Monitoramento – AS-PTA http://aspta.org.br Wed, 14 Oct 2020 19:01:35 +0000 pt-BR hourly 1 Livro: Olhares Agroecológicos http://aspta.org.br/2017/03/27/livro-olhares-agroecologicos/ http://aspta.org.br/2017/03/27/livro-olhares-agroecologicos/#respond Mon, 27 Mar 2017 13:21:13 +0000 http://aspta.org.br/?p=14663 Leia mais]]> 2-img_capa_Olhares-1-209x300O livro “Olhares Agrcoelógicos – Análise econômico-ecológica de agroecossistemas em sete territórios brasileiros” é resultado do trabalho conjunto de organizações e redes vinculadas à Articulação Nacional de Agroecologia (ANA). Nesta publicação são sistematizadas evidências dos benefícios do enfoque agroecológico na gestão técnica-econômica de agricultura familiar, aqui apreendida em suas variadas formas de organização produzida e expressão identitária.

Esse empenho coletivo descentralizado nas diferentes regiões no Brasil desdobrou-se a partir do II Encontro Nacional de Agroecologia (III ENA), evento realizado em 2014, cujos debates foram orientados pela seguinte pergunta geradora: Por que interessa à sociedade apoiar a agroecologia?

Por meio do projeto “Promovendo Agroecologia em rede”, executado pela ANA com apoio da Fundação Banco do brasil (FBB) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foram realizados estudos de caso em sete territórios brasileiros: Litoral Norte do Rio Grande do Sul, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Sertão do Araripe (PE), Alto Rio Pardo – Semiárido Mineiro, Sudoeste de Mato Grosso, Mesorregião Leste de Rondônia e Santarém (PA).

As estratégias localizadas de resistência e luta identificadas nas experiências aqui retratadas se revelam como poderosas forças sociais por meio das quais a agricultura camponesa permanece se reinventando e se projetando para o futuro.

Clique aqui para baixar o livro: Olhares Agrogeológicos – Análise econômico-ecológica de agroecossistemas em sete territórios brasileiros

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Livro: Método de Análise Econômico-Ecológica de Agroecossistemas http://aspta.org.br/2017/03/27/livro-metodo-de-analise-economico-ecologica-de-agroecossistemas/ http://aspta.org.br/2017/03/27/livro-metodo-de-analise-economico-ecologica-de-agroecossistemas/#comments Mon, 27 Mar 2017 13:14:33 +0000 http://aspta.org.br/?p=14656 2-img_capa_METODO-ANALISE-AGROECO-197x300O “Método de Análise Econômico-Ecológica de Agroecossistemas” se fundou na necessidade de dar visibilidade a relações econômicas, ecológicas e políticas que singularizam os modos de produção e de vida da agricultura familiar, povos e comunidades tradicionais e que têm sido historicamente ocultadas ou descaracterizadas pela teoria econômica convencional.

Em que pese o crescente reconhecimento social e político-institucional da agricultura familiar e da Agroecologia, manifesta-se ainda uma carência de ferramentas de análise que permitam dar conta das racionalidades econômicas e ecológicas que subentendem a superioridade dos agroecossistemas de gestão familiar sobre as lógicas empresariais que fundamentam o capitalismo agrário.

Como contribuição para a superação dessa lacuna, a AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia vem se empenhando desde o início dos anos 1990 no desenvolvimento de referenciais de análise sobre as estratégias de produção e reprodução econômica e ecológica da agricultura familiar e a sua tradução em instrumentos metodológicos que permitam o estabelecimento de ambientes de construção compartilhada de conhecimento com as famílias agricultoras e com organizações parceiras com as quais trabalha. Os conteúdos e a configuração deste documento expressam o nível atual de sedimentação desses referenciais e instrumentos.

A formalização do método neste documento é resultado de compromisso assumido pela AS-PTA com a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) no sentido de atender crescente demanda de organizações do campo agroecológico, não governamentais e governamentais, por uma apresentação sistematizada dos referenciais teórico-conceituais e metodológicos que dão coerência ao método. Essa demanda foi reforçada no bojo do processo de realização do III Encontro Nacional de Agroecologia (III ENA), cujos desdobramentos suscitaram estudos orientados à produção de evidências da superioridade da Agroecologia como enfoque técnico-econômico para a gestão de agroecossistemas na agricultura familiar em todas as suas formas de expressão nas diferentes regiões do Brasil.

Em síntese, tratou-se de responder à pergunta geradora do III ENA: Por que interessa à sociedade apoiar a Agroecologia?

Por meio do projeto Agroecologia em Rede, esse esforço coletivo contou com o apoio da Fundação Banco do Brasil (FBB) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), financiadores de uma das iniciativas mais inovadoras e promissoras da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO) – o Programa Ecoforte para apoio a redes territoriais de Agroecologia. O caráter inovador desse programa vem do entendimento de que a Agroecologia é uma construção social movida pelas convergências e disputas entre agentes econômicos e sociopolíticos em espaços territoriais definidos.

Ao situar os agroecossistemas como unidades de gestão econômica-ecológica contextualizadas em territórios, o método aqui apresentado procura lançar luzes sobre relações sociais e de poder que condicionam os processos de trabalho na apropriação, transformação, circulação e distribuição das riquezas socialmente produzidas na agricultura familiar. Para tanto, ele dialoga com teorias críticas elaboradas exatamente para revelar dimensões da vida social e do trabalho ocultadas pela teoria econômica hegemônica. São elas:

  • A Economia Ecológica, como o estudo dos processos cíclicos entre os bens ecológicos e os bens econômicos e como fundamento da análise da sustentabilidade desde a escala local até a escala global.
  • A Economia Política, como o estudo das relações de poder implicadas nas esferas de produção, transformação e circulação de valores bem como a distribuição social da riqueza gerada pelo trabalho.
  • A Economia Feminista que, a partir da crítica aos fundamentos da economia convencional, propõe novos conceitos e instrumentos analíticos para reconhecer e dar visibilidade ao trabalho das mulheres, bem como a sua participação na geração e na apropriação da riqueza social. Para tanto, expressa um ponto de vista crítico à divisão sexual do trabalho e ao patriarcalismo, elementos culturais e ideológicos que estruturam as relações econômicas dominantes nas esferas doméstica e pública.

Como todo conhecimento, o método apresentado nesse documento tem como uma de suas principais vocações ser continuamente desenvolvido a partir de sua confrontação com a realidade e com outras experiências motivadas pelos mesmos propósitos. Sua atual configuração expressa o resultado de uma construção coletiva, moldada aos poucos, que contou com críticas e sugestões de técnicos e técnicas da AS-PTA e de organizações parceiras que exercitaram o método em diferentes regiões do país. A AS-PTA permanecerá empenhada em aprimorar o método e espera continuar contando com contribuições de todas as pessoas e instituições comprometidas com um projeto de democratização e sustentabilidade para o mundo rural e os sistemas agroalimentares.

Clique aqui para baixar o documento: Método de Análise Econômico-Ecológica de Agroecossistemas

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Cartilha – Monitoramento de sistemas agrícolas como forma de experimentação com agricultores http://aspta.org.br/2016/09/01/cartilha-monitoramento-de-sistemas-agricolas-como-forma-de-experimentacao-com-agricultores/ http://aspta.org.br/2016/09/01/cartilha-monitoramento-de-sistemas-agricolas-como-forma-de-experimentacao-com-agricultores/#respond Thu, 01 Sep 2016 14:34:08 +0000 http://aspta.org.br/?p=14153 Leia mais]]> Monitoramento de sistemas agrícolas como forma de experimentação com agricultoresO Objetivo deste trabalho é incentivar o debate entre agrônomos e cientistas sociais a respeito da necessidade de se desenvolver um processo sistemático e racionalizado para a coleta de informações agronômicas nas propriedades dos agricultores. Em particular, o trabalho explica como mapeamento das atividades dos agricultores, conjugado com um monitoramento agronômico, é uma forma útil de experimentação.

A ênfase, aqui, é colocada sobre a necessidade de coleta de informações agronômicas, tanto a respeito das propriedades dos agricultores quanto das parcelas experimentais, sendo que o primeiro tipo de coleta costuma ser desprezado. Assim, a hipótese fundamental deste trabalho é que ambas as coletas têm um importante papel.

Monitoramento de sistemas agrícolas como forma de experimentação com agricultores_Edwards

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LUME Avaliação Econômica-Ecológica de Agroecossistemas http://aspta.org.br/2015/05/25/metodo/ http://aspta.org.br/2015/05/25/metodo/#comments Mon, 25 May 2015 06:00:06 +0000 http://aspta.org.br/?p=11959

Aqui você encontra os documentos de referência para estudo e aplicação do método LUME

Livros

Análise Econômico-Ecológica de Agroecossistemas (ANA/AS-PTA, 2017)

Olhares Agroecológicos: Análise econômico-ecológica de agroecossistemas em sete territórios brasileiros (ANA, 2017)

Planilhas

Linha do tempo agroecossistema Versão 15.05.2015

Linha do tempo do território (excel 32 KB)

Análise Econômica LUME 11.10.19

Análise Econômica LUME Modelo Hipotético 11.10.19

Avaliação regressiva atributos sistêmicos COM Jovens no NSGA 01.12.16

Avaliação regressiva atributos sistêmicos SEM Jovens no NSGA 01.12.16

Avaliação comparativa entre agroecossitemas COM Jovens no NSGA 01

 

Artigos

PETERSEN, P.; SILVEIRA, L.M. (2017). Agroecology, Public Policies and Labor-Driven Intensification: Alternative Development Trajectories in the Brazilian Semi-Arid Region. Sustainability. 9. . 10.3390/su9040535.

PETERSEN, P.; SILVEIRA, L. As políticas públicas e a luta pela emancipação da agricultura familiar: reflexões a partir do semiárido brasileiro. Revista Agriculturas, v.13, n.3, 2016

ALMEIDA, S. G.; FERNANDES, G.B. Economic benefits of a transicion to ecological agriculture. LEISA Magazine, jun., 2006.

ALMEIDA, S. G.; FERNANDES, G.B. Gestão econômica da transição agroecológica – ensinamentos de um caso na região Centro-Sul do Paraná. Revista Agriculturas, v.2, n.3, 2005

PETERSEN, P. Evaluando la sustentabilidad: estudios de caso sobre impactos de innovaciones agroecológicas en la agricultura familiar de diferentes países latinoamericanos. LEISA Revista de Agroecología (Ocho estudios de caso), 2003.

ALMEIDA, S. G.; FERNANDES, G. B. Monitoreo económico de la transición agroecológica: estudio de caso de una propriedad familiar del sur de Brasil. LEISA Revista de Agroecología (Ocho estudios de caso), 2003.

ALMEIDA, S. G. Monitoramento de impactos econômicos de práticas agroecológicas (Termo de Referência). 2001

 

Apresentações

Paulo Petersen (AS-PTA) maio de 2015:

1 – Enfoque sistêmico e agroecossistema (pdf 1,0 MB)

2 – Modelização de agroecossistemas (pdf 660 KB)

3 – Trajetórias dos agroecossistemas (pdf 1,0 MB)

4 – Analise Econômica – Conceitos e Metodologia (pdf 730 KB)

5 – Análise de Territórios (pdf 3,8 MB )

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Caderno Pró-Semiárido – Aplicação da metodologia LUME em agroecossistemas familiares assessorados pelo Pró-Semiárido

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Sempre que houver atualização, os novos materiais estarão aqui disponíveis

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O canto da sereia da fumicultura http://aspta.org.br/2009/09/16/o-canto-da-sereia-da-fumicultura/ http://aspta.org.br/2009/09/16/o-canto-da-sereia-da-fumicultura/#respond Wed, 16 Sep 2009 22:37:43 +0000 http://aspta.org.br/?p=2699 O primeiro advento da fumicultura na Paraíba data dos anos 1930, mas, como costuma ocorrer com atividades ligadas à engrenagem do agronegócio, logo foi substituída por outras culturas, como a batata inglesa. Hoje, porém, o plantio do fumo ganhou novo fôlego e já conta com a adesão de cerca de 120 produtores(as) familiares na região da Borborema. Já na região Sul do Brasil, a situação é mais crítica: são mais de 200 mil famílias fumicultoras.

Os números do desempenho econômico impressionam. Uma propriedade de apenas seis hectares pode obter rendimentos da ordem de R$ 17 mil por ano, valor raramente atingido por unidades produtoras de alimentos. Porém, o que esses números não revelam é o alto custo de produção embutido e a baixa capacidade de autoabastecimento das famílias que se dedicam a esse plantio, em função da necessidade de especialização e elevada carga horária de trabalho. Portanto, no final, o lucro líquido acaba não sendo tão expressivo como poderia parecer. Além disso, as empresas de fumo não se preocupam em alertar sobre os riscos à saúde de quem trabalha nesse ramo.

Com o objetivo de sensibilizar os(as) agricultores(as) familiares do Território da Borborema sobre os males que essa cultura provoca, realizou-se em Lagoa Seca, nos dias 20 e 21 de agosto, o Seminário sobre o avanço da fumicultura no Território da Borborema.

Podemos dizer que o Nordeste até hoje não tinha sido tão impactado pelo modelo modernizante pelo fato de que o histórico da agricultura familiar sempre esteve ligado à produção de alimentos. Entretanto, hoje vemos o avanço do agronegócio na região, que acaba por descaracterizar a lógica e os valores camponeses, fundamentados na diversificação dos sistemas e no uso sustentável dos recursos naturais disponíveis. É preciso, portanto, trazer para o debate as consequências que essa nova dinâmica gera e as alternativas para as famílias agricultoras seduzidas. (Luciano Silveira, AS-PTA). 

No primeiro dia, estudou-se com profundidade o calendário técnico de produção do fumo, elencando as principais características e insumos necessários a cada etapa. Também foi apresentado o desempenho econômico de uma propriedade fumicultora que vem sendo monitorada. A análise sobre essa experiência concreta facilitou a visualização dos elevados custos de produção, que no caso corresponderam a mais da metade do rendimento obtido (dos R$ 17 mil de lucro, R$ 10 mil foram para pagar esses custos).

Houve ainda a participação de um representante do Departamento de Estudos Socioeconômicos Rurais (Deser), que exibiu um panorama da fumicultura no Brasil e no mundo. A apresentação trouxe dados que demonstram um aumento significativo da produção de fumo nos países em desenvolvimento, por serem os mais vulneráveis à propaganda das grandes empresas, que utilizam argumentos de possibilidade de geração de empregos e impostos. Além disso, a mão-de-obra mais barata nesses países tem atraído essas multinacionais fumageiras. O produtor brasileiro, por exemplo, recebe quatro vezes menos que o norte-americano, sete vezes menos que o europeu e 13 vezes menos que o japonês.

Esse movimento em direção aos países em desenvolvimento ocorre também em função da queda brusca da produção nos países desenvolvidos, resultado de medidas de controle do tabagismo, do aumento nos custos de produção e consequente queda na lucratividade. (Amadeu Bonato, Deser)

Ele ainda abordou como o preço do fumo é negociado entre representantes das empresas e dos produtores, revelando que os ajustes dos valores pagos aos agricultores em geral são muito abaixo dos lucros obtidos pelas empresas fumageiras.

A doença da folha verde

Um dos pontos altos do seminário foi sem dúvida a exposição feita no segundo dia por Patrícia Oliveira, representante da Secretaria de Vigilância em Saúde, vinculada ao Ministério da Saúde, sobre a chamada “doença da folha verde”, mais conhecida no Nordeste como “bebedeira do fumo” e no Sul como “porre do fumo”, em função da sensação de embriaguez que a intoxicação provoca. Os dados são alarmantes.

Segundo Patrícia, essa doença, que acomete entre 8 e 89% dos produtores, já está bastante documentada desde a década de 1970 nos Estados Unidos, mas curiosamente é abordada apenas agora no Brasil. Ela é considerada uma doença ocupacional, causada pela penetração de altos níveis de nicotina na pele, provocando náusea, vômito, tonteiras, fraqueza, cefaleia dores abdominais, entre outros sintomas. Essa absorção é mais intensa quando a folha está molhada ou quando o agricultor está suado e sem equipamento de proteção apropriado, muitas vezes pelo calor que sente. O diagnóstico não é fácil por ser muitas vezes confundido com os efeitos produzidos pelo uso de agrotóxicos e pela exaustão.

Entretanto, a doença começou a ser identificada quando os agricultores passaram a se queixar de um grande mal-estar na época da colheita e não no momento de plantio, quando a sensação poderia estar associada à intensa aplicação de agrotóxicos. Foi então que, em 2007, a Secretaria decidiu fazer uma pesquisa em duas localidades de grande concentração dessa cultura: a cidade de Candelária, no Rio Grande do Sul, e na cidade de Arapiraca, estado de Alagoas, onde, em apenas uma noite, 100 pessoas deram entrada na Unidade de Emergência com graves sintomas da doença. Já em Candelária, o número de casos registrados não foi tão expressivo pelo fato de os agricultores não se dirigirem ao hospital, preferindo muitas vezes somente tomar o remédio Dramin®, comumente utilizado para alívio de náuseas e vômitos.

Assim, vemos que em nenhum momento dos nove meses de ciclo de produção os fumicultores estão livres do risco de intoxicação, seja durante o plantio, pelos agrotóxicos, seja no período da colheita, pelo contato direto com a nicotina exalada pelas folhas. (Patrícia Oliveira, MS)

Também foram feitas coletas de urina para verificar o teor de cotinina (substância por meio da qual se pode medir a quantidade de nicotina absorvida) no organismo dos produtores de fumo das duas cidades. Entre os agricultores de Candelária, o valor encontrado foi de 432 ng/nl, enquanto que os índices chegaram a 715 ng/nl em Arapiraca, números elevadíssimos, considerando que foram obtidos entre pessoas não-fumantes.

Para se ter uma ideia do grau crítico de intoxicação desses produtores, os níveis de cotinina encontrados em fumantes leves são de aproximadamente 10 ng/nl, enquanto alguém que fuma dois maços por dia chega a apresentar algo em torno de 200 ng/nl, aponta Patrícia.

Outros males associados

Após a exposição sobre a doença, muitas pessoas se inscreveram para dar seus depoimentos. Um dos agricultores presentes destacou que, além de afetar a saúde, o plantio do fumo degrada o solo e pode comprometer as fontes de água das propriedades, sobretudo pelo emprego intensivo de agrotóxicos. O plantio do fumo também demanda uma carga horária muito elevada das famílias, que em certos períodos chegam a trabalhar à noite. Há ainda a questão de que, dependendo da intensidade dos sintomas, um agricultor pode ter que se afastar até três dias do trabalho, mas, como as relações trabalhistas são informais, não contam com nenhum respaldo da empresa com quem estabeleceu o acordo de fornecimento.

Além disso, como o processo de separação e preparação das folhas para serem comercializadas em geral é feito em instalações dentro ou bem próximas das próprias casas, o risco de crianças terem contato com o agente tóxico é bastante grande, isso quando elas mesmas não fazem parte da mão-de-obra ativa da produção.

Iniciativas como a do seminário sobre os impactos da fumicultura são exemplos de como governo e sociedade civil organizada podem se unir para o bem comum. Segundo Tânia Cavalcanti, do Instituto Nacional do Câncer (Inca):

Assim como é muito difícil alguém parar de fumar, sabemos que é necessário haver uma coesão de forças e de apoio à agricultura familiar para que ela possa se desvencilhar desse tipo de produção e busque alternativas para atingir um nível de desenvolvimento pleno. Afinal, não é fácil assumir uma postura individual de quebra dessa estrutura. E é nesse sentido que parabenizo as organizações do Pólo da Borborema que promoveram este evento tão importante.

O seminário foi divulgado no programa de rádio Informativo Sindical, do Pólo Sindical da Borborema, que contou com o depoimento e a participação de agricultores(as), técnicos de instituições de apoio à agroecologia e agentes do governo.

 

Para saber mais:

 

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