Jovens da Paraíba apresentam suas experiências em Agroecologia durante intercâmbio de Juventudes da América Latina

O terceiro encontro dos Intercâmbios de saberes nos semiáridos da América Latina, teve como tema “Juventude e Agroecologia” e aconteceu, entre os dias 22 e 26 de julho nos estados da Paraíba e Pernambuco. O evento foi realizado no formato de caravana e reuniu cerca de 100 pessoas entre jovens, mulheres, agricultores e técnicos de projetos que trabalham com desenvolvimento rural no Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai, Nicarágua, e El Salvador.

O intercâmbio, que iniciou na cidade de Caruaru-PE, esteve na Paraíba entre os dias 24 e 26 de julho, com uma programação que incluiu plenárias, debates e visitas a campo para conhecer experiências agroecológicas desenvolvidas por jovens. Na manhã do dia 24, em Campina Grande-PB, o Grupo de Trabalho – GT Juventude da Articulação do Semiárido Paraibano recepcionou os visitantes e apresentou sua experiência. Embora tenha sido criado há pouco mais de um ano, os jovens já vêm de uma trajetória anterior, como explica Raquel Nunes, do Patac: “O GT surge em outubro de 2017, mas a juventude da ASA já vinha intervindo em redes temáticas como a Rede de Sementes e a Rede Água, já vinha desenvolvendo suas ações em seus territórios”.

Os representantes do GT dividiram a fala e contaram sobre o surgimento do trabalho, muito influenciado a partir de grupos de jovens da igreja católica, e motivados pelas dificuldades e necessidades em comum que enfrentavam, cada um e cada uma em seu local. Segundo os jovens, a constituição dos Fundos Rotativos Solidários aparece como um ponto-chave para a auto-organização da juventude, à medida em que atende à demanda pela geração de renda e mobilização das comunidades.

Uma mesa de diálogo no período da tarde trouxe o papel estratégico da comunicação e como os jovens tem a usado manifestações como o teatro, a música e as mídias digitais para dar visibilidade às suas experiências e bandeiras de luta, bem como para fazer a denúncia de temas que tocam diretamente à juventude como é o caso do fechamento das escolas do campo. “A gente não dá voz às pessoas, o que a gente faz é sensibilizar os ouvidos para que essas vozes sejam ouvidas. A juventude soube muito bem se fazer ser ouvida, então vemos como a comunicação pode fortalecer os sujeitos”, disse Fernanda Cruz, Coordenadora de Comunicação da Articulação do Semiárido Brasileiro – ASA Brasil.

Visitas aos territórios

No segundo dia na Paraíba, os visitantes se dividiram em quatro grupos para conhecer, na prática, as experiências de jovens agricultores em suas propriedades rurais, as experiências e municípios visitados foram: Mateus Manassés em Queimadas, Salvador Barbosa, em Juazeirinho, Valéria e José Raul, em Caraúbas e Joab Luciano, em Mogeiro.

Mateus Manassés cresceu na agricultura e conta que é criador de animais desde os quatro anos de idade. O jovem concilia o curso de ciências biológicas na Universidade Estadual da Paraíba – UEPB com a lida na agricultura. Na propriedade de 19 hectares, ele e a família produzem diversos tipos de culturas no sistema de sequeiro, mas segundo Mateus, ‘o carro chefe’ é a criação de pequenos animais, principalmente caprinos. Foi justamente em uma visita de intercâmbio ao município vizinho de Boqueirão, que ele aprendeu que poderia produzir o queijo a partir do leite das cabras. O jovem comercializa além do queijo e o creme de queijo, ovos de galinha de capoeira por meio de encomendas realizadas na universidade, o recurso o ajuda a se manter nos estudos. Ele mostrou aos visitantes o banco de sementes da comunidade, suas criações e plantação de forrageiras, além de falar sobre a sanidade dos animais, o funcionamento do fundo rotativo solidário e seu papel na comissão de jovens do Polo da Borborema, uma rede de sindicatos de trabalhadores rurais da região da Borborema, na Paraíba.

O jovem é ainda o gestor do Fundo Rotativo de Animais em sua comunidade, preside a associação comunitária e é integrante da direção dos trabalhadores rurais do município. “O que eu gostei foi que ele foi estudar, mas não precisou deixar o campo, permaneceu na agricultura, produzindo. Não é como vemos hoje que até o modelo de escola integral afasta os jovens da agricultura, achei inspiradora a experiência”, comentou Josilma Bertino, estudante de ciências biológicas de Triunfo, no Sertão do Pajeú, Pernambuco e integrante da Comissão de Jovens Multiplicadores em Agroecologia.

Mateus “Minha porta sempre vai estar aberta, penso que da mesma forma que um intercâmbio ajudou a mudar a minha vida, essa visita aqui pode ser o degrau que falta para alguém transformar sua vida. Receber essa visita é de certa forma um reconhecimento do meu trabalho, estou me sentindo com as energias totalmente recarregadas”, finalizou.

Após as quatro visitas, os jovens participantes do intercâmbio se reuniram em Campina Grande para trocar impressões e debater sobre as experiências visitadas. No último dia de programação, o grupo participou da 7ª edição da Feira Agroecológica e Cultural da Juventude Camponesa do Polo da Borborema, no município de Solânea-PB.

O Intercâmbio é uma realização do FIDA, Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Programa Semear Internacional, Plataforma Semiáridos da América Latina, Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá, Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria ao Trabalhador (Cetra), PATAC e ASPTA, em parceria com a FUNDAPAZ, International Land Coalition, terre des hommes e Serviço Mundial de Igrejas (CWS).

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