marcha de mulheres – AS-PTA http://aspta.org.br Fri, 18 Dec 2020 19:18:57 +0000 pt-BR hourly 1 Mulheres Paraibanas se reúnem em Encontro de Preparação à Marcha das Margaridas 2019 http://aspta.org.br/2019/07/19/mulheres-paraibanas-se-reunem-em-encontro-de-preparacao-a-marcha-das-margaridas-2019/ http://aspta.org.br/2019/07/19/mulheres-paraibanas-se-reunem-em-encontro-de-preparacao-a-marcha-das-margaridas-2019/#respond Fri, 19 Jul 2019 13:57:37 +0000 http://aspta.org.br/?p=16431 Leia mais]]> Um coletivo composto por mulheres do campo e da cidade de movimentos sociais, sindicatos, partidos e entidades da Paraíba realizou no dia 18 de julho, um encontro estadual preparatório para a Marcha das Margaridas 2019, que acontecerá em Brasília-DF nos dias 13 e 14 de agosto. O evento reuniu 180 mulheres e aconteceu no Centro de Formação Elizabeth e João Pedro Teixeira, no município de Lagoa Seca, no Agreste do Estado.

Giselda Bezerra, do Polo da Borborema, deu as boas vindas e falou sobre a importância da aliança entre campo e cidade diante do momento atual: “Nós estamos em tempos não muito bons, mas estamos resistindo a tudo isso. Desde janeiro, estamos participando de processos preparatórios, bebemos de nossas experiências e elas nos trouxeram até aqui. O tempo é de unificar, por isso esse encontro hoje é tão importante, precisamos resistir juntas”, disse.

Houve então a exibição do vídeo “Mãe Terra” (1987) que retrata o cotidiano duro da mulher trabalhadora rural no Brejo da Paraíba, Sertão e Mata de Pernambuco no final dos anos 1980. O vídeo foi capaz de recuperar o contexto político e social da época em que militou Margarida Maria Alves. O documentário gravado 4 anos após sua morte, foi produzido pela TV VIVA e pelo Centro de Cultura Luiz Freire.

Em seguida, uma mesa de diálogo trouxe os depoimentos de Maria Soledade Leite e Carmelita Pedrozo, duas trabalhadoras rurais de Alagoa Grande que militaram ao lado de Margarida Maria Alves e de Penha do Nascimento nos anos 1980. Participaram ainda da mesa Ana Paula Romão de Souza Ferreira, professora do Departamento de Habilitação Pedagógica do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), pesquisadora da vida de Margarida Maria Alves, e Dilei Schiochet do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra da Paraíba (MST-PB).

Maria Soledade Leite, de 76 anos, trabalhadora rural aposentada e violeira, emocionou a plenária compartilhando suas histórias e lições que aprendeu ao lado de Margarida e de Penha: “Elas ajudaram muitas mulheres e se libertar, eu fui uma delas. Aos 19 anos, peguei uma viola e resolvi desafiar a sociedade, abracei uma arte que era só dos homens. Não sabia nem falar direito, mas quando pegava o violão, eu falava cantando. Margarida chegou pra mim e disse ‘pega teu violão e vem lutar’, assim eu fiz”, lembra.

“Eu, assim como Margarida, não tenho estudo, mas não tenho medo. Pode vir o bacharel que for, que não me intimido, eu posso não falar a língua deles, mas sei falar a língua do meu povo, dos trabalhadores, e devo tudo isso à Margarida. Ela não morreu de graça, morreu porque lutou para que a filha do trabalhador tivesse a mesma chance que a filha do doutor”, afirmou.

Carmelita Pedrozo, também lembrou a consciência que Margarida tinha da importância de uma educação libertadora: “Já naquela época, ela defendia uma escola que ensinasse a partir da realidade dos trabalhadores, que lá eles aprendessem sobre os seus direitos”, disse. Ela também falou sobre como foi duro enfrentar a opressão e o machismo juntos “Lembro que nós, quando saíamos nas casas, tínhamos que ir falar sempre primeiro com os homens, muitas vezes, a mulher nem vinha para a sala, pois o dono da casa era o homem, mas não desistimos, a gente ia, conversava. Dei aula no Mobral e em minhas aulas, falava dos direitos”.

‘Margarida soube ser direção sem deixar de ser base’

A professora Ana Paula Romão, autora do livro “Margarida, Margaridas” (Editora UFPB), falou sobre o legado de Margarida para o chamado feminismo camponês: “Paulo Freire dizia ‘a cabeça pensa onde os pés pisam’, e qual era o chão de Margarida? Ela falava do lugar de uma mulher simples, do campo. Uma mulher que soube ser direção, sem deixar de ser base. O sindicalismo rural foi criado para matar as Ligas Camponesas, assumindo um papel assistencialista, o de dar a ambulância, e Margarida surgiu nesse processo, ela rompeu com isso, justamente pelo caminho da educação e da formação”.

Dilei Schiochet encerrou a mesa falando dos desafios da conjuntura atual e do papel decisivo das mulheres: “No momento histórico atual, não acredito que possa haver um levante popular que não venha das mulheres. As mulheres e as juventudes são o futuro desse país”. Após a mesa houve um rápido debate onde algumas participantes se colocaram. Maria de Lourdes Sousa, mais conhecida como dona Quinca, de 70 anos, assentada no município de Remígio, falou sobre o significado da luta para sua vida: “Nada foi dado de presente, tudo que conseguimos foi na luta, foi saindo de casa em casa, fazendo assembleia, estudando os nossos direitos. Eu desde os 12 anos que pelejo, e digo mais, quem morre de medo não sabe do que morreu”, concluiu.

No período da tarde, Ana Patrícia Sampaio, do Centro de Ação Cultural (Centrac) apresentou brevemente os 10 eixos temáticos da Marcha das Margaridas 2019. Na sequência, as mulheres se dividiram em grupos de cochicho para responder as seguintes questões: “O que levamos de propostas para a Marcha das Margaridas?” e “Como vamos consolidar o movimento de mulheres do campo e da cidade na Paraíba após a Marcha?”.

Desse momento foram tirados alguns encaminhamentos como a reativação do Coletivo Estadual de Mulheres do Campo e da Cidade; a realização de um encontro de planejamento após a Marcha; a escolha de nomes de mulheres do coletivo para disputarem candidaturas nas próximas eleições e o apoio nos estados às mobilizações pela educação do dia 13 de agosto, entre outras propostas.

Foi feito então o repasse das principais orientações às participantes que irão nas caravanas até Brasília e a situação das negociações dos apoios para o financiamento dos ônibus, a meta é de que a Paraíba consiga levar até oito veículos. O encontro foi finalizado com um toré pelas indígenas da etnia Potiguara.

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Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia celebrará 10 anos nas ruas de Remígio-PB http://aspta.org.br/2019/02/26/marcha-pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia-celebrara-10-anos-nas-ruas-de-remigio-pb/ http://aspta.org.br/2019/02/26/marcha-pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia-celebrara-10-anos-nas-ruas-de-remigio-pb/#respond Tue, 26 Feb 2019 14:57:31 +0000 http://aspta.org.br/?p=16244 Leia mais]]> Pelo décimo ano, as mulheres do Polo da Borborema, em parceria com a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, realizarão a “Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia”. O evento surgiu em 2010, com dois grandes objetivos: dar visibilidade ao papel das camponesas na agricultura familiar e denunciar todas as formas de violência contra a mulher. O Polo da Borborema é uma articulação de 13 sindicatos de trabalhadores rurais da região da Borborema, na Paraíba, que há mais de 20 anos atua, com a assessoria da AS-PTA, pelo fortalecimento da agricultura familiar agroecológica no território.

A marcha, que acontece tradicionalmente no 8 de março, dia internacional da mulher, no ano de 2019, acontecerá no dia 14 de março, quinta-feira, data simbólica, quando completa um ano do bárbaro assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, que até o momento permanece sem solução. Em sua 10ª edição, a marcha retorna ao município onde nasceu, Remígio-PB, distante 38 km de Campina Grande. A concentração está marcada para as 8h no Campo de Futebol “O Dedezão”, no bairro Alto dos Freitas. São esperadas pelo menos 5 mil mulheres agricultoras.

As mulheres da Borborema unirão o seu grito ao das milhares de vozes exigindo justiça para Marielle e para todas as vidas negras ceifadas pelo machismo, racismo e pela violência de gênero e, inclusive, pela violência de estado. Como em todos os anos, a marcha elege um tema específico para ser aprofundado nas dezenas de encontros de preparação que acontecem nos 13 municípios onde o polo atua e em praticamente todas as comunidades do município que recebe o evento. Em 2019, o tema trabalhado é o racismo e a mulher negra, bem como a afirmação da identidade racial.

Teatro e música

O evento tem início na concentração com a recepção às caravanas que trarão agricultoras dos municípios onde o Polo atua e também caravanas de outras regiões do estado e de estados vizinhos, com representantes do movimento de mulheres do campo e da cidade. Após esse momento, a peça de teatro intitulada “Como se fosse da família” vai debater a exploração de mulheres negras no trabalho doméstico, realidade vivida por muitas mulheres de origem camponesa.

O espetáculo é encenado pelo grupo de teatro amador do Polo da Borborema, no qual a personagem “Zefinha”, jovem agricultora, se vê obrigada a ir para a cidade e se inserir no trabalho doméstico para ajudar na renda de sua família. “Em 2019, quando o movimento de mulheres do Polo da Borborema torna-se mais maduro, assume pra si a necessidade de tratar e incorporar o enfrentamento do racismo como uma bandeira de luta. Em um contexto de perda de direitos, é fundamental que as mulheres possam continuar marchando conscientes de quem são e de que a luta antirracista é uma luta de todos nós”, analisa Adriana Galvão Freire, assessora técnica da AS-PTA e da Coordenação da Marcha.

A concentração terá como atração cultural a cirandeira Lia de Itamaracá e banda, que nos últimos três anos, vem sendo uma presença marcante nas marchas. Por volta das 10h, a caminhada sairá pelas ruas centrais da cidade, cruzando a BR-104 e com dispersão no Parque Senhor dos Passos ou Parque da Lagoa, como é mais conhecido. Na chegada da caminhada, próximo ao segundo palco, haverá a tradicional feira com exposição de experiências e venda de produtos agroecológicos e artesanato, fruto do trabalho das agricultoras da Borborema.

Para Roselita Vitor, liderança agricultora do Polo da Borborema de Remígio-PB, nesses 10 anos, a marcha fez com que as mulheres se encontrassem e refletissem sobre a sua vida e sobre a importância do seu trabalho, num cenário onde só os homens eram mostrados como aqueles que trabalhavam na roça e as agricultoras eram vistas como meras ajudantes do marido. Segundo ela, outro ganho é no enfrentamento à violência: “Ao trazer para o público, algo que sempre foi privado (a violência doméstica), a marcha empoderou muitas mulheres, que vem para a marcha e veem que o problema que elas sentem não é só delas, é de muitas, pois falamos publicamente que a violência existe e que ela não pode conviver com a agroecologia”, avalia.

Programação:

8h – Acolhida das caravanas/música
9h – Abertura oficial
9h10 – Apresentação peça teatral: “Como se fosse da família”
9h30 – Testemunhos
10h – Saída da Marcha
11h – Chegada ao Parque da Lagoa | Feira das Margaridas
11h15 – Lia de Itamaracá
12h30 – Mística de encerramento

Assista aos convites da Marcha:

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Polo da Borborema realiza ciclo de encontros municipais preparatórios para a 10ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia http://aspta.org.br/2019/02/24/polo-da-borborema-realiza-ciclo-de-encontros-municipais-preparatorios-para-a-10a-marcha-pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia/ http://aspta.org.br/2019/02/24/polo-da-borborema-realiza-ciclo-de-encontros-municipais-preparatorios-para-a-10a-marcha-pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia/#respond Sun, 24 Feb 2019 13:10:13 +0000 http://aspta.org.br/?p=16230 Leia mais]]> O Polo da Borborema, em parceria com a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia iniciou no mês de fevereiro, um ciclo de encontros nos 14 municípios onde as duas instituições atuam no processo preparatório para a 10ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia. Em 2019, a Marcha acontecerá no município de Remígio-PB e se dará excepcionalmente no dia 14 de março, quando completará um ano de morte de Marielle Franco, vereadora carioca que foi brutamente assassinada. A centralidade dessa Marcha será debate sobre o racismo e como ele recai sobre a vida das mulheres negras.

Os encontros são momentos de reflexão e aprofundamento do tema que cada edição da marcha trabalha. São realizados encontros municipais, que se desdobram em reuniões comunitárias de mobilização prévias à data do evento. A marcha tem por objetivo dar visibilidade à contribuição das camponesas na agricultura familiar e denunciar todas as formas de violência contra a mulher.

Na manhã da terça-feira (19), aconteceu na sede do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Queimadas-PB um destes momentos de preparação. Cerca de 30 mulheres agricultoras de diversas comunidades do município estiveram presentes, além de assessoras técnicas da AS-PTA e representantes da comissão de Saúde e Alimentação do Polo da Borborema, que agrega o trabalho com mulheres na região.

O momento teve início com uma dinâmica de apresentação onde as mulheres trouxeram a memória dos conhecimentos repassados por seus ancestrais, a maioria de ascendência negra, e o valor destes ensinamentos em suas vidas. Em seguida, assistiram ao vídeo “Vendedora de Sonhos” produzido pelo Coletivo Coisa de Preto, em que a personagem “Sociedade” oferece sonhos pequenos para as pessoas de cor negra e sonhos grandes para pessoas de pele branca, numa metáfora da vida real.

O vídeo sensibilizou as mulheres e despertou uma série de depoimentos sobre situações de racismo vivenciadas por elas. “Uma vez, eu e meu esposo fomos comprar uma moto, e na loja eu percebi que o vendedor só nos mostrava aquelas menorezinhas, mas não era dessas que a gente queria. Depois ele sumiu e eu percebi que era preconceito com a gente, ele não achava que nós pudéssemos ter dinheiro para comprar a moto que a gente queria”, disse Maria do Carmo Silva, ou Lia, como é mais conhecida, do Sítio Guritiba.

“Além disso de você querer comprar uma coisa melhor e eles acharem que você não pode pagar, a gente entra na loja e o segurança sai atrás da gente, onde eu vou ele vai atrás. É uma desconfiança, acham que a gente vai roubar. Precisa dizer eu vim aqui para comprar, não foi para roubar, não”, conta Maria de Lourdes Silva Santos, do Sítio Caixa D’água.

As mulheres assistiram ainda a um segundo vídeo que trata sobre o racismo institucional e estrutural, e como ele atua enraizado na consciência coletiva da sociedade brasileira. Em seguida, uma linha do tempo relembrou momentos da trajetória da população negra no Brasil desde a invasão dos portugueses e constituição de seu povo. A proposta é que as participantes pudessem entender como o estado brasileiro emancipou a população negra escravizada por 350 anos, sem prever sua inclusão no mercado de trabalho ou no mundo educacional. Ao contrário, desde muito cedo o próprio código penal de 1890, criminalizava e deu início ao encarceramento em massa da população negra.

As presentes conversaram sobre como esses acontecimentos tem reflexos na vida dos negros e negras até hoje e sobre a importância de seguir marchando por uma vida sem violência, machismos e racismo.

Maria Anunciada Flor Barbosa, presidente do Sindicato reforçou a convocação para que as mulheres presentes ao encontro estendam o convite em suas comunidades a outras mulheres que se somem à caravana de Queimadas que estará presente com seis ônibus e cerca de 300 participantes.

Ela falou sobre a conjuntura política atual de ofensiva conservadora contra os sindicatos: “As pessoas têm me perguntado se o sindicato vai fechar e eu respondo, só vai fechar se vocês, trabalhadores quiserem, pois o sindicato não é de governos, o sindicato é da classe trabalhadora, ele só vai um dia fechar se vocês deixarem. Nós estamos aqui firmes e fortes para continuar na luta pela defesa da previdência e de tantos outros direitos conquistados”, finalizou.

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Mulheres do Polo da Borborema realizam lançamento regional da 10ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia http://aspta.org.br/2018/11/24/mulheres-do-polo-da-borborema-realizam-lancamento-regional-da-10a-marcha-pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia/ http://aspta.org.br/2018/11/24/mulheres-do-polo-da-borborema-realizam-lancamento-regional-da-10a-marcha-pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia/#respond Sat, 24 Nov 2018 16:54:26 +0000 http://aspta.org.br/?p=16060 Leia mais]]> Na manhã da última sexta-feira, 23 de novembro, uma programação festiva durante a Feira Agroecológica de Remígio-PB, lançou oficialmente a 10ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia. O lançamento regional contou com a participação de mulheres representantes do município e dos outras 12 cidades onde o Polo da Borborema atua. O Polo é uma articulação de 13 sindicatos de trabalhadores rurais da região da Borborema e há 10 anos promove no dia 08 de março a Marcha.

A atividade, que marca o dia internacional da mulher na região, tem o duplo objetivo de dar visibilidade ao papel das mulheres camponesas na construção da agricultura familiar agroecológica e de denunciar todas as formas de violência contra a mulher. Em sua última edição o evento levou um público de mais de cinco mil agricultoras às ruas de São Sebastião de Lagoa de Roça-PB.

A cada ano a Marcha acontece em um dos municípios do Polo e, ao completar sua primeira década de atuação, a Marcha retorna à cidade onde surgiu, Remígio-PB: “Há 10 anos nós decidimos que queríamos ir para a rua dizer que as mulheres camponesas existem, pois o nosso trabalho não era reconhecido. Dizer também que o trabalho doméstico e de cuidados não é só das mulheres, ele precisa ser dividido. Há 10 anos a gente vem fazendo essas lutas. Há 10 anos elas vem encontrando o seu caminho, de entender que a mulher não é uma propriedade. Ela é dona dela mesma e lugar de mulher é onde ela quiser”, disse Roselita Vitor, liderança do Polo da Borborema e do municípios de Remígio.

Todos os anos, em suas dezenas de reuniões preparatórias nas comunidades, a marcha trabalha um tema específico. Em 2019, trará a reflexão sobre o tema do racismo e sobre como ele recai de forma particular sobre a vida das mulheres. O assunto será tema de reflexão nos encontros, sempre buscando partir das histórias de vida das mulheres, suas trajetórias e seus caminhos de superação. O evento de lançamento foi iniciado com uma mística, onde esteve presente o tema da autoafirmação das mulheres negras, através de cânticos, literatura de cordel, música e danças que lembram as tradições africanas, a exemplo da ciranda.

Durante o lançamento, foram homenageadas ainda três agricultoras-experimentadoras, mulheres negras, sendo uma do município de São Sebastião de Lagoa de Roça, dona Miralva Fernandes da Silva, de 45 anos, do Sítio Camucá. E outras duas agricultoras de Remígio, dona Antônia Ferreira da Silva, de 65 anos, do Assentamento Irmã Dorothy e Maria do Socorro dos Santos Belarmino, de 59 anos, do Sítio Macaquinhos. Durante a homenagem, suas histórias de luta e de superação foram lembradas como exemplos que inspiram e ajudam outras mulheres a seguir pelo enfrentamento das desigualdades.

Na ocasião foi feita a apresentação da nova logomarca da Marcha, com seu selo comemorativo dos 10 anos. Mulheres agricultoras de diversos municípios usaram o microfone para falar sobre como o trabalho de organização junto a outras agricultoras as fortaleceu. A assentada e coordenadora da Feira Agroecológica de Remígio, Anilda Batista foi uma das que se colocou: “sou agricultora, se for contar a jornada da minha vida, sou de Esperança e há 18 anos vim para Remígio, cheguei junto com o Assentamento Oziel Pereira, sou viúva, tenho 5 filhos e 6 netos e posso dizer que me sinto uma mulher rica, tenho a terra, uma boa casa, tenho liberdade para ir para onde eu quiser. Ano que vem estaremos aqui nas ruas de Remígio com mais uma bonita marcha”.

Para Roselita Vitor, a Marcha tem uma tarefa ainda maior em 2019, diante do avanço do conservadorismo que ameaça de muitas formas a vida das mulheres e com a eleição de um presidente da extrema direita no país: “Vamos às ruas dizer que nenhum fascista vai nos fazer retroceder. Eles que encontrem o seu lugar, porque mais que nunca vamos estar nas ruas, organizadas e enquanto existir uma mulher sofrendo, uma mulher oprimida, nós vamos estar juntas”, disse.

Roselita finalizou afirmando o valor e o papel das feiras agroecológicas como espaço onde as mulheres tem participação ativa e lugar onde constroem sua autonomia: “Aqui temos várias mulheres feirantes, onde o dinheiro é delas, e elas podem fazer com ele o que quiserem, comprar o seu batom, comprar o seu sofá. Nós estamos aqui comemorando 10 anos de verdadeiras conquistas”.

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10ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia tem lançamento municipal em Remígio-PB http://aspta.org.br/2018/11/21/10a-marcha-pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia-tem-lancamento-municipal-em-remigio-pb/ http://aspta.org.br/2018/11/21/10a-marcha-pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia-tem-lancamento-municipal-em-remigio-pb/#respond Wed, 21 Nov 2018 12:58:32 +0000 http://aspta.org.br/?p=16043 Leia mais]]> No dia Nacional da Consciência Negra, um encontro reuniu, no Sítio Lagoa do Mato, município de Remígio, cerca de 50 agricultoras do Polo da Borborema no lançamento municipal da décima edição da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia. A Marcha acontece todos os anos no dia 08 de março e é organizada pelo Polo da Borborema e pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.

Em 2019, ano comemorativo de sua primeira década, a Marcha retorna ao município onde surgiu, Remígio-PB, onde já em 2008 aconteceu a I Marcha das Mulheres, à época ainda como um evento municipal que reuniu cerca de 260 agricultoras. A partir de 2010, o evento passou a ter um caráter e uma mobilização regional, com 900 mulheres e tem aumentado o seu público a cada ano, chegando a em 2018, reunir mais de 5 mil agricultoras não só da Borborema, mas de outras partes do estado e do Brasil, em São Sebastião de Lagoa de Roça-PB.

Não foi por acaso que o lançamento municipal aconteceu no Dia Nacional da Consciência Negra. A Marcha de 2019 terá como tema mobilizador o racismo e a vida das mulheres negras. Iniciando o dia, dispostas em círculo, as mulheres, em sua maioria negras, banharam suas mãos em uma água perfumada com plantas medicinais e essências perfumadas e foram convidadas a trazer para a roda a memória de seus antepassados e seus ensinamentos que seguem vivos e continuam a ser repassados para filhos e netos. Muitas trouxeram para o momento, as histórias de suas avós e bisavós que chegaram a trabalhar como escravas nas fazendas do território.

A programação teve início com a leitura de um depoimento sobre a transição capilar de uma jovem negra e sua jornada em busca da aceitação de sua beleza natural. Em seguida, várias mulheres se colocaram, dando seus depoimentos de dor e sofrimento e contando seus caminhos de superação diante do racismo que sentiram na pele.

Histórias como a de Maria do Socorro dos Santos Belarmino, de 59 anos, moradora da Comunidade Macaquinhos, que se emocionou ao lembrar das dificuldades que enfrentou para poder estudar, em meio à pobreza de sua família e aos preconceitos por parte dos colegas de sala: “Sofri muita humilhação por aqueles que eram brancos e tinham mais comida que eu. Hoje com as graças de Deus consegui criar meus três filhos e dar a eles o que eu não tive”.

As mulheres deram vários depoimentos de situações de racismo sofridas na escola, na comunidade e em trabalhos que realizaram, muitas como empregadas domésticas, em que eram humilhadas e discriminadas por seus patrões. Dona Josefa Miranda, conhecida como ‘Mima’, do Sítio Camará, conta que passou por uma experiência diferente da vivida pela maioria quando trabalhou em São Paulo, em que eram os seus patrões que a ajudavam a enfrentar o preconceito: “Um dia estava com eles em um restaurante e quando levantei para ir ao banheiro, um segurança veio perguntar ‘o que essa negra queria ali’. Meu patrão veio e disse ‘essa negra tem nome e está na nossa mesa’. E depois me disse, ‘nunca baixe sua cabeça para essas pessoas, levante sua cabeça e vá em frente’, acho que isso fortalece a gente”, conta Mima. “Eu digo para a minha irmã, não se importe se a gente entrar numa loja e vierem atrás da gente, nós podemos fazer tudo que qualquer um pode, somos gente igual a eles”, completa.

Valéria da Silva Félix, é agente comunitária de saúde e estudante de Serviço Social, a jovem de Remígio contou que há três anos, pela primeira vez abandonou o alisamento que fazia desde os 12 para assumir o seu volumoso cabelo crespo: “Quanto mais a pele é escura, quanto mais o cabelo é crespo, maior é o preconceito. Muitas vezes não precisa nem falar nada, só o olhar das pessoas já denuncia, a gente sente. E não devemos nos sentir culpadas por querer alisar, porque isso foi ensinado para a gente, que o nosso cabelo era feio, que só o cabelo liso que era bonito. Agora a gente está desconstruindo isso e precisamos educar nossas crianças para esse mundo cruel, vamos amar e nos dar as mãos, juntas somos mais fortes”.

As mulheres também conversaram sobre a violência contra a mulher, que atinge de forma especial as negras. Valéria citou os dados do Mapa da Violência de 2015, que mostra que o número de casos de homicídios de mulheres negras aumentou 54%, enquanto que o número de homicídios de mulheres brancas caiu 10%.

Dando continuidade à programação, no período da tarde, Roselita Vitor, da Coordenação do Polo da Borborema e liderança do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Remígio, relembrou momentos da trajetória da população negra no Brasil desde a constituição de seu povo e seus quase 400 anos de escravidão.

Alguns pontos marcantes foram: a Lei da Educação de 1837, que determinava que negros e negras não podiam ir à escola; a Lei das Terras de 1850, que proibia a população negra de possuir terras; a Lei do ‘Ventre Livre’ de 1871, que concedia alforria aos negros nascidos a partir daquele ano; A Lei dos Sexagenário que tornava libertos os negros que alcançassem os 60 anos e a Lei Áurea, com a abolição oficial da escravatura. “A gente percebe que algumas dessas medidas eram apenas de faz de conta, pois sabemos que, por exemplo, não tem como existir ventre livre, se os filhos continuam vivendo com os pais escravos nas fazendas, da mesma forma, sabendo da vida de sofrimento que o negro tinha, dificilmente ele iria viver até os 60 anos e conquistar a liberdade”, comentou Roselita.

Seguindo com a linha do tempo, chegou-se até os anos mais recentes, como a Constituição de 1988 que torna o racismo crime, e os anos 2000 quando o país dá seus primeiros passos para pensar políticas públicas afirmativas no sentido de uma reparação ao crime que significou a escravidão contra a população negra. Em 2003 a Lei 10.639 que institui o debate sobre a cultura africana nas escolas, em 2009 a Política Nacional de Saúde para a população negra e o reconhecimento das áreas remanescentes de quilombos. Em 2010, o Estatuto da Igualdade Racial, em 2012 a criação de cotas nas Universidades e a Emenda Constitucional que equipara os direitos das trabalhadoras domésticas aos dos outros trabalhadores com carteira assinada.

Adriana Galvão Freire, assessora técnica da AS-PTA comentou sobre a importância de conhecermos a história para a garantia dos direitos conquistados: “Precisamos ter consciência do nosso processo histórico para saber quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Não podemos aceitar retrocessos naquilo que já foi conquistado”.

Finalizando o evento, foi feito o convite a todas as mulheres presentes para o evento de lançamento regional da Marcha, que acontecerá na próxima sexta-feira, 23 de novembro, no Centro de Remígio, a partir das 8h, durante a Feira Agroecológica do município. “Estará presente uma representação dos outros municípios que fazem parte do Polo, além de nós mulheres de Remígio, as feirantes e as agricultoras do município em um momento festivo, onde daremos início ao nosso processo de mobilização e de encontros nas comunidades com as outras mulheres que não puderam estar aqui”, explicou Giselda Bezerra, do STR Remígio. “Se o que fizemos aqui hoje ficar só com a gente, não vamos conseguir engrossar o nosso caldo para a marcha, precisamos ir em busca das outras mulheres em cada comunidade”, finalizou Roselita.

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Mulheres e jovens do Polo da Borborema se reúnem para debater sobre identidade racial http://aspta.org.br/2018/08/28/mulheres-e-jovens-do-polo-da-borborema-se-reunem-para-debater-sobre-identidade-racial/ http://aspta.org.br/2018/08/28/mulheres-e-jovens-do-polo-da-borborema-se-reunem-para-debater-sobre-identidade-racial/#respond Tue, 28 Aug 2018 18:06:21 +0000 http://aspta.org.br/?p=16027 Leia mais]]> No dia 24 de agosto, aconteceu na sede da AS-PTA agricultura Familiar e Agroecologia, em Esperança-PB, uma Oficina sobre Identidade Racial. Facilitada por Rafaela Carneiro da Secretaria Estadual da Mulher e da Diversidade Humana (SEMDH), a oficina contou com a participação de lideranças do movimento de mulheres e de jovens do Polo da Borborema, além de assessores técnicos da AS-PTA. Essa oficina inaugura a construção da pauta da décima edição da Marcha Pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, que em 2019, voltará ao município de Remígio, onde aconteceu sua primeira edição, em 2010. O Polo da Borborema é uma articulação de sindicatos rurais que atua há mais de 20 anos na região da Borborema com a assessoria da AS-PTA.

A Oficina começou com a contextualização histórica das desigualdades sociais. Rafaela trouxe para a reflexão a conexão entre a questão agrária e a questão da racial no Brasil, explicitando como o trabalho escravo foi o motor do desenvolvimento do capitalismo no país. Mas também, foi construído com os participantes como que o racismo é questão estruturante da desigualdade social brasileira.

Ao ser pedido para ler um texto sobre transição capilar do site Geledés, muitas mulheres sentiram-se motivadas a contar suas próprias experiências. Vitória Barbosa, que trabalha na secretaria do Polo da Borborema, contou sobre o quanto fazer a transição não foi importante só para ela, mas para sua própria mãe. “Para mim, deixar meu cabelo natural foi mais do que um ato particular. Vi que minha mãe também ficou feliz por acreditar que naquele ato, eu também estaria a aceitando como ela é. Todos que me conhecem sabe que eu gosto muito de tirar fotos, e não entendia porque minha mãe não gostava que tirasse fotos dela. Só depois disso que fui entender que ela não gostava da sua própria imagem, por tudo que ela já viveu na vida. Sei que ao assumir meu cabelo, também estou fortalecendo minha mãe”, contou.

Foi a partir de histórias como a de Vitória que Rafaela tratou sobre identidade negra e como construir essa identidade de forma positiva em uma sociedade que, historicamente, ensina aos negros que para ser aceito é preciso negar-se a si mesmos. Para problematizar o racismo institucional, o grupo assistiu a um vídeo produzido pelo governo do Paraná sobre um teste de imagens com dois grupos diferentes que analisaram fotos idênticas em conteúdo, porém com modelos negros e brancos. O vídeo ajudou os participantes entenderem melhor o mito da democracia racial e de que forma a sociedade tende a naturalizar os espaços e os trabalhos subordinados aos negros, diminuindo a percepção que temos das relações de poder entre a população branca e negra.

Por fim, a oficina trouxe ao relevo como o racismo afeta de maneira mais profunda a vida das mulheres negras. Ao se analisar os indicadores de educação, emprego, trabalho, moraria e outros, observa-se que existe uma imensa desvantagem para as mulheres negras. A trabalhadora negra, por exemplo, é aquela que se insere mais cedo e é a última a sair do mercado de trabalho, ganhando, na maior parte das vezes, metade do que uma mulher branca recebe pelo mesmo trabalho.

Ao final da oficina, avaliou-se a importância desse momento para a trajetória do Polo da Borborema e para o amadurecimento da ação sindical. “Precisamos promover a continuidade dessa reflexão junto à Coordenação Ampliada do Polo para que possamos enfrentar as questões do racismo institucional”, avaliou Gizelda Beserra, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remígio e da Coordenação do Polo da Borborema.

“Momentos como esses são determinantes para a construção da identidade negra e da construção de uma nova visão de mundo”, avalia Rafaela, afirmando que o Brasil ainda não assumiu que é um país racista. Novos debates como esse serão multiplicados no processo de preparação da X Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia. Ações afirmativas são necessárias para oferecer igualdade de oportunidades a todos e com certeza, construir a agroecologia no território.

 

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Vídeo: IX Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia http://aspta.org.br/2018/05/15/video-ix-marcha-pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia/ http://aspta.org.br/2018/05/15/video-ix-marcha-pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia/#respond Tue, 15 May 2018 17:29:30 +0000 http://aspta.org.br/?p=15850 Leia mais]]> Mais de cinco mil mulheres jovens, idosas, brancas, negras, do campo e da cidade, marcharam juntas no dia 08 de março de 2018 pelas ruas do município de São Sebastião de Lagoa de Roça-PB, na nona edição da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia. O evento é organizado pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e Polo da Borborema, uma articulação de 14 sindicatos de trabalhadores rurais da região da Borborema, no Agreste da Paraíba.

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Para denunciar o machismo, agricultoras da Borborema na Paraíba marcharão pela nona vez no Dia Internacional da Mulher http://aspta.org.br/2018/02/21/para-denunciar-o-machismo-agricultoras-da-borborema-na-paraiba-marcharao-pela-nona-vez-no-dia-internacional-da-mulher/ http://aspta.org.br/2018/02/21/para-denunciar-o-machismo-agricultoras-da-borborema-na-paraiba-marcharao-pela-nona-vez-no-dia-internacional-da-mulher/#respond Wed, 21 Feb 2018 11:20:38 +0000 http://aspta.org.br/?p=15632 Leia mais]]> 0e1a65b2-565e-4aa4-98c3-efa254d30344Em 2018, o Polo da Borborema e a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, realizarão, no dia 08 de março de 2018, a IX Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, no município de São Sebastião de Lagoa de Roça-PB, distante 16 km de Campina Grande, no Agreste Paraibano. A concentração acontecerá a partir das 8h30, em um palco montado no Campo São Sebastião, no centro da cidade. Neste horário, terá início a animação e a acolhida às centenas de caravanas que trarão mulheres dos 14 municípios de atuação do Polo da Borborema, uma articulação de 14 sindicatos de trabalhadores rurais da região da Borborema na Paraíba que há mais de 20 anos atua pelo fortalecimento da agricultura familiar de base agroecológica com a assessoria da AS-PTA.

São esperadas ainda caravanas de diversas partes da Paraíba e de estados vizinhos, a expectativa é reunir mais de cinco mil agricultoras e lideranças dos mais diversos movimentos sociais rurais e urbanos. A cirandeira Lia de Itamaracá participará pela terceira vez como convidada especial da Marcha. Na programação, haverá ainda a tradicional peça de teatro, encenada pelo Grupo de Teatro do Polo da Borborema, que este ano tratará sobre a diversidade sexual, com a peça “Família é lugar de amor”. Por volta das 9h30h, as mulheres sairão em caminhada pelas ruas centrais da cidade em um trajeto de cerca 1,5km, até retornarem ao palco inicial, onde após um ato público, haverá a mística de encerramento. Durante o percurso da marcha, as mulheres exibirão seus estandartes, faixas e cartazes, ainda irão dialogar com a população distribuindo panfletos e usando o carro de som. Próximo ao palco, estará funcionando uma feira de experiências, artesanato e produtos da agricultura familiar, fruto do trabalho das agricultoras, onde estes serão expostos e comercializados.

Tema mobilizador

Como nos anos anteriores, as mulheres camponesas ocuparão as ruas no dia 8 de março para denunciar a violência contra a mulher, bem como para reafirmar o papel histórico das mulheres agricultoras em seu trabalho na produção de alimentos. No entanto, em sua 9ª edição, a Marcha pretende aprofundar a problemática da onda conservadora que o país enfrenta e de que forma ela recai sobre a vida das mulheres, tratando sobre questões como machismo, homofobia, gênero, feminismo e a divisão justa do trabalho doméstico.

A Marcha chega a sua 9ª edição como uma importante expressão do trabalho que as mulheres do Polo da Borborema vêm desenvolvendo ao longo dos anos de resgate e valorização das experiências das mulheres agricultoras, bem como de denúncia e superação da violência sofrida por elas. Todos os anos, dezenas de reuniões de preparação ocorrem nas comunidades dos 14 municípios. Nestes espaços, as mulheres são encorajadas a falarem das suas experiências e apoiarem uma às outras, questionando as relações de desigualdade dentro da agricultura e identificando as mais variadas formas de violência a que muitas vezes estão submetidas.

Programação:

8h30 – Acolhida as caravanas
9h – Abertura oficial
9h10 – Peça Família é construída com base no amor
9h20- Testemunho
9h30- Saída da caminhada
11h – Apresentação cultural Lia de Itamaracá
12h – Mística de encerramento

 

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Mulheres e agroecologia, a luta é todo dia http://aspta.org.br/2017/03/01/mulheres-e-agroecologia-a-luta-e-todo-dia/ http://aspta.org.br/2017/03/01/mulheres-e-agroecologia-a-luta-e-todo-dia/#respond Wed, 01 Mar 2017 00:25:03 +0000 http://aspta.org.br/?p=14596 Leia mais]]> _MG_1560Ligória Felipe dos Santos é agricultora no semiárido brasileiro. Nasceu e se fez mulher numa comunidade rural, no município de Esperança, na Paraíba. Nasceu numa família de 7 irmãos e desde muito cedo conheceu o peso da divisão sexual do trabalho, tornando-se responsável por todos os cuidados da casa e dos irmãos; muito nova aprendeu sobre a injustiça do latifúndio quando sua família foi expulsa das terras onde morava e trabalhava para tentar a vida na cidade. Para se livrar do sofrimento, casou-se cedo, aos 19 anos. Muito nova, também aprendeu sobre violência doméstica. Separou-se e casou-se novamente, mas ainda não foi dessa fez que conheceu a felicidade. Seu segundo marido é alcoólatra e igualmente violento. E é por meio de seu trabalho na agricultura, que vem criando seus dois filhos e sua neta.

Foi justamente movida pelo amor aos filhos, que Ligória nunca desistiu frente às dificuldades que a vida impôs. Se ficava difícil, se erguia, mesmo que calada, e retomava o ritmo predestinado do árduo caminho que a vida lhe conduzia. As crianças já estavam crescidas quando conheceu o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de seu município, e com ele o Polo da Borborema, uma articulação de sindicatos e organizações da agricultura familiar de 14 municípios da Borborema, no estado da Paraíba. O contato com a dinâmica social promovida pelo Sindicato e pelo Polo, permitiu a Ligória conhecer e trocar experiências. Começou a participar de visitas de intercâmbios, e a quebra de seu isolamento, possibilitou com que ela se encontrasse e se reconhecesse na experiência de outras mulheres agricultoras, viabilizando uma paulatina ruptura das barreiras culturais que a prendia na cozinha de casa.

A partir dos intercâmbios, Ligória passou a olhar diferente para seu quintal. O que antes era invisível, insignificante e sem valor, para ela e para toda sua família, passou a ser reordenado, experimentado, e conseguiu adquirir novos bens – como cisternas de placas para armazenamento de água da chuva para beber, telas de arame ou animais – via políticas públicas ou, principalmente, pela capacidade adquirida pelas mulheres do território de se auto-organizar por meio de Fundos Rotativos Solidários – um sistema econômico comunitário e solidário.

O quintal de Ligória foi se tornando um subsistema importante para dentro do estabelecimento familiar por sua capacidade de gerar riquezas, segurança e soberania alimentar e bem-estar para a família. Ligória passou a participar da feira agroecológica. Na medida que reassumiu o domínio do quintal, foi conseguindo tomar iniciativas na produção de alimentos e na economia com êxito, foi conquistando mais poder nas esferas pública e privada.

Se por um lado, a participação dos intercâmbios e a agroecologia foram fortalecendo sua capacidade produtiva, por outro, sua participação na Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia a fez se fortalecer como mulher. Há 8 anos, o Polo da Borborema, assessorado pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, vem realizando uma Marcha de mulheres camponesas para denunciar e romper com o patriarcalismo e o machismo. As Marchas são momentos de denúncia e de grande visibilidade pública das diversas formas de violência sofridas pelas mulheres e das desigualdades de gênero.

A primeira edição da Marcha aconteceu no ano de 2010, no município de Remígio (PB), com a participação de 700 mulheres. Nos anos seguintes, o que se observou foi a adesão de um crescente número de mulheres. Em 2016, a sétima edição levou às ruas de Areial (PB) mais de 5 mil mulheres camponesas, mostrando ser um movimento positivo de retroalimentação entre os processos de experimentação e politização do trabalho.

Cada edição da Marcha é precedida por um intenso processo de sensibilização e formação das mulheres, mas também dos homens do movimento. São realizados encontros de mulheres nos 14 municípios que fazem parte do Polo da Borborema e, a cada ano, é trabalhada uma metodologia voltada a desnaturalizar as amarras culturais que determinam as diferenças sociais entre os sexos. Há ainda o estímulo para que novos encontros e conversas aconteçam em seus grupos de fundos rotativos, de beneficiamento, na associação comunitária ou mesmo entre vizinhas.

Com certeza, a trajetória de superação de Ligória não é única no território da Borborema. Ela se repete em milhares de famílias. Mas, como sabiamente costumam analisar as lideranças do Polo, não há tempo para se baixar as bandeiras, a luta é todo dia. O ambiente de diálogo criado no território permitiu que os tensionamentos – no interior das famílias, mas também nos espaços públicos – sejam constantemente enfrentados. Nessa lógica de superação de conflitos, as relações e a cultura vão pouco a pouco assumindo contornos mais justos e solidários. Ainda longe de ser o ideal, Ligória bem sabe disso. Mas o mais importante é que ela e o movimento dessas agricultoras estão conseguindo marcar um lugar na luta pela vida das mulheres e pela Agroecologia.

Adriana Galvão Freire
Assessora Técnica da AS-PTA

Conheça aqui a Ligória e a VII Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia:

 

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Polo da Borborema se prepara para realização da VIII Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia http://aspta.org.br/2016/10/24/polo-da-borborema-se-prepara-para-realizacao-da-viii-marcha-pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia/ http://aspta.org.br/2016/10/24/polo-da-borborema-se-prepara-para-realizacao-da-viii-marcha-pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia/#respond Mon, 24 Oct 2016 16:18:15 +0000 http://aspta.org.br/?p=14326 Leia mais]]> marcha pela vida das mulheres e pela agroecologiaNo último dia 20 de outubro, foi realizada a reunião de lançamento da oitava edição da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, que em 2017, será realizada no dia 08 de março, em Alagoa Nova-PB, um dos municípios que compõe o Polo da Borborema. Estiveram presentes na reunião integrantes das Comissões Territorial e Municipal de Saúde e Alimentação e diretores e diretoras do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Nova, além de assessoras da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.

A manhã começou com uma avaliação das mulheres presentes sobre o significado da marcha em suas vidas: “Dá um prazer de ver tanta mulher junta, fazendo dramatização, falando da vida de escravidão, mas também se libertando e falando da sua libertação. A cada ano, eu vejo que vai melhorando na divulgação, na quantidade de pessoas, na qualidade do encontro. Ali as mulheres têm chance de abrir sua cabeça. Ali naquele dia, a gente expressa a questão da violência contra mulher”, avalia dona Quinca, uma liderança do Sindicato de Alaoga Nova. As mulheres presentes foram falando uma a uma o significado da participação e da realização da Marcha: luta por direitos, conquista de espaço, de liberdade, participação.

Em seguida, foi o momento de debater sobre o significado da Marcha para o município e para a ação sindical. Nessa ocasião, quatro lideranças do Polo da Borborema puderam contar quais foram os aprendizados para seus municípios: “A realização da Marcha em Areial foi muito importante para envolver mais a diretoria, as associações e com isso fortaleceu o Sindicato. As comunidades também foram se fortalecendo, passaram a fazer o debate sobre a violência contra mulher, puderam aprofundar a agroecologia como caminho para desenvolver o município”, avalia Zeneide Granjeiro, Presidenta do Sindicato de Areial, município que recebeu a última edição da Marcha.

Marizelda Salviano é diretora do Sindicato de Esperança e lembrou que a terceira edição da Marcha chegou ao município quando a atual diretoria havia ganhado a eleição sindical: “Quando recebemos a Marcha nos sentimos presenteados, ganhou o município, o sindicato e as mulheres. Com a Marcha, tivemos oportunidade de abrir o debate sobre a violência contra mulher. A marcha trouxe conhecimento, oportunidade para as mulheres do município de ir e vir, de poder dizer que não queremos essa vida de violência e opressão. A marcha é isso, é conhecimento para nos fortalecer.” Marlene Pereira, vice-presidenta do Sindicato de Lagoa Seca lembrou da importância da mobilização das mulheres: “Precisamos nos antecipar para debater com as mulheres do município para que elas possam vir conscientes para as ruas. É a oportunidade que temos para trazer aquelas que ainda acham que tem apenas como obrigação lavar, passar, cozinhar e cuidar de menino”.

Roselita Vitor, do Sindicato de Remígio e da Coordenação do Polo da Borborema, foi a última a falar, mas lembrou que a Marcha nasceu em seu município a partir da necessidade do próprio Sindicato rever o papel das mulheres na diretoria, nas associações e na agricultura: “Quando assumimos o Sindicato, as mulheres eram quase secretárias dos homens e aquilo nos incomodava muito. Em 2008, fizemos um seminário sobre a Lei Maria da Penha. Esse encontro foi muito importante para as mulheres, mas para a gente que estava na direção também. Percebemos que tínhamos que envolver mais as mulheres no trabalho, no sindicato, vimos que tínhamos que rever nosso papel no Sindicato. Nesse ano, fizemos junto com o Fórum de Assentados uma Marcha de Mulheres. E ali foi um marco para nossa ação sindical. Foi ali que resolvemos que tínhamos que lutar por direitos. E a Marcha é isso também! É a gente refletir que temos um papel dentro do movimento sindical de lutar por nossos direitos.

Manoel Oliveira, ou Nequinho, como é conhecido o presidente do Sindicato de Alagoa Nova lembrou do papel que as mulheres tiveram na história dos municípios do brejo, quando chegou a militar por direitos ao lado de Margarida Maria Alves. Lembrou que outras mulheres “tombaram” na luta pela reforma agrária. “Mais do que nunca, temos que nos permanecer unidos pela luta de direitos. E a Marcha das Mulheres tem um papel importante nessa conjuntura. O Sindicato apoiará essa luta e saímos daqui com o compromisso de trazer no mínimo 2,5 mil mulheres para o dia 8 de março”.

Após o debate, permeado pelas canções de luta que já viraram hinos nas Marchas, foi construída uma coordenação municipal formada por 15 mulheres que irá, junto com a Comissão Territorial de Saúde e Alimentação, tocar o processo preparatório à Marcha. Foram agendados momentos de formação com essa coordenação, a construção de uma agenda de debates comunitários, a participação nos programas de rádio municipal e do Polo da Borborema, reuniões com setores públicos como saúde, educação, assistência social, agricultura, etc.

A Marcha pela Vida das Mulheres e Pela Agroecologia é realizada todos os anos pelo Polo da Borborema em parceria com a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia. A primeira edição da Marcha aconteceu no ano de 2010, no município de Remígio, com a participação de 700 mulheres. Nos anos seguintes, o que se observou foi a adesão de um crescente número de mulheres. Em 2016, a sétima edição levou às ruas de Areial mais de 5 mil mulheres camponesas.

 

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