Encontro reúne agricultores produtores de batata agroecológica na Borborema, instituições de pesquisa e assessoria técnica

Cerca de 120 agricultores e agricultoras de nove municípios da região da Borborema na Paraíba estiveram reunidos com representantes de instituições de pesquisa e assistência técnica no “V Encontro sobre Produção da Batatinha Agroecológica no Território da Borborema”, realizado em Esperança-PB, na última terça-feira (19), data simbólica por ser o dia de São José, conhecido no Nordeste como padroeiro das chuvas.

Os participantes compõem a Comissão Territorial da Batata Agroecológica, formada desde 2011 com o objetivo de articular atores e políticas públicas na região pela revitalização da cultura da batatinha em bases agroecológicas. A proposta do encontro foi socializar os resultados de estudos realizados no território sobre a qualidade dos solos e o controle de pragas e doenças sem o uso de veneno, organizar a distribuição das cerca de 30 toneladas de batata semente destinadas a cerca de 250 famílias da região e planejar a continuidade das ações e pesquisas participativas para 2019.

O encontro teve início com uma apresentação de Nelson Ferreira, agricultor de Lagoa Seca e liderança do Polo da Borborema, que relembrou a trajetória da Comissão e do processo de revitalização da cultura da batata desde 2010, fazendo um paralelo com épocas passadas, quando a batata foi uma cultura de renda na região. Nelson trouxe as conquistas deste trabalho com a produção diversificada, as novas variedades testadas e introduzidas, o diálogo com o poder público e as novas famílias beneficiadas.

Ele relembrou ainda os desafios do ciclo prolongado de secas, a necessidade de refrigeração devido a rápida degeneração da batata semente, além do uso de veneno na cultura que persiste por parte de algumas famílias não integradas a  rede de produtores agroecológicos: “Hoje é mais do que uma coisa medicinal, mais do que uma exigência do planeta, plantarmos sem veneno, sem insumos químicos”, disse.

A professora do Curso de Agroecologia da Universidade Estadual da Paraíba, Élida Barbosa Correia, responsável por uma parte das pesquisas participativas realizadas no território, falou sobre o sistema de produção com enfoque agroecológico e, mesmo diante do fato de a batata ser uma cultura exigente do ponto de vista de solo, nutrientes e clima, ressaltou suas vantagens econômicas e o potencial que a região tem para essa produção: “A batata agroecológica tem um ganho com relação à convencional, por mais que ela produza menos, o peso dela é maior, a acumulação de matéria seca é maior, por isso ela se torna mais rentável, o que tem feito muitos produtores convencionais migrarem para o modelo agroecológico. A Paraíba é uma referência nacional neste tipo de produção e estes estudos vão contribuir para que a gente tenha um material produzido com estas informações que podem ajudar a outros produtores de batata”.

Em sua apresentação, Élida listou as principais doenças que atingem a cultura: “murchadeira”, canela seca, crosta preta, podridão mole e seca, sarna e sarampo e as principais pragas: pulgão e vaquinha. “A prevenção é a melhor forma de controle de pragas e doenças. E a chave para isso é o aumento da biodiversidade no ambiente, por meio dos consórcios das chamadas culturas companheiras, cuidado com a saúde do solo e o controle biológico natural com o uso de caldas, biofertilizantes, etc.”

Foi socializada ainda com as famílias o resultado de uma pesquisa realizada em parceria com o Instituto Nacional do Semiárido – INSA, sobre a produção sustentável da batatinha no planalto da Borborema, por meio do pesquisador bolsista Wagner dos Santos. No estudo, foram analisadas 500 amostras de solos de 25 propriedades de famílias produtoras de batatinha. “A importância do conhecimento do solo está no fato de que quanto mais eu estudo o solo por dentro, mais eu vou poder trabalhar e saber exatamente o que eu preciso colocar para balancear esse solo”, comentou Aldrin Pérez, pesquisador do INSA.

No período da tarde, os presentes se dividiram em grupos e elencaram propostas para a continuidade do trabalho no município nas áreas da formação, pesquisa e comercialização, entre elas estão: a continuidade das oficinas de defensivos naturais, biofertilizantes e das pesquisas com o pó de rocha; a criação de uma comissão de acompanhamento da batata semente; exigir a implantação de um frigorífico permanente em Lagoa Seca; garantir a devolução adequada das sementes; buscar estimular as compras governamentais da produção e fortalecimento das feiras agroecológicas como espaços de comercialização, melhorando sua divulgação.

Armazenamento Batata Semente

No final de 2018, fruto da cobrança das famílias do território e da atuação da Comissão, o Governo da Paraíba, realizou a compra de 30 toneladas de batata semente da variedade electra, bem como se comprometeu com o aluguel de quatro conteiners refrigerados para armazenamento até o período de plantio, estimado a ser realizado nas primeiras semanas de abril.

Outro ponto debatido durante a reunião foi o fim do contrato de aluguel dos quatro conteiners frigoríficos, anunciado pelos representantes da Empaer presentes à reunião, fato que coloca em risco a qualidade das sementes, o que preocupou os agricultores a quem elas estão destinadas: “Não podemos permitir que esta semente se perca, todos sabemos que ainda não é época do plantio da batatinha, precisamos resolver logo isso e se for preciso a gente se junta e ocupa até a secretaria para exigir que o Governo encontre uma solução”, afirmou Anilda Batista, do assentamento Oziel Pereira em Remígio-PB.

Por fim, ficou definido que uma comissão tirada no encontro iria ter uma audiência na Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca – SEDAP com o Secretário Efrain Morais para buscar uma solução para o impasse. A reunião foi encerrada com uma reverência a São José.

Compõem a Comissão Territorial da Batata Agroecológica da Borborema: o Polo da Borborema, a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, o Centro Vocacional Tecnológico de Agroecologia e Produção Orgânica: Agrobiodiversidade do Semiárido – CVT, o Banco do Nordeste – BNB e a Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária – Empaer.

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