Jovens camponeses denunciam fechamento de escolas e cortes na educação durante Feira Agroecológica e Cultural

A 7ª Feira Agroecológica e Cultural da Juventude Camponesa aconteceu na manhã do desta sexta-feira (26), em Solânea-PB e teve como tema “Educação e resistência”. Com atos públicos, depoimentos e instalações pedagógicas, o evento celebrou a educação contextualizada, enraizada na cultura e nos saberes do povo e fez a denúncia dos ataques à educação personificados pelo projeto da chamada “Escola Sem Partido”, pelo fechamento das escolas do campo e os recentes cortes na educação promovidos pelo Governo Federal. A feira é organizada pela Comissão de Juventude do Polo da Borborema, com o apoio da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.

“A nossa feira é um espaço para mostrar as manifestações culturais dos jovens e para dar visibilidade ao seu trabalho. Nosso tema fala em resistência porque a juventude enfrenta vários preconceitos, por ser jovem, do campo, por ter o cabelo cacheado… tem aquilo de dizer que o jovem não quer nada. A juventude quer sim, mas precisa de incentivo, apoio e oportunidade”, disse Márcia Araújo, da Comissão de Juventude do município de Lagoa Seca, durante a abertura da feira.

Além de ser um ambiente para a comercialização dos produtos produzidos pelos jovens, uma variedade de frutas, hortaliças e alimentos beneficiados da agricultura familiar, a feira foi um espaço de denúncia e de diálogo com a sociedade. Duas tendas pedagógicas foram montadas para visitação, uma com o tema da “Escola do Semiárido” e outra com a “Escola da Mordaça”.

Com o apoio de cartazes, desenhos e exibição de vídeos nas tendas, os visitantes puderam conhecer, na primeira sobre a proposta da educação contextualizada, que considera o contexto dos sujeitos, valoriza e fortalece a sua identidade e o seu saber. Já na segunda tenda, os jovens organizadores conversaram com o público sobre as ameaças aos espaços que deveriam ser de livre pensamento e circulação de ideias, questionando o que há por trás da retirada das disciplinas de filosofia e sociologia do ensino médio.

Em uma encenação, ao som da música “Cale-se” (Chico Buarque) jovens usaram o conhecimento dos livros para livrar-se das vendas nos olhos que lhes haviam sido colocadas, simbolizando como só uma educação libertária e progressista é capaz de vencer o autoritarismo e a repressão do pensamento crítico. Outro grupo empunhou cartazes com as principais reinvindicações no campo das políticas públicas de educação.

A professora Albertina Maria de Brito, da Universidade Federal da Paraíba – UFPB, Campus Bananeiras e da Rede de Educação do Campo da Borborema e um grupo de alunos do curso de agroecologia da UFPB foram parceiros na realização da feira: “Um dos pilares da educação é a formação política dos sujeitos. É na escola que se aprende a ser uma boa pessoa. Não existe futuro na educação sem recursos. Não se pode conceber a educação pelo viés econômico, e sim pelo do direito. Estamos vivendo um desmonte da educação e é contra esse desmonte que estamos na rua”, disse.

Fechamento de Escolas do Campo

Nos últimos 10 anos, a região da Borborema vem enfrentando uma onda de fechamento das escolas rurais. Só na última década, mais de 600 escolas deixaram de existir nos 14 municípios onde o Polo da Borborema e a AS-PTA atuam. Solânea é um dos municípios com o maior número de unidades escolares fechadas, das 56 escolas do campo, no início do ano letivo de 2019 os alunos das comunidades rurais contavam apenas com 9 unidades em funcionamento. Verônica de Macena Santos, do Sítio Palmas, em Solânea, deu seu depoimento durante a feira. A agricultora é mãe de quatro filhos em idade escolar, de 7, 11, 13 e 15 anos, e contou que a escola que atendia à sua e a mais duas comunidades foi fechada, mesmo com cerca de 60 crianças matriculadas, segundo ela, com a justificativa de se construir um posto de saúde na comunidade. Quase dois anos depois, nada foi construído ainda: “O que entristece a gente é que a escola foi acabada, foram na calada da noite e botaram a escola abaixo, disseram que fariam um posto de saúde, mas até agora só ficou a terra lá”, disse.

A feira recebeu ainda a visita da caravana do Intercâmbio de Saberes nos Semiáridos da América Latina – “Juventudes e Agroecologia”, o grupo de visitantes é formado por jovens, mulheres, agricultores/as e técnicos/as que trabalham com desenvolvimento rural no Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai, Nicarágua e Ele Salvador e entre os dias 22 e 26 de julho percorreram os estados da Paraíba e Pernambuco conhecendo experiências de jovens no campo da agroecologia. Durante a visita à feira, que marcou o encerramento da caravana, dois jovens fizeram a leitura de uma carta com um balanço dos aprendizados e lições colhidas pelos jovens durante o intercâmbio.

O Coral do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos da Prefeitura de Solânea cantou o hino do município em ritmo de xaxado, o grupo de alunas da Escola Municipal João Soares da Costa, da Comunidade de Cacimba da Várzea, fez um número de dança em homenagem ao centenário de Jackson do Pandeiro e o trio de forró Eduardo Show, as atrações integraram a programação cultural da feira. Encerrando o evento, representantes do projeto “Leia Mulheres” do município de Remígio, declamou poemas de autoria das integrantes e de outras poetisas brasileiras.

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