Agricultoras e agricultores do Polo da Borborema realizam o II Encontro Regional de Coletores de Sementes Nativas e Florestais

Encontro coletoresCom o objetivo de planejar o trabalho de rearborização no território do Polo da Borborema foi realizado II Encontro Regional de Agricultoras e Agricultores Coletores de Sementes Nativas e Florestais, no dia 27 de setembro, na cidade de Arara. Participaram cerca de 40 agricultores e agricultoras, entre jovens e adultos, dos municípios de Arara, Alagoa Nova, Remígio, Solânea, Massaranduba, Queimadas, Remígio e Lagoa Seca.

Em 2010 foi criada na região do Polo da Borborema uma rede de viveiros que está presente nos municípios de Alagoa Nova, Solânea, Remígio, Massaranduba, Esperança (com dois viveiros), e mais recentemente, Queimadas foi integrada com a implantação de um viveiro na comunidade de Bodopitá. A rede produz anualmente mais de 130 mil mudas de espécies frutíferas, nativas, arbóreas, forrageiras e medicinais. Originada a partir da implementação dos viveiros, surge uma rede agricultores coletores de sementes responsáveis pelo abastecimento e a diversificação dos viveiros, por meio da organização do tempo de coleta e o armazenamento das sementes, além de promoverem mutirões de produção de mudas. O trabalho da rede de coletores tem contribuído de forma significativa para o processo de rearborização do Polo da Borborema.

O encontro teve início com a apresentação da evolução da distribuição de mudas na região do Polo da Borborema realizado por Maria da Penha, agricultora integrante da rede de viveiros e de coletores de sementes do território. Penha fez resgate histórico relembrando o trabalho de coleta de sementes, ainda em 1993, em dois municípios Solânea e Lagoa Seca. Para aprofundar o debate, foram apresentadas as experiências de duas jovens agricultoras: Adailma, de Queimadas, que desenvolve um trabalho expressivo com os cultivos agroflorestais e Marília, de Solânea, que falou sobre o papel da rearborização para agricultura desenvolvida por sua família.

Inspirados pelas apresentações, os participantes foram divididos em grupo de acordo com as regiões ambientais de seus municípios: Brejo, Agreste e Cariri e Curimataú. Nesse exercício foi realizado um levantamento das árvores existentes no território e também foram apontados os diversos benefícios das árvores para a segurança alimentar, para a produção de forragem, lenha, a preservação das matas nativas, o estímulo às crianças no cuidado com a terra, as sementes e as plantas. Desse exercício também foi elaborado um calendário a partir da identificação da época de coleta de cada espécie citada pelos agricultores e agricultoras.

Além da troca de experiências entre agricultores e agricultoras o evento ocorreu na perspectiva de integração da juventude nos trabalhos e na organização da rede de viveiros. Edilson Onofre, da comissão de Jovens do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras de Arara, comentou sobre o papel da rearborização na sua cidade. “Eu comecei a participar em 2010 do sindicato e em 2011 iniciei o trabalho de rearborização na minha propriedade com 250 mudas de gliricidia, de nim, pés de cajueiro e acerola, cumaru, moringa, angico, pau d’arco e também algumas mudas de juazeiro. Esse trabalho foi exemplo para outras famílias, e ainda em 2011 também distribuímos mais de 500 mudas para os agricultores. No ano seguinte, o interesse aumentou mais ainda, mesmo com a dificuldade da seca, distribuímos mais de mil mudas nas comunidades rurais de Arara. E esse ano já são mais de três mil mudas distribuídas incluindo novas espécies como graviola, pinha, pés de limão e de manga. Eu acho muito importante a participação dos jovens porque é através da juventude que podemos construir um mundo melhor e promover o reflorestamento em cada município.”

Encontro coletoresEmanuele Fernandes de Souza, jovem agricultora do sítio Torrões de Queimadas, conta que do ano passado até agora já plantou 75 mudas de plantas frutíferas e nativas em sua propriedade. “Plantar árvores melhorou a qualidade de vida da minha família e embelezou o arredor da minha casa. O encontro para mim é uma troca de conhecimentos, é sempre bom participar dessas experiências, pois a gente vê a necessidade de ter um viveiro para incentivar as pessoas a plantar árvores. Aprendi a dar valor a plantas que eu nem conhecia e também a importância da preservação das sementes. Preservando a semente futuramente ela será uma planta e isso mantém viva nossa história e nosso futuro” explica a jovem.

O encontro contou com o apoio do Programa P1+2 (Uma Terra Duas Águas) implementado pela AS-PTA com patrocínio da Petrobras e do Projeto Terra Forte co-financiado pela União Europeia.

 

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