História – AS-PTA https://aspta.org.br Tue, 28 Jun 2022 23:42:30 +0000 pt-BR hourly 1 A noite em que as mulheres agricultoras do Semiárido foram aclamadas https://aspta.org.br/2022/03/11/a-noite-em-que-as-mulheres-agricultoras-do-semiarido-foram-aclamadas/ https://aspta.org.br/2022/03/11/a-noite-em-que-as-mulheres-agricultoras-do-semiarido-foram-aclamadas/#respond Fri, 11 Mar 2022 14:15:50 +0000 http://aspta.org.br/?p=19289 Leia mais]]>

Sexta-feira, 4 de março de 2022, 18h. No centro de Campina Grande, o Teatro Municipal Severino Cabral está cheio. Mulheres, homens e as juventudes do campo se juntam aos da cidade para assistir ao documentário “Mulheres de Curimataú”. Costurando as emoções, o lançamento contou com a voz potente de Sandra Belê. A exibição gratuita no teatro público foi em celebração ao Dia Internacional da Mulher.

No território da Borborema, do qual Campina Grande é a cidade polo, em todo dia 8 de março, milhares de agricultoras ocupam as ruas do centro de um dos municípios para realizar a Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia. Esse ano, por conta da pandemia, o ato foi adiado para 01 de maio e a programação foi outra.

Desta vez, campo e cidade se encantaram com o milagre das vidas ordinárias que não estão nas capas de revista, nem mobilizam milhares de seguidores nas redes sociais. Quem esteve no teatro viu com seus próprios olhos e ouviu com seus próprios ouvidos relatos de quatro mulheres que fazem parte de uma força social capaz de romper com o ciclo de pobreza que acorrenta gerações e gerações de famílias rurais e, principalmente, as mulheres.

Após a exibição, uma fala ao vivo de uma das protagonistas do documentário, Maria Helena Barbosa: “Como vocês puderam ver a nossa história, essa mulher que hoje vocês estão vendo aqui ela nunca foi desse jeito não. Era uma mulher de cabeça baixa ela, era uma mulher triste, ela não tinha nem infância, nem boa de educação, mas ela aprendeu e colocou na cabeça dela que quando ela crescesse, ela não ia mais ser aquela mesma pessoa. E ela teve o direito de lutar e batalhar pelo que ela é hoje. E o que eu sou hoje? Eu sou Maria Helena, mas eu sou dona da minha vida, sou mãe, sou esposa e sou mulher. Pois essa Maria Helena, ela não se acomodou porque ela teve uma vida difícil, não teve educação, só terminou a quarta série, mas ela viu lá atrás, através do pai dela, que a dificuldade dele era grande. Então eu não queria a vida dos meus pais para mim, porque o sofrimento dele era tão grande que fazia dó. Trabalhava em campo, trabalhava em motor [de agave], era escravizado, era humilhado não tinha o seu chão para plantar. A minha mãe aos 40 anos ainda não tinha terra para morar e eu aos 38 já tenho a minha primeira terra e moro lá. Então quando a gente vê essa grandeza através desta equipe tão grande que é a AS-PTA, o Sindicato, a na nossa Associação, o Polo da Borborema, a Ciranda da Borborema, todo esse conjunto de pessoas que vai lá na nossa casa, na nossa terra visitar e conhecer a nossa vida, a nossa história, eu só sou eu agora através de vocês. Então eu não me sinto protagonista, protagonistas são eles que levaram pra nós essa oportunidade. Muito obrigada”.

Sem dúvida, foi uma noite foi inesquecível para quem esteve presente. Muitas mulheres saíram de lá emocionadas, encantadas por se verem nos relatos de Maria Helena, Verônica, Marília e Nalva, que estreavam na tela grande.

“Tomara que este documentário ganhe o mundo. É interessante ver as histórias daquelas mulheres. Elas nos representam. Achei lindo”, dispara Anilda Batista, uma das coordenadoras da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, que esse ano ganha as ruas de Solânea no dia do/a trabalhador/a.

“É um momento fantástico. A gente ver as histórias de mulheres agricultoras, de mulheres de Curimataú. A gente se emociona e se identifica bastante com a realidade de cada uma delas. Realidade que a gente, como agricultoras, enfrenta como a questão da seca, a questão das mudanças climáticas, a questão da mulher ter vez e voz na sociedade, que consegue conquistar suas coisas com esforço. Elas passam pra gente muita força pra lutar”, sustenta Daiane Nascimento, uma jovem camponesa do município de Esperança.

Curimataú é uma das regiões mais secas da Paraíba. No ano passado, nesta localidade, no município de Solânea, a 70 km de Campina Grande, teve o menor índice pluviométrico dos últimos 100 anos. Esse dado dá uma ideia da condição de quem vive do que cultiva na região. E para enfrentar as mudanças climáticas, que atingem com mais veemência o trabalho e a vida das mulheres, é preciso ampliar a autoestima das mulheres e enfrentar o machismo.

“Esse documentário é muito importante porque valoriza a vida das mulheres”, opina Penha Batista, agricultora da região do Brejo de Solânea. “No cotidiano, elas vão aprendendo a se fortalecer junto com o sindicato, com os movimentos [de mulheres]. E o conhecimento que elas trazem pra si tem transformado a vida delas, tem permitido que permaneçam no seu lugar, educando seus filhos, valorizando a agricultura e trazendo pra si o zelar pela vida”, acrescenta Marizelda Salviano, do sindicato de Esperança.

“Foi um documentário que eternizou a vida de tantas mulheres que conseguem ressignificar suas vidas, se fortalecer nos territórios, fortalecer outras mulheres e fortalecer a luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres”, destaca Cristina Lima, de Remígio.

Na plateia, estava também uma representante do povo na Assembleia Legislativa da Paraíba, Estela Bezerra, que também fez uma fala no momento de escutar quem foi assistir ao doc. “Fiquei muito comovida. Parabéns pela narrativa, por reunir estas histórias”, pontuou, destacando aspectos presentes nas falas das mulheres do documentário: “Tem o esperançar, porque os tempos estão tão duros, tão difíceis, que a gente se sustenta na ideia de ter uma esperança, na [atitude] de esperançar e construir resistência. E também está presente na narrativa das mulheres a abertura para quebrar a ignorância, para aceitar um conhecimento que ainda não têm, para a transformação e para modificar uma cultura patriarcal.”

]]>
https://aspta.org.br/2022/03/11/a-noite-em-que-as-mulheres-agricultoras-do-semiarido-foram-aclamadas/feed/ 0
Margarida Alves: testemunho de 36 anos atrás https://aspta.org.br/2019/08/20/margarida-alves-testemunho-de-36-anos-atras/ https://aspta.org.br/2019/08/20/margarida-alves-testemunho-de-36-anos-atras/#comments Tue, 20 Aug 2019 15:24:19 +0000 http://aspta.org.br/?p=16480 Leia mais]]> Conheci Margarida em 1983, durante um seminário organizado pelo CENTRU, dirigido por Manuel da Conceição, líder camponês do Maranhão e realizado em Guarabira (PB), em um local da diocese. Éramos uns 60 participantes, a grande maioria lideranças sindicais ou das oposições sindicais de todo o Nordeste. Estava no mesmo grupo de trabalho de Margarida discutindo a questão da luta pela terra e as formas de produção que viabilizassem a economia camponesa. Eram os primeiros tempos do Projeto Tecnologias Alternativas, hoje a ONG Agricultura Familiar e Agroecologia (AS-PTA). Margarida era uma militante aguerrida e inteligente, curiosa e interessada nas novidades que eu apresentava sobre o que hoje se conhece como agroecologia. No dia do seu assassinato ela discutiu comigo sobre a necessidade de nos prepararmos para enfrentar a violência dos latifundiários e donos de usinas, se necessário com armas. Então como hoje o risco de vida era um fato do quotidiano de cada militante social, mais ainda nos rincões do Norte e Nordeste onde a lei da selva imperava sem limites.

Ao final dos trabalhos neste segundo dia Margarida decidiu ir dormir em casa para ver como estava seu marido adoentado. Nos despedimos na porta do seminário, no mesmo lugar onde eu estava, duas horas depois, conversando depois do jantar com o presidente do sindicato de São Sebastião do Umbuzeiro, município do extremo oeste da Paraíba, Luiz Silva, e seu filho adolescente. Uma moto chegou em disparada e o piloto saltou gritando: “mataram Margarida”. Mandei-o entrar para avisar os outros e saí direto para Alagoa Grande, num carro dirigido por Luís. Me impressionou a naturalidade com que pai e filho sacaram pistolas 38 de suas capangas e checaram os carregadores, sinal dos tempos perigosos em que vivíamos. Com dois anos de treinamento no Corpo de Fuzileiros Navais eu sabia manejar armas e pedi ao filho do Luís a sua, o que ele aceitou. Partimos voando e em pouco tempo estávamos no município vizinho.

Na porta da casa de Margarida havia uma pequena multidão, mas nenhuma autoridade, embora já tivesse transcorrido mais de uma hora do evento. Interroguei várias pessoas para recolher informações sobre o assassinato, com detalhes sobre os dois matadores (com descrição de aspecto, altura, cor, roupas) e como agiram e o carro que utilizavam (com identificação da marca e placa). Um dos matadores ficou no carro estacionado a 20 metros da porta da casa enquanto o outro foi à porta que tinha a parte superior aberta e chamou por Margarida. Ela veio atender e o assassino tirou de uma sacola um fuzil de cartucho com o cano serrado e disparou quase a queima roupa na cabeça de Margarida. Era um típico ato de um profissional da morte, tanto pelo armamento como pela frieza. Segundo as testemunhas ele saiu andando sem pressa e sem se esconder em direção ao carro e os dois criminosos partiram sem correria nem alarde. Margarida teve o crânio esfacelado pelo disparo e morreu imediatamente.

Saí dali para a delegacia onde os policiais pareciam alheios ao fato e fiz a denúncia cobrando que pedissem imediatamente que as autoridades policiais dos municípios vizinhos fizessem barreiras nas estradas que saíam de Alagoa Grande. Dei uma enquadrada no delegado usando a minha carteira de oficial da marinha de guerra (da reserva, mas ele não reparou) e o susto que levou o fez se mexer, mandando policiais para a casa de Margarida e telefonando para a capital para pedir o cerco. Me parece mais do que claro que havia senão um conluio, pelo menos pouco interesse em fazer alguma coisa.

Quando voltei à casa de Margarida um policial me disse que ninguém tinha visto nada do atentado. Cheguei a falar com um dos meus entrevistados de primeira hora, mas ele negou o que disse antes afirmando que nem estava lá. Era claro que as potenciais testemunhas temiam a polícia tanto quanto os assassinos e não estavam dispostos a se expor.

Nos meses e anos que se seguiram após muitas denuncias e pressões a justiça fechou o caso sem concluir sobre os mandantes. Em Alagoa Grande todo mundo acreditava que a ordem para matar tinha vindo de um usineiro que havia publicamente ameaçado Margarida pela atividade do sindicato nas suas fazendas. O dito acusado era político importante no PMDB, se não me engano o presidente do diretório local e ligado a deputados e senadores da Paraíba. Ficou impune.

Como um poeta já disse há muitos anos: “podem matar algumas flores, mas não podem matar a primavera”. Virou lugar comum, mas segue sendo uma linda imagem poética de forte conteúdo. Margarida está viva nas lutas das mulheres e de todos os homens do campo e a Marcha do dia 13 mostrou a força destas lutas. A brutalidade governamental ou privada que se alastra por todo o país não deve nos fazer lamentar as derrotas, mas aprender com elas e seguir adiante nesta travessia do deserto que mais cedo do que tarde chegará ao seu fim.

Jean Marc
Fundador da AS-PTA

 

Assista ao vídeo Margarida Sempre Viva

]]>
https://aspta.org.br/2019/08/20/margarida-alves-testemunho-de-36-anos-atras/feed/ 1
Texto: Colocando uma bola em um buraco quadrado: avaliação das políticas agrícolas nos governos Lula e Dilma com especial ênfase na política de ATER https://aspta.org.br/2018/12/18/texto-colocando-uma-bola-em-um-buraco-quadrado-avaliacao-das-politicas-agricolas-nos-governos-lula-e-dilma-com-especial-enfase-na-politica-de-ater/ https://aspta.org.br/2018/12/18/texto-colocando-uma-bola-em-um-buraco-quadrado-avaliacao-das-politicas-agricolas-nos-governos-lula-e-dilma-com-especial-enfase-na-politica-de-ater/#respond Tue, 18 Dec 2018 14:32:22 +0000 http://aspta.org.br/?p=16163 Leia mais]]> Uma bola pode entrar em um buraco quadrado, mas ela não encaixa nunca, sempre sobrando ou faltando alguma coisa. Esta é a imagem que me veio todo o tempo que passei lutando para influenciar as políticas públicas dirigidas pelos governos “populares” para a agricultura familiar.

Nosso maior sucesso enquanto sociedade civil atuando junto ao governo foi a política de ATER e dela eu trato com mais detalhes no texto que segue. Apesar do “sucesso” a minha avaliação desta política é que ela estava em processo de esterilizar os maiores avanços metodológicos já conseguidos em uma ATER agroecológica no Brasil ou no resto do mundo. O golpe de Temer e seus comparsas pregou mais uns pregos no caixão mas os problemas já vinham de antes.

Não dá para apontar o dedo para os sucessivos responsáveis desta e de outras políticas quer no governo Lula quer no de Dilma. Apesar de inúmeras dificuldades nas relações entre os funcionários e os representantes da sociedade civil sempre houve um esforço de diálogo aberto e sincero mesmo quando aparentemente uns falavam grego e os outros sueco. Houve problemas de compreensão das nossas propostas, impedimentos legais e burocráticos, pressões governamentais por decisões urgentes atropelando as negociações, etc., mas temos também que reconhecer que não havia muita unidade do nosso lado. Tivemos problemas de compreensão das propostas entre nós tanto como com os governos.

Com o benefício da experiência posso dizer que o principal erro da nossa parte, sociedade civil, em todo este tempo foi o nosso excesso de ambição. Tentamos formular políticas de caráter universal, aplicáveis para toda a agricultura familiar, mas esta pretensão, justificável no longo prazo, era totalmente irreal no prazo dos governos em questão. Oscilamos entre propor programas para um grupo limitado de agricultores e políticas dirigidas indiscriminadamente para todos.

Ocorre que a grande maioria dos agricultores familiares nunca ouviu falar (ainda) de agroecologia ou de agricultura orgânica. Entre as organizações da agricultura familiar apenas a Via Campesina tem uma posição doutrinária pela agroecologia mas isto não chegou a se refletir nem no conjunto de suas pautas de reivindicações junto aos governos populares nem nos anseios de sua base. As outras centrais têm dirigentes mais ou menos convencidos da proposta, mas tampouco chegaram a assumi-la em suas pautas pelas mesmas razões: suas bases não estão suficientemente engajadas para dar peso à esta opção.

Além de insuficiente apoio social a agroecologia sofreu com a limitada capacidade das instituições de ATER em promover o seu uso em processos de desenvolvimento. Poucos são os técnicos formados e com experiência no assunto, poucas as entidades de ATER dominando as abordagens mais corretas de promoção da agroecologia.

Teria sido mais impactante defender programas (tal como a Dilma propôs e nos recusamos) dirigidos a um número restrito de agricultores familiares, mas com recursos permitindo que elementos de política pública como crédito, ATER, pesquisa, beneficiamento, comercialização, entre outros, pudessem ser utilizados de forma integrada. Se desde 2003 tivéssemos montado um programa dirigido aos 200 mil (meta da proposta da Dilma) agricultores teríamos tido 13 anos para promover a transição agroecológica sem nos preocuparmos com a elaboração de um projeto para cada política (crédito, ATER, PAA, PNAE, etc.) pois haveriam recursos suficientes para um fundo onde todas estas questões fossem tratadas em conjunto.

Morremos de medo de cairmos nas políticas “de nicho”, beneficiando uns poucos produtores e integrando-os com uns poucos consumidores ricos. O risco seria e é real pois ele ocorre em muitos países do primeiro mundo mas acho que também seria possível expandir a partir dos acúmulos obtidos na transição agroecológica deste primeiro contingente e ir buscando a universalização pouco a pouco.

As reflexões do texto que se segue visam preparar novas negociações no futuro quando o “cipó der a volta” e tivermos de novo chances de influir nas políticas e programas de governo.

Jean Marc von der Weid
Fundador da AS-PTA

Clique e baixe o texto: Uma bola em um buraco quadrado – Texto Jean Marc von der Weid

]]>
https://aspta.org.br/2018/12/18/texto-colocando-uma-bola-em-um-buraco-quadrado-avaliacao-das-politicas-agricolas-nos-governos-lula-e-dilma-com-especial-enfase-na-politica-de-ater/feed/ 0
“Aliança pela Agroecologia” promove debates na América Latina https://aspta.org.br/2017/05/15/alianca-promove-debates/ https://aspta.org.br/2017/05/15/alianca-promove-debates/#respond Mon, 15 May 2017 14:47:19 +0000 http://aspta.org.br/?p=14784

Em encontro na capital do Brasil, entidades de diversos países discutiram soluções para o fortalecimento da forma desse tipo de produção.

O Seminário Aliança pela Agroecologia, realizado entre 3 a 6 de maio de 2017, em Brasília, reuniu cerca de 70 pessoas dos mais diversos países latino-americanos, além de representantes da União Europeia, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura – FAO, do BNDES, da Fundação Banco do Brasil e do Governo Federal. De acordo com o coordenador do Projeto Aliança, Gabriel Fernandes, da AS-PTA, o intercâmbio foi fundamental para orientar as políticas públicas voltadas à agroecologia. “O seminário marcou o encerramento do projeto, mas, ao mesmo tempo, a inauguração de um novo processo de articulação de organizações que promovem a agroecologia na América Latina. A base dessa articulação são as experiências concretas que essas entidades desenvolvem nos seus países, cujos resultados e impactos foram apresentados nesses três dias.”

Os estudos de caso apresentados por sete países – Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guatemala, Nicarágua e Paraguai – estão disponíveis no site do projeto Aliança pela Agroecologia. As ações promovidas pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, entidade organizadora do seminário, no Agreste da Borborema, na Paraíba, é um destes estudos. O Polo da Borborema se tornou uma fonte de iniciativas agroecológicas com uma rede de banco de sementes, acesso à água de qualidade para beber e para produção, mais de 140 grupos comunitários gerindo fundos solidários, financiando inúmeras inovações agroecológicas, além de fomentar um expressivo movimento de mulheres e mais recentemente, um movimento de jovens camponeses. Essa experiência pode ser conhecida no documentário O Polo, produzido pelo projeto e lançado durante o Seminário.

Todos os resultados dos estudos de caso realizados pelas entidades que compõem a Aliança – AS-PTA, Actionaid Brasil, Cipca (Bolívia), Imca e Recab (Colômbia), CEA (Equador), Fundebase (Guatemala), Rede Rural (Paraguai), Simas e Unag/PCaC (Nicarágua) – estão reunidos, também, na edição especial da revista Agriculturas de Setembro de 2016. As entidades concluíram que as experiências agroecológicas contribuem para pelo menos dez dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

Avanços e desafios

A intensa programação do Seminário contou com diversas mesas sobre as experiências dos países, os diálogos de saberes e com um momento de reflexão e discussão sobre os avanços e desafios para a promoção da agroecologia na América Latina. O debate destacou três aspectos: sociais, ambientais e econômicos.

Entre os sociais, o grupo reconheceu que o interesse público e da academia pelo tema vem crescendo, além disso, a agroecologia está fortalecendo a luta pelos direitos das mulheres e resgatando produções que estavam praticamente abandonadas, o que é importante para a segurança alimentar. Os desafios sociais são, entre outras coisas, a disseminação dessa forma de produção, o combate à cultura machista e patriarcal, a melhoria dos sistemas de informações e a discussão sobre a concentração de terra em poucas mãos.

A respeito dos aspectos ambientais, foram apontados como avanços a manutenção das práticas ecológicas pelos camponeses, soluções técnicas para o manejo da água e a mudança em alguns países da matriz energética para fontes de energia sustentáveis. Entre os desafios, está a promoção da Aliança junto aos movimentos sociais para uma luta global e a descontaminação da água e do solo.

Com relação aos aspectos culturais, as propostas foram repensar o papel da educação, voltada majoritariamente à produtividade; estabelecer um melhor diálogo com os jovens e buscar apoio das universidades que, de um modo geral, estão muito distantes da realidade da agroecologia, segundo os participantes do seminário.

Embora o projeto da Aliança, financiado pela União Europeia, esteja se encerrando, como destaca Gabriel Fernandes, as organizações já manifestaram interesse em permanecer em contato e com novos projetos, promovendo a troca de experiências entre países. Um novo encontro do grupo deve ocorrer durante o Congresso Latino-Americano de Agroecologia, que ocorrerá em setembro, na capital federal.

———————————

TEXTO: Aline Dolphs

FOTOS: Ubirajara Machado

]]>
https://aspta.org.br/2017/05/15/alianca-promove-debates/feed/ 0
Cartilha – Análise participativa para o desenvolvimento agrícola sustentável https://aspta.org.br/2016/09/01/cartilha-analise-participativa-para-o-desenvolvimento-agricola-sustentavel/ https://aspta.org.br/2016/09/01/cartilha-analise-participativa-para-o-desenvolvimento-agricola-sustentavel/#comments Thu, 01 Sep 2016 22:18:03 +0000 http://aspta.org.br/?p=14109 Leia mais]]> Analise participativa para o desenvolvimento agrícola sustentávelA realização do desenvolvimento agrícola sustentável coloca três questões críticas. A primeira é a elaboração de um conjunto de conceitos realistas que tenham significado prático. A segunda é o desenvolvimento de abordagens para análise que sejam estruturadas e razoavelmente precisas, sem que deixem de ser baratas e de produzir resultados rapidamente. A terceira é assegurar-se que esses métodos e as técnicas que os constituem permitam uma participação genuína dos agricultores e de outros beneficiários do desenvolvimento na análise e na tomada de decisões. Ao logo da última década, e Análise de Agroecossostemas – AAE e o Diagnóstico Rápido de Sistemas Rurais – DRSR foram desenvolvidos para dar conta dos dois primeiros desafios. Nos últimos anos, começaram a ser adaptados para dar conta, também, do terceiro desafio: o envolvimento participativo.

Análise participativa para o desenvolvimento agrícola sustentável_ Conway

]]>
https://aspta.org.br/2016/09/01/cartilha-analise-participativa-para-o-desenvolvimento-agricola-sustentavel/feed/ 3
Livro – Sementes da Paixão: estratégia comunitária de conservação de variedades locais no Semiárido https://aspta.org.br/2016/09/01/livro-sementes-da-paixao-estrategia-comunitaria-de-conservacao-de-variedades-locais-no-semiarido/ https://aspta.org.br/2016/09/01/livro-sementes-da-paixao-estrategia-comunitaria-de-conservacao-de-variedades-locais-no-semiarido/#respond Thu, 01 Sep 2016 15:21:06 +0000 http://aspta.org.br/?p=14159 Leia mais]]> Semenes da PaixãoPublicado em 2002, este texto reflete os acúmulos do Programa de Recursos Genéticos do Projeto Paraíba da AS-PTA e seus parceiros. Seu conteúdo é produto do trabalho e das reflexões coletivas envolvendo as organizações de agricultores e agricultoras, a equipe da AS-PTA e entidades que compõe a Articulação do Semiárido Paraibano.

Relata a experiência de implantação de um Sistema de Seguridade de Sementes a partir de Bancos de Sementes comunitários na região do Agreste Paraibano. Discute os limites e os potenciais desta iniciativa para conservação da diversidade biológica nos sistemas agrícolas locais e a segurança de abastecimento de semente.

Sementes da Paixão: estratégia comunitária de conservação de variedades locais no Semiárido

]]>
https://aspta.org.br/2016/09/01/livro-sementes-da-paixao-estrategia-comunitaria-de-conservacao-de-variedades-locais-no-semiarido/feed/ 0
Cartilha – Monitoramento de sistemas agrícolas como forma de experimentação com agricultores https://aspta.org.br/2016/09/01/cartilha-monitoramento-de-sistemas-agricolas-como-forma-de-experimentacao-com-agricultores/ https://aspta.org.br/2016/09/01/cartilha-monitoramento-de-sistemas-agricolas-como-forma-de-experimentacao-com-agricultores/#respond Thu, 01 Sep 2016 14:34:08 +0000 http://aspta.org.br/?p=14153 Leia mais]]> Monitoramento de sistemas agrícolas como forma de experimentação com agricultoresO Objetivo deste trabalho é incentivar o debate entre agrônomos e cientistas sociais a respeito da necessidade de se desenvolver um processo sistemático e racionalizado para a coleta de informações agronômicas nas propriedades dos agricultores. Em particular, o trabalho explica como mapeamento das atividades dos agricultores, conjugado com um monitoramento agronômico, é uma forma útil de experimentação.

A ênfase, aqui, é colocada sobre a necessidade de coleta de informações agronômicas, tanto a respeito das propriedades dos agricultores quanto das parcelas experimentais, sendo que o primeiro tipo de coleta costuma ser desprezado. Assim, a hipótese fundamental deste trabalho é que ambas as coletas têm um importante papel.

Monitoramento de sistemas agrícolas como forma de experimentação com agricultores_Edwards

]]>
https://aspta.org.br/2016/09/01/cartilha-monitoramento-de-sistemas-agricolas-como-forma-de-experimentacao-com-agricultores/feed/ 0
Cartilha – A horta intensiva familiar https://aspta.org.br/2015/07/15/cartilha-a-horta-intensiva-familiar/ https://aspta.org.br/2015/07/15/cartilha-a-horta-intensiva-familiar/#respond Wed, 15 Jul 2015 12:31:44 +0000 http://aspta.org.br/?p=12198 A horta intensiva familiarManual do método Centro de Educaion y Tecnologia CET para implantação de hortas familiares, traduzido no final na década de 1990.

A Horta Intensiva Familiar

]]>
https://aspta.org.br/2015/07/15/cartilha-a-horta-intensiva-familiar/feed/ 0
Novas visões sobre mudança ambiental: abordagens participativas de monitoramento https://aspta.org.br/2015/07/01/novas-visoes-sobre-mudanca-ambiental-abordagens-participativas-de-monitoramento/ https://aspta.org.br/2015/07/01/novas-visoes-sobre-mudanca-ambiental-abordagens-participativas-de-monitoramento/#respond Wed, 01 Jul 2015 19:47:19 +0000 http://aspta.org.br/?p=12135 Leia mais]]> Por Joanne Abbot e Irene Guijt, tradução de John Cunha ComerfordNovas visões sobre mudana ambiental

Livro da década de 1990 que faz uma revisão das abordagens participativas de monitoramento de mudanças ambientais. As fotos de dados foram a literatura publicada a esse respeito, entrevistas com pessoas envolvidas com essas atividade, bem como a experiência prática de um projeto de pesquisa sobre monitoramento participativo de agricultura sustentável no Brasil, que busca desenvolver um processo de monitoramento viável e relevante junto a agricultores, Sindicatos de Trabalhadores Rurais e ONGs, para avaliar os impactos sociais e ambientais dos esforços por eles promovidos no sentido de desenvolver formas mais sustentáveis de agricultura.

Novas Visões sobre mudança ambiental

]]>
https://aspta.org.br/2015/07/01/novas-visoes-sobre-mudanca-ambiental-abordagens-participativas-de-monitoramento/feed/ 0
Cartilha: O renascer da agricultura https://aspta.org.br/2014/09/27/cartilha-o-renascer-da-agricultura/ https://aspta.org.br/2014/09/27/cartilha-o-renascer-da-agricultura/#comments Sat, 27 Sep 2014 15:04:32 +0000 http://aspta.org.br/?p=9508 Trata-se da exposição dos princípios da agroflorestação descobertos nos mais de 20 anos de experiências do Ernst, em particular na Costa Rica e no sul da Bahia.

Ernst Götsch, 1996.

]]>
https://aspta.org.br/2014/09/27/cartilha-o-renascer-da-agricultura/feed/ 5