Guardiões de Sementes e Feirantes da Borborema participam de Oficina sobre Boas Práticas de Produção de Fubá de Milho Não-Transgênico

Uma “Oficina sobre Boas Práticas de Produção do Fubá de Milho da Paixão”, realizada neste dia 16 de abril, no Banco Mãe de Sementes do Polo da Borborema, em Lagoa Seca-PB, reuniu um grupo de cerca de 40 pessoas, entre agricultoras e agricultores guardiões de Sementes da Paixão, feirantes da EcoBorborema, consumidores, assessores técnicos dos Núcleos de Sementes e de Mercado da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e estudantes da temática.

O objetivo da formação é desenvolver uma formulação padrão e qualificar a produção do fubá de milho, que dará origem a outros produtos como o cuscuz, o mungunzá, o angu e a farinha de milho que, por sua vez, será a base para bolos, bolachas, broas, canjicas e uma variedade de receitas a serem comercializadas na rede de 12 feiras agroecológicas do Polo da Borborema. A ideia é que a produção chegue em breve a este e outros mercados, o que exige uma série de cuidados com programas de treinamento e procedimentos operacionais. Para isso, a sede do Banco Mãe está sofrendo uma série de adaptações para abrigar uma unidade regional de beneficiamento do fubá da paixão.

Joaquim Santana do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Montadas e da Rede de Sementes do Polo e Anilda Batista, do município de Remígio e da coordenação da Ecoborborema, deram as boas-vindas aos participantes e falaram sobre a pertinência do evento: “Nós temos uma importante produção de milho e muitas vezes vendemos barato para um atravessador e ficamos comendo esse cuscuz aí da vida, cheio de veneno e transgênicos”, disse seu Joaquim. “O fubá da paixão vem para abrilhantar ainda mais as nossas feiras agroecológicas, pois já existe uma procura muito grande por ele nas feiras”, completou Anilda.

A atividade teve início com uma contextualização da iniciativa de produção do fubá no território, feita por Emanoel Dias, assessor técnico do Núcleo de Sementes da AS-PTA fez um resgate do processo e falou sobre este importante passo na comercialização: “Hoje vivemos um dia histórico, pois vimos em uma trajetória de buscar um alimento saudável para se livrar cada vez mais desse modelo que mercantiliza a vida, as sementes e o conhecimento. O fubá da paixão será mais um produto para complementar a renda e a melhoria da segurança alimentar das famílias agricultoras. Atualmente o Polo da Borborema possui uma rede de 62 bancos de sementes comunitários, animados por mais de duas mil famílias”.

Emanoel falou ainda sobre como a estratégia de armazenamento das sementes em bancos comunitários tem sido satisfatória para conter o risco de contaminação, principalmente no caso do milho, que tem uma polinização aberta e os cruzamentos podem acontecer com ajuda do vento ou dos insetos. De acordo com ele, das sementes de milho testadas no território, 79%  das sementes livres de transgênicos vem dos BSC e está sendo aprofundada a Campanha Não Planto Transgênicos para Não Apagar Minha História para construção de um território livre de transgênicos..

A professora convidada Márcia Targino de Oliveira do Campus Areia da Universidade Federal da Paraíba – UFPB, falou sobre o tema agroindústria e segurança – as boas práticas na agroindústria alimentícia. A formação teve como foco a agroindústria familiar caseira, cuja gestão é familiar e a matéria-prima é preferencialmente produzida pelas famílias agricultoras. Por meio de um projeto de extensão com um grupo de quatro alunas, a professora vem desenvolvendo no Laboratório de Tecnologia de Produtos Agropecuários, testes de formulações com o fubá de milho produzido no Polo da Borborema para chegar no ponto ideal para um melhor produto, com maior durabilidade e segurança ao consumidor, com uma produção de excelência.

Márcia Targino falou sobre a importância do milho na alimentação humana, as suas partes constituintes, suas qualidades nutricionais e o risco de doenças trazido pelos alimentos que engloba perigos de contaminação física, biológica e química. Ela tratou ainda sobre a portaria 326 do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – MAPA, que dispõe sobre os requisitos da localização, vias de acesso, edifício, instalações, verificação e manutenção de máquinas, requisitos de higiene, limpeza e desinfecção de agroindústrias, entre outros aspectos, além da portaria 275 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, sobre os procedimentos que proporcionam a melhoria das condições de higiene e limpeza. Foram analisados os pontos críticos de controle, a exemplo do controle da umidade dos grãos, no caso do banco mãe.

Roana Borges Barbosa e Maria do Socorro Borges Barbosa são mãe e filha e vieram da cidade de João Pessoa para participar da oficina, pois Roana está se preparando para abrir um restaurante na capital, onde pretende oferecer somente o cuscuz não-transgênico. Preocupada com a saúde, Maria do Socorro conta que há dois anos deixou de comer o cuscuz transgênico, por se sentir mal todas as vezes que o ingeria.

A oficina foi encerrada com um momento de prática, onde os participantes se dividiram em grupos para preparar um cuscuz e sem seguida houve a degustação e avaliação de acordo com cada modo de preparo e seus resultados. No mês maio será realizada um novo momento de formação, objetivando a produção produtos tendo como base o fubá da paixão, exemplo: broa, bolos, orelha de pau, pão, entre outros.

O Polo da Borborema é uma rede de sindicatos de trabalhadores rurais de 14 municípios da região da Borborema na Paraíba, que atuam há mais de 20 anos pelo fortalecimento da agricultura familiar e agroecologia com a assessoria da AS-PTA. A Ecoborborema, por sua vez, é uma associação que reúne feirantes dos 14 municípios, responsável pela rede de 12 feiras agroecológicas ligadas ao Polo.

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