Boletim 267 – 26 de agosto de 2005

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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 267 – 26 de agosto de 2005

Car@s Amig@s,

No último dia 16 de agosto a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança/ Ministério de Ciência e Tecnologia) enviou à AS-PTA carta com resposta ao pedido de suspensão de importação de milho transgênico da Argentina feito em 10 de junho por 14 organizações da sociedade civil. A importação foi autorizada através do parecer 530/2005 emitido pela CTNBio e só entre maio e junho entraram pelo Porto de Recife mais de 52 mil toneladas de milho transgênico.

Diferente das respostas enviadas pelos ministérios do Meio Ambiente e da Defesa, que concluem, respectivamente, pela necessidade da revogação total do parecer e pela repetição dos testes de segurança do produto, a CTNBio/MCT adota tom agressivo em sua carta, usando termos como “Totalmente fora de contexto, ilógico, desprovido de fundamentação técnica e conhecimento científico e devaneio científico dos autores”. A resposta da CTNBio/MCT, apesar disso, não faz menção a um único estudo que fundamente suas afirmações e tenta convencer sobre a segurança dos transgênicos usando o argumento da autoridade.
 
O pedido das organizações foi motivado por estudos e casos de contaminação que trouxeram novos elementos à discussão sobre a segurança dos alimentos transgênicos. Entre eles o estudo da Monsanto, mostrando que ratos alimentados com o milho MON 863 desenvolveram anormalidades em seus órgãos internos e alterações em seu sangue.
 
O governo precisa reconhecer que as preocupações da sociedade quanto à segurança dos transgênicos são legítimas e devem ser abertamente debatidas. Refutar esses questionamentos com declarações baseadas em avaliações pouco transparentes, como a CTNBio faz, não contribui para este debate.
 
A CTNBio/MCT procura desqualificar o pedido afirmando que o MON 863 não é cultivado na Argentina. No entanto, basta checar as informações da Secretaria de Agricultura Ganaderia y Pesca daquele país para ver que, apenas no ano de 2004, 14 variedades contento o evento e híbridos resultantes de cruzamentos com o MON 863 tiveram autorização para produção comercial na Argentina. Receberam essas autorizações: Satus Ager S.A., Monsanto Argentina e Pioneer. No mesmo ano, mais 6 autorizações para cultivo experimental de variedades que contêm o evento também foram autorizadas. Essas informações podem ser checadas na página da SAGPyA:
http://www.sagpya.mecon.gov.ar/new/0-0/programas/conabia/liberaciones_ogm_2004.php
 
Para justificar a liberação de um milho que sequer constava do pedido original para importação, a CTNBio indiretamente assume que qualquer variedade hoje cultivada na Argentina pode estar entrando no Brasil. “… tendo conhecimento de que o milho NK 603 já é comercializado na Argentina… [a CTNBio] considerou que o mesmo poderia ser acrescentado ao parecer, já que poderia estar presente nos carregamentos vindos da Argentina”. A pergunta que fica é a seguinte: por que o mesmo não poderia acontecer com o MON 863, igualmente cultivado na Argentina, ou com as demais variedades liberadas na Argentina, mas que não constam dos estudos nem do parecer da CTNBio?

O fato de o senhor Gutemberg Delfino de Souza assinar a carta enquanto assessor técnico da CTNBio mostra que o MCT não é exatamente um ator isento, já que seu representante integra o CIB (Conselho de Informação sobre Biotecnologia) e a Anbio (Associação Nacional de Biosseguraça), entidades de propaganda dos transgênicos, sendo que a primeira é financiada pela Monsanto e por outras empresas do ramo. A recém-nomeação de Luis Antônio Barreto de Castro, ex-presidente da CTNBio e fervoroso defensor dos transgênicos, para uma das secretarias do MCT mostra a opção deste ministério.
 
Fazendo coro com o ministério da Saúde, que, em resposta ao pedido das organizações, acredita ser necessário que “não só os órgãos governamentais, como a iniciativa privada, a sociedade organizada, os pesquisadores e os consumidores sejam fiscalizadores de decisões como essa para que se garanta a segurança alimentar de toda a população brasileira”, a AS-PTA e a Articulação do Semi-Árido Brasileiro encaminharam pedido de informação à Delegacia Regional de Agricultura em Pernambuco para saber das medidas de fiscalização e controle que vêm sendo adotadas para a entrada do milho transgênico vindo da Argentina.
 
Quanto mais transparente e participativo for o processo de tomada de decisão sobre o uso de transgênicos no País, melhor será para toda a população. E este é o momento para que o governo invista nesse sentido, incluindo no decreto da lei de biossegurança mecanismos que garantam a imparcialidade e a isenção dos membros da nova CTNBio, a participação da sociedade e a transparência nos processos de tomada de decisão sobre transgênicos.

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Neste número:

1. Syngenta a um passo de dominar nossa comida
2. Argentina aprova milho transgênico da Syngenta
3. Olvebra paga mais pela soja convencional
4. Decreto deverá liberar sementes da soja pirata
5. Reunião de Soja faz indicação de manejo de plantas daninhas
6. Cooperativas se preparam para soja transgênica
7. Paranaenses farão contraproposta à Monsanto sobre royalties
8. OCB rejeita sistema de royalties
9. Propaganda transgênica nas escolas

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Transição agroecológica no Espírito Santo

Dica sobre fonte de informação
O Programa Regional de Bolsas do CLACSO lançou um novo concurso para pesquisadores sobre "Os impactos socioculturais e econômicos da introdução da agricultura transgênica na América Latina e no Caribe". Informações: www.clacso.org ou bio05@campus.clacso.edu.ar.

Curso sobre Transgênicos, com início dia 14/10/2005. O curso será lecionado pelo especialista Walter Pengue e o certificado será emitido pelo GEPAMA, da UBA (Universidad de Buenos Aires) e EcoPortal.net. Informações: http://www.ecoportal.net/content/view/full/47311

Evento
V Festa Regional das Sementes Crioulas e da Biodiversidade. Comunidade Invernada, Rio Azul – PR. Dia 28 de agosto. Informações com Eloi Kottwicz, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Azul. Tel: (42) 3463 1107.

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1. Syngenta a um passo de dominar nossa comida
A empresa de biotecnologia Syngenta avançou um passo grande em direção ao “domínio” de sementes no futuro com a inscrição de 15 pedidos globais de patentes sobre milhares de seqüências gênicas do arroz e de outras plantas igualmente importantes. Isso significa, na prática, que a empresa será capaz de ditar preço, acesso, pesquisa e reutilização das sementes no futuro. Em reunião com organizações não governamentais, a empresa se recusou a abandonar as patentes “megagenômicas”.

“Com essas patentes a Syngenta está reivindicando que o trabalho de agricultores nos últimos séculos passe a ser de sua propriedade. A tentativa de monopolizar de uma só vez milhares de seqüências gênicas de um dos mais importantes grãos cultivados não é nada menos do que o roubo de um bem comum”, disse Tina Goethe da Swissaid. “Isso para não falar do fato de que essas patentes podem impedir futuras pesquisas”.

De acordo com os especialistas em patentes da Syngenta, a empresa reivindicará patentes sobre todas as seqüências gênicas que possam ser de interesse comercial. Ao alegar seus direitos sobre as informações genéticas de arroz, a empresa também tenta monopolizar todas as seqüências similares de outras plantas de interesse comercial, permitindo que a mesma e todas as outras indústrias de biotecnologia determinem o preço e o acesso a todas as sementes cultiváveis.

A empresa também está tentando patentear o uso de plantas na alimentação humana e em rações. O único comprometimento sinalizado pela empresa foi o de não seguir com esses pedidos de patentes nos países menos desenvolvidos.

“Essa patentes não devem ser aprovadas nunca. Se a empresa seguir com suas reivindicações, ela deve se preparar para protestos públicos e ações legais que serão movidas contra ela. (…)

O encontro com a Syngenta também revelou que o interesse da empresa no controverso “Arroz Dourado” foi conduzido principalmente por razões comerciais. Esse arroz transgênico foi apresentado pela empresa como a solução mais efetiva para combater a desnutrição em países pobres, já que a planta apresentaria teores mais elevados de vitamina A.

Em um correio eletrônico enviado às ONGs antes do encontro, Adrian Dubock, chefe de biotecnologia da Syngenta, disse que “O interesse comercial original da Syngenta era vender cultivos mais nutritivos, não só o arroz, nos países industrializados.” De acordo com Dubock, a patente do arroz transgênico não será abandonada porque “nossos acionistas não nos agradeceriam se nós nos esquecêssemos dessa possibilidade”.

“Esta declaração mostra claramente o interesse comercial desse tão aclamado projeto humanitário. Sua intenção não é ajudar às pessoas nos países em desenvolvimento: seu objetivo maior é beneficiar seus acionistas”, conclui Christoph Then, do Greenpeace Internacional.

http://www.swissaid.ch/news/e/news.htm, 11/08/2005.
http://www.evb.ch/index.cfm?set_lang=5

2. Argentina aprova milho transgênico da Syngenta
O governo da Argentina aprovou nesta segunda-feira (22/08) a venda e o plantio do milho transgênico GA-21, desenvolvido pela suíça Syngenta, informa o jornal El Cronista. O produto é resistente a herbicidas.

O secretário de Agricultura do país, Miguel Campos, disse que a semente vai ajudar a reduzir os custos de produção, deixando-os em linha com os da soja, grão mais produzido no país. O governo argentino quer diminuir o plantio de soja, considerado excessivo, para evitar que o país fique dependente de apenas um tipo de grão.

O ministro da Economia Roberto Lavagna acrescentou que a produção de milho transgênico vai beneficiar também a indústria de processamento de aves e suínos, que usam o milho na produção de ração.

A Argentina é o segundo maior exportador de milho do mundo (…). No país já foram aprovadas comercialmente 10 variedades transgênicas: uma de soja, duas de algodão e agora sete de milho.

Agência Estado, 23/08/2005.
http://www.clarin.com/diario/2005/08/19/elpais/p-02002.htm, 19/08/05.

3. Olvebra paga mais pela soja convencional
O avanço da soja transgênica está forçando as empresas que só trabalham com grão convencional a elevar o ágio pago aos produtores, a fim de garantir a produção de alimentos livres de organismos geneticamente modificados.

A gaúcha Olvebra S.A., dona de produtos como o leite de soja Soy, de propriedade do empresário chinês Richard Tse, aumentou o bônus de 6% para 10% nos últimos seis anos, à medida que os transgênicos avançaram no Rio Grande do Sul. Esta foi a maneira que encontrou de incentivar o plantio de soja convencional em um estado onde 95% das plantações são transgênicas.

"A tendência é de que o ágio aumente ainda mais nos próximos anos", diz Marcelo Schaid, diretor comercial da empresa. "A vantagem da transgênica foi anulada pelo ágio da convencional e pelos elevados custos do royalty. A tendência é que a área de não transgênicos cresça no curto prazo", diz Antônio Wünsch, presidente da Cooperativa Agropecuária Alto Uruguai Ltda. (Cotrimaio).

A Cotrimaio forneceu soja convencional até a safra 2002/03. Ela deixou de fornecer para a Olvebra quando o percentual de recebimento de não-transgênico caiu de 80% para 67%. Na safra 2003/04, a indústria firmou parceria com a Cooperativa Mista São Luiz Ltda (Coopermil), atual fornecedora.

O gerente-técnico da Copermil, Sérgio Schnider, diz que a demanda por soja não-transgênica é maior que a capacidade de produção. Há quatro anos, estimava-se que 20% da produção da região fosse de grãos geneticamente modificados. Na última safra, o índice era de 70%. "Está difícil encontrar semente convencional. Mas vale a pena porque vale um bônus que não se pode desprezar", afirma Schnider.

Os representantes das cooperativas acreditam que o fato de muitos dos produtores ser de pequeno porte contribui para a preferência pelo não-transgênico. "Praticamente tenho a lavoura limpa, não preciso de herbicida e, por isso, também não necessito de transgênicos", diz Francisco de Gaspari, agricultor em Santa Rosa (RS).

Ele não vê vantagem econômica no plantio da soja geneticamente modificada, pois o prêmio pago ao grão convencional vem crescendo e, ademais, a semente convencional escapa do royalty de 2% da soja pirata. "Além disso, as variedades eram contrabandeadas e não estavam adaptadas ao clima do Brasil", alega Gaspari.

Desde a safra 1999/00 que a Olvebra paga um prêmio para ter soja convencional. "Toda a nossa linha de produtos é voltada para a saúde. Então, quando surgiu a polêmica, preferimos o grão convencional", diz Marcelo Todeschini Schaid, diretor-comercial da Olvebra. No entanto, neste ano, devido à seca, a Olvebra precisou buscar grãos fora do Rio Grande do Sul, aumentando os custos – entre frete e diferença de preço – em torno de 12%. O gasto com a certificação também cresceu, uma vez que antes a indústria tinha fornecedores fixos, já auditados e, neste ano, precisou fazer análise em todos os lotes adquiridos. Cerca de 80% da produção da Olvebra – que recebe entre 600 a 700 toneladas de farelo por mês – veio do Paraná e Mato Grosso.

Quase toda a produção da Olvebra é voltada para o mercado externo – apenas 15% é exportada principalmente para a União Européia e Japão. Nestes mercados, além do nicho do não-transgênico, a empresa explora ainda os orgânicos. Em 2006, a perspectiva é de que produtos de soja orgânica sejam comercializados também no Brasil.

O prêmio pago ao grão que não utiliza agrotóxicos no cultivo é de 70%. "Ainda não tínhamos volume suficiente", diz Schaid. Outra inovação, que estará no mercado a partir de setembro, é o leite condensado de soja. A Olvebra tem buscado, nos últimos anos, desenvolver produtos que substituem o leite de vaca na alimentação. Por isso, sua linha vai de leite de soja, a bolos, macarrão e suplementos, todos tendo a commodity como matéria-prima.
Gazeta Mercantil, 22/08/2005.

4. Decreto deverá liberar sementes da soja pirata
Enquanto o governo federal não chega a um acordo sobre a regulamentação da Lei de Biossegurança e a constituição da nova Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), o Ministério da Agricultura decidiu elaborar uma nota técnica que autoriza o uso – para plantio na safra 2005/06 – de sementes transgênicas de soja salvas pelos agricultores no ciclo passado. A norma, que deve ser publicada nos próximos dias, legaliza o uso das sementes transgênicas guardadas e que se originaram da multiplicação de produto contrabandeado em anos anteriores.
Segundo a assessoria de imprensa do ministério, a nota técnica (que dará origem a um decreto) prorroga por mais uma safra o uso comercial das sementes "piratas" de soja transgênica, tendo em vista que a Lei de Biossegurança (Lei n 11.105/05) permite o uso das sementes salvas até a safra 2004/05. Uma fonte ligada ao ministério informou que a Secretaria de Política Agrícola estuda no momento a segunda minuta para o decreto, que ainda não foi avaliado pelo ministro Roberto Rodrigues.

Carlos Sperotto, presidente da Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul – Farsul -, disse que seria uma "incoerência" do ministério não autorizar o uso da semente salva, já que há pouca disponibilidade de produtos certificados no mercado. "A demora do governo em autorizar a prorrogação já traz irritação aos produtores", afirmou Sperotto.

De acordo com a Farsul, a oferta de sementes certificadas de soja transgênica (estimada em 20 mil toneladas) atende 10% da demanda prevista para o Estado neste ciclo. A Farsul estima que dos 4 milhões de hectares de soja a serem plantadas, 95% serão transgênicos.

A restrição ao uso das sementes salvas impede os produtores de obter crédito de custeio junto aos bancos. Isso porque o financiamento para sementes só é autorizado com a apresentação de nota fiscal de compra – que não existe no caso das sementes transgênicas salvas – ou da apresentação de um laudo laboratorial atestando que se tratam de sementes convencionais. Segundo dados do Banco do Brasil, na safra 2004/05 a instituição destinou R$ 754 milhões para custeio da soja, cobrindo 45% da área destinada à cultura.

As indústrias sementeiras vêem com reservas a prorrogação do uso das sementes salvas. “A Apassul (reúne as sementeiras gaúchas) é favorável à liberação da semente salva desde que, por exemplo, o produtor que tomar crédito junto ao banco use de 15% a 20% do recurso comprando semente certificada", disse Eduardo Loureiro, diretor da associação. (…)

Valor Econômico, 25/08/2005.

5. Reunião de Soja faz indicação de manejo de plantas daninhas
A introdução da soja RR no Brasil exige mudanças principalmente, no manejo de plantas daninhas, por isso, novas indicações foram estabelecidas na 27ª Reunião de Pesquisa de Soja da Região Central do Brasil (RPSRCB) realizada em Cornélio Procópio (PR), pela Embrapa Soja.

Para a soja convencional existem quase 30 produtos [herbicidas] no mercado usados na pré e pós-emergência. Na soja RR, aplica-se também o glifosato. (…)

O uso continuado do glifosato poderá modificar a dinâmica das plantas daninhas, resultando na seleção de espécies tolerantes e de difícil controle. Apesar de a soja RR ser opção para lavouras com alta infestação de plantas daninhas, existem relatos, no Rio Grande do Sul, de azevém resistente ao glifosato. Além disso, a trapoeraba, a corda de viola, a erva de touro, a erva-de-Santa-Luzia, o agriãozinho e o capim-barbicha-de-alemão são consideradas tolerantes ao produto (grifo nosso).

Exemplo do Sul

O pesquisador Mário Bianchi, da Fundação Centro de Experimentação e Pesquisa (Fundacep), apresentou os dados comparativos de produtividade de soja convencional e transgênica e de custo de controle químico no Rio Grande do Sul.

O pesquisador diz que o custo de controle na soja convencional ficou entre US$ 40 e 50 por hectare e o da soja RR variou entre US$10 e 16 por hectare  sendo a média de produto usada de 2,5 a 4 litros de glifosato por hectare. Apesar do ganho no controle químico, Bianchi avaliou em experimentos que houve perda média de 13% de produtividade na soja RR (grifo nosso). (…)

Rastreabilidade

Há quatro safras, a Cooperativa Agropecuária Castrolanda, que conta com 634 associados na região sul do Paraná está utilizando normas internacionais para dar suporte à produção e distribuição de certificação de soja convencional. De acordo com o representante da cooperativa, Sinohe Guerreiro de Oliveira, a primeira etapa do processo começa com o controle das sementes, utilizando o teste do PCR – que identifica soja transgênica – para assegurar que não há misturas antes do cultivo.

Com a lavoura instalada, são coletadas amostras durante o período vegetativo e o produtor recebe a visita de técnicos que realizam testes para detecção de transgenia nas folhas. Nas unidades de beneficiamento são vistoriados os veículos que entregam a soja e a cada 5 mil toneladas é realizado novo teste de PCR. “Todo o processo é registrado. Com a garantia de que todos os processos foram cumpridos, as empresas de auditoria emitem o certificado de rastreabilidade,” afirma.

Oliveira diz que o custo de certificação é de US$0,50 por tonelada e o valor adicional pago pela soja não-transgênica por países da Europa é de US$2 por tonelada. Na safra passada, a Cooperativa investiu US$ 70 mil no processo de certificação e ainda não comercializou toda a produção. “Sabemos que o investimento ainda não paga o custo do processo, mas acreditamos que esse é o caminho para agregarmos valor ao nosso produto”, avalia. As informações são da assessoria de imprensa da Embrapa Soja.

Agrolink, 19/08/2005.

6. Cooperativas se preparam para soja transgênica
As cooperativas do Paraná já se mobilizam para receber a produção de soja transgênica que começa a ser plantada na safra 2005/06. A expectativa é que a variedade alcance 15% da área total ocupada com a soja no Estado. Mas, dentro de dois ou três anos, o plantio da soja modificada geneticamente deverá atingir entre 90% e 95% da área plantada no Brasil, prevê José Aroldo Galassini, presidente da maior cooperativa agropecuária do País, a Coamo, de Campo Mourão.

Com a previsão de expansão do plantio da soja transgênica, a partir da aprovação da lei de biossegurança, que liberou o plantio e comercialização, as cooperativas querem negociar o pagamento de um adicional para a soja convencional. Os dirigentes de três cooperativas agropecuárias paranaenses a Cocamar, de Maringá; Coamo; e Agrária, de Guarapuava , acreditam que agora haverá condições de valorização da soja convencional. (…)

O diretor financeiro da Cooperativa Agrária Mista Entre Rios, de Guarapuava, Arnaldo Stock, vai na mesma direção. Segundo ele, não havia a decisão de pagar preço diferenciado pela soja convencional no exterior, porque os clientes sabiam da restrição no Brasil. "Agora, com a lei, é que a situação começa a mudar", afirmou. Segundo Stock, a Agrária vai segregar a produção de soja transgênica, que não deverá ser muito intensa na região por causa da dificuldade de adaptação das variedades desenvolvidas até agora. Ele acredita que, considerando as reservas de sementes feitas, apenas 2,3% da área da região deverá ser de soja transgênica.

Para os dirigentes cooperativistas, o mercado é quem vai regular a produção. Para isso, no entanto, o produtor quer um adicional, que estimule o plantio de soja convencional, para compensar a diferença no custo de produção da soja transgênica, avaliada em 15%. Para Santos Júnior, da Cocamar, o que se paga hoje ainda não compensa o custo da separação. O diretor da Cocamar disse que a valorização da soja convencional no mercado externo deverá ficar mais evidente a partir da safra do ano que vem, quando a produção aumentar.

Em outubro, uma missão da Coamo vai para a Europa negociar a venda da soja convencional. Galassini calcula que é necessário um adicional de 20%, para que 15% possam ser repassados ao produtor e 5% devem ficar com a cooperativa para cobrir os custos com a segregação do grão. Segundo ele, 85% da soja negociada na Europa já é transgênica, o que aumenta a tendência de valorização da soja convencional.

Folha de Londrina, 2/8/2005.

7. Paranaenses farão contraproposta à Monsanto sobre royalties
Os produtores de semente do Paraná vão apresentar à multinacional Monsanto, detentora da patente da tecnologia Roundup Ready (RR), uma nova proposta para pagamento de royalties. Para eles, o valor dos royalties da semente não deve ser maior que a indenização cobrada de quem plantou soja ilegal. Os sementeiros também questionam a patente da soja RR, que ainda não está oficializada no país.

O assunto foi discutido na terça-feira (23) em Foz do Iguaçu (PR) onde representantes da Apasem – Associação Paranaense de Produtores de Semente participam do XVI Congresso Brasileiro de Sementes, que termina no dia 26. Segundo o presidente da Apasem, Luiz Meneghel Neto, a Monsanto é detentora da soja RR nos Estados Unidos. Mas no Brasil, a empresa ainda não possui a concessão da carta patente, apesar de o pedido já ter sido protocolado. “Se não chegarmos a um acordo podemos entrar com uma liminar na Justiça. A Monsanto não pode usar o monopólio legal de forma abusiva”, diz.

Os sementeiros também discordam da proposta da empresa, porque, segundo eles, o produtor que vai comprar semente legal pagará um valor maior em relação aquele que usou a semente ilegal, fato que pode incentivar a pirataria. A Monsanto está exigindo dos agricultores R$ 35,20 por saca de 40 quilos de sementes (R$ 0,88/kg de semente), o que equivale a R$ 50,00 por hectare plantado.

Segundo os produtores, esse valor é o dobro do cobrado do sojicultor que plantou semente ilegal, que é de 2%, ou seja, cerca de R$ 30,00 por hectare. “Queremos um jogo claro para incentivar o agricultor a buscar semente melhorada. Se a Monsanto cobra 2% na moega queremos que os produtores paguem 1% no valor do grão”, diz Meneghel.

http://www.ambientebrasil.com.br/noticias/index.php3?action=ler&id=20550, 24/08/2005.

8. OCB rejeita sistema de royalties
A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) rejeitou o sistema híbrido de pagamento de royalties sobre a soja transgênica (na semente e na produção) que a Monsanto impôs aos produtores do grão.

A OCB recomendou às cooperativas que paguem royalties somente na semente (R$ 0,88 por quilo) e as orientou para que não assinem contratos com a multinacional que detém a patente das sementes. A Monstanto receberia mais 2% na produção, a serem cobrados na moega.

São filiadas à OCB 1,4 mil cooperativas agropecuárias, responsáveis por quase 30% da produção brasileira de soja que totalizou 61,4 milhões de toneladas na safra 2004/2005.

Gazeta do Povo, 25/8/2005.

N.E.: Roberto Rodrigues, ministro da Agricultura, já foi presidente da OCB.

9. Propaganda transgênica nas escolas
No primeiro semestre deste ano, a Associação Brasileira de Tecnologia, Meio Ambiente e Agronegócios, Pró-Terra, realizou 37 palestras gratuitas sobre biotecnologia para cerca de 2.400 alunos das redes pública e particular de ensino dos estados de São Paulo e Minas Gerais.

Até o final de setembro, já estão programadas mais 21 encontros com estudantes. Dentre os temas abordados, destacam-se o plantio, consumo, entre outros aspectos dos transgênicos, a importância da nanotecnologia, emprego de células-tronco de embriões, dentre muitos outros relacionados à biotecnologia.

Segundo o coordenador executivo da Pró-Terra, Benito Iglesias de Garcia, “a cada dia, a procura pelas palestras aumenta. O interesse das escolas e dos jovens por temas relacionados à biotecnologia cresceu muito em 2005. Nossa intenção é ampliar esta ação. Além das palestras para os alunos, pretendemos oferecer também uma capacitação em biotecnologia para os professores do ensino médio no próximo ano” informa Garcia.

http://www.ambientebrasil.com.br/noticias/index.php3?action=ler&id=20481, 21/08/2005.

N.E.: Entre as empresas associadas à Pró-Terra está a Monsanto do Brasil Ltda.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura

Transição Agroecológica

Em 1999, a Associação de Programas em Tecnologias Alternativas (APTA) implantou em São Domingos do Norte (ES) o Projeto de Desenvolvimento Local, abrangendo todas as associações de produtores rurais do município. Os agricultores tiveram a oportunidade de vivenciar várias experiências de capacitação, organização e experimentação em agroecologia.

Em 2001, as associações de produtores formaram cinco grupos comunitários agroecológicos, reunindo um total de 60 famílias. Os grupos tinham como objetivos socializar experiências agroecológicas através de intercâmbios nas comunidades e estimular outras famílias a promover a transição para o modelo agroecológico.

No ano seguinte, 23 famílias constituíram a Associação de Reconstrução Comunitária Agroecológica – ARCA. O intuito era dar estímulo à organização e à integração entre as famílias que participavam do modelo de reconstrução do desenvolvimento rural, baseando-se nos princípios da ecologia, solidariedade, sustentabilidade e exercício da cidadania.

Os principais resultados alcançados foram: eliminação completa do uso de agrotóxicos e adubos químicos nas propriedades dessas famílias, introdução de pelo menos três novas culturas frutíferas em 23 sistemas agroflorestais de produção, segurança alimentar com o cultivo orgânico, reflorestamento de seis hectares de área ao redor de oito corpos d’água, realização de mutirões comunitários, discussões das relações de gênero e geração, intercâmbio de informações entre as famílias, comercialização dos produtos em feiras da região e parceria com o sindicato dos trabalhadores rurais.

http://www.agroecologiaemrede.org.br/experiencias.php?experiencia=124, 26/08/2005.

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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

Este Boletim é produzido pela AS-PTA — Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: livredetransgenicos@aspta.org.br]

Para acessar os números anteriores do Boletim e outros documentos publicados pela Campanha, clique em: http://www.aspta.org.br.

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