Cerca de 40 agricultores familiares e técnicos da região metropolitana do Rio de Janeiro se reuniram nesta terça-feira (18) em Piabetá, Magé-RJ, para o primeiro módulo do curso Árvores na Agricultura, promovido pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia. O curso buscará potencializar as experiências existentes na região a partir da troca de saberes e conhecimentos acerca do uso das árvores na agricultura familiar, das relações que os agricultores têm com a Mata Atlântica, das práticas de manejo agroflorestal e da produção de insumos e mudas.
O encontro teve início na sede da Cooperativa dos Pequenos Produtores Rurais e Agricultores Familiares do Município de Magé (Coopagé), onde agricultores e agricultoras da região metropolitana debateram sobre suas experiências com relação ao uso de árvores em suas áreas de produção agrícola. Para os agricultores da região, a presença de árvores em suas propriedades tem como principais finalidades a recuperação e conservação de nascentes e cursos d´água, a proteção do solo e a produção de frutas e ervas medicinais para diversificação da produção.
Claudemar Mattos, da AS-PTA, iniciou as reflexões em torno da relação do agricultor familiar com a Mata Atlântica, a necessidade de que sejam multiplicadas as experiências já consolidadas na região e as oportunidades para desenvolver as trocas de experiências e a integração da produção agroecológica às oportunidades de mercados locais. Para William Pacheco, da Associação dos Agricultores Rurais, Artesãos e Amigos da Microbacia do Fojo (Afojo) de Guapimirim, o uso das árvores é um aprendizado que vem de seu pai, que lhe deixou o gosto pela carrapeteira, pela jaboticabeira e pelo ingazeiro. Árvores que segundo ele melhoram a qualidade do ar e ajudam na proteção das nascentes da água. Renato Baldez, de Paracambi, também ressaltou a importância das árvores e a necessidade de melhorar as técnicas de poda e dos cultivos sombreados. Nesse aspecto, Luís Henrique Teixeira, da Secretaria Municipal de Agricultura de Magé, tratou de como as árvores da Mata Atlântica podem ser utilizadas como estratégia para permanência e manutenção do agricultor em suas propriedades.
Na segunda parte do dia, o grupo visitou a experiência do agricultor Rui Cunha, presidente da Coopagé, que apresentou, junto com a filha Evellin Cunha, a produção de bananas em ambiente sombreado, a recuperação das nascentes do sítio e o solo rico em material orgânico. A principal atividade da família é a produção de banana, mas eles estão buscando uma maior diversificação, por meio do cultivo do chuchu, do maracujá e do palmito pupunha e em consequência, a ampliação das alternativas de acesso aos mercados e a geração de renda. O grupo pode trocar na prática informações sobre as formas de corte da bananeira para a colheita do cacho, e também o melhor sombreamento do bananal, por meio do manejo da copa das árvores, para uma boa produtividade.
O curso Árvores na Agricultura acontecerá quinzenalmente envolvendo agricultores e técnicos de mais de 20 localidades e pretende a partir da prática de cada família, construir junto aos participantes princípios para implantação de árvores nos sistemas produtivos. As experiências familiares também gerarão sistematizações para o Banco de Experiências do Agroecologia em Rede.
O Curso faz parte do Projeto Árvores na Agricultura Familiar na Conservação da mata Atlântica, desenvolvido e executado pela AS-PTA em parceria com as associações de agricultores familiares da região metropolitana, a Embrapa Agrobiologia, a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, o Campus da Mata Atlântica da Fiocruz e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Este projeto conta com o financiamento do Tropical Forest Conservation Act (TFCA)/Fundo para a Biodiversidade (Funbio).

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