“Meu sonho é continuar na agricultura, aqui é o meu lugar, é onde eu tenho tudo”. Foi assim que Solange Fagundes começou a contar sua história de vida, dando as boas-vindas ao encontro do Grupo Quintais Produtivos. A agricultora mora e produz há 26 anos no Assentamento José Maria, na comunidade de Faxinal dos Mineiros, em São João do Triunfo, no Centro-Sul do Paraná.
Esta é a segunda vez que a agricultora recebe o grupo em sua propriedade, que reúne agricultoras familiares de diversas comunidades rurais dos municípios de Palmeira, São João do Triunfo e Teixeira Soares. Para ela, é sempre um “espaço de troca e aprendizado, eu participo dos Quintais tem mais de dois anos e gosto muito”. O encontro aconteceu na última quinta-feira, 26, e contou com dois momentos especiais.
Enquanto Solange narrava sua história, ia também percorrendo a propriedade através de um desenho feito por toda a família, o croqui. Mostrou as áreas de lavoura, o pomar, todo o seu quintal produtivo. Os fluxos internos e externos revelam as conexões entre as diferentes áreas de produção e consumo da família.
Do mapa para o campo, a agricultora levou o grupo para uma travessia pelas áreas mais próximas da casa. Explicou, entre a colheita de um figo e de tomates que ainda persistem em produzir, o papel que a composteira cumpre na ciclagem dos nutrientes. “Eu vou jogando as folhas e esterco aqui, deixo descansar e depois coloco na horta de novo, isso deixa minha horta ainda mais rica”. Ou seja, onde nada se perde: folhas e esterco se transformam em adubo e fortalecem ainda mais a produção.
Grande parte do que sai do quintal vai direto para a mesa da família, garantindo diversidade e qualidade nos alimentos. O excedente é comercializado principalmente na comunidade e em mercados territoriais, contribuindo diretamente com a renda familiar. Solange conta que “tem afinidade com o tomate, produzo desde que casei”.
Construindo conhecimento
Para ela, a agricultura é mais que trabalho, é vida, é o que sustenta e faz sentido. E é a partir dessa reflexão que a trajetória da família está sendo analisada conjuntamente, com apoio do percurso proposto pelo Método Lume, desenvolvido pela AS-PTA.
Um dos seus objetivos é ajudar a família a olhar com mais profundidade para o seu agroecossistema e as estratégias criadas para seguir na agricultura familiar. É um processo de análise que valoriza o trabalho da família, os fluxos de produção e consumo, o uso dos recursos e a trajetória construída ao longo do tempo.
A família Fagundes Vieira – formada por Solange, seu marido e seu filho, está sendo acompanhada pela AS-PTA através do projeto “Promoção, fortalecimento e ampliação de sistemas de produção agroecológicos e em transição”, no edital Da Terra à Mesa, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). Na região Sul o projeto é executado em rede através da parceria entre cinco organizações – AS-PTA(PR), Centro Vianei (RS), Cetap (RS), CEPAGRO (SC) e CEMEAR (SC)
Experimentação agroecológica
Durante o encontro, o grupo também aprendeu na prática. Juntas, as mais de 30 mulheres presentes no encontro, prepararam um biofertilizante que Solange usa há mais de 10 anos na horta. A receita pode ser conferida na imagem abaixo.
São muitas vezes iniciativas simples como a produção do biofertilizante, que cabem na realidade das famílias e que fazem diferença no dia a dia. Cada uma pôde levar um pouco do biofertilizante para casa e, no próximo encontro, contar da sua experiência de uso.
O quintal das famílias agricultoras é um espaço fundamental dentro da propriedade. É dali que sai boa parte dos alimentos que vão para a mesa, onde se constrói saúde, se aprende no dia a dia e se troca conhecimento — seja entre gerações da própria família ou na conversa de uma comadre com a outra. Para conhecer mais da história da Solange, acesse o boletim clicando aqui.