controle biológico – AS-PTA http://aspta.org.br Wed, 05 Aug 2020 13:02:04 +0000 pt-BR hourly 1 Uso de produtos naturais no combate à mosca negra do citros http://aspta.org.br/2011/05/11/uso-de-produtos-naturais-no-combate-a-mosca-negra-do-citros/ http://aspta.org.br/2011/05/11/uso-de-produtos-naturais-no-combate-a-mosca-negra-do-citros/#respond Wed, 11 May 2011 14:00:50 +0000 http://aspta.org.br/?p=4174 Leia mais]]> Em 2009 na região de Brejo do Território da Borborema foi identificada a presença da mosca negra do citros. O boletim traz experiências de famílias de Lagoa Seca, Matinhas e Alagoa Nova com o uso de produtos naturais no controle da mosca negra. Desenvolveram produtos utilizando a castanha-de-caju, manipueira, maniçoba, angico, nim e a urina de vaca.

Uso de produtos naturais no combate a mosca negra

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Sociedade civil e governo traçam ações para fortalecer fruticultura da Borborema http://aspta.org.br/2010/08/31/sociedade-civil-e-governo-tracam-acoes-para-fortalecer-fruticultura-da-borborema/ http://aspta.org.br/2010/08/31/sociedade-civil-e-governo-tracam-acoes-para-fortalecer-fruticultura-da-borborema/#respond Tue, 31 Aug 2010 17:27:40 +0000 http://aspta.org.br/?p=2755 Nesse segundo encontro estiveram presentes representantes do Polo da Borborema, da AS-PTA, do Sindicato dos Trabalhadores em Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Sinter), do Sindicato dos Agrônomos Veterinários e Zootecnistas dos Entes Públicos no Estado da Paraíba (Sinavez), da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), da Defesa Agropecuária da Paraíba e da Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap).

Esse tem sido um espaço importante de diálogo contínuo e direto entre os agricultores, as assessorias e o governo estadual, buscando deixar de lado as divergências e implementar soluções concretas que contribuam para o desenvolvimento da agricultura familiar de base ecológica da região, explicou Emanoel Dias, da AS-PTA.

Na primeira reunião, no dia 13 de Julho, também na sede da Emater em João Pessoa, foram divididas responsabilidades entre as organizações no sentido de viabilizar os encaminhamentos apontados coletivamente durante o seminário. Já neste segundo momento cada organização relatou as providências que tomou e os possíveis desdobramentos dessas ações.

O primeiro ponto colocado foi o da tramitação do projeto de implantação de uma biofábrica no Campus Areia da UFPB. Essa biofábrica seria destinada a multiplicar insetos inimigos naturais da mosca negra. Pesquisas têm demonstrado que num espaço muito curto de tempo de vida alguns desses insetos começam a se alimentar das larvas e ninfas da praga, configurando-se, portanto, bastante eficazes no controle biológico da mosca negra. O projeto da biofábrica foi encaminhado ao Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza no Estado da Paraíba (Funcep/PB) e, segundo Luis Carlos de Sá Barros, gerente operacional de Defesa Vegetal da Sedap, aguarda apenas a assinatura do governador para ser aprovado e iniciar o processo de licitações. A partir dessas informações, decidiu-se que uma comissão deverá acompanhar a tramitação de forma a “agilizar” sua aprovação pelo Funcep. A comissão conta com representantes da Defesa Agropecuária, do Sinter e do Sinavez.

O registro do óleo de nim foi o próximo item da pauta. A substância já é empregada com sucesso no controle de outras pragas similares, como a mosca branca, e a ideia é que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estenda seu registro para aplicação nas áreas atingidas pela mosca negra. O contexto é bastante favorável, uma vez que já existem empresas interessadas em produzir e comercializar o óleo de nim.

Para os agricultores familiares e assessorias, o registro do produto é importante e urgente, uma vez que pode substituir o agrotóxico Provado. Foi sugerido então que, numa próxima reunião, fossem trazidos dados sobre a eficácia das diferentes métodos de controle: convencional (com veneno), alternativo (com produtos naturais, muitos à base de nim) e biológico (introdução de inimigos naturais). O acompanhamento feito por agricultores da Borborema e seus parceiros tem mostrado que aquelas áreas que receberam o Provado não tiveram queda expressiva da incidência da mosca negra, enquanto que agricultores como Rivaldo, de Remígio, têm obtido ótimos resultados aplicando os produtos naturais (ver foto da produção agroecológica de tangerina e laranja de Rivaldo). Além disso, a diferença entre o valor do Provado (R$ 90,00/litro) e o de óleo de nim (R$ 20,00/litro) é considerável para as famílias agricultoras.

Após abordar esse ponto, Nelson Anacleto, do Polo da Borborema, lembrou que também é importante a quebra do status de quarentenária da mosca negra, já que ela não está presente apenas na Paraíba, o que abriria novamente o mercado dos estados vizinhos. Hoje encaminhamos um ofício ao Mapa e à Sedap solicitando a mudança do status da praga para facilitar o processo de tramitação e comercialização da produção para além das barreiras do nosso estado. Sugerimos que o Mapa e a Secretaria de Agricultura assumam seu papel, declarou Anacleto.

Em seguida, José Humberto de Albuquerque, responsável pela Vigilância Sanitária de Pragas Quarentenárias da Sedap, tomou a palavra e apresentou um relatório dos municípios em que foi concluído o cadastramento das propriedades rurais da Borborema. Esse cadastro facilitará a emissão dos Certificados de Origem Fitossanitária (CFOs) necessários para que os agricultores possam comercializar sua produção dentro da Paraíba, como também para Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. Segundo Albuquerque, as unidades rurais dos municípios mais atingidos pela mosca negra já foram todas cobertas e assinalou o mês de setembro como previsão para a finalização do trabalho em toda a Paraíba.

Também foi esclarecido que as famílias agricultoras que estão controlando a mosca negra através do tratamento alternativo podem ficar tranquilas em relação à emissão do CFO. Segundo representantes da Sedap, o certificado será emitido sem restrição, portanto, sem referência ou preferência por nenhum tipo de controle. O CFO é apenas uma garantia de que os frutos estão isentos de partes contaminantes que podem transmitir a mosca negra na rota de comercialização da laranja paraibana. Hoje existem 84 técnicos credenciados para emissão do CFO no estado.

Essa segunda reunião também teve como item de pauta a realização de uma Audiência Publica na Assembléia Legislativa. Representantes do Território da Borborema se prontificaram a desenhar uma proposta de conteúdo e fazer os contatos de modo a garantir a presença do maior número possível de deputados. O objetivo é obter apoio e lutar para conseguir recursos para atuar diretamente nas ações de controle da mosca negra. A data prevista é o mês de novembro, após as eleições para evitar a influência de fatores políticos.

Finalmente, discutiu-se como encaminhar a realização de um Seminário sobre Fruticultura. Ficou decidido que o primeiro passo deve ser estabelecer contato com o Fórum Estadual de Citricultura, coordenado pelo Mapa, mas que envolve diversas outras organizações, tais como Sedap, Embrapa, Sebrae e Banco do Nordeste do Brasil (BNB), buscando apoio e recursos. O fórum tem encontros mensais e a ideia é que um representante de cada organização envolvida no controle e convivência com a mosca negra compareça à próxima reunião. Entre outras questões a definir, estão: quem participará, qual o formato que o seminário deve assumir, metodologia, onde conseguir recursos para financiar o evento, restringir à Paraíba ou incluir representantes de outros estados.

Embora o foco central dessas reuniões seja reunir esforços da sociedade civil e do governo para amenizar os possíveis impactos da presença na mosca negra no estado da Paraíba, o principal objetivo é criar estratégias comuns e avançar nas ações que beneficiem a agricultura familiar de base ecológica do Território da Cidadania da Borborema.

Pela primeira vez os agricultores familiares têm tido a oportunidade de expor suas ideias e ter valorizadas as suas experiências pelos agentes do Estado. Agora têm a chance de mostrar que a marca da agricultura familiar da região é a diversidade de culturas e não o uso de agrotóxicos. E isso precisa ser respeitado, conclui Dias (AS-PTA).

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Seminário sobre fruticultura e mosca negra abre diálogo com o governo estadual http://aspta.org.br/2010/07/22/seminario-sobre-fruticultura-e-mosca-negra-abre-dialogo-com-o-governo-estadual/ http://aspta.org.br/2010/07/22/seminario-sobre-fruticultura-e-mosca-negra-abre-dialogo-com-o-governo-estadual/#respond Thu, 22 Jul 2010 15:59:58 +0000 http://aspta.org.br/?p=2621 O seminário reuniu organizações agricultoras (Polo da Borborema e Sindicatos de Trabalhadores Rurais de diversos municípios); assessorias (AS-PTA e Arribaçã); pesquisadores da UFPB (Campus Areia e Bananeira) e da UEPB (Campus Lagoa Seca); agentes da assistência técnica e extensão rural (Sinter e Emater); e outros órgãos do poder público, tais como o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa), Defesa Agropecuária da Paraíba e Banco do Nordeste do Brasil (BNB).

Para Nelson Anacleto, do Polo da Borborema: O grande objetivo é construir um debate entre essas organizações e traçar um caminho que valorize a região e suas estratégias no que diz respeito ao manejo da fruticultura e suas formas de convivência com as pragas e doenças.

Gilson Silva Alves, do Sinter, também valorizou a oportunidade do evento: Esse espaço é importante para avançar na luta pela qualidade de vida das famílias. A cada dia que passa a sociedade necessita e nos cobra assessoria que busque uma produção harmoniosa entre as famílias e a natureza.

Antes de iniciar os debates, Luciano Silveira, da AS-PTA, traçou um panorama geral da agricultura familiar do Brejo da Borborema, destacando que ela é tradicionalmente marcada pela fruticultura diversificada. Essa diversificação de cultivos é importante não só em termos comerciais, mas também para o autoabastecimento da família e para o equilíbrio ecológico dos sistemas de produção, afirmou.

Outro aspecto histórico da agricultura levantado por Silveira é que o uso de agrotóxicos nunca foi uma prática muito difundida entre os produtores.  

Os sistemas de produção na região se desenvolveram buscando estabelecer relações harmoniosas com o ambiente, favorecendo a manutenção dos equilíbrios que dispensaram o uso de insumos externos, como adubos químicos e agrotóxicos. A maioria das famílias mal dispõe de pulverizadores. Dessa forma, podemos dizer que a evolução dos sistemas produtivos na região identifica-se com princípios agroecológicos, concluiu Silveira.

Segundo ele, apesar de a pouca disponibilidade de terras ser um grande desafio para os pequenos produtores, o último Censo Agropecuário mostrou que a agricultura familiar cumpre papel importante na produção de alimentos e riqueza. Os dados comprovam que a citricultura na região da Borborema (limão, tangerina e laranja) recobre 2.500 hectares, e reponde por um valor bruto de R$ 50 milhões.

Desde o início da infestação, no final do ano passado, famílias agricultoras da Borborema têm se mobilizado contra a aplicação de agrotóxicos nas lavouras. Os agricultores alegam que, além do risco para a saúde dos produtores e consumidores, o agrotóxico Provado SC200 (banido em alguns países) também é prejudicial ao meio ambiente, inclusive afetando outros insetos benéficos, como os polinizadores.

Na contramão dessa prática, diversos produtos alternativos naturais vêm sendo testados e obtendo bons resultados, tais como: álcool com castanha-de-caju (ACC); coquetel de extratos vegetais; pó da folha de nim; e óleo de nim e detergente neutro. Foi ainda elaborado um boletim com receitas e modo de aplicação.

Durante o seminário, o testemunho dos agricultores que estão usando esses produtos naturais foi determinante para o debate, trazendo com riqueza evidências de viabilidade do controle alternativo e dos riscos associados ao uso do Provado.

Francinaldo, do Assentamento Carrasco, afirmou com orgulho: Graças a Deus quero dizer a vocês que temos 10 famílias salvas do agrotóxico. E, para felicidade nossa, quem é que dá assistência? A Emater. Então, não é difícil, é muito fácil, porque com o saldo econômico o agricultor tem condições de se libertar. Nós temos que tentar criar experiências e alternativas. A tecnologia é muito grande, mas o agricultor está cheio de experiência e tem de ser respeitado. Então nós temos as mãos que Deus nos deu e as experiências nossas, de nossos pais e avós. Por que não pulverizamos com o Provado? Ora, nós temos experiência. Onde tínhamos 40 hectares de laranja, pulverizamos com o ACC e analisamos que conseguiu controlar. Dessa forma, estamos nos libertando economicamente.

Já dona Nova, agricultora de Matinhas, conta que: No município, a grande maioria dos agricultores trabalhava de forma orgânica. A partir da mosca negra foi incentivado o uso do Provado. Alguns agricultores estão aguando seus pomares com esse veneno. Alguns deles já se intoxicaram e estão gastando dinheiro para se curar. Se o governo está incentivando os agricultores a usar esse veneno, qual a segurança que o governo dá se algum agricultor se envenenar? Porque vai sair do bolso do agricultor os custos de tratamento. Às vezes temos agricultores doentes e que não têm recursos para se tratar. Tenho casos de agricultores de Matinhas que já estão nessa situação.

Diante desses depoimentos, traçaram-se estratégias comuns para abordar o problema da incidência da mosca negra de forma mais adequada, considerando os riscos à saúde e ao meio ambiente e respeitando o conhecimento acumulado e as práticas dos agricultores agroecológicos da região.

O representante da Defesa Agropecuária da Paraíba, Jamir Mascena de Souza, afirmou: Neste momento, como Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará também já têm a incidência da praga confirmada, estamos aguardando do Mapa nova regulamentação. O que se deve esperar é que entre esses estados o trânsito de frutas seja normal. Porém, se quiser passar para outro estado, seria necessário promover protocolos de fitossanidade. E completa: Já que presente em 12 estados, ou seja, quase metade dos estados da federação, é necessário propormos para o Mapa que retire a mosca negra da tipificação de praga quarentenária. Nesse caso, a pressão social para que isso ocorra é fundamental para a suspensão das barreiras comerciais.

Para o Professor Jacinto Luna, da UFPB – Campus Areia, é preciso aprender a conviver com a mosca negra, uma vez que a praga já faz parte da paisagem da região Nordeste. Ao descrever a biologia da mosca negra, ele explicou que agora, com a chegada das chuvas, naturalmente haverá uma queda da população do inseto. Além disso, ele alerta para o fato de que a aplicação de agrotóxicos não só é menos eficaz no médio prazo, como ainda poder fazer com que o inseto crie resistência, comprometendo o seu controle no longo prazo.

Para ele, o importante é prevenir: Deve-se evitar o transporte de vegetais infestados; garantir uma produção e comercialização de mudas sem infestação; lavar implementos e todo o material de colheita; lavar os frutos colhidos; e realizar a poda nos pomares. Fora isso, a mosca negra não é um problema tão grande quanto pensamos. Outros insetos são mais exigentes nas suas formas de controle. Defendemos também a urgência de implantar biofábricas.

As biofábricas são locais em que seres vivos contribuem na fabricação de produtos biológicos de grande utilidade para a sociedade. No caso em questão, as biofábricas poderiam produzir em quantidade inimigos para a mosca negra que, embora já existentes na natureza, apresentam uma população reduzida na região. A ideia é produzir na biofábrica mais joaninhas e bicho-lixeiro, por exemplo, e depois soltá-los nas lavouras com elevada incidência da praga. Por meio da predação, portanto, seria feito o controle biológico.

Raul Porfírio, da Embrapa Algodão, ressaltou também que a presença da mosca negra indica fragilidade nos sistemas de produção e que, portanto, é necessário que o governo contribua com a mudança e crie um fundo para investir na fruticultura da região.

Em sua exposição, o Professor Marcos Barros, da UFPB – Campus Bananeiras, demonstrou de forma contundente como o Provado é prejudicial para a saúde humana e para o meio ambiente.

Já Jocélia Gonçalves, mestranda da UFPB, apresentou resultados de pesquisas conduzidas no Maranhão que testaram e comprovaram a eficiência de produtos naturais, como o extrato alcoólico de nim e de cinamomo, no controle da mosca negra. Esses dados, já publicados em revistas acadêmicas conceituadas, são importantes na medida em que podem embasar cientificamente o argumento de que esses novos produtos devem ser registrados pelo Mapa. Diante disso, Afonso Cartaxo, Superintendente da Emater Paraíba, se mostrou sensível a pleitear o registro do óleo de nim junto ao Mapa, o que foi considerado um encaminhamento bastante favorável pelos agricultores e assessorias.

Ao final do seminário, foram propostos os seguintes encaminhamentos:

1. Atuar para conseguir, em caráter emergencial, o registro comercial do nim para o combate à mosca negra e a implementação da biofábrica;

2. Articular politicamente para que a mosca negra saia do status de praga quarentenária;

3. Identificar as principais rotas de comercialização da produção;

4. Realizar uma Sessão Pública na Assembleia Legislativa sobre as consequências da incidência da mosca na Paraíba e nos estados vizinhos, exigindo mudanças na legislação;

5. Solicitar à Secretária Estadual da Agricultura que disponibilize uma quantidade de produtos naturais para controle da mosca negra;

6. Convocar uma reunião de trabalho (Governo do Estado; Território da Borborema e Mapa) para discutir estratégias de convivência com a mosca negra, a partir do controle alternativo desenvolvido pelas famílias;

7. Constituir uma comissão para fazer valer os acordos tomados;

8. Promover um seminário regional sobre a fruticultura no Território da Borborema;

9. Institucionalizar na Emater políticas de manejo agroecológico da agricultura que já vêm sendo apoiadas pelos extensionistas; e

10. Realizar um seminário territorial sobre o Pnater e Ater envolvendo um conjunto de técnicos da região.

A avaliação geral do evento foi positiva, sendo destacado o respeito mútuo mesmo em momentos de discórdia. Para as organizações agricultoras e parceiras, a expectativa é que os órgãos públicos assumam um maior compromisso e reconheçam como válidas as experiências e o conhecimento acumulado pelos agricultores familiares da Borborema.  

Como o agricultor Francinaldo concluiu: Espero que esse discurso aqui, com a presença de tantos doutores, não fique apenas na conversa, mas que ele seja definidor de mudança e uma mudança que possa trazer qualidade de vida para as famílias agricultoras. Vamos transformar esse debate em prática que ajude a salvar a vida. Espero que a tecnologia respeite a mãe natureza!

Para conhecer as receitas e as orientações de uso dos produtos naturais, leia o boletim Uso de produtos naturais no combate à mosca-negra

Para saber mais sobre a mobilização dos agricultores paraibanos contra o uso de agrotóxicos, leia:

Reunião do Pólo revela produção de laranja agroecológica mesmo com presença da Mosca Negra

Agricultores rejeitam uso de agrotóxicos contra mosca negra

Combater mosca negra com agrotóxicos pode trazer mais prejuízos

 

 

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Mosca negra é combatida sem uso de agrotóxicos na PB http://aspta.org.br/2010/06/16/mosca-negra-e-combatida-sem-uso-de-agrotoxicos-na-pb/ http://aspta.org.br/2010/06/16/mosca-negra-e-combatida-sem-uso-de-agrotoxicos-na-pb/#respond Wed, 16 Jun 2010 19:32:38 +0000 http://aspta.org.br/?p=2395 Os últimos meses foram marcados por uma forte mobilização das famílias agricultoras do brejo paraibano em busca das melhores práticas de controle da mosca negra. Entretanto, as estratégias dos agricultores têm entrado em conflito com as propostas do governo estadual. Enquanto os órgãos oficiais insistem no uso em larga escala do agrotóxico Provado SC200, as famílias agricultoras estão convencidas de que a solução se encontra no controle biológico das lavouras associado à aplicação de produtos naturais menos agressivos ao ambiente e alertam para os altos riscos que a aplicação do veneno pode trazer para a saúde dos agricultores e consumidores. Estudos têm mostrado que esse tipo de produto pode causar falta de coordenação motora, tremores, diarreia, perda de peso, alterações na tireoide e também pode estar associado ao desenvolvimento de câncer. Vale ressaltar ainda que muitos países já suspenderam ou mesmo baniram o emprego do Provado SC200. 

Apesar dos riscos, os técnicos do governo têm procurado convencer os agricultores ao atrelar a aplicação do veneno à emissão do Certificado de Origem Fitossanitária(CFO), necessário para a comercialização da produção para outros estados.

Guimarães, agricultor do sítio Oiti de Lagoa Seca deu seu depoimento sobre o assunto: Os técnicos não deveriam exigir a aplicação do veneno para a emissão do CFO, pois o que interessa é que o pomar esteja sadio, sem o ataque da mosca negra.

Um dos pontos altos da reunião foi justamente quando Maria de Fátima, agricultora de Matinhas, relatou que seu filho havia se intoxicado com o Provado e lamentou o fato de ter seguido a orientação de aplicar o veneno em sua lavoura.

A opção pelos agrotóxicos contraria as práticas das famílias agricultoras da região do Brejo da Borborema que tradicionalmente produzem frutas em sistemas altamente diversificados, onde a própria natureza sempre se encarregou de equilibrar as populações de insetos e pragas. Com a infestação inesperada da mosca-negra, os agricultores viram a necessidade de tomar iniciativas rápidas e enérgicas, mas desde que estas se enquadrem em suas práticas agroecológicas e que não impliquem o uso de venenos. Para tanto, testaram vários produtos naturais e vêm obtendo sucesso no controle da praga, mostrando que o emprego de agrotóxicos não se justifica.

Estão sendo experimentados diversos compostos, tais como os extratos feitos com pó da folha de nim, óleo de nim e detergente neutro, coquetel de extratos vegetais com urina de vaca e álcool com castanha-de-caju (ACC).

O agricultor Francisco de Assis, que vem utilizando o óleo de nim, afirma: Tô feliz, porque tá tudo verde, tá bonito e a fruta tá boa.  

Como cada composto tem uma receita e um modo de aplicação próprio, foi produzido um boletim com o objetivo de simplificar o uso e contribuir para a disseminação dessas soluções que, ao contrário dos agrotóxicos, não oferecem perigo ao meio ambiente nem aos produtores e consumidores.

Após a reunião, em entrevista ao Programa Domingo Rural, o representante do Pólo da Borborema, Nelson Anacleto, disse que o movimento dos agricultores saiu fortalecido, já que conseguiu reunir produtores dos principais municípios atingidos pela praga e que têm apresentado resultados positivos nas unidades produtivas onde predomina a Agroecologia. Os agricultores estão resistindo contra as pressões principalmente da Emepa e da Emater (…), demonstrando a sua firmeza, a sua capacidade e, mais importante, o fato de estarem controlando a praga e poderem ser repassadores dessas experiências para outros agricultores que, infelizmente, ainda são incentivados a entrar no mundo dos agrotóxicos, explica. Além disso, Nelson lembrou que o evento também serviu para denunciar os problemas que vêm sendo registrados.

Diante dos bons resultados, os agricultores e as organizações assessoras esperam que o governo reveja sua estratégia e respeite a experiência e o direito das famílias agricultoras de continuar utilizando os princípios agroecológicos para produzirem alimentos saudáveis, livres de agrotóxicos.

Veja também a matéria sobre a reunião em Lagoa Seca veiculada na TV Paraíba: Sem Pesticida.

Para saber mais sobre a mobilização dos agricultores paraibanos contra o uso de agrotóxicos, leia:

Reunião do Pólo revela produção de laranja agroecológica mesmo com presença da Mosca Negra

Agricultores rejeitam uso de agrotóxicos contra mosca negra

Combater mosca negra com agrotóxicos pode trazer mais prejuízos

 

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Agricultores rejeitam uso de agrotóxicos contra mosca negra http://aspta.org.br/2010/04/08/agricultores-rejeitam-uso-de-agrotoxicos-contra-mosca-negra/ http://aspta.org.br/2010/04/08/agricultores-rejeitam-uso-de-agrotoxicos-contra-mosca-negra/#respond Thu, 08 Apr 2010 17:40:17 +0000 http://aspta.org.br/?p=2862

Cientes dos riscos que o veneno pode acarretar, representantes da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba) e do Polo das Organizações da Agricultura Familiar da Borborema têm se mobilizado, buscando diversos canais de interlocução para tentar fazer o governo optar por alternativas menos prejudiciais ao meio ambiente e à saúde das famílias produtoras e consumidoras. Além disso, o emprego de agrotóxicos contraria as práticas tradicionais de grande parte dos agricultores da região, que vêm seguindo os princípios da Agroecologia, entre eles, a ausência de venenos nos cultivos.

Entre as ações de mobilização, foi convocada uma audiência no Ministério Público, junto à Promotoria Especializada de Defesa do Meio Ambiente da Comarca de Campina Grande, da qual participaram o promotor de defesa do meio ambiente, José Eulâmpio Duarte, representações do Polo da Borborema, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Lagoa Seca, da Associação dos Amigos da Natureza (Apan), da UEPB, da AS-PTA e da Defesa Agropecuária do Governo da Paraíba. 

A reunião aconteceu no dia 2 de março, quando os presentes discutiram diferentes pontos de vista sobre como combater a mosca negra. Embora admitam que a contaminação exija ações emergenciais, os movimentos da agricultura familiar e ambientalistas apontaram os riscos da aplicação de produtos químicos nas lavouras, comprovados em outros locais em que se optou por essa via para erradicar a praga. Além disso, relataram experiências em que agricultores do Brejo Paraibano têm utilizado com sucesso extratos vegetais, como de castanha-de-caju, manipueira, maniçoba, angico e nim.

Durante entrevista para a equipe Studio Rural, Nelson Anacleto, representante do Polo da Borborema, declarou que reconhece o esforço do governo, mas reforça que o acúmulo de experiências dos agricultores no controle de pragas sem uso de veneno não tem sido levado em conta. Segundo ele, há outras formas de se restaurar o equilíbrio do sistema e alerta para o fato de que há grande ocorrência de casos de câncer e de outras doenças justamente ligados aos agrotóxicos.

O grande prejuízo vai além do econômico, pois afeta o meio ambiente e a natureza, e nós já temos toda essa experiência vivenciada com o que vem acontecendo em nossa região com os efeitos danosos dos químicos, desabafa Anacleto.

O agrônomo da AS-PTA, Luciano Silveira, reforça o argumento de que o melhor e mais eficaz método para combater a mosca negra é o controle biológico, uma vez que já há pesquisas que elencam vários inimigos naturais do inseto.

Embora o uso do veneno promova uma queda da população da mosca negra no curto prazo, ele agrava o desequilíbrio do sistema no médio prazo, já que mata não só todos os inimigos naturais da praga, como também outros organismos responsáveis pela restauração do sistema. Ou seja, o uso do agrotóxico só intensificará o problema nos próximos anos. Além disso, esse produto químico é reconhecidamente muito nocivo, tendo sido proibido na Inglaterra, na Itália, na França e na Alemanha por ser associado à mortalidade de abelhas, insetos polinizadores que garantem a reprodução das lavouras, explica Luciano.

Ao final da audiência na Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, os presentes chegaram a um acordo em que o governo do estado se comprometeu a formar uma comissão mista, composta por biólogos, agrônomos, agroecologistas e representantes de órgãos públicos que ficaram encarregados de avaliar a situação da flora e da fauna, especialmente os insetos, da área de cerca de dez hectares em que o produto químico já foi aplicado. Essa avaliação embasaria as medidas mais apropriadas para o combate à mosca.

Quinze dias depois da audiência pública (17/3), como forma de continuar a mobilização das famílias agricultoras, entidades assessoras e ambientalistas, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado da Paraíba (Fetag-PB) convocou uma reunião com o objetivo de discutir uma ação conjunta, entre sociedade civil e governo, para o combate da mosca negra. Estiveram presentes o Secretário da Agricultura e Pesca do Estado (Sedap), Ruy Bezerra, o promotor de Defesa do Meio Ambiente da Comarca de Campina Grande, José Eulâmpio Duarte, além de representantes da UFPB, da Embrapa, da Delegacia Federal do Desenvolvimento Agrário (DFDA), da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Emater-PB) e da Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa).

Entre as entidades da sociedade civil participantes, estão a Fetag-PB, Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTRs) de Lagoa Seca, Lagoa de Roça, Alagoa Nova, Esperança, Remígio, Areia, Matinhas, Campina Grande e Massaranduba, representantes do Polo da Borborema, da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), do Conselho das Associações Rurais e Desenvolvimento Agrário do Município de Esperança (Cardame), da AS-PTA, do Território da Cidadania da Borborema e da Central Única dos Trabalhadores (CUT-PB).

Na reunião, o presidente da Fetag, Liberalino Ferreira de Lucena, cobrou do Governo do Estado o respeito à opção dos agricultores de não aplicar venenos em suas lavouras e, assim, manter cultivos de base agroecológica. Segundo ele, em vez de agrotóxicos, estão sendo utilizados produtos orgânicos para o combate da praga.

Já temos casos exitosos da aplicação de inseticidas naturais, como o nim ou amargosa. É preciso, portanto, deixar a cargo dos agricultores a escolha pela opção que consideram mais adequada, destacou Lucena.

Um dos pontos altos da reunião foi o momento em que dois agricultores deram seus depoimentos. O primeiro, Fernando Paulino da Silva, trouxe como amostragem várias folhas de laranjeiras, algumas danificadas pela mosca negra e outras tratadas com produtos naturais fabricados a partir de conhecimentos locais. Já o segundo agricultor, conhecido como Robinho, expôs a situação dramática que viveu no passado, quando aplicou agrotóxicos indiscriminadamente, o que deixou marcas em seu corpo e arrependimento por ter agredido o meio ambiente.

Durante o encontro também foi apresentado um relatório expondo as boas práticas agrícolas que vêm sendo monitoradas, testadas e aprovadas pela equipe técnica da AS-PTA junto ao Prof. Jacinto Luna, da UFPB Campus Areia. As práticas consistem em aplicar nas plantas afetadas óleo de castanha-de-caju, detergentes neutros e óleo de nim, que, por ser um produto de origem vegetal, biodegradável, não contamina o meio ambiente, sendo inclusive indicado amplamente na agricultura orgânica.

Entretanto, quanto à aplicação do Provado SC200, o relatório das pesquisas recomenda que não seja feita em plantas que estejam muito próximas de residências, fontes de água e passagem de pessoas e animais (o que é muito comum na região da Borborema, em que a maioria de propriedades tem tamanho reduzido). Também não é indicado pulverizar o veneno perto de cultivos de outras espécies, como pitanga, acerola, goiaba, jabuticaba e ervas medicinais, que poderão ser atingidas por gotas de dispersão. Além disso, nas duas propriedades estudadas que receberam o veneno, os resultados foram considerados inconclusivos, subjetivos e de caráter não científico, uma vez que não foi feito de forma rígida o controle da contagem da população do inseto antes e depois da aplicação do veneno. Numa das propriedades, aliás, nem todas as moscas foram mortas, o que pode ter sido causado por imperícia no processo de pulverização. O relatório sugere ainda que a sociedade exija do governo a responsabilidade por monitorar todos os eventuais efeitos ao meio ambiente e à saúde humana e animal decorrentes do uso de venenos nos cultivos. 

Finalmente, foi feita a apresentação do Plano de Combate e Controle da Mosca Negra, que foi discutido e aprovado pela maioria dos presentes e entregue ao Secretário da Sedap, Ruy Bezerra. Com essas ações, as entidades agricultoras, organizações de apoio e ambientalistas esperam que se concretizem as propostas elencadas no plano de ação e que o governo se comprometa a estabelecer um processo de ampla participação da sociedade civil.  

Até lá, a mobilização continua para evitar que o veneno seja empregado e prejudique toda a região da Borborema. A Fetag divulgou um documento em que os agricultores reivindicam o direito de produzir alimentos saudáveis, sem o uso de agrotóxicos. Além de propostas alternativas ao uso do veneno, o texto apresenta os principais argumentos contrários a essa iniciativa do governo que, apesar de ter amparo legal, pode trazer prejuízos ainda mais graves do que a própria praga.

Para ler o documento na íntegra, clique aqui.

Leia também: Combater mosca negra com agrotóxicos pode trazer mais prejuízos

Obs: A matéria contou com informações do Programa Domingo Rural, da Stúdio Rural, assim como da carta elaborada pelas entidades da agricultura familiar e suas assessorias.

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Combater mosca negra com agrotóxicos pode trazer mais prejuízos http://aspta.org.br/2010/03/02/combater-mosca-negra-com-agrotoxicos-pode-trazer-mais-prejuizos/ http://aspta.org.br/2010/03/02/combater-mosca-negra-com-agrotoxicos-pode-trazer-mais-prejuizos/#respond Tue, 02 Mar 2010 15:20:19 +0000 http://aspta.org.br/?p=2517

Para enfrentar a situação, os agricultores têm sido incentivados a aplicarem agrotóxicos em seus cultivos. A imprensa tem veiculado que cerca de R$ 250 mil em recursos públicos já foram reservados para a compra desses produtos químicos para usar nas regiões afetadas.

Entretanto, em todas as partes do mundo em que há ocorrência dessa praga, estudos de instituições de pesquisa e extensão demonstram que a melhor alternativa é o controle biológico e apontam para a completa ineficácia do combate com o uso de agrotóxicos, que, nessas circunstâncias, só tende a aumentar ainda mais o desequilíbrio do ambiente, eliminando a população de inimigos naturais da mosca negra.

Para se ter uma ideia, a organização alemã Coalizão contra os perigos da Bayer interpôs uma ação judicial contra a empresa exigindo a retirada do mercado mundial de todos os neonicotinoides* (classe de inseticida à qual pertence o Provado, marca de agrotóxico comercializada no Brasil). O uso desse veneno está associado à grande mortalidade de abelhas que vem ocorrendo em toda a Europa, em várias regiões dos Estados Unidos e, inclusive, em São Paulo. O fenômeno é conhecido como Desordem de Colapso das Colônias. Produtos à base de neonicotinoides já foram proibidos na França, Inglaterra, Eslovênia e Itália em função dos danos causados a milhares de apicultores, assim como pelo prejuízo econômico na agricultura provocado pela mortalidade dos polinizadores. Segundo a Canadian Pest Management Regulatory Agency, além de representar um risco para as abelhas e outros polinizadores, o pesticida permanece no ambiente por muito tempo, com alto registro de resíduos no solo, comprometendo os próximos plantios e contaminando reservatórios de água.

Durante o programa Correio Debate (11/02), da Rádio 98/FM (Rede Correio Sat), que reuniu o secretário de Agropecuária e Pesca do Estado, Ruy Bezerra Cavalcanti; o secretário de Agricultura de Matinhas, Marcos Rosolen; o superintendente federal da Agricultura, Hermes Pereira, e o gerente de Defesa Agropecuária, Jamir Macena, reconheceu-se que existe uma polêmica sobre se o combate deve ser químico ou biológico, uma vez que haveria produtores reagindo ao uso de produtos químicos.

Segundo João Macedo, engenheiro agrônomo e assessor técnico da AS-PTA: O governo reconhece que o controle biológico é ideal, mas argumenta que é um processo lento e que para ter eficácia é necessário inicialmente diminuir a população de insetos por meio da aplicação de produtos químicos. Ora, isso é muito contraditório. Como defender a opção pelo controle biológico se utilizamos agrotóxicos? Há também o fato de que, após certo tempo, os insetos acabam criando resistência e, ao aplicarmos só nos citros, nada impede que a praga busque outras plantas hospedeiras. Enfim, o controle químico já é comprovadamente um método ineficaz, além de bastante caro e agressivo ao meio ambiente. É bom lembrar ainda que tanto a UFPB – Areia quanto a Embrapa Algodão possuem laboratórios em condições de produzir inimigos naturais da praga em curto prazo e em larga escala. Além disso, com a chegada das chuvas, haverá uma redução natural da população de insetos, mais um motivo para evitar medidas drásticas.

Além do controle biológico, que consiste em introduzir nas lavouras um inimigo natural da mosca negra, há alternativas que vêm sendo testadas e monitoradas pela equipe técnica da AS-PTA junto ao Prof. Jacinto Luna, da UFPB Campus Areia. O professor tem feito aplicações de óleo de nim, óleo de castanha-de-caju e detergentes neutros em plantas infestadas tanto no campo como em laboratório.

Os resultados preliminares já são bastante promissores. Até o fim desta semana, espera-se que os dados já sejam conclusivos e que, com isso, possamos demover o governo dessa iniciativa de aplicar agrotóxicos, conclui Macedo.

Na região da Borborema, as famílias tradicionalmente produzem frutas em sistemas altamente diversificados, onde a própria natureza se encarregou de equilibrar as populações de insetos e pragas. A grande maioria das famílias da região nunca fez uso de agrotóxicos. Esse contexto anuncia um enorme desastre ambiental e social decorrente das formas com que o governo vem tratando a questão. Acredita-se, portanto, que a posição do estado de incentivar o uso de venenos não se justifica, já que há inúmeras alternativas de domínio da própria pesquisa mais eficazes e com menos riscos econômicos, ambientais e sociais.

Considerando a importância do cultivo das plantas cítricas para a economia e alimentação permanente da população paraibana, o grande alarde da imprensa e as soluções imediatistas incentivadas pelos órgãos governamentais só aumentam o pânico dos consumidores e agravam a situação dos agricultores, que vêm sofrendo com barreiras fitossanitárias de alguns estados, como Pernambuco, proibindo a entrada das frutas cultivadas na Paraíba.

* Informação obtida a partir de matéria publicada em 2008 pela Environment News Service (ENS).

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