produção agroecológica – AS-PTA http://aspta.org.br Mon, 09 Nov 2020 14:15:56 +0000 pt-BR hourly 1 Batata agroecológica gera oportunidades para famílias agricultoras da Borborema http://aspta.org.br/2011/08/23/batata-agroecologica-gera-oportunidades-para-familias-agricultoras-da-borborema/ http://aspta.org.br/2011/08/23/batata-agroecologica-gera-oportunidades-para-familias-agricultoras-da-borborema/#respond Tue, 23 Aug 2011 19:51:02 +0000 http://aspta.org.br/?p=4609 Leia mais]]> Entre os dias 29 de agosto e 02 de setembro, agricultores de sete municípios do Território da Borborema – Remígio, Lagoa Seca, Areial, Montadas, Esperança, Lagoa de Roça e Alagoa Nova – participarão de Oficinas de capacitação para a produção agroecológica da batatinha. A batata (Solanum tuberosum L.), também conhecida como batatinha, batata inglesa, batata americana, é uma cultura de grande importância econômica e social para agricultura familiar no agreste paraibano. Hoje ela vive um momento de revitalização na região, o que levou organizações de agricultores, entidades assessoras e órgãos públicos a unirem esforços e promoverem uma série de atividades para garantir uma produção de alta rentabilidade, mas também livre de agroquímicos, sem agredir o meio ambiente e adaptada à realidade da agricultura familiar.

O Polo da Borborema, a EcoBorborema, a AS-PTA, a Secretaria Estadual da Agricultura Familiar, a Embrapa, a Emater, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Arribaçã são responsáveis pela condução desse trabalho de revitalização da batatinha na região.

As oficinas têm objetivo de capacitar os agricultores na produção de batata sementes para uso próprio seguindo os princípios agroecológicos, de forma a promover a autonomia das famílias agricultoras na produção das safras seguintes.

Na programação da oficina, além das atividades técnicas e práticas de campo, estão previstos debates e a reconstituição histórica da presença da batatinha na região da Borborema. Afinal, em outras épocas, a produção dessa cultura levou muitos agricultores a se endividarem, a se intoxicarem e a contaminarem as fontes de água. Esse cenário desolador foi resultado do modelo de produção adotado naquele momento. Entre os anos 1970 e 1980, os incentivos do governo e o financiamento dos bancos para o cultivo da batatinha eram totalmente atrelados à aquisição de um pacote, que incluía a compra de sementes melhoradas, fertilizantes químicos e veneno. Além disso, os agricultores que quisessem plantar a batata tinham que seguir o regime da monocultura, abandonando os outros cultivos que muitas vezes garantiam o consumo de alimentos da família. Com o tempo, porém, a batatinha deixou de ser uma cultura altamente rentável – à qual cerca de 80% dos agricultores se dedicavam – para ser altamente onerosa, do ponto de vista econômico, social e ambiental.

Diante do declínio, muitas famílias abandonaram o cultivo, mas outras tantas continuaram a plantar de forma agroecológica, consorciada com outras culturas e sem o emprego de produtos químicos. É o caso de Seu Zé Balbino, da Comunidade Estivas, Areial, Robson Gertrudes, na Comunidade Retiro, município de Lagoa Seca e Antônio dos Santos, mais conhecido como seu Galego, da comunidade de Gravatazinho, também do município de Areial.

Esses e outros exemplos de sucesso estimularam o movimento de revitalização do plantio da batatinha, mas o fato decisivo ocorreu em 2009, quando a Embrapa trouxe de Canoinhas (SC) quatro variedades para serem multiplicadas em propriedades de três agricultores do Polo da Borborema. As sementes tiveram boa adaptação na região, o que desencadeou uma mobilização intensa, por meio de visitas de intercâmbios de agricultores de vários municípios e um momento de socialização dos resultados de análise das variedades. Essa atividade tem o apoio do Projeto Terra Forte, realizado pela AS-PTA e conta com o co-financiamento da ICCO e da União Europeia.

Segundo Emanoel Dias, da AS-PTA, a integração entre os conhecimentos científicos e a sabedoria dos agricultores na produção da batata é o grande diferencial e potencial da oficina. Ele também explicou que o contexto atual é bastante favorável: Em 2010, com a mudança do Governo do Estado da Paraíba e a criação da Secretaria da Agricultura Familiar, os resultados obtidos nos campos de multiplicação em 2009 sensibilizaram o governo, que então mobilizou recursos para a compra de 940 caixas de batatas-sementes. Só no último mês, 104 famílias de sete municípios já plantaram as sementes e estão com seus campos bem conduzidos, utilizando produtos naturais para o manejo da cultura.

Além disso, e do fato de a Borborema ser a única região da Paraíba com potencial ambiental para a produção da batatinha, hoje surgiram mais oportunidades para as famílias escoarem a produção da batata agroecológica, tais como as feiras agroecológicas, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional da Alimentação Escolar (Pnae) e para a empresa de orgânicos Rio de Una.

 

Serviço:

Oficina de capacitação em produção de batatinha agroecológica
Data: 29 de agosto a 2 de setembro
Local: Campina Grande, Esperança, Lagoa Seca e Areial
Contatos: Nelson Anacleto (Polo da Borborema – 9925 8194); Emanoel Dias (ASPTA – 9935 7780); Marcelo (Embrapa – 99591715);

Programação:
29 de Agosto de 2011 – Sindicato dos Trabalhadores Rurais – Lagoa Seca

8h00: Café da Manhã

8h40: Boas-vindas, apresentação dos participantes e socialização dos objetivos da oficina

9h00: Mesa de Abertura: Processo de Revitalização da Batata Agroecológica no Agreste da Borborema

– Histórico da chegada da batata na região

– Formas de resistência para revitalização da batata no contexto da Agroecologia

– Interação entre sociedade e governo para a revitalização

10h30: Debate

12h30: Almoço

13h30: Instruções técnicas de multiplicação de batata semente para a realidade da agricultura familiar com base agroecológica

15h00: Apresentação da experiência do Programa Mais Alimentos no estado de Santa Catarina

16h00: Perguntas e esclarecimentos de dúvidas sobre as apresentações anteriores

16h30: Informações e Encaminhamentos para as atividades de campo

17h30: Encerramento

 

Dia: 30 de agosto de 2011 – Comunidade Lajedão – Esperança
Participantes: agricultores de Alagoa Nova, Lagoa de Roça e Remígio

08h30: Boas-vindas, apresentação dos participantes e socialização dos objetivos da oficina

09h00: Prática de campo para a produção de batata semente

12h00: Almoço

13h30: Livre para continuidade das atividades da manhã ou visitas em outras propriedades

16:h00: Encerramento

31 de agosto de 2011 – Comunidade Retiro – Lagoa Seca
Participantes: agricultores de Lagoa Seca

08h30: Boas-vindas, apresentação dos participantes e socialização dos objetivos da oficina

09:h00: Prática de campo para a produção de batata semente

12h00: Almoço

13h30: Livre para continuidade das atividades da manhã ou visitas em outras propriedades

16h00: Encerramento

01 de setembro de 2011 – Comunidades Estivas – Areial

Participantes: agricultores de Areial e Montadas

08h30: Boas-vindas, apresentação dos participantes e socialização dos objetivos da oficina

09h00: Prática de campo para a produção de batata semente

12h00: Almoço

13h30: Livre para continuidade das atividades da manhã ou visitas em outras propriedades

16h00: Encerramento

 

02 de setembro de 2011 – Auditório da Embrapa Algodão – Campina Grande

08h30: Avaliação do encontro e planejamento das principais ações a serem priorizadas nas próximas etapas de trabalho

10h00: Encaminhamentos

12h00: Encerramento das atividades

 

]]>
http://aspta.org.br/2011/08/23/batata-agroecologica-gera-oportunidades-para-familias-agricultoras-da-borborema/feed/ 0
Famílias agricultoras discutem estratégias de produção agroecológica de batatinha na Borborema http://aspta.org.br/2010/10/26/familias-agricultoras-discutem-estrategias-de-producao-agroecologica-de-batatinha-na-borborema/ http://aspta.org.br/2010/10/26/familias-agricultoras-discutem-estrategias-de-producao-agroecologica-de-batatinha-na-borborema/#respond Tue, 26 Oct 2010 12:39:04 +0000 http://aspta.org.br/?p=2687 Para tanto, agricultores ajudaram a reconstituir a história da produção dessa cultura na região. Eles contaram que, nos anos 1970 e 1980, o cultivo da batatinha era bastante rentável na Borborema.  Naquele tempo, aproximadamente 80% dos agricultores familiares da região se dedicavam a essa cultura e muitas pessoas puderam adquirir muitos bens com a produção.

Entretanto, segundo relato dos próprios agricultores, o plantio da batatinha vinha necessariamente acompanhado de um pacote de agrotóxicos. Na época dos grandes incentivos da batatinha, o financiamento do banco era totalmente atrelado ao uso do veneno.

A batatinha dava lucro, mas o consumo de veneno era intenso, levando 23 pulverizações na planta durante seu ciclo produtivo e uma no solo para iniciar a produção. Além disso, acho que as principais pragas que chegaram aqui foram às variedades do Sul que disseminaram e desvalorizam as batatas produzidas na região da Borborema, explica seu Zé Balbino, agricultor de Areial.

Já seu Galego, da Comunidade Gravatazinho, município de Areial, conta que desde jovem trabalhava com o pai, que foi um grande produtor de batatinha, sendo responsável, juntamente com seu irmão, de pulverizar a produção. Achava aquilo uma tristeza e se tenho saúde é porque Deus é bom. Era tanto veneno que já era para eu ter morrido. Há quase 40 anos, porém, desde que se casou, ele deixou de utilizar o veneno e tem orgulho de sua pequena propriedade sem uso de produtos químicos. Também fica satisfeito em saber que tem outras pessoas comprometidas com o meio ambiente e com a ecologia.

Depois de um tempo, a produção começou a cair e o preço desvalorizou em relação à batatinha do sul. Veio então o endividamento, muitos tiveram que vender suas propriedades e houve até registros de suicídios de agricultores que não conseguiam saldar seus débitos com os bancos.

Além dos altos gastos, outros fatores contribuíram para desestimular a produção. Sandro, de Lagoa do Gravatá, Lagoa Seca, afirmou que cultivou a batatinha por muito tempo, mas há quatro anos parou em virtude da dificuldade de vender o produto na Ceasa e ter que entregar aos atravessadores. Os problemas de armazenamento também foram decisivos para alguns agricultores. Antigamente, a produção era coberta de bagaço de fumo nos alpendres das casas, mas hoje o armazenamento é feito em frigoríficos. O ideal, segundo Robinho, da comunidade de Retiro, Lagoa Seca, é que os frigoríficos estejam prontos para receber a batatinha no início de setembro. Assim, elas podem ficar estocadas até o preço no mercado se elevar.

Para Nelson Anacleto, representante do Polo da Borborema, deve-se também levar em conta que os agricultores não foram educados a guardar uma boa semente. Eles vendiam as batatas melhores e ficavam com as piores para o plantio seguinte e, com isso, a produção foi a cada ano decaindo, explicou.

Experiências de sucesso

Apesar das adversidades, alguns agricultores persistiram na produção da batatinha. Entretanto, a situação agora é bem diferente. Hoje, as famílias agricultoras veem a batatinha como cultura importante, mas não como a única a ser cultivada.

Seu Zé Pequeno, da Comunidade São Tomé de Baixo, Alagoa Nova, lembra que, na época em que a produção de batatinha era incentivada, foi estimulado a substituir o campo que tinha com laranjas, abacate, caju, manga e outras frutas. Com os prejuízos, que frequentemente atingem as monoculturas, ficou desestimulado. Hoje escuta que é possível plantar a batatinha de forma agroecológica, percebe uma nova oportunidade para a agricultura familiar em um novo sistema.

Acho importante conhecer famílias que estão plantando a batatinha junto com outras culturas. Essa diversificação garante um novo momento. Agora ninguém fica dependente de uma única cultura e estamos fazendo uma agricultura saudável, diz animado.

É o caso da família de Robson Alves Gertrudes, que desde 1998 produz de forma agroecológica. Segundo ele, a iniciativa se deve à vontade de proteger a saúde da família e a natureza, por meio da produção de alimentos saudáveis. Hoje, a família tem uma produção diversificada, o que permite um equilíbrio nas despesas por contarem com mais de uma opção para gerar renda. Nos últimos meses, eles vêm acessando o mercado agroecológico da batatinha e, recentemente, surgiu à oportunidade de vender para uma empresa do Sul, a Rio de Una, que, por meio da AS-PTA e do Polo da Borborema, pode conhecer a propriedade. Na semana passada, eles já entregaram à empresa três toneladas de batatinha e ainda têm pelo menos quatro para arrancar no roçado. Outros agricultores foram envolvidos, mas não acreditaram na proposta. Mas a família Gertrudes não desiste e a cada dia tem tentado incentivar o cultivo agroecológico junto a outros agricultores da região.

Seu Antônio dos Santos, mais conhecido como seu Galego, da comunidade de Gravatazinho, município de Areial, também tem uma boa experiência para passar. Ele e sua esposa Hosana vêm experimentando um conjunto de iniciativas agroecológicas na propriedade de seis hectares. Atualmente, a terra está sendo manejada para atender as diferentes necessidades da família. Numa metade da área, plantam uma diversidade de culturas: feijão, fava, amendoim, coentro, tomate e várias frutas. Já na outra metade, a família maneja a criação de gado e caprinos. Esse conjunto vem sendo fundamental para o fortalecimento da alimentação familiar e também para acessar a feira agroecológica em Esperança. Durante o intercâmbio, seu Galego falou das técnicas que utilizou no plantio da batatinha, como o espaçamento entre as plantas (50 cm), o uso de esterco bovino para adubar a área (quatro carroças), o número de aplicações de biofertilizante (três) e a realização de capina a cada 15 dias. O agricultor observou ainda o desempenho de cada uma das quatro variedades que plantou (Ana, Elisa, Catucha e Cristal).

Gostei mais das variedades Elisa e Ana, por conta da produtividade, do tamanho e da resistência na terra. Já a catucha apresentou florescimento rápido, mas a cristal não agradou muito por conta do tamanho das batatas, explicou.

Impressões e encaminhamentos

Após a visita ao campo, o grupo trocou impressões e apontou alguns encaminhamentos. Segundo a avaliação do representante do Polo da Borborema, Nelson Anacleto, as experiências são promissoras e estimulantes, mas é preciso continuar a monitorar o desempenho produtivo das diversas variedades de batatinha:

Precisamos fazer pelo menos mais um ano de experimentação para validar a produtividade dessas variedades. Podemos fazer estudos com o uso de estrume, adubação verde e outros consórcios. Se conseguirmos um volume maior de sementes, também podemos fazer testes com outros agricultores em outras comunidades.

Para Marcelo e Lenildo, ambos da Embrapa, é muito importante ter o cuidado de selecionar as batatas mais sadias e com potencial de propagar as características mais vantajosas, como a resistência a pragas, boa tolerância à seca e tubérculos graúdos. Acreditam que os movimentos sociais devem continuar lutando para um dia conseguir um “Pacote Verde” para se trabalhar com Agroecologia. Além disso, ressaltaram a importância de momentos de intercâmbio como esse, entre agricultores e técnicos, já que os dois lados sempre têm algo a aprender e a ensinar.

Quanto aos gargalos na comercialização, destacaram que a produção agroecológica conduzida pela agricultura familiar da Borborema não deve buscar apenas os mercados convencionais, mas sim outras oportunidades, como o mercado institucional, por meio da Política Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), por exemplo.

A Embrapa tem interesse em adquirir batatas-sementes e, caso o Polo da Borborema se prontifique a organizar uma venda, iremos identificar agricultores que possam produzir essas sementes orgânicas. Acho possível fazer uma negociação com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ou com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para ver os trâmites e as possibilidades de garantir a compra das batatas-sementes dos agricultores familiares, afirmou Lenildo (Embrapa).

Além disso, foi levantada a ideia de elaborar uma estratégia de marketing, que divulgue e valorize a diversificação da produção da agricultura familiar na perspectiva agroecológica.

O desafio é dar visibilidade ao plantio de batata sem veneno. Poderíamos fazer um trabalho de divulgação de marca: “Batatinha Agroecológica da Borborema”. Existe hoje a chamada Indicação Geográfica (IG), utilizada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para valorizar o coco de Sousa e o algodão colorido. Devemos, portanto, buscar o mesmo para a batatinha.

Ao final, foi elaborada uma lista com os principais encaminhamentos:

1.    Organização de um boletim informativo relatando as três experiências familiares, de Robinho, seu Galego e seu Joaquim;

2.    Inserir outras organizações, a exemplo da Conab, em novos momentos para discussão das batatas-sementes e sobre a concessão do uso do frigorífico de Esperança;

3.    Pensar na perspectiva da produção da batatinha para as feiras agroecológicas e comercialização via PAA;

4.    Repetir em 2011 os ensaios (pelo menos seis novos), pensando em testar novos formatos de adubação (esterco bovino, adubação verde, composto) e consórcios (milho);

5.    Nos próximos ensaios, inserir as cultivares já trabalhadas com a agricultura familiar na região da Borborema;

6.    Planejar a continuidade das pesquisas da batata-semente; e

7.    Pensar numa estratégia que valorize a “Batatinha Agroecológica da Borborema”.

Fico muito feliz vendo a agricultura familiar crescendo de forma correta. O melhor é que as sementes da paixão estão dando certo. Elas são patrimônio da agricultora e fazem parte do seu viver. Muitos não plantam porque não têm condições adequadas. Depois dessa visita, sugiro até lutar pela batata, mas desde que ela seja apenas mais uma cultura no roçado dos agricultores. E, mais que tudo, precisamos lutar para que o produto saudável venha para a mesa, concluiu satisfeito Zé Pequeno.

 

]]>
http://aspta.org.br/2010/10/26/familias-agricultoras-discutem-estrategias-de-producao-agroecologica-de-batatinha-na-borborema/feed/ 0