Cirandas da Borborema trabalham autoestima e identidade racial com crianças camponesas em parceria com escolas rurais

“Me aceito como sou” esse é o tema do primeiro ciclo de Cirandas da Borborema de 2019 que tem trabalhado com crianças, filhos e filhas de agricultores do território de atuação do Polo da Borborema, uma rede de 13 sindicatos de trabalhadores rurais da região da Borborema, no Agreste Paraibano. Para dialogar com as crianças sobre autoestima e identidade racial, a assessora técnica e atriz da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, Maria do Socorro Santos interpreta a “Vovó Amorosa”, que traz em um livro cênico a história de quatro crianças negras: Mariana, Luanda, Dandara e Zedir, cada personagem com seus sonhos e paixões. A história é uma livre adaptação do livro “As Meninas Negras”, da escritora mineira Madu Costa e é contada com a interação da plateia infantil, que é convidada a comparar a sua realidade à das crianças da história.

As Cirandas são um momento lúdico e de brincadeiras que acontecem duas vezes ao ano em cerca de 50 comunidades rurais da região do Polo. A iniciativa é a principal ação da Campanha pela Valorização da Vida na Agricultura Familiar, desenvolvida pela AS-PTA e pelo Polo da Borborema desde 2002. Em muitos municípios, a ação se dá com a parceria das escolas do campo. Na manhã deste dia 12 de junho, aconteceu uma edição especial na Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Manoel Joca, na comunidade rural de Gravatá-Açú, município de Remígio-PB.

A ação da Ciranda se aliou à comemoração junina da escola que trouxe a proposta de celebrar a colheita, as tradições culturais e a sabedoria popular. Pais e mães prestigiaram apresentações culturais como a encenação da “Ave Maria Sertaneja” e a “Dança do Vestido”. Foi feita ainda uma homenagem a seu Francisco Caxias, agricultor e morador mais antigo da comunidade. Problemas de saúde impediram seu “Chico” como é conhecido, comparecer à escola, mas ele foi representado por um dos netos e sua história transformada em versos recitados pelos alunos.

Nas Cirandas são trabalhados temas da agricultura familiar e do contexto das crianças filhos e filhas de agricultores da região. Para que as Cirandas aconteçam com o envolvimento da comunidade escolar, são realizadas reuniões de sensibilização, uma conversa com pais, mães, responsáveis, educadores/as e gestores/as escolares a respeito do sentido da realização das cirandas e sua proposta, o que acaba motivando os educadores a trabalhar o assunto previamente em sala de aula com as crianças em muitos casos.

Ana Maria Félix dos Santos é mãe da pequena Iana Félix Vieira, de 6 anos e diz que sempre participa das Cirandas e das atividades propostas pela escola. “Acho bom, é legal, um divertimento para as crianças e para a gente também. Achei as apresentações de hoje muito bonitas. É uma homenagem muito legal para nós todos, afinal somos todos agricultores”, avaliou.

Alguns temas já trabalhados pelas Cirandas foram: lixo na zona rural; alimentação saudável; resgate de brincadeiras tradicionais; os caminhos da água na minha comunidade e como conservá-la; a arborização e o papel das abelhas; direitos e deveres de homens e mulheres, autoproteção ao abuso sexual, entre outros. A Campanha de Valorização da Vida na Agricultura Familiar conta com o apoio financeiro das agências de cooperação internacional ActionAid e Kindermissionswerk.

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