AS-PTA https://aspta.org.br Fri, 23 Sep 2022 14:18:42 +0000 pt-BR hourly 1 “De geração em geração: Sementes Crioulas, sim! Transgênicos, não!” https://aspta.org.br/2022/09/23/de-geracao-em-geracao-sementes-crioulas-sim-transgenicos-nao/ https://aspta.org.br/2022/09/23/de-geracao-em-geracao-sementes-crioulas-sim-transgenicos-nao/#respond Fri, 23 Sep 2022 14:18:42 +0000 https://aspta.org.br/?p=19728 Leia mais]]> Os dois dias de feira, com a participação de mais de quatro mil pessoas, foram uma verdadeira celebração da vida e da resistência dos povos

“Salve a Semente Crioula
É a herança do chão
De geração em geração
Crioulo Sim! Transgênico Não”

“É muita coisa, né?”. Essa foi uma das frases mais escutadas ao longo dos dias 16 e 17 de setembro de 2022, sempre acompanhada de um largo sorriso no rosto e um olhar esperançoso. O entusiasmo bastante presente pelo encontro físico após quase três anos de isolamento. Era uma oportunidade de abraçar e rever pessoas queridas há muito não vistas e poder conhecer tantas outras.

A 18ª Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade, realizada no Centro de Tradições Willy Laars, em Irati, na região centro sul do Paraná, foi uma demonstração de força, cooperação, diversidade de culturas e tudo que elas carregam consigo, solidariedade e afeto. O tema da feira deste ano foi “De geração em geração: sementes crioulas, sim! Transgênicos, não!”, exaltando a importância do diálogo com as juventudes, com o público urbano, a fortificação da rede de famílias guardiãs do campo, das águas, florestas e cidades a partir da preservação de um bem comum.

Para o presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Irati, Edilson Santos, “a importância da feira para o município e o território centro-sul do Paraná é enorme para mantermos a diversidade de sementes crioulas e de tudo que tem na feira hoje. Para nós do município ela é fundamental para sabermos do histórico do trabalho com agroecologia e que é uma região da agricultura familiar”, assegura. 

Convocada pelo Grupo Coletivo Triunfo, a feira contou com o apoio da Prefeitura Municipal e Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Irati, da Rede Sementes da Agroecologia e assessoria da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia. O Coletivo Triunfo é formado por famílias agricultoras guardiãs e organizações de base do campo e da cidade que atuam na promoção da agroecologia, conservação e multiplicação da agrobiodiversidade no centro-sul do Paraná e planalto norte catarinense,

Eram mais de 100 famílias guardiãs vindas de 56 municípios do estado do Paraná e além dele: de nove estados de quatro regiões desse imenso Brasil. Elas coloriram o pavilhão em Irati ao expor o que lhes é mais caro, as preciosidades que produzem em seus quintais produtivos e roças e que melhoram ano após ano com seu trabalho.

Esse encontro de origens e culturas é uma das expressões do movimento agroecológico, e nesta 18ª edição da feira estiveram presentes 10 comunidades quilombolas do Paraná e uma de São Paulo, além de cinco aldeias indígenas dos povos Guarani e Kaingang. 

Dentre a participação de novos grupos e associações, destaca-se o aumento do número de mulheres, que representaram 75% das bancas e estiveram em maior número de visitantes também. Em um levantamento inicial, a estimativa é de que mais de R$150 mil tenham circulado nos dois dias de feira, gerando renda e valorizando o trabalho de quem coloca comida de verdade na mesa da população.

“A diversidade que vimos nas bancas, diversidade de pessoas, culturas, conhecimentos e produtos expostos nas mesas mostra a cara da agrobiodiversidade da nossa região, mostra quanto a agricultura familiar se torna resposta para os percalços criados pelo agronegócio, que tenta desmobilizar as práticas tradicionais que dão sustento às famílias”, reflete Miriane Serrato, assessora técnica da AS-PTA e do Grupo de Mulheres do Coletivo Triunfo.

As protagonistas do encontro foram (e são) as famílias guardiãs da agrobiodiversidade, que presentearam as mais de quatro mil pessoas que participaram da feira com sua imensa variedade de sementes crioulas, mudas de flores e plantas medicinais, ramas e tubérculos, artesanatos, alimentos beneficiados, práticas tradicionais, tecnologias sociais e o mais importante para todas e todos: a partilha. 

Todas as bancas tinham, no mínimo, cinco variedades de sementes crioulas e/ou mudas produzidas nas propriedades, seguindo um dos critérios de participação na feira e expressando a riqueza presente nos agroecossistemas das famílias guardiãs. 

Para a organização, os critérios de participação são fundamentais para garantir a origem dos produtos trocados e comercializados, resguardando o espaço das pessoas que constroem as feiras há mais de 20 anos. 

Dentre os critérios estão a realização de teste de transgenia nas sementes de milho antes da entrada no encontro, participação em organizações de base da agricultura familiar, proibição de revenda de produtos industrializados ou que não tenham conexão direta com a conservação da agrobiodiversidade. 

Em um contexto de contínuo desmonte da teia de políticas de seguridade social, corte de recursos aos programas institucionais de compras públicas, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), a feira expressa a capacidade de resposta da agricultura familiar de base agroecológica à séria crise alimentar que enfrentamos, a partir de uma produção de alimentos territorializada, em sinergia com o meio ambiente e as pessoas. 

“É a semente da vida, é a semente do amor
Traz a memória das lutas, do povo trabalhador
Esta semente é a certeza, da nossa libertação
Vamos fazer a mudança, de geração em geração”

Novos berçários para semeadura

O movimento da sexta-feira(16/09) surpreendeu todas as pessoas que já estavam no centro de tradições, ao chegarem centenas de estudantes de escolas estaduais, municipais e instituições de ensino superior. Em um processo de mobilização descentralizado, as caravanas começaram a desembarcar no local da feira logo pela manhã. Proporcionar um momento de diálogo mais próximo entre as juventudes e as famílias guardiãs, trocando experiências e conhecimentos, foi um dos objetivos do dia. 

A presença da comunidade escolar é um marco muito importante nas feiras regionais de sementes crioulas. Os/as educandos/as e educadores/as trazem suas experiências e retornam para casa com as mochilas carregadas. Nessa construção conjunta do conhecimento, novos horizontes apontam, incentivando a permanência das juventudes no campo. 

Caravanas da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Laranjeiras do Sul; Universidade Federal do Paraná (UFPR) Setor Litoral; Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG); Universidade Estadual do Centro-Oeste Campus (UniCentro) – Guarapuava e Irati; Instituto Federal do Paraná (IFPR) – Campus União da Vitória, Campo Largo, Coronel Vivida e Irati; Casa Familiar Rural de São Mateus do Sul e de União da Vitória, Colégio Agrícola de Palmeira, e dezenas de escolas estaduais e municipais do campo e da cidade de diversos municípios do Paraná e de São Paulo, mostraram que as juventudes e a dinâmica do ensino da educação do campo, estão organizadas na preservação das histórias de suas famílias e territórios.

Para Silvana Moreira, coordenadora do curso de agronomia do IFPR Campus Irati que tem um enfoque agroecológico, “a importância dos estudantes dos cursos das ciências agrárias e do ensino fundamental participarem da feira de sementes é grande. Primeiro porque possibilita conhecer uma diversidade enorme de espécies que no dia a dia não estão disponíveis; segundo porque sensibiliza a juventude para a valorização de um patrimônio genético rico que estão em mãos camponesas, e, terceiro porque possibilita o acesso a materiais (sementes e mudas) para enriquecer a diversidade que tem nas escolas, até mesmo na elaboração de trabalhos de conclusão de curso e outros”. 

Durante o dia, foram realizadas cinco oficinas autogestionadas, oferecidas por famílias agricultoras, grupos de pesquisa e instituições de ensino. Dentre elas, estão a de manejo e processamento de frutas nativas da Mata Atlântica, facilitada por Julian Perez e João Pedro Olkoski, professor e estudante da UFFS e Antônio Vaz – agricultor do Coletivo Frutas Nativas e Laboratório Vivan de Sistemas Agroflorestais da universidade.

O objetivo era mostrar as possibilidades de manejo e processamento das frutas nativas do estado do Paraná. “A atividade teve boa participação e muito interesse dos participantes, foi possível passar parte dos conceitos, bem como as práticas de colheitas e processamento de polpas de frutas nativas”,  conta o professor.

Na avaliação do grupo, que veio de Laranjeiras do Sul, a feira foi um “espaço muito rico em diversidade agrícola e cultural, muito boa participação e que conseguiu mostrar a agroecologia como alternativa concreta ao agronegócio”.

Outro momento muito aguardado foi a oficina de macarrão de fubá de milho crioulo livre de transgênicos, organizada por José Nicolau Fernandes, extensionista rural da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI). 

O objetivo da oficina era o resgate da cultura alimentar e das infinitas possibilidades de beneficiar o milho. A atividade difundiu a tecnologia no aproveitamento do milho crioulo em mais uma opção alimentar. “Para mim foi muito boa a aceitação do público, e saí muito satisfeito com o evento e nas próximas estaremos presente”, conta Nicolau animado e já se preparando para a 19ª Feira Regional.

As quatro mil pessoas que passaram pela feira também puderam provar um pouco dessa diversidade. De tudo que foi servido pela organização nos dois dias de encontro, mais de 90% veio da agricultura familiar de base agroecológica da região. Foram mais de 300 quilos de verduras, legumes e tubérculos, colhidos dias antes da feira. Pelo menos 60 quilos de feijão, 400 quilos de carne de porco, da raça crioula Moura, chá mate tostado e ovos. Bem como se deliciar nas mesas da partilha, que são tradição nas feiras, recheada pelos pratos trazidos pelos participantes, dos pães, cerveja caseira, bolos e compotas , possibilitando assim provar os diversos sabores da região.  

No almoço de sábado (17/09), a tradicional quirerada de milho crioulo livre de transgênicos, com 60 quilos da variedade amarelão, que veio da comunidade da Invernada, em Rio Azul, distribuídos em oito tachos. Junto ao milho, a carne de porco crioulo da raça Moura, criado por famílias da comunidade de Butiazal, no mesmo município.

“Vou ensinar pros meus filhos, o que aprendi com meus pais
Esta semente é herança, dos povos tradicionais
Esta semente é a certeza, de um novo amanhã
É o resultado da luta, dos guardiões e guardiãs”

Alimento que nutre

Ainda na tarde de sexta, aconteceu o seminário sobre alimentação saudável, reunindo participantes de diversos municípios e entidades da agricultura familiar. Cristiani Roveda, nutricionista da Secretaria de Educação de São Mateus do Sul, responsável pela dinâmica de atendimento ao PNAE junto às famílias agricultoras, abriu o diálogo trazendo dados sobre o programa, seu histórico e a importância das crianças e adolescentes terem acesso a um alimento de qualidade no âmbito escolar.

Na sequência, a nutricionista e doutoranda em Saúde Pública, Vanessa Daufenback, trouxe a questão da alimentação no Brasil a partir do atual contexto sóciopolítico, enfatizando a presença dos desertos alimentares em todos os territórios devido ao avanço do agronegócio e investimento da indústria de processados. 

Ao final, o público pode escutar o relato da agricultora experimentadora Márcia Patrícia, do município de Queimadas, do território da Borborema, no estado da Paraíba. Através de sua experiência, a agricultora compartilhou a importância do trabalho das mulheres e dos quintais produtivos na garantia de uma alimentação adequada para a família e geração de renda, cultivando comida de verdade e diversa ao redor de casa. 

O debate foi inspirador, motivando a reflexão sobre quais processos os alimentos consumidos todos os dias nutrem e incentivando o público a levantar a bandeira da alimentação saudável em meio a tantos produtos ultraprocessados que o sistema nos impõe, que massacram e apagam a história  e as memórias afetivas dos alimentos com as culturas e tradições do povo.

Para finalizar, houve a partilha do alimento que tanto foi mencionado ao longo do seminário – aquele produzido com respeito ao meio ambiente, justiça social, em circuitos curtos de comercialização. Um café vindo das mãos das famílias agricultoras com uma diversidade de itens para mostrar a riqueza que vem dos diversos espaços produtivos, como os roçados e quintais das casas.

Consumir alimentos saudáveis é um ato de amor. Produzi-los é revolucionário.

“É o poder dos pequenos, contra a privatização
Lutando contra os venenos, na nossa alimentação
Traga a bandeira de luta, vamos fazer mutirão
Vamos fazer a mudança, de geração em geração

De geração em geração – Banda Mãe Terra”

 

Sementes crioulas cariocas e paraibanas

“Isso é uma troca muito rica, deles conhecerem um pouco do que a gente tem aqui e da gente trazer o que eles têm lá. Da experiência que trouxe da feira é que não precisa muito pra guardar a semente. É possível colocar em prática aqui”, conta a agricultora carioca Maria Aparecida, da Horta Brisa, que participa das ações do programa de Agricultura Urbana da AS-PTA, no Rio de Janeiro.  Junto com ela estava também Eduardo Ribeiro Duarte, agricultor guardião integrante da Feira da Roça de Vargem Grande. 

Da Paraíba, veio Márcia Patrícia que compartilhou a experiência de participar da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, realizada há 13 anos no território da Borborema. Márcia também contou como se dá a valorização do trabalho das mulheres a partir dos trabalhos nos quintais produtivos.

Os intercâmbios são uma metodologia que favorece as trocas de experiências, instigando o olhar para as diferentes realidades. A caravana da Paraíba e Rio de Janeiro, seguiram em intercâmbio no domingo, dia 18/09, visitando duas propriedades – uma no campo e outra na cidade. Nas numerosas e frutíferas trocas, as sementes crioulas se movimentam e seguem sendo a esperança de um melhor amanhã.

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Cartilha de Árvores do Maciço da Pedra Branca Um olhar quilombola para o uso e a conservação https://aspta.org.br/2022/09/20/cartilha-de-arvores-do-macico-da-pedra-branca-um-olhar-quilombola-para-o-uso-e-a-conservacao/ https://aspta.org.br/2022/09/20/cartilha-de-arvores-do-macico-da-pedra-branca-um-olhar-quilombola-para-o-uso-e-a-conservacao/#respond Tue, 20 Sep 2022 20:27:00 +0000 https://aspta.org.br/?p=19722 Leia mais]]> Esta cartilha reúne algumas árvores presentes na vida das comunidades que vivem, moram e plantam no Maciço da Pedra Branca. Trata dos usos e também das histórias pessoais, de como essa interação é indissociável.

Pelos caminhos do Sertão Carioca, as árvores oferecem sombra, proteção, alimentos, medicina e reconforto espiritual. Elas enraízam os conhecimentos e as epistemologias quilombolas sobre ecologia e natureza, ao mesmo tempo que nutrem o imaginário popular como entes vivos e atuantes.

No ciclo de vida a longo, médio e curto prazo, elas compõem todo um ecossistema bio-sócio-cultural. No Maciço, elas tiveram e continuam tendo um papel crucial na vida local, tanto na economia, quanto no uso cotidiano de subsistência.

Este é um pequeníssimo extrato da riqueza biocultural das comunidades quilombolas e agricultoras do Maciço da Pedra Branca em relação a como interagem com a mata e suas árvores, seus saberes, suas histórias. Construído a partir de um levantamento cotidiano, simples e afetuoso ao longo de encontros, escutas e trocas em oficinas e mutirões, compilamos e registramos informações sobre árvores que estão na memória coletiva e na epistemologia quilombola das comunidades agricultoras do Quilombo Dona Bilina, Quilombo Cafundá Astrogilda e Quilombo do Camorim, que ficam na da zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, e nos foram contadas, principalmente por Adilson Almeida, Sandro Santos,Tati Mesquta, Paulinho Martins, Adilson Júnior e Maria Lúcia Mesquita.

Esperamos que possa aproximá-lo(a), caro(a) leitor(a), do universo fascinante e mágico das árvores.

Boa leitura!

Cartilha de Árvores do Maciço da Pedra Branca – Um olhar quilombola para o uso e a conservação

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Cartilha Sementes da Agricultura Urbana https://aspta.org.br/2022/09/20/cartilha-sementes-da-agricultura-urbana/ https://aspta.org.br/2022/09/20/cartilha-sementes-da-agricultura-urbana/#respond Tue, 20 Sep 2022 20:23:14 +0000 https://aspta.org.br/?p=19718 Leia mais]]> A partilha de sementes é uma prática ancestral que foi e vem sendo ameaçada pelo modelo de agricultura do agronegócio, em que as estruturas do comércio agroalimentar global na modernidade tardia reconfiguraram drasticamente as práticas de troca e reformularam as questões de propriedade legal, resultando em acesso restrito às sementes para a maioria das pessoas.

Os movimentos de soberania alimentar (e por associação, de sementes) relatam diversas formas de resistência a esse contexto.

A agricultura urbana promove a produção diversificada de alimentos livres de agrotóxicos e transgênicos e é abundante em saberes e práticas que contribuem para agroecossistemas mais sustentáveis. As sementes representam, neste contexto, ativos de lutas simbólicas em defesa dos interesses de agricultoras e agricultores que buscam autonomia e segurança alimentar e nutricional nas práticas agroecológicas nas cidades.

Nas palavras dos guardiões e guardiãs das memórias e das sementes locais:
A semente é a porta de entrada da Agroecologia.
Palavras são sementes.
Semente é vida, sobrevivência, amor, é contar histórias das
pessoas e suas lembranças. A semente faz a vida prosperar, nos dá
esperança de novas gerações.

Nesse caderno, feito em parceria com a Rede Carioca de Agricultura Urbana e a Fiocruz (Programa de Desenvolvimento do Campus Fiocruz Mata Atlântica) você conhece um pouco mais dessas pessoas-sementes. Ele é parte da campanha Produtos da Gente, realizada no âmbito do Programa de Agricultura Urbana da AS-PTA através dos  projetos  Sertão Carioca: Conectando Cidade e Floresta, Projeto Hortas Orgânicas em Faixas de Dutos e Projeto Redes Locais de Produção e Abastecimento Alimentar: Fortalecendo laços de produção, comercialização e consumo de alimentos saudáveis (Projeto Arranjos Locais).

Boa leitura!

Cartilha Sementes da Agricultura Urbana

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ABCDário – Cartilha Educação Ambiental https://aspta.org.br/2022/09/20/abcdario-cartilha-educacao-ambiental/ https://aspta.org.br/2022/09/20/abcdario-cartilha-educacao-ambiental/#respond Tue, 20 Sep 2022 20:20:27 +0000 https://aspta.org.br/?p=19714 Leia mais]]> A cartilha Abcdário é voltada para o público de educação infantil das comunidades quilombolas e agricultoras da zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. O material visa apoiar atividades de educação ambiental e combate ao racismo e faz parte do Programa de Educação Ambiental e Antirracista para as Infâncias, realizado no âmbito do eixo sociocultural do Projeto Sertão Carioca: Conectando Cidade e Floresta que é executado pelo Programa de Agricultura Urbana da AS-PTA na cidade do Rio de Janeiro.

A cartilha foi desenvolvida na perspectiva de fortalecimento dos conhecimentos tradicionais em torno do solo e da biodiversidade da Floresta da Pedra Branca, e teve apoio do Instituto Permacultura Lab e da Embrapa Escola.

Confira.

ABCdário – Cartilha Educação Ambiental_

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Cartografia Participativa do Quilombo do Camorim – Guardiões da Sankofa https://aspta.org.br/2022/09/20/cartografia-participativa-do-quilombo-do-camorim-guardioes-da-sankofa/ https://aspta.org.br/2022/09/20/cartografia-participativa-do-quilombo-do-camorim-guardioes-da-sankofa/#respond Tue, 20 Sep 2022 20:16:24 +0000 https://aspta.org.br/?p=19710 Leia mais]]> No Quilombo do Camorim, os vestígios históricos materiais mais sobressalentes correspondem à história colonial do Brasil, da qual também há inúmeros registros de arquivos pesquisados pelos historiadores.

Em termos materiais, destaca-se a Igreja de São Gonçalo do Amarante que está em pé e foi tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Cultural (INEPAC) em 1965. A igreja foi construída em 1625 por Gonçalo de Sá Correia, filho do governador da cidade do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá.

A partir da pequena igreja se rastreia a história da sesmaria onde foi instalado o Engenho do Camorim, um dos muitos engenhos de escravos da planície de Jacarepaguá. Lá, foi registrada a plantação de canaviais para a produção de açúcar e aguardente a partir do trabalho dos africanos escravizados. Alguns escravizados compravam sua alforria e se tornavam foreiros que arrendavam as terras dos monges. As últimas alforrias foram concedidas em 1871 pouco antes do fim da escravidão.

Através do eixo sociocultural do Projeto Sertão Carioca: Conectando Cidade e Floresta, executado pela AS-PTA, realizamos um conjunto de oficinas participativas de Cartografia Social que narram essa história a partir do olhar dos quilombolas que residem lá hoje.

Confira!

Cartografia Social – Guardiães de Sankofa – Quilombo do Camorim

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Cartografia Cafundá-Astrogilda: caminhos de memória e resistência https://aspta.org.br/2022/09/19/cartografia-cafunda-astrogilda-caminhos-de-memoria-e-resistencia/ https://aspta.org.br/2022/09/19/cartografia-cafunda-astrogilda-caminhos-de-memoria-e-resistencia/#respond Mon, 19 Sep 2022 18:55:19 +0000 https://aspta.org.br/?p=19706 Leia mais]]> É no maciço da Pedra Branca, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde está o território das famílias afrodescendentes que conformam o Quilombo Cafundá-Astrogilda, ao qual se chega pelo bairro de Vargem Grande.

Fazem parte da comunidade quilombola as famílias Lacerda Drumond, Pereira, Alves de Andrade, Martins, Cardia, Rodrigues, Mendez e Santos Mesquita entre outras que se distribuem geograficamente em núcleos parentais que se misturam.

Foi a família Santos Mesquita a que deu início ao processo de certificação quilombola expedido pela Fundação Cultural Palmares em 2014. O nome Cafundá – Astrogilda está relacionado à história dos Santos Mesquita cuja matriarca, dona Astrogilda, deu início a essa linhagem e se tornou conhecida pela sua obra no terreiro localizado no Caminho do Cafundá.

Através do eixo sociocultural do Projeto Sertão Carioca: Conectando Cidade e Floresta, executado pela AS-PTA, realizamos um conjunto de oficinas participativas de Cartografia Social que deram origem a esse material.

Confira.

Cartografia Cafundá Astrogilda – Caminhos de Memória e Resistência

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Polo da Borborema apresenta os desafios à vida no território e diz que quer participar ativamente das políticas públicas https://aspta.org.br/2022/09/14/polo-da-borborema-apresenta-os-desafios-a-vida-no-territorio-e-diz-que-quer-participar-ativamente-das-politicas-publicas/ https://aspta.org.br/2022/09/14/polo-da-borborema-apresenta-os-desafios-a-vida-no-territorio-e-diz-que-quer-participar-ativamente-das-politicas-publicas/#respond Wed, 14 Sep 2022 22:46:48 +0000 https://aspta.org.br/?p=19683 Leia mais]]> Esse foi o recado dado, no ato realizado ontem (13), com a presença de seis candidaturas aos Legislativos estadual e federal

Ontem (13), o Polo da Borborema dialogou com quatro candidatos/as ao Legislativo estadual – Chió (Rede), Olímpio Rocha (PSOL), Cida Ramos (PcdoB) e Jô Oliveira (PT) – e dois ao federal – Estela Bezerra (PT) e Márcio Canielo (PT) – sobre o projeto político em curso no território há 26 anos e que o torna uma região produtora de alimentos de verdade e livres de veneno e transgênicos.

O Polo, um coletivo formado por 13 sindicatos rurais e cerca de 150 associações comunitárias e que gere uma associação regional, a EcoBorborema, e uma cooperativa estadual da agricultura familiar – a CoopBorborema, tem feito esse diálogo com as candidaturas desde 2018.

Dessa vez, o recado dado aos convidados foi construído a partir dos desafios que ameaçam a vida das famílias agricultoras do território. Agricultores e agricultoras falaram sobre a violência contra a mulher; a violência no campo que vem gerando insegurança e migração das áreas rurais para as periferias urbanas; a concentração de terra num território que passou por um processo de reforma agrária nos anos de 1980 e 1990; a ameaça trazida pela invasão das indústrias de produção de energia a partir dos ventos e do sol; e as mudanças climáticas, que tornam o ambiente Semiárido ainda mais árido e desafiador para a agricultura e criação animal.

Mas as denúncias vinham acompanhadas com caminhos para o enfrentamento da situação. E, se não havia uma estratégia clara para superar o desafio, as falas deixaram um recado bem claro para quem pretende representar os paraibanos e paraibanas nos poderes Legislativos: só se constrói políticas públicas ouvindo a sociedade civil e possibilitando o controle social do mandato.

Desse modo, o Polo da Borborema, através das vozes das mulheres, homens e jovens, sublinhou que há um projeto político em construção pela sociedade civil no território e que quer ser ouvido e participar da construção das políticas e programas para enfrentar os diversos desafios que podem por em risco a soberania e segurança alimentar e nutricional conquistadas pelas famílias agricultoras agroecológicas na região.

A iniciativa – Esse diálogo proposto pelo Polo da Borborema é uma iniciativa que está acontecendo em vários territórios do Semiárido. Articulações como a ASA, a ANA e a Rede Ater Nordeste de Agroecologia estão estimulando esses processos de incidência política para que as pautas que dizem respeito à produção e acesso aos alimentos de verdade e livres de venenos estejam na prioridades dos programas e políticas públicas em todas as esferas governamentais – país, estados e municípios – além de estar na agenda do Legislativo nos três níveis.

Confira trechos da fala dos porta-vozes do Polo no ato:

 

 

 

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Polo da Borborema repactua sua estratégia política em grande encontro https://aspta.org.br/2022/09/13/polo-da-borborema-repactua-sua-estrategia-politica-em-grande-encontro/ https://aspta.org.br/2022/09/13/polo-da-borborema-repactua-sua-estrategia-politica-em-grande-encontro/#respond Tue, 13 Sep 2022 23:06:56 +0000 https://aspta.org.br/?p=19695 Leia mais]]> Passados dois anos de pandemia, sem grandes encontros presenciais, as lideranças e os participantes das comissões temáticas do Polo da Borborema voltaram a se reunir no mês passado, nos dias 16 e 17, no Santuário de Santa Fé, em Solânea.

“Essa é uma volta muito significativa e muito importante pra vida política do Polo e também para fortalecer as comissões temáticas para avaliar e fazer seu planejamento. Ao mesmo tempo, o nosso evento foi de reencontro. Tinha agricultores e agricultoras que a gente não conseguia ver há um certo tempo”, celebra Roselita Vitor, da coordenação do Polo, ressaltando que, em momentos como esse, quando se juntam diversos sujeitos do campo, a força do movimento sindical é renovada. “O Polo nasce a partir das percepções das bases e das lideranças”, aponta.

Foi um evento grande com mais de 100 pessoas. Havia gente antiga, envolvida nas dinâmicas do Polo de outras épocas, e gente nova que se soma ao movimento a partir de sua participação nos Fundos Rotativos Solidários bastante disseminados nos últimos anos entre os jovens e mulheres.

Na programação do encontro, houve um momento de reconexão com a história desse coletivo, formado por 13 sindicatos e cerca de 150 associações comunitárias. Um coletivo que tem força política e poder para concretizar suas intenções e desejos. O Polo criou uma associação, a EcoBorborema, que organiza os espaços de comercialização e também promove a certificação participativa das famílias agricultoras e criou também uma cooperativa com capacidade de atuar em toda a Paraíba, a CoopBorborema.

No encontro de agosto, também houve um momento de leitura do momento atual da vida no campo dentro do território. “Não me conformo com a fome no campo”, destacou Nelson Ferreira, liderança do sindicato de Lagoa Seca e membro da coordenação política do Polo. “Essa é a maior contradição que vivemos. O roçado é o nosso maior prato.”

E acrescenta um fenômeno que vem chamando atenção nos últimos anos: “Por quê têm muitas pessoas da cidade comprando a nossa terra? Precisamos fazer uma campanha para evitar que as terras caiam nas mãos de pessoas que não são agricultoras”, defende.

O passo seguinte foi se reunir em grupos temáticos para responder a pergunta: O que eu gostaria que tivesse e não tivesse no meu território? “É hora também de trazer a nossa base para essa reflexão e se sentir parte da construção de um projeto democrático, construído a partir do olhar das nossas lideranças e dos nossos agricultores e das agricultoras”, anuncia Rose.

E acrescenta: “O que significa esse momento pré-eleições para que a gente traga o debate sobre as políticas públicas? O nosso território é marcado pela construção de políticas públicas, de experiências práticas de convivência com o Semiárido, de agroecologia e de organização. Fizemos também uma construção coletiva de questões como a importância do voto consciente, da democracia. Refletimos também sobre o enfrentamento a alguns projetos de desenvolvimento que vem afetando a vida das famílias como essa questão da indústria das energias renováveis”, conta Rose. Essa atividade foi preparatória ao encontro que o Polo da Borborema promoveu junto aos candidatos e candidatas do campo progressista da Paraíba.

Luciano Silveira, assessor técnico da AS-PTA, organização que assessora o Polo na sua missão de construir um projeto político para o território agroecológico da Borborema, ajuda na provocação das reflexões: “O que queremos construir para o nosso território? Não é só votar dando carta branca. A gente quer dizer o que queremos. E antes de tomar posse, nos reuniremos novamente. Porque não nos satisfaz só as promessas. Queremos o compromisso pós eleições.”

As reflexões que foram feitas orientaram a elaboração da carta política do Polo da Borborema para as candidaturas. “As questões importantes para nós entraram nesse documento não como desafios, mas apontando caminhos, como políticas que foram e são importantes e outras que podemos construir”, sublinha Rose.

No segundo dia do encontro, foi o momento de falar sobre as inovações camponesas. “O que essas duas palavras dizem pra gente?”, questiona Luciano que estava na facilitação do momento. “Esse nome tem a ver com os recursos da natureza que o camponês se entrosou”, responde um. “Tem a ver com conhecimento e sabedoria, com agricultor que ensina o outro”, sugere outra pessoa.

Na conversa, Luciano faz um destaque: “A cisterna é uma inovação camponesa. É a tecnologia social mais disseminada no Semiárido brasileiro, onde estão implementadas mais 1,4 milhão de cisternas. Também está presente em vários países da África, América Central. Está ganhando o mundo.”

Daí por diante, várias pessoas lembraram de diversas inovações, como um método de estocar farinha de mandioca por mais de dois anos de forma que ela não perde o gosto. “Inovação não diz respeito a coisas novas, mas também ao que é adaptado para a nossa realidade”, salienta Luciano.

A seguir, Seu Joaquim Pedro de Santana de Montadas pontua: “Nós, que somos lideranças, temos que correr atrás dos tesouros escondidos que têm muitos nas nossas comunidades. Vai depender só de nossa capacidade de articulação.”

“A gente não seria um movimento sindical se não reconhecêssemos o papel dos agricultores e agricultoras como construtores de conhecimento e experimentadores”, sustenta Rose ao iniciar a apresentação de um programa do Polo que vai dar o tom da ação sindical na Borborema nesse segundo semestre.

“Programa de Inovações Camponesas. O que é isso? É, justamente, a gente identificar os agricultores e agricultoras que já fazem suas experiências a partir de alguma ação que ele tem no quintal, roçado ou arredor de casa, que a gente não percebeu ainda. Esse programa de inovações vai nos ajudar, a cada município, a levantar esses camponeses e camponesas pra gente poder fazer uma leitura desse conhecimento e dessa sabedoria. E daí, promover intercâmbios com outros agricultores/as dentro do território”, explica Maria do Céu Silva, liderança do sindicato de Solânea.

Nelson Ferreira destaca outro elemento muito importante que será favorecido a partir do novo programa. “Um programa como este visa exatamente trazer uma dinâmica muito importante para fortalecer, cada vez mais, a agricultura familiar e a agroecologia. E também traz pedagogias importantes para a gente trazer, cada vez mais, um número de agricultores e agricultoras para a transição agroecológica.”

Ferreira ressalta também que o Polo tem o desafio de, através do movimento gerado por esse programa, das sistematizações e intercâmbios realizados, influenciar políticas públicas municipais de fortalecimento da agricultura familiar agroecológica.

Para Rose, o novo programa tem a capacidade de enraizar a ação política do Polo “nesse chão que são essas experiências. E as experiências são processo organizador da construção da agroecologia, do movimento sindical. Teremos muitas reflexões sobre o papel do movimento sindical a partir dessa construção”, arremata ela.

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“Nós estamos aqui para construir, com participação popular, a democracia e o controle social”, ressalta coordenadora da ASA-PB https://aspta.org.br/2022/09/12/nos-estamos-aqui-para-construir-com-participacao-popular-a-democracia-e-o-controle-social-ressalta-coordenadora-da-asa-pb/ https://aspta.org.br/2022/09/12/nos-estamos-aqui-para-construir-com-participacao-popular-a-democracia-e-o-controle-social-ressalta-coordenadora-da-asa-pb/#respond Mon, 12 Sep 2022 13:54:42 +0000 https://aspta.org.br/?p=19674 Leia mais]]> “Eleições 2022: A Paraíba em defesa de um Semiárido Vivo” promoveu encontro de cerca de 500 agricultoras /es com três candidatos ao governo do Estado e Senado, em Campina Grande 

Lindalva de Oliveira e o marido José Antônio vieram de Mogeiro, no Agreste da Paraíba, para Campina Grande. Um pouco mais de 51 km separam os centros das duas cidades. O casal faz parte da associação do assentamento Dom Marcelo Pinto Carvalheira, onde vivem. Ela vice-secretária. Ele vice-presidente.

Rita Maria de Santana Silva e José Expedito Arruda foi outro casal que viajou mais de 60km do seu sítio para participar do encontro que a ASA Paraíba realizou com os candidatos ao governo do Estado, na sexta-feira passada (9) pela manhã. Eles moram na zona rural de Aroeiras e são vendedores da feira agroecológica do município. Com eles, residem cinco dos sete filhos. “Todos solteiros e só um com um trabalho”, contou Rita.

De mais distante, veio Antônio Tavares, agricultor do Alto Sertão paraibano. Ele percorreu quase 300 km para se fazer presente no evento que reuniu cerca de 500 agricultores e agricultoras dos sete territórios de atuação da ASA Paraíba.

“Saí de casa hoje de 1h da manhã. Sou agricultor dedicado ao trabalho em comunidade. Venho no intuito de representar minha comunidade e município. A gente depende da política. E precisamos do gestor, assim como ele depende de nós. A gente precisa escolher um candidato que não sirva só a si, mas a todos”, destacou Antônio, que faz parte do conselho do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Aparecida.

Lindalva, Rita, José Antônio, José Expedito e Antônio sabem da importância do voto consciente e isso os motivou a encarar o deslocamento, deixar os afazeres de casa, do roçado, do quintal, com os animais e dedicar o dia ao ato “Eleições 2022: A Paraíba em defesa de um Semiárido vivo!”. Como lideranças e membros de coletivos de agricultores e agricultoras, eles representam outras tantas famílias de suas comunidades e municípios.

Diante do público que encheu o salão da AABB, em Campina Grande, três candidatos, sendo dois ao senado – Ricardo Coutinho (PT) e Alexandre Soares (PSOL) – e um a governo do Estado – Veneziano Vital do Rego (MDB) – ouviram sete agricultores e agricultoras, todos lideranças de vários territórios do Semiárido.

Cada um/a dos sete porta-vozes anunciava as pautas importantes dos temas estratégicos para a Articulação Semiárido: criação animal, água, mercados, sementes da Paixão, mulheres, juventudes e bem viver. Reginaldo Bezerra, Sérgio Oliveira, Euzébio Cavalcanti, Maria do Céu Silva, Mateus Manassés e Roselita Vitor apresentaram pleitos essenciais para que as famílias agricultoras tenham condições de viver com dignidade em seu pedaço de chão, apesar dos reveses climáticos que se tornam cada vez mais frequentes por conta da mudança na temperatura global.

Além das demandas, algumas denuncias, como a posta por Sérgio Oliveira. “A gente não abre dos programas de acesso à água com formação e assessoria técnica. E também não abrimos mão de implementar as tecnologias sociais valorizando os acúmulos das entidades das organizações da sociedade civil e caráter produtivo, prioritariamente, para mulheres e jovens, para garantir que os jovens saiam do campo. A gente atravessou dez anos de seca severa e não houve deslocamento humano por falta de água, por causa de um simples programa de cisterna que garantiu soberania alimentar e nutricional, soberania hídrica e deu dignidade a essas pessoas que não precisam trocar o voto por um carro pipa de água”.

Os pleitos proferidos foram construídos coletivamente pelos participantes da ASA Paraíba em diversos momentos. Um deles foi na quinta-feira passada (8), em Campina Grande. “Nós aprendemos, na nossa história, que o Semiárido da Paraíba e o Semiárido brasileiro não quer viver mais de migalhas. Nós aprendemos, sempre, que nós temos a capacidade de sermos sujeitos de nossa própria história quando a política pública é canalizada para fortalecer a autonomia dos sujeitos do Semiárido. Isso é Bem Viver no Semiárido”, proferiu Roselita Vitor abrindo a sua fala, que encerrava o ciclo de apresentação dos pleitos registrados na Carta da ASA Paraíba às candidaturas.

“O programa Um Milhão de Cisternas é um exemplo de uma relação forte entre a sociedade civil e o poder público na construção de políticas. A ASA é reconhecida por essa política no Brasil e fora do Brasil. Nós queremos construir um plano de agricultura familiar com base agroecológica para o Semiárido da Paraíba com a participação da sociedade civil organizada”, destacou Rose e seguiu enumerando outros pleitos como a criação de um programa estadual de assessoria técnica rural (ATER) com bases agroecológicas em parceria com a sociedade civil.

“Nós entendemos, enquanto sociedade, que não queremos apenas receber as políticas, queremos construir as políticas e nós queremos participar dessa construção”, defendeu. Mais à frente, Rose pauta a construção de um canal de diálogo permanente da sociedade civil com o governo. Logo em seguida, ela traz à tona a questão das energias renováveis, que também havia sido citada na fala de Mateus Manassés, porta-voz dos pleitos da juventude.

“Nós, enquanto Articulação do Semiárido, nós, enquanto Articulação Nacional de Agroecologia, somos a favor das energias renováveis. Achamos que esse é o caminho porque o nosso planeta não suporta mais ser sugado. Mas, o programa de energia renovável, no Brasil e no estado da Paraíba, tem sido uma forma de violar os direitos das comunidades rurais. As usinas eólicas e solares são um modelo centralizado de energia e esse modelo desmata a Caatinga que já vem num processo grave de desertificação e agrava as questões ambientais, quando a gente pensa hoje nas mudanças climáticas”, ressalta elencando a seguir algumas questões que estão na carta da ASA-PB.

Antes de passar a voz para os candidatos presentes, houve ainda uns versos declamados por Lita Bezerra, agricultora experimentadora referência na Paraíba, produtora de medicamentos naturais, rezadeira e mestra na arte da poesia. E uma fala de Glória Batista, uma das coordenadoras da ASA PB, que destacou a importância do momento dizendo que “esse é o encontro do povo, do poder popular, com os candidatos. As falas que vieram das agricultoras e dos agricultores é a força do povo. É aquilo que sai do desejo, da construção coletiva da agricultura familiar camponesa. Nós não fazemos convivência com o Semiárido não só com tecnologia, mas com cultura popular, com conhecimento popular”.

E ressaltou que a intenção maior da carta da ASA é enfrentar a fome. “A gente sabe que a fome já chegou a mais de 33 milhões de brasileiros e brasileiras. Isso não é à toa. É falta de vontade política. Então, os agricultores que falaram, os que estão aqui e outros que ficaram em casa, disseram que queremos enfrentar a fome, mas com participação popular, promovendo soberania e segurança alimentar. E, pra isso, precisamos trabalhar com as sementes da Paixão vegetal e animal, fazer com que a agricultura familiar camponesa tenha acesso as políticas públicas, tenha recursos e que também a gente possa enfrentar todas as formas de violência que aqui foram colocadas.”

Glória destacou também o sentido de estarem presentes: “Nós estamos aqui para garantir e continuar construindo, com participação popular, a democracia, o controle social que é necessário, após a vitória dos futuros deputados e deputadas, senadores, para a construção de políticas públicas. A gente conseguiu acesso às políticas públicas, nesses mais de 500 anos de latifúndio, nos governos de Lula e Dilma. Foi quando veio um pouco de recurso para a agricultura familiar, gente! Isso é constatado em pesquisas, mas é vivido, sobretudo, pelas famílias agricultoras do Semiárido brasileiro. As mudanças que ocorreram foi porque tivemos dois governos populares que tinham que abrir diálogo com a população. E abrir diálogo com a população não era só construir cisternas, mas também trazer o nosso jeito de fazer, valorizando os conhecimentos e saberes das agricultoras e agricultores”, afirmou.

Em seguida, foi a vez dos candidatos presentes dialogarem com as pautas apresentadas. A assinatura das cartas da ASA Paraíba, ASA Brasil, Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e da Marcha das Margaridas foi realizada logo após cada fala.

A iniciativa – O diálogo proposto pela ASA na Paraíba é uma iniciativa que está acontecendo em vários territórios do Semiárido. Articulações como a ASA, a ANA e a Rede Ater Nordeste de Agroecologia estão estimulando esses processos de incidência política para que as pautas que dizem respeito à produção e acesso aos alimentos de verdade e livres de venenos estejam na prioridades dos programas e políticas públicas em todas as esferas governamentais – país, estados e municípios – além de estar na agenda do Legislativo nos três níveis.

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18ª Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade reunirá mais de 3 mil pessoas em Irati https://aspta.org.br/2022/09/08/18a-feira-regional-de-sementes-crioulas-e-da-agrobiodiversidade-reunira-mais-de-3-mil-pessoas-em-irati/ https://aspta.org.br/2022/09/08/18a-feira-regional-de-sementes-crioulas-e-da-agrobiodiversidade-reunira-mais-de-3-mil-pessoas-em-irati/#respond Thu, 08 Sep 2022 15:13:42 +0000 https://aspta.org.br/?p=19664 Leia mais]]> O encontro, que planeja receber cerca de 120 expositores nos dias 16 e 17 de setembro, é organizado por entidades do campo e da cidade do Paraná

“De geração em geração, Sementes Crioulas Sim! Transgênicos Não!”. Esse é o lema que anuncia o maior festejo em defesa da agrobiodiversidade da região centro-sul do Paraná, a 18ª Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade. O encontro, que acontecerá nos próximos dias 16 e 17 de setembro a partir das 9h, será realizado no centro de tradições Willy Laars, em Irati.

A feira, tradicional na região, é fruto da articulação e organização de diversas entidades do campo e da cidade, entre elas o Coletivo Triunfo, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Irati (STRI), Rede Sementes da Agroecologia (ReSA) e AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.

Para esta 18ª edição, a expectativa é reunir cerca de 120 famílias guardiãs de sementes crioulas, mudas, artesanatos, alimentos in natura e minimamente processados, de todas as regiões do Paraná, que vão partilhar e comercializar seus produtos. Além disso, nos dois dias de evento, devem circular mais 3 mil pessoas, entre moradores da cidade, agricultores e agricultoras familiares, estudantes, pesquisadores e famílias guardiãs da agrobiodiversidade.

“Para nós, a Feira Regional traz muitas características próprias da região centro-sul do Paraná. E visa reforçar a integração do trabalho com conservação da agrobiodiversidade realizado pelas famílias agricultoras guardiãs das sementes crioulas. Além disso, é um espaço importante para acessibilizar ao público urbano que tem buscado alimentos saudáveis e sementes crioulas para fazer uma horta em suas casas”, explica André Jantara, assessor técnico da AS-PTA e do Coletivo Triunfo.

Programação
Pela programação é possível perceber o tamanho e a diversidade da 18ª Feira Regional. Durante a sexta-feira (16), a partir das 9 horas, será realizada a recepção das caravanas dos participantes e expositores; depois é a vez de saborear o grandioso café da partilha e participar de diversas oficinas e stands técnicos voltados a preservação das sementes crioulas, da agrobiodiversidade e o fortalecimento da agroecologia. Além disso, à tarde está programada a realização de um Seminário da Alimentação Saudável e apresentações culturais de grupos locais e regionais.

No sábado (17) o evento começa cedo, às 8h30 com o café da partilha, mística e abertura oficial da feira das sementes crioulas com a benção inter-religiosa. Após o almoço, será o momento de partilhar a diversidade através das sementes e mudas preservadas e multiplicadas pelas famílias guardiãs. A feira está programada para se encerrar às 17 horas.

A participação na feira é gratuita, tanto para quem quer expor seus produtos quanto para quem deseja visitar. Ainda é possível inscrever oficinas e, também, bancas para comercialização dos produtos, seguindo alguns critérios importantes como diversidade de sementes, realização de testes de transgenia em todas as variedades de milho antes da entrada na feira e a não revenda de produtos, garantindo que tudo virá da agricultura familiar camponesa, indígena, de povos e comunidades tradicionais. Caso tenha interesse, clique aqui para realizar a sua inscrição ou entre em contato com as entidades organizadores da feira.

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