Semiárido – AS-PTA http://aspta.org.br Tue, 03 Nov 2020 22:33:36 +0000 pt-BR hourly 1 ASA lança campanha em todo o Semiárido para estimular o voto consciente http://aspta.org.br/2020/09/25/18246/ http://aspta.org.br/2020/09/25/18246/#respond Fri, 25 Sep 2020 14:11:05 +0000 http://aspta.org.br/?p=18246 Leia mais]]> Nas sete semanas que antecedem o 15 de novembro, dia das eleições, a Articulação Semiárido (ASA) lança uma campanha para estimular o voto consciente. A campanha “Não troque seu voto” é direcionada, especialmente, para as famílias que experimentaram a inclusão social através de um conjunto de políticas e programas públicos voltadas para a agricultura familiar e para o fortalecimento do paradigma da convivência com o Semiárido.

O lançamento da campanha será no dia 29 deste mês, às 17h, pelo canal do Youtube e facebook da ASA Brasil. As peças da campanha, que irão circular nas redes sociais e nas rádios dos territórios do Semiárido, estimulam as pessoas a conhecer as propostas dos/as candidatas para a agricultura familiar e para o fortalecimento da agroecologia e da convivência com o Semiárido na região.

“É importante que possamos votar naqueles candidatos e candidatas que têm verdadeiramente um compromisso de quatro anos com a população do seu município, com as comunidades camponesas e urbanas, e que defendam bandeiras importantes para a convivência com o Semiárido, para a construção da verdadeira cidadania”, defende o agricultor agroecológico do sertão do Araripe em Pernambuco, Vilmar Lermer, do sítio dos Paudóias, na zona rural de Exú, terra de Luiz Gonzaga.

Este ano, a pandemia – Ao aprofundar ainda mais as desigualdades sociais do Brasil, aumentando a pobreza, miséria e fome em todo o país, a pandemia também ameaça reforçar a velha e corrompida prática da compra de votos. Principalmente, porque a pandemia chega num momento em que a vida fica mais dura pela perda dos direitos trabalhistas, previdenciários e sem políticas, programas e ações públicos que amparavam a produção e comercialização de alimentos saudáveis.

Para Alexandre Pires, da coordenação executiva nacional da ASA, pelo estado de Pernambuco, “a defesa das políticas públicas de atendimento à população camponesa, população rural do Semiárido, é a defesa intransigente da ASA. Sempre vamos atuar numa luta de diálogos para construção e fortalecimento de políticas públicas para a população desta região”.

E acrescenta: “Quando estas políticas não existem, como estamos vendo agora com a redução do número de pessoas atendidas pelo bolsa-família, a negação dos pedidos dos auxílios previdenciários, a redução de recursos e investimentos no programa de cisternas, cria-se um ambiente para que alguns candidatos e candidatas busquem ou queiram trocar os votos por uma determinada necessidade imediata. No entanto, é importante que as pessoas entendam que depois do atendimento da necessidade, aquele candidato ou candidata após eleito/a não terá mais compromisso com esta pessoa, ou com sua comunidade, ou com seu município”.

Também temos a ampliação do senso crítico – Por outro lado, é preciso reconhecer que os 16 anos que as famílias acessaram água, crédito, fomento, assessoria técnica agroecológica, mercados institucionais, etc., trouxeram também a ampliação da consciência cidadã. Olhando só para o acesso à água, hoje, o Semiárido tem espalhado mais de 1,3 milhão de tecnologias que armazenam água da chuva para o consumo humano e para a produção de alimentos. É água potável e alimento à disposição das famílias rurais.

Glória Batista, da coordenação executiva nacional da ASA pela Paraíba, enumera os muitos significados das 1 milhão e 300 mil cisternas para as famílias rurais do Semiárido Brasileiro. “Significa a conquista pelo direito à vida, expresso nas conquistas pelo acesso à água de qualidade e na valorização das sementes do Semiárido. Significa o direito humano à alimentação de verdade, tanto para o autoconsumo das famílias camponesas, quanto para a comercialização nas comunidades rurais e feiras agroecológicas que vem se espalhando por vários municípios do Semiárido. Significa a valorização e reconhecimento do expressivo papel das mulheres camponesas na promoção da agroecologia e convivência com o Semiárido.”

Para Glória, todas estas mudanças – proporcionadas pelo acesso às políticas públicas – potencializam a força, autonomia e capacidade das famílias agricultoras camponesas e de suas organizações. E, desta forma, se fortalece o projeto popular e democrático, defensor da agricultura familiar, a convivência e a agroecologia nos municípios do Semiárido. “Este projeto só concretiza se a gente lutar por ele. São fundamentais a campanha “Não troque seu voto” e o voto consciente nas eleições municipais, como também a pressão e luta popular durante os próximos quatro anos da gestão dos municípios”, afirma.

O que é voto consciente? – Nas palavras de Alexandre, “é quando o eleitor ou eleitora vota a partir de uma plataforma de intenções que o/a vereador/a, o/a prefeito/a apresentam na sua candidatura. Ou seja: eu quero ser candidato a vereador ou a prefeito e apresento esta plataforma. Essas são as minhas intencionalidades e meus compromissos se eu for eleito. Vamos dar um exemplo, um/a candidato ou candidata diz que uma das suas plataformas é melhorar o sistema de saúde do município, melhorando a infraestrutura dos postos de saúde, contratando mais médicos ou equipes de saúde da família para atender a população. Este compromisso, após o processo do pleito eleitoral, se este prefeito ou prefeita se eleger, a comunidade tem todas as condições concretas de chegar ao gabinete e chegar à prefeitura ou à Câmara de Vereadores e cobrar do eleito/a que cumpra aquele compromisso apresentado no processo eleitoral”.

E quem se beneficia com o voto consciente?
 Toda a comunidade. Porque se o posto de saúde da comunidade rural tem sua estrutura melhorada, se contrata mais uma equipe de saúde da família, toda a comunidade vai se beneficiada. Ao contrário de quando alguém vende seu voto e se beneficia individualmente.

“O voto consciente gera uma onda importante de conscientização social e popular para cobrar dos eleitos e eleitas que cumpram suas plataformas, assim como também gera uma onda importante de benefício e de atendimento da necessidade de toda uma população ou de um determinado grupo de uma comunidade, de um segmento da nossa sociedade”, afirma o representante da ASA.

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Cartilha – Limpando a água de beber com a moringa http://aspta.org.br/2017/06/29/cartilha-limpando-a-agua-de-beber-com-a-moringa/ http://aspta.org.br/2017/06/29/cartilha-limpando-a-agua-de-beber-com-a-moringa/#comments Thu, 29 Jun 2017 12:44:44 +0000 http://aspta.org.br/?p=14840 capa cartilha moringaEssa cartilha trata do uso da Moringa, planta que possui múltiplo uso, para a clarificação de águas barrentas, promovendo limpeza e purificação das águas para beber e cozinhar.

 

Cartilha- Limpanando a água de beber com a Moringa

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Produção diversificada e acesso a políticas públicas garantem autonomia para famílias agricultoras, revela estudo http://aspta.org.br/2016/10/03/producao-diversificada-e-acesso-a-politicas-publicas-garantem-autonomia-para-familias-agricultoras-revela-estudo/ http://aspta.org.br/2016/10/03/producao-diversificada-e-acesso-a-politicas-publicas-garantem-autonomia-para-familias-agricultoras-revela-estudo/#respond Mon, 03 Oct 2016 20:34:28 +0000 http://aspta.org.br/?p=14243 Leia mais]]> quintal produtivo-FredJordao-7010
Foto Fred Jordão

A poucos meses da finalização, a pesquisa Sistemas Agrícolas Familiares Resilientes a Eventos Ambientais Extremos no Contexto do Semiárido Brasileiro: alternativas para enfrentamento aos processos de desertificação e mudanças climáticas, realizada pelo Instituto Nacional do Semiárido (INSA) em parceria com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) revelará aspectos relevantes das características e sustentabilidade de agroecossistemas diversificados e especializados de dez territórios do Semiárido.

Iniciada a cerca de três anos, o estudo está sendo desenvolvido em territórios específicos nos estados da Bahia, Piauí, Pernambuco, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe. Aproximadamente, 50 famílias agricultoras participam da pesquisa que analisa aspectos econômicos, sociais e ecológicos das experiências, a fim de apontar a viabilidade dos diversos modos de produção, sobretudo, no período de estiagem que já se estende na região por mais de cinco anos.

“Essa pesquisa tem um lugar diferente quando eu olho para a história do Semiárido. Então, como é que a gente olha para este período de seca e para a forma como os agricultores vão construindo alternativas, sobretudo na perspectiva da resiliência. Nós sabemos que agricultores/as que têm água de beber e que têm água de produzir vivem melhor do que outros agricultores, então a nossa ideia não é comparar. A intenção é entender as familiais que têm um conjunto de inovações e, qual a importância do conjunto de estratégias de estoque dessas famílias”, explica o Coordenador do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da ASA, Antônio Barbosa.

Na perspectiva de visualizar caminhos para estas questões, foi realizada nos dias 27 e 28 deste mês, na sede do INSA em Campina Grande-PB, a “oficina de restituição final dos estudos de caso”. O evento reuniu membros de organizações parceiras que se envolveram diretamente nos estudos, no intuito de fazer uma releitura da pesquisa por meio da apresentação dos dados já apurados pelos pesquisadores. As informações foram captadas por meio de ferramentas metodológicas como a linha do tempo, modelização de agroecossistemas, gráficos econômicos e gráficos de atributos, que revelam informações sobre renda, divisão de tarefas, canais de comercialização, áreas de preservação, estoque e outras que demonstram a autonomia dos sistemas produtivos.

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Foto: Elka Macedo

Para a bolsista pesquisadora, Roselma Viana que acompanhou o estudo no território do Apodi (RN) “a pesquisa traz diversos resultados, dentre eles destaco a visibilidade da importância do papel da mulher dentro da unidade familiar, da comunidade e do território e a importância das tecnologias sociais para famílias, que além de garantir a segurança hídrica possibilita o aumento da produção ou até mesmo mantê-la durante estiagens prolongadas. Essa é uma metodologia diferenciada, pois prioriza uma pesquisa participativa com base nos diálogos e nas experiências implementadas nos agroecossistemas, além de uma sistematização das estratégias agrícolas e sociais adotadas pelas famílias pesquisadas”, disse.

Embora parta das experiências, a pesquisa tem um papel importante na percepção e análise das transformações sociais nos territórios em que as famílias estão inseridas como salienta a coordenadora da ASA pelo estado da Paraíba, Glória Araújo. “É importante olhar para o território porque é lá que as coisas ocorrem, este é também um lugar de construção do projeto político e sociorganizativo das famílias na perspectiva da convivência e da agroecologia. Não se promove agroecologia e desenvolvimento territorial só dentro do agroecossistema. Neste contexto, o fortalecimento das redes são elementos para a construção de uma nova perspectiva de agricultura e, portanto, a gente tem que sistematizar porque isso serve também para o próprio processo de formação das organizações de agricultores/as”.

Nos dados apresentados durante a oficina é possível perceber e comparar a transformação na vida das famílias agricultoras após o acesso a políticas públicas estruturantes de à água para beber e produzir, crédito, mercados institucionais (PAA e PNAE) e da participação em espaços coletivos de discussão de políticas, a exemplo das associações, grupos, sindicatos e articulações.

“A agricultura familiar além de ser majoritária ela é dona de seus meios de produção, ou seja, a terra está nas mãos dos agricultores, mas tem um novo desafio hoje que é a pressão sobre o espaço produtivo porque muitas dessas terras foram partilhadas por herança e você tem um processo de minifundização. A gente vive uma crise agrária e a degradação é enorme. No entanto, nesses últimos 20 anos há um conjunto importante de politicas novas, dirigidas à valorização da agricultura familiar e segurança alimentar que emergem nesse período e que têm uma influencia nas transformações que vivemos no Semiárido”, salienta Luciano Silveira da AS-PTA.

O desfecho do estudo está previsto para novembro deste ano e a apresentação dos resultados finais deve ser feita durante um seminário no primeiro semestre de 2017. Para dar visibilidade ao conteúdo, membros do INSA e da ASA e pesquisadores envolvidos na ação estão se organizando para apresentar a pesquisa em congressos, fóruns e outros eventos, a exemplo da nona edição do Encontro Nacional da ASA (Enconasa), que acontece de 21 a 25 de novembro deste ano em Mossoró-RN.

“A gente tem uma amostra poderosa dos efeitos que geram nos territórios o projeto da convivência com o semiárido. Nós temos condições de gerar demonstrações importantes da viabilidade da convivência e do impacto que isso gera concretamente na vida das famílias. Nosso desafio agora é como a gente dá esse desfecho na pesquisa e em que espaços a gente vai comunicar os efeitos que a pesquisa está demonstrando numa rede gigantesca de organizações que estão atuando no território do Semiarido”, ressalta Gabriel Fernandes, da AS-PTA.

Por Elka Macedo – Asacom
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Agricultores/as experimentadores/as de todo o Semiárido se encontram em Aracaju http://aspta.org.br/2016/06/05/agricultoresas-experimentadoresas-de-todo-o-semiarido-se-encontram-em-aracaju/ http://aspta.org.br/2016/06/05/agricultoresas-experimentadoresas-de-todo-o-semiarido-se-encontram-em-aracaju/#respond Sun, 05 Jun 2016 14:26:11 +0000 http://aspta.org.br/?p=13697 ENAE_2016_HorizontalDe 6 a 9 de junho, evento reúne cerca de 300 agricultores/as familiares de uma região transformada por políticas públicas que garantiram acesso a direitos fundamentais historicamente negados

“Não só me considero agricultor, experimentador, como quilombola”, assegura com firmeza seu Arnaldo de Lima, que vive no sertão do Piauí, no município de Paquetá do Piauí, na comunidade quilombola Costaneira. E como é ser agricultor-experimentador-quilombola? “É defender a nossa cultura, valores. É guardar, multiplicar, repassar as sementes que há cento e tantos anos estão conosco.”

“Eu sou agricultora experimentadora com muito orgulho! Embora esteja meio triste porque, como não tivemos inverno esse ano, meu quintal não está com a riqueza que teve um dia. Mas estou lutando para que a riqueza volte”, diz sem titubear dona Antônia Antonieta Santana, assentada há 27 anos no Assentamento Tiracanga, no município de Chorozinho (Sertões do Canindé), no Ceará.

“Sou agricultora experimentadora sim. Quando participamos de um curso, vamos num intercâmbio, aprendemos algo e, quando chego em casa, vou logo experimentando”, assegura dona Cremilda Soares, mãe de três filhos, que vive na zona rural do município baiano de Anagé, na comunidade Bom Sucesso.

Na semana de 6 a 9 de junho, eles partem de seus lugares de origem para Sergipe, onde participam do IV Encontro Nacional de Agricultoras e Agricultores Experimentadores do Semiárido ao lado de cerca de 300 pessoas vindas dos nove estados do Nordeste e de Minas Gerais (Vale do Jequitinhonha e Norte), inseridos no mapa do Semiárido brasileiro, uma região que representa 18,2% do território nacional e abriga cerca de 12% da população.

O evento, organizado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), vai debater questões relacionadas à vida do povo do Semiárido que, nos últimos 12 anos, mudou intensamente a partir da implementação de políticas públicas adequadas à realidade e necessidades das famílias que viviam em situação de pobreza e miséria.

Resultado da participação ativa da sociedade civil e compromisso dos governos de Dilma e Lula, tais políticas começaram a garantir direitos fundamentais a uma população invisibilizada como acesso à água, uma alimentação mais farta e diversificada, aumento da renda familiar, acesso a crédito, assessoria técnica agroecológica, entre outros. Com o governo provisório de Michel Temer, inúmeras destas políticas estão ameaçadas de cortes ou descontinuidade devido à medidas como a extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Estes brasileiros e brasileiras do campo, que passaram a enfrentar os períodos naturais de estiagem com água estocada para beber, produzir alimentos e manter as criações e que deixaram de ter vergonha das suas sementes guardadas há gerações, vão discutir nestes três dias os desafios que se desenham a sua frente para viver com dignidade e proteger a biodiversidade.

“É uma satisfação muito grande receber pessoas de todo o Semiárido para celebrar conquistas, denunciar as mazelas e intercambiar as boas experiências. O momento que o país vive requer muitas reflexões para que a sociedade brasileira possa entender a gravidade da situação e os riscos que incorrem”, assegura o coordenador executivo da ASA pelo estado de Sergipe, João Alexandre de Freitas Neto.

Entre os temas presentes em todos os dias do evento estão as ameaças às sementes crioulas e estratégias de conservação; a assistência técnica agroecológica, que será debatida da perspectiva dos agricultores e agricultoras e também dos técnicos das organizações que formam a ASA; a produção das propriedades rurais; o papel das mulheres e dos jovens no espaço rural; o modo de vida das populações e povos tradicionais, entre outros temas.

O formato do encontro rompe com a estrutura de palestras, na qual o palestrante é o portador do conhecimento e a plateia é a receptora. Em todos os momentos, o saber tradicional e empírico dos agricultores e agricultoras é valorizado e somado ao saber técnico e científico. Uma das formas de promover a construção de conhecimento de agricultor para agricultor é a visita a propriedades rurais de Sergipe, um momento riquíssimo de trocas de conhecimentos, quando as famílias agricultoras testemunham de perto realidades parecidas com as suas, mas com especificidades naturais que surgem da influência do meio onde se encontram.

As visitas são o ponto alto do evento e vão dar o tom dos próximos momentos do encontro, uma vez que os participantes dos intercâmbios vão aprofundar suas observações das visitas de campo em oficinas temáticas, nas quais experiências de famílias agricultoras de outros estados também serão apresentadas.

“A cada encontro, a gente cresce no aprendizado, ganhamos força pra nossa caminhada e saímos com a missão de repassar o conhecimento para quem não tem o hábito de viver o coletivo, de preservar, de não deixar que as sementes transgênicas destruam as nossas sementes. A hora é agora. Porque daqui a pouco muitas comunidades não vão saber o que estão comendo e produzindo”, destaca seu Arnaldo.

As sementes têm um lugar especial neste grande encontro de agricultores e agricultoras experimentadoras de todo o Semiárido brasileiro. Uma feira, com produtos da agricultura familiar de todos os estados, vai funcionar no período da tarde do primeiro e terceiro dias e é aberta ao público em geral.

Na quarta-feira (8), nesta feira, haverá um momento para que as centenas de famílias agricultoras do Piauí a Minas Gerais troquem seus materiais genéticos. Assim, as sementes cultivadas no Vale do Jequitinhonha vão ser experimentadas por quem vive no território do Cariri paraibano. E as poucas sementes levadas para casa terminam sendo multiplicadas e, aos poucos, um estoque daquela semente vai sendo formado em outro lugar do Semiárido.

Essa ação de troca tem um valor grandioso para a conservação das sementes porque, ao serem plantadas em lugares diversos, passam por transformações naturais na sua genética que a protegem do desaparecimento. Ampliando cada vez mais a riqueza alimentar não só das comunidades de agricultores, mas de toda a humanidade, que vive um momento de forte erosão genética dos alimentos. Essa perda tem como um dos principais motivos o desenvolvimento de sementes padronizadas e transgênicas que servem ao modelo do agronegócio, pautado no monocultivo de latifúndios e uso intenso de venenos que poluem todo o ecossistema – ar, água, solo – além de adoecer e matar pessoas que vivem próximos aos lugares de plantios e trabalham manejando-os.

O que é ser agricultor/a experimentador/a?

Seu Arnaldo, dona Antonieta e dona Cremilda vivem no Brasil rural experimentando formas de plantar, de render a água acumulada das chuvas, de tornar o solo mais fértil e a ração animal mais nutritiva, de multiplicar e guardar as sementes crioulas. São como cientistas empíricos que, a partir de sua observação da natureza, seguem testando formas de convívio com o clima Semiárido. Algumas destas experimentações foram sistematizadas e serviram de inspiração para a construção de políticas públicas para a convivência com o Semiárido.

E, como agricultores e agricultoras, os três se dedicam a uma das principais vocações da agricultura familiar: cultivam alimentos que enchem 70% dos pratos dos brasileiros e brasileiras. E mais, os alimentos produzidos pelos três não têm um pingo de veneno. Como diz dona Antonieta: “Amo o que faço, a terra que vivo e trabalho. Valorizo cada planta que cultivo sem o uso de agrotóxico. E o que aprendo não gosto que fique só comigo. Acho legal repassar para quem não teve oportunidades de participar dos encontros, dos cursos…”

Uma das missões especiais dos/as agricultores/as experimentadores/as é a conservação e multiplicação das diversas sementes crioulas. “Quem é da cidade, vai para feira e escolhe o feijão pela qualidade e boniteza. Já a nossa ligação com o feijão é pela família, pelo meu avô que guardava o feijão pra plantar. A nossa relação com as sementes é para não perder a memória de nossos antepassados, a nossa história. A gente se sente energizado a partir deste contato, desta relação de respeito”, conta Arnaldo.

Serviço
Banese
Av. Mario Jorge Menezes Vieira, 1350, Atalaia
Aracaju | SE
Telefone: (79) 3255.1449

Fonte: www.asabrasil.org.br

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Programa Cisternas pode sofrer mais cortes em 2016, nesta quarta-feira (16). http://aspta.org.br/2015/12/16/programa-cisternas-pode-sofrer-mais-cortes-em-2016-nesta-quarta-feira-16/ http://aspta.org.br/2015/12/16/programa-cisternas-pode-sofrer-mais-cortes-em-2016-nesta-quarta-feira-16/#respond Wed, 16 Dec 2015 13:40:31 +0000 http://aspta.org.br/?p=13109 Leia mais]]> Programa Cisternas está entre as Políticas Públicas que ajudaram a tirar o Brasil do Mapa da Fome | Foto: arquivo ASACom
Programa Cisternas está entre as Políticas Públicas que ajudaram a tirar o Brasil do Mapa da Fome | Foto: arquivo ASACom

Expectativa para 2016 é de continuidade da seca prolongada no Semiárido. Ações de convivência com a região – como a implementação de cisternas – têm sido fundamentais para enfrentar a estiagem.

Diversos programas sociais que ajudaram o País a superar a miséria e sair do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU) e que transformaram a vida de milhares de famílias no Semiárido brasileiro podem sofrer cortes severos em 2016. Está em debate na Comissão Mista de Orçamento uma proposta de corte de R$ 10 bilhões no programa Bolsa Família, R$ 132 milhões no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e R$ 70 milhões no Programa Cisternas. A votação ocorrerá nesta quarta-feira (16).

Esses programas já sofreram cortes em 2015 em virtude do ajuste fiscal. No caso do programa Cisternas, em contratos com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) este ano pouco mais de 2.400 tecnologias de água para consumo humano e produção de alimentos foram construídas. Esse número é bem inferior aos mais de 80 mil em 2014 e 90 mil em 2013. Para 2016, se a proposta de corte for aprovada, o orçamento do Programa Cisternas cairá de R$ 210 milhões para R$ 140 milhões o que, na prática, significaria uma redução drástica nas atividades e processos de implementações de cisternas diante da necessidade.

O Semiárido atravessa uma das mais severas e duradouras secas dos últimos tempos. Mortes, êxodo, saques, filas intermináveis de pessoas para receber uma lata d’água, ficaram na história como uma marca desumana das políticas. A virada desta realidade se deu graças ao protagonismo do povo do Semiárido, aliado a essas políticas públicas adequadas. Portanto, reduzir esses programas sociais é cometer um dos maiores retrocessos na história do País e do Semiárido brasileiro.

Confira abaixo a nota que a ASA enviou aos parlamentares da Comissão Mista de Orçamento sobre o corte nos programas sociais:

O PROGRAMA CISTERNAS CORRE PERIGO

A Comissão Mista de Orçamento, através do seu relator, o deputado Ricardo Barros (PP/PR), está operando vários cortes orçamentários que vão inviabilizar programas sociais significativos.

Além de uma proposta de corte no Bolsa Família de 10 bilhões para 2016, há um corte de 132 milhões no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e de cerca de 70 milhões no Programa Cisternas.

O significado efetivo de todos esses cortes não é viabilizar o país e sim colocar os mais pobres para pagar a conta do ajuste fiscal e de outras questões. Isso é injusto.

Especialmente sobre o Programa cisternas, significa que num momento em que a seca se torna presente e com mais intensidade, cortam-se, a nível federal, os recursos que garantiriam à população mais pobre o acesso à agua potável de qualidade e acesso à agua para produzir alimentos. Em outras palavras: os pobres são mais uma vez condenados à fome e à sede porque o Congresso assim o decide.

Caro (a) Deputado (a) integrante da Comissão Mista de Orçamento

Sabemos da sua sensibilidade social e política. Sabemos que Vossa Excelência não quer difundir a sede e a fome.

O Programa Cisternas precisa de sua ajuda. Contamos com o seu compromisso para impedir que esse retrocesso aconteça.

Vote contra os cortes do Programa Cisternas, do PAA e do Bolsa Família.

ASA – Articulação Semiárido Brasileiro.

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O Semiárido grita, mas o silêncio da mídia ainda é maior que o barulho do povo http://aspta.org.br/2015/12/07/o-semiarido-grita-mas-o-silencio-da-midia-ainda-e-maior-que-o-barulho-do-povo/ http://aspta.org.br/2015/12/07/o-semiarido-grita-mas-o-silencio-da-midia-ainda-e-maior-que-o-barulho-do-povo/#respond Mon, 07 Dec 2015 13:04:17 +0000 http://aspta.org.br/?p=13013 Leia mais]]> “Viemos aqui para dizer que o Semiárido existe.
Que nós existimos, que conquistamos direitos e que não vamos admitir nenhum direito a menos”
Ato Semiárido Vivo: Nenhum direito a menos, 17/11/15

 

Semiárido Vivo
Ato Semiárido Vivo também reivindicou a democratização da comunicação | Foto Ivan Cruz Jacaré Arquivo Asacom

A Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), como um espaço de articulação política da sociedade civil organizada, nesses 16 anos de caminhada, vem contribuindo para modificar a imagem estereotipada do Semiárido – comumente associada ao gado morto e terra rachada – por uma imagem de uma região bela, forte, resiliente e cheia de potencialidades.

No último dia 17 de novembro, cerca de 20 mil pessoas construíram a maior mobilização no Brasil após a Marcha das Margaridas, realizada no mês de agosto. Agricultores e agricultoras, pescadores e pescadoras, indígenas, quilombolas e militantes de movimentos e organizações sociais se reuniram nas cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), as margens do Rio São Francisco, no epicentro do Semiárido brasileiro, para defender uma pauta ampla e diversa em torno dos direitos dos povos do campo, no ato “Semiárido Vivo: Nenhum direito a menos”. Se reivindicava ali, centralmente, a continuidade dos programas de convivência com o Semiárido executados pela ASA, o acesso das populações a terra e territórios, a permanência dos programas sociais e a revitalização do Rio São Francisco.

Sendo esse um ato que mobilizou tantas pessoas em torno de políticas públicas importantes para a vida e o desenvolvimento da população da região, como os meios de comunicação discutiram e pautaram o assunto? E tendo a mídia um importante papel na informação da população, que contribui na formação de opinião da sociedade, e que acompanha as ações do poder público e atua no monitoramento de suas implementações, como abordou um ato público que pautou políticas que impactam, direta ou indiretamente, na vida de 22,5 milhões de brasileiros e brasileiras que vivem na região, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010). Constatamos que houve silêncio completo da mídia hegemônica. Vinte mil pessoas na rua, lutando por seus direitos e não houve sequer uma nota em veículos nacionais tradicionais e poucas menções também nos meios de comunicação alternativos nacionais.

Semiárido Vivo
Barca que acompanhou o Ato Semiárido Vivo | Foto: Agnaldo Rocha

O que esse silêncio nos diz? Será que o estigma da invisibilidade que marcou o Semiárido por tanto tempo ainda persiste como ranço dos coronéis da comunicação que não por coincidência são também os coronéis da política? Historicamente a região semiárida sempre foi vista – e retratada – pela grande mídia como um lugar pobre, inóspito, miserável. A mídia não reconhece quando 20 mil trabalhadores e trabalhadoras do campo vão às ruas em uma postura ativa cobrar seus direitos, lutar por mais políticas públicas, prefere sempre se deixar pautar pela estiagem procurando cenas de gado morto e chão rachado, essas figuras sempre encontram espaço privilegiado nos noticiários regionais e nacionais. Em algumas regiões do Semiárido brasileiro, 2015 já se encerra como o quinto ano consecutivo de seca, porém não foi registrada nenhuma morte em consequência da estiagem, nenhum saque e o êxodo rural não cresceu. A vida do povo do Semiárido melhorou. Mas isso não é pauta na mídia comercial.

A comunicação no Brasil e no Semiárido continua concentrada nas mãos de poucos grupos econômicos que ditam as pautas. Aqueles que não pertencem aos grupos hegemônicos não têm direito à voz, não expressam seus pensamentos, têm direito apenas de ouvir e ver.

Apesar desse silêncio da mídia nacional, houve algum barulho na cobertura do ato “Semiárido Vivo: Nenhum direito a menos”. Barulho, que consideramos aqui como as matérias publicadas pelos meios de comunicação locais, no Vale do São Francisco. Pouco mais de 50 matérias foram publicadas ou veiculadas, entre sites e portais de notícias, jornais impressos, rádios, TVs e blogs. Além dos conteúdos publicados e visibilizados pelas organizações e movimentos que organizaram e estiveram presentes na mobilização. Também chama atenção o grande fluxo de conteúdos que circularam nas redes sociais sobre o ato.

Como furar esse cerco?

Os grandes meios de comunicação, concentrados nas mãos de poucos, estão a serviço de um projeto político que oprime e invisibiliza os povos do Semiárido. Por isso, acreditamos ser importante a democratização da comunicação para que as pessoas reconheçam seu modo de falar, denunciem os conflitos e opressões e anunciem as belezas, culturas e histórias vivenciadas em cada canto do Semiárido brasileiro. Democratizar a comunicação é democratizar o sentido da vida, da luta e resistência das comunidades e dos povos.

No caminho da luta pela democratização é preciso que mudança na forma das concessões públicas de rádio e televisão, a melhor distribuição da verba publicitária governamental e a proibição da propriedade cruzada dos meios de comunicação estejam entre as notas pautas. São necessárias mudanças na legislação de comunicação para que consigamos avançar na conquista da comunicação como direito. Para além das batalhas no campo institucional, o incentivo a comunicação popular é essencial. Quanto mais gente produzindo comunicação popular e conseguindo dialogar com a sociedade sobre informações que não chegam até elas pelos meios convencionais, maior será nosso poder de enfrentamento ao discurso hegemônico. Incentivar a apropriação do direito à comunicação por grupos invisibilizados pelos grandes meios fazendo com que esses grupos possam produzir suas próprias narrativas é uma estratégia muito importante de enfrentamento ao monopólio.

A luta pela democratização da comunicação vem fortalecer a prática da comunicação popular e comunitária. A ASA constrói e fortalece em todos os estados do Semiárido a Rede de Comunicadores e Comunicadoras Populares, um espaço de produção de conteúdo, discussão política e experimentação de meios alternativos. É pelas mãos dessa rede que toma forma os Candeeiros, instrumento de sistematização de experiências que já contou a história de cerca de duas mil famílias da região, provando que sim temos muito a dizer ao Brasil e ao mundo.

Coordenação executiva da ASA Brasil
Fonte: www.asabrasil.org.br

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Agricultores e Agricultoras realizam ato público em Juazeiro (BA) pelas ações de convivência com o Semiárido http://aspta.org.br/2015/11/17/agricultores-e-agricultoras-realizam-ato-publico-em-juazeiro-ba-pelas-acoes-de-convivencia-com-o-semiarido/ http://aspta.org.br/2015/11/17/agricultores-e-agricultoras-realizam-ato-publico-em-juazeiro-ba-pelas-acoes-de-convivencia-com-o-semiarido/#respond Tue, 17 Nov 2015 13:06:28 +0000 http://aspta.org.br/?p=12847 Leia mais]]> Semiárido VivoNesta terça-feira (17), agricultores e agricultoras familiares de todo o Semiárido se reunirão na Orla de Juazeiro (BA), a partir das 10h, no ato público “Semiárido Vivo: Nenhum direito a menos”, em defesa da continuidade e ampliação das ações de convivência com o Semiárido e pela urgência na revitalização do Rio São Francisco. O ato pretende reunir cerca de 15 mil pessoas vindas de todos os estados do Semiárido e é uma realização da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Levante Popular da Juventude e Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

Décadas atrás a situação da seca no Semiárido brasileiro e a falta de políticas públicas de convivência eram os motivos de mortes de milhões de pessoas por sede e fome. No entanto, essa é hoje uma realidade distante. Com a contribuição de ações e programas sociais como o Água para Todos e o Bolsa Família, 40 milhões de pessoas saíram da miséria e da indigência e hoje a região é reconhecido por sua beleza, resiliência, alta capacidade de inovação e produção de conhecimento e alimentos.

O ato reivindica a necessidade de recursos para a continuidade dessas políticas importantes para a convivência com a região semiárida, que estão ameaçadas por conta da crise econômica e política. São ações descentralizadas como a implementação de cisternas de placas para captação de água da chuva para consumo humano e para produção de alimentos, Bolsa Família, acesso a créditos, Programa Nacional de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), Seguro Safra e o Bolsa Estiagem.

“Nosso ato pelo Semiárido Vivo. Nenhum Direito a Menos representa nossa reivindicação, nossa luta e clamor por muito do que já feito e por muito do que ainda precisa ser feito. A favor da vida dos povos do Semiárido e contra a o recuo dos nossos direitos duramente conquistados. Por direitos e dignidade”, explica Valquiria Lima, coordenadora executiva da ASA.

Semiárido VivoAtualmente, quase um milhão de famílias têm água de qualidade para beber ao lado de casa, através das cisternas de placas; cerca de 120 mil famílias podem produzir alimentos com água garantida através das diversas tecnologias sociais. Mas o número de tecnologias de captação de água de chuva ainda não é o suficiente para beneficiar todas as famílias que residem na região, sobretudo porque há cinco anos, a população enfrenta a maior seca dos últimos 50 anos. Atualmente, as metas para implementação dessas tecnologias são menores, se comparadas a alguns anos anteriores, e mesmo o contratado não consegue ser implementado, pois não há recursos nos Ministérios. O número de tecnologias de acesso à água construídas até agora é o menor dos últimos anos.

A agricultora Juvani de Almeida destaca os benefícios e importância das tecnologias de captação e armazenamento de água. “Quando a gente não tinha a cisterna de placas a gente sofria bastante com lata d’água na cabeça. Aí essas cisternas chegaram, a gente tem uma água de qualidade e ninguém mais ouviu falar em cólera. O meu desejo é que continue vindo cisterna para quem não tem”, diz.

O ato público também alerta para a urgência na revitalização do Rio São Francisco, importante para a população do Semiárido brasileiro. As chuvas cada vez mais escassas têm contribuído para que barragens e açudes que abasteciam milhares de pessoas entrassem em colapso, a exemplo da Barragem de Sobradinho, no Submédio São Francisco, que segundo dados da Agencia Nacional das de Águas (ANA) opera com apenas 2,66% de sua capacidade. O resultado das diversas ações humanas de degradação, que visam a lógica econômica em detrimento da preservação ambiental e da população ribeirinha dos rios brasileiros, atrelada ao assoreamento e ao uso irracional da água tem afetado diretamente o Rio São Francisco que abastece municípios do norte de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.

Semiárido VivoDocumento – Durante a 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, realizada entre os dias 03 e 06 de novembro, foi lançado o documento “Semiárido Vivo, nenhum direito a menos” assinado por diversos movimentos e organizações. O documento também alerta para a necessidade da continuidade e ampliação de diversas ações e programas sociais foram afetados por conta da crise econômica e o ajuste fiscal. O PAA está enfrentando cortes de 65% do orçamento previsto para este ano. O Congresso Nacional sinaliza o corte de 10 bilhões de reais no Bolsa Família, o que significa um retrocesso na garantia da segurança alimentar e nutricional dos mais sofridos. O documento reivindica também o assentamento imediato de todas as famílias acampadas, bem como a suspensão imediata da PEC 215.A diminuição destas e outras ações de convivência com o Semiárido, associadas a outros fatores como a possibilidade de mais três anos de seca, pode indicar a volta de uma realidade de miséria e fome que, por muitos anos, perdurou no Semiárido. “A paralisação dessas ações compromete os direitos dos mais pobres, entre eles, o direito à segurança alimentar”, alerta o documento.

Serviço:
Ato público “Semiárido Vivo: Nenhum direito a menos”
Terça-feira, 17/11, 10h, Orla de Juazeiro (BA).

Outras Informações:
Catarina de Angola
Assessora de Comunicação
Fones: +55 81 2121.7429 | 81 99894.0143 | 81 99914.1443

Semiárido Vivo: Nenhum direito a menos!

 

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Semiárido Vivo: Nenhum direito a menos! http://aspta.org.br/2015/11/10/semiarido-vivo-nenhum-direito-a-menos/ http://aspta.org.br/2015/11/10/semiarido-vivo-nenhum-direito-a-menos/#respond Tue, 10 Nov 2015 13:32:29 +0000 http://aspta.org.br/?p=12834 Leia mais]]> 04.11_semiarido_vivoNo momento em que milhares de pessoas do Brasil e de outros países estão reunidas na capital federal discutindo a construção de políticas que garantam a Comida de Verdade no Campo e na Cidade, por ocasião da 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, foi lançado o documento “Semiárido Vivo, nenhum direito a menos” assinado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste (MMTR-NE) e Levante Popular da Juventude.

O documento tem como principal foco a continuidade e ampliação das políticas públicas sociais que, nos últimos 12 anos, têm garantindo uma transformação na vida de milhares de pessoas e que estão comprometidas atualmente por conta da crise econômica e política. Entre essas ações, destaca-se o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que sofreu cortes de 65% do orçamento previsto para 2015 e o Programa Cisternas que também sofreu cortes severos este ano. Pra se ter uma ideia, o número de tecnologias de captação de água de chuva construídas até agora é o menor em 12 anos.

A diminuição destas e outras ações de convivência com o Semiárido, associadas a outros fatores como a possibilidade de mais três anos de seca, pode indicar a volta de uma realidade de miséria e fome que, por muitos anos, perdurou no Semiárido. “A paralisação dessas ações compromete os direitos dos mais pobres, entre eles, o direito à segurança alimentar”, alerta o documento.

De acordo com o coordenador da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e representante da ASA no Consea, Naidison Baptista, a expectativa é que o documento informe aos participantes a situação atual do Semiárido e que a Conferência possa contribuir na construção das políticas de convivência com a região. “A 5ª Conferência é um espaço de debate e construção de políticas e o processo de construção da política se faz na crítica e no elogio das iniciativas existentes”, afirma Naidison.

Como ação concreta, as organizações que assinam a carta defendem um conjunto de medidas distribuída em 4 linhas de ação tais como a intensificação das ações de cisternas de água para consumo humano e para produção, a revitalização do Rio São Francisco, o assentamento imediato de todas as famílias acampadas, a suspensão da PEC 215 – que transfere do Executivo para o Legislativo a definição da demarcação das terras indígenas- – a execução do Programa Camponês construído pela Via Campesina junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), a execução do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PLANAPO) e efetiva implementação do PLANAPO 2 e a implementação e dinamização dos quintais produtivos, conduzidos pelas mulheres, e na perspectiva da produção de alimentos saudáveis.

Semiárido Vivo: Nenhum direito a menos!

Fonte: www.asabrasil.org.br

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Questão fundiária é um dos grandes gargalos para a construção da resiliência no Semiárido http://aspta.org.br/2015/01/28/questao-fundiaria-e-um-dos-grandes-gargalos-para-a-construcao-da-resiliencia-no-semiarido/ http://aspta.org.br/2015/01/28/questao-fundiaria-e-um-dos-grandes-gargalos-para-a-construcao-da-resiliencia-no-semiarido/#respond Wed, 28 Jan 2015 20:14:59 +0000 http://aspta.org.br/?p=10940 Leia mais]]> DSC05391“A concentração de terra no semiárido brasileiro é um dos grandes bloqueios estruturais para a construção da resiliência da agricultura familiar na região. É preciso democratizar o acesso à terra e reorientar as políticas públicas para a agricultura familiar para que as experiências de convivência com o semiárido se multipliquem, ampliem suas escalas e se consolidem”. Essas ideias foram apresentadas por Paulo Petersen, coordenador executivo da AS-PTA, na mesa de encerramento do Seminário Internacional sobre a Construção da Resiliência em Regiões Semiáridas, ocorrida na última sexta-feira (23/01), na sede do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), em Campina Grande-PB. Elas integram a síntese dos debates realizados nos dois primeiros dias do seminário, quando os participantes puderam visitar e debater experiências de construção de resiliência agroecológica nos territórios paraibanos da Borborema e do Cariri e avaliar os resultados preliminares da pesquisa ASA/Insa sobre construção da resiliência agroecológica na região.

A mesa foi dedicada ao tema das políticas públicas para a promoção de uma agricultura mais resiliente no semiárido diante do contexto das mudanças climáticas globais. Participaram do debate representantes do governo federal como Cássio Trovatto, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e da Câmara Interministerial de Agroecologia e Produção Orgânica (Ciapo), Francisco Campello, Diretor de Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente (MMA), além de Pedro Gama, Chefe Geral da Embrapa Semiárido e Cristina Nascimento, representante da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).

Os debates do seminário, ressaltaram a necessidade de abordagens mais abrangentes e integradoras para que as políticas públicas sejam concebidas de forma a compatibilizar as dimensões sociais, econômicas, ambientais e políticas envolvidas nas dinâmicas de desenvolvimento rural. A abordagem que prevalece na concepção de muitas das políticas vigentes isola essas dimensões entre si, gerando verdadeiros círculos viciosos que realimentam a a crise sistêmica que desafia a Humanidade. Ao enfrentarmos problemas relacionados à segurança alimentar e nutricional com base em uma perspectiva produtivista, por exemplo, estimula-se a dinâmica expansiva dos agronegócios e acentua-se as crises ambientais, energéticas e sociais. Ao tentar equacionar a dimensão ambiental a partir de uma abordagem restrita às noções do preservacionismo e do conservacionismo, violam-se direitos de comunidades rurais sobre os territórios que historicamente viveram e produziram. As adaptações às mudanças climáticas e a mitigação dos processos geradores da desertificação no semiárido dependem dessas abordagens integradoras. É exatamente esse o aporte da perspectiva agroecológica para o desenvolvimento rural.

Nessa direção, Paulo Pertesen destacou a importância atribuída pelos debates à Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO) e o processo de luta, organização e mobilização social para que ela seja reforçada, sobretudo ao favorecer essa abordagem multisetorial de tratamento dos problemas do desenvolvimento. No entanto, ele destaca que a PNAPO até o momento não vem merecendo a devida importância em vários ministérios e órgãos de governo. Citou como exemplo o caso do Ministério do Meio Ambiente. “Pouca efetividade terão as medidas do Ministério do Meio Ambiente para enfrentar os problemas da desertificação e das mudanças climáticas caso esses processos continuem a ser abordados como fenômenos estritamente ambientais. Por isso atribuímos tamanha importância ao papel e ao lugar que poderá vir a jogar a PNAPO como instância de articulação interministerial” , disse.

Dentro desse quadro mais amplo relacionado à necessidade de articulação de políticas no âmbito dos territórios rurais, Pertersen destacou o desafio de maior vinculação entre as ações de pesquisa agropecuária, de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) e a educação contextualizada, tendo os agricultores e agricultoras como protagonistas dos processos de construção do conhecimento agroecológico. Outro destaque apresentado na síntese é a importância do enfoque territorial para que as dinâmicas de desenvolvimento rural evoluam a partir da valorização dos potenciais ecológicos, socioculturais, econômicos e institucionais de cada território. É no território que as organizações locais se articulam e é sobre ele que elas atuam, construindo estilos de agricultura mais resilientes que ao mesmo tempo promovem conservação dos bens naturais, dinamização econômica e melhor distribuição da riqueza. A revalorização dos potenciais ecológicos e econômicos da biodiversidade nativa na Caatinga apresenta-se nesse contexto como uma estratégia decisiva para a construção de maiores níveis de resiliência agroecológica. Nesse tema, as experiências visitadas e debatidas demonstram o papel centraldesempenhado pelas mulheres agricultoras como guardiãs do patrimônio genético.

O representante da Comissão Nacional da Desertificação, Francisco Campello, viu o seminário como um espaço estratégico para propor e garantir o desenvolvimento de novas políticas públicas e a melhoria das políticas já conquistadas. Relembrou ainda a importância de não perder espaço no próximo Plano Plurianual (PPA – 2016-2019), que é estratégico para garantir o enfrentamento dos desafios que temos pela frente. Campelo ressaltou ainda que a Conferência das Partes (COP) da Convenção das Nações Unidas sobre Combate a Desertificação, que ocorrerá em Cancun, México, ainda no primeiro semestre de 2015, é um espaço estratégico para apresentação da experiência que a ASA vem construindo no Semiárido brasileiro e que aponta na direção da convivência com os efeitos das mudanças climáticas na região, em particular a acentuação dos períodos de estiagens prolongadas.

Pedro Gama, representante da Embrapa Semiárido, se colocou à disposição para a realização de mais pesquisas que possam contribuir com a construção das iniciativas da ASA. Entende ainda a necessidade de aprofundar mais o tema do manejo da caatinga, aproximando o diálogo com as famílias agricultoras e as dinâmicas sociais de forma a garantir o melhor desenvolvimento das pesquisas científicas.

Por fim, Cristina Nascimento, coordenadora da ASA pelo estado do Ceará, falou sobre a defesa e reafirmação da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) como uma prioridade da ASA, a partir das demandas dos agricultores e das agricultoras. Ela ressaltou ainda que a política de desenvolvimento territorial é entendida como uma estratégia nascida das organizações dos agricultores e que, nesse sentido, precisa retomar os debates e dialogar com as experiências para que a política aconteça na perspectiva da reafirmação da identidade local.

Como encaminhamento do Seminário Internacional Construção da Resiliência Agroecológica em Regiões Semiáridas definiu-se pela elaboração de um documento de síntese que aborde os temas centrais debatidos no evento para que seja apresentado em diferentes instâncias nacionais e internacionais nas quais os temas da adaptação às mudanças climáticas, combate à desertificação e agroecologia serão debatidas este ano.

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Articulação Semiárido Brasileiro realiza Mobilização Relâmpago no Centro de Campina Grande para celebrar seus 15 anos de existência http://aspta.org.br/2014/11/20/articulacao-semiarido-brasileiro-realiza-mobilizacao-relampago-no-centro-de-campina-grande-para-celebrar-seus-15-anos-de-existencia/ http://aspta.org.br/2014/11/20/articulacao-semiarido-brasileiro-realiza-mobilizacao-relampago-no-centro-de-campina-grande-para-celebrar-seus-15-anos-de-existencia/#respond Thu, 20 Nov 2014 11:00:19 +0000 http://aspta.org.br/?p=10690 Leia mais]]> asa 15 anosAs organizações que compõem a Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), rede formada por mais de 300 de entidades que trabalham pelo fortalecimento da agricultura familiar de base agroecológica no estado, irão realizar logo mais às 11h30, na Praça da Bandeira em Campina Grande, um “Flash Mob” (Mobilização Relâmpago). O objetivo é celebrar os 15 anos da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA Brasil), rede formada por mais de 3.000 entidades, da qual a ASA Paraíba faz parte.

Na ação, que contará com a participação de 150 pessoas, um mapa do Estado da Paraíba será estendido no chão da Praça, com a imagem do semiárido que está sendo deixada para trás, de fome, desolação, êxodo rural, carros pipa, filas de emergência, desmatamento. Com o sinal dado por atores em pernas de pau, os participantes irão preencher o mapa com os alimentos e símbolos do modelo de convivência com o semiárido que a ASA vem ajudando a construir, como: sementes, frutas e hortaliças variadas, artesanato, mel, queijo, doce e mais uma infinidade de objetos representativos da agricultura familiar. Ao final do ato, os participantes, se dispersarão, deixando o aviso de que os alimentos são para doação às pessoas que estiverem passando pelo local. Toda a movimentação terá duração aproximada de 10 minutos.

A mobilização, que marca os 15 anos da rede, tem o objetivo dar visibilidade às ações de convivência da ASA, a partir da ocupação do espaço público de forma criativa. A iniciativa dialogará com a população urbana convidando homens e mulheres a fazerem uma reflexão a partir das temáticas “Água como Alimento” e “Água para Produção de Alimentos”, na perspectiva de se pensar os modelos da agricultura familiar, que produz alimentos saudáveis, e o do agronegócio que, quando produz alimentos, são contaminados por agrotóxicos. Como parte da ação duas perguntas serão lançadas ao público participante como forma de instigá-los a pensar sobre a qualidade dos alimentos que chegam a sua mesa e a relação estabelecida entre o campo e a cidade: “Você tem fome de quê? e Você tem sede de quê?”.

Além de Campina Grande, a programação será realizada, entre as 10h e 12h, nas cidades de Montes Claros (MG), Feira de Santana (BA), Aracajú (SE), Arapiraca (AL), Triunfo (PE), Mossoró (RN), Fortaleza e Juazeiro do Norte (CE), Teresina (PI) e São Luís (MA). A maior parte das ações ocorrerá em praças públicas e vias de grande circulação de pessoas.

O Flash Mob é uma intervenção de rua inusitada, onde a cidade, geralmente em umlocal de grande circulação de pessoas, tem a sua rotina alterada, pelo acontecimento de algum tipo de manifestação, seja artística ou de protesto, com o intuito de chamar a atenção das pessoas para um determinado assunto e provocar uma reflexão a respeito. Os FlashMobs se caracterizam por aglomerações instantâneas de pessoas, estas se dispersando tão rapidamente quanto se reuniram.

A ação coletiva também celebrará a conquista do acesso à água pelos povos do Semiárido, um direito humano básico e necessário à vida e a produção de alimentos. A partir do Programa de Formação e Mobilização Social a ASA desenvolve o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), que construiu de 2003 até hoje cerca de 560 mil cisternas de placas de água para beber e cozinhar; e o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), que implementou mais de 72 mil tecnologias sociais de estocagem de água para produção de alimentos.

A agricultura familiar produz 70% dos alimentos que chegam à casa de milhões de brasileiros e brasileiras, no entanto ocupa somente 24% das terras agrícolas no país. Agricultores e agricultoras familiares do Semiárido trabalham no campo com a consciência de preservar a vegetação nativa da caatinga e do cerrado, o que possibilita a geração de trabalho e renda. Ao contrário do agronegócio, que pratica a monocultura e o uso de agrotóxicos.

ASA – Articulação Semiárido Brasileiro é uma rede formada por mais de três mil organizações da sociedade civil com atuação na gestão e desenvolvimento de políticas públicas de convivência com o Semiárido. Tem como missão fortalecer a sociedade civil para a construção de processos participativos voltados para o desenvolvimento sustentável e a convivência com o Semiárido. As entidades que integram a ASA estão organizadas em fóruns e redes em dez estados do Semiárido brasileiro (Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Piauí, Sergipe, Rio Grande do Norte, Maranhão e Minas Gerais). A rede surgiu em 1999, durante a 3ª Conferência das Partes da Convenção de Combate à Desertificação e à Seca (COP3), no Recife (PE). Nestes 15 anos de lutas e desafios, a maior conquista da rede é ter transformado a imagem de que a região tem apenas uma paisagem cinza e seca do Semiárido visibilizando o lugar que é rico em vida, onde milhares de agricultores e agricultoras devem ter o direito garantido de acesso à água de qualidade para viver com dignidade.

 

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