6ª Feira Agroecológica e Cultural da Juventude Camponesa discute os riscos dos agrotóxicos e atrai um grande público a Lagoa Seca

Na manhã da sexta-feira, 03 de agosto, mês em que se comemora o Dia Internacional da Juventude, a Comissão de Jovens do Polo da Borborema, uma rede de 14 sindicatos de trabalhadores rurais da região do Agreste da Borborema, na Paraíba, comemorou a data realizando a sexta edição da Feira Agroecológica e Cultural da Juventude Camponesa. As Feiras da Juventude acontecem duas vezes por ano e buscam dar visibilidade ao trabalhado dos jovens agricultores, onde podem expor e comercializar produtos, trocar experiências e desenvolver talentos artísticos.

O evento aconteceu no centro de Lagoa Seca-PB, município distante 9km de Campina Grande e atraiu centenas de pessoas a procura de alimentos mais saudáveis, como a dona de casa Maria Tomé de Souto, moradora da cidade que soube da feira pelo esposo e fez questão de comparecer: “Essa é uma iniciativa muito boa, pois é uma oportunidade para que os jovens fiquem na agricultura. Antigamente, só o que a gente via era o jovem ir embora trabalhar fora, então com espaços como esse, podem trabalhar na terra”, comentou.

Em 2018, a Feira trouxe o tema: “Alimentar com Agroecologia é promover a Democracia”, como um alerta à sociedade acerca da forma antidemocrática com que matérias como o Projeto de Lei Nº 6.299/02, conhecido como o ‘PL do Veneno’, que reduz o controle sobre o uso de agrotóxicos, vem sendo aprovados em comissões da Câmara dos Deputados, à despeito dos enormes riscos à saúde da população. Abrindo a feira, uma encenação, mostrou que existe um setor da sociedade ligado ao agronegócio, que está muito bem organizado e representado no Congresso Nacional, na chamada bancada ruralista, que tem os olhos voltados para altos lucros, sem maior preocupação com o meio ambiente e a saúde das pessoas. “Estamos vendo essa bancada ruralista aprovar o PL do veneno e está na hora de debater a democracia, a política, os jovens tem entendimento sobre isso e precisamos fortalecer a agroecologia nesse cenário”, afirmou Ana Paula Cândido, liderança da Comissão de Jovens do Município de Queimadas.

“Todo mundo quer viver muito, mas às vezes esquecemos de querer viver bem, então, estamos aqui para mostrar, com nosso trabalho, com nossa produção, que a agroecologia é o caminho para promover a nossa saúde, respeitando todas as outras formas de vida, seja vegetal, seja animal, a natureza em si”, disse o jovem Mateus Manassés, de 22 anos, agricultor e criador do sítio Soares, município de Queimadas, em seu depoimento durante a feira.

Jéssica Raquel Pereira dos Santos, de 26 anos, do Assentamento Oziel Pereira, em Remígio, também deu o seu depoimento enquanto jovem feirante. Ele faz parte da EcoBorborema, associação de feirantes agroecológicos do Polo da Borborema, que organiza atualmente uma rede de 12 feiras agroecológicas na região e é parceira da Comissão de Jovens na realização das Feiras da Juventude.

A feira expos uma diversidade grande de produtos como macaxeira, fava, feijão, jerimum, batata doce, batatinha, hortaliças variadas, mel, ovos, leite, queijo, manteiga, doces, polpas de fruta, sucos, bolos, beijus, tapiocas e artesanato, espalhados pelas 15 tendas montadas na rua José Caetano de Andrade, às margens da BR 104 que corta a cidade. Uma sequência de apresentações culturais também fez parte da programação com as apresentações do trio de forró pé de serra “Forró da Manga” de Remígio-PB, o grupo de percussão “Afrovida” de Lagoa Seca e o grupo de teatro do Núcleo de Extensão Rural em Agroecologia da Universidade Estadual da Paraíba – NERA – UEPB, além da declamação de cordéis, poesia e show de voz e violão promovido pelos jovens da Comissão.

Uma novidade desta edição da feira foram as duas Tendas Pedagógicas, abertas à visitação da população. De um lado, a tenda que representa a ‘agricultura da morte’, com distribuição de materiais de alerta sobre os riscos dos agrotóxicos, vídeo explicativo sobre os transgênicos e exposição de alimentos contaminados. Do outro lado, uma tenda representou a ‘agricultura da vida’, com degustação de alimentos produzidos sem veneno, distribuição de materiais educativos, receitas de fertilizantes, defensivos naturais e doação de 200 mudas para os visitantes.

Jadson Vieira é professor de história do 8º e 9º ano do ensino fundamental da rede municipal e do ensino médio da rede estadual em Lagoa Seca, ele trouxe seis de suas turmas de alunos para visitarem a feira: “Acho que é pela valorização da cultura e dos saberes do campo, pois vivemos em um município onde mais de 60% dos alunos vem da zona rural, portanto isso aqui representa a cultura, a memória deles. Eu quis também promover uma vivência mais politizada sobre o alimento e a sua origem”, disse.

Lívia Cirino dos Santos Freitas, de 14 anos, participou pela segunda vez da Feira Agroecológica e Cultural da Juventude, ela e os primos vieram do Sítio Mineiro, em Lagoa Seca e trouxeram laranja, batata doce, goiaba, macaxeira, jerimum e chuchu. Carlos Henrique Flor da Silva, de 14 anos, fez questão de dizer: “Essa macaxeira foi colhida hoje, por mim”. Assim como eles, Deiziane Alexandre Ferreira, de 14 anos, do Sítio Cachoeira do Gama, em Matinhas-PB, se envolveu no e da Comissão de Juventude por meio da Campanha pela Valorização da Vida na Agricultura Familiar, um trabalho que envolve crianças filhos e filhas de agricultores da região do Polo da Borborema. “De tão nova, nem lembro quando comecei a participar, mas sempre ia para as reuniões com minha mãe e, aos 11 anos participava da campanha com as crianças, hoje já participei de vários encontros da juventude e hoje estou aqui na feira, pela segunda vez”, disse.

No final da manhã, com as barracas quase todas vazias, a feira foi encerrada com uma ciranda entre os participantes, reafirmando o seu lema: “Juventude e Agroecologia: a luta é todo!”. “Mais uma vez cumprimos a nossa missão e a feira superou nossas expectativas”, avaliou Márcia Araújo, liderança da Comissão de Jovens do município de Lagoa Seca.

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