Algodão agroecológico – AS-PTA http://aspta.org.br Wed, 07 Oct 2020 17:46:50 +0000 pt-BR hourly 1 Mais de 100 famílias de seis municípios da Borborema iniciam plantio de algodão em consórcios agroecológicos em 2020 http://aspta.org.br/2020/08/12/mais-de-100-familias-de-seis-municipios-da-borborema-iniciam-plantio-de-algodao-em-consorcios-agroecologicos-em-2020/ http://aspta.org.br/2020/08/12/mais-de-100-familias-de-seis-municipios-da-borborema-iniciam-plantio-de-algodao-em-consorcios-agroecologicos-em-2020/#respond Wed, 12 Aug 2020 17:38:47 +0000 http://aspta.org.br/?p=18188 Leia mais]]> Projeto amplia renda das famílias, produção de alimentos para autoconsumo e dinamiza a Rede dos Bancos Comunitários de Sementes do território

No último trimestre deste ano, quando os roçados já deram seus frutos e descansam à espera das próximas chuvas, algumas roças na região da Borborema, na Paraíba, estarão pinceladas de branco. Essa é a expectativa de cerca de 100 famílias, que plantaram ao longo do inverno deste ano, sementes de algodão junto a pés de batata, mandioca, milho livre de transgenia, erva-doce, feijão e demais culturas.

Uma das famílias que espera pela última colheita do ano é a de Luis de Santana, da comunidade Sítio São Bento de Cima, em Arara. Eles voltaram a cultivar o algodão depois de cerca de uma década sem produzir devido à perda de valor do produto. Se, há mais ou menos 10 anos, o quilograma (kg) da rama do algodão não conseguia chegar a R$ 1,20 ou R$ 1,30 – valor que, segundo Luis, compensava o custo do plantio – hoje, o kg da pluma orgânica, beneficiada e certificada, está por R$ 10,61. Explicando de forma bem simples, a rama é o algodão bruto, da mesma forma que é retirado do pé, ainda com a semente. Já a pluma é o resultado do processo de retirada da semente numa máquina que também faz um novelo da fibra.

A valorização do algodão tem sido um grande atrativo para que as famílias da região retomem o cultivo da planta, que ficou conhecida como ouro branco do Sertão, por ter gerado muita renda para a região e, especialmente, para o território da Borborema. Na década de 1920 e início da seguinte, Campina Grande, município polo da região, teve um crescimento acentuado impulsionado pelo comércio da fibra cultivada nas redondezas. Campina Grande chegou a ser o segundo polo de venda de algodão do mundo. Perdia só para Liverpool, na Inglaterra.

Mas, para além do valor alcançado com o algodão agroecológico, há outros motivos que atraem o interesse dos agricultores e agricultoras familiares. Uma delas é a vantagem do plantio agroecológico que preza pelo consórcio de culturas. “Há uma diversidade de culturas em uma pequena área”, destaca Luis de Santana, que sempre consorciou o algodão com o milho, a fava, feijão. Do ano passado pra cá, o agricultor planta o algodão junto de algumas variedades de feijão: gordo, rosinha e preto. Mas também já juntou o plantio do algodão com o coentro que produz há mais de 15 anos. “O coentro é bom para o controle das formigas”, comenta ele, destacando que as flores do algodão também atraem muitas abelhas, o que muito bom para quem é apicultor.

No ano passado, em meio hectare, Luis colheu 260kg de rama e 155kg de pluma. “Foi uma experiência boa”, avalia. Além da fibra, o plantio gerou novas sementes de algodão que o abasteceu para o uso este ano e também foram fornecidas para dois bancos comunitários de sementes da região, o do Sítio Serrote Branco, onde sua mãe é sócia, e de Riacho Fundo. A experiência bem avaliada fez Luis repetir a semeadura em 2020 na mesma área. Ele preparou o solo e esperou a chuva que chegou na primeira quinzena de julho para jogar as sementes.

“O plantio do algodão é muito antigo, mas este cultivo agroecológico é uma novidade”, comenta Emanoel Dias, agrônomo e assessor técnico da AS-PTA, uma organização de apoio à agricultura familiar agroecológica que, na Paraíba, atua na região da Borborema, em parceria com o Polo da Borborema, uma articulação de 13 sindicatos de trabalhadores rurais. Segundo Emanoel, existe uma diferença muito grande entre a produção do algodão em monocultivo e a agroecológica.

“O foco da AS-PTA é o estímulo ao plantio do algodão por meio dos consórcios agroecológicos, que são uma boa estratégia para a diversificação das culturas”. Com o consórcio, as famílias produzem também alimentos para a dieta familiar e o excedente gera renda por haver na região uma estrutura que garante a venda direta dos/as produtores/as para os/as consumidores/as.

“Os feijões, milho, erva doce, mandioca, batatas e outras culturas são comercializados no próprio Território da Borborema, por meio da Rede de 12 Feiras Agroecológicas e das cinco Quitandas da Borborema. Os tubérculos serão comercializados in natura, já os grãos e sementes serão empacotados e comercializados com a marca produtos do roçado. No caso do milho especificamente serão produzidos, fubá, xerém, mungunzá e flocão na Unidade de Beneficiamento dos Derivados de Milho Livre de Transgênicos”, acrescenta Emanoel.

O incentivo para a retomada do cultivo do algodão também dinamiza as casas comunitárias de sementes da região, onde há a Rede Bancos Comunitários de Sementes (BCS), com 62 infraestruturas distribuídas em 12 municípios, mobilizando mais de 1,5 mil famílias sócias. Os equipamentos que possuem um estoque diversificado de variedades alimentícias armazenadas de forma coletiva para serem distribuídas anualmente.

Em 2019, o cultivo do algodão agroecológico foi iniciado com 22 famílias, uma delas é a de Luis. Este ano, as 22 famílias anunciaram a vontade de seguir cultivando a partir das sementes que multiplicaram no plantio anterior e mais 77 famílias receberem sementes, totalizando 109 famílias que vivem em seis municípios da Borborema. Além de Arara, cidade de Luis, tem famílias agricultoras de Areial, Casserengue, Esperança, Queimadas e Remígio. “Com o distanciamento social, suspendemos as visitas de campo, e temos notícias dos consórcios pelo WhatsApp. Ficamos sabendo que 86 delas fizeram o plantio. Pode ser que todas tenham plantado. Vamos confirmar isso quando voltarmos os trabalhos de visita às famílias”, conta o técnico da AS-PTA.

O incentivo ao consórcio agroecológico do algodão com culturas alimentícias é um projeto da AS-PTA, Polo da Borborema, a associação EcoBorborema, que trabalha a comercialização dos produtos da agricultura familiar agroecológica, e tem o apoio da Fundação Laudes. Trata-se do Projeto Algodão Orgânico em Consórcios Agroecológicos, que prevê cursos e intercâmbios para que todo o processo de cultivo seja completamente livre de agrotóxicos e seja feito a partir das sementes crioulas, conhecidas na Paraíba como sementes da Paixão. No projeto, as famílias participantes aprendem a fazer caldas protetoras, defensivos naturais, entre outras técnicas de manejo e também recebem orientações para o controle da principal praga do algodão, o bicudo.

Um diferencial neste projeto é o contato com empresas consumidoras do algodão. Em 2019, o contrato de venda foi feito com a empresa Veja/Vert, uma marca francesa de tênis sustentáveis. Este ano, toda a produção das 109 famílias produtoras já está vendida para a Organic Cotton Colours, empresa espanhola produtora de malha para confecção de camisaria, roupa de cama e banho, que atua na Paraíba desde o ano passado e tem comprado algodão orgânico produzido em outros estados do Nordeste.

Além da compra certa de toda a produção, os contratos com as empresas asseguram a volta das sementes de algodão para as famílias produtoras e também para os bancos de sementes da região. Ademais de todos os motivos, a garantia de renda e um destino certo para a produção tornam o plantio do algodão um trabalho muito sedutor para as famílias em transição agroecológica, como a de Luis. Quem sabe assim, as mais de 100 famílias envolvidas no projeto sintam no bolso o sentido da alcunha ‘ouro branco do sertão’ que um dia foi realidade e inspirou músicas como ‘Algodão‘ conhecida na voz do rei do baião Luiz Gonzaga.

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Comissão de Sementes do Polo da Borborema debate o fortalecimento de consórcios agroecológicos e revitalização de culturas de renda na região http://aspta.org.br/2020/01/27/comissao-de-sementes-do-polo-da-borborema-debate-o-fortalecimento-de-consorcios-agroecologicos-e-revitalizacao-de-culturas-de-renda-na-regiao/ http://aspta.org.br/2020/01/27/comissao-de-sementes-do-polo-da-borborema-debate-o-fortalecimento-de-consorcios-agroecologicos-e-revitalizacao-de-culturas-de-renda-na-regiao/#respond Tue, 28 Jan 2020 00:10:18 +0000 http://aspta.org.br/?p=17969 Leia mais]]> A Comissão de Sementes do Polo da Borborema realizou no dia 23 de janeiro, sua primeira reunião de 2020, com representantes dos mais de 60 Bancos de Sementes Comunitários do território de atuação do Polo, uma articulação de 13 sindicatos de trabalhadores rurais. O encontro teve como objetivos debater a implementação de uma nova ação no território que visa o fortalecimento dos consórcios agroecológicos e a revitalização de antigas culturas de renda no território da Borborema, a exemplo do algodão, da batatinha, da mandioca e da erva-doce, todas em bases agroecológicas.

Divididos em grupos por regiões e seus microclimas, os participantes fizeram desenhos dos seus roçados diversificados e descreveram as formas de plantio e manejo dos consórcios mais comuns, em seguida apresentaram para a plenária e fizeram observações do conjunto. “A gente percebe muitas diferenças no ambiente, em um lugar a chuva é mais prolongada, no outro já é mais passageira, em um as folhas costumam a cair, no outro já não, são diferenças ambientais importantes e as pessoas vão aprendendo a conviver e se adaptando a partir das características do seu lugar”, observou Euzébio Cavalcanti, do Assentamento Queimadas, e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município de Remígio.

A iniciativa dos consórcios agroecológicos visa ainda o fortalecimento da ação com as sementes locais, ou ‘Sementes da Paixão’, como são conhecidas na Paraíba, promovendo a ampliação do beneficiamento e empacotamento dos derivados do milho não transgênico e das sementes crioulas e o resgate de variedades das Sementes da Paixão. “É preciso que os consórcios estejam vinculados aos Bancos de Sementes Comunitários, o trabalho será feito nos locais onde já existem os bancos, até para ajudar a animar aqueles onde existe alguma dificuldade”, explicou Emanoel Dias, assessor técnico do Núcleo de Sementes da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.

O projeto beneficiará 200 famílias ao final de dois anos e meio e conta com o apoio do Instituto C&A. Para a comercialização específica do algodão, existe a parceria com a Organic Cotton Collors, que após diálogo estabeleceu uma série de acordos com o projeto, entre eles o de não comprar de famílias que não estejam articuladas em grupo e o de pagar um adicional de 30% no valor do produto orgânico certificado ou em transição agroecológica.

Ainda em 2019, em uma ação piloto, 12 famílias da região venderam sua produção que somada chega a seis hectares em sistemas de consórcios de algodão agroecológico por um valor de R$ 7.150, apenas da pluma, pois o caroço foi devolvido para que sejam usados na alimentação das criações e para o plantio do ano seguinte.

No encontro, foram definidas ainda com o grupo um conjunto de atividades de acompanhamento e monitoramento da Rede de Bancos do Polo da Borborema. Além de algumas atividades municipais para sensibilização da organização dos consórcios agroecológicos.

Ao final da reunião, foi feito o lançamento da Cartilha de Receitas de Milho da Paixão, 100% livre de transgênicos e agrotóxicos, criada para divulgar a produção do milho crioulo e valorizar as receitas das agricultoras e agricultores que trabalham com beneficiamento.

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Polo da Borborema participa da III Festa da Colheita do Algodão Agroecológico em Remígio-PB http://aspta.org.br/2011/11/28/polo-da-borborema-participa-da-iii-festa-da-colheita-do-algodao-agroecologico-em-remigio-pb/ http://aspta.org.br/2011/11/28/polo-da-borborema-participa-da-iii-festa-da-colheita-do-algodao-agroecologico-em-remigio-pb/#respond Mon, 28 Nov 2011 23:13:19 +0000 http://aspta.org.br/?p=4892 Leia mais]]> O Polo da Borborema e a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, participaram da terceira edição da Festa da Colheita do Algodão Agroecológico, em Remígio-PB, na região da Borborema. O evento que foi aberto no último dia 24 e encerrado no dia 27, celebra a colheita do algodão agroecológico e tem a participação das entidades e dos agricultores participantes da Rede Paraíba de Algodão Agroecológico.

A festa é uma oportunidade para que os agricultores e a sociedade em geral discutam inovações tecnológicas voltadas para a agricultura familiar, práticas agroecológicas, políticas públicas para o campo, além de ser um espaço de troca de experiências e fortalecimento da identidade cultural do Território Agroecológico da Borborema.

Durante a Festa da Colheita foi realizado o V Seminário da Rede de Algodão Agroecológico do Semiárido. Na programação também aconteceu um Dia de Campo, no Assentamento Queimadas, zona rural do Remígio, onde os participantes puderam analisar o sistema de produção, as melhores formas de manejo, a viabilidade da cultura na agricultura familiar e produção da cultura do algodão sem uso de veneno. Também fizeram parte da programação palestras e minicursos sobre temas como: História do algodão agroecológico, Manejo de pragas e doenças do algodão agroecológico, Certificação do algodão orgânico e Artesanato com algodão naturalmente colorido.

Na Lagoa do Parque, foram montados diversos estandes expondo o trabalho dos agricultores e das entidades que atuam no semiárido. O Polo da Borborema montou um espaço de exposições com demonstrações do trabalho que desenvolve. “Aqui mostramos o arredor de casa, o roçado diversificado do algodão, a criação animal, os bancos de sementes, o artesanato, o trabalho das mulheres na construção da agroecologia, a cisterna calçadão, a silagem, entre outros”, explica Gizelda Bezerra, da coordenação do Polo e uma das responsáveis pela montagem do espaço.

Durante muitos anos, o plantio do algodão foi uma das principais culturas geradoras de renda na região semiárida. O fato de a planta ser resistente à seca e se reproduzir principalmente nos períodos secos, fez com que a produção fosse crescente em meados do Século XX. Porém, na década de 1980 com a chegada da praga do bicudo e do declínio dos mercados, o plantio de algodão na região reduziu drasticamente, levando muitas famílias a abandonarem seus plantios.

Na Paraíba, por meio da observação e experimentação das famílias agricultoras e da assessoria de entidades como Polo da Borborema, AS-PTA, Arribaçã, STR de Aparecida, Coletivo do Cariri, Patac é que foi se resgatando novamente a produção do algodão no território. Este movimento vem contando ainda com o apoio de instituições de pesquisa como a Embrapa Algodão. Esse grupo foi a base de estruturação de uma Rede de Agricultores-Experimentadores do Algodão Agroecológico na região da Borborema. Essa iniciativa estimulou também a criação da Rede Paraibana de Algodão Agroecológico que articula as outras regiões do Estado. De acordo com João Macêdo, assessor técnico da AS-PTA, atualmente 58 famílias dos municípios de Solânea, Areial, Remígio, Arara, Casserengue, Algodão de Jandaíra, Juarez Távora e Lagoa de Roça estão envolvidas com a cultura do algodão agroecológico: “essas famílias estão produzindo o algodão em consórcio com outras culturas, numa modalidade de roçado diversificado”, explicou.

Como parte das estratégias da Rede, as agricultoras e agricultores experimentadores tem se organizado para comercializar o algodão diretamente com as indústrias têxteis que tem como foco o trabalho com fibras orgânicas, conseguindo um preço mais compensador e de maior reconhecimento ao trabalho realizado.

A reintrodução do algodão agroecológico nos roçados da região do Polo da Borborema tem sido uma das formas de fortalecer a diversificação nos sistemas de produção familiar, possibilitando o aumento na renda e a garantia de colheita no período seco.

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Sistema Produtivo de algodão Agroecológico gera renda e cidadania aos agricultores familiares da Borborema http://aspta.org.br/2009/06/19/sistema-produtivo-de-algodao-agroecologico-gera-renda-e-cidadania-aos-agricultores-familiares-da-borborema/ http://aspta.org.br/2009/06/19/sistema-produtivo-de-algodao-agroecologico-gera-renda-e-cidadania-aos-agricultores-familiares-da-borborema/#respond Fri, 19 Jun 2009 19:52:55 +0000 http://aspta.org.br/?p=2622 Durante muitos anos, o plantio do algodão foi uma das principais culturas geradoras de renda na região semiárida. Por ser uma planta que resiste a seca e se reproduz principalmente nos períodos do verão (estação seca), fez com que a produção fosse crescente em meados do Século XX. Porém, na década de 1980 com a chegada da praga do bicudo e da decadência dos mercados, o plantio de algodão na região reduziu drasticamente, levando muitos agricultores/as a abandonaram seus plantios.

Na Paraíba, o resgate da produção do algodão se deu a partir da observação e experimentação de agricultores familiares interessados em reintroduzir a cultura nos sistemas produtivos. A partir de pesquisas participativas e da iniciativa de Organizações Não governamentais, a exemplo da AS-PTA, Polo da Borborema e Arribaçã e instituições de pesquisa como a Embrapa Algodão, foi se estruturando uma rede de agricultores experimentadores do algodão agroecológico, na região da Borborema. Essa iniciativa estimulou também a criação da Rede Paraíba de Algodão Agroecológico que articula as outras regiões do Estado. Como parte das estratégias da Rede, os agricultores/as experimentadores/as tem se organizado para comercializar o algodão diretamente com as indústrias têxteis que tem como foco o trabalho com fibras orgânicas, conseguindo um preço mais compensador e de maior reconhecimento ao trabalho realizado.

A reintrodução do algodão agroecológico nos roçados da região do Polo da Borborema tem sido uma das formas de fortalecer a diversificação nos sistemas de produção familiar, possibilitando o aumento na renda e a garantia de colheita no período seco. A época do plantio é determinante para que a cultura do algodão se estabeleça. No caso da Borborema, os meses de Maio e Junho são os mais apropriados, pois as chuvas já diminuíram de intensidade e os solos ainda estão com um bom teor de umidade.

O manejo dos roçados com o algodão agroecológico tem como base a diversidade de culturas, para isso, é necessário que os agricultores/as adotem as práticas agroecológicas, como: a conservação do solo, o uso de adubação e de sementes orgânicas, aplicação de biofertilizantes enriquecido e caldas naturais, manejo ecológico de insetos, preparo do solo com tração animal, tratos culturais, capinas manual e capinas com bois de cultivadores, e colheita 100 % manual. Esse sistema de produção vem sendo aprimorado a cada ano, possibilitando o aumento na produção do algodão e das outras culturas do consórcio.

Os agricultores estimam que esse ano a colheita seja de aproximadamente 100 toneladas de algodão em rama, que serão comercializadas para as indústrias têxtil dos estados da Paraíba, Pernambuco e São Paulo. De acordo João Macêdo, Assessor Técnico da AS-PTA na Paraíba, o algodão plantado pelos agricultores do Polo da Borborema tem sido reconhecido internacionalmente. Certificado pelo Instituto Biodinâmico de São Paulo (IBD), o algodão agroecológico tem recebido os selos orgânicos Brasil (BR), Europa (EU) e o selo NOP (EUA), maior nível de qualidade do algodão. Devido, as certificações, muitos agricultores da região tem tido um acréscimo de até 20% no preço final, gerando conseqüentemente um aumento significativo em suas rendas.

Os mais de 50 agricultores que fazem parte do processo de plantio do algodão agroecológico são estimulados a participar de intercâmbios para a troca de experiências, reuniões de preparação para implantação das áreas de plantio, participação em seminários de âmbito Regional e Internacional, aprimorando os debates sobre a produção e comercialização. As experiências práticas contribuem para que os agricultores/as se sintam estimulados a produzir com qualidade e conseguir preços justos pela produção. Esse é um trabalho que vem dando certo e propiciado aos agricultores/as familiares do semiárido uma perspectiva de voltar a produzir o algodão em um novo modelo que permite a integração entre mercado e família, assim como, uma produção com base nos princípios da agroecologia.

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