Construção de Galinheiro, cercamento da área de cultivo, hortas suspensas, proteção contra a entrada de animais e integração entre diferentes sistemas de produção marcam entregas nos quintais rurais e urbanos no Estado do Rio de Janeiro

O que começa com um mutirão de mulheres e termina com uma agricultora apresentando, com orgulho, cada canto de seu quintal revela muito mais do que a implantação de uma infraestrutura. Revela um processo de construção coletiva, troca de conhecimentos e fortalecimento da autonomia das mulheres agricultoras.
Foi assim no Quintal Produtivo de Graça. Depois de uma série de atividades de implementação, o espaço foi entregue simbolicamente, reunindo a agricultora, participantes do projeto e representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).
A entrega contou com a presença de Viviana Bezerra de Mesquita, representante e atual subsecretária da Subsecretaria de Mulheres Rurais (SMR),Joseane Costa da equipe da superintendente do MDA no Rio de Janeiro, e, também representante do Ministério.
Graça apresenta seu quintal
Na entrega simbólica, foi a própria Graça quem conduziu os visitantes pelo quintal. Com conhecimento e familiaridade, apresentou os diferentes espaços de produção e explicou como cada um deles se relaciona com o cotidiano da família.
O percurso passou pelo galinheiro, pelas áreas de cultivo de milho e feijão, pela composteira e pelos espaços produtivos localizados no entorno da casa. Graça destaca que a cerca trouxe uma mudança concreta para o quintal. Antes, a entrada de capivaras representava uma ameaça aos cultivos, causando danos às plantas. Com o cercamento, a área de produção passou a contar com maior proteção, criando melhores condições para o desenvolvimento das plantações.

A visita mostrou um sistema diversificado, no qual criação de animais, produção de alimentos, compostagem e manejo do solo acontecem de maneira integrada. Mais do que um espaço destinado exclusivamente à produção, o quintal se apresenta como um sistema vivo, construído a partir dos conhecimentos, das necessidades e das escolhas da agricultora.
A entrega do Quintal Produtivo de Graça marcou uma etapa importante do projeto, mas também evidenciou que o processo de transformação não termina com a conclusão da infraestrutura.
Os mutirões fortalecem os vínculos entre as participantes, possibilitam a troca de experiências e demonstram que o trabalho coletivo pode ser uma importante estratégia para enfrentar os desafios do manejo dos quintais.
Ao mesmo tempo, a experiência reforça o protagonismo das mulheres na construção de seus próprios sistemas produtivos. Graça não apenas recebeu uma estrutura: ela participou do processo, incorporou as melhorias ao seu cotidiano e, no momento da entrega, foi quem apresentou o resultado e compartilhou seus conhecimentos.
O Quintal Produtivo se consolida, assim, como um espaço de produção de alimentos, mas também de autonomia, segurança alimentar, cuidado com a natureza, geração de conhecimentos e fortalecimento das relações comunitárias.
Infraestrutura que responde às necessidades das agricultoras
Outra experiência de destaque foi a implementação da horta suspensa no Quintal Produtivo de Dona Leda, agricultora urbana com mais de 70 anos. A estrutura foi construída a partir da necessidade de adaptar o espaço produtivo às suas condições e facilitar a continuidade do trabalho no quintal.

Um quintal construído coletivamente A implantação aconteceu ao longo de diferentes momentos de trabalho coletivo. Os mutirões deram continuidade à implantação, os trabalhos exigiam esforço coletivo e mostraram a importância como estratégia para enfrentar os desafios encontrados no cotidiano das agricultoras.
Mariana Portilho, coordenadora do projeto, ressalta que a tecnologia possibilita que dona Leda realize boa parte das atividades de cultivo na altura das mãos, permanecendo em pé, reduzindo a necessidade de se abaixar durante o plantio, o manejo e a colheita. A adaptação contribui para proporcionar maior conforto e autonomia, além de criar melhores condições para que a agricultora continue produzindo e cuidando de seu quintal, adaptando o sistema produtivo às necessidades de dona Leda, garantindo que a idade não seja um impedimento para a continuidade de sua atividade.
Tomé Lima, assessor técnico agrícola da AS-PTA complementa dizendo que “a horta suspensa também possibilita ampliar o uso do espaço disponível e diversificar a produção de hortaliças, fortalecendo a produção de alimentos para o consumo da família. e que a experiência desses dois quintais evidencia que a implantação de uma estrutura só faz sentido quando responde às necessidades reais de quem vive e produz no território”.
Soluções construídas a partir de cada realidade
As experiências de Graça e Leda mostram que cada quintal possui uma realidade, desafios e potencialidades próprios. Em um, o cercamento passou a proteger os cultivos da entrada de capivaras; no outro, a horta suspensa foi pensada para facilitar o manejo, favorecer a autonomia de uma agricultora idosa e possibilitar uma maior diversidade de temperos e hortaliças sem a interferência dos animais.
Em ambos os casos, as estruturas foram acompanhadas por processos de trabalho coletivo, troca de conhecimentos e participação ativa das agricultoras. São soluções que partem do cotidiano e dos saberes das mulheres e que buscam fortalecer aquilo que elas já produzem e constroem em seus territórios.
Assim, os Quintais das Mulheres para o Bem-Viver não são apenas espaços que recebem investimentos em infraestrutura. São espaços de experimentação, produção de alimentos, cuidado, autonomia e construção coletiva, onde cada melhoria busca responder às necessidades concretas das mulheres e fortalecer sua permanência e protagonismo na agroecologia.
O resultado também mostra que as tecnologias implementadas nos quintais não devem ser compreendidas apenas como obras ou equipamentos. Elas precisam estar articuladas aos conhecimentos das agricultoras e às características de cada espaço.
Este projeto é celebrado pela Cáritas e realizado pela AS-PTA junto ao GT mulheres da AARJ, mediante o edital nº 01/2023 — Quintais Produtivos para Mulheres Rurais com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar (MDA), por meio da Subsecretaria de Mulheres Rurais (SMR) através do Termo de Fomento: 950532/2023
Para saber mais sobre as ações do projeto acesse:
3 de dezembro de 2024
Lançamento do projeto
https://aspta.org.br/2024/12/03/gt-mulheres-da-aarj-e-a-as-pta-aprovam-projeto-de-apoio-as-mulheres-por-meio-dos-quintais-produtivos-urbanos-no-rio-de-janeiro/
10 de dezembro de 2024
Roda de conversa no Encontro de Experiências de Agricultura e Saúde na Cidade (que alias ta com um erro, se puder ajeitar no site, texto duplicado)
https://aspta.org.br/2024/12/10/roda-de-conversa-economia-e-mulheres-na-agricultura-urbana/
1 de abril de 2025
Formações com as cadernetas
https://aspta.org.br/2025/04/01/projeto-quintais-das-mulheres-para-o-bem-viver-avanca-com-visitas-formacoes-e-preparacao-para-implementacao-de-tecnologias-sociais/