PAA – AS-PTA http://aspta.org.br Fri, 25 Sep 2020 14:11:23 +0000 pt-BR hourly 1 PAA Sementes e Projeto de lei Emergencial da Agricultura familiar http://aspta.org.br/2020/08/03/projeto-de-lei-735-e-um-pouco-da-historia-do-programa-de-aquisicao-de-alimentos-paa/ http://aspta.org.br/2020/08/03/projeto-de-lei-735-e-um-pouco-da-historia-do-programa-de-aquisicao-de-alimentos-paa/#respond Mon, 03 Aug 2020 18:03:25 +0000 http://aspta.org.br/?p=18157 Leia mais]]> Está no Senado Projeto de Lei aprovado em 20 de julho pela Câmara dos Deputados, que dispõe sobre medidas emergenciais de amparo às famílias agricultoras para mitigar os impactos socioeconômicos da Covid–19. A proposta autoriza abono emergencial de R$ 3 mil a agricultores/as familiares que não receberam o auxílio emergencial, sendo este valor elevado para R$ 6 mil para as agricultoras chefes de famílias monoparentais. A medida inclui ainda propostas de crédito rural, renegociação de dívidas e a criação do Programa de Atendimento Emergencial da Agricultura Familiar (PAE-AF), que será operacionalizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mediante a compra de alimentos produzidos pela agricultura familiar e doação simultânea a pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional ou a entidades recebedoras.

Apesar da intensa mobilização de partidos e de parlamentares comprometidos com a causa e da campanha pela retomada do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) organizada pela sociedade civil, algumas questões importantes ficaram de fora, entre elas a possibilidade de aquisição de sementes e demais materiais propagativos com os recursos que serão liberados para essas ações emergenciais.

Desde sua criação, em 2003, o PAA opera compra e doação de sementes crioulas. As primeiras experiências desse tipo de aplicação do programa aconteceram na Paraíba, com o objetivo de fortalecer a autonomia das famílias agricultoras. Os recursos foram destinados à recomposição dos estoques de bancos comunitários de sementes em anos de seca, a partir da compra de sementes adaptadas de agricultores/as em regiões próximas.

Em 2013 o PAA foi alvo de uma campanha de criminalização por parte de setores de oposição ao governo Dilma Rousseff. Agricultores e gestores públicos foram presos e tiveram suas imagens expostas ao julgamento precipitado de muitos meios de comunicação sob a alegação de participarem de um amplo esquema de desvio de recursos. Todos/as os/as acusados/as foram absolvidos e nenhum esquema de desvio foi comprovado. Mas o estrago ao Programa foi profundo, assim como o impacto na vida das pessoas acusadas. O juiz que acompanhou à época a operação “Agrofantasma” da Polícia Federal foi o ex-ministro da justiça Sérgio Moro.

Já no contexto da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO), o governo procurou retomar o PAA. Uma das iniciativas nesse sentido foi a criação de uma modalidade específica para sementes. Após o ocorrido em 2013, os órgãos de controle estavam muito mais exigentes e o governo entendeu que deveria se cercar de garantias para evitar novos questionamentos – mesmo não tendo sido comprovado nenhum tipo de fraude no Programa. Resultado: a simplicidade operacional, que permitiu durante 10 anos que o PAA fortalecesse ações locais de promoção das sementes crioulas, deu lugar a uma série de normas e exigências burocráticas desnecessárias, que acabaram por excluir uma parte do universo potencial do Programa, exatamente a parcela social mais empobrecida. Entre as novas exigências, destacam-se a Declaração de Aptidão ao PRONAF (DAP) Jurídica para as organizações proponentes e a obrigatoriedade de cadastro das variedades num sistema criado pelo extinto Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Além disso, a nova modalidade retirou das organizações dos agricultores/as a iniciativa de proposição de projetos. Segundo as regras hoje em vigor, as propostas devem ser elaboradas pelos órgãos governamentais nos estados.

A criação do PAA sementes, por outro lado, deve ser entendida como uma conquista. O programa reconhece a importância das sementes crioulas para segurança alimentar. Além disso, garante que até 5% do orçamento do PAA sejam destinados à aquisição de sementes. É uma conquista legalmente respaldada, que reafirma os direitos dos agricultores. Portanto, deve ser incorporada ao PL em tramitação no Congresso Nacional.

No entanto, o PL que será examinado pelo Senado não prevê recursos para a modalidade, replicando o disposto na medida provisória que no início da pandemia colocou R$ 500 milhões no Programa. Mas há no âmbito federal recursos da ordem de R$ 100 milhões destinados ao PAA, o que garante cerca de R$ 5 milhões para aquisição de sementes desde que o valor seja liberado pelo governo. Para que novos projetos sejam viabilizados, é necessário que eles sejam submetidos pelas organizações dos agricultores às secretarias de agricultura, delegacia regional de agricultura, Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra), Fundação Nacional do Índio (Funai) ou Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) nos seus estados, indicando os volumes e a diversidade de sementes disponíveis para que esses organismos apresentem a demanda à Conab. O passo a passo para formalização das propostas está no manual de operação de crédito da Conab (MOC 37). Sem forte mobilização, sabemos que não haverá nenhum movimento por parte do governo para que esse programa continue sendo um componente importante das estratégias de promoção da autonomia e da diversidade na agricultura familiar.

Organizações ligadas à Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) estão se mobilizando para voltar a acessar o PAA Sementes. Fique de olho nas mídias sociais da ANA. Em breve o GT Biodiversidade divulgará material com orientações para a elaboração de projetos para o PAA sementes, baseando-se na experiência de organizações que já executaram essa modalidade e pensando naquelas que têm interesse em mobilizar seus/as associados/as para produzir sementes de qualidade e em diversidade.

Conheça a cartilha produzida pelo GT Bio da ANA:
Como acessar a modalidade “Sementes” do Programa de Aquisição de Alimentos – PAA?

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Alimentos de verdade chegam às escolas da zona oeste do Rio de Janeiro http://aspta.org.br/2018/05/18/alimentos-de-verdade-chegam-as-escolas-da-zona-oeste-do-rio-de-janeiro/ http://aspta.org.br/2018/05/18/alimentos-de-verdade-chegam-as-escolas-da-zona-oeste-do-rio-de-janeiro/#respond Fri, 18 May 2018 16:31:37 +0000 http://aspta.org.br/?p=15867 Leia mais]]> Na cidade do Rio de Janeiro, as escolas da oitava Coordenadoria Regional de Educação (CRE), na zona oeste, estão promovendo uma ação inovadora ao fomentar a aquisição de alimentos da agricultura tradicional da cidade do Rio de Janeiro por meio do Programa Aquisição de Alimentos (PAA). As escolas de Realengo vêm adquirindo caqui e banana agroecológicos dos agricultores e agricultoras organizados na Associação dos Agricultores Orgânicos da Pedra Branca (Agroprata).

Rita Caseiro é presidente da Agroprata e conta sobre a importância do caqui para a região: “O caqui é um fruto importante para a economia não só para os produtores, mas também para toda uma rede de moradores, responsáveis desde a colheita, o encaixotamento até o transporte para as feiras, mercados locais, e agora, para as escolas”. Segundo ela é na época do caqui, que os agricultores recebem o “décimo terceiro”, demonstrando a importância econômica do fruto para a região.

O caqui faz parte da tradição local, as primeiras mudas foram trazidas no inicio do século XX, pelo português Tiago dos Santos e logo foram distribuídas entre os agricultores do Maciço; hoje estão entre os maiores produtores do estado. E para comemorar e valorizar o trabalho dos agricultores e agricultoras, dois eventos fazem parte da agenda: o Tira Caqui e a Festa do Caqui, que contam com a exposição dos produtos, música e gastronomia local.

A produção familiar agroecológica também enfrenta muitos desafios. Mesmo estando dentro do município do Rio de Janeiro, que é considerado 100% urbano pelos planos de desenvolvimento da cidade, as roças existem e estão localizadas em áreas distantes, em terrenos bem acidentados e os caquizeiros são muito altos, o que dificulta a colheita e coloca riscos de acidentes. Antônio Cardoso Paiva, Alberto Carlos Macedo e Jorge Fernandes Pereira, agricultores que realizaram a venda de caqui para as escolas, contam como se dá o trabalho: “Para colheita subo no pé com um balde, desço, coloco na caixa, subo de novo; é assim, né? Depois então, a gente coloca a caixa no burrico e desce até a sede da associação”. Antônio Cardoso ainda acrescenta que demora até 2 horas para ir do seu sítio até a associação.

Na sede da Agroprata o caqui é levado para as estufas, sendo colocado para maturar de forma natural sem o uso de carbureto, como ressaltam Antônio, Alberto e Jorge. Quando atinge o ponto, os frutos são embalados colocando “estrela com estrela” para não estragar.

Além de todos esses desafios para a produção, colheita, beneficiamento e transporte, os agricultores precisam enfrentar a dificuldade de obtenção do Declaração de Aptidão ao PRONAF (DAP), documento requerido para as vendas institucionais. Aos poucos os agricultores da Agroprata vão organizando suas DAPs, com muito apoio e envolvimento da Rede Carioca de Agricultura Urbana, transformando essa luta num momento importante de aprendizado coletivo. Agora o desafio é a organização de uma DAP jurídica para facilitar as vendas institucionais.

Para Rita Caseiro, a entrega da alimentação escolar é importante para a história dos produtores, para a sua permanência no campo e para o reconhecimento da sociedade sobre a importância dessa agricultura que passa por invisível para os gestores públicos: “Acreditamos que a venda dos produtos do Maciço para as escolas da região é uma oportunidade de garantirmos o conhecimento de que dentro do parque, a maior floresta urbana do mundo, se produz alimento; um alimento saudável, um alimento de qualidade e que está chegando à mesa dos alunos! Queremos que os alunos também conheçam a história desses alimentos, como esse produto chegou lá, que ele não caiu da torneira, não chegou da caixinha, mas que é um alimento que tem história, uma história de luta, a história de perseverança que cada agricultor aqui são os reais preservadores dessa região.”

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Sementes da Paixão e as Políticas Públicas de Distribuição de Sementes na Paraíba http://aspta.org.br/2013/10/11/sementes-da-paixao-e-as-politicas-publicas-de-distribuicao-de-sementes-na-paraiba/ http://aspta.org.br/2013/10/11/sementes-da-paixao-e-as-politicas-publicas-de-distribuicao-de-sementes-na-paraiba/#respond Fri, 11 Oct 2013 01:26:16 +0000 http://aspta.org.br/?p=7870 semente paixãoDissertação de Mestrado em Práticas em Desenvolvimento Sustentável de Flávia Londres.
Instituto de Florestas, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, 2013.

A diversidade de espécies e variedades de plantas tradicionalmente cultivadas por agricultores familiares é de enorme importância tanto para o atendimento de diferentes necessidades e usos pelas comunidades rurais, como para a diminuição da vulnerabilidade das lavouras diante de intempéries climáticas, pragas e doenças. Entretanto, ao passo que estratégias coletivas de gestão dos recursos genéticos locais e conhecimento associado têm se mostrado importantes ferramentas para a chamada conservação on farm dessa diversidade, poucos são os exemplos concretos de políticas públicas que as reconheçam e valorizem. A presente pesquisa teve como objetivo avaliar as diferentes políticas de distribuição de sementes executadas na Paraíba à luz das dinâmicas de funcionamento e dos princípios que regem a experiência da Rede de Sementes da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA-PB) envolvendo resgate, conservação, multiplicação e uso de sementes crioulas. Foram descritas e analisadas as ações desenvolvidas no âmbito do PAA – Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), operacionalizado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), do Programa de Sementes para a Agricultura Familiar, executado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) entre 2006 e 2010, do Plano Brasil Sem Miséria, executado pelo MDA e pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) desde 2011, bem como do Programa de Distribuição de Sementes do Governo Estadual da Paraíba. Ao final da pesquisa é apresentado um conjunto de recomendações visando contribuir para o aprimoramento das políticas, programas e ações que têm como objetivo a garantia do abastecimento do público da agricultura familiar com sementes adaptadas e de qualidade.

Sementes da Paixão e as Políticas Públicas de Distribuição de Sementes na Paraíba

 

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Carta aberta ao Governo e à Sociedade Brasileira sobre o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) http://aspta.org.br/2013/10/01/carta-aberta-ao-governo-e-a-sociedade-brasileira-sobre-o-programa-de-aquisicao-de-alimentos-paa-e-a-companhia-nacional-de-abastecimento-conab/ http://aspta.org.br/2013/10/01/carta-aberta-ao-governo-e-a-sociedade-brasileira-sobre-o-programa-de-aquisicao-de-alimentos-paa-e-a-companhia-nacional-de-abastecimento-conab/#respond Tue, 01 Oct 2013 14:21:48 +0000 http://aspta.org.br/?p=7739 Leia mais]]> O Brasil tem realizado, nos últimos anos, avanços significativos na promoção da segurança alimentar e nutricional (SAN) e na realização do direito humano à alimentação, com a superação da situação de pobreza e miséria de milhões de famílias e o fortalecimento da agricultura familiar.

O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) tem sido fundamental para a concretização destes avanços. O programa, que envolve vários ministérios, visa garantir a oferta de alimentos da agricultura familiar para grupos sociais em situação de insegurança alimentar, fortalecendo a agricultura familiar, povos e comunidades tradicionais, e garantindo o acesso a alimentos de qualidade para as pessoas mais pobres.

Graças ao seu sucesso no Brasil, comprovado por muitos estudos independentes e por muitos documentos de organizações beneficiárias, o PAA é reconhecido internacionalmente, e é referência para diversos programas similares em outros países, da América Latina e da África.

Atualmente o programa adquire alimentos de mais de 185 mil agricultores familiares, beneficiando 19.681 entidades recebedoras dos alimentos, com a distribuição de 529 mil toneladas de alimentos por ano. O PAA já beneficiou, ao longo dos seus 10 anos, 2.352 municípios em todos os estados do Brasil. A Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), através da Diretoria de Política Agrícola e Informações, dirigida por Silvio Porto, tem cumprido papel determinante na efetivação do programa.

Recentemente a Polícia Federal deflagrou a operação denominada de “agrofantasma”, que investiga supostas irregularidades e desvios de recursos no programa. Tal operação chamou a atenção pelo aparato policial utilizado e pela repercussão desproporcional do fato nos meios de comunicação. Tal operação resultou na detenção de 10 agricultores e do funcionário da Conab no Paraná, Valmor Bordin, bem como no indiciamento policial do Diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Silvio Porto.

Os movimentos sociais e organizações da sociedade civil aqui representados repudiam os procedimentos utilizados, bem como a forma distorcida e pouco clara que as informações sobre a operação foram divulgadas por grande parte dos meios de comunicação. Vale destacar que mesmo o processo correndo em sigilo, alguns meios de comunicação contavam com informações privilegiadas no dia da realização da operação policial. Os procedimentos da operação policial e sua divulgação contribuem para criminalizar as organizações da agricultura familiar e deslocam a atenção da sociedade da necessária apuração de irregularidades na execução do programa para um tratamento meramente policial de um programa fundamental para a realização do direito humano à alimentação. É importante salientar que estes mesmos canais de comunicação divulgam muito pouco ou quase nada os resultados positivos do programa em todas as regiões do Brasil.

O PAA é implementado há 10 anos, ao longo dos quais foram criados e aprimorados mecanismos de gestão e controle social do programa. Sua execução é acompanhada por centenas de conselhos municipais e estaduais de segurança alimentar e nutricional, assistência social e desenvolvimento rural. A busca pela transparência e pela responsabilidade no trato do recurso público tem sido permanente nos espaços de gestão e acompanhamento do programa, seja no seu Grupo Gestor, Comitê Consultivo, ou no Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Este aprimoramento tem se orientado pela transparência e pela busca da adequação de seus procedimentos à realidade da agricultura familiar e povos e comunidades tradicionais, segmentos da população que, embora responsáveis pela maior parte dos alimentos consumidos pela população brasileira, foram historicamente excluídos das políticas agrícolas.

Defendemos a apuração de toda e qualquer irregularidade, da mesma forma que defendemos o amplo direito à defesa das pessoas que se encontram detidas e indiciadas. Manifestamos nosso repúdio à forma como a ação policial foi realizada, efetivando detenções de agricultores e funcionários da Conab que vinham colaborando com as investigações.

Os movimentos sociais e as organizações aqui representadas reafirmam a relevância do Programa de Aquisição de Alimentos e exigem sua continuidade e ampliação, nos marcos que vem sendo discutidos em suas instâncias de gestão e controle social. Reafirmamos a importância da Conab como órgão executor do PAA e o nosso reconhecimento e plena confiança no seu Diretor de Política Agrícola e Informações, Silvio Porto, gestor público reconhecido pela sua ética e retidão no exercício da função pública e dotado de uma história de vida pública na área do abastecimento e segurança alimentar e nutricional que lhe confere idoneidade e capacidade técnica e gerencial para a implementação e gestão do PAA. Repudiamos as tentativas de “linchamento” político dos gestores públicos da Conab e de lideranças de organizações beneficiárias.

 

Assinam:

AARJ – Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro

ABRA – Associação Brasileira de Reforma Agrária

ACTIONAID Brasil

ANA – Articulação Nacional de Agroecologia

ANA – Amazônia

ANC – Associação de Agricultura Natural de Campinas e Região

AOPA – Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia

APTA – Associação de Programas em Tecnologias Alternativas

ASA – Articulação Semiárido Brasileiro

AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia

ASSOCIAÇÃO AGROECOLÓGICA TIJUPÁ

CÁRITAS Brasileira

CAA – Centro de Agricultura Alternativa do Norte de MG

CENTRO ECOLÓGICO

CONAQ – Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq)

CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadores na Agricultura

CNS – Conselho Nacional das Populações Extrativistas

CPT – Comissão Pastoral da Terra

ECONATIVA – Cooperativa Regional de Produtores Ecologistas do Litoral Norte

do RS e Sul de SC

FASE – Federação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional

FBSSAN – Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional

FEAB – Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil

FESANS-RS – Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável do Rio Grande do Sul

FETRAF – Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar

Fórum de Segurança Alimentar e Nutricional do Paraná

FOSAN-ES – Fórum de Segurança Alimentar e Nutricional do Espírito Santo

GESAN – Grupo de Estudos em Segurança Alimentar e Nutricional

IBASE – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas

MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens

MCP – Movimento Camponês Popular

MMC – Movimento de Mulheres Camponesas

MPA – Movimento dos Pequenos Agricultores

MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

PESACRE – Grupo de Pesquisa e Extensão em Sistemas Agroflorestais do Acre

Rede de Mulheres Negras pela Segurança Alimentar e Nutricional

REDE ECOVIDA DE AGROECOLOGIA

SASOP – Serviço de Assessoria às Organizações Populares Rurais

UNICAFES – União Nacional de Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária

VIA CAMPESINA

CTA-ZM – Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata

ITAVALE – Instituto dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Vale do Jequitinhonha

Caritas Brasileira Regional MG

Cáritas Diocesana de Leopoldina

Rede de Intercambio de Tecnologias Alternativas

Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas

AMEFA – Associação Mineira das Escolas Família Agrícola

AMA – Articulação Mineira de Agroecologia

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Dia de Campo avalia campos de multiplicação de sementes crioulas em Palmeira-PR http://aspta.org.br/2013/02/03/dia-de-campo-avalia-campos-de-multiplicacao-de-sementes-crioulas-em-palmeira-pr/ http://aspta.org.br/2013/02/03/dia-de-campo-avalia-campos-de-multiplicacao-de-sementes-crioulas-em-palmeira-pr/#respond Sun, 03 Feb 2013 20:50:11 +0000 http://aspta.org.br/?p=6168 Leia mais]]> Como enfrentamento ao forte monopólio existente entorno das sementes, grupos de agricultores familiares do centro-sul do Paraná vêm se organizando para juntos desenvolverem soluções e garantir sua autonomia. Um exemplo de luta é a Cooperativa de Agricultores Familiares de Palmeira (CAFPAL) que esta buscando motivar e incentivar a produção de sementes crioulas, em especial de milho. Foi para discutir sobre métodos de cultivo e multiplicação de sementes que, no final de janeiro, mais de 50 agricultores e agricultoras estiveram reunidos na comunidade do Paiol do Fundo, em Palmeira-PR.

Inicialmente, o grupo fez um debate sobre seus campos de multiplicação e os caminhos para acessar o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) para doação simultânea da Conab. Em seguida, visitaram três campos de multiplicação de sementes crioulas de milho em produção.

Nos 2 primeiros, puderam debater sobre o manejo do sistema produtivo comparando as vantagens econômicas e ecológicas daquele produzido agroecologicamente com o outro, um campo convencional. Na oportunidade, foi ainda realizada uma prática sobre raleamento do campo. Essa técnica consiste na retirada das plantas mais fracas e deixando um espaçamento coerente ao sistema e a variedade que se esta multiplicando. O raleamento permite ainda o desenvolvimento mais homogêneo do campo de multiplicação.

Já no terceiro campo, observou-se e tratou-se sobre o isolamento para fugir do risco de contaminação com outras variedades e, em especial, aquelas transgênicas. Nesse campo, os agricultores e agricultoras também realizaram uma prática de seleção massal simples. Essa prática geralmente ocorre 40 dias após o florescimento do milho e permite selecionar características fenotípicas da variedade que são de interesse das famílias agricultoras.

Esse encontro também contou com a presença de representantes do Departamento Municipal de Agricultura de Palmeira, Associações de Terras Indígenas do Norte Paranaense, Sindicatos dos trabalhadores Rurais de Palmeira e São João do Triunfo, instituições que serão beneficiadas com o programa e estarão distribuindo sementes crioulas de milho a seus sócios.

 

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Programa Contestado elabora vídeos sobre produção de sementes crioulas para o PAA http://aspta.org.br/2012/09/28/programa-contestado-elabora-videos-sobre-producao-de-sementes-crioulas-para-o-paa/ http://aspta.org.br/2012/09/28/programa-contestado-elabora-videos-sobre-producao-de-sementes-crioulas-para-o-paa/#respond Fri, 28 Sep 2012 18:37:01 +0000 http://aspta.org.br/?p=5737 Durante os anos de 2011 e 2012, agricultores e agricultoras do Centro-Sul do Paraná e do Planalto Norte de Santa Catarina se organizaram para produzir sementes crioulas em antendimento à chamada do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Conab. O resultado desse trabalho foi:

  • 10 Famílias beneficiadas com a venda de sementes;
    67 toneladas de sementes distribuídas na região;
    R$251.400,00 montante dos projetos;
    Distribuídas 14 variedades de milho crioulo;
    Mais de 2000 famílias da região foram beneficiadas com distribuição destas sementes.

Abaixo, três vídeos sobre essa iniciativa. Esses vídeos estão concorrendo ao Concurso lançado pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e pela Política de Garantia de Preços Mínimos para Produtos da Sóciobiodiversidade (PGPM-Bio), ambos operados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Vídeo 01

http://www.youtube.com/watch?v=SnA3KEbZsWo

 

Vídeo 02

http://www.youtube.com/watch?v=3LBw6CAnfuc

 

Vídeo 03

http://www.youtube.com/watch?v=9YEYIePBsVg

 

 

 

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Agricultores do Paraná lançam campanha “Plante Sementes Crioulas” durante a V Feira de Sementes de São João do Triunfo (PR) http://aspta.org.br/2012/08/31/agricultores-do-parana-lancam-campanha-plante-sementes-crioulas-durante-a-v-feira-de-sementes-de-sao-joao-do-triunfo-pr/ http://aspta.org.br/2012/08/31/agricultores-do-parana-lancam-campanha-plante-sementes-crioulas-durante-a-v-feira-de-sementes-de-sao-joao-do-triunfo-pr/#respond Fri, 31 Aug 2012 19:45:22 +0000 http://aspta.org.br/?p=5629 Leia mais]]> Mais de 1500 pessoas, de 23 municípios do Paraná e Santa Catarina, se reuniram na comunidade de Pinhalzinho, em São João do Triunfo (PR) para realizar a V Feira de Sementes Crioulas e da Biodiversidade. Na feira, foram expostas diversas espécies de milho, feijão, arroz, hortaliças, adubação verde entre outras, selecionadas e guardadas pelas famílias agricultoras. Também podiam-se encontrar artesanatos, mudas de flores, de árvores frutíferas, conservas e compotas, mostrando a riqueza da biodiversidade que existe na cultura e tradição das famílias.

Durante a feira de sementes, foi oficializada a distribuição das sementes crioulas de milho, produzidas pelas famílias e comercializadas por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Durante a cerimônia de distribuição das sementes, foi lançada a campanha “Plante Sementes Crioulas”. A campanha que visa incentivar o plantio e a multiplicação das sementes crioulas é animada pelos sindicatos de trabalhadores rurais presentes, as escolas da região, e inúmeras associações comunitárias e ONG´s que trabalham com a agroecologia no estado.

No lançamento, Nelson Dias da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São João do Triunfo, falou sobre a importância das variedades crioulas de milho para a autonomia das famílias. Lembrou ainda da importância do PAA como alternativa de geração de renda para as famílias agricultoras que produzem as sementes crioulas com qualidade e também ressaltou a importância do programa para fortalecer a ampliação da prática do plantio das sementes locais por outras famílias.

Durante o lançamento da campanha, Fernando Stefanski, agricultor da comunidade da Terra Vermelha, de São Mateus do Sul, lembrou o fato de que todas as sementes que estavam sendo distribuídas passaram por teste de transgenia, para se ter a comprovação de que não estavam contaminadas pelas sementes convencionais vendidas pelas empresas. “Assim garantimos que as sementes crioulas são puras, e mais, além de serem produzidas sementes para a nossa autonomia, elas podem também se tornar alimentos como o fubá, farinha e quirera, podendo além de alimentar nossa família, serem comercializados para os programas do governo, como a merenda escolar, por exemplo”, e encerra afirmando “nós agricultores produzimos alimentos saudáveis e não produtos”.

O presidente da Cooperativa de São Mateus do Sul (Cofaeco), Benedito Padilha Pedro, encerrou o lançamento da campanha comentando como os projetos de venda de sementes para a Conab, além de beneficiar as famílias agricultoras incentivando a manutenção da diversidade e a riqueza das sementes crioulas, também vem fortalecendo as cooperativas no seu empenho em beneficiar novas famílias agricultoras.

No dia 02 de setembro, acontecerá a Feira de Sementes crioulas e da Biodiversidade em Rio Azul (PR), onde a campanha “Plante Sementes Crioulas” promoverá novas atividades.

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Lançamento da distribuição de sementes crioulas no Paraná http://aspta.org.br/2012/08/20/lancamento-da-distribuicao-de-sementes-crioulas-no-parana-2/ http://aspta.org.br/2012/08/20/lancamento-da-distribuicao-de-sementes-crioulas-no-parana-2/#respond Mon, 20 Aug 2012 14:22:31 +0000 http://aspta.org.br/?p=5602 Leia mais]]> No dia 19 de agosto, durante a V Feira Municipal de Sementes Crioulas e da Biodiversidade do Município de São João do Triunfo (PR), foi realizado o lançamento oficial da distribuição das sementes crioulas produzidas para o Projeto de Compra de Sementes para Doação Simultânea (PAA/Conab). Para cerimônia, reuniram-se na comunidade de Pinhalzinho os agricultores e agricultoras produtores de sementes, agricultores e agricultoras beneficiários, autoridades locais e regionais, além de representantes da Companhia Nacional de Abastecimento(Conab) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Cada família beneficiária receberá 20 quilos de sementes da variedade de sua preferência com o compromisso de multiplicar para que garanta autonomia para os novos plantios.

Desde o dia 15 de agosto, os grupos de agricultores familiares da Comunidade de Guaica Preta do município de São João do Triunfo se reuniram para preparar, classificar e embalar mais de 6 mil quilos de sementes crioulas de milho.

Essa iniciativa faz parte do Projeto desenvolvido pelos agricultores ligados à Cooperativa de Agricultores Familiares Ecológicos de São Mateus (Cofaeco) e à Cooperativa de Agricultores Familiares de Palmeira (Cafpal) para o PAA modalidade Doação Simultânea Safra 2011/2012 da Conab. Por meio desse projeto serão distribuídas, em 7 municípios, 67 toneladas de sementes de 16 variedades de milho. Mais uma vez, esse Programa vem garantir a valorização e a conservação do patrimônio genético local ao disponibilizar sementes adaptadas à região.

A partir do dia 20 de agosto, as sementes estarão disponíveis para entrega nos sindicatos de cada município: Ponta Grossa, Palmeira, Teixeira Soares, Fernandes Pinheiro, São João do Triunfo São Mateus do Sul, Antônio Olinto, Rio Azul, Cruz Machado, no Paraná e em Santa Cataria, Irineópolis, e Bela Vista do Toldo.

 

 

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Agricultores e gestores em busca de mudanças nas Políticas Públicas sobre Sementes http://aspta.org.br/2012/08/06/agricultores-e-gestores-em-busca-de-mudancas-nas-politicas-publicas-sobre-sementes/ http://aspta.org.br/2012/08/06/agricultores-e-gestores-em-busca-de-mudancas-nas-politicas-publicas-sobre-sementes/#respond Mon, 06 Aug 2012 21:02:46 +0000 http://aspta.org.br/?p=5573 Leia mais]]> As sementes crioulas, sugestivamente chamadas na Paraíba de Sementes da Paixão, são aquelas melhoradas e conservadas pelas famílias agricultoras ao longo de séculos, adaptadas às suas condições de solo e clima, às suas práticas de manejo e preferências culturais. Historicamente, as comunidades agrícolas têm sido responsáveis pela conservação de uma riquíssima diversidade de espécies e variedades, adaptadas aos mais diferentes usos e necessidades. Essa diversidade faz parte da estratégia produtiva desses agricultores: elas fornecem alternativas de alimentos, forragem, fibras e remédios ao longo do ano, entre outras vantagens, enriquecendo a dieta e diversificando as possibilidades de obtenção de renda. Essa riqueza também está relacionada aos diferentes usos (alimentação, forragem, comércio, preparação de comidas típicas etc.) e características de interesse (duração do ciclo, resistência à seca ou à umidade excessiva etc.). Assim como a diversidade de espécies, a diversidade genética dentro de uma mesma espécie é de enorme importância para diminuir a vulnerabilidade dos agricultores: se numa lavoura existirem diversas variedades de feijão, por exemplo, dificilmente uma doença, praga ou extremo climático dizimará todas.

Apesar dessa enorme importância, ao longo das últimas décadas a legislação e as políticas públicas caminharam no sentido de colocar essa riqueza em risco. Até bem pouco tempo, as sementes crioulas sequer eram reconhecidas pela legislação brasileira: eram consideradas “grãos”, e não sementes, e ficavam excluídas de todas as políticas. Com a aprovação da nova Lei de Sementes (10.711), em 2003, as sementes crioulas passaram a ser oficialmente reconhecidas e ficou vedada sua exclusão de programas de financiamento ou de programas públicos de distribuição ou troca de sementes destinados a agricultores familiares. Essa mudança permitiu avanços importantes no trabalho de resgate, conservação e uso de sementes crioulas em muitas regiões do Brasil, mas algumas dificuldades permanecem.

Um dos fatores que estão na raiz desse problema é a dificuldade que têm os órgãos governamentais, bem como as instituições de pesquisa e ensino, de reconhecer a qualidade do material genético melhorado e manejado pelos agricultores familiares. A ideia de que as sementes de variedades crioulas são “grãos”, que têm baixa germinação e que não são produtivas permanece arraigada entre os formuladores de políticas públicas, apesar das inúmeras demonstrações em contrário vindas de comunidades rurais de todas as regiões do Brasil.

Para comprovar cientificamente a importância das variedades crioulas para a agricultura familiar do semiárido, a Rede de Sementes da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA-PB), buscou apoio da Embrapa Tabuleiros Costeiros. Com recursos do CNPq, foram realizados, por três anos, ensaios de competição entre três sementes de variedades “comerciais” (duas das quais distribuídas pelo governo na região) e outras cerca de 20 variedades crioulas escolhidas pelos agricultores vinculados à rede. Esses ensaios comprovaram a qualidade – e em vários casos a superioridade – das sementes crioulas para os ambientes onde foram cultivadas (leia mais sobre a pesquisa no Boletim 587 da AS-PTA).

Demonstrada a qualidade das sementes crioulas, resta o desafio de influenciar a formulação e execução de políticas públicas, para que elas promovam a conservação da agrobiodiversidade em benefício da agricultura familiar.

Um dos grandes exemplos de política a ser revista é o Programa Brasil Sem Miséria que, em vez de apoiar o trabalho das organizações locais para a conservação e multiplicação de sementes crioulas para distribuição aos agricultores da região semiárida em situação de vulnerabilidade, tem promovido a distribuição de apenas uma ou duas variedades de sementes comerciais desenvolvidas pela Embrapa – o que perpetua a relação de dependência desses agricultores às sementes vindas “de fora”, não produz bons resultados na produção e acaba contribuindo para o desaparecimento das variedades locais.

No sentido oposto, uma política inovadora operacionalizada pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento / Ministério da Agricultura), o PAA – Programa de Aquisição de Alimentos, tem, desde 2003, comprado semente crioulas de agricultores familiares para doação a Bancos de Sementes Comunitários, possibilitando o acesso a sementes de qualidade e adaptadas às respectivas regiões de cultivo, numa estratégia de fortalecimento dos estoques dos Bancos Comunitários e da promoção da autonomia dos agricultores em relação a este insumo.

Justamente com o objetivo de debater essas questões e avançar no diálogo entre os órgãos de governo, instituições de pesquisa, organizações de agricultores familiares e sociedade civil, foi realizada na última semana, no interior da Paraíba, uma Oficina de Trabalho intitulada “Interação de políticas públicas com iniciativas de gestão comunitária de sementes locais protagonizadas por redes da sociedade civil no semiárido brasileiro”.

A primeira parte desse encontro aconteceu no escritório da AS-PTA, no município de Esperança (PB), na manhã de 26 de julho, quando representantes de diversos estados articulados pela ASA Brasil (Articulação no Semiárido Brasileiro), do Polo Sindical e das Organizações da Agricultura Familiar da Borborema, do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR), da AS-PTA e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) apresentaram a pesquisadores da Embrapa, representantes da Conab e da Secretaria da Agricultura Familiar da PB os princípios e o funcionamento da gestão comunitária de sementes locais por redes da sociedade civil no semiárido. As interfaces positivas e negativas dessas experiências com as políticas públicas também foram debatidas.

Antônio Barbosa, da ASA Brasil e coordenador do P1+2, , ressaltou o papel de sua organização na sistematização de práticas dos agricultores: “As cisternas já existiam, nosso desafio foi sistematizá-las e transformá-las em política pública. O P1+2 vem nessa mesma caminhada. Beber tem a ver com plantar e criar, e plantar e criar têm a ver com sementes. E há práticas históricas dos agricultores com sementes que precisam ser fortalecidas e valorizadas. A ASA Brasil já disponibilizou, no âmbito do P1+2, R$ 252 mil para apoiar a infraestrutura de 126 bancos de sementes comunitários, com a compra de equipamentos como balança, silos, entre outros, além de capacitações sobre a gestão comunitária das casas e bancos de sementes. Está também negociando com a Conab o apoio à criação de mais 1.300 outros Bancos”. Barbosa alertou ainda para a necessidade de uma ação emergencial, neste momento de seca, para apoiar os Bancos de Sementes que já existem, mas que possa ser ampliada para comunidades que ainda não têm a prática de resgatar e guardar sementes coletivamente.

Nelson Ferreira, do Polo da Borborema, destacou a importância dos mercados para a conservação das sementes: “todas as feiras livres têm uma relação com a agricultura familiar e têm fornecedores de sementes, do gosto e do domínio dos agricultores”.

Adilma Pereira, assentada da reforma agrária em Remígio – PB, criticou a distribuição de sementes efetuada pelo Programa Brasil Sem Miséria: “Se esse programa continuar, as pessoas vão criar dependência e perder a capacidade de selecionar e guardar suas sementes, e só depois vão perceber o prejuízo da perda da diversidade de sementes locais. No futuro, se variar muito, vão ter três variedades pra plantar”. E lançou o desafio: “A pesquisa mostrou que nossas sementes são boas, e são elas que nós queremos. Gostaria então de entender por que o governo não quer apoiar nosso trabalho”.

Euzébio Cavalcanti, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remígio – PB, observou que a semente, que nasceu com a agricultura, deixou de ser livre quando entrou o mercado – mas que, apesar de todas as políticas que foram implementadas para acabar com as sementes crioulas, elas estão aí, foram escondidas e conservadas pelos seus guardiões. “A política – inclusive a política de Ater (Assistência Técnica e Extensão Rural) – deve ser repensada. Os gestores ficam muito presos ao que diz a lei. Mas a política deve ser pensada a partir da lata onde o agricultor guarda a semente, e não a partir da lei”.

Gizelda Beserra, uma das coordenadoras do Polo da Borborema, lembrou como o trabalho realizado em parceria com a Conab contribuiu para os agricultores diversificarem seus roçados, além de garantir a venda direta, evitando que os agricultores entreguem seus produtos a atravessadores. “O governo precisa reconhecer nossa capacidade de desenvolver esse trabalho, e nós devemos também reconhecer as boas experiências com o governo”, afirmou.

Silvio Porto, Diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, advertiu para o risco de a lógica do PAA migrar da perspectiva coletiva para a individual, o que é favorecido pelo mecanismo de Chamada Pública que foi experimentado no final de 2011 para a compra pública de sementes da agricultura familiar. Para ele essa questão é de grande relevância e deve ser debatida no âmbito do Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional). Silvio reforçou o interesse da Conab em continuar atuando no tema das sementes na perspectiva do fortalecimento do trabalho em rede, utilizando a política como ferramenta para fortalecer as estratégias que já existem.

O pesquisador Altair Toledo Machado, da Embrapa Cerrados, observou que o tema das sementes é difícil de ser tratado com os pesquisadores, pois envolve a questão da propriedade intelectual. Ele sugere a criação de uma rede de pesquisa participativa em agrobiodiversidade, argumentando que a pesquisa deve ser descentralizada, realizada com os agricultores. Diante do risco da perda de variedades e de conhecimentos associados, Altair defendeu também a criação de um programa de pesquisa em agrobiodiversidade.

Fechando essa primeira rodada de discussão, Waldyr Stumpf, Diretor-Executivo de Transferência de Tecnologia da Embrapa, relatou como está sendo planejado o trabalho da Embrapa no âmbito do Programa Brasil Sem Miséria para os anos 2013 e 2014: junto com o serviço de Assistência Técnica, estão sendo mapeadas as demandas das comunidades rurais indicadas pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), que estão localizadas em 14 territórios. De acordo com as demandas identificadas, serão instaladas em cada um desses territórios 10 Unidades de Aprendizagem. Segundo Waldyr, há aí um espaço para se trabalhar com sementes locais. Haverá também três programas transversais, um ligado à água, que pode abranger a questão agroecológica, um sobre alimentos biofortificados através de melhoramento genético convencional, para combater deficiências nutricionais, e um sobre biofertilizantes.

Waldyr declarou que, além de todas essas ações, a participação da Embrapa no fornecimento de sementes para distribuição no Programa Brasil Sem Miséria também será mantida. Entretanto, ele defendeu a criação de um projeto em parceria com a sociedade civil para apoiar o trabalho com sementes que já vem sendo realizado. Ele ressaltou que o Brasil Sem Miséria busca atender 4 milhões de famílias e que é preciso pensar em como incorporar esse público nesse processo. “É um desafio ter sementes para atender esse contingente”, disse ele.

Na tarde do dia 26 de julho todos os participantes do encontro deslocaram-se para Assentamento Queimadas, na localidade de Lagoa do Jogo, município de Remígio – PB, onde agricultores familiares apresentaram o trabalho realizado no Banco de Sementes Comunitário desde 2003 e como os agricultores associados ao Banco conquistaram sua autonomia, não precisando mais se preocupar em comprar sementes na feira na hora de plantar. “Quando o Banco foi criado, foram trazidas sementes e conhecimentos de vários lugares”, relataram. Ressaltaram também a diversidade de sementes que existe nos bancos familiares, que também são estimulados, bem como os métodos naturais para o armazenamento das sementes (com cinza, pimenta do reino e casca de laranja), que no passado eram desacreditados e agora tiveram sua eficácia comprovada pela pesquisa realizada em parceria com a Universidade Federal da Paraíba (Campus Bananeiras).

Os agricultores também chamaram atenção para a qualidade de suas sementes. “Temos uma variedade de feijão que produz bem mesmo se não chover. Já a semente do governo cresce bem, mas na hora de colher não dá vagem”, declarou seu Paulo, presidente do Banco de Sementes Comunitário da Comunidade de Lagoa do Jogo. E indagaram: “Por que as políticas não chegam em um local e debatem com a comunidade, para saber quais sementes têm se dado bem naquele local? Porque da maneira como é feita essa distribuição, com uma variedade de fora, não funciona.”

Alguns agricultores relataram que beneficiários do Bolsa Família foram obrigados a receber as sementes do Programa Brasil Sem Miséria para ter acesso ao Seguro Safra, mas que não as plantaram. Alguns sindicatos também receberam as sementes do governo, mas não as distribuíram, pois não concordavam com a política. “A semente ficou lá, sendo consumida pelo gorgulho num pé de parede. Era preciso avaliar o quanto o governo gastou com essa política e que foi dinheiro jogado no lixo”, protestou Euzébio Cavalcanti. A agricultora Rosimari Alves, uma das Coordenadoras do Coletivo Regional Cariri e Seridó, reforçou: “Nós não usamos essa semente nem para dar aos animais, porque ela é tingida com agrotóxicos, então fica ali se estragando”.

A Oficina teve continuidade no dia 27 de julho no município de Lago Seca – PB, com o objetivo de aprofundar a discussão e elaborar propostas de medidas concretas para ampliar a escala das dinâmicas comunitárias de gestão de sementes locais.

Em primeiro lugar, foram sintetizados os princípios técnicos (relativos à diversidade, qualidade, quantidade, especificidade), sociais/organizativos (solidariedade, reciprocidade, parceria, ação em rede, papel dos guardiões), culturais (identidade, paixão, patrimônio), políticos (resistência, autonomia, livre uso, luta, empoderamento) e econômicos (segurança e soberania alimentar, mercados) que deveriam reger as políticas sobre sementes para a agricultura familiar, de acordo com o trabalho que já vem sendo realizado pelas organizações da sociedade civil. Falou-se também no papel da pesquisa para este campo, que envolve o reconhecimento oficial das sementes crioulas, a função pedagógica (e de conhecimento sobre a diversidade), a participação e a descentralização.

Sugeriu-se buscar envolver também o Incra nessa discussão, que não participou do encontro devido à muito recente mudança em sua presidência. Chamou-se a atenção para a proposição de mudanças nos planos de trabalho de Ater e de Ates , que dizem ter o eixo agroecológico, mas que ainda são fragmentados e individualizados.

Recomendou-se ainda identificar as dinâmicas que atendem aos princípios acima descritos, priorizar o seu fortalecimento através das políticas públicas como o PAA e buscar articulá-las com vistas à formação de uma rede nacional capaz de elaborar e propor a criação de um programa nacional de sementes.

A integração da ação de comercialização coordenada pela Conab com a pesquisa da Embrapa também foi apontada como estratégica, assim como a negociação, junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), para que viabilize a publicação de editais do CNPq para pesquisas com sementes crioulas.

Por fim, como encaminhamento concreto, foi proposta a criação de um grupo executivo, com representantes da Conab, da Embrapa, da ASA, da ANA (Articulação Nacional de Agroecologia), se possível também do Incra, entre outras organizações, que deverá começar a se reunir em breve para avançar na formulação de propostas concretas de adequação e criação de políticas e instrumentos voltadas para o fortalecimento das estratégias comunitárias de gestão dos recursos da agrobiodiversidade.

Flávia Londres
Consultora da AS-PTA

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Compra e distribuição de sementes crioulas http://aspta.org.br/2012/08/01/compra-e-distribuicao-de-sementes-crioulas/ http://aspta.org.br/2012/08/01/compra-e-distribuicao-de-sementes-crioulas/#comments Wed, 01 Aug 2012 22:42:48 +0000 http://aspta.org.br/?p=5554 Leia mais]]> Durante os anos de 2011 e 2012, agricultores e agricultoras do Centro-Sul do Paraná e do Planalto Norte de Santa Catarina se organizaram para produzir sementes crioulas em antendimento à chamada do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Conab. O resultado desse trabalho foi:

 

  • 10 Famílias beneficiadas com a venda de sementes;
  • 67 toneladas de sementes distribuídas na região;
  • R$251.400,00 montante dos projetos;
  • Distribuídas 14 variedades de milho crioulo;
  • Mais de 2000 famílias da região foram beneficiadas com distribuição destas sementes.

 

Assista no slide-show a síntese desses dois anos de trabalho.

 

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