AS-PTA https://aspta.org.br Tue, 20 Jul 2021 22:43:07 +0000 pt-BR hourly 1 No território da Borborema, AS-PTA e Polo lutam para conservar a ovelha Morada Nova e dispersá-la no território https://aspta.org.br/2021/07/20/na-borborema-paraibana-as-pta-e-polo-lutam-para-conservar-a-ovelha-morada-nova-e-dispersa-la-no-territorio/ https://aspta.org.br/2021/07/20/na-borborema-paraibana-as-pta-e-polo-lutam-para-conservar-a-ovelha-morada-nova-e-dispersa-la-no-territorio/#respond Tue, 20 Jul 2021 22:41:18 +0000 http://aspta.org.br/?p=18777 Leia mais]]> Em tempos de mudanças climáticas, não há outro caminho que não seja cultivar e criar plantas e animais adaptados às áreas secas, como o Semiárido brasileiro

Quem cultiva a terra e quem se alimenta dos frutos dela devem ficar atentos/as ao debate sobre a crise climática. Não para se assustar, mas para conhecer estratégias que melhoram as condições de produção das famílias agricultoras responsáveis por fornecer 70% do que os/as brasileiros/as consomem todos os dias. Uma destas estratégias é a criação de animais adaptados ao ambiente e clima semiárido.

Parece até óbvio, mas esta questão ainda tem passado longe das políticas públicas que apoiam a criação de rebanhos para produção de leite e carne na Paraíba, por exemplo. Em pleno momento de debate sobre as mudanças climáticas e de efetivar ações que ampliam a resistência das famílias às perturbações climáticas, as políticas em vigor valorizam as raças exóticas, que vêm de fora, e desvalorizam as raças já existentes na região e adaptadas às condições locais.

“Há uma inversão na lógica natural das coisas. A política pública quer que você adapte o ambiente para criar o animal. É um gasto grande de energia e de recurso para se criar um bicho numa região que é quente, que é seca, que chove 3, 4, 5 meses no máximo ao ano e no resto é seco. E você criar um animal que não se adapta é muito difícil”, critica Felipe Teodoro, assessor técnico da AS-PTA que acompanha o tema da criação animal junto no Polo da Borborema.

O Polo é um coletivo que atua no território da Borborema paraibano e reúne 13 sindicatos rurais, cerca de 150 associações comunitárias, uma associação regional, a EcoBorborema, e uma cooperativa, a CoopBorborema, e tem assessoria da AS-PTA.

A partir de 2015, o Polo e a AS-PTA começaram a trazer a raça de ovelha Morada Nova para habitar o território da Borborema. Esta variedade de ovino foi identificada pela primeira vez no município de mesmo nome no Semiárido cearense e ainda é pouco conhecida na Paraíba.

Começando pelos jovens – Na Borborema, os primeiros cuidadores dela foram os jovens das famílias agricultoras associadas ao Polo. Por que a juventude? Por vários motivos. Principalmente, para possibilitar aos/às jovens uma fonte de renda e mais autonomia financeira e na tomada de decisão no agroecossistema familiar.

“Antes, os jovens já criavam animais, só que eram dos pais. O pai vendia e ele não tinha acesso ao recurso, não recebia pelo trabalho. E, quando começaram a criar seus próprios animais, eles começam a gerir seus próprios recursos. Quando nasce um macho, por exemplo, vende e compra um sapato, um celular, um remédio, ajuda em casa, se for necessário”, explica Felipe.

“Isso contribui diretamente para o combate ao êxodo rural. Os jovens não veem nenhuma perspectiva na zona rural porque não desenvolvem nenhuma atividade produtiva ou não estão obtendo renda. E, quando têm acesso ao Fundo Rotativo [Solidário] começam a perceber que é possível, sim, permanecer ali e desenvolver suas atividades e ter renda e autonomia”, continua Felipe.

O Fundo Rotativo Solidário (FRS) é um mecanismo que tem permitido que os ovinos Morada Nova se multipliquem na região. Os jovens das comunidades se organizam em grupos e recebem alguns animais que são destinados a algumas pessoas do grupo. Estes assumem o compromisso de doar a mesma quantidade de animais recebida a quem é do grupo e ainda espera os seus.

Em Remígio, um dos municípios cujo Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais faz parte do Polo da Borborema, jovens de duas comunidades se interessaram pelo FRS da ovelha da raça adaptada. Atualmente, 32 jovens já receberam suas ovelhas para iniciar os seus rebanhos.

Em Esperança, as comunidades Meia Pataca de Cima e de Baixo também já foram contempladas com os Fundos Rotativos de ovelhas. “A raça Morada Nova não era tão conhecida na comunidade. Os outros agricultores se interessaram pela criação e isso trouxe a oportunidade de conversarmos sobre os diferentes cuidados com os animais adaptados e os que vêm de fora”, contou Dayane Monteiro, uma das jovens representantes do FRS da comunidade.

Dayane trouxe à tona um fato interessante. Quando o animal está presente no dia a dia das comunidades, se vê na prática as diferenças de cuidados e a resistência física dos animais às intempéries do tempo no Semiárido. E logo o estranhamento dos/as agricultores/as com relação ao porte das novas ovelhas, por serem menores do que as raças mais conhecidas, é superada com mais facilidade.

Manter um animal não adaptado na região além de trabalhoso, é custoso. “A gente depende do comércio para alimentar, para medicar. Os animais adaptados são menores, mas é rústico, passa de inverno a verão sem perder peso, com pelo bonito, não sofre tanto quanto outras raças. Ele está adaptado ao clima e à forragem disponível na região”, comenta Adailma Ezequiel, uma jovem liderança que mora no Sítio Lutador, em Queimadas, e faz parte da Comissão Executiva da Juventude e da Coordenação Política do Polo da Borborema.

Referência na conservação de raças nativas – Tendo em vista que a raça adaptada ainda é pouco conhecida na região, ainda há muito o que fazer para espalhar a raça pelo território. Segundo Felipe, não é fácil comprar a raça Morada Nova na Paraíba. Elas não estão à venda nas feiras municipais e o preço praticado no estado não é acessível.

Mas, no que depender do Polo e da AS-PTA, o território se tornará uma referência na conservação da raça Morada Nova, como o é a região de Taperoá, onde está a fazenda Carnaúba, que tem um trabalho com diversas raças de animais adaptados, como a Morada Nova.

Para Felipe, o trabalho de substituição dos rebanhos não adaptados pelos adaptados precisa ser contínuo. “Só assim a gente consegue rebater a força que as políticas públicas têm de introduzir os animais exóticos nos territórios”, afirma. No projeto INNOVA, executado na Borborema pelo Polo e AS-PTA, a criação das ovelhas Morada Nova serão estimuladas por meio da organização de Fundos Rotativos em 7 municípios, beneficiando em um primeiro momento 65 criadores, entre mulheres e jovens.

INNOVA AF é um projeto financiado pelo FIDA e executado pelo IICA e busca fortalecer as capacidades das famílias camponesas, por meio da gestão participativa do conhecimento e disseminação de boas práticas para a adaptação às mudanças climáticas em oito países da América Latina e do Caribe, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e inclusivo do meio rural.

Do território para o estado – No âmbito estadual, o debate sobre as raças nativas também acontece no Grupo de Trabalho de Criação Animal da Articulação Semiárido na Paraíba (ASA-PB). E assim, a valorização das raças nativas ganha corpo entre os agricultores e gera massa crítica às políticas que vão na contracorrente.

“Alguns projetos aqui no estado incentivam a criação de caprinos leiteiros e quando foram fazer o debate com as famílias agricultoras, eles propuseram a criação de raças não adaptadas. Mas ali dentro do grupo de agricultores tinha alguns que fazem parte do nosso grupo de valorização da raça nativa e um deles falou: ‘Não tenho interesse por essas raças, adoecem muito, eu preciso gastar muito dinheiro para cuidar desse bicho, tenho que adaptar o ambiente para ele poder se sentir um pouco melhor e poder produzir. Não quero não. Quero uma raça adaptada. Quero uma cabra canindé’. Isso é muito importante. Isso é consciência”, contou Felipe.

“Quando as famílias e os jovens vão adquirindo essa consciência, a partir do conhecimento das raças adaptadas que, na maioria das vezes, nem conhecidas são, eles conseguem exigir políticas públicas que valorizem os animais adaptados à região”, complementa ele.

Não perca o vídeo sobre a experiência dos jovens de Queimadas-PB com raça Morada Nova

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Plantô, Brotô: produção de alimentos e conservação de sementes crioulas https://aspta.org.br/2021/07/19/planto-broto-producao-de-alimentos-e-conservacao-de-sementes-crioulas/ https://aspta.org.br/2021/07/19/planto-broto-producao-de-alimentos-e-conservacao-de-sementes-crioulas/#respond Mon, 19 Jul 2021 18:53:18 +0000 http://aspta.org.br/?p=18773 Leia mais]]> Se achegue em nossa roda de mate e boa prosa! Aqui aprenderemos com as famílias guardiãs um pouco do processo de produção, seleção, armazenamento e partilha de nossa maior riqueza, que são as sementes crioulas. Nessa grande roda, as histórias contadas por famílias guardiãs – camponesas, indígenas, quilombolas e urbanas, movimentos populares, assessoras e assessores técnicos, pessoas vinculadas à Rede Sementes da Agroecologia (ReSA) que se dedicam à conservação das sementes crioulas no Paraná.

Como veremos, as sementes crioulas são a base dos sistemas agroalimentares nos territórios agroecológicos e a base para produção de alimentos saudáveis. Importante ressaltar que a ReSA entende as sementes crioulas como toda forma de reprodução da vida, ou seja, inclui sementes, mudas, raízes, ramas e raças animais.

Esta publicação, organizada em três partes, tem o intuito de partilhar conhecimentos passados de geração a geração conservados por famílias agricultoras de diferentes regiões do estado do Paraná, ampliando a rede de guardiãs e guardiões das sementes crioulas. E, também, uma reflexão crítica sobre o processo de industrialização do campo de um lado e do trabalho incansável de preservação da agrobiodiversidade do outro.

Estarmos em rede, organizadas e organizados em nossos territórios, é resistir e lutar pela continuidade da vida. Boa leitura!

Acesse aqui a publicação.

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Encontro virtual celebra resultados de projeto que beneficiou cerca de 5 mil famílias agricultoras no Paraná https://aspta.org.br/2021/07/15/encontro-virtual-celebra-resultados-de-projeto-que-beneficiou-cerca-de-5-mil-familias-agricultoras-no-parana/ https://aspta.org.br/2021/07/15/encontro-virtual-celebra-resultados-de-projeto-que-beneficiou-cerca-de-5-mil-familias-agricultoras-no-parana/#respond Thu, 15 Jul 2021 11:57:31 +0000 http://aspta.org.br/?p=18768 Leia mais]]> A atividade, resultado de uma ação de distribuição de sementes crioulas realizada entre ReSA e MPT/PR, contará com lançamento de uma cartilha e um vídeo.

Celebrar, evidenciar e reconhecer! Esse é o objetivo do encontro virtual “Plantô, Brotô: produção de alimentos e conservação das sementes crioulas”, que será realizado pela Rede Sementes da Agroecologia (ReSA), na próxima segunda-feira (19/07), às 19h, através das suas redes sociais. A realização da atividade é resultado da compra e distribuição de sementes crioulas que beneficiou cerca de 5 mil famílias agricultoras paranaenses, através do Projeto Emergencial de Conservação e Multiplicação da Agrobiodiversidade, realizado pela Rede com apoio do Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT/PR), entre agosto de 2020 a julho de 2021.

Durante o encontro, está previsto o lançamento da cartilha, que aborda o trabalho, as experiências e os saberes tradicionais e culturais das famílias guardiãs – pessoas que têm uma relação profunda de respeito e convívio com a natureza. Também será lançada uma animação sobre a importância das sementes crioulas para a manutenção da vida e da agrobiodiversidade. 

A atividade virtual contará com a participação da procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho no Paraná e grande apoiadora do projeto, Margaret Matos de Carvalho, além de guardiãs e guardiões das sementes crioulas, agricultores e artistas populares.

Projeto – O projeto, construído coletivamente pelas organizações que compõem a ReSA e com apoio financeiro do MPT-PR, nasceu em 2020 como uma resposta à pandemia de Covid-19. O calendário de aproximadamente 30 feiras e festas de sementes crioulas, que seriam realizadas em toda a região sul do País para difundir e trocar experiências sobre agrobiodiversidade, agricultura familiar e alimentação saudável, foi cancelado. A não realização desses eventos atingiu diretamente a aquisição de sementes, a renda e a soberania alimentar das famílias guardiãs.

Realizado em três fases de compra e doação de sementes, o projeto adquiriu, na primeira etapa, 30 toneladas de sementes de cereais e mudas de mandiocas. Na sequência, 31.992 pacotes, de 62 espécies com 204 variedades de hortaliças e plantas alimentícias não convencionais (PANCs) foram partilhadas. Para fechar o ciclo, cerca de 6.500 quilos de espécies de adubação verde, como aveia branca, trigo mourisco, centeio, ervilhaca, tremoço e nabo forrageiro chegaram para as famílias.

Toda essa diversidade foi adquirida de 111 famílias guardiãs, e partilhada com aproximadamente 5 mil famílias de agricultores familiares, indígenas, faxinalenses, caiçaras, quilombolas, assentados e acampados da reforma agrária, e hortas urbanas, de 70 municípios do Paraná. Ao todo, 78% das comunidades quilombolas reconhecidas no Estado foram beneficiadas. 

 

 

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Livro – LUME: Método de Análise Econômico-Ecológica de Agroecossistemas https://aspta.org.br/2021/07/13/livro-lume-metodo-de-analise-economico-ecologica-de-agroecossistemas/ https://aspta.org.br/2021/07/13/livro-lume-metodo-de-analise-economico-ecologica-de-agroecossistemas/#respond Tue, 13 Jul 2021 20:34:36 +0000 http://aspta.org.br/?p=18754 Leia mais]]> Lume: um potente instrumento para a promoção da Agroecologia

Jan Douwe van der Ploeg – Professor de Sociologia Rural da Faculdade de Ciências Humanas e Estudos do Desenvolvimento da Universidade Agrícola da China

O presente livro descreve o método Lume, um instrumento muito útil por oferecer um enfoque crítico para monitorar, avaliar, comparar, apoiar e fortalecer as transformações nos sistemas alimentares orientadas pelo enfoque agroecológico atualmente em curso em diversas partes do mundo. Sua importância reside na capacidade de amalgamar análises econômicas e ecológicas. Essa capacidade reflete um aspecto crucial para as pessoas diretamente envolvidas nesses processos de transformação. Para elas, a Agroecologia representa um movimento emancipatório voltado a melhorar radicalmente suas próprias condições de vida.

O método está bem fundamentado em teorias críticas, tais como a abordagem do metabolismo social, a análise chayanoviana sobre a agricultura camponesa e a economia política. Mostra uma impressionante capacidade de traduzir essas teorias críticas para os aspectos práticos da vida rural. Dessa forma, faz com que a teoria crítica extrapole a sua condição de abstração para se tornar uma ferramenta efetiva de transformação do mundo. Acredito que o método Lume tem o potencial de apoiar as pessoas, a partir de suas realidades, a construírem novos caminhos para o desenvolvimento de agroecossistemas de base agroecológica. A esse respeito, é particularmente inovadora a inclusão de indicadores que consideram o tempo dedicado ao trabalho doméstico, do cuidado e de reprodução em geral, o que ajuda a identificar e a combater a divisão social do trabalho por gênero criada pelo – e a partir do – patriarcado.

O método Lume enfatiza aspectos e dimensões geralmente negligenciados pela análise convencional e enriquece ainda mais a literatura sobre Agroecologia já em rápida expansão. Ao mesmo tempo em que presta meticulosa atenção às práticas inovadoras que se materializam no que os autores identificam como a interface “natureza-sociedade”, as análises que o método proposto faz da Agroecologia e de suas potencialidades vão muito além da dimensão puramente técnica. Elas permitem abordar de forma bem articulada os graus de autonomia, capacidade de resposta (responsividade), integração social, equidade de gênero (protagonismo das mulheres) e protagonismo da juventude não só no âmbito dos estabelecimentos agrícolas familiares, mas também dos sistemas regionais mais amplos em que tais estabelecimentos estão inseridos.

Este livro e o método nele apresentado é resultado de uma rica e robusta conjugação de estudos, debates, críticas, experimentação e aplicação prática. Reflete o forte envolvimento dos autores tanto no debate internacional, como em experiências agroecológicas pioneiras no Brasil. Os relatos das suas experiências no semiárido brasileiro são realmente excepcionais. Descrevem como um programa agroecológico multifacetado e em contínua evolução gera uma resposta vigorosa e eficaz às condições climáticas que sempre desafiaram a agricultura na região. A aplicação tão bem ilustrada da abordagem Lume sob tais condições demonstra a potência do método.

Por ser versátil, o método se aplica a diferentes trajetórias de inovação agroecológica e, sobretudo, a diferentes graus de transição, o que o torna um método atrativo e de forte apelo. Afinal, a Agroecologia não é o oposto binário à agricultura convencional. É, antes de mais nada, um movimento que se desdobra por meio de experimentações e adaptações, construindo novas realidades em permanente evolução. Como tal, é um processo de transição que evolui pouco a pouco e que pode ser mensurado, em termos de graus, ou seja, quanto um sistema é mais ou menos agroecológico. Penso que o método Lume tem o potencial de contribuir consideravelmente como instrumento de construção de conhecimento crítico, especialmente em função da abordagem participativa que promove.

Como ilustrado pelo caso empírico apresentado nesta publicação, as famílias praticantes dos estilos tradicionais de agricultura podem se beneficiar muito do método. Por meio do contínuo fortalecimento da base de recursos locais autocontrolada e pelas trajetórias de intensificação baseadas no trabalho camponês, tais formas de agricultura poderão se converter nos bastiões da Agroecologia.

Considero, portanto, que o instrumento Lume deva ser amplamente aplicado e experimentado em diferentes locais, o que certamente contribuirá para o seu aprimoramento.

Os autores criaram um método verdadeiramente vigoroso. O livro é um pequeno monumento que mostra a força da combinação de uma teoria crítica bem fundamentada com o envolvimento com os movimentos sociais. Ao mesmo tempo, reflete os muitos pontos fortes e a grande riqueza do movimento agroecológico no Brasil. Os autores devem ser enaltecidos e felicitados por escreverem um livro sucinto, porém convincente, que permitirá que os pontos fortes e a riqueza do método Lume viajem para outras partes do mundo.

Clique e baixe o livro:
LUME: Método de Análise Econômico-Ecológica de Agroecossistemas

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Para preservar a vida, continuamos em casa! https://aspta.org.br/2021/07/13/para-preservar-a-vida-continuamos-em-casa/ https://aspta.org.br/2021/07/13/para-preservar-a-vida-continuamos-em-casa/#respond Tue, 13 Jul 2021 20:15:04 +0000 http://aspta.org.br/?p=18758 Leia mais]]> Calendário de festas e feiras de sementes crioulas, realizadas no Paraná e em Santa Catarina, em 2021, é suspenso devido a pandemia

A ReSA visa a conservação da agrobiodiversidade e valorização econômica da produção de sementes crioulas destinadas à produção de alimentos saudáveis, bem como o fortalecimento da agricultura familiar e camponesa, das famílias assentadas e acampadas da reforma agrária, das comunidades indígenas, quilombolas e povos tradicionais. Se estrutura com o princípio de proteger as sementes crioulas a partir da articulação de instituições, movimentos, grupos, povos e coletivos.

Se enraíza no Paraná em 2015 e, desde então, atua ativamente na conservação e defesa da vida através das sementes crioulas, de forma que para manutenção da agrobiodiversidade é necessário cuidar de todas as formas de multiplicação das variedades e raças animais crioulas.

Estamos a mais de um ano vivendo uma pandemia, a preocupação e os cuidados com as famílias agricultoras e guardiãs, instituições, movimentos e coletivos que formam a ReSA, segue. Além de acesso precário ao Sistema Único de Saúde (SUS), acompanhamos a escalada da fome no campo. Reconhecendo o incansável trabalho de profissionais de saúde e famílias agricultoras, nos unimos a outras redes e movimentos, exigindo comida no prato e vacina no braço!

Os espaços de partilha, troca de saberes e comercialização que envolvem as sementes crioulas tem crescido de forma significativa a cada ano em municípios do interior do país. Neste momento de incerteza, também cresce o descaso dos governos federal e estadual em adotar medidas que garantam a segurança da saúde da população, negando a gravidade e riscos de morte em relação a pandemia ainda hoje. Dessa forma, atravessamos coletivamente um período de recrudescimento, tornando urgente nos cuidarmos.

Em todo o mundo, a base científica e de pesquisa mostra que a medida mais eficaz para evitar a propagação e contágio de Covid-19 é o isolamento social, evitando aglomerações, viagens e contato próximo com outras pessoas. E se sabe que as feiras e festas são locais onde se deseja exatamente a proximidade, a partilha e troca de sementes, abraços, sorrisos e saberes. Em todas as atividades há uma roda de chimarrão e muitas histórias que nos trazem a memória do território que pisamos e transformamos com a luta coletiva.

Os momentos de encontro e partilha, nas festas e feiras que percorrem todo o estado do Paraná, são o resultado de longos processos de organização e mobilização nos territórios com nossos parceiros. Celebrar a vida compartilhando o que temos de mais sagrado: as sementes crioulas, e seus conhecimentos, práticas e experiências.

Em 2017, mais de 25 mil pessoas circularam nas 15 feiras, festas e trocas de sementes crioulas. Os 23 espaços organizados em 2018 juntaram mais de 700 famílias guardiãs. E, em 2019, chegamos a 17ª Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade, realizada no município de Rebouças. Em 2020 seriam mais de 30 encontros, onde suspendemos, pela primeira vez, o calendário, orientando que as demais organizações populares fizessem o mesmo. E agora, em 2021, ainda não conseguiremos realizar nossas ações, pois estamos vivendo outro momento deste complicado cenário e precisamos proteger e defender a vida de nossa comunidade – famílias agricultoras guardiãs, amigas e amigos, parceiros, entidades do campo popular que, juntas, formamos a ReSA.

Para que possamos, em breve, celebrar juntas e juntos e pensando na saúde de todas e todos, a ReSA orienta pelo cancelamento do calendário de festas e feiras que seriam realizadas neste ano de 2021. Enquanto espaço articulador, as festas e feiras possibilitam o acesso à informação e a unificação das lutas pelos direitos dos povos e garantia da soberania alimentar.

Que esse novo momento nos permita refletir e reinventar outros espaços de discussão, reorganizando a agenda e calendário, incentivando pequenas trocas de sementes nas próprias comunidades – seguindo todas as medidas sanitárias, de segurança e distanciamento. Que as sementes crioulas sigam suas rotas pelas mãos e terras férteis cuidadas por tantas famílias agricultoras.

Te convidamos a conhecer mais sobre as ações da ReSA em 2020 e 2021, garantindo a circulação das sementes crioulas por todo estado, gerando renda para famílias agricultoras e possibilidade de construir e fortalecer a soberania e segurança alimentar e nutricional no campo e na cidade. Seguimos nos reinventando coletivamente!

Rede Sementes da Agroecologia
Paraná
Julho, 2021

 

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Pesquisa participativa realizada pela UEPB aponta resultados promissores na produção de batatas sementes por meio da técnica do broto https://aspta.org.br/2021/07/13/pesquisa-participativa-realizada-pela-uepb-aponta-resultados-promissores-na-producao-de-batatas-sementes-por-meio-da-tecnica-do-broto/ https://aspta.org.br/2021/07/13/pesquisa-participativa-realizada-pela-uepb-aponta-resultados-promissores-na-producao-de-batatas-sementes-por-meio-da-tecnica-do-broto/#respond Tue, 13 Jul 2021 13:47:13 +0000 http://aspta.org.br/?p=18747 Leia mais]]> Quando todo o estoque das sementes havia se perdido, estudo anima consumidores/as e famílias agricultoras da Borborema paraibana, que no século 20 viveu o auge e decadência desta cultura na região

Quem se preocupa com a qualidade do que come e busca diminuir (ou cortar) a ingestão de alimentos cultivados com agrotóxicos, certamente precisou dar adeus ao consumo da batatinha ou batata inglesa. Nas feiras agroecológicas, que existem em várias cidades de todo o Brasil, é bem raro encontrar essa variedade de tubérculo.

Mas, no território da Borborema, o Polo da Borborema e a AS-PTA seguem, desde 2010, buscando caminhos para revitalizar o cultivo da batatinha na região. O Polo é um coletivo que reúne mais de 150 associações comunitárias, 13 sindicatos rurais, uma associação regional e uma cooperativa.

Entre os vários desafios do cultivo da batatinha, um deles é a dificuldade no acesso e conservação às batatas sementes. A compra de novas sementes vem sendo pleiteada ao governo da Paraíba pela Comissão Territorial da Batatinha Agroecológica desde 2017, quando se percebeu a perda de qualidade das sementes separadas para replantio. A Comissão é um fórum misto composto pela sociedade civil organizada, órgãos do governo e universidade para tratar com os governos estadual e municipais questões relacionadas à revitalização desta cultura.

Enquanto a demanda por novas sementes não é atendida pelo governo estadual, uma parceria com a Universidade Estadual da Paraíba, campus Lagoa Seca, vem confirmando uma alternativa para o aumento da autonomia das famílias agricultoras. Trata-se da produção de batatas sementes a partir da técnica dos minitubérculos. “É uma técnica que não precisa de condições especiais para produção das batatas sementes”, comenta a professora responsável pela pesquisa Élida Barbosa Corrêa.

“Chama-se técnica do broto e é muito antiga nos centros de origem da batata. Esta técnica foi repensada e aplicada nas condições do Brasil, para multiplicação em larga escala, pelo professor José Caram, pesquisador da área de batata do Instituto Agronômico de Campinas, em São Paulo. Na Paraíba, a gente vem testando há quatro anos e conseguindo bons resultados a partir do broto, antes descartado.”, explica a professora Élida.

A técnica consiste na retirada do broto de cerca de cinco centímetros de uma batata certificada – sadia e de alta qualidade – para ser germinado num ambiente com proteção à entrada de insetos que são os propagadores de viroses nas batatas. Segundo a professora, em 70 e 80 dias, se consegue o minitubérculo. Com ele, se multiplica novamente as sementes no campo por, pelo menos, duas gerações. “A hipótese que está sendo testada é que a gente consegue multiplicar [as sementes] por vários anos”, comenta a pesquisadora.

O plantio foi realizado no campus da Universidade de duas maneiras: No telado, com brotos postos em substratos como o pó de coco. E, em canteiros por meio da plantação consorciada como o coentro e coberto com palhada de cana. E, como se trata de uma pesquisa participativa, o plantio também está sendo testado na propriedade da família de seu José Nivaldo dos Santos, agricultor em Areial. Nestas condições, a batata está plantada em ambiente de sequeiro, sem irrigação.

“Como a gente tem aqui no Agreste condições agroecológicas e ambientais favoráveis, acreditamos que vamos ter uma retomada da produção orgânica para atender o mercado das feiras e das compras públicas”, assegura a professora Élida, que segue: “E o que a gente tem de especial para multiplicar vários lotes de batatas sementes? Com a diversidade dos agroecossistemas, por meio do seu manejo, do consórcio de culturas, utilização dos produtos naturais e um período de estiagem, temos ambientes desfavoráveis à multiplicação dos insetos que disseminam viroses”, completa.

Apesar desta boa perspectiva com relação à multiplicação das sementes no território de atuação do Polo, as famílias produtoras de batata precisam do apoio dos governos para que as batatas, colhidas no campo e selecionadas para a semente, brote. Isso porque a batata, via de regra, precisa de frio para induzir a germinação. E a câmara fria é necessária nesse processo.

Histórico – Nas décadas de 1930 a 1990, as famílias agricultoras plantaram muita batatinha e ela era uma das principais culturas de renda da região. Na última década, porém, o cultivo começou a decair por conta do endividamento dos produtores forçados a comprar os pacotes da Revolução Verde, recheados de agrotóxicos, e também pela perda de mercados para outras regiões do Brasil.

A linha do tempo do trabalho de revitalização dos cultivos de batatas seguindo os moldes da agricultura agroecológica é longa. Começou e 2010 no território e, à medida que alguns obstáculos eram superados, outros apareciam.

Em 2011, a recuperação da unidade frigorífica em Esperança para fazer o armazenamento das batatas sementes e compra de cerca de 940 caixas de três variedades animaram as famílias agricultoras e a todos que acreditavam na possibilidade do cultivo agroecológico da batatinha.

“Em 2011, inicia-se o processo de revitalização do plantio da batatinha no território que segue por 2012, 2013 e 2014, quando começam a aparecer alguns problemas na parceria com o Estado”, conta Wagner Santos, assessor técnico da AS-PTA que acompanha esse trabalho há 10 anos. “A partir de 2014, a gente começa a identificar que é preciso fazer a substituição da batata semente”, acrescenta ela.

Nesse mesmo ano, a unidade frigorífica construída na década de 1970, no auge do cultivo da cultura no território, se mostrou inviável do ponto de vista da operacionalização e custo de manutenção. Também em 2013, com o início das atividades do Núcleo de Extensão Rural Agroecológica da Universidade Estadual da Paraíba, campus de Lagoa Seca, a AS-PTA levou para dentro da academia as demandas relacionadas ao plantio da batata no município.

Dois caminhos – Na estratégia de ação um caminho levava para a construção de uma ação de forte incidência política junto ao governo da Paraíba para a criação de programas e ações de compra de batatas sementes e disponibilidade de infraestrutura para armazenamento de batatas sementes, como a unidade de refrigeração ou de câmaras frigoríficas, cujo custo saia mais barato e conseguia atender ao volume bem menor de batatas para armazenamento.

E outro caminho levava à aproximação com a Universidade como instituição pública com capacidade de oferecer assistência técnica, através dos projetos de extensão acadêmica, e desenvolver pesquisas para buscar soluções para os problemas enfrentados pelas famílias agricultoras, responsáveis pelo fornecimento de 70% do que alimenta os/as brasileiros/as.

Através desta aproximação, foram oferecidas capacitações dos/as produtores/as rurais com relação à seleção das batatas sementes, por exemplo. A professora Élida contou que alguns produtores plantavam batatas que não eram mais sementes, que já estavam doentes e que iriam produzir plantas debilitadas e doentes, com a possibilidade de nem gerar novas batatas.

E a pesquisa evoluía ano a ano, enquanto as demandas encaminhadas para atendimento do governo do Estado não eram atendidas a contento. Dois anos depois da espera da compra de uma nova remessa de batatas sementes, os tubérculos selecionados pelos agricultores/as e guardados nas câmaras frigoríficas foram congelados e houve uma perda de 90% do estoque das batatas que seriam replantadas. “Os/as agricultores/as ficaram aterrorizados/as”, destaca o assessor técnico que acompanhou essa história passo a passo.

Depois de muita pressão, o governo do estado repôs o estoque a partir da compra de 30 toneladas de batatas para cultivo. Mas, o resultado no campo foi desanimador: 100% do plantio foi perdido.  “Não gerou nem batata [para consumo], nem semente”, lembra Wagner, destacando também que no ano de 2019 houve um grande planejamento da produção no território. Todas as expectativas foram frustradas.

Junto a isso tudo, ainda tem um grande desafio de ordem climática. A seca iniciada em 2012 e que perdura até hoje na Borborema paraibana. Sendo que em 2016, 2017 e 2018, a estiagem estava ainda mais severa do que nos anos seguintes. E a cultura da batata exige um regime mais regular de chuvas.

Mas… a região vive, justamente, o período de luz no final do túnel. Quando tudo parece perdido, há uma possibilidade real de ampliação da autonomia das famílias em relação ao governo no plantio desta cultura. Na torcida para que isso se concretize, estão milhares e milhares de consumidores/as que querem comer a batatinha inglesa livre de venenos. E viva a agricultura familiar agroecológica!

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Parceria entre AS-PTA, Polo da Borborema e UFPB oferece assistência técnica remota para criadores/as de animais https://aspta.org.br/2021/07/01/parceria-entre-as-pta-polo-da-borborema-e-ufpb-oferece-assistencia-tecnica-remota-para-criadoresas-de-animais/ https://aspta.org.br/2021/07/01/parceria-entre-as-pta-polo-da-borborema-e-ufpb-oferece-assistencia-tecnica-remota-para-criadoresas-de-animais/#respond Thu, 01 Jul 2021 17:50:55 +0000 http://aspta.org.br/?p=18738 Leia mais]]> “Quando a gente começou a visitar as propriedades, a gente percebeu muitos problemas de verminose. As famílias já tinham usado tantos medicamentos de forma descontrolada, sem orientação, que os animais desenvolveram resistência aos grupos de medicamentos existentes no mercado. E isso é um problema muito sério. Significa dizer que as famílias tendem a não conseguir mais tratar os surtos de verminoses que acontecem todos os anos no período das chuvas”.

O depoimento é de Felipe Teodoro, técnico da AS-PTA que faz parte da equipe que assessora o Polo da Borborema no tema de criação animal. O Polo é um coletivo que reúne 13 sindicatos rurais, mais de 150 associações comunitárias, uma associação regional e uma cooperativa das famílias agricultoras.

Em 2015, a AS-PTA e o Polo iniciaram uma parceria com a Universidade Federal da Paraíba, através do curso de Medicina Veterinária do campus de Areia. Por meio da parceria, eram realizadas visitas dos estudantes e docentes às propriedades, formações presenciais com os/as criadores/as e houve até uma visita das famílias ao hospital veterinário para conhecerem a estrutura e “saber que aquele é um espaço a serviço da sociedade”, como ressaltou Felipe.

Hoje em dia, depois de um ano e três meses de pandemia da Covid-19, essa parceria se transformou numa assistência técnica remota. Foi formado um grupo de WhatsApp entre quem cria, 14 alunos universitários do 2º ao 10º período e a professora Sara Vilar, responsável pelo projeto de extensão. Hoje, o grupo tem mais de 40 participantes que expõem problemas com seus rebanhos e também relatam, com frequência, doenças que acometem as criações das famílias vizinhas que não fazem parte do grupo. “Eu diria que, em 90% dos casos, o grupo tem dado respostas. As famílias têm aprovado com veemência esse serviço”, assegura Felipe.

O grupo funciona assim: Quando um animal apresenta algum sintoma, seus donos mandam fotos ou vídeos dos animais e relatam o que está acontecendo. O pessoal da veterinária faz perguntas para entender melhor o que está acontecendo e o que pode ter ocasionado o problema. “Com o grupo a gente dá uma resposta muito rápida aos problemas. É muito bom pra primeira intervenção. Aí, se for coisas simples, que revelam erros de manejo, a gente orienta sobre. Mas se for algo mais complexo, a gente organiza um dia para fazer a visita e examinar”, explica Osnar Menezes de Lima, aluno bolsista desse projeto de extensão da UFPB.

Em 2020, foram feitas 15 visitas de campo para atender casos mais graves. Quando os casos requerem que o animal seja atendido no hospital universitário, é providenciado o traslado dele e o atendimento é dado.

Segundo Felipe, antes, as famílias consultavam os veterinários de “balcão”. “Em cada município, sempre tem um veterinário conhecido há bastante tempo e ele tem uma farmácia. Quando as famílias chegam na farmácia e relatam os sintomas, o veterinário, sem nem ver o animal, passa algum medicamento. A família compra e aplica. Depois, não tem nenhum fluxo de informação para saber se deu certo ou não o tratamento. Dificilmente, este veterinário vai até a propriedade para analisar o animal, para ver a reação à medicação, exceto em casos em que se paga para receber a visita. Muitas famílias relatavam que os medicamentos não surtiam efeito sobre a doença e que muitos animais morriam.”

Acesso à informação – Osnar conhece bem a realidade das famílias criadoras que se prejudicam por não terem informação. “Eu antes de entrar no curso de medicina veterinária fui um desses criadores rurais e sei bem o que é não ter orientação. Isso inclusive me levou a muito prejuízo com perdas de animais. Me sinto muito feliz ao orientar cada produtor e, após cada visita, saio com muito mais conhecimento pois aprendemos muito com eles também em relação a vida mesmo e a importância da nossa atuação como profissionais extensionistas.”

Para a professora orientadora deste projeto de extensão, Sara Vilar, esta experiência entre alunos, professores e agricultores/as familiares tem sido muito gratificante para todos os envolvidos. “Os alunos ficam muito sensibilizados com a fragilidade dos rebanhos, com a falta de assistência técnica e com o difícil acesso a uma informação correta. A gente nota um compromisso grande nos alunos. Eles crescem como cidadãos e começam a ver o compromisso que a universidade deve ter com a sociedade. Por outro lado, a minha participação no projeto me capacita muito como docente. Porque a gente não pode ensinar com propriedade aquilo que não é da nossa prática”, conta a professora Sara.

Segundo a docente, o projeto tem um potencial enorme até porque ele se propõe a fazer um acompanhamento preventivo de doenças e não apenas tratar só do animal enfermo. “A pandemia atrapalhou um pouco a gente levar mais informação ao produtor com a frequência necessária. Precisamos muito intensificar as ações formativas junto ao produtor rural que tem uma bagagem enorme, mas precisa receber informações básicas quanto à sanidade dos animais.”

Apesar das limitações ao projeto inicialmente planejado, os aprendizados das famílias seguem acontecendo. É que o grupo de WhatsApp permite que uma família acompanhe o que acontece com o rebanho da outra. E vai aprendendo a manejar sua criação caso aconteça algo semelhante. “É um espaço de aprendizado significativo. Por mais que eu não esteja passando por aquele problema, eu sei como agir quando o problema acontecer ou como me prevenir dele”, salienta Felipe. “O desafio principal é que esse tipo de atendimento não consegue dar conta de toda a demanda que existe no território”, acrescenta ele.

“O grupo é muito bom para conversar com os produtores, orientando-os. Tem doenças simples que vêm do manejo e a gente orienta para evitar os erros”, comenta Osnar destacando o potencial dessa ATER remota para a aplicação da medicina preventiva.

Compromisso com a agricultura familiar – Antes de finalizar o texto, não posso deixar de destacar o empenho da professora Sara neste projeto. O pedido desta ressalva foi do próprio Felipe que reconhece o esforço de Sara para atender as demandas das famílias agricultoras. “Ela vai no carro dela [visitar as propriedades], com os custos dela, inclusive nos finais de semana, quando o caso não dá para esperar a segunda-feira”, destaca.

“Eu sempre digo que gosto de gente, de pessoas. Gosto do agricultor e do aluno. O projeto de extensão me permite isso. É muito gratificante poder contribuir, de alguma forma, com a agricultura familiar. Acho muito bonita a forma como os agricultores familiares se organizam, se ajudam. Sou muito feliz por participar deste projeto”, responde Sara.

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Cartilha – Caqui, fruta da estação, bendita fruta. Sabor do Sertão Carioca! https://aspta.org.br/2021/07/01/cartilha-caqui-fruta-da-estacao-bendita-fruta-sabor-do-sertao-carioca/ https://aspta.org.br/2021/07/01/cartilha-caqui-fruta-da-estacao-bendita-fruta-sabor-do-sertao-carioca/#respond Thu, 01 Jul 2021 14:39:05 +0000 http://aspta.org.br/?p=18734 Leia mais]]> Sertão Carioca: assim já foi conhecida a Zona Oeste do nosso Rio de Janeiro. Nos velhos tempos do Sertão — e ainda hoje — a agricultura era e é uma prática encontrada abundantemente nesse território. Contudo, a crescente urbanização, mal apelidada de progresso, isolou e invisibilizou nossa agricultura e agricultoras(es) urbanas.

Muitos cariocas não sabem, mas o Rio de Janeiro possui áreas onde a agricultura familiar resiste e existe. Isso também não está adequadamente refletido no Plano Diretor Municipal, mas na cidade tem produção agroecológica integrada com a natureza, produção que proporciona uma alimentação saudável bem próxima dos(as) consumidores(as).

Nosso Sertão ainda vive!

Anualmente, entre março e maio, temos uma grande safra de caqui. Produzidos pelos(as) agricultores(as) familiares, os caquis são saborosos, saudáveis e seu manejo é feito sem o uso de veneno (agrotóxicos). Porém, por conta da dificuldade no escoamento, pela falta de apoio público de infraestrutura e pela dificuldade do acesso dos agricultores a políticas públicas voltadas para a agricultura,  grande parte da produção local é perdida.

É com a intenção de aproveitarmos melhor este caqui — que é um dos Produtos da Gente — e fortalecer a agricultura agroecológica local que na oitava edição do Tira Caqui, ocorrida em 2018, no Rio da Prata, aconteceu de maneira coletiva com mulheres ligadas à alimentação, oficinas de Culinária na Roça. A atividade teve como proposta apresentar, de maneira descontraída, no formato de troca e roda de conversa, pratos simples, saborosos e saudáveis com o caqui.

A partir dessa experiência, foi possível perceber que o consumo vai além da fruta fresca.  Cada prato elaborado contou com o apoio dos participantes, que puderam influenciar na receita, com dicas e toques! Dessa forma, puderam expandir as possibilidades, observando e experimentando novas formas de beneficiar o caqui.

Sabemos que o nosso consumo tem o potencial de mudar a sociedade, pois ajuda na criação de demandas específicas, como a de consumir alimentos saudáveis, de sabermos a origem dos alimentos, de sabermos a quem fortalecermos quando escolhemos nossos alimentos: Devemos sempre lembrar que comer é também um ato político. O resultado da oficina foi positivo porque ampliou o modo de pensar dos participantes, além de ter evidenciado inúmeras possibilidades de uso do caqui na culinária.

Assim, surge a ideia de reunir em um só lugar essa diversidade de saberes. Nasce então o Caderno de Receitas do Caqui! Com 13 receitas elaboradas por mulheres culinaristas e organizações parceiras, esse caderno foi construído, ao longo desses anos, por muitas mãos que, através das suas receitas, mostram a versatilidade e a potência que um único alimento possui.

Viva ao caqui agroecológico do Maciço da Pedra Branca! Convidamos você para conhecer mais de perto nossas histórias, memórias e receitas. Boa leitura!

Os caquis do Maciço da Pedra Branca: histórias, memórias e receitas

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Semana do Meio Ambiente: Ações Comunitárias e Conscientização Ambiental https://aspta.org.br/2021/06/22/semana-do-meio-ambiente-acoes-comunitarias-e-conscientizacao-ambiental/ https://aspta.org.br/2021/06/22/semana-do-meio-ambiente-acoes-comunitarias-e-conscientizacao-ambiental/#respond Tue, 22 Jun 2021 21:40:39 +0000 http://aspta.org.br/?p=18727 Leia mais]]> Mutirões de plantio, oficina de reciclagem e responsabilidade com os recursos naturais celebram a edição deste ano

Flávio Morais oferece oficina de plantação de mudas e canteiros no Quilombo Dona Bilina. Foto: Acervo Projeto Sertão Carioca

Como forma de valorizar as ações comunitárias de educação ambiental, o Projeto Sertão Carioca apoiou coletivos parceiros a organização e divulgação de atividades que aconteceram em diferentes cantos da cidade.

No Rio da Prata, o mutirão de plantio na horta comunitária da comunidade remanescente Quilombo Dona Bilina mobilizou cerca de 25 participantes voluntários. Os trabalhos com a terra foram recompensados com uma feijoada típica da região, que também foi oferecida na opção vegana. Flávio Morais, educador ambiental, realizou uma oficina sobre o plantio de mudas e canteiros. Em roda, foi debatido a importância da sustentabilidade para a saúde e alimentação saudável.

Natural do mesmo território, a artista e educadora popular Carmen Paixão viu sua oficina de educação ambiental se transformar em um vídeo, onde foi abordado os benefícios da agricultura agroecológica, as festividades e as receitas com o caqui, um fruto bastante tradicional do Maciço da Pedra Branca. Por meio do encontro virtual, também foram apresentados os poemas, pinturas e ilustrações de Dona Carmen. Em uma produção em vídeo chamada “Água que te quero agora”, a educadora aborda a importância da deste elemento básico em nossas vidas.

Oficina de brinquedos reciclados da Associação Cultural do Quilombo do Camorim (ACUQCA). Foto: Acervo Projeto Sertão Carioca

Organizado pela Associação Cultural Quilombo do Camorim (ACUQCA), aconteceu também a oficina de brinquedos reciclados na horta orgânica da comunidade, direcionada à primeira infância. Além da produção de brinquedos, as crianças fizeram uma visita de reconhecimento no Sítio Arqueológico do Camorim, conheceram uma diversidade de plantas, descobriram o que é uma composteira, exploraram a horta recém plantada e as trilhas que levam ao Baboá e de acesso ao Rio Camorim. Carol Santana, coordenadora social do Projeto Sertão Carioca comenta: “A vivência estimula o potencial criativo dos pequenos que passam a construir elos afetivos e se reconhecerem como parte dos espaços naturais”. 

Já na zona norte, o vídeo educacional produzido pela associação Verdejar Socioambiental com apoio da Fiocruz  intitulado “É Rio ou é Valão?”,  filmou educadores e jovens para refletir problemas estruturais e sociais.

Mariana Portilho, assessora técnica e comunicadora popular do Programa de Agricultura Urbana da AS-PTA afirma que “reunir tantas experiências em uma única semana ilustra sobre a diversidade e a pluralidade que as práticas de agriculturas na cidade têm. O Caqui e seus saberes contados pela Carmen evidencia que o fruto é Produto da Gente, o vídeo realizado pelo Verdejar reitera suas pautas de luta pelo direito de morar e plantar e o acesso à água potável na favela, enquanto que os mutirões de plantio nos Quilombos promovem a soberania alimentar da comunidade. Todas iniciativas são resultado de articulações locais e da mobilização social desenvolvida por redes parceiras de agricultoras e agricultores urbanos que promovem diariamente, por meio da agroecologia, o anúncio por um direito à cidade mais justa”. 

Preparação da feijoada vegana no Quilombo Dona Bilina. Foto: Acervo Sertão Carioca

Todas essas e mais outras atividades estão reunidas nas redes sociais do Projeto Sertão Carioca, para saber mais acesse o nosso facebook e também nosso instagram

O Projeto Sertão Carioca: Conectando Cidade e Floresta, realizado pela AS-PTA em parceria com as comunidades quilombolas do Quilombo Dona Bilina, Cafundá Astrogilda e Quilombo do Camorim. Tem o patrocínio da Petrobrás, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

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Quando os recursos públicos escasseiam, os Fundos Rotativos Solidários são uma excelente alternativa de financiamento e mobilização social https://aspta.org.br/2021/06/21/quando-os-recursos-publicos-escasseiam-os-fundos-rotativos-solidarios-sao-uma-excelente-alternativa-de-financiamento-e-mobilizacao-social/ https://aspta.org.br/2021/06/21/quando-os-recursos-publicos-escasseiam-os-fundos-rotativos-solidarios-sao-uma-excelente-alternativa-de-financiamento-e-mobilizacao-social/#respond Mon, 21 Jun 2021 16:57:10 +0000 http://aspta.org.br/?p=18719 Leia mais]]> Na Paraíba, os FRS resistem ao tempo e são muito eficazes para impulsionar a autonomia política e financeira, principalmente, de mulheres e jovens rurais

No território da Borborema, no Semiárido paraibano, os Fundos Rotativos Solidários (FRS) são uma prática antiga e sua aderência à realidade das comunidades rurais a mantém viva até os dias atuais. Os FRS fazem girar recursos financeiros dentro de (e entre as) comunidades. Eles são uma forma muito eficaz de multiplicar um montante acessado via projetos ou é fruto de uma poupança comunitária que, muitas vezes, nasce da boa gestão desse fundo.

Os Fundos Rotativos Solidários na Borborema existem antes do início dos anos 2000. “Hoje, os FRS são super diversificados. Eles financiam de fogões ecológicos, telas e animais, mas também estudos universitários, consultas médicas ou aparelhos dentários. São quase 50 itens já apoiados por esses fundos”, revela Adriana Galvão, da assessoria técnica da AS-PTA.

Para se construir uma leitura coletiva dos Fundos Rotativos Solidários, no último dia 15/06, o Polo da Borborema reuniu lideranças dos sindicatos rurais. Além de 13 sindicatos rurais, o Polo congrega mais de 150 associações comunitárias, uma associação regional, a EcoBorborema, e uma cooperativa, a CoopBorborema.

A intenção do seminário online, que se estendeu por dois turnos, foi refletir sobre o papel e o lugar deste instrumento político-pedagógico nas comunidades. Assim como jogar luz na capacidade que as economias, orientadas por valores éticos, de equidade e de solidariedade, têm de abrir caminhos para a convivência com o Semiárido, melhorando a qualidade de vida das famílias.

Só no turno da manhã, cerca de 18 pessoas de oito municípios compartilharam as experiências práticas do FRS. Entre elas, lideranças mulheres e jovens que testemunhavam as transformações em suas vidas e na realidade comunitária possibilitadas por essa iniciativa.

Símbolo da resistência das comunidades rurais, principalmente em tempos em que as políticas públicas minguaram, esta forma de financiamento promove uma lista imensa de resultados e impactos, como a promoção da autonomia política e financeira, principalmente, de segmentos sociais mais vulneráveis como mulheres e jovens, como também de comunidades.

Diversidade – O monitoramento financeiro desses Fundos, realizado pela AS-PTA desde 2003, indica que no território 3.601 pessoas foram beneficiadas com essa dinâmica e 45 tipos de benefícios distintos foram identificados. Destes, apenas 15 foram apoiados por projetos. Isso significa dizer que 2/3 dos benefícios são criados pelas próprias comunidades a partir de suas necessidades.

Quando se trata do FRS, não só os tipos de benefícios são diversificados. A forma de funcionamento ou a natureza dele também o são. Na apresentação do monitoramento realizado pela AS-PTA, o assessor técnico Ivanilson Estevão, que acompanha a comissão de Alimentação e Saúde do Polo, citou seis modalidades de fundos.

Há fundos que possibilitam a aquisição de bens vivos, como animais e plantas, outros que financiam só um tipo de bem e funcionam como se fosse um consórcio, com contribuição mensal de todos e sorteio do/a beneficiado/a quando o fundo atinge o valor necessário para a compra ou a construção de bens como fogões ecológicos, tela, biodigestor, etc.

Há também a modalidade Consórcio Diversificado que é quando a comunidade desenvolve a capacidade de transformar o fundo em uma espécie de poupança comunitária que pode atender às mais diversas necessidades: subsidiam desde a agricultura, mas também as necessidades mais urgentes como o tratamento de saúde.

Outra modalidade categorizada pela AS-PTA foi o FRS Consórcio Especial, cuja devolução do que foi recebido não acontece em 100% do valor. Isso acontece, principalmente, quando o valor do benefício é muito alto, como é o caso da melhoria nas cozinhas comunitárias, mas não deixa de ser construída a partir da auto-organização e da solidariedade das mulheres. Outra modalidade identificada é o FRS custeio que serve para compra de materiais como sacolas, etiquetas, recipientes, conserto de barracas das feiras.

E há ainda uma categoria de ação coletiva que organiza a Gestão de Bens Comuns, que são as moto-ensiladeiras, bancos de sementes comunitários, bombas de recargas de água, despolpadeira de frutas, unidades de beneficiamento e etc., quando sindicatos, comunidades e/ou grupos informais se juntam para que todos possam se beneficiar de insumos e/ou equipamentos.

Com vida própria – No final de 2019, a AS-PTA e o Polo da Borborema buscaram formas de monitorar as diversas iniciativas de fundos solidários dispersas no território para que pudessem entender o vigor dessa ação nas comunidades.

Em parceria com os sindicatos, monitorou-se 151 iniciativas de Fundos Rotativos Solidários mapeadas pelas lideranças em 11 municípios. A realidade foi surpreendente. Dos FRS encontrados, mais de 56% encontravam-se ativos e continuavam girando para contemplar todo os envolvidos; 26,4% estavam “adormecidos”, como sabiamente nomearam as lideranças, pois seus membros ainda tinham a referência do espaço organizativo, mas por algum motivo, estavam sem se encontrar; e apenas 17% encontravam-se desativados, sobretudo quando todos os seus membros receberam o benefício pelo qual se organizaram.

Quando se levantou o perfil dos/as beneficiados/as, identificou-se que 56,4% eram mulheres adultas, cerca de 19% homens adultos, 14,8% jovens mulheres e 9,7% jovens homens, confirmando a potencialidade desse instrumento por esses grupos sociais.

Para além dos dados quantitativos, os/as participantes no seminário ressaltaram vários elementos qualitativos associados aos FRS, como a geração e troca de conhecimentos, a prática da solidariedade e a capacidade de mobilizar e tirar do isolamento mulheres e jovens, que passam a fazer parte de coletivos organizados a partir da experiência com o fundo.

“Os FRS trazem, para os sindicatos, movimento, riqueza e diversidade. Traz outro olhar das famílias para o sindicato. Traz um sindicato de ‘portas abertas’ porque a gente tem algo a oferecer a partir das dinâmicas da solidariedade, do conhecimento, e promove a partilha dos que têm mais com os que não têm”, ressalta Marizelda Salviano, do sindicato de Esperança.

Roberval Silva, da coordenação da AS-PTA na Paraíba, destaca outros tantos resultados promovidos pelos FRS. “Os fundos promovem o desenvolvimento rural a partir dos sujeitos, fortalecem as associações comunitárias e possibilitam a incidência política. A partir da nossa experiência, influenciamos o [projeto] Cooperar a construir cisternas através dos FRS”. O Cooperar é uma iniciativa do governo da Paraíba voltada, segundo o site do projeto, para a execução de políticas e projetos de desenvolvimento sustentável.

Para conhecer mais a experiência dos FRS, assista ao vídeo Cordel do Fundo Solidário

Conheça a Cartilha do Cordel do Fundo Solidário

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