Entre a produção e a participação, atividade junta agroecologia e democracia nas relações campo-cidade
A Rede de Juventudes da ASA Paraíba realizará, na próxima sexta-feira, dia 18, a Feira Regional Agroecológica e Cultural das Juventudes Camponesas, com o tema ‘Agroecologia e Democracia’. A atividade acontecerá na Praça da Bandeira, em Campina Grande, a partir das 8h, com alimentos saudáveis, artesanatos e materiais educativos e apresentações culturais.
Todas as atividades serão organizadas pelas juventudes, que do fruto do seu trabalho vão comercializar a chamada Comida de Verdade, com hortaliças, frutas da região, raízes, sementes, entre outros alimentos cultivados sem veneno; além de tapiocas, bolos, doces, pães, cuscuz e mungunzá, sem aditivos químicos e livres de transgenia.
Serão montadas mais de 15 barracas, com cerca de 50 jovens comercializando seus alimentos e produtos. Contabilizando a participação total, cerca de 200 jovens dos territórios do Agreste, Borborema, Cariri, Médio e Alto Sertão, Seridó e Curimataú protagonizam a realização da Feira.
Arte da Feira | Mayara Goes
Agroecologia e democracia
Mais do que um espaço de comercialização, a Feira propõe uma reflexão sobre a relação entre agroecologia, democracia e o direito de produzir alimentos saudáveis. Para Edson Posidônio, assessor técnico da AS-PTA e colaborador do GT de Juventudes da ASA-PB, a escolha do tema parte da compreensão de que a agroecologia não se resume às técnicas de produção. Ela também envolve participação, autonomia, acesso a direitos e a possibilidade de a juventude decidir sobre os rumos de seus territórios. “É um espaço de afirmação de que a agroecologia é o caminho e que, para ser exercida de fato e de direito, a democracia precisa estar andando lado a lado”, defende.
Nesse sentido, a Feira se apresenta como um exercício de cidadania das juventudes. Ao produzir, comercializar e dialogar diretamente com a população, os jovens ocupam o espaço público e afirmam a importância da agricultura familiar e camponesa para a sociedade. Segundo Edson, a iniciativa também representa um espaço de voz para as juventudes e de construção de uma sociedade mais justa, não apenas para os jovens, mas para diferentes gerações.
“É um espaço de voz e de afirmação da agroecologia e da democracia, olhando como um caminho para a construção de uma sociedade justa não só para os jovens, mas também para as crianças, para os adultos, para os idosos, para a sociedade como um todo”, destaca Edson.
Juventude, autonomia e permanência no campo
A Feira também busca fortalecer a autonomia de mulheres e homens jovens que vivem da agricultura de base agroecológica e resistem em suas comunidades, dando continuidade às experiências de suas famílias e construindo novas possibilidades de permanência no campo.
Ao reunir diferentes territórios, a iniciativa permite ainda a troca de experiências e conhecimentos entre as juventudes. A proposta também se contrapõe à ideia de que a única possibilidade de futuro para a juventude rural está na saída para os grandes centros urbanos. Ao contrário, a feira evidencia o campo como espaço de produção, cultura, trabalho, conhecimento e construção de autonomia.
Campo e cidade em diálogo
A iniciativa também aproxima campo e cidade ao colocar em contato direto quem produz e quem consome. Dessa forma, a feira contribui para ampliar o debate sobre segurança e soberania alimentar, mostrando que as escolhas sobre como e para quem os alimentos são produzidos também fazem parte da construção democrática da sociedade.