setembro 2019 – AS-PTA http://aspta.org.br Fri, 05 Feb 2021 13:07:05 +0000 pt-BR hourly 1 Feirantes e fornecedores se reúnem durante lançamento das “Quitandas da Borborema” com rede de pontos fixos de comercialização da agricultura familiar http://aspta.org.br/2019/09/26/feirantes-e-fornecedores-se-reunem-durante-lancamento-das-quitandas-da-borborema-com-rede-de-pontos-fixos-de-comercializacao-da-agricultura-familiar/ http://aspta.org.br/2019/09/26/feirantes-e-fornecedores-se-reunem-durante-lancamento-das-quitandas-da-borborema-com-rede-de-pontos-fixos-de-comercializacao-da-agricultura-familiar/#respond Thu, 26 Sep 2019 12:47:21 +0000 http://aspta.org.br/?p=16570 Leia mais]]> A AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, o Polo da Borborema e a EcoBorborema – associação de feirantes agroecológicos da região de atuação do Polo, lançaram no dia 24 de setembro, no município de Arara-PB, o Projeto “Quitandas Agroecológicas no Território da Borborema”. A iniciativa faz parte do Ecoforte – Programa de Fortalecimento e Ampliação das Redes de Agroecologia, Extrativismo e Produção Orgânica Nº 17.240, desenvolvido em parceria com a Fundação Banco do Brasil – FBB, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES e o Governo Federal.

“Quitandas da Borborema” é o nome dado à rede de seis pontos fixos e um móvel de comercialização da agricultura familiar agroecológica que já começaram a ser implantados no território de atuação do Polo da Borborema. Serão cinco quitandas municipais (Queimadas, Arara, Remígio, Esperança e Solânea), uma quitanda regional nas margens da BR 104, entre os municípios de Esperança e Remígio, e mais uma quitanda móvel, no estilo dos atuais “food trucks”, que deve circular durante eventos em Campina Grande e região. Em cada uma das unidades, haverá um jovem bolsista pago pelo projeto para fazer promoção, venda dos produtos e prestação de contas.

Uma diversidade de alimentos in natura e beneficiados, já são comercializados com a marca de produtos “Do Roçado”, na rede de 13 feiras agroecológicas semanais acompanhadas pela EcoBorborema. A proposta é que a rede de quitandas receba produtos de famílias agricultoras de todos os 13 municípios de atuação do Polo e da AS-PTA. “A quitanda vai ser uma oportunidade para aquele agricultor que mora distante e que não consegue levar seus produtos para a feira ter, durante a semana toda, um espaço para comercializar sua produção”, comentou Maria do Céu Silva, liderança do Sítio Videl e do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de Solânea.

A atividade de lançamento do projeto contou com um primeiro momento de formação e debate com agricultores sobre o tema da comercialização e com a apresentação da experiência da Quitanda Municipal de Arara, que é a primeira quitanda a estar em funcionamento. Em um segundo momento, foi realizada a solenidade de assinatura do convênio com a presença de representantes da Fundação Banco do Brasil.

“Essa Quitanda é fruto da teimosia”

No período da manhã, Luiz Abílio, José Ivanildo Marques e Joelma Pereira de Sousa, que fazem parte do grupo de agricultores feirantes responsável pela Quitanda Municipal de Arara, compartilharam a sua experiência. “Essa Quitanda é fruto da teimosia, da união e da iniciativa dos agricultores. Tudo começou com a nossa organização para a feira agroecológica. A ideia surgiu da necessidade dos próprios trabalhadores, não foi uma invenção do Sindicato, foi uma coisa que partiu das pessoas e, por sorte, contamos com parceiros bons como o sindicato e o Polo, a AS-PTA e a igreja católica, que abraçou a bandeira da agroecologia aqui no nosso município”, disse seu Luiz.

Os três representantes contaram como superaram os desafios para passar a vender carne no espaço da feira agroecológica, que funciona todas as sextas-feiras e da quitanda que fica aberta de segunda à sábado, os dois expedientes, com exceção da manhã da feira. Falaram da importância do intercâmbio com outras experiências no campo da comercialização no estado, como a da “Tenda Agroecológica do Cariri”, da cidade de Boqueirão, que os estimulou a se organizarem para realizar a compra da mesa de corte de carne e da máquina de embalagem a vácuo. Contaram que a cada produto vendido, uma porcentagem de 20% fica para cobrir os custos com a quitanda e com os dois jovens que cuidam do controle dos estoques e do atendimento ao público.

A preocupação com a diversidade de produtos oferecidos também é um elemento presente, dois grupos de WhatsApp, um com os cerca de 20 fornecedores da quitanda e outro com consumidores, ajuda a fazer a gestão do que será oferecido e a organizar encomendas: “Se eu sei que meu colega tem muito coentro, já manejo meu plantio para colher mais na frente, quando o dele tiver acabado. O mesmo quando algum freguês quer alguma coisa e não encontra, pelos grupos a gente mantém essa troca de informações que nos ajuda a não ter o problema da falta ou da sobra de produtos”, explica José Ivanildo, conhecido como ‘Dinho’.

“Também buscamos manter um preço abaixo de outras quitandas convencionais, pois se antes a gente vendia ao atravessador até 50% menos, porque não podemos oferecer por um preço menor, se o lucro é todo nosso?” Complementou Gabriel de Souza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Arara.

Na sequência, Wagner dos Santos Lima, assessor técnico do Núcleo de Mercados da AS-PTA fez uma explanação sobre o projeto das Quitandas, fazendo um detalhamento do conjunto das ações e tirando dúvidas dos agricultores. “Esse projeto foi uma semente plantada lá atrás, não temos dúvidas que ele vai passar, mas que vocês vão dar continuidade a ele, ampliando o número de produtos e de agricultores, trazendo mais qualidade de vida para as famílias e consequentemente para o público consumidor”, disse.

No período da tarde, aconteceu a cerimônia de lançamento e assinatura do convênio com as presenças dos representantes da Fundação Banco do Brasil, Ricardo Eldon Nogueira, Gerente Geral da agência do Banco do Brasil do município de Esperança e Pedro Jorge Aguiar Figueiredo Filho, Gerente de Relacionamento Pessoa Jurídica de Campina Grande-PB. Compuseram a mesa ainda os agricultores Anilda Batista, do município de Remígio e da coordenação da EcoBorborema e Nelson Ferreira de Lagoa Seca-PB e da coordenação do Polo da Borborema e Manoel Roberval da Silva, da coordenação da AS-PTA.

“Quando olhamos para um projeto como esse, a gente vem aqui cheio de esperança por um mundo melhor. Digo a vocês que continuem contando com o Banco do Brasil para novas ideias e novos projetos de apoio à agricultura familiar”, disse Ricardo Eldon.

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“A Borborema é uma zona de conservação de Biodiversidade no Brasil”, afirmam pesquisadoras da USP durante encontro http://aspta.org.br/2019/09/21/a-borborema-e-uma-zona-de-conservacao-de-biodiversidade-no-brasil-afirmam-pesquisadoras-da-usp-durante-encontro/ http://aspta.org.br/2019/09/21/a-borborema-e-uma-zona-de-conservacao-de-biodiversidade-no-brasil-afirmam-pesquisadoras-da-usp-durante-encontro/#comments Sat, 21 Sep 2019 12:05:32 +0000 http://aspta.org.br/?p=16552 Leia mais]]> “Gostaria de parabenizar os guardiões de sementes pelos dados impressionantes que vimos aqui. Pelas nossas andanças, podemos afirmar com certeza que a região do Polo da Borborema é uma zona de conservação da biodiversidade no Brasil. Espero que o território possa usar estas informações para dar passos cada vez maiores”. A fala é de Natália Almeida, uma das pesquisadoras do Grupo Interdisciplinar de Estudos em Agrobiodiversidade – InterABio, associado à Universidade de São Paulo – USP que esteve presente no Encontro de Guardiões e Guardiãs de Sementes da Paixão do Polo da Borborema, realizado nos dias 18 e 19 de setembro de 2019, em Arara-PB.

O evento reuniu cerca de 80 representantes da rede de mais de 60 Bancos de Sementes de Comunitários (BSC) espalhados pelos 13 municípios de atuação do Polo da Borborema, uma articulação de sindicatos de trabalhadores rurais que há mais de 20 anos atua pela construção de um território agroecológico na região da Borborema, no Agreste da Paraíba, com a assessoria da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia. Os BSC são espaços de gestão coletiva das sementes locais cultivadas pelas famílias agricultoras, uma estratégia tão antiga como a da própria atividade da agricultura, de formação de estoques coletivos de sementes para se ter a garantia de disponibilidade do recurso no momento certo de plantar.

“Pelos Bancos de Sementes Comunitários não circulam apenas sementes, circulam histórias, saberes, solidariedade e vemos como é cada vez mais necessário que haja pesquisas solidárias e não ‘solitárias’”, completou Natália, que faz parte do grupo de acadêmicos que realizam pesquisas participativas na região a socializar resultados durante o encontro.

Durante o evento, foram socializados os resultados de duas pesquisas sobre manejo comunitário da agrobiodiversidade realizadas na Borborema. A primeira foi a coordenada pela professora Christine Werba Saldanha, do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal da Paraíba – UFPB, em João Pessoa, que há três anos vem dando continuidade a um trabalho de monitoramento dos estoques dos BSC na região, que teve início em 2015. A pesquisa mobiliza cinco estudantes de graduação e mestrado dos cursos de Engenharia de Produção, Agroecologia e Agronomia, em uma parceria com a Universidade Estadual da Paraíba – UEPB e o Centro de Ciências Agrárias da UFPB de Areia e as famílias guardiãs de sementes da Borborema.

O levantamento apresentado, referente ao ano de 2018, mostrou um estoque de 25 toneladas de sementes armazenadas nos bancos do Polo da Borborema, de 150 variedades diferentes. Uma novidade do estudo é a criação de cinco categorias para caracterizar a situação dos estoques e suas respectivas cores: elevado (azul); bom (verde); regular (amarelo); baixo (laranja) e crítico (vermelho). “As variedades com estoques críticos nos chamam a atenção e acendem o alerta para não perdermos esse patrimônio, lançando mão das estratégias como a da implantação dos campos de multiplicação, por exemplo, explica a professora. “O monitoramento ajuda a orientar a tomada de decisões, além de facilitar o intercâmbio de sementes entre os bancos dos territórios, pois eu tenho como saber exatamente onde tem a semente que eu preciso”, completou.

“Isso vem trazer uma responsabilidade muito grande para nós, gestores dos bancos, devemos ter um cuidado e um olhar também para os bancos de sementes familiares, que guardam uma riqueza ainda maior que a dos bancos comunitários”, avaliou seu Joaquim Santana, guardião do Sítio Montadas de Baixo, município de Montadas.

Troca de experiências e de sementes

O Encontro dedicou espaços para o intercâmbio entre os guardiões e guardiãs, seja por meio da feira de trocas, seja pela apresentação de experiências exitosas na gestão de bancos de sementes ou de estoques familiares, que geraram debates sobre as boas práticas na gestão dos BSC. A Feira de Sementes funcionou nos dois dias de evento, e foi um momento aberto para que todos os participantes expusessem as sementes que trouxeram para a troca, doação ou venda. Já entre as experiências apresentadas estavam a de bancos de sementes mais recentes, como é o caso do Banco de Sementes Santa Luzia, do Sítio Furnas, em Montadas, criado em 2016, e a experiência mais longa do Banco do Sítio Maracajá, em Queimadas-PB, ativo desde o ano de 2003. A primeira apresentada pela guardiã do feijão Rosinha, Rosilda dos Santos Lima e a segunda por Severina Pereira, conhecida como Silvinha, guardiã do milho Jabatão.

Raças de Milho

Os agricultores e agricultoras conheceram ainda os resultados da pesquisa “Raças de Milho das Terras Baixas da América do Sul”, realizada no Brasil e no Uruguai, pelo InterABio, que teve à frente as pesquisadoras Flaviane Malaquias Costa, do Laboratório de Genética Ecológica de Plantas do Departamento de Genética da USP e Natália Almeida, que também é professora da Universidade Tecnológica do Uruguai. O estudo aconteceu em áreas onde já existia um trabalho de conservação das sementes e abrangeu: os Pampas Uruguaios: Norte, Leste e Sul; o Pampa/Mata Atlântica do Rio Grande do Sul; o Cerrado/Pantanal do Mato Grosso do Sul; a Amazônia, no Acre; a Mata Atlântica de Minas Gerais e a Caatinga, na Paraíba. A pesquisa coletou amostras de milho e entrevistou agricultoras e agricultores para estudar quais os tipos existentes nestes países, considerando as raças como um indicador de diversidade.

Na Paraíba, estudo foi feito nos municípios de Alagoa Nova, Arara, Esperança, Montadas, Queimadas, Remígio e Solânea e mostrou que a região possuiu 68 das 359 de variedades de milho crioulo encontradas no Brasil e que das 15 raças encontradas no país, pelo menos quatro raças só são encontradas no território da Borborema. “Este é um sinal de que estamos conseguindo proteger raças que não são conhecidas no Brasil, nossa responsabilidade só aumenta e a pesquisa é importante para que a gente faça essa descoberta juntos”, comentou Euzébio Cavalcanti, do Assentamento Queimadas, integrante da Comissão de Sementes do Polo da Borborema e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remígio-PB.

Ameaça dos Transgênicos

Um ponto que tem sido causa de grande preocupação no território é a entrada dos transgênicos, com atenção especial para as sementes de milho, devido a sua polinização aberta, cujos cruzamentos entre plantas podem facilmente ocorrer, com ajuda do vento. Os dois principais problemas são a perda da biodiversidade existente e a perda do direito do agricultor de poder escolher o que quer plantar. Alternativas como a intensificação dos debates, o isolamento espacial das plantações de no mínimo 400m de distância e o isolamento temporal, com diferença de no mínimo 40 dias entre das datas de plantio, foram debatidos durante o encontro. “Temos o problema do espaço nas pequenas propriedades, e também do tempo, pois todos plantam quando vem a chuva, mas o maior problema é a dificuldade de conscientização, das pessoas saberem os riscos dos transgênicos”, alertou Adriana Araújo, do Assentamento Che Guevara.

Outras duas experiências, uma de gestão familiar e outra de gestão comunitária de sementes foram apresentadas: a do guardião Paulo Alexandre da Silva, do Assentamento Oziel Pereira, em Remígio e do Banco de Sementes do Assentamento Che Guevera, município de Casserengue, apresentada pelo agricultor Augusto Belarmino.

Os guardiões e guardiãs presentes concluíram reafirmaram seu compromisso com a preservação das Sementes da Paixão e elencaram os seguintes encaminhamentos: implantação de campos coletivos de multiplicação; trabalhar com a ideia de comunidades livres de transgênicos e não apenas propriedades; elaboração de um documento público denunciando a contaminação de transgênicos no território; realizar plantios na entre safra e pensar em estratégias de comunicação sobre os efeitos negativos dos transgênicos; manutenção de estoques de reserva nas comunidades e na sede do Banco Mãe, localizado em Lagoa Seca-PB, entre outras.

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AS-PTA lançará ‘Quitandas da Borborema’ rede de pontos fixos de comercialização da Agricultura Familiar http://aspta.org.br/2019/09/19/as-pta-lancara-quitandas-da-borborema-rede-de-pontos-fixos-de-comercializacao-da-agricultura-familiar/ http://aspta.org.br/2019/09/19/as-pta-lancara-quitandas-da-borborema-rede-de-pontos-fixos-de-comercializacao-da-agricultura-familiar/#respond Thu, 19 Sep 2019 23:11:26 +0000 http://aspta.org.br/?p=16544 Leia mais]]> A AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia em parceria com a o Polo da Borborema e a EcoBorborema – associação que reúne os feirantes agroecológicos da região de atuação do Polo, realizará no próximo dia 24 de setembro, as 14h, no município de Arara-PB, o lançamento oficial do Ecoforte – Programa de Fortalecimento e Ampliação das Redes de Agroecologia, Extrativismo e Produção Orgânica Nº 17.240, o “Quitandas Agroecológicas no Território da Borborema”. O projeto será desenvolvido em parceria com a Fundação Banco do Brasil – FBB, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES e o Governo Federal.

A solenidade de lançamento ocorrerá na quitanda municipal de Arara-PB e contará com as presenças de agricultoras e agricultores dos 13 municípios de atuação do Polo da Borborema, feirantes da rede de 12 feiras agroecológicas da EcoBorborema e representantes da Fundação Banco do Brasil. A programação contará com um primeiro momento de reflexão sobre o papel das quitandas na região a partir das 9h.

A iniciativa contribuirá para consolidação da base produtiva da Rede Agroecológica na Borborema por meio da diversificação dos circuitos de comercialização da produção das famílias agricultoras. Será implantada e estruturada uma rede de pontos fixos de comercialização dos produtos da agricultura familiar, que receberão a marca “Do Roçado”.

Nesses espaços coletivos de comunicação serão ofertados aos consumidores uma diversidade de produtos in natura e alimentos beneficiados como doces, bolos, polpas de frutas, fubá, xerém, mungunzá, entre outros. As “Quitandas da Borborema” formarão uma rede com sete pontos, sendo cinco unidades municipais (Solânea, Arara, Remígio, Esperança e Queimadas), uma unidade móvel regional (comercialização dos produtos agroecológicos em diferentes pontos no município de Campina Grande) e uma quitanda fixa regional que funcionará no local onde estão as sedes da AS-PTA e do Polo da Borborema, no Centro Agroecológico de São Miguel, em Esperança-PB.

O projeto irá consolidar o processo de formação com as famílias agricultoras fornecedoras dos produtos agroecológicos, com os jovens que irão contribuir com o processo de comercialização nesses espaços de comercialização. Cada quitanda terá como responsável pelas vendas um jovem monitor bolsista pelo projeto.

Programação:
9h – Abertura
9h30 – Debate sobre a importância estratégica de ampliar os canais de comercialização da produção agroecológica da Borborema, fortalecendo a integração econômica das famílias e a disputa pelo projeto político agroecologia no Território.
11h – Construção de uma Rede de pontos fixos para fortalecer os canais de comercialização da produção agroecológica no Território da Borborema.
12h – Almoço
14h – Apresentação e Lançamento Oficial do Projeto Ecoforte.
16h – Encerramento

 

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Estudo analisa viabilidade econômica-ecológica de agrossistemas no território da Borborema http://aspta.org.br/2019/09/12/estudo-analisa-viabilidade-economica-ecologica-de-agrossistemas-no-territorio-da-borborema/ http://aspta.org.br/2019/09/12/estudo-analisa-viabilidade-economica-ecologica-de-agrossistemas-no-territorio-da-borborema/#respond Thu, 12 Sep 2019 17:01:14 +0000 http://aspta.org.br/?p=16527 Leia mais]]> A região da Borborema na Paraíba, está recebendo, entre os dias 10 e 17 de setembro, a visita dos consultores Gustavo Martins e Cinara Dell’Arco, como parte do processo de produção de um estudo sobre a viabilidade econômica-ecológica de agrossistemas em diferentes realidades do país. O território é onde atua o Polo da Borborema, rede de 13 sindicatos de trabalhadores rurais que há mais de 20 trabalha pelo fortalecimento da agricultura familiar agroecológica com a assessoria da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.

A iniciativa da pesquisa é do consórcio formado pela AS-PTA na Paraíba e por outras cinco organizações de promoção da agroecologia, dos estados do Maranhão (Tijupá), Ceará (Esplar), Bahia (Sasop) e Minas Gerais (Rede) que, na década de 1980, fizeram parte da articulação Projetos de Tecnologias Alternativas, a chamada Rede PTA e hoje compõem a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA). As seis organizações são parceiras da entidade de cooperação internacional alemã Pão para o Mundo (Brot für die Welt) que é quem está financiando o estudo.

O consórcio tem como objetivos facilitar a gestão dos projetos apoiados, trabalhar na construção de redes e fortalecer a incidência política no tema da agroecologia, além de trazer mais visibilidade para a temática.

O estudo conta com dois consultores para cada grupo de dois estados e está utilizando o Lume, um método de análise sobre as estratégias de produção e reprodução econômica e ecológica da agricultura familiar, que permite o estabelecimento de ambientes de construção compartilhada de conhecimento com as famílias agricultoras e com organizações parceiras com as quais trabalha.

O Lume é fruto de um esforço da AS-PTA em parceria com a ANA para suprir uma carência de ferramentas de análise que permitam dar conta das racionalidades econômicas e ecológicas que subentendem a superioridade dos agroecossistemas de gestão familiar sobre as lógicas empresariais que fundamentam o capitalismo agrário.

Para a realização da pesquisa, há equipes de dois consultores para cada grupo de dois estados. Na Paraíba, as experiências de duas famílias agricultoras do município de Esperança-PB estão sendo visitadas: a de Ligória Felipe dos Santos e de Rita Isidro, ambas no Sítio Benefício.

De acordo com Bruno Prado, assessor técnico da AS-PTA, o objetivo do Estudo pretende responder às seguintes questões: quais os impactos significativos nas condições socioeconômicas da vida das famílias agricultoras e seus membros nos territórios de atuação das entidades do Consórcio e que contribuição aportaram as entidades para a produção dos impactos? Para tanto, as experiências escolhidas estão sendo analisadas em três níveis: territorial, comunitário e o do próprio agrossistema.

Em sua visita à Borborema, a dupla de consultores tem uma intensa agenda que incluiu reuniões com membros da coordenação do Polo da Borborema e representantes das várias comissões temáticas para entender o processo histórico de evolução da agricultura no território e o impacto da atuação do Polo; com moradores da comunidade do Benefício para recuperar sua história, e até dia 17/09, visitarão as propriedades e entrevistarão as agricultoras. A proposta é que o estudo seja transformado em dados que possam orientar a elaboração de novos projetos e até embasar a reivindicação de políticas públicas para a agricultura familiar na região.

“Foram os diagnósticos participativos que realizamos enquanto Polo da Borborema que foram nos dando munição para a construção de políticas públicas aqui na nossa região e ir acertando a grande dívida do governo com esse público mais pobre, aquele mesmo que, no passado, fez parte das frentes de emergência”, observou Nelson Ferreira, agricultor do Sítio Lagoa do Gravatá e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Seca-PB, durante um dos encontros.

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Rota das sementes crioulas no Paraná http://aspta.org.br/2019/09/05/rota-das-sementes-crioulas-no-parana/ http://aspta.org.br/2019/09/05/rota-das-sementes-crioulas-no-parana/#comments Thu, 05 Sep 2019 18:44:43 +0000 http://aspta.org.br/?p=16522 Leia mais]]> Conservação da agrobiodiversidade e a defesa das sementes crioulas. Estas são as bandeiras sob as quais mais de 25 instituições, movimentos e coletivos do estado do Paraná se organizam desde 2015, quando a Rede Sementes da Agroecologia (ReSA) se enraíza enquanto rede. De forma descentralizada, informal, com respeito aos diversos processos culturais e de organização local, a ReSA apresenta alguns dos caminhos percorridos pelas sementes no estado, plantadas em diferentes e férteis solos.

A inspiração de constituição da rede veio da campanha “Patrimônio dos Povos a Serviço da Humanidade”, lançada pela Via Campesina no Fórum Mundial Social de 2003. A campanha tinha o importante objetivo de articular ações territoriais para garantir a soberania alimentar dos povos. Essa garantia, de continuidade da vida, vinha a partir da proteção do bem mais fundamental: a própria semente.

Reconhecer as famílias guardiãs, resgatar variedades em extinção ou perdidas, criar e fortalecer espaços para conservação das espécies e troca de experiências – como as casas e bancos comunitários de sementes, fomentar o melhoramento e variedades adaptadas aos sistemas agroecológicos, incidir politicamente e dialogar com a sociedade civil foram algumas das ações postas em prática pela ReSA desde então.

A missão da rede é articular as diversas iniciativas de conservação, melhoramento, produção, comercialização e troca de sementes, trabalhando pela manutenção do direito de camponesas e camponeses, famílias agricultoras, povos indígenas e comunidades tradicionais, que tenham compromisso com o fortalecimento da Agroecologia nos territórios, no acesso e preservação de suas sementes. As ações caminham em direção ao fortalecimento e inserção nos espaços de luta política.

A ReSA compreende que sementes são todas as formas de vida utilizadas para a multiplicação de uma espécie, ou seja, grãos, tubérculos, ovos e animais, são considerados sementes e fundamentais para a manutenção da biodiversidade e a produção de alimentos. Neste sentido, as sementes são patrimônio da humanidade e direito fundamental para a manutenção da vida.

O lugar de culminância das diferentes rotas percorridas pelas sementes e de quem as semeia são as festas e feiras do estado. Elas são o momento político mais expressivo da Rede, pois possibilitam o forte diálogo com a sociedade, a troca de saberes e experiências, de conexão entre outras organizações, grupos, coletivos e pessoas das mais distintas regiões. Enquanto espaço articulador, as festas e feiras possibilitam o acesso à informação e a unificação das lutas pelos direitos dos povos e garantia da soberania alimentar.

Em 2017 foram em torno de 15 espaços de comercialização e troca de sementes com uma circulação de 25 mil pessoas. No ano seguinte foram 23 festas e feiras, com mais de 40 mil visitantes e a presença de 700 famílias guardiãs de todo Paraná. Em 2019 serão mais de 20 festas em diversos municípios do estado e a 17ª Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade, realizada no município de Rebouças e organizada pelo Coletivo Triunfo.

Também em 2017 a ReSA recebe o prêmio Juliana Santilli em defesa da agrobiodiversidade, oferecido pelo Instituto Socioambiental. A premiação tem o intuito de celebrar iniciativas, individuais ou coletivas, que fazem a diferença, promovendo a ampliação, a conservação, o acesso, a distribuição ou o uso de produtos da agrobiodiversidade.

O fortalecimento de espaços como as festas e feiras, a criação de bancos de sementes comunitários, incidência política no âmbito legislativo e a implementatação de merenda escolar 100% orgânica são algumas das estratégias de ação da rede. Pautas nítidas e apresentadas na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, a partir de projeto de lei propostos e em tramitação na Casa.

As políticas estaduais de agroecologia e redução de agrotóxicos, tomando como referência outros estados que já aprovaram legislação específica, são vitórias a serem celebradas e replicadas nos territórios. Neste caminho, a ReSA se coloca como interlocutora necessária e imprescindível nas pautas da agrobiodiversidade paranaense, sendo extremamente representativa da sociedade civil e dos guardiões e guardiãs de nosso patrimônio genético e dos conhecimentos tradicionais associados. Enquanto Rede e através da articulação e do diálogo das diferentes iniciativas relacionadas à preservação, produção, reprodução, comercialização e troca de sementes agroecológicas, a ReSA luta para assegurar aos povos o livre acesso às sementes, como direito humano, garantindo a produção saudável de alimentos e a sua preservação para as presentes e futuras gerações.

Texto e Imagem: Luiza Damigo
Rede Sementes da Agroecologia – ReSA
Fonte: https://www.ufrgs.br/

 

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AS-PTA debate com parceiros Política de Proteção às Crianças, Adolescentes e Adultos em Situação de Vulnerabilidade http://aspta.org.br/2019/09/05/as-pta-debate-com-parceiros-politica-de-protecao-as-criancas-adolescentes-e-adultos-em-situacao-de-vulnerabilidade/ http://aspta.org.br/2019/09/05/as-pta-debate-com-parceiros-politica-de-protecao-as-criancas-adolescentes-e-adultos-em-situacao-de-vulnerabilidade/#comments Thu, 05 Sep 2019 14:15:32 +0000 http://aspta.org.br/?p=16511 Leia mais]]> No dia 04 de setembro, em sua sede, no Centro Agroecológico de São Miguel, em Esperança-PB, a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, promoveu um debate com parceiros na ação do seu Núcleo de Infância e Educação, como o Polo da Borborema e educadores de escolas do campo da região sobre a sua Política de Proteção às Crianças, Adolescentes e Adultos em Situação de Vulnerabilidade que está em fase de elaboração. Este foi o segundo momento de construção coletiva, que tem contado com a assessoria de Desirée Ruas e Fernanda Clímaco, ambas especialistas na cultura da criança e atuam como consultoras na elaboração da Política.

Desde o ano de 2002, a AS-PTA, em parceria com os 13 Sindicatos de Trabalhadores Rurais que formam o Polo da Borborema e, mais recentemente, com as secretarias de educação dos municípios, realiza a Campanha pelo Fortalecimento da Vida na Agricultura Familiar, que tem como público milhares de crianças, filhos e filhas das famílias agricultoras que participam da dinâmica e do trabalho de promoção da agricultura familiar agroecológica no território da Borborema, no Agreste da Paraíba.

A Campanha tem como principal ação as Cirandas da Borborema, um dia de aprendizagem assentado na ludicidade, que acontecem duas vezes ao ano em escolas do campo, igrejas ou associações comunitárias de mais de 50 localidades rurais nos 13 municípios. O objetivo é trabalhar com as crianças os temas que mobilizam o movimento social da agricultura familiar agroecológica da região, dialogando com os seus saberes e promovendo a sua identidade camponesa.

Em 2019, a instituição e seus parceiros dão um novo passo nesta caminhada com a elaboração de uma Política de Proteção às Crianças, Adolescentes e Adultos em Situação de Vulnerabilidade em conjunto com um Plano de Ação e Cuidado, responsável por traçar estratégias de mobilização e comunicação para a Política, que, por sua vez, tem como objetivos: a) divulgar, promover e garantir os direitos de crianças, adolescentes e adultos em situação de vulnerabilidade; b) definir condutas, procedimentos para a prevenção, o combate e a resposta à situações de violação nos contextos em que a AS-PTA atua; c) promover e fortalecer a escuta de crianças, adolescentes e adultos em situação de vulnerabilidade; d) estimular e fortalecer o combate às violências contra crianças, adolescentes e adultos em situação de vulnerabilidade.

Abuso sexual de crianças e adolescentes

O debate teve início com uma discussão sobre o preocupante problema do abuso sexual de crianças e adolescentes, provocado a partir da exibição do vídeo do canal do Youtube “JoutJout Prazer”, da blogueira Júlia Tolezano. No filme, ela fala sobre os casos de abuso sexual de crianças e adolescentes que acontecem dentro das famílias e como estes não chegam a virar estatísticas para que se tenha a real noção do problema no país e como as crianças se tornam vulneráveis por não compreenderem de fato que determinadas situações são abuso, pois vêm de parentes ou pessoas em quem elas deveriam confiar.

Muitos participantes se emocionaram, ao lembrar de abusos que eles próprios sofreram ou casos que acompanharam de perto. “Nos oito meses em que estive à frente da Secretaria de Ação Social do meu município, acompanhei três casos como estes. Um dos mais chocantes, foi o de um menino estuprado por oito homens. Uma coisa muito grave também nesses casos é a culpabilização da mãe ou da própria criança, que ampliam o sofrimento”, observou Roselita Vitor, liderança do município de Remígio e da Coordenação do Polo da Borborema.

“Na minha condição de gestora escolar, pretendo a partir de agora chamar uma reunião na minha unidade para tratar dessa discussão, pois percebo que muitas vezes o comportamento de algumas crianças muda completamente e nós chamamos a família, mas nem sempre é possível identificar o problema. Sei que pode estar acontecendo uma situação dessas e nós não ficamos sabendo e nem temos como intervir, então esse debate é muito importante”, disse Ozanilda Braga da Costa, diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental José Pereira da Cruz, na Comunidade Olho D’água, município de Solânea.

Eleições dos Conselhos Tutelares

O debate levantou ainda uma discussão sobre a eleição dos novos conselheiros e conselheiras tutelares, previstas para o dia 06 de outubro em todo o país, para um mandato de quatro anos. Assessores técnicos da AS-PTA, lideranças agricultoras e educadores presentes concordaram que é necessário provocar o debate nos municípios sobre o papel do conselho e o perfil das pessoas que vão ocupar as vagas. Cláudia Maria da Silva, do município de Montadas, falou sobre a sua experiência enquanto conselheira tutelar: “A situação é gravíssima, só no meu município esse ano houve 20 casos. Repensei a minha candidatura nesse ano, pois recebi ameaças na época por minha atuação em casos onde crianças abusadas precisaram ser retiradas dos lares onde foram vítimas”, disse.

“A nossa ideia com o vídeo era justamente essa, nos indignar, pois não estamos reunidos aqui à toa. Proteger as crianças é uma obrigação não só da família e do Estado, mas de toda a sociedade. E a gente só age quando se sente incomodado”, comentou Fernanda Clímaco. Em seguida, a consultora apresentou as premissas, princípios e diretrizes que formam a Política de Proteção de Crianças e Adolescentes: “Começamos reconhecendo que as crianças, adolescentes e jovens são sujeitos ativos que aprendem pela relação, pesquisa, experimentação e interação, se comunicando e transformando o mundo. Eles são potentes, capazes e a partir do momento que começamos a enxergá-los dessa forma na nossa abordagem, tudo muda”, disse.

Digo sim ou digo não

Um momento provocador do encontro foi quando os participantes puderam debater sobre possíveis situações de violações de direitos nas ações do Polo da Borborema e da AS-PTA. Organizadas em pequenas tarjetas, as perguntas foram distribuídas entre os presentes: “As crianças começam a brincar de dança da laranja ou da dança do balão. Digo sim ou digo não?” A partir de situações como essa, aprofundou-se a reflexão sobre a conduta dos adultos envolvidos, ao passo em que também se provocava exercitar um novo olhar sobre as crianças e os adolescentes. “Quando passamos a considerar as crianças e os adolescentes como sujeitos de direito, passamos também olhar para eles de forma mais completa. Precisamos considerar que aquela criança tem um corpo, tem desejos e tem direito sobre seu corpo. Será que é confortável para ela o contato da outra pessoa?”, provocou Fernanda Clímaco, durante o debate. Esse exercício coletivo de análise de situações corriqueiras como essa, foi um momento ímpar para a sensibilização dos participantes sobre a necessidade de se construir uma política de proteção com um protocolo claro de ação.

O trabalho continuou com a apresentação das diretrizes da Política em construção:  os compromissos, princípios, valores, condutas em situação de risco, um organograma de para consultas e denúncias, além do monitoramento e avaliação da sua implementação. Ao final, como resultado, os participantes foram divididos em três grupos de forma a ser produzida uma carta de intenção assinada pelo conjunto de parceiros com os compromissos assumidos na concretização do Plano de Ação e efetivação da Política.

“Cuidar da infância é, além de uma obrigação constitucional, uma ação ética urgente para toda a sociedade. Assim como a Agroecologia nos convida a mudar os padrões tradicionais que exaurem o solo e contaminam o ambiente, uma cultura de cuidado para com a infância exige rever comportamentos, práticas e discursos. Em uma sociedade envenenada por condutas não saudáveis, violentas, desumanas e artificiais, as crianças nos pedem uma outra realidade. Elas pedem sobretudo atenção em uma realidade que invisibiliza as necessidades de meninos e meninas e não enxerga a infância nos processos decisórios familiares e sociais”, encerra Desirée Ruas um dia intenso de reflexão e de construção de uma nova cultura.

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http://aspta.org.br/2019/09/05/as-pta-debate-com-parceiros-politica-de-protecao-as-criancas-adolescentes-e-adultos-em-situacao-de-vulnerabilidade/feed/ 1