ameaças reais de perdas de direitos com as reformas trabalhista e previdenciária que estão sendo discutidas no Congresso Nacional, além do cenário de instabilidade política com as recentes denúncias que comprometem a permanência do Presidente da República. Sobre a Reforma da Previdência, que na prática significa o fim da aposentadoria para uma grande parcela da população, Roselita lembrou o papel da previdência enquanto motor da distribuição de renda: “É a Previdência que sustenta a economia dos pequenos municípios. Acho que chegou em um ponto que tem que parar tudo, mas caso essa reforma passe, o impacto será direto e um prejuízo grande será sentido nas pequenas cidades”, afirmou.

Jovens representantes de outros movimentos urbanos e rurais também estiveram presentes à feira, como o estudante secundarista Pedro Batista, integrante do Grêmio Estudantil Silvino Olavo, da Escola Estadual Monsenhor José da Silva Coutinho, de Esperança. “Eu vejo esse evento como uma oportunidade de estreitar os laços entre os jovens rurais e urbanos. Participo pela primeira vez desta feira e estou maravilhado. Nós nordestinos, somos um povo que sofre, mas que não se cansa de lutar pelos nossos direitos. A juventude tem mais é que assumir essa luta”, afirmou o estudante.

Ciro Caleb, integrante da Frente Camponesa do Levante Popular da Juventude, também falou sobre os desafios dos dias atuais e do papel dos movimentos de juventude: “Temos um governo que já agoniza, e se ele não tem coragem de renunciar, somos nós que vamos ter que tirá-lo do poder. A juventude não quer só trabalhar, trabalhar até morrer, juventude quer cultura, lazer, renda. O Levante Popular da Juventude assume um compromisso com a juventude do campo na luta para devolver a democracia ao povo, até porque nós sabemos que a revolução começa a partir do campo”, disse.

O jovem feirante Oclécio Virgínio Maciel, de 28 anos, mora no Sítio Almeida, em Lagoa Seca-PB. Ele participou de todas as edições das feiras da juventude e sempre vende bem seus produtos, uma variedade de hortaliças, fruto do trabalho junto com o irmão de 22 anos. Oclécio é mais um exemplo de jovem que estudou sem precisar abandonar a agricultura. Ele concluiu o curso superior em Agroecologia e o Técnico em Agropecuária na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e segue trabalhando no campo: “Era uma troca, eu levava meus conhecimentos para a academia e trazia novas experiências e técnicas para melhorar a minha produção”, explica o jovem.

A Feira atraiu visitantes de Esperança e de outras regiões. Luana Patrícia Costa da Silva, é do município de Solânea, mas atualmente mora em João Pessoa, onde faz doutorado na área de educação. Ela ficou sabendo da feira e fez questão de vir comprar os seus produtos. “Eu acho que a feira tem esse lado da valorização da agricultura, são alimentos de melhor qualidade e a lógica não é a do capital, existe uma preocupação com o meio ambiente, é uma atividade solidária. Esse trabalho com os jovens é muito importante porque a juventude já é meio marginalizada dentro do própria família, então dar essa visibilidade e a possibilidade deles mesmo venderem a sua produção, traz autonomia para a o jovem”, avaliou.

Os visitantes puderam conhecer ainda a exposição de fotografias denominada “Olhares Cruzados” com trabalhos de jovens que participaram de duas oficinas de fotografias e puderam expor o seu olhar acerca dos locais onde vivem na forma de imagens que ajudam a contar uma história de suas comunidades. A programação foi encerrada ao meio dia com uma mística que trouxe um chamado para a luta por nenhum direito a menos e por eleições gerais e diretas no país.

As Feiras Agroecológicas e Culturais da Juventude Camponesa tiveram início no ano de 2016 e já aconteceram nos municípios de Massaranduba, Remígio e Areial, sempre com o objetivo de dar visibilidade ao trabalho e às experiências de jovens agricultores e agricultoras, valorizando o seu papel na agricultura e incentivando a sua permanência no campo. Além disso, as feitas ainda visam ampliar o diálogo com a população.

O Polo da Borborema é uma articulação de 14 sindicatos rurais da região da Borborema na Paraíba, que há mais de 20 anos atua na região com a assessoria da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia. A Comissão de Jovens do Polo vem realizando um trabalho de valorização e visibilidade do papel da juventude na construção da agroecologia no território, organizando os jovens na luta por mais oportunidades e por políticas públicas que apoiem os jovens que decidem ficar e viver na agricultura.

O trabalho com a juventude do Polo da Borborema é assessorado pelo Núcleo de Infância e Juventude da AS-PTA. Este trabalho, conta com o apoio das entidades da cooperação internacional Comitê Católico Contra a Fome e Pelo Desenvolvimento (CCFD), ActionAid e Terre des Hommes Schweiz.

 

 

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