Agricultores e agricultoras da Borborema debatem com pré-candidatos a deputado estadual e federal do meio popular

Na manhã da quinta-feira, 18 de julho, o Polo da Borborema em parceria com a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, promoveram em suas sedes no Centro Agroecológico São Miguel, no município de Esperança-PB, um momento de diálogo com um conjunto de pré-candidatos e candidatas a deputados federal e estadual nas próximas eleições. Participaram do debate 350 agricultores e agricultoras ligados aos 14 sindicatos de trabalhadores rurais da região da Borborema que compõem o Polo da Borborema.

De acordo com Nelson Anacleto, liderança do município de Lagoa Seca e da Coordenação do Polo da Borborema, o objetivo da iniciativa é promover a conscientização e aprofundar o debate com as famílias agricultoras sobre a necessidade de qualificar o parlamento: “Vivemos um momento onde a mídia tenta colocar na cabeça das pessoas que a política não interessa a elas e que todos os políticos são iguais, nenhum presta, o que favorece para que os mesmos maus políticos continuem sendo eleitos. Então, diante de tantos retrocessos e de uma atuação negativa do nosso congresso nacional, tomamos a iniciativa de abrir esse diálogo aqui hoje”.

O convite foi feito a pré-candidatos nas eleições de outubro desse ano que se alinham com o campo político mais progressista e com as causas dos movimentos sociais do campo. Compareceram os atuais deputados estaduais e federal e pré-candidatos à reeleição: Anísio Maia (PT-PB), Frei Anastácio (PT-PB), Estela Bezerra (PSB-PB), Jeová Campos (PSB-PB) e Luiz Couto (PT-PB), este último cumprindo mandato de deputado federal. Os que concorrem nas próximas eleições à Assembleia Legislativa da Paraíba pela primeira vez: Cida Ramos (PSB-PB), Márcio Caniello (PT-PB), Melchior Batista (REDE-PB) e Luzenira Linhares (PT-PB). Concorrendo à Câmara Federal: Thompson Mariz (PSB-PB) e Marcos Henrique (PT-PB).

Abrindo a programação, foi feita a leitura do documento político do Polo da Borborema aos pré-candidatos. A carta traz uma síntese da visão do Polo sobre um conjunto de temas estratégicos e desafios para a sua ação de fortalecimento da agricultura familiar agroecológica na região, tais como: acesso à água, sementes, agrotóxicos e transgênicos, educação no campo, violência contra a mulher, relação estado-sociedade, insegurança no campo, assistência técnica e extensão rural, feiras agroecológicas e programas de compras institucionais, entre outros assuntos. Os temas foram apresentados seguidos de questões aos integrantes da mesa.

Após a escuta, os pré-candidatos e candidatas tiveram 10 minutos cada para falar livremente ou sobre os temas tratados no documento. A ordem das falas foi definida por sorteio. Em seguida, foi aberto um espaço para intervenções da plenária.

Nelson Ferreira, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Seca falou sobre o desafio das lideranças do campo democrático popular nessas eleições: “É nossa responsabilidade não deixar que os golpistas, que estão votando pela retirada dos nossos direitos e corte das verbas públicas, voltem a ser eleitos. Não deixar que qualquer presente compre a confiança das pessoas (em troca de votos)”, disse.

O jovem Mateus Manassés, de 21 anos, do Sítio Soares, município de Queimadas, questionou os pré-candidatos sobre ações de apoio aos jovens rurais que desejam cursar a universidade. “Gostaria de perguntar como um jovem como eu, que quer permanecer no campo, pode entrar na universidade e continuar produzindo. Eu hoje vendo ovos de galinhas de capoeira, leite e queijo de cabra para me manter na universidade. Mas e os jovens que não tem a terra para produzir? Como vão poder estudar e se instruir, para não virar massa de manobra como a gente vê muitos por aí?”, questionou o jovem.

Luciano Silveira, da AS-PTA, chamou a atenção para o material construído durante as reuniões prévias ao debate da coordenação ampliada do Polo da Borborema e distribuído no debate com os pré-candidatos e candidatas: “Esse documento é a síntese da pergunta: ‘que qualidades um candidato deveria ter?’, de onde saíram vários itens. A gente perguntou como as pessoas na sua base estão votando e a resposta foi que nem sempre são por essas qualidades, as vezes por questões de favorecimento pessoal. Então fizemos esse documento para servir como uma reflexão sobre como o voto vem sendo definido no nosso meio e as consequências desse voto”, afirmou.

Conheça o Documento Político Polo da Borborema para Pré Candidatos

Veja o Panfleto criado pelo Polo da Borborema para debater sobre Eleições 2018

 

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