Boletim 592 – 13 de julho de 2012

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POR UM BRASIL ECOLÓGICO,

LIVRE DE TRANSGÊNICOS & AGROTÓXICOS

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Nas asas do mosquito transgênico

Car@s Amig@s,

Propaganda é a alma do negócio. A indústria dos transgênicos bem sabe disso e usa e abusa da velha máxima. A mais nova promessa de redenção atende pelo nome de mosquito transgênico. Uma versão geneticamente modificada do Aedes aegypti para teoricamente combater a dengue.

Antes mesmo da comprovação da eficácia do método os novos mosquitos têm povoado o noticiário nacional e internacional. Uma nova fábrica de mosquitos acabou de ser inaugurada com pompa e circunstância e prestigiada pelo ministro da saúde e pelo governador da Bahia, entre outras autoridades. A fábrica custou R$ 1,7 milhão e é operada pela Moscamed, organização social ligada ao Ministério da Agricultura e ao governo da Bahia. No meio de tamanha euforia só mesmo um estraga prazeres lembraria de perguntar sobre os potenciais riscos desses milhares de mosquitos transgênicos que desde 2011 vêm sendo soltos em bairros da cidade de Juazeiro-BA.

A técnica da dominância letal foi desenvolvida pela empresa inglesa Oxitec. Em tese, o macho modificado em laboratório cruza com as fêmeas silvestres do mosquito e transmite esterilidade às larvas, desde que na ausência de contato com o antibiótico tetraciclina.

Mas ficam algumas perguntas. Todos os mosquitos descententes do cruzamento com o macho modificado morrem? A Oxitec fala em 3% de sobrevivência. O que acontece nesses casos, considerando que as áreas dos testes são habitadas? O relatório parcial dos ensaios a campo apresentado à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança em novembro do ano passado, ao qual a AS-PTA teve acesso, não traz essa informação. Diz apenas que “a construção do transgene é prevista para que o transgene não se fixe no meio ambiente em nenhuma hipótese”.

No laboratório são produzidos machos e fêmeas, e teoricamente só os machos são liberados no meio ambiente. Qual a chance de fêmeas modificadas serem também liberadas? Existe método de separação 100% eficaz?

Quais os efeitos ecológicos de se reduzir a população de A. aegypti, que também transmite a febre amarela? Outros vetores ocuparão seu nicho? Seria mais oportuna uma estratégia de substituir o mosquito de modo a não evitar um vazio ecológico?

Na presença do antibiótico tetraciclina as larvas transgênicas sobrevivem. Há estudos mostrando que certa quantidade do produto é encontrada em lodo e áreas úmidas nos ambientes urbanos. Essas quantidades são suficientes para não ativar o transgene que suprime as larvas? Os bairros onde o experimento está sendo feito possuem saneamento precário, informa o relatório.

Qual o efeito de supressão das larvas verificado a campo? Qual a taxa de redução da presença do mosquito? E sua relação com a incidência da doença?

A população local foi informada sobre os potenciais riscos da tecnologia ou só sobre os potenciais benefícios do projeto, divulgados em jingles e spots promocionais em rádio e TV? Foram ao menos informados que se trata de um inseto transgênico?

As 17 páginas do relatório não apresentam conclusões nem essas informações, deixando os estraga prazeres sem resposta. Enquanto isso, voam os “transgênicos alados do sertão”, como destacado hoje na capa do jornal O Globo. Mas se promessas transgênicas ganham asas, o mesmo não se pode dizer dos resultados que se colhe quando as mesmas aterrissam. Mas até lá a fanfarra estará ocupada anunciando a próxima novidade.

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Banimento dos banidos

O Brasil ainda permite o uso de agrotóxicos perigosos já proibidos em outros países. Participe do abaixo-assinado exigindo o banimento desses produtos no Brasil.

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Neste número:

1. Europa aceitará soja RR 2 da Monsanto

2. França proíbe Tiametoxam

3. Monsanto quer tungar 7,5% da receita dos agricultores pela soja RR 2

A alternativa agroecológica

Práticas agroflorestais em foco: uma proposta de regulamentação para as agroflorestas e para o pousio no estado do Rio de Janeiro

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1. Europa aceitará soja RR 2 da Monsanto

Comissão Europeia aprova comercialização do grão e reconhece segurança da semente geneticamente modificada

A Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) comemora a decisão da Comissão Europeia que aprovou, em 28 de junho, a comercialização da nova tecnologia de soja transgênica que combina, na mesma semente, tolerância a herbicidas e resistência a insetos. Para a entidade, a aprovação representa a abertura do mercado internacional para o produto brasileiro, além do reconhecimento da segurança das sementes geneticamente modificadas para o mundo.

A Europa é o segundo principal destino das exportações brasileiras de soja, atrás apenas da China. Com a decisão, os produtores agora têm a garantia de um novo mercado consumidor para escoar a produção de soja transgênica.

De acordo com a Abrasem, o marco regulatório brasileiro é um dos mais evoluídos do mundo com relação aos organismos geneticamente modificados. No entanto, a entidade acredita que os mercados importadores não acompanham o ritmo com que as empresas brasileiras investem em novas tecnologias de sementes.

Um dos principais benefícios da semente transgênica, tanto para o produtor quanto para o meio ambiente, é a redução da necessidade do uso de herbicidas nas lavouras. [As redações seguem reproduzindo acriticamente mais essa falsa promessa da indústria, que não se sustenta diante dos resultados obtidos nas lavouras modificadas, como mais uma vez demonstrado pelo pesquisador americano Charles Benbrook]

Globo Rural On-line, 06/07/2012.

2. França proíbe Tiametoxam

O ministro da agricultura francês Stéphane Le Foll anunciou, no último dia 28, o banimento do agrotóxico Cruiser OSR, usado no tratamento de sementes de colza, em função das suspeitas de causar efeitos danosos sobre as abelhas.

A Agência sanitária para alimentação e meio ambiente (Anses), também em junho, denunciou o impacto da molécula Tiametoxam (ingrediente ativo do Crusier) sobre as abelhas.

As populações de abelhas vêm declinando de forma acelarada e misteriosa nos últimos anos pelo mundo, fenômeno que desestabiliza os ecossistemas e que reforça as críticas feitas ao uso massivo de agrotóxicos.

Com informações de Le Monde, 29/06/2012.

p.s. No Brasil, o Tiametoxam está, segundo a Anvisa, na classe toxicológica III (moderadamente tóxico) e tem seu uso autorizado para 35 culturas, em diferentes modalidades de emprego, incluindo o tratamento de sementes de: algodão, amendoim, arroz, batata, cevada, feijão, girassol, milho, pastagem, soja, sorgo e trigo.

3. Monsanto quer tungar 7,5% da receita dos agricultores pela soja RR 2

Fetag não irá negociar royalty

Após consultar coordenadores de regionais produtoras de soja nos últimos dias, a Fetag decidiu não participar das negociações com a Monsanto sobre os royalties da Intacta RR2 Pro. Farsul e Fecoagro contestam a tabela estipulada pelo uso da nova tecnologia, ainda não liberada. Os valores vão de R$ 115,00 a R$ 127,00 por hectare ou 7,5% na moega. Hoje, o custo da soja transgênica da Monsanto varia de R$ 18,00 a R$ 24,00/ha ou 2%.

Segundo o presidente Elton Weber, a Fetag discorda da cobrança sobre a produção e, por isso, é parte de processo judicial movido contra a empresa. No início deste mês, Weber não pôde comparecer à reunião realizada pelas federações e pela CCGL Fundacep, mas, conforme a ata do encontro, teria manifestado intenção em participar na sequência de tratativas. “Nossa posição, hoje, reafirma o que foi decidido em assembleia.”

Correio do Povo, 13/07/2012.

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p.s. Onde estão empresas públicas como Embrapa e outras que ao invés de oferecer alternativas aos agricultores aliam-se às grandes do setor e reforçam o monopólio sobre as sementes?

A alternativa agroecológica

Práticas agroflorestais em foco: uma proposta de regulamentação para as agroflorestas e para o pousio no estado do Rio de Janeiro

Agricultores de diversas regiões do estado do Rio de Janeiro discutem sobre suas práticas agroflorestais e trocam experiências sobre a convivência com a Mata Atlântica durante o Seminário Estadual sobre Regulamentação de Sistemas Agroflorestais e de Pousio contribuindo para o fortalecimento do conhecimento agroecológico no Rio de Janeiro.

O Seminário Estadual sobre Regulação de Sistemas Agroflorestais e Pousio foi realizado em junho em Casimiro de Abreu (RJ) e reuniu cerca de 70 pessoas, entre agricultoras e agricultores familiares de diversas regiões do estado do Rio, pesquisadores e extensionistas rurais. O evento materializou uma demanda real destes atores que convivem e atuam no Bioma Mata Atlântica, por meio da promoção do debate a cerca da regulamentação estadual das práticas agroflorestais e de pousio, a partir da realidade dos sistemas de produção familiares que envolvam o manejo da floresta.

Dentro das atividades promovidas pelo Projeto Semeando Agroecologia na região periurbana do Rio de Janeiro, as práticas agroflorestais vêm ganhando uma atenção especial. Desde abril vem sendo realizado na comunidade de Marapicu em Nova Iguaçu o Curso de formação em práticas agroflorestais, que tem o objetivo de estimular e qualificar as práticas dos agricultores familiares a partir das especificidades de seus terrenos. A capacitação está sendo realizada com base nas experiências de cultivos dos grupos presentes, envolvendo sessões em salas de aulas e visitas de intercâmbio às áreas dos agricultores de Marapicu e de agricultores de outras comunidades e até de outras regiões do Estado do Rio, como Paraty e Casimiro de Abreu.

As práticas agroflorestais e de pousio são formas de uso e manejo das árvores nos agroecossistemas que permitem a melhoria das condições de fertilidade e de preservação do solo, a geração de autonomia e a maior segurança alimentar das famílias agricultoras. Segundo Claudemar Mattos, assessor técnico do AS-PTA, as práticas agroflorestais são uma alternativa para um desenvolvimento rural sustentável dentro dos princípios ecossociais, compatibilizando a agricultura familiar com a preservação da vida e conservação dos recursos naturais. A integração das árvores nas paisagens agrícolas, bem como as práticas agroflorestais auxiliam na reabilitação de terras degradadas, protegem as bacias hidrográficas, contribuem para a melhoria do clima e aumentam a biodiversidade acima e abaixo do solo, melhorando o equilíbrio dos ecossistemas e amenizando as adversidades ambientais. Benefícios que podem ser obtidos mesmo em comunidades que estão mais próximas dos centros urbanos, como é o caso de Marapicu.

Embora, nos últimos dez anos, a política pública federal tenha editado algumas normas legais que beneficiam a agricultura familiar, há certa insegurança e pouco esclarecimento dos agricultores e também dos agentes ambientais, no que se refere à relação da agricultura com o manejo das florestas, o que tem dificultado a ampliação das práticas agroflorestais no estado do Rio de Janeiro. Segundo Mattos, a realização deste seminário teve a intenção de qualificar o debate sobre a legislação ambiental e propor ajustes na legislação, para que esta esteja mais próxima da realidade das famílias agricultoras. Neste sentido, a reunião de agricultores de diferentes regiões do estado amplia e fortalece o debate. Todos os agricultores que participaram deste seminário são moradores do Bioma Mata Atlântica, e assim estão sob a mesma legislação ambiental, enfrentando assim entraves e desafios semelhantes.

Um momento importante do Seminário foi a troca de experiências entre os grupos presentes. Além de um panorama das práticas agroflorestais no estado, foi apresentada uma experiência de pousio por um agricultor de Bom Jardim, Sr. Antônio Izaltino. Experiências de fora do estado do Rio também foram apresentadas e ajudaram a esquentar o debate. A Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo apresentou como está sendo a aplicabilidade da regulamentação para as práticas agroflorestais do estado, e agricultores da Zona da Mata Mineira apresentaram os benefícios ecológicos que as práticas agroflorestais têm proporcionado à região.

Ao final de cada apresentação os participantes debateram e apresentaram questionamentos e reflexões, como por exemplo, sobre a valorização e reconhecimento das práticas de manejo das árvores, bem como sobre a necessidade de regulamentação do uso do fogo, nos casos de pousio, e ainda sobre a demora nos processos de licenciamento ambiental dos assentamentos rurais. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) também apresentou as considerações e propostas para a regulamentação agroflorestal e de pousio para o estado do Rio de Janeiro.

Ao final do evento, o representante do Inea, o Engenheiro Agrônomo Rodrigo Bacellar, anunciou que as reflexões apresentadas no seminário subsidiarão a elaboração de uma minuta para a regulamentação dos sistemas agroflorestais no estado do Rio. Esta minuta, que está em fase final de elaboração, será apresentada aos interessados, numa audiência pública, que está prevista para ocorrer ainda este ano.

O Seminário Estadual sobre Regulação de Sistemas Agroflorestais e Pousio foi organizado pelo Projeto Semeando Agroecologia, em parceira com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e a Associação Mico Leão Dourado (AMLD) e contou com o apoio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Desenvolvimento e Cidadania.

Fonte: http://aspta.org.br, 13/07/2012.

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Campanha Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos

Este Boletim é produzido pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e é de livre reprodução e circulação, desde que citada a AS-PTA como fonte.

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