Mais de 250 mulheres ocuparam as ruas, reafirmando que o combate às violências é dever de toda a sociedade
O grito “O mundo que a gente quer não tem violência contra a mulher” ecoou nas ruas do município de São João do Triunfo, no Centro-Sul do Paraná. Entoada por centenas de mulheres, este foi o lema da 1ª Marcha do Grupo de Mulheres do Coletivo Triunfo, realizada nesta quarta, 11 de março, à tarde.
As mulheres ocuparam as ruas em defesa de seus direitos, para denunciar as opressões que vivem e dizer que combater a violência contra a mulher é dever de toda a sociedade. O ato marcou um momento histórico para o movimento regional de mulheres, que vem se consolidando nos últimos anos.
“Foi uma maravilha essa marcha, eu nunca tinha participado. Pra mim foi muito bom porque nós mulheres só queremos nossos direitos e proteção das pessoas, e também pedir às autoridades, que nos representam, que combatam a violência contra as mulheres, tantas que já se foram e cada dia que passa está ficando pior”, conta Silvana Cordeiro, agricultora assentada em Teixeira Soares.
O grupo de mulheres, criado em 2020, faz parte do Coletivo Triunfo e é formado majoritariamente por agricultoras familiares de diversos municípios da região. Cada uma traz e compartilha sua história, sua luta e a esperança de um mundo mais seguro para todas as mulheres.
Durante a manhã, ocorreu a preparação para este importante ato público com a realização da mesa de debate “Combate às violências contra as mulheres: conhecer para transformar! Dados, resistências e acolhimento”. Foram apresentados dados sobre os casos de violência nos municípios em que o grupo está presente, as diferentes formas que ela ocorre, além dos canais de acolhimento e proteção.
Buscou-se promover o aprofundamento de vínculos entre as mulheres, trazendo visibilidade para o tema, além das estratégias para combater as violências, colaborando com uma leitura mais aprofundada da realidade da região Centro-Sul do Paraná. Socializar tanto as denúncias quanto às resistências, como a importância da auto organização das mulheres na tecitura de redes de apoio.
Para a agricultora Silvia Luciane Horst, que já participou de um intercâmbio para a Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, realizada pelo Polo da Borborema, na Paraíba, conta que “esse encontro foi muito especial, espero que aqui também as pessoas vejam a marca como um pedido de socorro pelas mulheres que não tem voz e que olhem pra marcha com carinho e respeito pela vidas das mulheres. Nós não estamos afrontando ninguém, apenas queremos conscientizar que as nossas vidas são muito importantes e que a mulher precisa ser respeitada, amada e protegida”.
De acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2024, o Paraná registrou 109 feminicídios, apresentando o quarto maior índice de todo o país. Os dados dos municípios também são alarmantes, com crescente registro de casos de violência doméstica e denúncias no canal 180.
Conhecer os direitos e deveres, acessar canais de acolhimento e outras políticas de proteção à mulher pode ser muito mais difícil no meio rural, seja pela escassez de serviços e/ou de informação. Em um país onde os números de feminicídio crescem e tantas vozes ainda são silenciadas, principalmente no meio rural, é preciso criar espaços de apoio.
“Saímos às ruas com bandeiras erguidas, cartazes nas mãos e coragem no coração. Cada passo era também um grito por justiça. Cada música cantada em conjunto era um compromisso com a vida das mulheres, das que já se foram e das que virão”, afirma Miriane Serrato, assessora técnica da AS-PTA.