Diversidade promove segurança alimentar de famílias assentadas em SC

No dia 28 de setembro, as famílias receberam a visita de representantes da AS-PTA e da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), bem como professores e estudantes da escola Estanislau Schumann, de Bela Vista do Toldo, e do Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Estadual Túlio de França, em União da Vitória.

O objetivo era proporcionar aos visitantes, principalmente aos estudantes, a oportunidade de testemunhar como as famílias assentadas têm conseguido manter sua autonomia e garantir sua segurança alimentar por meio do cultivo e da conservação da diversidade, do resgate e valorização das sementes crioulas de diversas espécies, da recuperação do solo com plantio de adubos verdes para cobertura, do uso de caldas caseiras, da diversificação de árvores frutíferas e do planejamento da safra de verão.

Já na recepção, foram oferecidos diversos tipos de bolos e doces produzidos no assentamento com alimentos ecológicos. Após as boas-vindas e a abertura do evento por dona Iraci, uma das assentadas, foi feita uma divisão dos participantes em quatro grupos para dar início à visita às propriedades em forma de carrossel.

Para Jurandir Bassani, um dos agricultores visitados, nesses momentos de intercâmbio é importante explicar que aquela situação nem sempre foi assim.

Sempre gosto de contar um pouco da história do assentamento, que antes era plantação de pinus e ficávamos debaixo da lona. O que me entristeceu foi ver quando começaram a derrubar todo o pinus e a retirar a camada mais preciosa do solo com trator de esteira. Dois anos após, não nascia nem mato, mas hoje com adubação verde já estamos produzindo alimentos e tirando o nosso sustento.

O agricultor João de Lima complementou:

No início sofremos muito, mas hoje temos uma boa produção para nos alimentarmos e para vender gerando renda. O importante é ter a diversidade de alimentos para por na mesa, temos autonomia e não precisamos de financiamentos.

Encerradas as visitas, os grupos se reuniram e apontaram os aspectos que lhes chamaram mais atenção. Para a maioria, o grande destaque foi a conservação das sementes crioulas e a forma coletiva de trabalhar das famílias, que organizam mutirões e formaram um banco de sementes comunitário para atender a todos.

Mas os agricultores não se dão por satisfeitos e pensam em novas estratégias para melhorar cada vez mais a qualidade de vida no assentamento. Para tanto, pensam em montar campos de multiplicação de adubos verdes de verão, realizar mutirão para a colheita dos adubos verdes de inverno, iniciar plantios de milho e mandioca consorciados com adubos verdes de verão, conduzir experimentos com as diversas espécies de hortaliças tradicionais, em parceria com a Embrapa, e de adubos verdes de verão, como feijão de porco, mucunas, guandú anão, crotalárias de quatro tipos e girassol.

A agricultora dona Iraci de Lara fala com orgulho das práticas adotadas pelas famílias no Assentamento Mimo e que podem servir de referência para outros agricultores, pesquisadores e estudantes:

A maior riqueza que temos dentro do assentamento é a grande diversidade de sementes crioulas que estamos conseguindo produzir e receber sempre pessoas, principalmente professores e alunos, que serão o nosso futuro para a Agroecologia.

 

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