maio 2018 – AS-PTA http://aspta.org.br Fri, 05 Feb 2021 13:07:05 +0000 pt-BR hourly 1 Feira Agroecológica ‘Por um São João livre de transgênicos e agrotóxicos’ celebrará Semana dos Orgânicos em Campina Grande http://aspta.org.br/2018/05/22/feira-agroecologica-por-um-sao-joao-livre-de-transgenicos-e-agrotoxicos-celebrara-semana-dos-organicos-em-campina-grande/ http://aspta.org.br/2018/05/22/feira-agroecologica-por-um-sao-joao-livre-de-transgenicos-e-agrotoxicos-celebrara-semana-dos-organicos-em-campina-grande/#respond Tue, 22 May 2018 17:01:26 +0000 http://aspta.org.br/?p=15881 Leia mais]]> No próximo dia 06 de junho, das 7h às 12h, acontecerá na Praça da Bandeira, no Centro de Campina Grande-PB, uma Feira Regional de Produtos Agroecológicos, que em uma estrutura de cerca de 20 barracas, oferecerá aos consumidores uma diversidade de hortaliças, frutas, ovos, leite e derivados, grãos e produtos beneficiados como doces, bolos, polpas de frutas, beijus, tapiocas e artesanato. A feira terá como tema ‘Por um São João livre de transgênicos e agrotóxicos’ e acontece em comemoração à Semana dos Orgânicos, que é celebrada nacionalmente de 27 de maio até o dia 5 de junho, quando se comemora o dia Mundial do Meio Ambiente.

A iniciativa é da Comissão Estadual de Produção Orgânica (CPOrg), que é formada por representantes de segmentos da rede de produção orgânica da Paraíba e entidades governamentais e não governamentais. Promovem ainda a feira o Núcleo de Extensão Rural em Agroecologia da Universidade Estadual da Paraíba (NERA-UEPB), o Centro Vocacional Tecnológico de Agroecologia e Produção Orgânica: Agrobiodiversidade do Semiárido (CVT) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Articulação Paraibana de Agroecologia.

Na Praça da Bandeira estarão comercializando seus produtos representantes da Rede de 12 Feiras Agroecológicas da EcoBorborema; da Tenda Agroecológica do Cariri Oriental; da Bodega Agroecológica do Cariri, Seridó e Curimataú e das Feiras Agroecológicas de Picuí, Cuité, Aroeiras, Ingá, Monteiro, Sumé, entre outros municípios.

Além da comercialização dos produtos, a Feira Regional na Praça da Bandeira terá ainda uma programação cultural com apresentações de teatro, poesia e trio de forró. Durante toda a manhã, feirantes, estudantes, professores e pesquisadores estarão no local distribuindo materiais e dialogando com a população que passa pelas imediações sobre alimentação saudável e as diferenças entre os produtos agroecológicos e orgânicos, os riscos dos transgênicos e agrotóxicos, entre outros assuntos. Haverá ainda a venda do fubá agroecológico, com a produção e degustação do cuscuz não transgênico no local, com distribuição de material explicativo sobre o assunto.

Todos os anos, as CPOrg’s estaduais promovem a Campanha “Produto Orgânico melhor para a vida” que tem como objetivo o esclarecimento dos consumidores sobre o que são os produtos orgânicos, fazendo uma abordagem sobre os benefícios ambientais, sociais e nutricionais desses produtos, estimulando o seu consumo.

Em outras regiões da Paraíba, também haverá diversas ações, promovidas pelas entidades participantes da CPOrg-PB. A campanha foi criada pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – MAPA em 2005, para incentivar a produção orgânica no Brasil e tem como principal objetivo reforçar, para a população brasileira, principalmente a urbana, que os sistemas orgânicos/agroecológicos buscam viabilizar a produção de alimentos de forma mais harmônica com a natureza, contribuindo para a saúde de todos, com justiça social em suas redes de comercialização.

Programação:
06h – Chegada dos feirantes/participantes e montagem das barracas
08h – Abertura oficial com apresentação dos territórios e feiras
8h20 – Falas dos organizadores
09h – Intervenções sobre agroecologia na agricultura familiar
10h – Teatro – Campanha contra os Agrotóxicos
10h20 – Música poesia, animação.
12h – Encerramento

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Palmeira sedia a primeira etapa do curso de formação Consumidores e Agricultores em Rede http://aspta.org.br/2018/05/21/palmeira-sedia-a-primeira-etapa-do-curso-de-formacao-consumidores-e-agricultores-em-rede/ http://aspta.org.br/2018/05/21/palmeira-sedia-a-primeira-etapa-do-curso-de-formacao-consumidores-e-agricultores-em-rede/#respond Mon, 21 May 2018 20:22:52 +0000 http://aspta.org.br/?p=15874 Leia mais]]> Nos dias 19 e 20 de maio, foi realizada na sede da Associação Menonita do Brasil (AMB), na comunidade Witmarsum, em Palmeira-PR, a primeira etapa do Curso de Formação Consumo Consciente e Responsável e Agroecologia com a participação de cerca de 60 pessoas, entre jovens consumidores, agricultores e assessores técnicos.

No primeiro dia o evento, as primeiras atividades realizadas foram focadas no debate sobre a Agrobiodiversidade, em especial no uso e na conservação das sementes crioulas. Nesse momento, foram tratados temas como o resgate das sementes crioulas, avalição do uso em sistemas agroecológicos, multiplicação, armazenamento, importância feiras de sementes e o risco da contaminação por transgênicos, principalmente no caso do milho. Trabalho que a AS-PTA vem animando junto ao Grupo Coletivo e a Rede Sementes da Agroecologia na Região Centro Sul do Paraná e Planalto Norte Catarinense.

O debate foi bastante rico, com muitos depoimentos dos participantes sobre o tema, almoço e café agroecológicos e ainda a participação da Banda Mãe Terra de Mandirituba, que compõe músicas voltadas a agroecologia, contribuindo para o enriquecimento do encontro e animação dos participantes.

No segundo dia, o grupo pode vivenciar uma atividade prática na propriedade da família de Cleonice e Silvio Sluzars, na comunidade de Paiol do Fundo. A família Sluzars pratica agroecologia há mais de 20 anos, produzindo alimentos saudáveis, em especial as hortaliças. Em sua apresentação contaram sobre a trajetória de mudança no sistema produtivo, passando a produzir diversas espécies de hortaliças e a multiplicar próprias sementes. Mas o depoimento o principal foi a mudança de qualidade de vida que tiveram após deixarem de produzir no sistema convencional. Hoje a família vive a partir da comercialização direta de seus produtos a consumidores, principalmente da entrega de “sacolas agroecológicas”, das feiras agroecológicas e da entrega de alimentos em mercados locais e restaurantes. Para encerrar a visita os participantes puderam saborear o almoço agroecológico oferecido pela família com todos os alimentos produzidos na propriedade, mostrando que existem várias formas de produzir sem agredir a natureza, favorecer a saúde e consumir alimentos saudáveis agroecológicos.

Essa atividade é uma ação do Projeto Consumidores e Agricultores em Rede, numa parceria AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, Centro Vianei de Educação Popular de Lajes- SC, Centro de Tecnologias Alternativa Populares de Paso Fundo-RS (CETAP) e Centro de Estudo e Promoção de Agricultura de Grupo de Florianópolis-SC (CEPAGRO) e tem o apoio da Misereor. O Curso de Formação terá mais três etapas a serem realizadas até o final de 2019. Em outubro o Centro Vianei sediará a próxima etapa.

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Alimentos de verdade chegam às escolas da zona oeste do Rio de Janeiro http://aspta.org.br/2018/05/18/alimentos-de-verdade-chegam-as-escolas-da-zona-oeste-do-rio-de-janeiro/ http://aspta.org.br/2018/05/18/alimentos-de-verdade-chegam-as-escolas-da-zona-oeste-do-rio-de-janeiro/#respond Fri, 18 May 2018 16:31:37 +0000 http://aspta.org.br/?p=15867 Leia mais]]> Na cidade do Rio de Janeiro, as escolas da oitava Coordenadoria Regional de Educação (CRE), na zona oeste, estão promovendo uma ação inovadora ao fomentar a aquisição de alimentos da agricultura tradicional da cidade do Rio de Janeiro por meio do Programa Aquisição de Alimentos (PAA). As escolas de Realengo vêm adquirindo caqui e banana agroecológicos dos agricultores e agricultoras organizados na Associação dos Agricultores Orgânicos da Pedra Branca (Agroprata).

Rita Caseiro é presidente da Agroprata e conta sobre a importância do caqui para a região: “O caqui é um fruto importante para a economia não só para os produtores, mas também para toda uma rede de moradores, responsáveis desde a colheita, o encaixotamento até o transporte para as feiras, mercados locais, e agora, para as escolas”. Segundo ela é na época do caqui, que os agricultores recebem o “décimo terceiro”, demonstrando a importância econômica do fruto para a região.

O caqui faz parte da tradição local, as primeiras mudas foram trazidas no inicio do século XX, pelo português Tiago dos Santos e logo foram distribuídas entre os agricultores do Maciço; hoje estão entre os maiores produtores do estado. E para comemorar e valorizar o trabalho dos agricultores e agricultoras, dois eventos fazem parte da agenda: o Tira Caqui e a Festa do Caqui, que contam com a exposição dos produtos, música e gastronomia local.

A produção familiar agroecológica também enfrenta muitos desafios. Mesmo estando dentro do município do Rio de Janeiro, que é considerado 100% urbano pelos planos de desenvolvimento da cidade, as roças existem e estão localizadas em áreas distantes, em terrenos bem acidentados e os caquizeiros são muito altos, o que dificulta a colheita e coloca riscos de acidentes. Antônio Cardoso Paiva, Alberto Carlos Macedo e Jorge Fernandes Pereira, agricultores que realizaram a venda de caqui para as escolas, contam como se dá o trabalho: “Para colheita subo no pé com um balde, desço, coloco na caixa, subo de novo; é assim, né? Depois então, a gente coloca a caixa no burrico e desce até a sede da associação”. Antônio Cardoso ainda acrescenta que demora até 2 horas para ir do seu sítio até a associação.

Na sede da Agroprata o caqui é levado para as estufas, sendo colocado para maturar de forma natural sem o uso de carbureto, como ressaltam Antônio, Alberto e Jorge. Quando atinge o ponto, os frutos são embalados colocando “estrela com estrela” para não estragar.

Além de todos esses desafios para a produção, colheita, beneficiamento e transporte, os agricultores precisam enfrentar a dificuldade de obtenção do Declaração de Aptidão ao PRONAF (DAP), documento requerido para as vendas institucionais. Aos poucos os agricultores da Agroprata vão organizando suas DAPs, com muito apoio e envolvimento da Rede Carioca de Agricultura Urbana, transformando essa luta num momento importante de aprendizado coletivo. Agora o desafio é a organização de uma DAP jurídica para facilitar as vendas institucionais.

Para Rita Caseiro, a entrega da alimentação escolar é importante para a história dos produtores, para a sua permanência no campo e para o reconhecimento da sociedade sobre a importância dessa agricultura que passa por invisível para os gestores públicos: “Acreditamos que a venda dos produtos do Maciço para as escolas da região é uma oportunidade de garantirmos o conhecimento de que dentro do parque, a maior floresta urbana do mundo, se produz alimento; um alimento saudável, um alimento de qualidade e que está chegando à mesa dos alunos! Queremos que os alunos também conheçam a história desses alimentos, como esse produto chegou lá, que ele não caiu da torneira, não chegou da caixinha, mas que é um alimento que tem história, uma história de luta, a história de perseverança que cada agricultor aqui são os reais preservadores dessa região.”

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Família Santos cria casa de sementes crioulas em Fernandes Pinheiro-PR http://aspta.org.br/2018/05/18/familia-santos-cria-casa-de-sementes-crioulas-em-fernandes-pinheiro-pr/ http://aspta.org.br/2018/05/18/familia-santos-cria-casa-de-sementes-crioulas-em-fernandes-pinheiro-pr/#respond Fri, 18 May 2018 16:24:00 +0000 http://aspta.org.br/?p=15861 Leia mais]]> Silvestre, Terezinha e seus 5 filhos moram na comunidade de Santo Antonio, no município de Fernandes Pinheiro-PR. Desde 2001, ao entenderem que a agricultura convencional não funcionava mais para produção de alimentos, pois além de se financeiramente inviável, entenderam que se tornavam totalmente dependentes do mercado. Silvestre e Terezinha passaram a não aceitar o uso de produtos químicos. Começaram então a converter toda a propriedade, que possui 4 hectares, num sistema agroecológico. Um ponto de partida importante foi a utilização das sementes crioulas.

Participando de vários momentos de formação, iniciaram a caminhada em busca de alternativas como o resgate, conservação e a multiplicação das sementes crioulas, a fabricação de adubos caseiros, o manejo ecológico de solos e outros.

Silvestre se recorda que já na primeira participação de um dia de campo que estava sendo realizado sobre o processo de fabricação de adubo da independência pode trocar e ganhar algumas espécies de sementes crioulas que ainda não tinha em sua propriedade e levar para casa. Essas sementes foram o ponta pé para aumentar a diversidade de espécies a serem cultivadas na propriedade. Passaram a também receber encontros, dias de campo, reuniões e se propuseram a receber a implantação de campos de produção de sementes e experimentos de avaliações como de milho, batata, arroz, feijão, adubos verdes de verão e de inverno. Minha propriedade virou um laboratório de aprendizado agroecológico, sempre aberta a propriedade a visitação de estudantes, professores, agricultores e público em geral, conta Silvestre.

O grande sonho da família, contudo, sempre foi criar um banco de sementes que fosse capaz de suprir totalmente a necessidade familiar para plantio, pensando principalmente na segurança alimentar e na produção de alimentos saudáveis. Silvestre e Terezinha trabalharam fortemente no intensão de diversificar o máximo a propriedade, aproveitando todos os espaços para realizar testes de novas sementes adquiridas em feiras e festas de sementes que participam no estado ou fora dele também.

Diante de todo esse trabalho, em 2018, a família deu o primeiro passo e criou a Casa de Semente como têm chamado, com mais de 60 tipos de sementes crioulas de diversas espécies entre milhos, feijões, adubos verdes, mandioca, batata doce, abóboras e tantas outras, todas produzidas na propriedade em que vivem. A Casa da Sementes ainda está em um espaço pequeno, mas inquietos, a ideia é ampliar e transformá-la, junto com o Grupo Coletivo Triunfo, em um Banco Comunitário de Sementes, resgatando assim mais sementes de toda a região. Ao ampliar e enriquecer o Banco, pretende-se transformar esse espaço em uma referência para as famílias que ainda não possuem sementes crioulas.

Todas as sementes já armazenadas, são organizadas por Jaqueline, a filha mais nova do casal. Jaqueline é que vem trabalhando na seleção, no preparo das sementes e no seu armazenamento. Também cuida da catalogação de todas as sementes produzidas e as que chegam de outras famílias. Recentemente, Jaqueline foi considerada pelo Coletivo Triunfo como a Guardiã Mirim das Sementes Crioulas.

No projeto novo da família, a ideia é que o Banco seja também um local de visitação, de encontros e de estudos agroecológicos. Um espaço onde se pretendem receber estudantes de várias escolas técnicas e públicas, agricultoras e agricultores, jovens ou maduros, mas que também carregam a missão de ser um guardião de sementes crioulas.

Enquanto o Banco não se concretiza, a Casa de Sementes já está ativa e Silvestre, Terezinha e Jaqueline incentivam o empréstimo e a troca de sementes para aqueles que também querem promover agroecologia. Essa iniciativa vem apoiar a Campanha Plante Sementes Crioulas que retoma com força na região por meio do incentivo dos Sindicatos de Trabalhadores Rurais, Cooperativas da Agricultura Familiar e do próprio Coletivo Triunfo. A Campanha tem como pontos prioritários o resgate e a conservação das sementes milho e feijão, as quais os estudos revelam uma enorme erosão genética, principalmente depois da entrada avassaladora do milho transgênico na região.

O trabalho assumido pela família é exemplar e de grande generosidade. A trajetória de construção da agroecologia é divida ao colocarem a serviço do Coletivo Triunfo todo o patrimônio genético que foram resgatando, selecionando e multiplicando ao logo desses anos.

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AS-PTA discute com parceiros a abordagem feminista e dos direitos LGBTTs em seu trabalho http://aspta.org.br/2018/05/16/as-pta-discute-com-parceiros-a-abordagem-feminista-e-dos-direitos-lgbtts-em-seu-trabalho/ http://aspta.org.br/2018/05/16/as-pta-discute-com-parceiros-a-abordagem-feminista-e-dos-direitos-lgbtts-em-seu-trabalho/#respond Wed, 16 May 2018 17:48:24 +0000 http://aspta.org.br/?p=15854 Leia mais]]> No dia 15 de maio, aconteceu na sede da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, uma oficina de formação sobre a abordagem feminista e sobre os direitos das pessoas LGBTTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Transgêneros) no seu trabalho de fortalecimento da agricultura familiar de base agroecológica no território.

A oficina foi proposta pela ActionAid, entidade de cooperação internacional e parceira apoiadora do trabalho da AS-PTA desde 2002. Participaram do momento mulheres representantes da coordenação do Polo da Borborema, uma rede de 14 sindicatos de trabalhadores rurais da região da Borborema e jovens dos municípios onde atuam, que compõem a Comissão Regional de Jovens do Polo. AS-PTA e Polo se destacam por sua atuação com as mulheres e jovens agricultores do território e inclusive por enfrentar temas delicados como a homofobia e a diversidade sexual, que foi tratada na peça teatral que acontece todos os anos durante a “Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia”, que chegou à sua nona edição em 2018, levando cerca de cinco mil mulheres às ruas.

Sergio Costa Floro, Assessor de Programas da ActionAid, falou sobre a importância de aprofundar a discussão destes temas: “A ActionAid, assim como a AS-PTA e o Polo, não é uma organização feminista. Mas a luta das mulheres é uma luta prioritária para nós, à medida como vimos que o machismo e as desigualdades de gênero como limitantes para o avanço do projeto de sociedade que ajudamos a construir”.

Sergio apresentou dados da consultoria Catalyst que mostram que as mulheres ainda recebem, em média, cerca de 70% do salário dos homens, tem o dobro de horas dedicadas aos afazeres domésticos e ocupam os postos de trabalho mais precarizados. A apresentação rendeu um bom debate entre integrantes da equipe técnica da AS-PTA, do Polo e as lideranças femininas e jovens.

“Nós podemos dizer que avançamos muito aqui no nosso território no trabalho com as mulheres. Fizemos as mulheres saírem de casa, ocuparem os espaços públicos nos sindicatos, nas associações, mas ainda temos uma grande tarefa que é fazer com que haja uma divisão do trabalho dentro de casa, para que a mulher não seja sobrecarregada, tendo que realizar suas tarefas domésticas de madrugada para poder participar dos eventos”, disse Giselda Beserra, da coordenação do Polo da Borborema e da direção do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remígio-PB.

Sérgio tratou ainda sobre o cenário atual no que diz respeito aos direitos das pessoas LGBTTs, que embora tenham conquistado reconhecimento e uma série de direitos como a união civil, a adoção de crianças e a licença maternidade em casos de adoção, ainda seguem sendo assassinados pela sua orientação sexual e expressão de gênero. “Segundo o Grupo Gay da Bahia, em 2017, ocorreram 445 crimes motivados pela homofobia, o que significa uma vítima a cada 19 horas”, disse. O assessor afirmou ainda que a criminalização da homofobia segue sendo a grande reivindicação do movimento, pois os casos são tratados na justiça como agressões, discriminações e outras tipificações que não levam em conta o pano de fundo do ódio ao diferente.

Roselita Vitor, da Coordenação do Polo da Borborema, falou sobre a importância de se tocar nessas questões, mesmo que elas sejam delicadas e quanto o pessoal e o privado também compõem o político: “No nosso processo preparatório para a Marcha desse ano, nos chegaram muitos depoimentos de mulheres, mães de jovens LGBTTs, e pudemos ver o quanto essas mulheres e essas pessoas sofrem, quanta violência enfrentam. Vimos que as mulheres que são lésbicas sofrem uma dupla opressão e precisamos estar atentas para tratar esses casos”, afirmou.

A oficina produziu um debate acerca o papel da assessoria e das lideranças em, cada vez mais, descortinar esses assuntos, discutir as raízes desse tipo de desigualdade e preconceito para avançar na construção de um movimento social e sindical que trabalhe na perspectiva da realização dos direitos humanos, onde cada pessoa é respeitada e valorizada na sua maneira de ser.

Assista ao vídeo da IX Marcha Pela Vida das Mulheres e Pela Agroecologia, onde os temas do feminismo e da diversidade sexual foram tratados:

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Vídeo: IX Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia http://aspta.org.br/2018/05/15/video-ix-marcha-pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia/ http://aspta.org.br/2018/05/15/video-ix-marcha-pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia/#respond Tue, 15 May 2018 17:29:30 +0000 http://aspta.org.br/?p=15850 Leia mais]]> Mais de cinco mil mulheres jovens, idosas, brancas, negras, do campo e da cidade, marcharam juntas no dia 08 de março de 2018 pelas ruas do município de São Sebastião de Lagoa de Roça-PB, na nona edição da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia. O evento é organizado pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e Polo da Borborema, uma articulação de 14 sindicatos de trabalhadores rurais da região da Borborema, no Agreste da Paraíba.

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Criada Articulação Paraibana de Agroecologia durante o Encontro Preparatório ao IV ENA http://aspta.org.br/2018/05/11/criada-articulacao-paraibana-de-agroecologia-durante-o-encontro-preparatorio-ao-iv-ena/ http://aspta.org.br/2018/05/11/criada-articulacao-paraibana-de-agroecologia-durante-o-encontro-preparatorio-ao-iv-ena/#respond Fri, 11 May 2018 12:29:15 +0000 http://aspta.org.br/?p=15836 Leia mais]]> Durante três dias, a cidade de Campina Grande, no Agreste Paraibano, foi o ponto de encontro de uma diversidade de atores sociais entre quilombolas, indígenas, agricultores, jovens, mulheres e representantes de entidades de assessoria técnica, além de núcleos de agroecologia das universidades e institutos federais, todos membros de organizações e movimentos sociais que trabalham pelo fortalecimento da agroecologia, no campo e na cidade.

O encontro aconteceu de 8 a 10 de maio e contou com cerca de 150 pessoas. “O objetivo é fazer com que as redes e movimentos se conheçam, se aproximem e possam construir alianças, parcerias, em torno do fortalecimento do projeto político da agroecologia. A gente acredita que só a agroecologia pode viabilizar a agricultura familiar como grande produtora de alimentos”, comenta Luciano Silveira, da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, que por sua vez, integra a Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), uma das redes realizadoras do evento.

O Evento se constituiu como etapa preparatória para o IV ENA (Encontro Nacional de Agroecologia), que acontecerá entre os dias 31 de maio e 03 de junho, em Belo Horizonte MG. Em seu primeiro dia, abrindo a programação, uma mesa contou com uma representação de lideranças indígenas, pelo cacique Paulo Tabajara; quilombolas, por Francimar Zadra; movimento de mulheres, por Sávia Cássia Ribeiro, da Marcha Mundial de Mulheres; sem terras por Dilei Shiochet, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e Luciano Silveira, representando a ASA Paraíba. À tarde, aconteceram quatro oficinas paralelas onde grupos de movimentos e organizações compartilharam a história de sua trajetória e o trabalho que vem desenvolvendo. Nesse momento, o grupo pode identificar convergências, lições aprendidas e desafios comuns.

Em todos os relatos, o problema do fechamento das escolas do campo, a escalada da violência nas zonas rurais, o avanço do agronegócio, dos transgênicos e dos grandes projetos, seja na área de energia, água ou mineração, além dos cortes nos programas sociais e nas políticas públicas de apoio à agricultura familiar apareceram como fatores que desafiam atualmente a permanência das famílias no campo, sobretudo a sucessão rural e as perspectivas para a juventude.

As experiências mostram o acesso à terra como um fator determinante para o desenvolvimento da agricultura familiar. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), existem hoje na Paraíba 88 áreas de conflito de terras. Outro grande desafio é a demarcação das terras das comunidades remanescentes de quilombos. Segundo Francimar Zadra, representante do movimento negro da Paraíba, das 45 comunidades existentes no estado, 39 se autorreconhecem como quilombolas, mas apenas duas comunidades tiveram suas terras demarcadas, as comunidades de Bomfim em Areia-PB e a do Grilo, em Riachão do Bacamarte-PB. “O cenário é desolador para o movimento quilombola”, comenta a liderança a respeito da pouca atenção dada pelo governo à demarcação destas terras, tanto indígenas como quilombolas.

Encerrando o primeiro dia de encontro, foi aberta a tradicional feira de “Sabores e de Saberes”, que serviu como espaço de troca de experiências e comercialização dos mais variados produtos, só uma pequena amostra das mais de 50 feiras agroecológicas existentes atualmente na Paraíba.

No segundo dia de evento, o estado foi dividido em quatro grupos de territórios ou microrregiões. Desta vez, para conhecer como é a realidade de cada local, como foram se constituindo as redes e movimentos que atuam nestes locais, bem como suas conquistas e ameaças, considerando a conjuntura atual. Deste exercício, foram identificadas várias lições e aprendizados coletivos, tais como: a potência da auto organização das comunidades; o empoderamento das mulheres e dos jovens; a valorização do conhecimento camponês; a gestão compartilhada de programas e ações; a luta e a resistência permanentes; a importância da pesquisa-ação.

Após um momento de socialização dos grupos em formato de carrossel, foi feita uma síntese em plenária. Houve em seguida o lançamento local da campanha “Não Assine sem Conhecer”, promovida por um conjunto de entidades em torno do Comitê de Energia Renovável do Semiárido – Cersa, que busca conscientizar as famílias agricultoras da Paraíba acerca da chegada das empresas de energia eólica que tem se instalado em diversas regiões.

Vanúbia Martins, da CPT, explica que, na maioria dos casos, os contratos de arrendamento das terras são abusivos e não esclarecem a respeito dos impactos ambientais da instalação das torres. De longo prazo e com multas de rescisão altíssimas, o arrendamento tem significado, na prática, a expulsão dos camponeses de suas terras. “A Campanha quer popularizar esse debate e problematizar alguns discursos com as questões: ‘energia limpa para quem? E como?’”, disse.

Encerrando o segundo dia de programação, Paula Adissi, da Frente Brasil Popular, falou sobre a iniciativa do “Congresso do Povo”, que busca, por meio de uma coalização de forças progressistas, debater com a sociedade o modelo de nação que interessa à classe trabalhadora brasileira.

No terceiro e último dia de programação, um trabalho em grupo seguido de plenária, apontou as propostas de encaminhamentos a partir das reflexões que saíram no encontro, entre as que mais apareceram, estão: fortalecer os espaços das feiras agroecológicas; a formação de uma agenda de lutas conjunta mais imediata; fortalecer os bancos de sementes comunitários e uma campanha a nível estadual contra os transgênicos; promover debates com candidatos do campo mais progressista e uma campanha para a eleição de nomes mais identificados com a luta do povo; realizar uma campanha contra o fechamento das escolas do campo; ampliar a campanha pela divisão justa do trabalho doméstico, avançar na construção do diálogo com outros segmentos, sobretudo com o meio urbano e realização do VI Encontro Paraibano de Agroecologia – IV EPA.

Articulação Paraibana de Agroecologia

O grande resultado do encontro, que engloba todas as demais propostas, foi a da criação de uma Articulação Paraibana de Agroecologia, um espaço permanente que inclui todos os segmentos presentes ao evento. Para isto, cada organização, rede ou movimento, ficou responsável de indicar um nome para compor um grupo de animação da ideia no estado, que vai começar a atuar a partir dos encaminhamentos do encontro. A atividade foi finalizada com a composição da delegação paraibana no IV ENA.

Promoveram o Encontro Paraibano Rumo ao IV ENA as seguintes organizações: Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimentos Quilombola e Indígena da Paraíba, Marcha Mundial de Mulheres (MMM), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Pastoral da Juventude Rural (PJR), Núcleos de Agroecologia da Paraíba; Rede de Educação do Semiárido Brasileiro (Resab) e Mãos Dadas, Fórum dos Assentados, entre outros movimentos e organizações.

Sobre o IV ENA

O ENA é promovido pela Articulação Nacional de Agroecologia e este ano tem como tema: “Agroecologia e Democracia unindo campo e cidade”. Duas mil pessoas são esperadas na capital mineira, durante os quatro dias de encontro. Alguns dos objetivos são: trocar experiências, compartilhar aprendizados, discutir os efeitos das políticas públicas para a agricultura familiar e para os povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e dar visibilidade pública à agenda política do movimento agroecológico junto aos governos e à sociedade.

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“Eu e minha escola construindo histórias”: Cirandas da Borborema abordam a importância das escolas do campo para a agricultura familiar http://aspta.org.br/2018/05/07/eu-e-minha-escola-construindo-historias-cirandas-da-borborema-abordam-a-importancia-das-escolas-do-campo-para-a-agricultura-familiar/ http://aspta.org.br/2018/05/07/eu-e-minha-escola-construindo-historias-cirandas-da-borborema-abordam-a-importancia-das-escolas-do-campo-para-a-agricultura-familiar/#respond Mon, 07 May 2018 23:50:07 +0000 http://aspta.org.br/?p=15828 Leia mais]]> Com o tema “Eu e minha escola construindo histórias”, um novo ciclo de Cirandas da Borborema se iniciou neste primeiro semestre de 2018. As atividades estão sendo realizadas desde o mês de abril e acontecerão, ao todo, em 45 comunidades rurais de 13 municípios onde atua o Polo da Borborema, uma articulação de 14 sindicatos de trabalhadores rurais da região da Borborema, no Agreste da Paraíba. Essa ação é promovida pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, em parceria com o Polo e apoio das entidades de cooperação internacional Action Aid e KinderMissionsWerk.

As Cirandas da Borborema são a principal ação da “Campanha de Valorização da Vida na Agricultura Familiar”, iniciativa desenvolvida desde 2002 e dirigida aos filhos e filhas de agricultores familiares da Borborema, com a proposta de discutir, de maneira lúdica, temáticas que dizem respeito ao universo rural e a vida no campo. Anteriormente conhecidos como “mutirões” da Campanha, a atividade foi rebatizada em 2017, ganhando o novo nome de “Cirandas da Borborema”: “A gente viu que a ciranda era importante, que ela representa melhor o trabalho, como parte das brincadeiras das crianças nos arredores de casa e do ato de brincar em si”, explica Maria Denise Pereira, do Núcleo de Infância da AS-PTA.

As Cirandas são momentos que acontecem duas vezes por ano nas comunidades, em alguns casos, na escola local, ou equipamentos como capelas e associações comunitárias, sempre com o uso do teatro, envolvendo pintura, desenho, brincadeiras com bola, corda, competições e um lanche oferecido à comunidade escolar, providenciado em parceria com o sindicato rural de cada município. Antes desse momento, ocorrem reuniões de sensibilização, uma conversa com pais, mães, responsáveis, educadores/as e gestores/as escolares a respeito do sentido da realização das cirandas e sua proposta, o que, muitas vezes, motiva os educadores a trabalhar o assunto previamente em sala de aula com as crianças. Alguns temas já trabalhados foram: lixo na zona rural; alimentação saudável; os caminhos da água na minha comunidade e como conservá-la; a arborização e o papel das abelhas; direitos e deveres de homens e mulheres, entre outros.

Os 39 alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Manoel Pereira da Silva, no Sítio Lagoa de Gravatá, município de Lagoa Seca, tiveram uma manhã dedicada à reflexão sobre a sua escola e o contexto da comunidade onde está inserida. A personagem “Vovó Amorosa” dialogou com as crianças representando as gerações anteriores, que são as pessoas que na tradição oral levam adiante a memória da comunidade onde vivem por meio das suas histórias, repletas de afetos.

Ela monta, com a ajuda das crianças, uma maquete da comunidade com seus principais equipamentos sociais: casas, cisternas, casas de farinha, capela, posto de saúde, banco comunitário de sementes, associação comunitária e escola, além de plantas e animais. Surgem então duas outras personagens “Sol” e “Zangadinha”, prima e neta de Amorosa. Em um diálogo, a primeira sugere ‘retirar’ da comunidade alguns equipamentos para levar para a sua comunidade. “Ao que as crianças vão intervindo e impedindo que se retire o equipamento, justificando a sua importância.

Vovó Amorosa fala com as crianças e as questiona sobre a origem do nome da comunidade e do nome da escola. “Aqui se plantava muito gravatá!” respondem os mais agitados. “Era um senhor que morreu e que deu o terreno para construir a escola!”.

As respostas na ponta da língua vem de um trabalho que a escola Manoel Pereira da Silva já vem fazendo de resgate da memória da comunidade pelos mais jovens. Ivanete Maria Lustosa leciona na unidade há 23 anos. Ex-aluna da escola, ela conta que é comum reencontrar ex-alunos entre os pais que tem filhos estudando no local. Ela já participa há um bom tempo das cirandas e acha o trabalho e o tema escolhido para 2018 fundamentais: “É mais valorização para o campo, né? Antes a agricultura era vista como aquele pensamento ‘ah, não quero que meu filho seja agricultor’. Hoje eles tem uma outra consciência, de que podem viver bem com o que tiram da terra, sem precisar sair. E nem precisa ter muita terra, com pouco, se ganha muito”.

Fechamento das escolas do campo

A educadora fala que os fechamentos das escolas prejudicam muito as famílias agricultoras. “Ora, você vai ter muito mais dificuldade com seus filhos pequenos indo para longe, você vai ter que ir acompanhar, se uma criança adoece, como é que a gente da escola pode chamar o pai para que venha rápido?”, questiona.

Da mesma opinião compartilha a agricultora Ana Alice Albino da Silva, de 40 anos, ex-aluna. Ela é mãe de Raíssa Aparecida Albino da Silva, de 8 anos, aluna da escola Manoel Pereira. “É um absurdo fecharem escolas, temos que fazer de tudo para nunca fechar. Aqui eu não tenho do que reclamar, é uma escola onde tem de tudo e tratam o seu filho como se fossem os filhos delas”, avalia. “Eu gosto muito de participar das coisas que a escola convida, os pais daqui são muito participativos. Mas com a escola longe, como é que a gente vai poder deixar tudo aqui para lá para ir?”, pergunta.

Ewerton Kaio do Nascimento, 10 anos, estuda na escola há 3 e adora participar das Cirandas, ele era dos mais participativos nas respostas: “Eu gosto de estudar aqui porque é perto da minha casa”, diz o menino.

As Cirandas em Números

Em 2017 aconteceram 66 cirandas, destas, 19 foram em escolas, onde 85 professores e professoras se envolveram, com 1.344 crianças oriundas de 100 comunidades. 177 adolescentes participaram e, ao todo, houve a participação de 420 adultos, homens e mulheres. Em 2018, a perspectiva é a de que haja o envolvimento de 26 escolas e que o número de crianças chegue a duas mil.

Assista a matéria produzida pela TV Itararé sobre as Cirandas da Borborema:

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Encontro Territorial debate as Lutas Camponesas pelo Acesso à Terra na Borborema http://aspta.org.br/2018/05/06/encontro-territorial-debate-as-lutas-camponesas-pelo-acesso-a-terra-na-borborema/ http://aspta.org.br/2018/05/06/encontro-territorial-debate-as-lutas-camponesas-pelo-acesso-a-terra-na-borborema/#respond Sun, 06 May 2018 18:57:20 +0000 http://aspta.org.br/?p=15823 Leia mais]]> Na última sexta-feira, 04 de maio, na sede do Polo da Borborema, aconteceu a “Oficina de Lutas Camponesas e Agroecologia” que discutiu as a trajetória do movimento dos trabalhadores rurais pelo acesso à terra no território da Borborema. Participaram do evento lideranças históricas da luta sindical na região, representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dirigentes dos sindicatos que compõem o Polo da Borborema e ainda integrantes dos Núcleos de Agroecologia das Universidades e Institutos Federais do estado.

Durante a Oficina, Luciano Silveira, da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, comentou sobre os três principais problemas que tem desafiado a permanência das famílias agricultoras no campo, nos últimos anos na Borborema, que são: a dificuldade do acesso à terra; o fechamento das escolas rurais e a violência no campo, e em destaque, a violência específica que atinge as mulheres.

Os participantes da oficina foram fazendo um levantamento, ao longo da história, como se deu a ocupação agrária no território, fazendo um recorte dos anos 60, enfrentando a ditadura militar e passando pelos anos 80 e o processo de redemocratização do país, até os governos de cunho mais popular-democráticos, culminando com as ameaças à democracia e a as instituições públicas dos dias atuais.

Manoel de Oliveira, mais conhecido como “Nequinho”, liderança da coordenação do Polo da Borborema e militante histórico da luta pela terra na região, contemporâneo da sindicalista Margarida Maria Alves, rememorou as grandes ocupações de terra na região do Brejo e Agreste Paraibanos: “Era ditadura militar, o povo tinha muito medo dos patrões, então quando a gente entrava numa fazenda, ia fazendo conversar com pessoas isoladas, depois com um grupo maior e quando a gente via, já estava fazendo reuniões com 200 pessoas. A gente observava aquelas pessoas que se destacavam nas reuniões e fazia conversas com elas para iniciar a organização das ocupações”, lembra Nequinho.

Assentado da Reforma Agrária no Sítio Geraldo, em Alagoa Nova, Nequinho foi perseguido pelo regime militar, chegando a ser preso diversas vezes, por seu papel liderando o trabalho de base e de formação dos camponeses para as ocupações, com forte apoio da Igreja Católica e dos adeptos da chamada “Teologia da Libertação”, que tem entre os seus expoentes figuras como o Frei Leonardo Boff e Dom Helder Câmara.

Maria Vilani dos Santos Silva, também é moradora do Assentamento Geraldo, que compreende propriedades nos municípios de Alagoa Nova e São Sebastião de Lagoa de Roça, fez parte da luta ao lado de Nequinho, conta sobre como era desencorajada por conhecidos seus a resistir nas ocupações de terra: “Era uma luta de pequeno contra grande. O povo dizia que precisava de uma corda para amarrar a gente, pois para eles pobre briga com rico não tinha sucesso. Muita gente desistiu, eu hoje estou lá, na minha terra e não tenho vontade de sair”.

Wellington Barbosa, integrante da CPT Campina Grande, diz que ao completar seus 30 anos, a pastoral fez um resgate histórico das ocupações de terra que aconteceram na região e se espanta com a força e a coragem das famílias sem terra da época: “Nós encontramos diversos boletins de ocorrência e por eles, dava para perceber que era um pessoal muito resistente. Sofriam todo tipo de intimidação, tentativas de assassinato à noite, mas não saiam, não”.

Em seguida foi feita, com a contribuição dos participantes da oficina um levantamento a partir do mapa do território da Borborema, sobre a ocupação fundiária que a princípio era bastante concentrada e foi se dividindo, tanto pela questão das heranças, tanto pela atuação da Igreja e depois do MST, que surgiu na Paraíba e iniciou na região pelo município de Remígio, se espalhando para outros municípios como Solânea, Casserengue e Bananeiras, entre outros, com o apoio de Euzebio Cavalcanti, companheiro e integrante do Polo da Borborema, mas iniciou sua militância na Igreja Católica e no MST.

Foram marcadas no mapa as três principais formas de acesso a terra na região: as ocupações com o apoio da Igreja Católica e da CPT, as ocupações lideradas pelo MST e as compras de terras, seja por meio de indenizações trabalhistas dos patrões, com os ganhos da Constituição de 1988, seja por meio do financiamento fundiário pelo Banco da Terra. “Isso foi fazendo as pessoas abandonarem a luta e muitos agricultoras saíram endividados, sem condições de pagar a sua terra”, lembra Nequinho.

A oficina foi uma preparação do território para o Evento Paraibano rumo ao IV ENA (Encontro Nacional de Agroecologia) nos dias 8, 9 e 10 de maio, em Campina Grande. Já o ENA de 2018 acontecerá nos dias 31 de maio a 3 de junho, em Belo Horizonte. Na Paraíba, o encontro estadual preparatório ao ENA, tem foco na troca de experiências entre os movimentos que fazem a agroecologia no estado: “Queremos qualificar a apresentação da experiência da Borborema no encontro estadual, onde esses vários movimentos vão se conhecer, se aproximar, a gente quer gerar acúmulos e ampliar a participação dos segmentos, além de atualizar a leitura do agroecologia identificando inclusive as ameaças e obstáculos para o seu desenvolvimento. A construção da unidade é mais que necessária na conjuntura que estamos vivendo e esperamos que esse encontro seja o embrião de uma articulação estadual de agroecologia”, disse Luciano Silveira.

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Encontro reunirá em Campina Grande Movimentos e Redes Estaduais que promovem a Agroecologia na Paraíba http://aspta.org.br/2018/05/03/encontro-reunira-em-campina-grande-movimentos-e-redes-estaduais-que-promovem-a-agroecologia-na-paraiba/ http://aspta.org.br/2018/05/03/encontro-reunira-em-campina-grande-movimentos-e-redes-estaduais-que-promovem-a-agroecologia-na-paraiba/#respond Thu, 03 May 2018 18:06:30 +0000 http://aspta.org.br/?p=15817 Leia mais]]> Nos dias 8, 9 e 10 de maio, acontecerá em Campina Grande o Encontro Paraibano rumo ao IV ENA (Encontro Nacional de Agroecologia), que reunirá cerca de 150 pessoas representantes dos mais variados segmentos de promoção da agroecologia do campo e da cidade de todas as regiões do estado. Haverá representantes de quilombolas, indígenas, agricultores, jovens, mulheres e representantes de entidades de assessoria técnica, além de núcleos de agroecologia das universidades e institutos federais, todos pré-selecionados em encontros preparatórios em suas regiões.

O evento acontecerá na sede do Instituto Nacional do Semiárido (INSA) e tem como objetivos favorecer a criação de uma articulação estadual de agroecologia, promover o intercâmbio das trajetórias de lutas dos diversos movimentos e organizações do estado, além de preparar a delegação paraibana que irá representar o estado no IV ENA, que acontecerá entre os dias 31 de maio e 03 de junho, em Belo Horizonte-MG.

Na programação de três dias, haverá momentos de análise de conjuntura, partilha das trajetórias de lutas e conquistas dos movimentos e redes, lançando um olhar sobre os “anúncios” e as “denúncias” de cada território onde os segmentos atuam, identificando similaridades, as diferenças e os desafios em comum, no sentido da construção de convergências e a união de forças pelo fortalecimento da agroecologia enquanto um projeto político.

Promovem o encontro paraibano as seguintes organizações: Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimentos Quilombola e Indígena da Paraíba, Marcha Mundial de Mulheres (MMM), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Pastoral da Juventude Rural (PJR), Núcleos de Agroecologia; Rede de Educação do Semiárido Brasileiro (Resab) e Mãos Dadas, entre outros movimentos e organizações.

O IV ENA

O ENA é promovido pela Articulação Nacional de Agroecologia e se constitui como o maior evento do segmento no país. Este ano, o IV ENA tem como tema: “Agroecologia e Democracia unido campo e cidade” e segundo a organização do evento, duas mil pessoas são esperadas na capital mineira. Alguns dos objetivos do encontro são: trocar experiências, compartilhar aprendizados, discutir os efeitos das políticas públicas para a agricultura familiar e para os povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e dar visibilidade pública à agenda política do movimento agroecológico junto aos governos e à sociedade.

Programação

Dia 08/05/18, terça

8h30 – Inscrições
10h – Mística de Abertura
10h30 – Abertura (Objetivos e programação)
10h40 – Roda de Conversa sobre a Conjuntura: Agroecologia e Democracia unindo o campo: ASA PB | Mov. Quilombola | MST | Marcha Mundial das Mulheres | Mãos Dadas
12h30 – Almoço
14h – Partilha das trajetórias de lutas e conquistas dos movimentos e redes
16h30 – Socialização dos grupos
17h30 – Debate
19h – Jantar
20h – Noite Cultural

Dia 09/05/18, quarta
8h30 – Mística de integração
9h – Trajetórias territoriais de construção da Agroecologia
Grupo 1: Litoral Sul, Agreste, Seridó, Médio Sertão (Vales)
Grupo2 Brejo Paraibano, Cariri Oriental, Médio Sertão (Serras)
Grupo 3: Várzeas, Borborema, Alto Sertão
Grupo 4: Litoral Norte, Curimataú, Alto Sertão, Cariri Ocidental
12h30 – Almoço
14h – Socialização dos grupos
15h30 – Debate
16h – Mesa Síntese da realidade da Paraíba
17h – Congresso do Povo
19h – Jantar
20h – Noite Cultural

Dia 10/05/18, quinta
8h30 – Mística
9h – Trabalho em grupo: Compromissos para fortalecer a agroecologia e a democracia no estado da Paraíba
10h – Socialização dos grupos
11h – Encaminhamentos do IV ENA
12h – Mística de encerramento
12h30 – Almoço

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