AS-PTA https://aspta.org.br Thu, 02 Feb 2023 13:18:32 +0000 pt-BR hourly 1 Cartilha – Memórias e receitas das cozinhas dos Quilombos https://aspta.org.br/2023/02/02/cartilha-memorias-e-receitas-das-cozinhas-dos-quilombos/ https://aspta.org.br/2023/02/02/cartilha-memorias-e-receitas-das-cozinhas-dos-quilombos/#respond Thu, 02 Feb 2023 13:18:32 +0000 http://aspta.org.br/?p=19930 A proposta de nos aproximarmos da culinária quilombola das comunidades do Maciço da Pedra Branca/Rio de Janeiro surge de uma parceria realizada junto à Comissão de Quilombos do projeto Sertão Carioca: conectando cidade e floresta, com os grupos de pesquisa e extensão CulinAfro da UFRJ Macaé e Núcleo de Políticas em Alimentação e Nutrição Escolar … Leia mais

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A proposta de nos aproximarmos da culinária quilombola das comunidades do Maciço da Pedra Branca/Rio de Janeiro surge de uma parceria realizada junto à Comissão de Quilombos do projeto Sertão Carioca: conectando cidade e floresta, com os grupos de pesquisa e extensão CulinAfro da UFRJ Macaé e Núcleo de Políticas em Alimentação e Nutrição Escolar (Nucane) da UERJ, que originou a pesquisa “Cozinhas quilombolas: campo de saberes e fazeres para a agenda da educação em saúde e da promoção de alimentação adequada e saudável na escola”. O objetivo deste livro é relembrar e sistematizar as memórias sobre a comida e a cozinha afro-brasileira local, do Maciço da Pedra Branca/Rio de Janeiro, envolvendo os saberes, os  fazeres e os afetos, a partir das narrativas de vida das famílias das comunidades quilombolas.

Nas próximas páginas vocês verão receitas contadas por representantes, sobretudo mulheres, dos três Quilombos do Maciço da Pedra. São receitas que estão presentes na memória de suas infâncias. Comidas preparadas e partilhadas por suas mães, avós, tias e outras mulheres, em diferentes momentos da vida da comunidade. Comida do cotidiano, comida oferecida às mulheres quando dão à luz, comida que cura, comida para dar sustância, comida para festejar, comida para rezar e comida para receber e partilhar. Comidas que expressam a biodiversidade e biointegração com o território e os quintais. Expressão da cozinha afro-brasileira ancestral e atual, compartilhada de geração em geração, em um processo de conservação e inovação.

No nosso primeiro encontro, a conversa sobre lembrança das comidas, das cozinhas e dos quintais da infância mostrou como estes espaços fazem parte das histórias das famílias e dos territórios. A ideia deste livro de receitas veio dos representantes das comunidades presentes no encontro: Leo, Leila, Adriano, Tati e Alice.

Combinamos que as conversas sobre as receitas aconteceriam em encontros nos três territórios. Encontros de troca de práticas, saberes das cozinhas e receitas culinárias de famílias de cada quilombo. Cada território recebeu os demais grupos com um prato que foi preparado e partilhado coletivamente.

Foram realizados os encontros nos quilombos do Camorim (Jacarepaguá) e do Cafundá Astrogilda (Vargem Grande). Em função do momento da pandemia por COVID-19, o encontro do quilombo Dona Bilina (Rio da Prata) foi adiado presencialmente, acontecendo virtualmente para definição final das receitas que entraram no livro e, posteriormente, presencial para partilha e complementação das receitas. Nos dois locais onde os encontros aconteceram presencialmente, a comida foi preparada no quintal, no fogão de lenha, perto das hortas.

A conversa sobre as comidas e as cozinhas, no encontro da CQ Cafundá Astrogilda, aconteceu durante o momento de preparo da moela com batata. Para a  condução da conversa no primeiro encontro, fizemos uma roda de conversa com as seguintes provocações: Quais são as comidas de família (aquelas do dia a dia, das festas, do cuidado, marcantes, dolorosas e alegres)? Como essas comidas são preparadas? Quem são as pessoas de referência na cozinha? Como é a estrutura das cozinhas: tipo de fogão, utensílios (colher de pau, pilão, ralador, peneiras, fogão a lenha etc.)? Há alguma conexão com os quintais (plantas de comer e curar)?

No segundo e no terceiro encontros, a conversa continuou em volta do fogão a lenha e nas cadeiras no quintal enquanto a galinha com quiabo era preparada, no quilombo Cafundá Astrogilda, e a feijoada, no quilombo Dona Bilina. As histórias das comidas eram contadas como parte das histórias de vida das famílias e dos territórios. As falas das rodas de conversa e nas conversas individuais que aconteceram durante esses encontros foram  gravadas e transcritas e as oficinas foram fotografadas, para registro e para composição deste livro de receitas. Além disso, as observações e reflexões partilhadas durante os encontros foram registradas em diário de campo pela equipe de pesquisadoras.

O livro de Manoel Querino A arte culinária na Bahia  inspirou a forma de contar as receitas neste livro. Ao invés de usar as formas convencionais de descrição das receitas, que traz ingredientes e suas quantidades e modos de preparo, com descrição detalhada das etapas utilizadas, construímos um inventário, com descrição dos  ingredientes e os processos artesanais das cozinhas, a partir das receitas narradas pelas participantes dos encontros. A chef indígena do povo pataxó Deborah Martins diz que quando a gente apresenta uma comida que aprende com a mãe e com a avó, não está apresentando um prato, está contando uma história (SAENZ, 2020).

As receitas foram escolhidas para compor o presente livro, priorizando as que se repetiam nas conversas, as que eram conhecidas em várias famílias, as que tinham relação com alimentos e formas de preparo ancestral e que mostravam significados que diziam respeito a diferentes situações da vida das comunidades. Compreendemos que este registro pode compor o acervo das CQ do Maciço da Pedra Branca, sendo acessado pelas crianças, jovens, escolas e pelas próximas gerações, valorizando suas histórias e resguardando as memórias do território, por meio da história das cozinhas e das comidas que os trouxeram até aqui.

 

O trabalho retratado aqui integra ações do Projeto Sertão Carioca: Conectando Cidade e Floresta, coordenado pela Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa – AS-PTA, que visa contribuir para a conservação dos recursos naturais da floresta urbana do Parque Estadual da Pedra Branca (PEPB), com base no manejo sustentável da biodiversidade, valorizando os saberes e práticas de comunidades tradicionais.

Clique aqui e conheça a cartilha

Memórias e Receitas das Cozinhas dos Quilombos do Maciço da Pedra Branca

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Seminário de confraternização de final de ano – Programa de Agricultura Urbana e parceiros https://aspta.org.br/2023/01/17/seminario-de-confraternizacao-de-final-de-ano-programa-de-agricultura-urbana-e-parceiros/ https://aspta.org.br/2023/01/17/seminario-de-confraternizacao-de-final-de-ano-programa-de-agricultura-urbana-e-parceiros/#respond Tue, 17 Jan 2023 17:17:44 +0000 http://aspta.org.br/?p=19921 No dia 19 de dezembro 2023 realizamos o Seminário de Confraternização do Programa de Agricultura Urbana da AS-PTA e parceiros. Depois de dois anos adaptando o evento para a modalidade online devido à pandemia, finalmente o reencontro presencial aconteceu. Dessa vez, o local de celebração foi em Campo Grande, no Sítio do Edinho, junto à … Leia mais

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No dia 19 de dezembro 2023 realizamos o Seminário de Confraternização do Programa de Agricultura Urbana da AS-PTA e parceiros. Depois de dois anos adaptando o evento para a modalidade online devido à pandemia, finalmente o reencontro presencial aconteceu. Dessa vez, o local de celebração foi em Campo Grande, no Sítio do Edinho, junto à Agroprata e ao Quilombo Dona Bilina, no Rio da Prata, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Começamos o encontro com reflexões, propostas e esperanças para 2023, as falas dos coletivos e parceiros presentes retratavam o momento político atual de renovação, os desafios enfrentados, as partilhas dos impactos da pandemia, a denúncia da volta do Brasil ao Mapa da Fome, bem como nossa perseverança pela garantia da saúde, segurança alimentar e nutricional e a agricultura na cidade.

No local tivemos a presença da feirinha, onde produtores agroecológicos, artesãos e culinaristas expuseram suas produções; a Ciranda das crianças, mediada pelo Marcus do coletivo Origens e um saboroso almoço agroecológico com alimentos da Agroprata, do MST e da UNACOOP!

Apesar dos últimos anos difíceis agravados pela pandemia e de muitas perdas, também voltamos nossa atenção para destacar os feitos da AS-PTA e dos projetos parceiros; mesmo nesse período de dificuldade e de desmonte das políticas públicas, resistimos pela força e organização das comunidades. Quando a gente troca e partilha sementes, quando a gente se junta de forma cooperativa, é assim que estamos resistindo à fome!

Estiveram presentes os parceiros do CEM, Verdejar, Quintais produtivos da Colônia, Arranjo Local de Guaratiba, Campo Grande (Permalab, AAFA, Agroprata, Feira agroecológica de CG), Vargem Grande (AMAVAG / Teia de Solidariedade / Feira da Roça), Jardim Sulacap Sustentável, Quilombo D. Bilina, Quilombo Cafundá Astrogilda, Quilombo Camorim, Caxias (Parque Marilândia, Pilar), Nova Iguaçu Geneciano, Cooperativa Univerde, Magé, Guapi, Capina, Fundação Angélica Goulart, entre tantos outros.

Onde tem agroecologia, tem união e coletividade!

 

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Agroecologia, biodiversidade e a retomada da democracia https://aspta.org.br/2022/12/22/agroecologia-biodiversidade-e-a-retomada-da-democracia/ https://aspta.org.br/2022/12/22/agroecologia-biodiversidade-e-a-retomada-da-democracia/#respond Thu, 22 Dec 2022 14:44:43 +0000 http://aspta.org.br/?p=19913 A questão da biodiversidade precisa ser incorporada com a devida centralidade e urgência nos debates do Estado. Mas não como convencionalmente vem sendo abordada, associada à ideia de um novo e promissor campo econômico a ser explorado na forma de produtos, cuja virtude, em tese, seria manter as florestas em pé e, de quebra, ajudar … Leia mais

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A questão da biodiversidade precisa ser incorporada com a devida centralidade e urgência nos debates do Estado. Mas não como convencionalmente vem sendo abordada, associada à ideia de um novo e promissor campo econômico a ser explorado na forma de produtos, cuja virtude, em tese, seria manter as florestas em pé e, de quebra, ajudar a melhorar a imagem externa do país. Esse aparentemente inovador discurso proposto pela chamada Bioeconomia reproduz na verdade uma lógica bastante convencional e que precisa ser devidamente questionada.

Primeiro, ele transmite a ideia de que as soluções virão de fora, por meio de intervenções do Estado ou de empresas privadas. Segundo, postula que, para ter seu valor reconhecido e ser conservada, a biodiversidade deve ser financeiramente valorada e economicamente explorada. E, terceiro, que essa exploração deve se dar por meio da lógica das cadeias produtivas. Juntos, esses três argumentos revelam o domínio do pensamento neoliberal, baseado na apropriação privada de bens da Natureza. Não considera o papel dos agricultores/as familiares, povos indígenas, das comunidades tradicionais e quilombolas na conservação da biodiversidade e na produção de conhecimentos segundo outra racionalidade. A Bioeconomia procura se impor ecoando o pensamento conservador e autoritário de Margaret Thatcher, prócere do neoliberalismo, quando afirmou que “não há alternativa” (à economia de mercado).

A vitória  de Lula, além da derrota eleitoral do fascismo, acena para  novas possibilidades, especialmente pela retomada do processo democrático e a abertura política à participação social no âmbito do Estado. Durante todo o processo eleitoral, a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) conduziu uma intensa Campanha envolvendo a coleta de assinaturas em adesão a uma Carta Compromisso composta por anúncios, denúncias e reivindicações sistematizadas a partir das diferentes expressões da Agroecologia no Brasil. O documento foi assinado por mais de 600 candidatos e candidatas em defesa da agroecologia, dessas/es mais de 150 foram eleitas.

Em complemento a essa Carta, o Grupo de Trabalho Biodiversidade (GT Bio)  da ANA elaborou o documento Biodiversidade em debate: diretrizes para a construção de políticas para a sociobiodiversidade. O documento resultou de um longo processo de identificação e mobilização de experiências de conservação, manejo e livre uso e acesso à biodiversidade, valorização dos conhecimentos e de luta pela garantia dos direitos dos agricultores e agricultoras familiares, povos e comunidades tradicionais.

Assim como a Carta Compromisso, o documento do GT Bio enfatiza a participação social na construção de políticas públicas como princípio que deve ser assumido e praticado por todo e qualquer governo democrático. No caso da sócio-agro-biodiversidade, isso significa dizer que agricultoras e agricultores familiares, camponesas e camponeses, os povos indígenas, as comunidades quilombolas e os povos e comunidades tradicionais devem ser reconhecidos e promovidos como agentes necessários e fundamentais para a proteção, a conservação e o fortalecimento da sociobiodiversidade. De início, essa perspectiva se distancia da lógica da mercantilização da natureza e da integração das comunidades tradicionais em cadeias de valor como meras fornecedoras de matérias-primas.

O documento está dividido em 3 eixos e apresenta 39 propostas, tendo sido divulgado em um encontro virtual com fundações de partidos progressistas..

O primeiro ponto tratado é o da sociobiodiversidade, terra, territórios e conhecimentos tradicionais associados. Sob essa perspectiva, o documento trata do papel dos grupos sociais dos campos, das cidades, das águas e das florestas e sobre como a defesa de seus modos de vida está diretamente relacionada à garantia de seus territórios tradicionais. São nesses territórios, em todos os biomas do Brasil, onde   a biodiversidade se encontra mais conservada e, como consequência, são preservados os processos ecológicos que sustentam a vida. Não por acaso, são esses os territórios e os povos mais ameaçados pelo avanço do agronegócio e das monoculturas, pelo desmatamento, pelos incêndios criminosos e pela mineração. Além desses processos mais explicitamente predatórios, como visto, propostas que se anunciam mais modernas e sustentáveis embaladas no pacote da bioeconomia também pressionam essas áreas e os povos que nelas vivem.

Nesse sentido, o documento destaca ser fundamental assegurar a implementação efetiva de uma política de reconhecimento, valorização e respeito à diversidade socioambiental e cultural dos povos e comunidades tradicionais, estabelecendo como fundamentais os direitos territoriais e de garantia da soberania alimentar e nutricional.

Para isso, é necessário reconhecer e respeitar os protocolos autônomos de consulta livre, prévia e informada que as comunidades organizam, assim como seus protocolos bioculturais ou acordos de gestão e uso de bens comuns, que têm sua legitimidade assegurada pelo fato de terem origem em direitos consuetudinários, que são os direitos de costume desses povos e comunidades.

Ainda nesse tema, o documento do GT Bio da ANA ressalta a necessidade de se revogar a chamada lei da grilagem e o programa “Adote um Parque” e demais propostas de privatização de unidades de conservação. É também necessário reconhecer institucionalmente o direito à prática da medicina tradicional pelos povos e comunidades tradicionais.

O segundo ponto prioritário aborda a questão dos impactos dos transgênicos e das novas biotecnologias. Para discutir esses impactos à luz da biodiversidade, é preciso ter em mente que os territórios tradicionais e da agricultura familiar camponesa são territórios biodiversos e devem ser protegidos por leis que   garantam que eles permaneçam livres de transgênicos e agrotóxicos. Nesse sentido, é urgente barrar no Senado o pacote do veneno e fazer avançar a aprovação da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pnara).

Nesse contexto, o documento destaca que o milho crioulo é um patrimônio genético, cultural e alimentar nacional cuja diversidade está ameaçada devido à contaminação pelos transgênicos. Nesse ponto são ainda feitas propostas para frear o acelerado processo de desregulamentação e aprovação automática de novas biotecnologias, como edição genética, e da introdução desses produtos geneticamente modificados no meio ambiente e nos alimentos.

O terceiro ponto traz propostas relativas à agrobiodiversidade, à Agroecologia, e aos direitos das agricultoras e agricultores e por povos e comunidades tradicionais. Nesse ponto as organizações que compõem o GT Biodiversidade defendem ações e políticas que assegurem o direito de livre uso e conservação das sementes crioulas e raças nativas de animais. Ressaltam ainda que as feiras e festas de sementes e mudas, assim como as casas e bancos de sementes comunitários e os viveiros comunitários, são métodos comprovadamente eficazes de conservação da diversidade e devem ser fomentados pela ação pública, dispensando a exigência de registros, listas ou cadastros.

Outro ponto importante ressaltado pelo  documento  é a reivindicação de que o Brasil assine e ratifique a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Camponeses, Camponesas e Outras Pessoas que Trabalham em Áreas Rurais (2018) e que a implementação das orientações da Declaração conte com orçamento para a execução de políticas e programas, como pesquisa participativa, assessoria técnica, incluindo editais específicos para as mulheres, e que os bancos públicos de germoplasma sejam abertos ao acesso das comunidades guardiãs da agrobiodiversidade.

Com relação à água, a demanda é que seja efetivada a política de recomposição de nascentes e matas ciliares com sistemas agroflorestais, e retomados e ampliados os exitosos programas de construção de infraestruturas para captação e armazenamento de água da chuva.

Essas e outras propostas passaram a figurar atualmente como possíveis agendas do novo governo para o fortalecimento e construção de políticas públicas em apoio à agroecologia e à biodiversidade. A reciprocidade entre sociedade civil e Estado reaberta com a vitória de Lula permite levar ao governo novas mensagens sobre a biodiversidade. Diferentemente do tratamento como uma mercadoria, para os povos das águas, dos campos, das florestas e das cidades, a relação com a natureza não visa à apropriação privada, nem se traduz em processos degradativos dos recursos naturais. Ao contrário, seus modos de vida apontam enfoques orientadores de políticas públicas que garantam a conservação, a soberania alimentar e a sócio-agro-biodiversidade.

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Dia Internacional pela Não-Violência contra a Mulher, 16 Dias de Ativismo e Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos https://aspta.org.br/2022/12/22/dia-internacional-pela-nao-violencia-contra-a-mulher-16-dias-de-ativismo-e-dia-da-declaracao-universal-dos-direitos-humanos/ https://aspta.org.br/2022/12/22/dia-internacional-pela-nao-violencia-contra-a-mulher-16-dias-de-ativismo-e-dia-da-declaracao-universal-dos-direitos-humanos/#respond Thu, 22 Dec 2022 14:20:46 +0000 http://aspta.org.br/?p=19909 Nos meses de novembro e dezembro, tivemos datas marcantes no que diz respeito aos direitos humanos e ao combate e enfrentamento à violência de gênero.  Na data de 25 de novembro, Dia Internacional pela Não-Violência contra a Mulher, reforçamos o papel feminino de destaque na organização de seus territórios, na construção do sentido de comunidade e … Leia mais

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Nos meses de novembro e dezembro, tivemos datas marcantes no que diz respeito aos direitos humanos e ao combate e enfrentamento à violência de gênero. 

Na data de 25 de novembro, Dia Internacional pela Não-Violência contra a Mulher, reforçamos o papel feminino de destaque na organização de seus territórios, na construção do sentido de comunidade e na formação das estratégias de sobrevivência e resistência. Nesse marco, iniciamos a atividade 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher!

O Programa de Agricultura Urbana, em parceria com as mulheres do território Geneciano, em Nova Iguaçu – onde ocorreu o encontro – juntamente com companheiras do território de Pilar, Parque Marilândia e Quilombo Camorim, promoveram a campanha cheia de trocas fortalecedoras. 

O debate teve início através da fala sobre as Tipologias de Violência Contra a Mulher, facilitada por Kizzy Martins com a pergunta “o que você já deixou de fazer por ser mulher?”, abrindo um espaço de diálogo e acolhimento sobre as violências do machismo e do racismo. Em um segundo momento, Mônica Ferreira, do coletivo Dandalua, utilizou Danças Populares para falar sobre auto amor com dinâmicas que reforçaram esse cuidado feminino. Todas as atividades reforçaram o auto acolhimento e sororidade entre esses grupos. ⠀

A campanha foi encerrada em 10 de dezembro, Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A data honra os avanços conquistados na luta por dignidade e propõe a reflexão sobre ações concretas dos Estados e das sociedades no sentido de garantir os direitos civis, políticos, sociais e ambientais de toda a população mundial.⠀

A luta pela dignidade humana, igualdade e segurança de gênero também são lutas da agroecologia!⠀

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Formação Antirracista para a Equipe da AS-PTA https://aspta.org.br/2022/12/14/formacao-antirracista-para-a-equipe-da-as-pta/ https://aspta.org.br/2022/12/14/formacao-antirracista-para-a-equipe-da-as-pta/#respond Wed, 14 Dec 2022 18:51:45 +0000 http://aspta.org.br/?p=19902 Vamos construir juntas, juntos e juntes um momento para pensar sobre as diferentes expressões do racismo e sua relação com o trabalho que desenvolvemos na instituição, num esforço coletivo de marchar para dentro e para fora fortalecendo a luta antirracista.  No mês de novembro, o Programa de Agricultura Urbana da AS-PTA promoveu uma Formação Antirracista … Leia mais

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Vamos construir juntas, juntos e juntes um momento para pensar sobre as diferentes expressões do racismo e sua relação com o trabalho que desenvolvemos na instituição, num esforço coletivo de marchar para dentro e para fora fortalecendo a luta antirracista. 

No mês de novembro, o Programa de Agricultura Urbana da AS-PTA promoveu uma Formação Antirracista para a equipe. O evento aconteceu na modalidade online, tornando possível expandir a reflexão para outros contextos e ambientes de trabalho, como nos programas do Paraná e Paraíba.

O encontro foi conduzido pela psicóloga Ana Marcela da Silva Terra, mestre em psicologia social e doutoranda em políticas públicas e formação humana. Nosso objetivo foi propor o debate e refletir coletivamente sobre as diversas formas em que o racismo estrutural e institucional podem aparecer no cotidiano da instituição. 

A partir dessas provocações, voltamos nossa atenção para construirmos práticas e condutas antirracistas no ambiente de trabalho, bem como contribuir para o melhor funcionamento da instituição e constituir um espaço formativo na perspectiva participativa e coletiva. 

No encontro, tratamos sobre conceitos gerais, debatemos textos de personalidades referências no tema, para além de vídeos educativos e a proposta de estudos de casos em pequenos grupos. 

Antes do encerramento, voltamos o foco e o debate para propostas de ações e estratégias possíveis para a construção e manutenção de uma AS-PTA antirracista.

Para além desse dia, fica o empenho e a certeza de que a proposta da formação precisa ser contínua e vigilante dentro da instituição – e em todos os espaços!

Se tem racismo, não tem agroecologia!

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Em Campina Grande, jovens do campo encontram aliados para resistirem às indústrias de energia https://aspta.org.br/2022/12/02/em-campina-grande-jovens-do-campo-encontram-aliados-para-resistirem-as-industrias-de-energia/ https://aspta.org.br/2022/12/02/em-campina-grande-jovens-do-campo-encontram-aliados-para-resistirem-as-industrias-de-energia/#respond Fri, 02 Dec 2022 20:23:03 +0000 http://aspta.org.br/?p=19883 A 9ª Feira Agroecológica e Cultura da Juventude do Polo da Borborema realizada hoje pela manhã (2), na praça da Bandeira, no centro de Campina Grande, atraiu algumas pessoas que trabalhavam ou passavam pelo setor. As barracas diversificadas de produtos cultivados sem agrotóxicos e plantados a partir de sementes crioulas enchiam os olhos de quem … Leia mais

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A 9ª Feira Agroecológica e Cultura da Juventude do Polo da Borborema realizada hoje pela manhã (2), na praça da Bandeira, no centro de Campina Grande, atraiu algumas pessoas que trabalhavam ou passavam pelo setor. As barracas diversificadas de produtos cultivados sem agrotóxicos e plantados a partir de sementes crioulas enchiam os olhos de quem se preocupa com uma alimentação saudável. Adquirindo alimentos, mudas de plantas ou fazendo um lanchinho nas barracas, muitas pessoas tomaram conhecimento do lado oculto da produção de energia renovável em larga escala.

É que os/as jovens rurais, vindos de comunidades e sítios de 10 municípios que fazem parte do Polo da Borborema, chegaram com vontade de vender, mas também de contar uma história. Uma história que, propositadamente, não é contada pelas empresas que investem na produção de energia a partir dos ventos e do sol. O que os jovens vieram contar é que seus territórios, onde produzem o alimento, as mudas de plantas, criam os animais e as famílias vivem há gerações, estão sendo ameaçados por verdadeiras indústrias de geração de energia.

Marcos Vieira Lima, funcionário público estadual, passou na feira para comprar uns alimentos e comentou que sabia de alguns impactos provocados pela indústria de energia, mas afirmou estar surpreso quando se inteirou um pouco mais da gravidade dos danos provocados pela produção centralizada da energia renovável.

“Muitas pessoas que moram nas cidades estão fugindo para o campo. E a gente saber que tudo isso está acontecendo por lá, nos deixa preocupados”, exclamou ele. “A gente precisa de eletricidade, mas se tem gente sofrendo a partir da geração dessa energia, não está certo. É preciso pensar em uma solução que seja boa para todos e não para uma minoria e outros fiquem de fora”, complementou.

Entre os jovens rurais visitantes, estava Dayane Monteiro, de 22 anos, de uma comunidade de Esperança. Ela mora com o marido, numa propriedade onde vivem também os pais com a irmã mais nova e a avó. São 8,5 hectares para atender às necessidades das três famílias. Na comunidade deles, com cerca de 50 famílias, tem escola rural, posto de saúde, campos de futebol, cisternas de água de beber e tecnologias que guardam a água da chuva para a produção de alimentos e criação dos animais. Além disso, as famílias se organizam em grupos que gerenciam uma espécie de poupança coletiva para a aquisição de animais, como galinhas e ovelhas, e também para a construção de fogões ecológicos, que funcionam bem com uma menor quantidade de lenha e são mais saudáveis para as mulheres que, em geral, se encarregam das comidas em casa.

O endereço de Dayane está na rota dos ventos e no mapa de instalação de parques eólicos. “Se a gente não conseguir barrar a chegada desse parque, vai ter muita migração, porque os parques limitam muito o uso das nossas terras, vai atrapalhar que as nossas crianças sigam estudando na escola da comunidade e vamos perder nosso sossego. Fui para o intercâmbio em Caetés [no Agreste de Pernambuco] e fiquei apavorada com os relatos que ouvi da comunidade e também com o que vi e senti no pouco tempo que passei por lá”, ressalta a jovem agricultora que planta algodão agroecológico, tem hortas ao redor de casa, cria galinha e ovelhas e cultiva as culturas de sequeiro no roçado: feijão, fava, milho…

As irmãs Rosângela Bezerra, de Campina Grande, e Ana Mary Bezerra, de São Paulo, que deram uma passadinha feira foram outras que ficaram admiradas com os impactos negativos trazidos com o modelo centralizado de produção de energia eólica e solar. “É muito importante esclarecer a população o que está por trás desses empreendimentos. Para nós é muito importante termos essa oferta de alimentos naturais, sem agrotóxicos que estamos vendo aqui nessa feira”, comentou Rosângela.

Do bairro de Bodocongó, Josilma Silva Izidro, que valoriza muito o alimento agroecológico por saber que faz bem à saúde, só lembrou do sobrinho que tem autismo que se incomoda muito com qualquer barulho, quando soube da zuada emitida dia e noite pelas imensas torres. “Se ele [o sobrinho] não vai sofrer com isso porque mora na Ramadinha, fico imaginando como vai ser a vida de quem é autista e mora nas zonas afetadas”, dispara e complementa “Pra mim, se causa barulho já provoca um dano grave”.

Enquanto isso, no palco, armado na praça de frente para as duas fileiras com as barracas repletas de alimentos, artesanatos e mudas de plantas, várias pessoas faziam falas curtas trazendo novas informações sobre os impactos negativos provocados por essas indústrias que se instalam nos quintais das casas no campo. E o trio de forró Acauã animava os presentes com músicas entre as falas.

Em outro espaço da praça, foi encenada um pequena peça teatral que reproduziu a forma como os representantes das empresas chegam nas casas da famílias, alertando para as promessas falsas que são feitas para convencer as pessoas a arrendar as terras para que principal atividade econômica se torne a produção de energia, em detrimento da produção de alimentos.

Durante o ato que terminou próximo ao meio dia, havia também uma exposição fotográfica com imagens de comunidades onde os parques eólicos funcionam há anos. Os danos são evidentes: casas e cisternas rachadas pela trepidação do solo com a passagem dos pesados caminhões para a construção do parque; pedaço de hélice no chão que despencou de uma turbina após uma explosão; casa com aspecto de abandonada por estar sempre com portas e janelas fechadas devido à poeira que vem das estradas de terra alargadas e pela zuada constante dos aerogeradores; além de mostrar torres bem próximas às casas, quando a distância mínima  – estabelecida pelas regras que definem as diretrizes para instalação dos parques – deveria ser de 500 metros.

O grande final do ato, que reuniu cerca de 350 jovens agricultores e agricultoras, bem no centro de Campina Grande, o segundo município em população da Paraíba, com mais de 410 mil habitantes e a 130 km de João Pessoa, a capital do estado, foi uma volta à praça com os jovens munidos de bandeiras com o lema “Borborema Agroecológica não é lugar de parques eólicos”.

Sem dúvida, o evento foi mais um momento de demonstração de força e organização social das famílias agricultoras agroecológicas do território de atuação do Polo da Borborema. O Polo é um coletivo, formado por 13 sindicatos rurais e cerca de 150 associações comunitárias, que promove no território onde atua a construção da agricultura familiar agroecológica e organiza várias resistências a projetos, como esse das indústrias de energia, que ameaçam o modo de vida das famílias que vivem no campo e cultivam alimentos limpos e saudáveis. A ação do Polo tem a assessoria da ONG AS-PTA.

Na avaliação dos jovens organizadores, o evento gerou ânimo e mais energia para que outras ações como essa sigam sendo promovidas no território. Bem como o servidor público Marcos Lima desejou: “Que continuem com esse movimento, pelo menos, para barrar a chegada delas [das indústrias] em alguns lugares”. No que depender dos jovens que estiveram na praça hoje, em pleno dia de jogo do Brasil na Copa do Quatar, a luta seguirá.

Imagens: @flaviocosta

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Está no Ar: Folha Informativa n.13 – Um olhar agroecológico para a comercialização https://aspta.org.br/2022/12/01/esta-no-ar-folha-informativa-n-13-um-olhar-agroecologico-para-a-comercializacao/ https://aspta.org.br/2022/12/01/esta-no-ar-folha-informativa-n-13-um-olhar-agroecologico-para-a-comercializacao/#respond Thu, 01 Dec 2022 14:03:43 +0000 http://aspta.org.br/?p=19878 Informativo bimestral das ações do Projeto Sertão Carioca: Conectando Cidade e Floresta. 🙋🏿‍♂️🙋🏽‍♀️ Na seção Gente Que Faz o Projeto, conheça pessoas que processam e comercializam alimentos da agricultura urbana do Rio de Janeiro. Eles e elas atuam nas feiras e nos espaços de mercado que integram a Rede Carioca de Agricultura Urbana. 👩🏽‍🏫 Na seção Divulgação … Leia mais

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Informativo bimestral das ações do Projeto Sertão Carioca: Conectando Cidade e Floresta.

🙋🏿‍♂️🙋🏽‍♀️ Na seção Gente Que Faz o Projeto, conheça pessoas que processam e comercializam alimentos da agricultura urbana do Rio de Janeiro. Eles e elas atuam nas feiras e nos espaços de mercado que integram a Rede Carioca de Agricultura Urbana.

👩🏽🏫 Na seção Divulgação Científica, confira o texto  Agricultura Urbana e Mercados Locais no estado do Rio de Janeiro, adaptado do artigo “Cultivando relações no Arranjo Local da Penha: a mobilização de mulheres a partir das práticas de agricultura urbana na favela”. Por Mariana Portilho, Camila Gonçalves de Oliveira Rodrigues e Annelise Caetano Fraga Fernandez.

👣Já na seção Diários de Campo, confira os relatos: “Pesquisa e agriculturas na Floresta da Pedra Branca: produção de alimentos e de conhecimentos”“Ações de comunicação e apoio à comercialização através da Campanha Produtos da Gente”“Memória social, ações pedagógicas e Turismo de Base Comunitária no Parque Estadual da Pedra Branca”

👀 Boa leitura!

Folha Informativa 13 – Um olhar agroecológico para a comercialização

Acesse nosso instagram @projeto.sertao.carioca

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Jovens rurais realizam feira agroecológica em Campina Grande e dizem por que são contra as indústrias de energia que chegam no território https://aspta.org.br/2022/11/28/jovens-rurais-realizam-feira-agroecologica-em-campina-grande-e-dizem-por-que-sao-contra-as-industrias-de-energia-que-chegam-no-territorio/ https://aspta.org.br/2022/11/28/jovens-rurais-realizam-feira-agroecologica-em-campina-grande-e-dizem-por-que-sao-contra-as-industrias-de-energia-que-chegam-no-territorio/#respond Mon, 28 Nov 2022 21:48:58 +0000 http://aspta.org.br/?p=19872 Ao mesmo tempo em que a Feira Agroecológica e Cultural da Juventude mostra a diversidade de alimentos saudáveis produzidos no território, os/as jovens denunciarão os danos provocados por essas indústrias para quem é do campo e também da cidade Depois de exatos sete meses que suas mães, avós, tias… foram às ruas afirmar em alto … Leia mais

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Ao mesmo tempo em que a Feira Agroecológica e Cultural da Juventude mostra a diversidade de alimentos saudáveis produzidos no território, os/as jovens denunciarão os danos provocados por essas indústrias para quem é do campo e também da cidade

Depois de exatos sete meses que suas mães, avós, tias… foram às ruas afirmar em alto e bom som que a ‘Borborema Agroecológica não é lugar de parques eólicos e de usinas solares’, quem volta ao espaço público são os jovens das famílias agricultoras. No próximo dia 2, eles e elas vão realizar, na praça da Bandeira, no centro de Campina Grande, cidade polo do território da Borborema, a IX Feira Agroecológica e Cultural da Juventude Camponesa.

Além dos/as feirantes, cerca de 500 jovens do campo sairão dos sítios, comunidades e assentamentos de nove municípios – Solânea, Arara, Remígio, Esperança, Areial, Montadas, Lagoa Seca, Alagoa Nova e Queimadas – para ocupar a praça e chamar a atenção da sociedade para os perigos trazidos pelas indústrias geradoras de energia a partir dos ventos e do sol.

“A feira terá dois objetivos principais. Um é a comercialização dos produtos agroecológicos produzidos pelos jovens. Será um espaço para dar visibilidade ao trabalho dos jovens agricultores em suas propriedades. E o outro é dialogar com a sociedade quais os nossos anseios, as nossas bandeiras de luta. Estamos aí com uma problemática muito forte que é a chegada de grandes parques eólicos e usinas solares. Entendemos, enquanto juventude, que esse modelo de energia renovável não é benéfico para agricultura familiar”, sustenta Adailma Ezequiel, da Coordenação da Juventude.

E complementa: “No nosso território, as famílias agricultoras têm pequenos pedaços de terra que se forem ocupados por usinas solares, aerogeradores, impedem que o/a jovem produza os alimentos e criem seus animais. Isso prejudica a vida no campo e também a quem mora nas cidades, porque diminuindo a produção no campo, a cidade também vai sentir.”

O alimento agroecológico, livre de agrotóxicos e de transgenia, produzido no território de atuação do Polo da Borborema chegam para a população urbana via feiras livres, feiras agroecológicas e Quitandas da Borborema, instaladas em cinco municípios da região – Esperança, Remígio, Lagoa Seca, Queimadas e Solânea.

IX Feira Agroecológica e Cultural – Toda primeira sexta-feira do mês, a praça da Bandeira já é palco de uma feira agroecológica organizada pelo projeto Territórios Livres da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) e a edição de dezembro vai ser bem festiva e grandiosa com a presença das juventudes rurais. A quantidade de barracas vai ter um reforço de mais 17 com oferta de alimentos in natura e beneficiados produzidos pelos jovens.

Na animação da feira, além do forrozinho pé de serra assegurado pelo trio Acauã, vai ter batuques de maracatu, roda de capoeira e ciranda. Para tornar ainda mais concreto o discurso da juventude, na praça haverá também uma maquete de uma propriedade rural rodeada dos imensos aerogeradores, simulando o ambiente rural a partir da chegada dos parques eólicos.

Também será montada uma exposição fotográfica para aproximar quem for à praça da realidade das comunidades rurais onde se instalam as indústrias energéticas. Nas fotos, imagens de casas rachadas e fechadas, com cisterna também rachada. Esse conjunto mais parece uma propriedade abandonada, mas não é.

Trata-se apenas de um espaço ao redor da casa que a família deixou de usar com medo de vazamento de corrente elétrica e choques, além de acidentes provocados por quebras das torres sem manutenção, como já aconteceu em comunidades rurais da cidade de Caetés, no agreste pernambucano.

A instalação e exposição vão reforçar o discurso dos jovens que, entre um forró pé de serra e os acordes do maracatu, vão denunciar uma realidade desconhecida por quem mora nos centros urbanos. Inclusive, vai ser dito também que a produção de energia de forma centralizada implica na redução da produção de alimentos, o que afeta diretamente a vida de quem vive no campo e nos centros urbanos, uma vez que 70% da comida que alimenta os brasileiros/as vêm da agricultura familiar.

Os jovens rurais também vão dizer que não são contra as energias renováveis. Mas, contra o modelo de produção dessa energia, que instala verdadeiras indústrias nos quintais e roçados de suas pequenas propriedades.

“Somos a favor da energia renovável, mas de uma energia que seja produzida de forma descentralizada que vai fazer com que nós nos afastemos de nossas raízes, de nossas culturas enquanto famílias agricultoras agroecológicas”, frisa Adailma.

No ato dessa sexta, a juventude camponesa também vai dizer que não é eles quem deve pagar a conta do aquecimento global e que querem uma política pública que leve para seus telhados placas solares para produção de energia para a família. Assim como vem sendo feito em países europeus, como a Alemanha.

O território da Borborema é uma das mais importantes zonas agroecológicas do Brasil pela quantidade de famílias envolvidas na produção de alimentos saudáveis, pela diversidade de iniciativas realizadas pelos jovens, mulheres, homens, crianças e pela capacidade de produção de alimentos livres de agrotóxicos e transgenia.

Só para ter uma ideia da capacidade de produção de alimentos dessa região, nas cinco entregas de cestas agroecológicas organizadas pelo Polo da Borborema, de 2020 até julho desse ano, foram doados 119 toneladas de alimentos agroecológicos que saíram dos quintais, roçados e cozinhas das famílias agricultoras. Esses alimentos mataram a fome de cerca de quatro mil famílias e 20 mil pessoas por alguns dias.

As iniciativas ou projetos, que envolvem aproximadamente 5 mil famílias agricultoras de 13 municípios, são realizados pelos sindicatos rurais que integram o Polo da Borborema, um coletivo formado por 13 sindicatos e cerca de 150 associações comunitárias. A organização das famílias agricultoras agroecológicas promovida pelo Polo deu origem a uma Associação Regional, a EcoBorborema, e a uma cooperativa estadual, a CoopBorborema. O Polo tem a assessoria da ONG AS-PTA.

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Município de Montadas, na Paraíba, inicia distribuição de sementes crioulas e resultados são animadores https://aspta.org.br/2022/11/20/municipio-de-montadas-na-paraiba-inicia-distribuicao-de-sementes-crioulas-e-resultados-sao-animadores/ https://aspta.org.br/2022/11/20/municipio-de-montadas-na-paraiba-inicia-distribuicao-de-sementes-crioulas-e-resultados-sao-animadores/#respond Sun, 20 Nov 2022 21:20:32 +0000 http://aspta.org.br/?p=19866 Programa Conselho no Roçado, fruto da parceria entre Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável e Prefeitura, estimula a devolução das sementes para formação de um banco municipal Esse ano, cerca de 150 famílias agricultoras de Montadas receberam sementes crioulas adquiridas com recursos públicos municipais. As sementes foram compradas no próprio território da Borborema onde está inserido … Leia mais

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Programa Conselho no Roçado, fruto da parceria entre Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável e Prefeitura, estimula a devolução das sementes para formação de um banco municipal

Esse ano, cerca de 150 famílias agricultoras de Montadas receberam sementes crioulas adquiridas com recursos públicos municipais. As sementes foram compradas no próprio território da Borborema onde está inserido o município. Esse feito, que parece simples, na verdade, é um grande marco.

Isso porque as políticas de distribuição de sementes adotadas pelos governos estaduais e federal são voltadas para beneficiar as empresas, apesar de haver oferta de sementes crioulas nas regiões que poderiam compor esses programas públicos. Além disso, as sementes compradas das empresas são de poucas variedades e não adaptadas aos climas dos lugares onde serão plantadas, como o Semiárido, por exemplo.

Enquanto isso, os milhos crioulos possuem qualidades imprescindíveis para a região semiárida. Segundo Hélder Granjeiro, agrônomo da Empresa de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer), a variedade jabatão, bastante popular entre as famílias agricultoras da região, se adapta à quantidade de chuvas do ano e tem uma capacidade de resiliência alta diante da aridez do clima.

“Essas qualidades do milho crioulo servem exatamente para que o agricultor não tenha o roçado perdido totalmente [quando o inverno é fraco]. Por isso que é diferenciado com relação ao milho que é produzido para ter um desenvolvimento rápido e precisa de adubação química”, afirma ele.

Além disso, as sementes de milho das variedades comerciais não são, necessariamente, livres de transgênicos. Esse ano, das cinco variedades oferecidas pelo governo da Paraíba às famílias agricultoras, três apresentavam contaminação. Para evitar que sementes transgênicas sejam cultivadas no território da Borborema Agroecológica e contaminem as sementes crioulas, o Polo da Borborema junto à AS-PTA realizam testes de fitas imunocromatográficas que indicam a presença de proteínas transgênicas no DNA das sementes. Esse resultado foi apresentado oficialmente ao Governo da Paraíba, no dia 5 de maio, mas não houve nenhuma resposta por parte do Estado

Por tudo isso, os movimentos e organizações agroecológicas têm feito duras críticas às políticas de distribuição de sementes. Mas, aqui e ali, a partir da organização das forças locais, surgem iniciativas que causam furos nesse ciclo difícil de romper. A experiência de Montadas é a segunda dessa natureza que acontece nos 13 municípios onde o Polo da Borborema atua. O Polo é um coletivo de 13 sindicatos de trabalhadores e trabalhadoras rurais, cerca de 150 associações rurais, uma associação de agricultores/as agroecológicos, a EcoBorborema, e uma cooperativa da agricultura familiar agroecológica, a CoopBorborema.

Inspirado na iniciativa precursora de Lagoa Seca, o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS) propôs ao governo municipal a compra de sementes da Paixão, que é como as sementes crioulas são chamadas na Paraíba, para distribuição às famílias. E também faz parte da proposta a devolução da mesma quantidade de grãos acrescida de 10% para formar o estoque de um banco de sementes municipal.

O prefeito Jonas de Souza (PSD) apoiou a ideia e defendeu junto à Câmara de Vereadores a disponibilização de recursos do orçamento municipal para esse fim. Em 2021, com R$ 8,8 mil foram compradas 1,2 tonelada de feijão e 0,6 tonelada de milho livre de transgênicos. Tudo produzido no próprio município de Montadas, Areial e Remígio.

Cada família beneficiada recebeu dez quilos de feijão e cinco quilos de milho. As sementes foram distribuídas no final de março passado, cerca de dois meses antes das sementes distribuídas pelo governo estadual. O tempo de entrega é fundamental porque o plantio está associado à chegada do inverno, que em Montadas é em março.

O Conselho é um fórum com representação do governo, secretarias municipais e a Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer) e da sociedade civil, dos mais variados espaços como igrejas, ONGs, sindicatos rurais, entre outros. Segundo a presidenta do Sindicato de Montadas, Jailma Flávia Fernandes, o protagonismo do Conselho foi uma decisão estratégica. “Precisamos de mais organizações fortalecidas e com visão agroecológica que não só o sindicato”, sublinhou.

“Antes do programa Conselho no Roçado, o Conselho de Montadas existia para dar aval para as famílias receberem o seguro-safra”, acrescenta Joaquim Pedro de Santana, agricultor guardião de sementes da Paixão e atual presidente do Conselho.

Como funciona a compra e doação de sementes crioulas em Montadas? – Como o Conselho não faz a gestão de recursos, a compra das sementes fica a cargo da Secretaria de Agricultura do município e o Conselho se encarrega de criar os critérios de distribuição e acompanhar as famílias que receberam as sementes. “Estabelecemos dois critérios muito claros para nós: a distribuição acontece sem vínculos partidários e não existe apadrinhamento, nem discriminação nesse processo”, assegura seu Joaquim.

Além desses princípios, outro critério também é bem forte: quem pegar as sementes precisa plantá-las. Porque, diferente da entrega das sementes feita pelo programa estadual, essa entrega funciona como um empréstimo. Quem tiver acesso às sementes precisa devolver a mesma quantidade acrescida de 10%.

A ideia é criar um senso de cooperação entre as famílias para que, juntas, possam ter condições futuras de sair da dependência das sementes compradas às empresas que o governo distribui. “Em mais dois anos, esperamos ter sementes suficientes armazenadas para que as famílias não precisem mais pegar as sementes de variedades comerciais”, acentua seu Joaquim.

No fim desse mês de outubro, quando ainda está em curso a colheita do milho nos roçados, o Conselho estima que já houve a entrega de 70% das sementes doadas. “Devemos chegar a um patamar de 80%”, comemora seu Joaquim. “Para ser um programa novo, que ninguém acreditava nesse sistema de devolução das sementes, é um bom resultado.”

Como o Conselho não tem um espaço físico próprio, as sementes estão sendo armazenadas na sede do sindicato de Montadas para serem entregues para as famílias agricultoras em 2023. Esse material genético dá início ao estoque do Banco Municipal de Sementes da Paixão. Hoje, Montadas conta com dois bancos de sementes comunitários e centenas de bancos familiares. Um dos bancos comunitários fica no Sítio Furnas e outra no Sítio Campos.

Segundo seu Joaquim, se amanhã aparecer alguém com interesse em criar um banco comunitário, o Conselho pode sim ceder as sementes do banco municipal para esse fim. A grande dificuldade dos bancos comunitários é que a sua gestão necessita de um trabalho voluntário que exige muita dedicação. “Ter que liderar sem receber (recurso financeiro) não é para todo mundo”, comenta o agricultor, que é um dos gestores do banco do Sítio Campos que é sua comunidade.

E quais os próximos passos do programa Conselho nos Roçados? – A expectativa é ampliar o número de famílias atendidas em mais 60, chegando a cerca de 210. Para isso, segundo cálculos do secretário adjunto de Agricultura do município, Edmilson da Costa, é preciso comprar mais uma tonelada de feijão, que vai se juntar ao que foi estocado no banco municipal. “Ainda estamos calculando a quantidade de milho necessária uma vez que ainda vamos ter devolução esse ano”, informa ele.

Para comprar mais sementes, é preciso de mais recursos públicos. Segundo Edmilson, o prefeito já está avisado dessa demanda e sinalizou positivamente. Outro passo para tornar o programa uma ação de estado e não de uma gestão, o Conselho com o aval do prefeito vai apresentar um projeto de lei na Câmara dos Vereadores criando uma lei que obriga o município a comprar sementes crioulas das famílias agricultoras do município e região para distribuir com todas as famílias de Montadas. A minuta da lei vai ser elaborada com base na lei já aprovada no município de Lagoa Seca (Lei nº 206.2014 – Dispõe sobre a criação do programa municipal de sementes).

As quantidades de famílias e de sementes parecem poucas, mas o município de Montadas é bem pequeno. No último Censo Demográfico realizado no Brasil, em 2010, foram contabilizadas 4.990 habitantes, sendo menos de 37% (1.834 pessoas) moradores da zona rural. A partir do cadastro na prefeitura para receber os tratores para o preparo da terra para o plantio, há cerca de 350 famílias que vivem da agricultura no município. E o que acontece lá é um processo de reconcentração de terras nas mãos de um só proprietário, que já comprou 40% das terras do município, que é o teto máximo permitido por uma lei municipal, segundo o secretário Edmilson.

Sem terras, as famílias agricultoras vão morar na periferia da cidade e perdem a sua principal atividade econômica, que é a agricultura. Assim, é gerada uma mão de obra sem qualificação para outros serviços, que se torna muito vulnerável a trabalhos que exploram os trabalhadores e trabalhadoras, ampliando ainda mais a pobreza e a miséria.

 

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Formação sobre Abelhas Nativas Sem Ferrão fortalece as práticas agroecológicas e oferece alternativas para jovens da Região Sul https://aspta.org.br/2022/11/20/formacao-sobre-abelhas-nativas-sem-ferrao-fortalece-as-praticas-agroecologicas-e-oferece-alternativas-para-jovens-da-regiao-sul/ https://aspta.org.br/2022/11/20/formacao-sobre-abelhas-nativas-sem-ferrao-fortalece-as-praticas-agroecologicas-e-oferece-alternativas-para-jovens-da-regiao-sul/#respond Sun, 20 Nov 2022 21:00:01 +0000 http://aspta.org.br/?p=19860 Dentre os princípios fundamentais das práticas agroecológicas, as questões da preservação da água e dos solos são as que costumam ter maior ênfase no cotidiano de agricultores e suas organizações. Com importância equivalente na manutenção de uma agricultura sustentável, a abordagem teórica e prática sobre os processos de polinização vem ampliando seu espaço nestes ambientes. … Leia mais

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Dentre os princípios fundamentais das práticas agroecológicas, as questões da preservação da água e dos solos são as que costumam ter maior ênfase no cotidiano de agricultores e suas organizações. Com importância equivalente na manutenção de uma agricultura sustentável, a abordagem teórica e prática sobre os processos de polinização vem ampliando seu espaço nestes ambientes. É o caso do Centro de Tecnologias Alternativas Populares (CETAP), que desenvolve ações permanentes como palestras, debates e cursos sobre as Abelhas Nativas Sem Ferrão (ANSF). O trabalho estimula a conservação, o manejo e multiplicação destas espécies, que respondem por 40 a 90% da polinização de árvores nativas, dependendo da região.

Nos dias 11 e 12/11, o CETAP realizou em Erechim e Aratiba (RS) uma formação sobre ANSF, voltada ao público local e aos grupos de jovens que vieram das regiões de Palmeira (PR), Lages e Florianópolis (SC).  De origens diversas, os 20 jovens representam assentados indígenas, agricultores, consumidores, técnicos extensionistas e estudantes de Agroecologia, mobilizados pela atuação conjunta das entidades CETAP, Cepagro, AS-PTA e Centro Vianei. No primeiro dia da Formação, uma atividade introdutória exclusiva a este grupo foi realizada pelos anfitriões de Erechim.

O técnico do CETAP Edson Klein foi o responsável pelo acolhimento dos participantes em seu sítio. Além de um multiplicador de conhecimento, ele também realiza o manejo permanente de uma criação que hoje soma 160 caixas de diversas espécies de abelhas nativas. A prática foi iniciada com a revisão do meliponário, introduzindo o conjunto de tarefas cotidianas que envolvem a lida com os animais, desde a captura de novos enxames à alimentação suplementar em períodos de escassez de floradas.

“Se ficarmos um período de 4 anos sem abelhas, ficamos também sem alimentos”, ressaltou Edson em suas falas iniciais, destacando o papel fundamental da polinização e as ameaças sofridas pelas ANSF, principais responsáveis por este serviço ambiental. As atividades preliminares de preservação iniciam-se com a captura de novos enxames, a partir de armadilhas simples feitas com garrafas PET, jornal e plástico preto. Com estes artefatos, simula-se o habitat próximo ao natural da maioria das ANSF, que geralmente fazem seus ninhos em ocos de árvores. Como isca é utilizado o geoprópolis, substância produzida pelas abelhas contendo seus ferômonios, diluído em álcool 70º.

Os alunos puderam conferir o resultado da aplicação de uma armadilha, que permaneceu em um ponto fixo por volta de 45 dias até a consolidação do novo enxame. Utilizando um estilete, Edson fez a retirada das camadas de plástico preto e jornal em volta da garrafa, responsáveis pelo equilíbrio térmico e controle da luminosidade no ambiente. Depois, foi rompida a embalagem da PET e exibida a bela e complexa estrutura de nidificação de uma ANSF, naquele caso da espécie Plebeia emerina. Por fim foram apresentados os procedimentos de transferência do ninho, que ganha sua morada definitiva em pequenas caixas de madeira com 4,5 cm de espessura, dimensionadas assim para uma correta regulação térmica. Cada ninho pode ser multiplicado inúmeras vezes, de acordo com o processo de formação das rainhas, cuja dinâmica é distinta entre os gêneros Melípona e Trigona.

No dia seguinte, um Seminário Técnico sobre as ASNF foi realizado no município vizinho de Aratiba, ampliado para o público local e atingindo cerca de 100 participantes. O Seminário foi apoiado pelo projeto que o CETAP possui com MISEREOR, COOPERTEC, CRESOL e RGE. A atividade iniciou-se com a palestra “Regularização e Regulamentação de Meliponários”, proferida por Flávio Flores Pires, da Divisão de Fauna da SEMA/RS (Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura). A partir da exposição de legislações federal e estadual, foi esclarecido que um meliponário contendo até 49 colmeias não necessita de autorização, desde que não tenha função comercial. Excedido este número, ou no caso de fins comerciais, os responsáveis pela criação devem procurar o órgão ambiental para regularizar a atividade. Os enxames devem também ser restritos às abelhas nativas de cada Estado, cuja lista no Rio Grande do Sul apresenta 24 espécies. Podem ser autorizadas espécies de ANSF de outros Estados, desde que aprovadas em uma análise de risco feita pelas autoridades competentes.

Na parte da tarde, o meliponicultor Silvano Mohr, representando a CRESOL, abriu as portas de seu meliponário para a realização de oficinas práticas. Os participantes revezaram-se em 3 sessões simultâneas, onde aprenderam as técnicas de transferência e multiplicação de enxames, métodos de captura e alimentação suplementar. O evento foi encerrado com um café 100 % agroecológico, com produtos a base de pinhão e frutas nativas como guabiroba, butiá e araçá vermelho. A refeição foi preparada pelo empreendimento Encontro de Sabores, parceiro do CETAP que trabalha com a promoção e valorização destes produtos do extrativismo nas regiões Norte e Nordeste do RS. O preparo do almoço, também integralmente com produtos agroecológicos em que se destacaram a paçoca de pinhão e o porco crioulo com calda de jabuticaba, foi feito por um grupo de mulheres da agroindústria Flor de Pitanga de Itatiba do Sul.

No final do encontro, os jovens participantes fizeram uma avaliação do que aprenderam e relataram ideias do que pretendem fazer com o aprendizado. Jéssica Kerexu, de 22 anos, disse que vai multiplicar o tema com seus alunos na escola da aldeia guarani em Biguaçu (SC) onde ela leciona. O manejo de abelhas sem ferrão é ideal para a prática com crianças, uma vez que não oferece os riscos de picadas como ocorre com as espécies africana e europeia. Nicole, de Rio Azul (PR), contou que a expectativa é utilizar as ANSF para polinizar o morango orgânico na propriedade da família, que está passando por um processo de diversificação de lavouras de tabaco. Processos contínuos de formação para a juventude seguem no foco das ações desenvolvidas em rede pelo CETAP, Cepagro, AS-PTA e Centro Vianei, atendendo a essas e outras demandas levantadas pelos beneficiários.

 

Texto e imagens: Fernando Angeoletto, jornalista do projeto Misereor em Rede (CETAP, Cepagro, AS-PTA e Centro Vianei)

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