Bons para quem?, por Mariana Paoli

Bons para quem?

MARIANA PAOLI *

A divulgação, na semana passada, de um estudo norte-americano comprovador de que determinada marca de soja transgênica usa em média 11,4% mais agrotóxicos derruba o último argumento dos defensores da introdução dos transgênicos no meio ambiente. É preciso ter cautela no uso dessa nova tecnologia, ainda tão pouco conhecida e que pode trazer conseqüências negativas para o meio ambiente, a saúde da população e a competitividade da agricultura brasileira.

Entre as possíveis conseqüências da engenharia genética, os cientistas prevêem o empobrecimento da biodiversidade, a criação de ”superpragas”, a eliminação de insetos benéficos ao equilíbrio ecológico do solo e o aumento da contaminação dos solos e lençóis dágua devido ao uso intensificado de agrotóxicos.

Caso algumas dessas conseqüências negativas ocorram, será impossível controlá-las, pois à diferença de outros poluentes químicos, os transgênicos, por serem formas vivas, são capazes de sofrer mutações, se multiplicar e se disseminar no meio ambiente. Ou seja, uma vez aí introduzidos, não podem ser removidos.

A realização dos Estudo Prévio de Impacto Ambiental, o EIA/Rima, antes da introdução comercial de um transgênico na agricultura, conforme exige a Constituição brasileira, é fundamental para que os impactos ambientais sejam estudados, a fim de garantir a integridade do meio ambiente. Aliás se o produtor da marca examinada não tivesse nada a temer com relação à segurança ambiental dos transgênicos, já teria realizado, em 1998, o EIA/Rima para a sua soja transgênica.

O Brasil exibe uma grande vantagem comercial no mercado internacional por ser o único grande produtor mundial de soja não transgênica, demanda que mais cresce no mercado internacional. Mesmo no caso do milho a demanda no mercado internacional pela variedade não transgênica é cada vez maior.

E não se podem usar os argumentos de que os transgênicos serão a solução para a fome. Segundo a FAO, Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, o mundo já produz hoje quantidade de alimento suficiente para toda a população, na proporção de uma vez e meia. A fome é uma questão social, devido a má distribuição de renda entre ricos e pobres

O Conama, Conselho Nacional do Meio Ambiente, tem uma importante missão: face aos riscos que os transgênicos representam e os seus duvidosos benefícios, deve adotar o princípio da precaução, exigindo que um estudo abrangente prévio de impacto ambiental seja realizado, como exige a Constituição, preservando a integridade do meio ambiente do país.

*Coordenadora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace

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