Núcleo de Infância e Juventude aposta na contação de histórias como estratégia para o trabalho nas comunidades rurais

Contação de História no ST Lutador Queimadas (5)Desde 2002, a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia vem direcionando o seu olhar para os filhos e filhas de agricultores no sentido de uma ação voltada especificamente para a infância e a juventude, buscando valorizar e fortalecer a sua identidade camponesa. Assim nasceu a Campanha de Fortalecimento da Vida na Agricultura Familiar, que todos os anos, por meio do Núcleo de Infância e Juventude, trabalha um tema com as crianças e adolescentes em atividades realizadas em aproximadamente 100 comunidades rurais dos 14 municípios de atuação do Polo da Borborema com o apoio da ActionAid e de outros parceiros. Duas vezes por ano, este trabalho acontece na forma dos chamados “Mutirões da Campanha”, atividades onde conteúdos relevantes para o meio rural e para a agricultura familiar agroecológica são trabalhados de uma maneira lúdica e valorizando os conhecimentos que as crianças e os adolescentes trazem de suas vivências.

Contação de histórias – Em 2015 o Núcleo de Infância e Juventude passou a experimentar a atividade de contação de histórias. Embora a prática já faça parte das atividades durante os Mutirões, a primeira atividade dedicada exclusivamente a ela, aconteceu no dia 13 de agosto, na Escola Municipal Lindomar Lutador, do Sítio Lutador, município de Queimadas-PB. A contação foi feita pela educadora Geuza dos Santos Frutuoso, atualmente gestora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Antônio Adilino dos Santos, no Sítio Carrasco, município de Esperança-PB. Durante a atividade Geuza trabalhou com 40 crianças e quatro professoras da escola.

SAMSUNG CAMERA PICTURESA história contada foi “O Vestido azul”. A partir do exemplo de uma professora e de uma família, ela traz uma abordagem sobre a mudança de atitude, mostrando como bons exemplos podem contagiar as pessoas e ir formando uma cadeia de bons comportamentos. Segundo a equipe de educadores e educadoras do Núcleo de Infância e Juventude, a contação de histórias teve como objetivos proporcionar um momento agradável e lúdico para as crianças, valorizar a experiência de professores que vem desenvolvendo a contação de histórias, e também incentivar outros professores a, de forma contextualizada, proporcionar reflexões sobre as diversas formas de se trabalhar com crianças, percebendo o seu contexto, estimulando o ato da contação de histórias, como possibilidades de criar o hábito da leitura, transmitir valores, criar vínculos de afeto, estimular a aprendizagem e a imaginação das crianças.

“A contação de história é uma atividade que ocupa a imaginação das crianças, adolescentes e até mesmo dos adultos, pode estar nos livros, na imaginação das pessoas, nas histórias vividas ou contadas e assim, gente de todos os lugares contam histórias para ensinar, relembrar ou até mesmo para passar o tempo, quem não se lembra das histórias de Trancoso? Se voltarmos ao passado, vamos perceber que a contação de história começou mesmo antes de a escrita ter sido inventada”, afirma Maria Denise Pereira, assessora técnica do Núcleo de Infância e Juventude da AS-PTA.

Contação de História no ST Lutador Queimadas (1)Ao final, foi ofertado para a escola, para uso coletivo, um baú de madeira, revestido de tecido, contendo uma coleção de cartilhas e livros sobre temas trabalhados pela campanha. Todo esse material vai ser usado pela escola, em atividades de leitura, contação de história, e de acordo com as professoras, o baú deverá circular entre outras escolas do campo, com histórias contadas pelas crianças: “Esse baú não vai ficar parado não, a gente vai trabalhar com as crianças, para depois eles saírem em algumas escolas contando histórias”, afirmou a professora Joselita de Andrade Pereira Araújo.

Foram doadas ainda para a escola mudas de árvores das espécies Pau Brasil e Ipê. A programação foi completada com apresentações organizadas pelos alunos, com músicas, adivinhações e brincadeiras. “E chegou o fim dessa história, entrou por uma porta e saiu pela outra, e quem quiser que conte outra”, finalizou Geuza.

 

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