P1+2 – AS-PTA http://aspta.org.br Wed, 14 Oct 2020 19:01:35 +0000 pt-BR hourly 1 “Não imaginava que seria tão maravilhoso”, revela agricultora de Esperança sobre impacto do programa P1+2 Fomento na vida da família http://aspta.org.br/2020/08/25/nao-imaginava-que-seria-tao-maravilhoso-revela-agricultora-de-esperanca-sobre-impacto-do-programa-p12-fomento-na-vida-da-familia/ http://aspta.org.br/2020/08/25/nao-imaginava-que-seria-tao-maravilhoso-revela-agricultora-de-esperanca-sobre-impacto-do-programa-p12-fomento-na-vida-da-familia/#respond Tue, 25 Aug 2020 17:06:25 +0000 http://aspta.org.br/?p=18203 Leia mais]]> “Nesta etapa do P+1, a gente olhou para as famílias em situações mais difíceis, mais vulneráveis”. Esta foi uma das primeiras afirmações que Leda Gertrudes, da equipe técnica da AS-PTA, disse na conversa sobre a execução do Programa Uma Terra e Duas Águas na etapa conhecida como P1+2 Fomento. Nesta fase, as famílias atendidas receberam, além de capacitações e a tecnologia para guardar a segunda água – usada para aguar o canteiro de hortaliças e legumes, as fruteiras e dar água aos animais – um valor de R$ 3mil para investir na propriedade e, assim, impulsionar, fomentar a sua produção de alimentos e a criação de animais.

“Eram famílias que, muitas vezes, as organizações não alcançavam. Eram as excluídas das excluídas”, continuou Leda, acrescentando que o projeto possibilitou grandes conquistas para as famílias envolvidas. E a primeira que citou foi o “impacto significativo na vida das mulheres”.

Numa fala empolgada, sem cortes e bem costurada, Leda vai lembrando de cenas e relatos das mulheres, que demonstram como pequenas ações podem gerar grandes mudanças. “Elas me diziam ‘nunca ninguém tinha ido na casa dela para me ouvir’ e as lágrimas escorriam enquanto falavam. Eram mulheres que não iam para reuniões e não abriam a boca. Nos primeiros encontros do projeto, quem a apresentava era o marido. Eram mulheres que se escondiam quando a gente chegava na casa delas.”

Outro impacto muito evidente do projeto de dois anos é a mudança no hábito alimentar das famílias. “Não comiam hortaliças, por falta da construção coletiva deste ato que garante a vida, que garante o acesso à alimentação saudável. Eram famílias que viviam passando fome. Hoje, elas têm ao redor de casa galinha, guiné, criação suína, ovina. Uma das mulheres me disse um dia ‘sempre tive vontade de criar uma ovelha e nunca tive condições de comprar’. Mas eram famílias que não tinham estrutura e, por isso, não criavam. Com terras muito pequenas e muito próximas umas das outras, se criassem animais, eles invadiriam a propriedade vizinha.”

Analice Andrade, do Sítio Campo Formoso, na zona rural do município de Esperança, é uma das mulheres que passou por várias destas transformações contadas por Leda. Antes de participar do programa, Analice, os três filhos e o marido, consumiam poucas verduras. Todas compradas na feira. “Não sabia que não eram saudáveis, que tinham veneno. Procurava o tomate grande, o pimentão bonitão. Eu guardava para usar durante a semana e tinha coisas que não durava este tempo. Eu comprava só o necessário. Meus filhos não gostavam de verdura.”

A agricultora, que antes só ia ao sindicato rural, ao qual era sócia, movida por uma precisão, como a solicitação do seguro-maternidade, disse que nem imaginava que [o projeto] seria tão maravilhoso para vida dela. Com a água na sua cisterna-calçadão, a primeira coisa que fez foi plantar coentro e já percebeu a diferença daquele que costumava trazer da feira.

“Não sabia o mal que estava me fazendo. A gente não sabe a qualidade da água usada no plantio, não sabe o agrotóxico que colocam. Um dia, tive a curiosidade de perguntar para um conhecido meu que compra verdura na Ceasa e vende na feira: ‘Por que o pimentão daqui é tão bonito? O que eu planto na minha casa não fica assim’. E a resposta que escutei foi essa: ‘É muito veneno que eles colocam. O do meu consumo eu planto lá casa.”

Pratos coloridos – “Hoje, meu filho pequeno é fanático por tomate. Come tomate como se estivesse comendo maçã”, diz ela cheia de orgulho de Arthur, de seis anos. E o que aconteceu com os outros filhos? “A filha do meio, Ana Lívia, de 12 anos, não comia verdura. Hoje, come tomate, alface, repolho. Guilherme, o mais velho, de 17 anos, só come mais a alface mesmo. Não teve conversinha. Ele só come o que já comia mesmo. A gente não comia couve, mas arrumei um método e a gente aprendeu a comer. Faço uma sopa, quando está quase pronta, ponho para a couve pra cozinhar.”

Hoje, os leirões ao redor da cisterna da família de Analice é rico em variedade de alimentos que vão direto para mesa da família. Tem coentro, alface, pimentão, tomate, repolho, couve, cenoura, cebolinha, cebola branca, cebola roxa, macaxeira. “Quando comecei, o que plantava no canteiro era para consumo. Com a produção aumentando, tiro a parte da gente com gosto mesmo e o que sobra eu vendo para a família, na comunidade. Tenho também dois pezinhos de maracujá que estão dando bastante, mas não estou vendendo. Estou dando para meus oito irmãos e minha mãe.”

“Eu imaginava que o projeto só ia trazer a cisterna e pensava quando tiver condições vou comprar meio metro de tela pra cercar o plantio e ter alimento, pelo menos, pro consumo”. Foi quando soube que além da cisterna, teria em mãos R$ 3 mil reais, dividido em duas parcelas, para investir na propriedade. “Com a primeira parcela, comprei tela, arame, estacas. Com a segunda, terminei as compras e paguei a mão-de-obra.”

Apesar de não ter usado o recurso para comprar animais, terminou que uma economia que fez ao não precisar mais comprar a extensão, adquirida com a recurso do fomento, para levar energia de casa para bombear a água da cisterna para a caixa mais próxima do plantio, permitiu que a agricultora comprasse sete galinhas. Hoje, um ano depois, são 27 cabeças. Os ovos são para consumo da família e para venda. A carne vira fonte de proteína na dieta familiar. O milho que alimenta as galinhas é comprado com o dinheiro da venda dos ovos. “Não estou tirando do meu bolso. Já é uma renda”, assegura ela que recebe o Bolsa Família há mais ou menos 14 anos.

Hoje, com o filho mais velho adolescente, recebe também o Bolsa Jovem. Juntando as duas rendas dá R$ 307 precisos. “Quando meu esposo tem recebido dos bicos, compro o que está faltando pros meninos. Quando não, compro comida mesmo”. Atualmente, a família dela tem recebido o auxílio emergencial devido à pandemia. Atualmente, eles têm uma renda semanal de cerca de R$ 40 que vem das vendas do alimento que a terra dá a mais do que a família precisa para comer.

O bom investimento do recurso de fomento foi repetido nas 70 famílias acompanhadas pela AS-PTA nos municípios de Casserengue e Esperança. E Leda credita este fato ao bom trabalho de sensibilização feito pela equipe. “Muitas famílias tinham o sonho de ter um banheiro. Muitas delas ainda fazem suas necessidades no mato. Outras tinham o desejo de construir mais um quarto na casa porque dormia os pais e os três filhos no mesmo ambiente. Mas, a gente falou que o investimento na produção geraria renda e, poupando, eles poderiam fazer o que desejassem.”

Outra adesão incrível que o projeto teve no território foi a participação das mulheres nos cursos e intercâmbios previstos ao longo dos dois anos de execução. Elas eram 90% dos participantes. Um dado ainda mais expressivo quando se tratava de mulheres que nunca tinham saído de casa, nem dormido fora. E o que estava por trás deste desempenho?

“A prática já adotada na Borborema pelo Polo [um coletivo de 13 sindicatos rurais e organizações da agricultura familiar dos municípios do território] e pela AS-PTA de priorizar, nos cadastros do projeto, a titularidade das tecnologias no nome das mulheres. Além disso, a gente dialogava com as famílias, convidava diretamente as mulheres, que estão à frente dos seus quintais, da gestão da água e também estão no roçado da família”, conta Leda. Nas viagens paras os intercâmbios, a farmácia da equipe técnica para socorrer as agricultoras estava caprichada e adaptada para as necessidades femininas. “Teve intercâmbio que levamos mulheres para o hospital. Passaram mal pela emoção de nunca terem saído de casa.”

Outra delicadeza da AS-PTA é ter escolhido duas técnicas mulheres para fazer o acompanhamento com as famílias. Além de Leda, a jovem Nirley. Aos dois técnicos homens, Afrânio e Paulino, cabem o trabalho de acompanhar a construção das tecnologias de captação da água da chuva.

Leda revela que ter mulheres técnicas fez diferença para criar uma relação de confiança com as mulheres das famílias atendidas no projeto. “Ao ponto de várias delas chegarem a contar da vida pessoal e falar da violência que sofrem em casa. Elas mandam áudio pra gente, chorando, pedindo ajuda. Tem marido que vai beber e, quando chega em casa, quer dormir sem tomar banho, fazendo com que a mulher corra risco de ser contaminada com o Covid.”

E o que acontece? O que vocês fazem a partir disto? “No território, tem um movimento de mulheres que faz o enfrentamento das violências contra nós, mulheres”, anuncia Leda, dizendo que criaram condições para levar as mulheres atendidas pelo P1+2 para estes encontros de mulheres, como os debates municipais e regionais preparatórios da 11ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia. “Mesmo sem falar uma palavra, a gente vê que estão se vendo nas histórias de outras mulheres.”

Nem tudo são flores – Foi com esta frase que Leda iniciou o relato das dificuldades deparadas pelo projeto. Desafios que estão fincados na estrutura social do território e têm a ver com o pequeno pedaço de chão de cada família. “Tem família que quando colocamos a cisterna ao lado de casa, a tecnologia quase toma conta de tudo. Sem acesso à terra, como vou produzir e diversificar a produção?”, indaga Leda.

Atualmente, as 70 famílias que receberam o recurso do fomento produtivo e mais 30 outras também atendidas pelo P1+2 e que receberam a metade do valor [R$1,5mil] para investir na sua área produtiva no arredor de casa, continuam sendo acompanhadas pela AS-PTA. Trata-se de mais uma etapa do P1+2, que se centra no tema da comercialização para facilitar o acesso ao mercado pelas famílias que passam a ter produção excedente ao necessário para consumo familiar.

Fomento produtivo – O valor de R$ 3 mil reais parece irrisório para um investimento. Mas, se bem empregado, é um montante capaz de transformar em produtora de alimentos saudáveis uma família que vivia uma situação de insegurança alimentar tanto pela quantidade de alimentos consumidos, quanto pela qualidade. Como o que aconteceu com a família de Analice, seu esposo Givanildo e seus três filhos, Arthur, Ana Lívia e Guilherme.

O recurso do fomento, associado à orientação dada por uma assessoria técnica agroecológica, fazem os benefícios se multiplicarem. E isso não acontece só na região da Borborema paraibana. O P1+2 Fomento, apoiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo extinto Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), foi executado em nove estados do Semiárido brasileiro – Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí, alcançando mais de 2,3 mil famílias abaixo da linha de pobreza em 2018 e 2019 .

Quem vive abaixo da linha de pobreza são famílias que sobrevivem, por pessoa, com até R$ 178 mensais que são tidas como em situação de pobreza. Se o valor mensal per capta for inferior a R$ 89, a família está em situação de extrema pobreza. Estes eram os valores de referência do programa Bolsa-Família adotados em 2018.

Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ligada ao Ministério da Saúde do Brasil, das 800 milhões de pessoas em situação de fome no mundo, metade são agricultores e agricultoras que vivem em regiões semiáridas, cuja realidade se agrava ainda mais com o fenômeno da crise climática.

#SancionaSemVetoPL735 – Diante desta experiência do P1+2 Fomento e de outras espalhadas pelo Brasil, movimentos populares e sociais do campo, em diálogo com parlamentares progressistas, propuseram medidas emergenciais, que também têm a conotação de serem estruturantes, como o investimento do fomento, para compor uma lei que prevê medidas para socorrer as famílias agricultoras nesta pandemia do Covid-19.

Uma das medidas que constam no pacote é a criação do Fomento Emergencial de Inclusão Produtiva Rural, que será destinado às famílias que se encontram em situação de pobreza e extrema pobreza. A política prevê o aporte de R$ 2,5 mil por unidade familiar, em parcela única, transferida diretamente pela União. No caso de famílias chefiadas por agricultoras, o fomento será de R$ 3 mil.
Caso o projeto seja aprovado, os agricultores interessados poderão contar com o apoio do Serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) para o projeto de estruturação da unidade produtiva familiar. Caso os planos contemplem a construção de cisternas para acesso à água para consumo humano e produção de alimentos, a verba será de R$ 3,5 mil.

Aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado, o PL 735 aguarda a sanção do presidente que tem um prazo para sancionar a medida de 15 dias úteis contados a partir da chegada da matéria no Executivo. Este prazo vai até o dia 27 deste mês. Como medida de pressão do governo, totalmente privado de senso de agilidade quando se trata do atendimento das necessidades dos pobres, os movimentos populares e sociais do campo estão com uma campanha nas redes sociais convidando a todos/as para usar a #sancionasemvetopl735 ou #sancionapl735 nas suas postagens. Afinal de contas, a fome não espera e chega a matar.

Ao publicar a matéria, recebemos a notícia que o Governo Federal vetou todos os pontos do PL 735. Mais do que nunca, permanece a chamada para ação.

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Intercâmbio entre Famílias da PB e do RN fortalece experiências de produção de alimentos e criação de animais http://aspta.org.br/2019/10/22/intercambio-entre-familias-da-pb-e-do-rn-fortalece-experiencias-de-producao-de-alimentos-e-criacao-de-animais/ http://aspta.org.br/2019/10/22/intercambio-entre-familias-da-pb-e-do-rn-fortalece-experiencias-de-producao-de-alimentos-e-criacao-de-animais/#respond Tue, 22 Oct 2019 15:27:25 +0000 http://aspta.org.br/?p=17439 Leia mais]]> Maria Eliane Pereira da Silva tem 45 anos e vive no Sítio Meia Pataca, no município de Esperança-PB, em uma propriedade de dois hectares que divide com o filho, que mora em uma casa ao lado. Há cerca de um ano, a agricultora conquistou sua cisterna para produção de alimentos de 52 mil litros pelo Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) executado na região pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e pela Articulação do Semiárido Brasileiro, na parceria com o Polo da Borborema e seus 13 sindicatos de trabalhadores rurais que atuam pelo fortalecimento de um território agroecológico há mais de 20 anos.

Eliane conta que passava por um momento muito difícil na vida quando a tecnologia de captação de água de chuva chegou: “Estava com a cabeça muito pesada, também era muito tímida, tinha perdido muito peso”. A agricultora conta que depois da cisterna passou a cultivar hortaliças e plantas medicinais que antes a pouca água do barreiro que tinha não permitia plantar.

“Melhorei minha alimentação, a timidez, hoje já dou depoimentos, antes eu mal falava, aumentei um pouco mais meu peso e ocupo a minha cabeça cuidando das minhas plantas, hoje muito pouco do que consumo, eu compro fora”. Vender o que produz ainda não está nos planos de Eliane, mas ela explica que troca com os vizinhos verduras e plantas medicinais por restos de alimentos para a criação de porcos e galinhas que iniciou com o recurso de cerca de três mil reais que o P1+2 Fomento disponibiliza, para famílias socioeconomicamente mais vulneráveis e, de preferência, chefiadas por mulheres. Ao serem contempladas com o fomento, cada família constrói seu projeto de acordo o potencial de sua propriedade e do seu desejo de fortalecer seu sistema de produção vegetal ou animal.

Maria Eliane passou por mais uma experiência nova, pela primeira vez deixou a casa para uma viagem a outro estado. Ela foi uma das 30 pessoas a participar da visita de intercâmbio que aconteceu nos dias 17 e 18 de setembro com agricultores e agricultoras de cinco comunidades de Esperança, ao município de Lajes Pintadas, no Sítio Serra Verde.

A visita aconteceu em duas propriedades, a da família de Lenielson Felipe da Silva e Daiane da Silva Lima contemplada com a cisterna do tipo enxurrada. Com o recurso do fomento do Programa, a família investiu na produção de hortaliças, na implantação de um pomar com maracujá, mamão, pinha, graviola, caju e a criação de suínos. A outra experiência foi a de José Francisco Lopes, que reflorestou a propriedade por onde passaram oito gerações de sua família, criando uma agrofloresta e hoje está iniciando uma experiência com meliponicultura para a preservação de espécies de abelhas locais e conscientização dos meleiros para evitar a morte das abelhas, além da comercialização do mel e de mudas de plantas frutíferas e nativas.

O grupo visitou ainda, na mesma comunidade, uma unidade de produção de polpa de frutas comunitária, que está sendo revitalizada com apoio do Serviço de Apoio aos Projetos Alternativos – Seapac, responsável pelo P1+2 na região e integrante da Articulação do Semiárido Potiguar. Das 100 famílias que vivem em Serra Verde, mais da metade já foi beneficiada com cisternas de produção.

O intercâmbio faz parte do processo de formação e mobilização com as famílias e suas organizações, que passam a atuar em rede. “É uma oportunidade não só de aprenderem com as experiências das famílias que passaram pelo P1+2 como também para a troca de conhecimento. O grupo do Rio Grande do Norte já manifestou a vontade de vir a Paraíba também conhecer as experiências daqui”, explica José Camelo da Rocha, do Núcleo de Recursos Hídricos da AS-PTA.

“Nós, os pobres, fomos ensinados que só existe um tipo de riqueza, aquela que compra carros, por exemplo, mas quando você deixa de comprar um alimento porque já produz, você está fazendo uma poupança e gerando riqueza”, comenta Damião Santos de Medeiros, coordenador do Núcleo Trairi, do Seapac. “A gente está bebendo muito das experiências do Polo da Borborema, principalmente no tocante às feiras agroecológicas. Também estamos trazendo profissionais das universidades para fazerem um trabalho nas comunidades tanto com a psicologia de escuta, principalmente das mulheres, e também na nutrição, sobre a conscientização do alimento saudável, a vida precisa ser em harmonia, não só no meio ambiente, mas também entre as pessoas”, completou.

A agricultora Maria Betânia Pereira, de 42 anos, do Sítio Meia Pataca, também integrou o grupo de visitantes e estava viajando pela primeira vez, assim como Eliane, ela ficou empolgada com o que viu e já está cheia de planos para aumentar sua produção e criação para passar a participar da Feira Agroecológica de Esperança: “Achei tudo muito lindo aqui. Depois da minha cisterna, melhorou muito, passei a plantar verduras e frutas que eu antes tinha que comprar, meu plano é aumentar mais a minha produção, cercar minhas galinhas e levar para a venda na feira. Estou muito satisfeita, essa cisterna para mim é a maior riqueza do mundo”, avaliou.

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Planejamento da produção da cisterna-calçadão frente a realidade da seca http://aspta.org.br/2012/11/06/planejamento-da-producao-da-cisterna-calcadao-frente-a-realidade-da-seca/ http://aspta.org.br/2012/11/06/planejamento-da-producao-da-cisterna-calcadao-frente-a-realidade-da-seca/#respond Tue, 06 Nov 2012 23:38:39 +0000 http://aspta.org.br/?p=5854 Leia mais]]> Na Borborema, o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) vem fortalecendo a experimentação nos arredores de casa. Ainda que seja um espaço onde atuam todos os membros da família, o fortalecimento desse espaço vem oferecendo oportunidades para que as mulheres possam exercer sua capacidade criativa, além de poderem forjar caminhos para construção de autonomia, liberdade e igualdade.

Um momento importante do Programa trata-se justamente dos espaços de debate e construção coletiva de como irão otimizar o uso das águas, fortalecendo as experiências existentes, a capacidade local produtiva e a realização dos desejos e dos projetos para o espaço.

Em 2012, esse momento além de ser o espaço para o fortalecimento de uma identidade comum, passa a ser também um momento estratégico para a construção de alternativas para o enfrentamento de um dos anos mais secos. Muitas famílias optaram por aplicar os recursos do caráter produtivo na aquisição de animais, criando oportunidade para iniciar ou fortalecer a criação de pequenos animais, capitalizando-se. Outras famílias optaram pela estruturação de seus quintais, experimentando a construção de apriscos ou de galinheiros simplificados para aprimoramento de seus sistemas criatórios. Como dizem os agricultores da Borborema, os animais são a segurança da família agricultora do semiárido, fortalecer condições para criar mesmo em situações de estiagem severa é garantir a segurança alimentar e renda para a família.

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Decisão do MDS pode levar ao fim o Programa Um Milhão de Cisternas http://aspta.org.br/2011/12/16/decisao-do-mds-pode-levar-ao-fim-o-programa-um-milhao-de-cisternas/ http://aspta.org.br/2011/12/16/decisao-do-mds-pode-levar-ao-fim-o-programa-um-milhao-de-cisternas/#respond Fri, 16 Dec 2011 13:40:43 +0000 http://aspta.org.br/?p=4950 Leia mais]]> “A dor da morte é não acabar com o nordestino
A dor do nordestino é ter as pena exagerada”
(Guerra de Facão – Wilson Aragão)

 

Após oito anos de parceria com o Governo Lula, a decisão do governo federal, expressa pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS), de não mais renovar os Termos de Parceria com a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), pode levar ao fim uma das ações mais consistentes de garantia de água para as famílias do meio rural semiárido: o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). Sem dúvida o maior programa com apoio governamental de distribuição de água e cidadania, em uma região onde antes só existia fome, miséria e a indústria da seca.

O P1MC, premiado até pela Organização das Nações Unidas (ONU), gestado e executado pela ASA (rede de organizações da sociedade civil), já beneficiou diretamente mais de dois milhões de pessoas, em 1.076 municípios, a partir da construção de quase 372 mil cisternas de placas, envolvendo 12 mil pedreiros e pedreiras. Os resultados são tão expressivos que a construção de cisternas se configura como a principal proposta do Programa Água para Todos.

A argumentação é que a partir de agora o governo federal vai priorizar a execução do Programa, que integra o Plano Brasil Sem Miséria, apenas via municípios e estados, excluindo a sociedade civil organizada. A sugestão dada pelo MDS é que a ASA negocie sua ação em cada um dos estados contemplados.

Para além da parceria com estados e municípios, o governo também anuncia a compra de milhares de cisternas de plástico/PVC de empresas que  começam a se instalar na região. Ou seja, o governo não apenas rompe com a ASA, mas amplia a estratégia de repasse de recursos públicos para as empresas privadas.

Consideramos isso um retrocesso, o que pode gerar um retorno claro e nítido a velhas práticas da indústria da seca, onde as famílias são colocadas novamente como reféns de políticos e empresas, tirando-lhes o direito de construírem sua história. É também uma tentativa de anular a história de luta e mobilização no Semiárido, devido à incapacidade do próprio governo em atuar com as ONGs, sem separar o joio do trigo, e não ter, até hoje, construído um marco regulatório para o setor, uma das promessas de campanha da presidenta Dilma.

A autonomia da execução das suas ações e a transparência no uso dos recursos sempre foi base para esse trabalho. Vale salientar que a ASA foi considerada pelo ministro chefe da Controladoria Geral da União, Jorge Hage Sobrinho, na abertura do Seminário Internacional sobre Marco Legal, e pelo secretário executivo do mesmo órgão, Luiz Navarro, em programa aberto de TV, um exemplo na gestão de recursos públicos.

As ações da ASA não são reconhecidas apenas no Brasil, que renderam uma dezena de prêmios, a exemplo do Prêmio Direitos Humanos – categoria Enfrentamento à Pobreza, promovido pelo próprio governo federal e entregue pelo então presidente Lula, no final do ano passado, mas também internacionalmente, como referência de gestão e inclusão social no campo do acesso à água e do direito à segurança alimentar e nutricional das famílias carentes do Semiárido (ONU).

Nesse contexto, a ASA avalia que o Estado precisa cumprir sua função na garantia dos direitos da população brasileira, inclusive, dando condições para que os entes federativos possam executar as políticas localmente. No entanto, isso não pode significar a exclusão da sociedade civil organizada e o desprezo a sua capacidade de contribuição que tanto já serviu de modelo para atuais políticas públicas, em especial às de convivência com o Semiárido.

 

Cordenação Executiva da ASA
12 de dezembro de 2011

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Ações do P1+2 são avaliadas em diversos municípios da Borborema http://aspta.org.br/2010/12/23/acoes-do-p12-sao-avaliadas-em-diversos-municipios-da-borborema/ http://aspta.org.br/2010/12/23/acoes-do-p12-sao-avaliadas-em-diversos-municipios-da-borborema/#respond Thu, 23 Dec 2010 11:46:36 +0000 http://aspta.org.br/?p=2904 Além de fazer um balanço dos dois anos de execução do Programa, o objetivo desses encontros foi estabelecer novas perspectivas para o ano de 2011. Para o assessor técnico da AS-PTA, José Camelo, esses momentos possibilitaram avaliar como o Programa está sendo conduzido na região, com suas vantagens e seus entraves enquanto desafios para aprimorar o Programa.

Entre os pontos positivos, ele destacou que as ações do programa ajudaram a mostrar a importância dos arredores de casa, que antes eram espaços de produção pouco valorizados.

As famílias estão trazendo para o debate alguns resultados importantes, como a melhoria do sistema de produção no arredor de casa, onde as cisternas estão sendo instaladas. A gente achou muito interessante porque o arredor de casa é o espaço onde está a mulher, onde estão os filhos e também o marido. Então, é um espaço que todos cuidam e pode estar utilizando melhor essa água. As famílias também foram quase unânimes em dizer que o Programa trouxe, além dos ganhos econômicos, da melhoria da qualidade de vida e da alimentação, a questão da autoestima das pessoas, principalmente das mulheres, explica Camelo.

Luciene de Santana Oliveira, agricultora do Sítio Guritiba, município de Queimadas, afirmou que o fato de ter água mais perto de casa contribuiu também para melhorar a vida dos jovens, que agora podem dedicar mais tempo para estudar, entre outras vantagens: Queimadas tem muito o que comemorar: melhoria de vida para as comunidades rurais, a questão do abastecimento de água com a construção das cisternas… A questão também de não precisar mais estar se locomovendo pra pegar água em locais distantes e água sem tratamento, que a gente sabe que traz muito prejuízo para a saúde de nossas comunidades.

Um dos contemplados com uma cisterna calçadão, o agricultor Aluísio da Silva, do Sítio Maracajá, também em Queimadas, garantiu que os resultados já começam a aparecer: É bom demais porque, pra começar, a gente na época do verão vê tudo seco sem animação, sem nada. Agora, quando bota a cisterna e a gente começa a plantar alguma coisa, já fica verde, fica uma paisagem bonita. É muito bom saber que temos uma planta limpa, sem tóxico, sem veneno, aguada por nós com água limpa, saber que estamos comendo um alimento saudável, sem prejudicar a nossa família.

O trabalho do P1+2, em sua primeira etapa, já está em fase de acabamento. Mas, a partir dessas avaliações realizadas em diversos municípios, foi possível perceber avanços e a importância do estabelecimento de parcerias locais, inclusive com algumas prefeituras, como as de Remígio, Queimadas, Casserengue, entre outras, o que possibilita que o programa envolva toda a sociedade em favor desse projeto maior que é a convivência com o semiárido.

Segundo Lucileide Alves Gertrudes, assessora técnica do programa por meio da unidade gestora AS-PTA, as entidades fecham o ano com metas cumpridas e, sendo assim, novos desafios podem ser trabalhados para o próximo ano. Entretanto, o mais importante é ver o entusiasmo das famílias envolvidas. A gente fecha o ano de 2010 com grande satisfação porque, mesmo num ano de poucas chuvas, podemos perceber que o Programa Uma Terra e Duas Águas veio para contribuir com o fortalecimento da agricultura familiar baseada nos princípios da Agroecologia, conclui.

 

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Programa Uma Terra e Duas Águas Estabelece Parcerias na Paraíba http://aspta.org.br/2009/06/19/programa-uma-terra-e-duas-aguas-estabelece-parcerias-na-paraiba/ http://aspta.org.br/2009/06/19/programa-uma-terra-e-duas-aguas-estabelece-parcerias-na-paraiba/#respond Fri, 19 Jun 2009 19:52:20 +0000 http://aspta.org.br/?p=2397

Aproximadamente 40 pessoas, entre lideranças sindicais e agricultores, representante da Unidade Gestora Territorial AS-PTA e a Comissão Municipal de Recursos Hídricos do Sindicado dos Trabalhadores Rurais de Queimadas estiveram reunidas na última quinta-feira (11/06), para discutir o apoio da Prefeitura Municipal de Queimadas-PB na construção de 27 cisternas calçadão nas Comunidades Catolé I e II.

A reunião foi fruto da reivindicação das famílias das comunidades para que a Prefeitura Municipal apóie os agricultores com a escavação dos buracos onde serão construídas as cisternas. De acordo com Leda Alves, animadora do Programa Uma Terra e Duas Águas, a escavação dos buracos é a maior dificuldade enfrentada pelas famílias.

Um dos pontos importante dessa parceria é que as famílias beneficiadas com as cisternas terão uma grande economia. Se cada família fosse pagar pela hora de uso da retro-escavadeira, seriam pagos em média setenta reais a hora, um gasto excessivo para quem nem sempre pode contar com esse valor em mão, mas que necessita das cisternas para produção. Outro beneficio é a diminuição considerável do tempo de escavação, já que sem a máquina, o trabalho é de aproximadamente 15 dias e necessita pelo menos do trabalho de quatro pessoas. Com o uso da retro-escavadeira todo esse trabalho será realizado em uma hora.

No município de Queimadas, serão construídas 27 cisternas do tipo calçadão, e serão investidos aproximadamente 200 mil reais nas comunidades. A cisterna calçadão tem a capacidade de armazenar 56 mil litros de água para a produção de alimentos e pertence a um grupo de tecnologias sociais que fazem parte do Projeto Uma Terra e Duas Águas, da Articulação do Semiárido Brasileiro, juntamente com Governo Federal.

A idéia é que na região do Pólo da Borborema, se estabeleçam acordos com outras prefeituras para o uso de máquinas num apoio à construção de estratégias de convivência com o semiárido. O Pólo da Borborema e a AS-PTA acreditam que a só a construção de um projeto baseado na constituição de uma malha hídrica composta por inúmeras pequenas e médias obras possa promover a segurança hídrica das famílias do semiárido.

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Pedreiros do Pólo da Borborema Participam de Capacitação do Programa P1+2 http://aspta.org.br/2009/06/14/pedreiros-do-polo-da-borborema-participam-de-capacitacao-do-programa-p12/ http://aspta.org.br/2009/06/14/pedreiros-do-polo-da-borborema-participam-de-capacitacao-do-programa-p12/#respond Sun, 14 Jun 2009 14:11:50 +0000 http://aspta.org.br/?p=2541

“Nas pedras eu guardo água.

E na cisterna também.

Guardo água no barreiro.

Água vai e água vem.

Na barragem subterrânea,

muita planta também tem.”

(Poeta Euzébio Cavalcanti-Remígio)

 

A água é elemento essencial ao abastecimento humano, a atividade agrícola, e essencial para a manutenção dos sistemas vivos no planeta. Em algumas áreas, a água é encontrada em abundância, em outras, os fatores climáticos e humanos impedem que essa água seja acumulada de forma adequada a atender as necessidades dos animais, plantas e pessoas. Para amenizar possíveis impactos ocorridos pela falta d água, foi pensado o Programa Uma Terra e Duas.

O Programa Uma Terra e Duas Águas é um instrumento criado a partir da necessidade das famílias agricultoras de possuírem mais água para produção de alimento em suas propriedades. O programa é singular, assim como a sua nomenclatura, P1+2 – onde o algarismo “1”, sugere a terra que será utilizada no plantio e o “2”, os dois tipos de água, a água para beber e produção. Implantado no ano de 2007, através do esforço de entidades que compõem a Articulação do Semiárido Brasileiro, o Projeto Demonstrativo do Programa Uma Terra e Duas Águas, beneficiou famílias de toda Paraíba, através da construção de barragens, tanques de pedra e cisternas de 16 mil litros, para captação de água de chuva. Durante essa fase, foram contemplados 10 estados, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Na Paraíba, o Programa P1+2 é uma equação que tem dado certo, gerando segurança hídrica e alimentar para as famílias. Na fase atual – Projeto Piloto – à construção de novas tecnologias fazem parte do processo, entre elas a cisterna calçadão, que se diferencia pela forma de captação da água, realizada através de uma área cimentada e que pode armazenar 52 mil litros de água. Água destinada para produção de hortaliças e para a dessedentação de animais de pequeno porte.

Como parte das ações de implantação do Projeto na Paraíba, a AS-PTA, Unidade Gestora Territorial (UGT), da região do Pólo da Borborema, está realizando a I Oficina de capacitação de pedreiros, no período de 04 a 15 de Maio na Comunidade Catolé, município de Queimadas. Durante esse período, 14 pedreiros de diversos municípios vão aprender os conceitos de uma cisterna calçadão e todo o processo de construção.

Durante a capacitação os pedreiros colocam a mão na massa e aprendem passo a passo as etapas de construção da cisterna, visando o aperfeiçoamento. O primeiro passo é cavar o buraco, trabalho realizado pela contrapartida da família beneficiária. Com o buraco da cisterna já escavado, as placas de cimento são feitas em formas prémoldada, cada pedreiro aprende na prática como construir as placas que vão forrar a cisterna. Uma cisterna leva em média 28 dias para ser finalizada, desde a fase da escavação do buraco até a cobertura com a tampa e a construção da calçada. Mas de acordo com os pedreiros, a parte mais complicada da construção está na fundação, na escavação do buraco e na concretagem. O acabamento é mais rápido.

A capacitação está sendo ministrada pelo pedreiro pernambucano José Alves de Brito, morador do município de Afogados da Ingazeira. Para Seu José (53), mais do que o retorno financeiro que recebe em ministrar o curso, está à satisfação de ver as famílias realizadas com a sua segunda água.

A cisterna dessa vez irá beneficiar a família de dona Maria José Martins de Oliveira (37). Na propriedade já existe a cisterna de placas (16 mil litros), que a família utiliza para as atividades domésticas e consumo. Para dona Maria a nova cisterna calçadão é uma maravilha, pois assim, ela não vai precisar pegar mais água no Tanque que fica a 300 metros da sua casa, para dar de beber aos animais. Reforça ainda que a cisterna servirá para a produção de verduras e legumes, como o coentro e alface, alimentos para o consumo da família e dos pequenos animais do terreiro.

 

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