AS-PTA http://aspta.org.br Tue, 30 Jun 2020 21:10:59 +0000 pt-BR hourly 1 Tecendo Redes de experiências em Saúde e Agroecologia http://aspta.org.br/2020/06/30/tecendo-redes-de-experiencias-em-saude-e-agroecologia/ http://aspta.org.br/2020/06/30/tecendo-redes-de-experiencias-em-saude-e-agroecologia/#respond Tue, 30 Jun 2020 21:10:59 +0000 http://aspta.org.br/?p=18132 Leia mais]]> Atividade de Lançamento apresenta processo inédito de sistematização de experiências em saúde e agroecologia a partir da plataforma virtual 

Lançamento – Na próxima terça-feira, dia 07 de julho às conexões entre a Saúde e Agroecologia estarão no centro dos diálogos.  O Seminário organizado pela Fiocruz, pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia) e pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) lança um amplo processo de pesquisa que buscará identificar as práticas desenvolvidas por muitas organizações e coletivos.

É com alimento de verdade, com saneamento, com plantas medicinais, com pesquisa, com cuidado e com você que se faz agroecologia e se promove saúde. E o que queremos fazer é juntar todo mundo em uma grande rede, para estarmos – ainda mais – conectadas e conectados. O lançamento contará com a presença de Aparecida Vieira (Tantinha) – Ervanário São Francisco/MG e Articulação Pacari, Denise Oliveira e Silva – coordenadora do Observatório Brasileiro de Hábitos Alimentares (OBAH)/Fiocruz Brasília e Marco Menezes –  Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAS)/Fiocruz e será transmitido pelas redes sociais da ABA-Agroecologia e pelas organizações parceiras desta iniciativa.

O Seminário virtual marca a culminância de um intenso processo de pesquisa que resultou em um instrumento de coleta de dados para a identificação inédita das experiências em Saúde e Agroecologia no Brasil e na América Latina. Durante a pandemia da Covid-19, percebemos ainda mais a relevância da parceria entre as redes de Saúde e Agroecologia, e é justamente sobre a potência desse encontro que mais um processo de sistematização e mapeamento será lançado e estará disponível na Plataforma do Agroecologia em Rede (AeR).

Experiências em saúde e agroecologia correspondem às diversas estratégias construídas pelos povos, pelas organizações, coletivos, movimentos sociais e grupos de pesquisa, que buscam conjugar conhecimentos locais e populares com conhecimentos técnicos e científicos, baseadas em princípios solidários. Essas iniciativas caminham na direção da transformação das condições de saúde e vida das populações, sobretudo aquelas mais vulnerabilizadas.

São experiências de lutas contra agrotóxicos e de transição agroecológica, de valorização dos saberes de raizeiras, benzedeiras e parteiras, de defesa dos territórios camponeses e de povos e comunidades tradicionais, de hortas junto a postos de saúde do SUS, de promoção de territórios sustentáveis e saudáveis, de pesquisas e encontros, são múltiplas experiências.

Como participar? Durante a atividade virtual de lançamento, serão apresentadas informações detalhadas de como participar desse mapeamento coletivo e descentralizado e instruções para acessar e efetuar o cadastro das experiências da sua organização.

Segundo André Búrigo, assessor da  Vice-Presidência de Ambiente e Atenção à Saúde (VPAAS) da Fiocruz, “com este formulário pretendemos conhecer e ampliar a visibilidade das experiências em saúde e agroecologia. Este mapeamento poderá fortalecer as iniciativas, construir partilhas de saberes e projetar ações conjuntas. A ideia de fortalecer o intercâmbio entre redes de ação temática também dialoga com o nosso compromisso de contribuir com a aproximação entre campo e cidade, aprofundar o diálogo entre esses campos de conhecimento, fortalecer e criar novas Redes de Saúde e Agroecologia”, comenta ele.

Como produtos, após essa primeira onda de alimentação do sistema, estão previstos materiais em diferentes linguagens: vídeos, boletins informativos, publicações, infográficos, artigos e indicadores que possam orientar a ação de diferentes grupos no campo da ação coletiva popular, da pesquisa e das políticas públicas.

Para além da coleta e análise dos dados, espera-se que este processo fertilize a atuação articulada de diferentes redes temáticas que atuam no campo da saúde coletiva e da agroecologia. Como aponta o prefácio da primeira edição do “Caderno de Estudos em Saúde e Agroecologia”, construído pela ABA-Agroecologia e pela ANA, “é premente a necessidade de aprofundarmos e atualizarmos nossos estudos sobre as conexões entre saúde e agroecologia. De um lado, há um extenso conteúdo produzido sobre as diversas experiências de promoção da saúde e sobre os benefícios da agroecologia para a promoção de ambientes saudáveis e solidários. De outro lado, também já existem importantes acúmulos em pesquisas que vêm adensando e aprofundando nossa compreensão sobre os impactos dos agrotóxicos e transgênicos para a saúde e para os modos de vida e produção da agricultura familiar, dos assentamentos da reforma agrária, dos povos indígenas e dos povos e comunidades tradicionais. Precisamos avançar na compreensão das tramas nas quais essas resistências estão integradas”. Baixe aqui o Caderno.

A plataforma do Agroecologia em Rede é um sistema de informações que reúne mais de 1.600 experiências de base popular e agroecológica. Desde 2018, a plataforma está passando por um intenso processo de atualização e reestruturação com apoio da Fiocruz. Além da sistematização das experiências em Saúde e Agroecologia, que será lançada dia 07/07, um Mapeamento dos Núcleos de Agroecologia (NEAs) segue aberto e em breve uma nova iniciativa de identificação das experiências de enfrentamento a pandemia da Covid-19 será lançada. Acesse a página, conheça mais e participe: https://agroecologiaemrede.org.br

Mais do que nunca, compreendemos a necessidade de defender a agroecologia e a saúde pública como caminhos que, conjuntos, colaboram para processos de transformação social emancipatório. Reconhecendo os obstáculos históricos e estruturais, mas também os sonhos e a diversidade de possibilidades e de caminhos em aberto, é assim que desejamos que este mapeamento contribua no fortalecimento das iniciativas construídas em rede nos territórios.

Participaram ativamente do processo de elaboração dos instrumentos de pesquisa e fazem parte da curadoria dessa ação: a equipe da Agenda de Saúde e Agroecologia ligada à VPAAS e pesquisadoras/es de outras unidades da Fiocruz, diferentes integrantes do Grupo de Trabalho de Saúde e Agroecologia da ABA-Agroecologia e diferentes representantes das organizações sociais que compõem a rede da ANA.

 

SERVIÇO

Lançamento Tecendo Redes de experiências em Saúde e Agroecologia

Dia 07 de julho às 10 horas

Seminário Virtual transmitido pelo Facebook e Youtube da ABA-Agroecologia

https://www.facebook.com/AssociacaoBrasileiraDeAgroecologia

Lorena: (21) 97508-7115

saude@agroecologiaemrede.org.br

Instagram | Plataforma do Agroecologia em Rede (AeR)

 

Foto: Por Vinícius Carvalho (Comunicação OTSS/Fiocruz). Visita de pesquisadoras/es da Fiocruz, integrantes da ABA-Agroecologia e da ANA na experiência de saneamento ecológico da comunidade caiçara da Praia do Sono em Paraty em novembro de 2018 durante o I Seminário Nacional “Diálogos e Convergências em Saúde e Agroecologia”

Imagem: Lançamento da Colheita ilustração de Patrícia Nardini

]]>
http://aspta.org.br/2020/06/30/tecendo-redes-de-experiencias-em-saude-e-agroecologia/feed/ 0
Agricultoras e agricultores familiares exigem recursos para Fomento à Atividade Agropecuária Familiar http://aspta.org.br/2020/06/24/agricultoras-e-agricultores-familiares-exigem-recursos-para-fomento-a-atividade-agropecuaria-familiar/ http://aspta.org.br/2020/06/24/agricultoras-e-agricultores-familiares-exigem-recursos-para-fomento-a-atividade-agropecuaria-familiar/#respond Wed, 24 Jun 2020 14:05:05 +0000 http://aspta.org.br/?p=18125 Leia mais]]>

O Projeto de Lei Emergencial da Agricultura Familiar será votado nesta quinta-feira, 25, na Câmara dos Deputados, sob o guarda-chuva do PL 735/2020. Agricultoras e agricultores já têm ideias para aplicar o recurso do Fomento, melhorando a estrutura de suas propriedades para ampliar e diversificar a produção de alimentos e abastecer as cidades durante a pandemia.

Veja o vídeo com depoimento dos/as agricultores/as

 

Agricultoras e agricultores familiares planejam como aplicar o recurso do fomento, que pode ser disponibilizado para a categoria caso o relator do Projeto de Lei Emergencial da Agricultura Familiar, o deputado federal Zé Silva (Solidariedade/MG), inclua em seu relatório as propostas apresentadas por redes e movimentos populares do campo e parlamentares progressistas, e o PL seja aprovado no Congresso Nacional.

A expectativa é que as proposições populares, organizadas em quatro eixos, entre eles o Fomento à Atividade Agropecuária Familiar, sejam incorporadas ao relatório do PL 735/2020, um projeto que reúne proposições de outros 23 projetos de lei sobre a matéria que tramitam no Congresso Nacional. O PL 735 será votado nesta quinta-feira, 25, no Plenário da Câmara dos Deputados.

“Eu investiria no meu galinheiro, em um barreiro para ter água o ano inteiro, cerca para o sítio, um curral para criar nossas vaquinhas com mais segurança”, planeja a agricultora Eliane Batista da Silva. Givaldo Santos investiria na produção de hortaliças e polpas de frutas. Nelson Ferreira aplicaria os recursos em tecnologias de armazenamento de água para aumentar a produção de milho, macaxeira, feijão, batata-doce. Rita Izidoro Félix faria um novo galinheiro para ampliar a renda da família com a venda das aves e dos ovos e um depósito de água, para poder irrigar as plantações.

Saiba mais sobre as propostas

O valor proposto para o fomento é de até R$ 5 mil e, no caso das mulheres, de até R$ 10 mil. Há também a possibilidade de cooperativas e associações acessarem até R$ 200 mil. “Esses são recursos não reembolsáveis, destinados a aumentar e diversificar a produção. Para isso, é necessário investir na estruturação das unidades produtivas familiares, a exemplo da instalação de sistemas de irrigação, abrigos para os animais e de processos de beneficiamento dos alimentos”, explica Denis Monteiro, secretário executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).

A melhoria na infraestrutura das propriedades rurais da agricultura familiar resulta no aumento da produção e no planejamento dos plantios e criações, para abastecer os mercados no período da pandemia. “O resultado desse investimento seria a garantia da segurança alimentar e nutricional da minha família e das que estão ao meu redor”, esclarece a agricultora Maria do Céu. As/os agricultora/es concluem perguntando às/aos companheiros/as: “e você, agricultora e agricultor, o que faria com o recurso do Fomento?”

Os quatro eixos em que se organizam as propostas populares são: fomento à atividade agropecuária familiar e crédito em condições especiais; criação do Programa de Aquisição de Alimentos Emergencial (PAA-E); ações específicas para o apoio a mulheres agricultoras e solução do endividamento da agricultura familiar e camponesa.

Envie sua mensagem para o relator do PL, o deputado Zé Silva, mandando o seu recado e solicitando que ele contemple, em seu relatório, as propostas das redes e movimentos populares. Poste este vídeo nas redes sociais e marque o perfil do relator. Os contatos do deputado Zé Silva são:

Facebook: @deputadofederalzesilva
Instagram: @depzesilva
E-mail: dep.zesilva@camara.leg.br
Site: www.zesilva.com.br

Fonte: www.agroecologia.org.br
Por: Viviane Brochardt/Articulação Nacional de Agroecologia (ANA)

]]>
http://aspta.org.br/2020/06/24/agricultoras-e-agricultores-familiares-exigem-recursos-para-fomento-a-atividade-agropecuaria-familiar/feed/ 0
Diálogo virtual reunirá organizações, movimentos sociais e parlamentares da Paraíba http://aspta.org.br/2020/06/17/dialogo-virtual-reunira-organizacoes-movimentos-sociais-e-parlamentares-da-paraiba/ http://aspta.org.br/2020/06/17/dialogo-virtual-reunira-organizacoes-movimentos-sociais-e-parlamentares-da-paraiba/#respond Wed, 17 Jun 2020 17:26:41 +0000 http://aspta.org.br/?p=18122 Leia mais]]> O Brasil e o mundo enfrentam uma grande pandemia. Se por um lado, essa doença nos coloca em isolamento em casa, por outro, nos provoca a refletir sobre o mundo que temos e o que queremos. Mais do que nunca, o ficar em casa nos permitiu jogar luzes no que sustenta a vida. O alimento, e mais, o alimento de qualidade passa a entrar na ordem do dia.

O curioso é que esses tempos de incertezas e de escassez para quem mora nos centros urbanos entra em choque com o fechamento de vários canais de circuitos curtos de venda de alimentos de verdade, como o fechamento de muitas feiras agroecológicas, a ausência de recursos para compras institucionais de alimentos e outros. Se no campo há fartura de alimentos que brotam da terra nesse inverno chuvoso, não há como escoá-los, fazendo encontrar as pessoas que realmente precisam.

Para enfrentar esse dilema e desenhar uma política estadual de abastecimento que organizações e movimentos sociais do campo e o Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea-PB) realizarão na próxima sexta-feira (19), às 9h, uma live que terá como tema: “Diálogo com Parlamentares: Políticas Públicas para Segurança Alimentar na Paraíba”. A live será transmitida pelo Facebook e YouTube da Asa Paraíba.

Além dos representantes da sociedade civil, Gizelda Lopes (Agricultora, Vice-Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remígio e da Coordenação do Polo da Borborema) e Waldir Cordeiro (Vice-Presidente do Consea-PB), foram convidadas as deputadas estaduais: Cida Ramos (PSB), Estela Bezerra (PSB), e Polyana Dutra (PSB); os deputados Chió (Rede), Jeová Campos (PSB) e o deputado federal Frei Anastácio (PT).

Como desdobramento desse diálogo, as organizações e movimentos sociais da Paraíba esperam a realização de uma audiência com o governador, João Azevedo, onde serão tratados assuntos como: Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), retomada imediata do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Programa Emergencial de compra de alimentos da agricultura familiar e Projeto Cooperar/PB Rural Sustentável.

]]>
http://aspta.org.br/2020/06/17/dialogo-virtual-reunira-organizacoes-movimentos-sociais-e-parlamentares-da-paraiba/feed/ 0
Para preservar a vida, fiquemos em casa! http://aspta.org.br/2020/06/16/para-preservar-a-vida-fiquemos-em-casa/ http://aspta.org.br/2020/06/16/para-preservar-a-vida-fiquemos-em-casa/#respond Tue, 16 Jun 2020 14:08:07 +0000 http://aspta.org.br/?p=18118 Leia mais]]> A Rede de Sementes da Agroecologia (ReSA) lança carta sobre orientação de adiamento do calendário de festas e feiras de sementes, realizadas no Paraná e em Santa Catarina, em 2020.

A Rede Sementes da Agroecologia (ReSA) se estrutura com o princípio de proteger a vida a partir da articulação de instituições, movimentos, grupos e coletivos. Se enraíza no Paraná em 2015 e, desde então, atua ativamente na conservação da agrobiodiversidade e a defesa das sementes crioulas. Pois sabemos bem que, sem elas, não há possibilidade de vida.

A preocupação com as famílias agricultoras e guardiãs, instituições, movimentos e coletivos que formam a ReSA, além das que visitam as feiras e demais espaços, têm crescido à medida que rapidamente avança o novo coronavírus nos municípios do interior do país. Somando o absurdo descaso dos governos federal e estadual em adotar medidas que garantam a saúde da população brasileira e reconhecendo que número considerável das famílias guardiãs faz parte do grupo de risco, atravessamos coletivamente um momento de incerteza e cuidados redobrados.

Em todo o mundo, a base científica e de pesquisa nos mostra que a medida mais eficaz para evitar a propagação e contágio pela Covid-19 é o isolamento social, evitando aglomerações, viagens (mesmo que curtas, entre um município e outro) e contato próximo com outras pessoas. E sabe-se que as feiras são locais onde se deseja exatamente a proximidade, a partilha e troca de sementes, abraços, sorrisos e saberes. Em todas as atividades há uma roda de chimarrão e muitas histórias que nos trazem a memória do território que pisamos e transformamos com a luta coletiva.

Os momentos de encontro e partilha, nas festas e feiras que percorrem todo o estado, são o resultado de longos processos de organização e mobilização nos territórios com nossos parceiros. Celebrar a vida compartilhando o que temos de mais sagrado: as sementes crioulas, conhecimentos, práticas e experiências. Em 2017, mais de 25 mil pessoas circularam nas 15 feiras, festas e trocas de sementes. Os 23 espaços organizados em 2018 juntaram mais de 700 famílias guardiãs. E, no ano passado, chegamos a 17ª Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade, realizada no município de Rebouças. Em 2020 seria maior, com mais de 30 festas e feiras agendadas. Porém, vivemos outro cenário.

Para que possamos, em breve, celebrar juntas e juntos e pensando na saúde de todas e todos, a ReSA orienta pelo adiamento do calendário de festas e feiras que seriam realizadas neste ano de 2020. Enquanto espaço articulador, as festas e feiras possibilitam o acesso à informação e a unificação das lutas pelos direitos dos povos e garantia da soberania alimentar.

Que criemos as possibilidades para fomentar outros espaços de discussão, propondo ações, reorganizando a agenda e calendário, incentivando pequenas trocas de sementes dentro das próprias comunidades – seguindo as medidas de segurança e distanciamento. Que possamos nos reinventar e as sementes sigam suas rotas pelas mãos e terras férteis cuidadas por tantas famílias agricultoras.
Rede Sementes da Agroecologia
Paraná
Junho, 2020

]]>
http://aspta.org.br/2020/06/16/para-preservar-a-vida-fiquemos-em-casa/feed/ 0
Agricultura Familiar da Região Sul busca alternativas para compensar queda na comercialização devido à pandemia http://aspta.org.br/2020/06/10/agricultura-familiar-da-regiao-sul-busca-alternativas-para-compensar-queda-na-comercializacao-devido-a-pandemia/ http://aspta.org.br/2020/06/10/agricultura-familiar-da-regiao-sul-busca-alternativas-para-compensar-queda-na-comercializacao-devido-a-pandemia/#respond Wed, 10 Jun 2020 15:14:21 +0000 http://aspta.org.br/?p=18102 Leia mais]]>
Foto: Comunicação Cepeagro

Não é novidade que a agricultura familiar é responsável por produzir 70% dos alimentos que vão para a mesa da população brasileira. Não há pandemia que substitua a importância dos trabalhadores e trabalhadoras rurais no abastecimento alimentar das cidades, muito pelo contrário, a necessidade de consumir alimentos diversos e saudáveis é ainda mais evidente agora. No entanto, o fechamento de escolas, feiras e restaurantes, combinado ao enfraquecimento das políticas públicas de Segurança Alimentar, têm afetado a comercialização desse setor e consequentemente, a garantia de renda no campo e o abastecimento das cidades.

Na região sul do Brasil, à crise da Covid-19, soma-se um período de estiagem que também tem afetado a produção da agricultura familiar. Nesse novo contexto, as famílias agricultoras buscam alternativas para dar destino à sua produção e garantir a renda no fim do mês. Uma das opções encontradas por algumas delas, foi a comercialização de cestas de alimentos diretamente para o consumidor final, em diferentes modalidades.

Foto: AS-PTA

É o caso da Cooperativa de Famílias de Agricultores Ecológicos de São Mateus do Sul (COFAECO), no Paraná, que para comercializar os produtos que antes eram adquiridos diretamente na loja física da cooperativa, aprimorou o uso das tecnologias sociais para receber pedidos por encomenda. Houve um expressivo crescimento na demanda nos últimos dois meses, após a chegada da pandemia no país. Em março, foram comercializadas, em média, 25 cestas por semana. Já nas duas últimas semanas de maio, mais de 60 cestas foram entregues entre produtos in natura e beneficiados.

Em Lages, na Serra Catarinense, apenas uma feira de produtores agroecológicos e da agricultura familiar está em funcionamento. Se deparando com uma queda no movimento em relação aos

Foto: Centro Vianei

meses anteriores e a ausência de medidas efetivas do poder público, foi preciso buscar outros caminhos de comercialização. A alternativa de alguns/as agricultores/as foi entregar parte da produção para a Cooperativa Ecoserra, que além de fornecer para o exército através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade de Compra Institucional, também faz a distribuição de cestas agroecológicas em Lages e Florianópolis.

Essa prática de delivery de cestas agroecológicas foi adotada também por famílias do Rio Grande do Sul, onde municípios como Passo Fundo seguem com decreto de suspensão das feiras. Segundo Cíntia Gris, nutricionista do Centro de Tecnologias Alternativas Populares (CETAP), que atua na região, apesar de ser uma iniciativa fundamental para o momento, é preciso aumentar a quantidade de entregas, que ainda tem um consumo inferior ao das feiras. “Estimamos que o volume comercializado atualmente significa 40% da comercialização antes exercida”, afirma Cíntia.

Gilmar Cognacco, agricultor agroecológico Foto: Cepagro

Já em Florianópolis, as feiras estão funcionando com restrições sanitárias, porém o movimento também caiu, segundo Gilmar Cognacco, agricultor agroecológico de Leoberto Leal, Mesorregião da Grande Florianópolis. Além de abastecer uma feira na capital catarinense, Gilmar também comercializa no município de Brusque e conta que o movimento diminuiu de 30% a 60% com relação aos meses anteriores à pandemia.

E as feiras são apenas um dos aspectos

Outra mudança que tem afetado bastante muitas famílias da região sul foi a interrupção do abastecimento escolar através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Em alguns municípios, com a suspensão das aulas, suspendeu-se também a compra de alimentos da agricultura familiar, que no caso de Gilmar Cognacco, representava 60% da renda de sua família.

No dia 7 de abril, o Governo Federal sancionou a Lei n° 13.987, que autoriza, em caráter excepcional, a distribuição de alimentos adquiridos com recursos do PNAE aos responsáveis dos estudantes das escolas públicas de educação básica. Após essa sanção, o governo municipal de Florianópolis fez a distribuição dos alimentos que estavam estocados nas escolas, no formato de kits montados pelas diretoras e nutricionistas, à famílias de estudantes identificadas com maior insegurança alimentar. Entretanto, ao abrir um edital para a compra de novos kits, não foram incluídos os alimentos in natura, como frutas e vegetais. A Secretaria de Educação disse que pretende posteriormente incluir os gêneros alimentícios da agricultura familiar.

Nas escolas municipais de Passo Fundo, os alimentos que estavam destinados para a alimentação dos meses de março e abril também foram distribuídos à famílias de estudantes através dos Centros de Referência em Assistência Social (CRAS), mas nem todos os estudantes de baixa renda foram atendidos, havendo reclamações e a necessidade de ajustes neste sentido. O município vinha realizando compras da Agricultura Familiar acima do mínimo de 30% determinado pelo PNAE, mas desde a suspensão das aulas, não foram realizadas novas compras da Agricultura

Agricultores agroecológicos de Campo Belo, Família Goulart. Foto Centro Vianei

Familiar.

Na região serrana de Santa Catarina a situação foi a mesma e o agricultor Lucas Francisco Goulart, de Campo Belo, que fornecia à escolas via PNAE, deixou de entregar pelo menos cinco variedades de alimentos frescos que já estavam licitados. Assim como Neura Grando dos Santos, agricultora agroecológica do município de Lagoa Vermelha (RS), que também ficou sem fornecer via PNAE. Por outro lado, segue fazendo feira e notou um aumento na venda online dos seus produtos.

No Paraná, a nível de estado, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) foi interrompido durantes quinze dias após a paralisação das aulas, sendo normalizado na sequência. É uma importante fonte de renda para muitas famílias agricultoras da região, bem como para muitos estudantes que têm a alimentação escolar como única refeição diária. As organizações da agricultura familiar realizam as entregas quinzenalmente nas escolas, onde são preparadas as cestas destes alimentos e distribuídos as famílias de estudantes em vulnerabilidades.

Sociedade civil fora da jogada

Foto: AS-PTA

Em abril, o governo do Paraná anunciou também recursos para o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), em caráter emergencial, na modalidade de compra e doação simultânea, destinando os alimentos oriundos da agricultura familiar à pessoas em risco social. No entanto, a proposta não foi debatida com a sociedade civil e organizações da agricultura familiar. “O diálogo é importante para observar as demandas, perspectivas e desafios enfrentados no campo. O aporte emergencial do estado, no valor de R$20 milhões, é insuficiente para atender as necessidades tanto de famílias agricultoras quanto das pessoas beneficiadas com os alimentos”, de acordo com Fábio Pereira, assessor técnico da AS-PTA.

A agricultora paranaense Maria Terezinha Oliveira, da Comunidade da Invernada, zona rural de Rio Azul, é uma das que fornece ao PAA. Para complementar a renda, ela também comercializa leite, ovos, panificados e a colheita de seu quintal produtivo diretamente em sua casa, que está sempre com as portas abertas – agora com algumas medidas de precaução devido a Covid-19. “Como aqui é uma região com muita plantação de fumo, as pessoas acabam não conseguindo plantar comida para o próprio sustento, às vezes até por falta de tempo. E me procuram seja para uma cuca, biscoito, verduras, sabendo que vão levar um alimento saudável. O que sinto falta é de tomar um chimarrão com minhas comadres, mas é preciso tomar cuidado”.

Em Santa Catarina, a situação foi parecida. O governo estadual anunciou a liberação de R$ 2 milhões de reais para o PAA, na modalidade de compra institucional. Mas a proposta foi construída sem a participação do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea/SC), por meio do qual a sociedade civil apresenta suas demandas de SAN. Além do baixo valor anunciado, a proposta do governo coloca como prioritário os municípios com IDH abaixo de 0.7 para acesso ao programa, o que não revela onde estão de fato os grandes bolsões de insegurança alimentar.

Em contraste, o Consea/SC elaborou outra proposta demonstrando que o repasse precisa ser de R$ 23,2 milhões na modalidade de Compra com Doação Simultânea. O valor foi definido com base em um estudo elaborado pelo próprio conselho sobre a realidade socioeconômica de Santa Catarina.

Nesse sentido, a presença ativa das organizações da Agricultura Familiar e Agroecológica em conselhos de SAN, como os Conseas e Conselhos de Alimentação Escolar (CAE), municipais e estaduais, são extremamente importantes para pautar e cobrar ações do poder público. É essa atuação que o Centro de Tecnologias Alternativas Populares (CETAP), do Rio Grande do Sul, a AS-PTA – Agroecologia e Agricultura Familiar, no Paraná e as organizações catarinenses, Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro) e Centro Vianei promovem conjuntamente através do projeto Misereor em Rede, que tem como objetivo promover a soberania alimentar e a Agroecologia no sul do Brasil.

E se essas ações de incidência política são importantes, nossas escolhas de consumo também são. Devemos, enquanto consumidores e dentro da realidade e possibilidade de cada um/a, apoiar a agricultura familiar agroecológica consumindo alimentos diretamente do/a produtor/a. Se puder, compre de quem produz perto de você, afinal, comer é um ato político.

 

]]>
http://aspta.org.br/2020/06/10/agricultura-familiar-da-regiao-sul-busca-alternativas-para-compensar-queda-na-comercializacao-devido-a-pandemia/feed/ 0
Semana Nacional dos Alimentos Orgânicos 2020 será comemorada com vendas de produtos pela internet http://aspta.org.br/2020/06/10/semana-nacional-dos-alimentos-organicos-2020-sera-comemorada-com-vendas-de-produtos-pela-internet/ http://aspta.org.br/2020/06/10/semana-nacional-dos-alimentos-organicos-2020-sera-comemorada-com-vendas-de-produtos-pela-internet/#respond Wed, 10 Jun 2020 14:33:51 +0000 http://aspta.org.br/?p=18112 Leia mais]]> Com o isolamento social e as medidas de proteção para a não propagação do novo Coronavírus (Covid-19), a Comissão da Produção Orgânica da Paraíba (Cporg) celebrará a Semana Nacional dos Orgânicos de 8 a 12 de junho, este ano, com ações Online. Com o tema “Tem alimento saudável perto de você”, a Cporg e a Articulação do Semiárido Paraibano (Asa Paraíba) chamam a atenção da população para a compra de alimentos saudáveis, livres de agrotóxicos, transgênicos, aditivos e corantes, diretamente das famílias agricultoras que estão realizando as entregas porta a porta ou vendendo nas feiras agroecológicas em alguns municípios do estado.

Durante a semana dos orgânicos serão veiculados vídeos pelo Facebook da Asa Paraíba e da Cporg sobre a produção das famílias agricultoras, utilizando as hastags: #FiqueEmCasa, #ApoieFamíliasAgricultoras e #CompreDaAgriculturaFamiliar. Também serão divulgados os contatos das famílias agricultoras que estão comercializando durante a quarentena. “Além de fortalecer a iniciativa das famílias, também estamos reforçando as medidas de proteção, para que toda a comercialização seja feita de forma segura, protegendo a vida dos agricultores e dos consumidores. Sempre usando máscaras, álcool gel e luvas quando necessário”, disse Verônica Moura, do Grupo de Trabalho (GT) de Comercialização da Asa Paraíba.

Segundo, Maria Betânia, coordenadora suplente da Cporg, apesar de toda crise econômica agravada pela pandemia, as famílias agricultoras tiveram um ano promissor. “O período chuvoso em muitos territórios do estado foi regular e permitiu muito lucro e fartura. Mas com as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), alguns municípios fecharam as feiras e muitas famílias tiveram que adaptar suas formas de comercialização”, explicou.

Desde 2018, a Semana Nacional dos Orgânicos é comemorada com a realização da “Feira Regional de Produtos Agroecológicos: Por um São João Livre de Transgênicos e Agrotóxicos”, que acontece sempre no mês de junho na Praça da Bandeira, em Campina Grande, reunindo cerca de 100 agricultores familiares dos sete territórios que compõem a ASA Paraíba. Neste ano (2020) o formato Online da atividade pretende não deixar a data esquecida e mesmo diante do distanciamento social celebrar as conquistas das famílias agricultoras.

]]>
http://aspta.org.br/2020/06/10/semana-nacional-dos-alimentos-organicos-2020-sera-comemorada-com-vendas-de-produtos-pela-internet/feed/ 0
Redes de agroecologia: práticas e gestão comum nos territórios http://aspta.org.br/2020/05/28/redes-de-agroecologia-praticas-e-gestao-comum-nos-territorios/ http://aspta.org.br/2020/05/28/redes-de-agroecologia-praticas-e-gestao-comum-nos-territorios/#respond Thu, 28 May 2020 20:41:22 +0000 http://aspta.org.br/?p=18082 Leia mais]]> O biólogo estadunidense Garrett Hardin escreveu, em 1968, um artigo que o tornou famoso. De acordo com esse autor, os bens geridos coletivamente tendem a se exaurir mais rápido. Essa tese, denominada pelo autor de “tragédia dos comuns” parte do princípio de que cada ser humano, perseguindo seu próprio interesse, explora os recursos além de sua capacidade de suporte, pois considera que os benefícios são individuais ao passo que os prejuízos são divididos por todos/as. As histórias que contaremos aqui são completamente diferentes. Elas apontam para caminhos possíveis de manejo da natureza mobilizados por redes de agroecologia que, em distintos territórios, têm garantido vida digna a mulheres e homens.

O estudo “Redes de Agroecologia para o desenvolvimento dos territórios: aprendizado do Programa Ecoforte”, conduzido pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), no período de 2017-2020, sistematizou a experiência de 25 redes de agroecologia presentes em todas as regiões brasileiras. Todas foram apoiadas pelo Programa Ecoforte (financiado pela Fundação Banco do Brasil – FBB, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES e pelo Fundo Amazônia). A pergunta que guiou a sistematização pode ser sintetizada da seguinte maneira: por que é importante apoiar as redes territoriais de agroecologia? Dentre as respostas destacadas, está a capacidade dessas redes, compostas por um tecido organizativo diverso – representações de agricultores/as, indígenas, quilombolas, seringueiros e camponeses/as – entidades de assessoria, agentes econômicos locais, pesquisadores/as, educadores/as, estudantes, consumidores/as, gestores/as públicos de colocarem em prática ações voltadas à reestruturação dos sistemas de produção e de abastecimento alimentar segundo os princípios da agroecologia.

As Redes sistematizadas têm origens em momentos distintos, sendo algumas constituídas ainda na década de 1970, enquanto outras emergiram já na década de 2010.A sistematização dessas experiências em rede revelou-se uma oportunidade ímpar para o intercâmbio entre elas. As práticas de conservação e manejo das sementes crioulas figuram de forma recorrente nas redes, articulando os saberes dos/as agricultores/as e povos e comunidades tradicionais com a conservação da biodiversidade e a produção de alimentos saudáveis, livres de transgênicos e agrotóxicos.

No norte de Minas Gerais, a Rede Sociotécnica do Sertão do Norte Mineiro conta com a ciência do povo indígena Xacriabá para o trabalho realizado com as sementes. Na Terra Indígena Xacriabá (TIX) há três bancos de sementes geridos especialmente pelos/as mais velhos/as das aldeias, localmente reconhecidos como os/as “Guerreiros/as da tradição”. Esses/as mentores/as do território são também responsáveis pela organização dos plantios dos campos de sementes, uma atividade realizada comunitariamente, que também tem a função de transmitir as técnicas de seleção de sementes para o armazenamento e garantia de plantio na próxima safra para a geração mais nova.

Presente em parte dos estados de Minas Gerais e de São Paulo, a Rede de Sementes Biodinâmicas tem apoiado as famílias agricultoras em duas frentes de trabalho: produção de sementes de hortaliças para autoabastecimento e comercialização. A Associação Brasileira Biodinâmica (ABD), uma das animadoras da Rede, possui uma coleção com aproximadamente 1.000 tipos de sementes que foram previamente selecionadas por agricultores/as. Essas sementes são analisadas em uma câmara de germinação da Associação, o que permite verificar a qualidade em conformidade com as exigências para a comercialização estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e da Pecuária (MAPA). A atuação da Rede tem possibilitado a inscrição e a manutenção de variedades no Registro Nacional de Cultivares (RNC). Embora esses sejam processos complexos e burocráticos, são passos importantes para a conquista de autonomia sobre o material genético, condição necessária para a reprodução de sementes visando à comercialização em mercados formais.

A Rede de Intercâmbio de Sementes (RIS), no norte do Ceará, tem conectado Casas de Sementes com a comercialização de alimentos por meio do Programa Nacional de Aquisição Alimentar (PNAE). As mulheres são protagonistas nessa história, tanto por serem as principais responsáveis pela gestão das Casas de Sementes, mas também porque é da produção agrícola feita por elas que vem grande parte do alimento ofertado pelo PNAE. A explicação é dada por uma agricultora da Rede: “quando a gente pensa em geração de renda, por meio da comercialização no mercado institucional e autonomia das mulheres, é sobre Casas de Sementes que estamos falando”. No que diz respeito à gestão comum, combinando recursos do território e do Estado, a RIS traz um interessante aprendizado. A aposentadoria rural requer a apresentação de documentos para a comprovação do tempo de contribuição junto ao Instituto Nacional de Segurança Social (INSS). Esses documentos, chamados pelos/as agricultores de “provas” são em regra oferecidos por órgãos especializados de assistência técnica e extensão rural, por exemplo, às/aos agricultores que acessam programas de distribuição de sementes. Mas, como explica um agricultor da RIS, “aqui no Ceará as sementes distribuídas são envenenadas, elas vêm até rosas”. Contudo, muitos/as agricultores/as pegavam as “sementes do governo” como forma de acessar os documentos requeridos no momento da aposentadoria, até que a RIS encampou essa luta e conseguiu que os comprovantes de empréstimo e devolução de sementes gerados pelas Casas fossem aceitos pelo INSS, comprovando a atividade agrícola familiar.

Na Paraíba, a Rede de Agroecologia da Borborema mantém 60 Bancos Comunitários de Sementes, que mobilizam mais de 1200 famílias de agricultores/as. Além de estocar 13 espécies e 130 variedades de sementes crioulas, a Rede é ativa em vários outros campos como, por exemplo, a coleta e armazenamento de água da chuva a partir  da construção de cisternas de primeira água, pelo Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), e de segunda água, pelo Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). As sementes guardadas nos Bancos de Sementes e a água para agricultura e para o trato de pequenos animais garantem a produção da agricultura familiar.

Em nossa travessia pelos trabalhos com sementes crioulas das redes apoiadas pelo Programa Ecoforte, a última parada é na Rede de Intercâmbio em Agroecologia (GIAS), no Mato Grosso. A GIAS desenvolveu o Banco de Informações sobre Sementes (BIS), uma tecnologia social em agroecologia que visa ao registro e à sistematização das variedades de sementes mantidas pelos agricultores/as familiares. O fluxo das sementes organizado pelo BIS é verificado anualmente durante a Festa da Troca de Sementes Crioulas. Nessas oportunidades, mais de 300 pessoas cadastram variedades, ofertando-as numa economia de troca, quanto levam para casa variedades já cadastradas. A importância disso é destacada por Josefa Aparecida: – “a troca se torna mais gratificante quando a gente sabe para onde foi a semente, quem a recebeu, para onde andou a nossa história, sem o risco de perder as informações. É como uma nova vida, que poderá ser encontrada”.

Em tempos de pandemia e de crise de abastecimento alimentar, é fundamental destacar que as 25 redes sistematizadas pela ANA produzem juntas mais de 700 itens alimentares, entre produtos in natura, panificados, doces e geleias e derivados do leite. Esses alimentos produzidos e consumidos, especialmente nos territórios, indicam processos de relocalização dos sistemas agroalimentares, primando pelo acesso e consumo de seus produtos a partir de circuitos curtos, livres de proteínas transgênicas, agrotóxicos e de ultraprocessamento. Além do manejo agroecológico, esses alimentos são produzidos e comercializados, assegurando remuneração justa para a agricultura familiar e acesso a alimentos saudáveis a preços acessíveis para os/as consumidores/as.

Em momento de crise, as redes de agroecologia seguem produzindo e alinhando respostas para garantir o consumo de alimentos saudáveis. As redes de agroecologia dão mais uma mostra de que Hardin estava muito enganado. O que essas experiências em rede nos ensinam é que a verdadeira tragédia é a do “não comum”, pela qual territórios e seus bens sociais e ecológicos são convertidos em objetos de exploração por meio das transações em mercados controlados por grandes conglomerados empresariais.

]]>
http://aspta.org.br/2020/05/28/redes-de-agroecologia-praticas-e-gestao-comum-nos-territorios/feed/ 0
Solidariedade e Agroecologia unem as ações da AS-PTA em três regiões do país http://aspta.org.br/2020/05/27/solidariedade-e-agroecologia-unem-as-acoes-da-as-pta-em-tres-regioes-do-pais/ http://aspta.org.br/2020/05/27/solidariedade-e-agroecologia-unem-as-acoes-da-as-pta-em-tres-regioes-do-pais/#comments Wed, 27 May 2020 17:53:53 +0000 http://aspta.org.br/?p=18063 Leia mais]]>

Da mesma forma com que se postula que ”alimentar-se é um ato político”, a política também se expressa quando o alimento cotidiano falta na mesa de casa um. É nesse sentido que são igualmente políticas as iniciativas voltadas para a democratização do acesso e a solidariedade na partilha dos alimentos de qualidade às pessoas que deles necessitam. Foi nessa perspectiva que a AS-PTA firmou parceria com a Fundação Banco do Brasil para realizar doações de cestas básicas e materiais de higiene e limpeza a famílias que tiveram agravadas sua situação de vulnerabilidade diante da crise gerada pela pandemia do coronavírus. As cestas serão organizadas e distribuídas.na região da Borborema, na Paraíba, no Centro-sul do Paraná e em comunidades do município do Rio de Janeiro, onde a AS-PTA compartilha Programas de Desenvolvimento Local com organizações da Agricultura Familiar e de moradores urbanos articulados em redes para a construção da agroecologia nos respectivos territórios.

As cestas organizadas em cada região são reveladoras da grande diversidade dos alimentos produzidos pelas agriculturas e também de como são diversas as culturas alimentares locais: batata doce, feijão carioca, fava orelha de vó, abóbora ou jerimum, mandioca ou macaxeira, farinha de milho ou fubá da paixão, coentro ou salsinha. Durante a construção desse processo, foram mobilizados cerca de 60 agricultores e agricultoras fornecedores espalhados em 4 estados e 18 municípios.

Essa iniciativa tem sido fecunda na geração de novos aprendizados e novos métodos e modalidades de gestão de recursos públicos. Além do aprendizado alcançado pela AS-PTA com a montagem das cestas, a mobilização das organizações da agricultura familiar parceiras e a elaboração de uma logística coletiva para execução das ações, a Campanha Proteja e salve vidas vem como uma proposta inovadora para a gestão de recursos públicos. Na opinião de Paulo Petersen, da coordenação da AS-PTA, “esse projeto mostra que é possível fazer uma operação de compra e distribuição de alimentos em grande escala, mas o sucesso dessa ação depende necessariamente da participação ativa das organizações da agricultura familiar e de assessoria para criar os tecidos territoriais que permitam viabilizar toda logística do processo de compra e distribuição dos alimentos

As equipes da AS-PTA e os movimentos e organizações assessorados nos três estados foram capazes, em 10 dias, de identificar não só os fornecedores, mas também, em parceria com organizações públicas e privadas de assistência social, as famílias que necessitam receber as cestas de produtos agroecológicos. De terça-feira (26/05) ao sábado (30/05), a AS-PTA e seus parceiros distribuirão 1500 cestas, contendo mais de 27 toneladas de alimentos diversificados, adquiridos em quase sua totalidade da agricultura familiar, e que beneficiarão mais de 7500 pessoas em nove diferentes municípios.

A iniciativa enche de orgulho todas as pessoas e organizações que contribuíram na sua realização, como avalia a agricultora Gerusa Marques, do município de Massaranduba, na Paraíba, “A agricultura já é importante e nessa época, ela se torna ainda mais, porque a gente sabe que precisa de uma alimentação saudável e na agricultura a gente tem isso. Sinto que a agricultura também pode salvar vidas. Assim como os médicos que estão lá empenhados, correndo para salvar cada um, a agricultura também está fazendo isso. Principalmente nós que estamos trabalhando com a agroecologia, tudo que a gente produz é saudável, também estamos com o mesmo papel daqueles médicos, junto no esforço de ajudar a salvar vidas também”.

Beneficiando quem está nas duas pontas – produtores de alimentos saudáveis e consumidores em situação de vulnerabilidade -, as ações propostas e as redes de solidariedade mobilizadas pela iniciativa pavimentam um caminho para o fortalecimento da agricultura familiar e suas organizações. No centro-sul do Paraná, região em que as entregas já se iniciaram, 12 famílias agricultoras de São Mateus do Sul foram mobilizadas para o fornecimento dos alimentos das cestas, distribuídas para 100 famílias em situação de vulnerabilidade social. Para José Lemos Lichesk, agricultor familiar do município, “para a nossa cooperativa a ação é interessante, pois garante uma renda segura para os agricultores, já que com a pandemia houve uma dificuldade no escoamento da produção, como os programas de compras institucionais. E, por outro lado, vemos famílias necessitando ter uma complementação em sua alimentação familiar e nós podemos oferecer um produto de qualidade, agroecológico e certificado”.

A iniciativa tem o apoio da BB Seguros e do Banco BV, empresas do conglomerado Banco do Brasil, além da cooperativa de crédito COOPERFORTE, que destinaram recursos à Fundação Banco do Brasil para a promoção e gestão de ações de assistência social, prevenção e combate a pandemia de Covid-19.

Proteja e salve vidas!

Acesse, doe e compartilhe: coronavirus.fbb.org.br

#Solidariedade #Covid19 #NossoValorTransforma

]]>
http://aspta.org.br/2020/05/27/solidariedade-e-agroecologia-unem-as-acoes-da-as-pta-em-tres-regioes-do-pais/feed/ 1
Cartilha Nossos conhecimentos sobre a sociobiodiversidade: salvaguardando uma herança ancestral http://aspta.org.br/2020/05/26/cartilha-nossos-conhecimentos-sobre-a-sociobiodiversidade-salvaguardando-uma-heranca-ancestral/ http://aspta.org.br/2020/05/26/cartilha-nossos-conhecimentos-sobre-a-sociobiodiversidade-salvaguardando-uma-heranca-ancestral/#respond Tue, 26 May 2020 14:31:12 +0000 http://aspta.org.br/?p=18058 Leia mais]]> Uma visão popular da Lei 13.123/2015, o marco legal da biodiversidade brasileira e do acesso e repartição de benefícios sobre o conhecimento tradicional associado.

A inspiração para esta cartilha vem da necessidade de que cada agricultor, agricultora, povo, comunidade tradicional, trabalhador e trabalhadora rural acesse, de forma física ou digital, esse material e possa conhecer a emblemática Lei da Biodiversidade, ou como preferimos chamar “Lei da Biopirataria” (Lei 13.123/2015), a partir de uma perspectiva popular e crítica.

E este conhecer é compreender por meio de uma linguagem acessível do que se trata essa legislação, quais as suas implicações, ameaças e perspectivas que atingem os povos do campo, das águas e das florestas para, a partir disso, termos instrumentos de defesa dos direitos, dos territórios, dos saberes e das tradições.

A cartilha visa fornecer elementos sobre a importância política do tema de acesso à biodiversidade, também conhecida como patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado e não busca, evidentemente, esgotar todas as discussões que a Lei 13.123 nos traz, mas é um material de base popular, agroecológica e elaborado pela sociedade civil para formação política dos povos tradicionais na luta pela defesa de seus direitos.

Esse material foi construído por muitas mãos e organizações da sociedade civil comprometidas com a participação popular, a soberania dos territórios e a defesa da biodiversidade brasileira. É uma construção coletiva entre a Terra de Direitos, o Grupo de Trabalho em Biodiversidade da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), a Sociedade Brasileira de Etnobiologia e Etnocologia e a Articulação Pacari de Plantas Medicinais.

Acesse aqui a Cartilha

Ficha técnica
Nossos conhecimentos sobre a sociobiodiversidade: salvaguardando uma herança ancestral

Uma visão popular da Lei 13.123/2015, o marco legal da biodiversidade brasileira e do acesso e repartição de benefícios sobre o conhecimento tradicional associado.
Maio/2020
Realização: GT Biodiversidade da Articulação Nacional de Agroecologia e Terra de Direitos
Organização: Marciano Toledo da Silva, Gustavo Taboada Soldati e André Halloys Dallagnol
Textos de: André Halloys Dallagnol, Gustavo Taboada Soldati e Marciano Toledo da Silva.
Revisão e Atualização: Jaqueline Pereira de Andrade, Claudia Sala de Pinho Lourdes, Laureano e Gustavo Taboada Soldati,.
Contribuição: Naiara Andreoli Bittencourt e Lizely Borges
Diagramação: Sintática Comunicação
Apoio: Heks

Fonte: ANA www.agroecologia.org.br

]]>
http://aspta.org.br/2020/05/26/cartilha-nossos-conhecimentos-sobre-a-sociobiodiversidade-salvaguardando-uma-heranca-ancestral/feed/ 0
Livro Redes de Agroecologia para o Desenvolvimento dos Territórios: Aprendizados do Programa Ecoforte http://aspta.org.br/2020/05/17/livro-redes-de-agroecologia-para-o-desenvolvimento-dos-territorios-aprendizados-do-programa-ecoforte/ http://aspta.org.br/2020/05/17/livro-redes-de-agroecologia-para-o-desenvolvimento-dos-territorios-aprendizados-do-programa-ecoforte/#respond Sun, 17 May 2020 20:13:24 +0000 http://aspta.org.br/?p=18050 Leia mais]]>

O livro Redes de Agroecologia para o Desenvolvimento dos Territórios: Aprendizados do Programa Ecoforte apresenta os resultados de um processo nacional de sistematização que envolveu 25 redes territoriais de agroecologia apoiadas pelo primeiro edital do Programa Ecoforte (projetos executados entre 2015 e 2017).

Baixe o Livro aqui

O trabalho, desenvolvido pela ANA, em parceria com a Fundação Banco do Brasil (FBB), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Fundo Amazônia, promoveu intercâmbios entre as redes e apoiou a reflexão nos territórios a respeito da atuação das organizações, buscando dar visibilidade aos efeitos positivos gerados pelas ações coletivas de promoção da agroecologia.

Os resultados das 25 redes evidenciam o acerto da estratégia metodológica do Programa Ecoforte de apoiar projetos construídos pelas próprias redes a partir das demandas definidas em seus territórios, baseadas nas suas trajetórias e dinâmicas organizativas nos mais diferentes contextos sociais, ambientais, econômicos, culturais e políticos. Em vez de propor soluções tecnológicas de aplicação universal, o Programa viabilizou o estabelecimento de Unidades de Referência de um conjunto amplo de tecnologias sociais, que puderam ser ajustadas aos diferentes contextos e necessidades. Esta flexibilidade e a confiança nas organizações da sociedade civil foram cruciais para o sucesso desse primeiro ciclo de projetos.

A sistematização mostrou a enorme diversidade de sujeitos sociais e tipos de organização envolvidos nos projetos: participam diretamente das 25 redes sistematizadas, por exemplo, 213 associações; 54 sindicatos e federações; 45 cooperativas; e 38 associações, cooperativas e grupos de mulheres. Essa integração entre sujeitos e organizações contribui para o aprendizado e para o desenvolvimento de inovações. A diversidade de temas mobilizadores da ação das redes é outro dado que impressiona, bem como a capacidade das redes de conectá-los nas suas práticas enraizadas territorialmente. Como exemplos, vale citar experiências envolvendo resgate, conservação, multiplicação e uso de sementes crioulas e plantas nativas, beneficiamento da produção, construção social de mercados e processos de certificação participativa da produção orgânica.

Leia também:

Sumário Executivo do livro Redes Redes de Agroecologia para o Desenvolvimento dos Territórios: Aprendizados do Programa Ecoforte

Coleção Teia – Boletins Informativos sobre Tecnologias Sociais em Agroecologia (TSAs)

Fonte: www.agroecologia.org.br

]]>
http://aspta.org.br/2020/05/17/livro-redes-de-agroecologia-para-o-desenvolvimento-dos-territorios-aprendizados-do-programa-ecoforte/feed/ 0