No bairro de Geneciano, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a agroecologia é prática cotidiana de cuidado, saúde e resistência. E está presente na trajetória de Rosinéia Soares, Tonha, agricultora urbana que há quase duas décadas cultiva alimentos saudáveis nas faixas de dutos da Petrobras e no quintal de casa, integrando produção, saberes tradicionais e organização comunitária.
Mulher negra, mãe e avó, ainda criança, Tonha aprendeu com a mãe a plantar para garantir comida em tempos difíceis. Anos depois, esse aprendizado se transformou em protagonismo no território, fazendo dela uma referência da agricultura urbana agroecológica em Nova Iguaçu.
Desde 2005, quando passou a integrar o Projeto de Agricultura Familiar Agroecológica em Faixas de Dutos (PAF Dutos), Tonha consolidou sua atuação no Lote Azaleia, área onde cultiva hortaliças, frutas e plantas medicinais. Ao longo do tempo, também ampliou a produção no quintal de casa, integrando criação de aves, piscicultura e o uso medicinal das plantas. A diversidade produtiva garante o autoconsumo da família e a comercialização de excedentes na própria comunidade, fortalecendo a segurança e a soberania alimentar no território.
A experiência de Tonha foi sistematizada no boletim “Tonha e família: produção agroecológica na Baixada Fluminense”, que apresenta um estudo de caso desenvolvido a partir do Método Lume, criado pela AS-PTA. O método permite analisar os agroecossistemas para além da produção, evidenciando relações sociais, impactos na saúde, geração de renda e organização comunitária.
O boletim mostra como a agroecologia, no contexto urbano e periférico, atua como estratégia de promoção da saúde. A alimentação diversificada, o uso de plantas medicinais, a redução da dependência de mercados externos e o fortalecimento dos vínculos comunitários são resultados concretos do trabalho desenvolvido por Tonha e sua família.
Ao mesmo tempo, o estudo aponta desafios estruturais, como a descontinuidade de projetos e a fragilidade das políticas públicas voltadas à agricultura urbana. Ainda assim, a experiência revela a potência das mulheres negras agricultoras na construção de territórios mais justos, saudáveis e sustentáveis, reafirmando a agroecologia como caminho possível e necessário para as cidades.
Mais do que uma história individual, a trajetória de Tonha expressa um projeto coletivo de cuidado com a vida, com a terra e com as pessoas, demonstrando como a agroecologia pode fortalecer pessoas que estão em contextos marcados por desigualdades.
Acesse o boletim completo “Tonha e família: produção agroecológica na Baixada Fluminense”.